PERSPECTIVA

Feliz 2011!

Greta e Marlene  foram encontradas juntas no meio da rua, em novembro de 2009.

As irmãs permanecem juntas até hoje, dando e recebendo amor entre si e dos humanos.

Este amor se reflete na postura de Marlene,à esquerda, auxiliando sua irmã Greta , à direita, nos cuidados com os filhotes desta.

 

Os filhotes nasceram dia 01/12 através de uma cesariana de emergência  realizada em um hospital que merece ser exaltado por todos aqueles que utilizam seus serviços. O Hospital Veterinário Lorenzoni (rua   Getúlio Vargas 217- Porto Alegre) tem uma equipe que dignifica a nobre  profissão de veterinários.  Respeito pelos animais e pelos seus donos é a tônica no Lorenzoni nas 24 horas em que ficam à disposição para auxiliar naqueles momentos difíceis em que um atendimento médico faz toda diferença.Agradecemos a toda equipe especialmente às dras. Joseane Salvi e às querida dra. Simone e recepcionista  Sônia.

 

Jorge, o pai

 

O Perspectiva deseja que em 2011 o exemplo de paz e harmonia que Marlene e Greta simbolizam seja uma constante para todos nós.

dezembro 30, 2010 Posted by | Geral | 4 Comentários

Uma triste profecia

 

Jorge da Cunha Dutra*

Estamos chegando a mais um final de ano. Junto com essa transição anual vem o feriado do dia primeiro de janeiro. Nesses dias, como geralmente acontece nos demais feriados do ano (ainda mais, quando é próximo do fim de semana), existe um grande deslocamento de pessoas para os mais diversos cantos do país em função das comemorações, encontro com familiares, amigos e etc. Em contraposição a esta alegria, nessas épocas de feriado, nosso país vem sendo marcado por uma profecia que não costuma falhar. Eu gostaria de não mencioná-la, mas, por mais triste que seja, sinto que é o momento de anunciá-la: “Ao fim do feriado de Ano-novo, muitas pessoas terão perdido suas vidas em algum acidente de trânsito”.

É triste, eu sei! E não pensem que estou livre desta profecia. Ela vale para todos nós. Tenho reparado que a cada feriadão que passa, os meios de comunicação anunciam o número de mortes que ocorreram no trânsito. Não recordo de ter acontecido algum feriadão em que não fosse pronunciada essa notícia.

Percebo, também, que algumas pessoas atribuem a responsabilidade, pelas fatalidades do trânsito, ao destino: “Ah… aquele jovem morreu porque já era a sua hora”. Não! Não acredito nisso! O que pode ter ocorrido foi o fato de que o respectivo jovem foi imprudente, ou o outro condutor cometeu a imprudência, ou até alguma falha mecânica de alguma das partes. Mas morrer porque já está na hora, isso não. A morte não se preocupa com o “relógio”; ela chega como um ladrão. Está sempre à espreita, esperando que algo aconteça para levar alguém. Portanto, qualquer hora pode ser “a hora” da morte chegar.

Escrevo esta reflexão para que possamos pensar em conjunto. Trago este pensamento para que possamos evitar que esta profecia se concretize neste Réveillon que se aproxima. Que cada pessoa possa parar por um momento e refletir sobre a sua vida: que pense na sua família, nos seus amigos, que pense em si mesmo. Será que desejamos, no dia 2 de janeiro, estar em um cemitério velando o corpo de alguém que amamos, ou sendo velado por nossos amigos? E avançando um pouco mais na reflexão: será que gostaríamos que alguma família estivesse sofrendo a dor da morte de alguém que ama por imprudência nossa?

Vou deixando aqui esta reflexão. Peço desculpas se fui muito duro nas palavras, mas acredito que estou transmitindo-as a tempo de evitar alguma tragédia. A morte no trânsito, por mais que esteja anunciada, pode muito bem ser evitada se agirmos no coletivo. Não acredito no destino pré-determinado, pois vejo que o destino refere-se àquilo que fazemos com a nossa vida, ou o que algumas pessoas acabam fazendo com ela. Mas, se cada um agir com prudência, seguindo as leis do trânsito, tenho a esperança de que poderemos ter o primeiro Réveillon da história do Brasil, sem mortes no trânsito. Se isto realmente acontecer, aí sim, acredito que todos poderemos comemorar um Feliz 2011!

