PERSPECTIVA

Relendo Pessoa

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Fernando Pessoa se definiu como um “poeta animado pela filosofia”. Há quem diga que foi o maior filósofo de uma língua tão pobre em pensamento quanto a nossa, e isso pode ser aplicado tanto à filosofia propriamente dita quanto à poesia. A regra entre os poetas portugueses – e também entre os brasileiros – é a expressão de sentimentos primários, de amores mal-resolvidos, desejos não concretizados e paixões momentâneas que se esvaem com o tempo. É “eute- gosto-tu-me-gosta”, de que falava Drummond. Os valores da civilização, o homem diante do cosmo e o próprio cosmo interessam apenas a uns poucos poetas, que não raro são tachados de “intelectualistas” e “difíceis” e não recebem, do público ou da crítica, o devido reconhecimento no momento em que surgem.

Pessoa é o exemplo paradigmático de tudo isso. Pouco publicou em vida; no único concurso de poesia de que participou, recebeu um prêmio de consolação, e não é preciso dizer que seu trabalho inscrito – o clássico Mensagem – era incomparavelmente superior ao livro vencedor. Só nos anos 60 sua obra começou a receber análises sérias. Hoje, está entre os principais temas dos críticos portugueses e brasileiros. Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos, de Carlos Felipe Moisés (Editora Escrituras, 228 páginas) é um claro exemplo disso. O livro é uma reunião de ensaios que, ressaltando o aspecto filosófico da obra de Pessoa, além de suas características esotéricas, contribuem para uma sempre fecunda releitura da obra. Um livro imprescindível para acadêmicos e fãs do poeta português.

Outubro 23, 2009 - Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

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