O fim do amadorismo no Grêmio
É cruel, é dura, é injusta, mas é a realidade. O fim da Era Tcheco não significa dizer que ele mereça ser esquecido. A história do futebol não se faz só de vitórias. Não é feio perder. Feio é não lutar ou se amedrontar.
Diogo Olivier não deixa de ter razão, embora não pelos motivos corretos.
Realmente, é muito provável que aquilo que ele, algo desdenhosamente, chama de “Era Tcheco” esteja no fim. O Grêmio, apesar de ter gasto mundos e fundos para a contratação de jogadores, não conseguiu nenhum título neste ano. Muito provavelmente não conseguirá classificação para a Libertadores. Muito provavelmente terá um desmanche completo no final do ano e somente os piores jogadores sobrarão. Muito provavelmente, Paulo Autuori continuará como treinador do Grêmio. Muito provavelmente, não ganharemos a Copa do Brasil ano que vem.
Isto é algo diferente do que ocorreu nos anos anteriores? Não, não é. O Grêmio não ganha nada há tempos e glorifica (com razão, dadas as circunstâncias do ocorrido) um título da Série B. Desde 2006, quando voltamos à elite do futebol brasileiro, o que temos feito é patinar em todos os campeonatos, ainda que tenhamos chegado às finais de uma Libertadores e a um vice-campeonato brasileiro, no ano passado. Curiosamente, desde que Tcheco chegou ao Grêmio. Curiosamente, desde que o Grêmio assumiu uma postura “never-say-die” que assombrou o Brasil inteiro, chegando a um final de Libertadores com uma equipe cheia de problemas, sem grupo e empurrado por este dínamo que era a torcida gremista. E com Tcheco envergando a braçadeira de capitão.
Haverá alguma relação entre as duas coisas? Sem dúvida. Tcheco nunca foi propriamente um “profissional”, no sentido que podemos empregar para qualificar Paulo Autuori, por exemplo. Um torcedor em campo não tem atitudes “profissionais”: ele é advertido, às vezes até expulso, por ficar sinceramente indignado com as barbaridades que cometem contra o seu time. Um torcedor em campo recusa propostas mil vezes melhores para permanecer no seu time do coração. Um torcedor em campo é um apaixonado pelo seu clube. Um profissional não pode dar-se este luxo, sob pena de ser chamado de amador - isto é, aquele que ama.
O Grêmio, atualmente, não tem muitos amadores e tem muitos profissionais. Paulo Autuori é um profissional, talvez mesmo o melhor exemplo do uso do termo “profissional” a uma pessoa. Souza é outro profissional. É tão profissional que chega a desdenhar aquele termo tipicamente gremista e tipicamente amador: “raça”. Quem tem raça é cachorro, diz ele. Como bom profissional, sabe a hora de resguardar o que é seu. Depois da derrota de ontem, fez questão de lembrar ao mundo que ele venceu em todos os clubes por onde passou e, se o Gremio não ganhou nada ainda é porque não tem perfil vencedor e a culpa não é dele. O Grêmio é um time cheio de profissionais, dos onze em campo à cúpula da diretoria. E, no meio de profissionais, amadores não têm chance. Devem ser expurgados, retirados de cena, tratados como um câncer a ser extirpado. Tratados como alguém que não deveria estar lá.
Diogo Olivier tem razão. A Era Tcheco está mesmo no fim. A era que simbolizou a força de uma torcida empurrando um time nem sempre qualificado para alcançar as posições que alcançou está acabando. No profissionalíssimo Grêmio de 2009 não há mesmo lugar para ele. Neste Grêmio em que não há lugar para atitudes fora do estritamente profissional haverá lugar para nós os amadores torcedores?
Essa era acabou, preparemo-nos para os profissionais cuja postura fez com que 2009 fosse o que foi.
Link relacionado

As expulsões e os cartões amarelos são de irresponsável, não de amador.
Gremista eu também sou.
Só falta me pagarem 100.000,00 por mês.
O Tcheco é um jogador que desperta opiniões extremas …
Uns dizem que ele é imaculado, que não erra e sempre acham algum mérito até nos piores erros do jogador.
Outros, por sua vez, o ofendem até pelos bons momentos no time, dizem que só faz gol de penalti e que não presta pra nada, que o time não ganha nada por culpa dele.
Acho essas duas opiniões grandes bobagens, motivadas pela paixão cega que pela razão.
Tcheco é um jogador que teve seus momentos no Grêmio, acredito que deixou de levantar mais taças porque foi acompanhado por equipes que não tinham capacidade para tal MAS também acho que ele apresentou muitas deficiências, especialmente por agora, e que fizeram uma imagem para ele da qual não tinha capacidade de tornar real, ficando apenas no imaginário de quem confiava que ele seria um capitão américa, um 10 lendário na história do time …
É chato dizer isso, gosto dele e fico grato pelos bons momentos que nos proporcionou mas não consigo enxergar nele o ídolo que alguns cultivam fervorosamente assim como não enxergo o vilão que alguns gostam de apedrejar vorazmente.
Sinceramente, acho que a era Tcheco deve chegar ao fim, por ele e pelo Grêmio, esse “casamento” parece estar muito desgastado e ele deve sair com dignidade do tricolor que honrou por tanto tempo.