Publicado no jornal Agora- Rio Grande/RS

 

*Aqui tudo que  Jorge da Cunha Dutra publicou no Perspectiva

dezembro 30, 2010 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

Ajudando bichinhos

O blog   querserfelizadoteumbichinho.blogspot.com divulga a situação de animais que necessitam de auxílio na região metropolitana de Porto Alegre.

Algumas pessoas não tem como adotar um animal mas sentem vontade de ajudar. O blog relata diversos casos em que os animais necessitam de doações.

dezembro 27, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Feliz Natal!

dezembro 25, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Mensagem natalina III- Cézar Busatto

 

Recebemos do Secretário Municipal de Coordenação P0lítica e Governana Local de Porto Alegre, o competente  Cezar Busatto a bela mensagem que com prazer compartilhamos com os leitores do Perspectiva.

dezembro 24, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Mensagem natalina II- Sebastião Melo

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Um fraterno abraço,
Sebastião Melo

 

Recebemos do vereador  Sebastião Melo- Porto Alegre/RS mensagem natalina que retribuímos e aqui postamos para que os bons votos externados se propaguem.

dezembro 21, 2010 Posted by | Geral | Deixe um comentário

Mensagem natalina

O cartão virtual do deputado Paulo Odone(PPS/RS) é muito bonito pela mensagem e também pelo seu colorido. Nos permitimos reproduzi-lo.

dezembro 21, 2010 Posted by | Geral | Deixe um comentário

Renato,o pai

Vídeo do Esporte Espetacular

dezembro 21, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Entrevista de Steve Jobs em 1985

“The most compelling reason for most people to buy a computer for the home will be to link it into a nationwide communications network. We’re just in the beginning stages of what will be a truly remarkable breakthrough for most people–as remarkable as the telephone.”

Thus far, we’re pretty much using our computers as good servants. We ask them to do something, we ask them to do some operation like a spread sheet, we ask them to take our key strokes and make a letter out of them, and they do that pretty well. And you’ll see more and more perfection of that–computer as servant. But the next thing is going to be computer as guide or agent.”

Entrevista completa aqui Aqui.

Como bônus: o comercial de TV que tornou a Apple famosa em todo o mundo.

Um comercial que, visto hoje, tendo-se em mente as atitudes recentes da Apple e de seu líder Steve Jobs, soa um tanto irônico.

dezembro 21, 2010 Posted by | Ciência & Saúde | Deixe um comentário

O grande salto para trás

Antes de mais nada, convido o leitor a assistir este pequeno vídeo de 1:21.

Se não ficou claro, eu explico: este é o jogo Plymouth Argyle x Santos, um amistoso disputado na casa dos primeiros, o estádio Home Park,  em 1973. O jogo terminou com a vitória dos ingleses por 3 x 2.  Talvez chame a atenção de muitos – principalmente os mais jovens – o estado do gramado, a localização da torcida e a falta de qualidade técnica dos jogadores do Argyle, compensada com muita garra e vontade de vencer. A muitos – e provavelmente também serão os mais jovens – deve chamar a atenção o simples fato de que o jogo tenha acontecido. Novamente, explico: são estes, os mais jovens, que cresceram a assistir jogos da Premier League onde os estádios são impecáveis,  onde os gramados são verdadeiros tapetes, onde os jogadores são craques ou pseudo-craques ególatras e onde a assistência não levanta das cadeiras nem para perguntar as horas a quem senta atrás. São estes jovens também que nunca vêem amistosos de pré-temporada, ou de meio de temporada, entre os nossos times e os deles.

Para quem cresceu com a idéia de que os campeonatos e os times europeus são o exemplo máximo do bom futebol estas imagens serão, sem dúvida, impressionantes. Mas nada impressiona tanto quanto o final do vídeo. Após o juiz apitar o fim do jogo, a torcida do Plymouth Argyle invade o campo, carrega seus jogadores em triunfo e o narrador, emocionado, diz o seguinte:

“É incrível que um time da 3a. divisão tenha vencido um dos maiores e melhores clubes do mundo, o Santos, por 3 x 2!!!”

