Eduardo Costa x Paulo Pelaipe
Eduardo Costa é conhecido por sua postura abertamente gremista, dentro e fora de campo. É um jogador com a alma e a cara do Grêmio, um atleta que, ano passado, fez questão de voltar ao Olímpico. Fala sempre francamente, sem medo de agradar A, B ou C e sempre se manifestando em prol do seu time do coração.
Sua manifestação acerca da saída do técnico Vagner Mancini não podia ser diferente. Segue abaixo a transcrição da entrevista concedida por Eduardo Costa à Rádio Gaúcha:
– Fomos os últimos a saber. É uma situação que realmente não nos agrada, porque estávamos no começo do trabalho. Além do mais, bem ou mal, os resultados estavam chegando. Agora é ter paciência, o futebol nos reserva essas coisas, que nem sempre é gratificante para nós jogadores. Se tem algum responsável por talvez a equipe não estar jogando o futebol que agrade a todos, acho que somos todos nós – declarou Costa.
Eduardo Costa seguiu a linha que lhe tornou um dos atuais ídolos da torcida. Uma postura franca, aberta, que faz com que a torcida se identifique com ele. Porém, parece que nem todos entendem o que é ser gremista e o que é defender as cores do clube do coração.
Paulo Pelaipe manifestou-se sobre a declaração de Eduardo Costa.
– Dirigente é que comanda a equipe, jogador exerce sua função jogando bola. Eu não discuto, jogador é funcionário do clube e como funcionário, acata a decisão da direção. Aqui no Grêmio tem hierarquia e tem comando – reiterou.
Eduardo Costa ousou manifestar-se contra uma atitude tomada pelo onipotente Pelaipe. Ousou falar a verdade. Ousou ser gremista. Pelaipe, que se julga há algum tempo todo-poderoso dentro do clube, não pensou duas vezes na resposta.
Cada vez que Paulo Pelaipe é contrariado toda sua arrogância, destempero, desqualificação e despreparo vêm à tona. Pelaipe não tem jogo de cintura para comandar um clube como o Grêmio. Não tem gabarito para ser a voz mais forte dentro do Olímpico.
Mancini, há dias, vinha reclamando da falta de grupo e da dificuldade em montar um time competitivo com as peças que lhe haviam sido disponibilizadas. Eduardo Costa, assim como Mancini, ousou questionar uma atitude da direção, ousou contrariar Paulo Pelaipe. Será Eduardo o próximo a sair do Grêmio?
Motoboys - choque necessário

