Brincando de Araguaia
http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2004/artigo75944-1.htm
Anhanga, na língua da tribo indígena uru-eu-wau-wau, que habita boa parte do Estado de Rondônia, significa inferno. Ireroa quer dizer guerra. Os dois substantivos traduzem de forma literal o clima que tomou conta dessa parte do País por causa das ações da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), uma organização de extrema-esquerda que treina homens armados em busca de uma “Revolução Agrária” e que já tem nove vezes mais combatentes que o PCdoB na Guerrilha do Araguaia
LCP arregimenta para suas fileiras miseráveis sem terras, jovens de classe média do movimento estudantil, através do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e sindicalistas ligados à Liga Operária e Camponesa (LOC)
Isso é para quem faz pouco daqueles jovens meio sujinhos usando camisas rasgadas, mochilas do Fórum Social Mundial, Havaianas estrategicamente gastas e cabelos desgrenhados que abundam em nossas universidades. Há quem pense que eles estão brincando de revolução e que, chegando aos 30 anos, vão deixar essas bobagens de lado para viverem uma vida normal. Infelizmente, isso não parece ser verdade. Essa gente está falando e pensando em coisas bem sérias.
Se bem que, num certo sentido, o que eles estão fazendo é mesmo uma brincadeira. Como vivem num regime democrático e não têm sequer a tutela dos pais para refrearem seus impulsos, esse pessoal inventou um joguinho onde eles criam um espaço para fazerem guerrilha. Só que, como Jan Huizinga já demonstrou, os jogos podem ser brincadeiras, mas suas regras são bem sérias.
Por outro lado, falando de maneira bem objetiva, esses grupelhos não são grande motivo de preocupação. São uns desordeiros que qualquer polícia bem equipada destrói em poucas horas. O problema é que o governo simplesmente não lhes dá importância e não os têm como criminosos - e isso, sim, é um grande motivo de preocupação.