Uma vitória histórica, sem dúvida. Ninguém fora da Inglaterra sabia quem era o Plymouth Argyle na ordem do dia e 99% dos brasileiros nem saberiam pronunciar sequer nome do time. Mas os ingleses sabiam quem era o Santos. Sabiam quem era a equipe que, em 1973, contava com Clodoaldo, Carlos Alberto, Edu, Cejas e, naturalmente, Pelé – chamado durante a narração de “El Maestro” na hora em que foi cobrar um pênalti. Sabiam que o Santos, quando fazia tours pela Europa, vencia a Inter de Milão por 7 x 1, a Roma por 5 x 0, o Benfica por 5 x 2, o Barcelona por 5 x 1, o Hamburgo por 6 x 0, o Sporting por 5 x 0, o Newcastle por 4 x 2, o Lyon por 6 x 2 e a Lazio por 3 x0 , dentre outros vários e altissonantes resultados –  e tudo isso, é bom lembrar, na casa do adversário. Sabiam que “era um dos maiores e melhores clubes do mundo”: one of the biggest and best clubs in the world. Vencê-los, sendo um clube pequeno, era motivo suficiente para invadir o campo como se de uma final de campeonato se tratasse – e os ingleses, nos anos 60 e 70, até os 80, sempre invadiam o campo quando ganhavam alguma coisa.

A emoção que viveu o Plymouth Argyle deve ter sido semelhante à sentida  pela Portuguesa da Ilha do Governador, do Rio de Janeiro (que consegue a proeza de ser mais inexpressiva do que a sua homônima paulista),quando venceu o Real Madrid, em 1969. Ou à vivida pelo Cruzeiro de Porto Alegre, que empatou com o mesmo Real Madrid em 1953, com Di Stéfano anulado pelo grande canoense Walter Spiess, o Waltão. É a emoção, óbvia e facilmente compreensível para todos, que vive o pequeno quando bate o grande. Os grandes, à epoca, eram o Santos e o Real Madrid. Os pequenos, a Portuguesa, o Cruzeiro e o Plymouth Argyle.

Passadas quatro décadas, as coisas aparentemente não mudaram tanto assim. A Portuguesa  carioca continua como o primo pobre da já paupérrima Portuguesa paulista. O Cruzeiro de Porto Alegre tem em comum com o Cruzeiro de Minas apenas o nome, as cores e nada mais. O Plymouth Argyle continua na Terceira Divisão inglesa e o Real Madrid continua no seleto grupo dos melhores, o grupo de clubes que o Argyle, a Lusa do Rio de Janeiro e o nosso Cruzeirinho vencem apenas nos seus mais loucos e acalentados sonhos. A diferença está no Santos. Hoje, se o Peixe enfrentar o Argyle novamente no estádio Home Park não mais encontrará um gramado maltratado pelas inclemências do clima, nem uma torcida mal acomodada porém (e talvez por isso) vibrante e muito menos uma invasão de campo ao final. Neste século XXI, o Home Park é um pequeno e confortável estádio de 20 mil lugares devidamente numerados, sem grades, perfeitamente pronto para receber o Santos à hora e ao dia que eles bem entenderem. Se por acaso acontecer de o Argyle vencer novamente, não haverá locutor para saudar a vitória dos ingleses sobre  one of the biggest and best clubs in the world. Não haverá comemorações efusivas e muito menos invasões de campo. Se o Argyle vencer, não terá vencido nada além de uma equipezinha lá do terceiro mundo que, por acaso, até tem uns bons jogadores como o Neymar e o Ganso, os quais, se tiverem sorte e mostrarem competência, estarão jogando na Europa em pouco tempo. Talvez no próprio Argyle, se o time algum dia subir para a primeira divisão e for comprado por algum bilionário da Rússia ou dos países árabes.

