O Grande Irmão chegou
Retirado daqui
20 mil famílias “problemáticas” serão acompanhadas pelo governo
Por Stella Dauer
O Grande Irmão está cada vez mais próximo de nós. Um anúncio feito pelo governo britânico informou que câmeras de vídeo, tradicionalmente utilizadas para segurança, serão instaladas em 20 mil casas do país, onde seus moradores serão monitorados 24 horas por dia
Idealizado por Ed Balls, Secretário da Criança do Reino Unido, o projeto tem objetivos nobres, ainda que assustadores. De acordo com o site TechRadar as câmeras servirão para monitorar famílias problemáticas (de acordo com um critério governamental) e verificar se as crianças fazem lição de casa e dormem na hora certa.
O Projeto de Intervenção Familiar, que custará US$ 668 milhões aos cofres públicos ingleses também contará com uma equipe policial especializada que irá fiscalizar o andamento do programa e evitar problemas. Além disso as famílias terão de assinar um “contrato de comportamento” no qual os pais afirmam que vão garantir a boa conduta dos filhos, noticiou o blog Gadget Lab do site Wired.
Segundo o site Daily Express cerca de 2 mil casas já possuíam as câmeras instaladas em seu interior até ontem. Com esse programa o governo espera reduzir o número de jovens que entram para o mundo do crime devido ao comportamento caótico de suas famílias.
Para os apreciadores de literatura de ficção, isso soa mais como um pesadelo. A semelhança a 1984, livro do escritor George Orwell, é assustadora. No livro é retratada uma sociedade onde o Estado é onipresente e vigilante, com a capacidade de alterar a história e o idioma, de oprimir e torturar o povo e de travar uma guerra sem fim com outras nações, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada e a economia funcionando.
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Não é apenas no Reino Unido que as famílias precisam aprender a serem família. Cuba exporta um programa — acredite, muito bom — que ENSINA o que é maternidade e paternidade. Um agente do governo diz como ensinar a trocar fralda, como e por que dar carinho, como dar limites. Um “SuperNanny comprometido com a revolução”, praticamente. O pior não é o programa em si, é que ainda há famílias que PRECISAM disso. Agora, o Estado ter olhos e ouvidos na casa do cidadão, não sei, soa absurdamente mal. Daí já é exagero.