No segundo dia da Conferencia Mundial sobre Desenvolvimento das Cidades assistimos a palestra “A Morte vem Sobre Rodas”, dedicada ao tema dos motoboys no RS e do seu impacto na violencia do trânsito. Em princípio, parece um tema espinhoso, árido, cheio de estatísticas e discussões jurídicas, restrito a uns poucos especialistas na área de segurança pública. Assim seria, não fosse a notável habilidade do vereador Cláudio Sebenelo em conduzir a palestra. Entremeando reflexões de caráter filosófico e análise criteriosa dos números da violência, fez uma apresentação rica, bem organizada e, poderíamos dizer, chocante.
A palestra começou com alguns dados impressionantes. Por exempo, do ano passado para cá, as mortes no trânsito aumentaram 23%. Mais de 90% dos motoristas nunca fizeram curso de direção defensiva, 35% têm apenas o 1o. grau completo, 23% não têm habilitação e, mais estarrecedor do que tudo, nada menos do que 20% dos homicídios praticados em POA têm o uso de motocicletas. Sebenelo relaciona esses números ao índice de desemprego presente na Região Metropolitana de Porto Alegre, que atinge mais de 250 mil pessoas.
O momento mais interessante das palestra se deu na descrição dos aspectos psicológicos que levam à morte de tantas pessoas. Sebenelo procede com a clássica distinção entre os conceitos gregos, interpretados por Freud, de Eros (referente à vida, ao crescimento, à construção) e o de Tanatos (referente à destruição e à morte). Essas duas entidades estão presentes no espírito humano e uma predomina sobre a outra dependendo da situação. O Eros conduz ao amor; Tanatos, à violência.
Sebenelo chama a atenção então para uma característica da cultura contemporânea , que é a presença de Tanatos sob a máscara de Eros. Sob a aparência da busca pelo eterno prazer, pela eterna diversão, pela vivificante alegria, está o caminho traçado em direção à morte e à destruição. É o que se vê no consumo de drogas, nos excessos comportamentais e, no caso do trânsito, no culto à velocidade, símbolo de poder e modernidade.
Quando uma sociedade é fanática pelo desejo, frustra-se com tudo, pois não pode alcançar tudo o que quer. A tristeza domina o seu comportamento. Não há mais a tristeza do indivíduo, mas sim a tristeza, a depressão, em nível coletivo: a violência. E esta se manifesta de diversas formas, inclusive no trânsito. São as pessoas de mente cansada diante do volante. São os insatisfeitos, os estressados, os nervosos - todos potenciais causadores de acidentes.
Um pouco antes do final, o vereador radicalizou: mostrou slides de pessoas mortas em acidentes de trânsito. Foi chocante. Não temos tais fotos aqui. Se as tivéssemos, também radicalizaríamos, mostrando a barbaridade que ocorreu para evitar as barbaridades vindouras. Infelizmente, às vezes, só o choque para mudar a realidade em que vivemos.
Vale lembrar, ainda, o pronunciamento do vereador potiguar Dilson Fontes, de Caicó, acerca do mesmo problema em sua terra natal. Informou o vereador que Caicó conta 70.000 habitantes e tem “apenas” mil motoboys. Tudo por causa do desemprego, que empurra, lá como cá, as pessoas para esta profissão, muitas vezes sem a qualificação necessária.
Chocante, cruenta, quase desagradável aos olhos e ouvidos a explanação do vereador Claúdio Sebenello sobre o problema das motocicletas nas vias urbanas brasileiras. Tão chocante e cruenta como a realidade . E por isso mesmo foi uma palestra tão importante e esclarecedora.
Deixamos aqui o link para quem quiser acessá-la na íntegra (desde já, agradecemos à assessoria do vereador, que a disponibilizou em arquivo Excel):
Prefeitura de Porto Alegre é modelo de consciência ecológica
Transcrevo notícia do Site Oficial da Prefeitura de Porto Alegre:
“Smam construirá banco de sementes neste ano
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) deverá iniciar em breve a construção do banco de sementes. A obra será possível devido a convênio com o Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) a partir de um projeto relativo à recuperação das nascentes do Arroio Dilúvio e seus afluentes que prevê o recebimento de R$ 500 mil, com R$ 230 mil de contrapartida da prefeitura.
O projeto foi elaborado em 2005 pelo biólogo Rodrigo da Cunha e envolve a Secretaria do Planejamento Municipal (SPM), os departamentos de Esgotos Pluviais (DEP) e de Água e Esgotos (Dmae), a Prefeitura de Viamão e a Emater. A iniciativa atende à necessidade de se ter um local em condições de assepsia, manipulação e armazenamento de sementes. “As instalações serão construídas com a finalidade de implantação de um centro de referência na manipulação e armazenamento de sementes”, explica o secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch, acrescentando que a construção do banco de sementes aumentará a produção, permitindo atingir o plantio de 100 mil mudas em 30 meses, conforme o projeto.
O banco de sementes será construído no Viveiro Municipal, de acordo com as diretrizes do projeto para Recuperação das Nascentes do Arroio Dilúvio e seus Afluentes. Será um prédio de alvenaria, com câmaras frias para armazenamento das sementes e locais próprios para germinação, com aproveitamento da água da chuva para regar as mudas.”
Um trabalho exemplar. Quem circula por Porto Alegre certamente já percebeu as milhares de mudas de árvores plantadas por toda a cidade. Espécies nativas, não as tenebrosas palmeiras e coqueiros que mais lembravam Cuba, plantadas na década passada. Que sirva de exemplo para todas as cidades e capitais do Brasil.
Pergunta ao Paulo Pelaipe
A pergunta que não quer calar é: como fica o contrato que o Grêmio tinha com Vagner Mancini? Afinal, impossível que Mancini tenha saído da Arábia, um local conhecido por pagar altos salários, e vindo para cá sem nenhuma garantia. O Grêmio pagou 500 mil dólares para trazer o técnico. Agora sabe-se lá até quando seguirá pagando o salário e eventual multa pela quebra de contrato.
É assim que se geram as dívidas que a direção Gremista tanto afirma combater. Atitudes irresponsáveis tomadas por dirigentes incompetentes e despreparados. Por trás da arrogância e da prepotência de Paulo Pelaipe está um dirigente sem condições de assumir qualquer função de poder em um clube da grandeza do Grêmio. Os “esqueletos” que o Dr. Túlio Macedo reclamou que a cada armário aberto aparecem são fruto disso. Pelo visto, a direção gremista está se encarregando de que outros esqueletos apareçam no armário de outros no futuro. Mas a conta quem paga são os mesmos: os sócios gremistas.
Instantâneos da Conferência - II

Cézar Busatto, coordenador da Conferência foi muito cumprimentado pelos participantes e declarou que espera que “as cidades do século XXI sejam feitas de harmonia e amor”.

Mário Moncks, diretor do DMLU e Esdras Rubim. Entre uma palestra e outra avaliaram a Conferência.
Toni Proença, da Governança Solidária, entre dois participantes do evento. À direita, o popular Gaúcho da Copa.
Instantâneos da Conferência

Riograndenses do Sul e do Norte unidos em busca de soluções para os problemas envolvendo motoboys.

Intensa movimentação no saguão do pavilhão central

Ex-goleiro do Grêmio, Ademir Maria, entre o advogado Maurício Cruz e Sílvio da Fundação Gaúcha do Trabalho.