O exemplo talvez pareça exagerado. Sem problema. Tomemos outro então, envolvendo o mesmo Santos e outro time inglês, desta vez um bem mais conhecido: o Aston Villa. Não serão poucos os garotos brasileiros que saberão recitar boa parte da escalação desta importante equipe da Premier League: ali jogam Emile Heskey, Ashley Young, Stilian Petrov, Stephen Ireland e muitos outros bons jogadores do campeão europeu de 1982. Em 1972, porém, quando o Santos foi enfrentá-los, o Villa era um clube famoso somente dentro de suas fronteiras, participante de um campeonato de segunda linha em termos europeus: o Campeonato Inglês.  Assistam:

Os jornais da cidade estampavam um enorme Hail to the King (Salve o Rei) para saudar a presença do poderoso Santos e do santo-mor, Pelé. O estádio Villa Park esperava 50 mil pessoas, e acabou acomodando (muito mal) mais de  70 mil, quase todos em pé. Para garantir o fornecimento de luz durante o jogo (a Inglaterra vivia um período de séria crise econômica e era sacudida por greves, inclusive no setor energético) o Aston Villa alugou um gerador apenas para aquele jogo. A medida era justificada: tratava-se, afinal de contas, de um jogo contra o Santos, que era – não custa nada lembrar – one of the biggest and best clubs in the world. Hoje, se o Santos resolver interromper as jornadas do Aston Villa na Premier League, onde é um dos postulantes às primeiras posições, e propor um amistoso no mesmo Villa Park – hoje um belíssimo campo com todos os lugares confortavelmente marcados, de acordo com as exigências atuais do futebol inglês – dificilmente receberá chamadas de capa, estádios cheios ou recepção digna de reis. Aliás, a própria partida dificilmente acontecerá.

Há uma série de motivos que podem ser elencados para justificar a mudança da atitude dos europeus em relação ao futebol sul-americano, motivos estes que estão dentro e fora da seara esportiva. Nenhum deles, porém, é tão forte quanto o dado fático, e reconhecido por qualquer um que não esteja cego por nacionalismo demencial, de que há uma clara diferença de ordem técnica entre os melhores clubes da América do Sul e os melhores da Europa. Ainda se pode discutir sobre o nível dos clubes europeus médios e pequenos e os nossos dos mesmos estratos. Mas não se discute, a sério, que não há clube neste canto do mundo do nível do Real Madrid, do Manchester United ou da Inter de Milão.

Em nenhum outro lugar se percebe tão bem esta disparidade quanto nas disputas do Mundial de Clubes da FIFA e da sua antecessora imediata, a Taça Intercontinental.

Tomemos a disputa de 1999, entre Palmeiras e Manchester United. Enquanto os jogadores palmeirenses caíam no gramado, cansados e deprimidos pela derrota, os vencedores do Manchester United mal celebraram a vitória: Roy Keane comemorou seu gol de maneira burocrática e David Beckham nem esboçou sorriso ao fim dos 90 minutos. Invocar aqui a conhecida insularidade britânica para explicar o desdém do United conseguirá, no máximo, provar que os súditos da Rainha apenas potencializam um sentimento que é latente a todo clube europeu quando vai disputar estes jogos: o sentimento de que estão disputando algo que vale muito pouco ou que, muito simplesmente, nada vale. O apelido que os mesmos ingleses criaram para o torneio diz tudo sobre a importância que se lhe dão:  “Mickey Mouse Cup”. Um torneiozinho interessante e divertido (porém cansativo, porque fica longe de casa), com timezinhos interessantes lá de cantos esquecidos do planeta, cujos melhores jogadores , se preparados estiverem em termos técnicos, emocionais e civilizacionais, talvez possam até jogar na Europa.

