PERSPECTIVA

A Arena cinza do Grêmio

O estádio dos sonhos dos gremistas. A nova casa do tricolor, novo palco do Grêmio, aquele que substituirá o glorioso Olímpico Monumental. É assim que vem sendo tratada a arena gremista que, de acordo com decisão tomada na semana que passou, será construída no bairro Humaitá, em Porto Alegre.

Porém, deixemos a euforia de lado e analisemos o projeto apresentado ao público. Analisemos com um mínimo de senso crítico. O projeto é totalmente novo e, sendo assim, tinha tudo para ser, realmente, o estádio dos sonhos dos gremistas. Poderia ser algo de encher os olhos, predominantemente azul, com referências à história do Grêmio. Porém, o projeto que foi apresentado ao público não nos parece com isso. Não pudemos deixar de perceber a falta de graça, de beleza, de harmonia, de senso estético e de referências ao clube que será dono do local. A impressão que dá é que a nova arena tricolor será um estádio cinza cercado de concreto por todos os lados, com alguns toques de azul. Aliás, muito pouco, tendo em vista que será o estádio do Grêmio.

Imagino como vai ser em dias de sol forte. Caminhar num palco de concreto, sem graça, que parece ter sido planejado por alguém que não se importa em ser fiel às tradições do Grêmio. Torcida gremista, não se iluda achando que os painéis que aparecem ao redor do estádio serão compostos por fotos que relembrem a história do Grêmio: Eduardo Antonini já confirmou que aquele espaço será vendido a patrocinadores interessados.

Este projeto me faz esquecer que o Grêmio é um clube tricolor. Parece um projeto burocrático, um “concretão”, sem referências, feito sem gosto, sem estilo, sem supervisão de quem deveria se interessar por isso. Não enche os olhos. Ao olhar para o projeto o Grêmio não me passa automaticamente pela cabeça. Poderia ser o projeto de qualquer clube branco e azul (sendo que o azul não predomina).

Parece um desperdício de potencial. Um desperdício da chance de construir algo novo realmente grandioso, que enchesse os olhos dos gremistas. O Grêmio é um clube tricolor, azul, branco e preto. A torcida do Grêmio ama a história deste clube, ama seus ídolos. Deveria ser presenteada com um local à altura desse amor.

Torcedor gremista, não se deixe levar pela onda de entusiasmo que cega o olhar crítico. É isso que queremos? Um estádio cinza? Um estádio cinza, cercado de concreto por todos os lados? De todas as possibilidades para se fazer um local bonito, que realmente fizesse jus à nossa história, é correto que sejamos presenteados com algo que mais parece uma fábrica, um bloco de concreto, do que um complexo de um clube de futebol? Um local que, ao que tudo indica, será infernal em dias de sol, afinal, árvores não aparecem em momento algum no projeto.

O interior do shopping não foi apresentado. Tampouco o interior do estádio. Até agora a única coisa que se sabe é que a área na qual a torcida transitará será um bloco de concreto cinza e, pelas imagens da maquete virtual, o azul nada mais é do que uma cor secundária. É como se os responsáveis pelo projeto não tivessem interesse em construir algo com a cara do Grêmio.

Tentem esquecer a proximidade da arquibancada com o gramado: esta proximidade é básica em uma arena e, sendo assim, não é mérito de quem projetou o novo estádio. Imaginem caminhar neste concreto cinza, indo em direção a um estádio igualmente cinza, rodeado de placas de publicidade. Nem irei falar no que diz respeito ao interior do estádio: quero ainda ter a ilusão de que as cores estarão de acordo com a história e as tradições do Grêmio.

O projeto arena poderia unir o útil ao agradável. Poderia ser rentável ao clube e, ao mesmo tempo, retratar o amor que a torcida sente por ele, amor representado pelas cores do Grêmio, pela história do clube. Poderia, ao menos, deixar aparente que nós, torcedores, teremos prazer em ficar em volta do estádio, em caminhar em seus arredores (afinal, geralmente aqueles que fazem as maquetes se preocupam em deixá-las ainda mais bonitas e cuidadas do que o produto final, o que não parece ser o caso desta).

