Romário - meninos eu vi!
Nossa geração cresceu ouvindo pais, tios e avós tecendo loas a jogadores de uma época de grandeza do futebol brasileiro. Dependendo da faixa etária do narrador, o exemplo de genialidade futebolística é Pelé, Falcão, Zico ou o que eles, privilegiados, viram desfilar pelos gramados brasileiros e assistiram ao vivo e a cores.
Já nós, da geração dos degredados, que pertencemos a um Brasil que não consegue manter em casa seus filhos que saem mundo a fora em busca da realização profissional e financeira que sua pátria lhes nega, vimos esta tendência também no futebol. E assistimos os grandes virtuoses da bola aqui revelados brilharem em gramados estrangeiros, sem que pudéssemos desfrutar por muito tempo de suas jogadas geniais em nosso país.
Havia, entretanto, uma exceção: Romário.
Uma tia minha disse que quando Romário fazia gol em seu time chegava a ser uma honra. Sem chegar a tanto, posso dizer que, quando ele entrava em campo com a camisa do Vasco, do Flamengo ou de outro time, parecia que estávamos fazendo parte de uma importante página da própria história do futebol brasileiro. Parecia que voltávamos ao tempo romântico dos craques identificados com clubes, como o Flamengo de Zico, Renato do Grêmio ou o Inter de Falcão. Romário não identificou-se com um clube, mas com uma cidade - o Rio de Janeiro - e jogou em quase todos os seus grandes clubes, à exceção do Botafogo de Garrincha. Romário nunca gostou muito de correr, assim como seus conterrâneos cariocas. Preferia que algum atacante veloz e habilidoso, como Bebeto, Ronaldo, Muller ou Renato, levasse a bola até a área onde era rei. Ali ele faria o que era necessário fazer, e sempre o fez com perfeição. Duvido que outro atacante, na história do futebol, soubesse se colocar tão bem dentro da área e acertar o gol com tanta precisão. Símbolo máximo disso foi o seu gol contra a Suécia, na Copa de 1994, saltando mais alto do que todos os gigantescos zagueiros nórdicos. Além disso, um atacante que, aos 39 anos, foi artilheiro do Campeonato Brasileiro.
Romário parou e deixará saudades. E nossa geração poderá, assim como as que nos antecederam, dizer com orgulho: meninos, eu vi um gênio do futebol jogar.