Som relaxante no burburinho dos corredores
Vagner Mancini sai do Grêmio
Mancini está fora do Grêmio.
Segundo a imprensa, o técnico Vágner Mancini deixou o Grêmio na tarde de hoje. O motivo seria eventual discussão do técnico com o dirigente Paulo Pelaipe.
Pelaipe ontem, após o jogo, deu a seguinte declaração:
- Saio decepcionado pela atuação da equipe – disse o dirigente, prometendo uma atitude para melhorar a equipe. –Não tapamos o sol com a peneira. Internamente, vamos conversar, porque precisamos melhorar a produção da equipe. Não adianta ter 70, 75% de aproveitamento com vitórias. Temos de olhar o todo, o desempenho da equipe dentro de campo. E hoje foi frustrante – disse o dirigente.
Paulo Pelaipe afirma estar decepcionado, frustrado com as atuações do time. Diz que de nada adianta vitórias se o desempenho do conjunto não for satisfatório.
Vejamos:
Segundo o Dicionário Aurélio, decepção significa “malogro de uma esperança; desilusão; desengano”. Já frustração significa “enganar a expectativa”.
Me pergunto quais expectativas Pelaipe tinha com o time que ele montou. Um time formado sem planejamento, com pré-temporada falha. Enquanto os demais clubes do país já no início de janeiro tinham seus principais jogadores contratados e integrados ao elenco (inclui-se aí o Corinthians, time que caiu para a Série B e que, por sinal, tem hoje William em seu elenco), o Grêmio fazia contratações às pressas, enquanto desfazia-se de praticamente todo o grupo da temporada passada.
Patrício foi dispensado, e a torcida imaginou que alguém melhor viria. Veio Paulo Sérgio. Pereira, ano passado, era um reserva utilizado só em último caso, quando não havia ninguém para cobrir a vaga. Era quase uma presença simbólica. Hoje, Pereira é titular. Trouxeram Jean, que provavelmente demorará um mês para entrar no ritmo. Roger ( frise-se, de excelente qualidade), que demorou um mês para estrear e deve vir a demorar mais um mês para estar em plena forma. Julio dos Santos, jogador que não atua há quase um ano. Sabe-se lá quando terá condições de estrear. Pelaipe deve imaginar que o ano começa apenas em março, tendo em vista a demora nas contratações e a incapacidade de trazer jogadores em boa qualidade física.
A partida de ontem foi vexatória. Ganhamos de 1×0 com atuações pífias de Paulo Sérgio, Pereira, William Magrão e o tão aclamado Perea (outro que demorou uma eternidade para estrear e que, provavelmente, demorará outra eternidade para ter ritmo de jogo). A deficiênciae a falta de qualidade foram evidente. Alguém tinha que ser culpado, alguém tinha que carregar nas costas, mascarando, assim, a incompetência e a falta de preparo de Paulo Pelaipe. O escolhido? Vagner Mancini.
Mancini que, ao chegar e ver o time ser desmontado aos poucos disse, com certa frustração, que imaginou que poderia contar com William e Diego Souza para a temporada. Entende, Pelaipe? É nestes casos que a palavra frustração deve ser utilizada. Quando esperanças são destruídas, quando expectativas são massacradas. Quando se tinha motivos para esperar momentos bons mas, por razões diversas, estes momentos não se concretizaram. Mancini tinha razão de se sentir frustrado. Pelaipe, nem tanto.
Um ano que já começou há um mês e meio para todos os grandes clubes do Brasil está começando só agora para o Grêmio. A saída de Mancini em pleno início de temporada, na tentativa de cobrir o real problema, é um ato típico de direções incompetentes, que tentam esconder sua falta de preparo pondo a culpa no treinador. Como se Mancini tivesse um imenso buffet a seu dispor e, por incompetência sua, não tenha conseguido fazer um jantar de primeira linha. Provavelmente, o motivo da discussão de Mancini com Paulo Pelaipe tenha sido justamente esta.
O Grêmio de 2008 não é um Grêmio reforçado com novas peças. Chama-se “reforço” todo acréscimo a uma estrutura que já estava formada. O caso é que não havia estrutura montada, visto que a direção foi incapaz de manter uma base de um ano para o outro. Agiram como times pequenos que, após uma temporada de sucesso, vendem todos os jogadores enquanto os mesmos estão valorizados e, na temporada seguinte, começam do zero. Resultado? Estamos recém em fevereiro e já temos o caso Wagner, jovem promessa das categorias de base, queimado, muito provavelmente porque não teve a seu lado um zagueiro experiente capaz de passar-lhe tranqüilidade, algo que Leo teve ano passado.
Pergunto, novamente, como já fiz em outros textos, qual a intenção de Paulo Pelaipe? Deseja ver o estádio jogado às moscas e um quadro social recheado de inadimplentes? É o que parece. Frases de efeito, mentiras, ilusões e dinheiro posto na lata do lixo: a isso se resume a atuação de Paulo Pelaipe nos últimos meses. Um dirigente que banaliza a palavras “imortalidade” e “raça”, utilizando-as para iludir e mascarar um time que, no momento, em nada se parece com o Grêmio que estamos acostumados a amar. Hoje, ao que tudo indica, apoiar Paulo Pelaipe e suas decisões não é sinônimo de apoiar o Grêmio.
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