A impressão final que nos passa é de um projeto feito de maneira burocrática. Um local que tanto poderia ser do Grêmio quanto do Cruzeiro, do Chelsea ou de qualquer clube que tenha azul (ou, no caso, cinza) em suas cores. Um projeto feito por quem não se importa que a torcida caminhe em uma área de concreto em dia de sol forte. Um projeto feito por quem não conhece a história do Grêmio e pouco se importa em fazer referências a isso. Em suma: um projeto sem graça.

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Video no qual Eduardo Antonini menciona que os painéis ao redor do estádio serão placas de publicidade
 
Um proprietário, ao mandar construir uma casa, fiscaliza o trabalho do arquiteto, verbalizando o que deseja em sua casa. A casa, portanto, deve ter a “cara” do dono. É estranhável que o Conselho Deliberativo do Grêmio não tenha se interessado em fazer prevalecer as cores  do clube no projeto . O mínimo que se esperava da arena do Grêmio é que ela tivesse as cores do Grêmio. Se nem isso foi respeitado o que nos levará a crer que ela terá algo querespeite e leve em conta a história do clube. Porque o estádio, a arena, é para ser de um clube e não de uma empresa arrecadadora apenas. Falam que o projeto segue um padrão mundial. Certo, mas mesmo seguindo um  padrão sempre deve levar em conta o clube ao qual será destinado o estádio. Do contrário perde-se a identidade, sendo um local “padrão”, comum, sem a cara do proprietário.
 

Março 29, 2008 Escrito por blogperspectiva | Esportes | | 18 Comentários

Bárbaros em Porto Alegre?

Uma definição comum da palavra “bárbaro” é a de um ser que não tem o respeito como uma regra de comportamento. Associamos os bárbaros com depredação gratuita, típica de quem não sabe o que e porque está fazendo. Pessoas que não refreiam seus impulsos, não compreendem a civilização que as cerca e que, por isso, vingam-se dela através da violência, seja contra o indivíduo, seja contra o coletivo.

Não pode ser outra, portanto, a definição dessas pessoas que, todos os dias, praticam atos de vandalismo que fazem inveja aos seguidores de Átila, o Huno. Em Porto Alegre, então, temos uma situação calamitosa. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação( EPTC) somente nos três primeiros meses deste ano já foram gastos R$ 68 mil na reposição de semáforos, cabos de alimentação elétrica, luminárias e placas, furtados principalmente em paradas dos corredores de ônibus. Ao todo já foram substituídos 94 semáforos para pedestres, até a segunda quinzena de março.

No corredor de ônibus da Av. Protásio Alves foram furtados 2 mil metros de cabos de alimentação elétrica e 100 luminárias completas. No corredor de ônibus da Av. Farrapos os atos de vandalismo resultaram no furto de mil metros de cabos e 50 luminárias completas.
Em todo o ano passado sumiram nada menos do que onze semáforos para pedestres. Em 2008, em cerca de noventa dias, foram furtados 94 equipamentos, provavelmente para para serem vendidos como sucata.

Alguém, algum dia, fará a conta do prejuízo que o erário público acumulou por causa desse tipo de furto. Quantas casas populares poderiam ter sido construídas, quantas ruas asfaltadas, quantos prédios recuperados. Mas nem isso sensibilizará os bárbaros. Eles continuarão a atuar impunemente e com a desculpa esfarrapada, mas lamentavelmente  estimulada por alguns grupos  políticos, de que só são bárbaros porque a sociedade os tornou assim.

Denuncie o vandalismo : Fone 118 (EPTC) ou 190 (Segurança Pública).

Março 29, 2008 Escrito por Madame Y | Geral | | Nenhum Comentário