PERSPECTIVA

Retrato de uma geraçã0

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Em seu poema “Apologies to Harvard”, uma espécie de ajuste de contas com o seu passado estudantil, o escritor americano John Updike sai-se com a seguinte frase: “E nós nem sabíamos que éramos uma geração”. E nem poderiam. No turbilhão de acontecimentos que marcam a juventude – e a juventude universitária, sobretudo – esse tipo de coisa nem passa pela cabeça de alguém. Registrar uma geração é tarefa para as gerações vindouras, ou para representantes daquela geração que, por talento, formação e oportunidade, podem registra-la para a posteridade. É o caso de Ruy Nedel e seu Porto Alegre dos Casais – A Medicina da Santa Casa ( 272 páginas, EDIURI).

E é isso que o livro do ex-deputado constituinte e médico há mais de quatro décadas nos oferece: o retrato de uma geração. No caso, a dos estudantes de medicina da UFRGS que, entrando na faculdade entre o fim dos aos 50 e o início dos 60, completaram a sua formação em meio ao golpe militar e às mudanças sociais, políticas e comportamentais pelas quais o Brasil e o mundo passaram naquela época. O pano de fundo histórico não abafa, no entanto, a riqueza das relações humanas descritas ali, relações estas que, mais do que a História que as cerca, forma, verdadeiramente, uma geração de homens, que vivem e pensam em uma determinada época. E esta geração, que não se sabia uma geração, ganha aqui o seu testemunho.

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Outubro 29, 2009 - Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

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