Isto é o hoje, e quem negá-lo, repetimos, está cego de nacionalismo demencial. Mas o hoje não é o sempre, e o presente não é o passado. O estudo da História serve para, entre outras coisas, descobrirmos que a grande maioria de nossas certezas inquebrantáveis e verdades eternas são apenas as certezas inquebrantáveis e verdades eternas de nossa época, a ocupar, hoje, o espaço que já foi de velhas certezas do passado. Não é diferente com a História do futebol. A Taça Intercontinental, o Mundial de Clubes ou como quer que se chame o jogo que reúne o campeão da Europa e o campeão da América nem sempre foi uma “Mickey Mouse cup”. Era, aliás, conhecida pelo nome de Copa do Mundo de Clubes, World Cup of Clubs, sendo composta por dois jogos, um na América e outro na Europa A idéia de criá-la foi de um europeu, o francês Henri Delaunay, secretário-geral da FIFA (dizem que sob influência de Santiago Bernabeu, presidente do Real Madrid) e nasceu neste contexto de igualdade de forças entre os clubes dos dois continentes. A Libertadores da América era, basicamente, composta por jogadores sul-americanos. A Liga dos Campeões era, com raríssimas exceções, composta por equipes de jogadores europeus. Mais do que uma disputa entre dois clubes, o Mundial Interclubes era uma disputa entre as duas grandes escolas de futebol, a européia e a sul-americana, cujas características já estabelecidas após várias copas do Mundo, olimpíadas e torneios entre os dois lados.

O mundo de então era muito diferente. Não havia internet, a televisão engatinhava e o rádio, com alcance limitado, era praticamente a única maneira de acompanhar os jogos. O time sul-americano que jogava contra o europeu trazia uma dose de elemento surpresa simplesmente inimaginável para os (aparentemente) globalizados dias de hoje, elemento este que estava presente até mais ou menos o início dos anos 80, quando um atônito Phil Thompson, do Liverpool, disse nunca ter visto nada tão “diabólico” quanto aquele Flamengo que acabara de destrui-los com um 3 x 0 ainda no primeiro tempo. “Diabólico” por vários motivos que a(s) distância(s) entre o sul-americano do Rio de Janeiro e o norte-europeu de Liverpool fazem supor, mas, essencialmente, por serem substancialmente diferentes. O europeu, por outro lado, também trazia novidades, como foi o caso notório do Honved de Budapeste e suas famosas excursões pelo Brasil nos anos 50, presentes na memória de todos quantos o assistiram.

No jogo da Intercontinental, enfrentava-se um adversário onde todos, ou quase todos os seus titulares eram compatriotas, jogavam juntos por anos, tinham seu próprio estilo, sua própria maneira de jogar e assim por diante. Para ser considerado, de fato, o melhor time do mundo era preciso passar por este teste. Para sair do seu quintal e ganhar o planeta era preciso vencer o outro lado – porque, efetivamente, havia um outro lado digno de ser vencido. E atesta-o a resposta de Jimmy Johnstone, sensacional ponta-direita do Glasgow Celtic campeão europeu de 1967, quando lhe perguntaram qual o sabor de vencer a poderosíssima Inter de Milão na final: “Foi inacreditável. Você deve lembrar que, na época, eles eram nada menos do que bicampeões mundiais de clubes”. Um argumento que, hoje, dificilmente seria invocado para atestar a qualidade de uma equipe européia.

Quanto as coisas começaram a mudar? Difícil precisar. O êxodo de jogadores sul-americanos para a Europa começou para valer nos anos 80 (no caso de argentinos e uruguaios, um pouco antes), com a crise econômica que atingiu a região e a crescente valorização da Liga dos Campeões da Europa, que passou a dar prêmios milionários para seus vencedores. Como explicar, porém, a falta de preparação do Liverpool para a final de 1981 (não tanto quanto alguns ingleses gostam de pensar e não tão pouco quanto alguns flamenguistas gostariam de achar) e a sua ausência em duas finais, em 1978 e 1979, por desistência? Seria simplesmente a já citada insularidade inglesa? Nem tanto. Uma rápida olhada para trás talvez nos aponte uma resposta. No meio da década de 60, o Santos, farto da violência nos estádios de países vizinhos, da baixa premiação e do calendário atribulado, decidiu não mais dar importância à Libertadores e participar – quando participava – somente com o time reserva , no que foi seguido por outros grandes clubes brasileiros de então. Isto abriu espaço para o surgimento de um determinado estilo de futebol, originário do Prata, cujas origens , por si só , mereceriam um post à parte e cujas características dispensam maiores apresentações. Pois bem: em 1967, o Glasgow Celtic, vencedor da Liga dos Campeões (primeiro clube britânico e norte-europeu a vencê-la), vai enfrentar o Racing argentino, campeão da Libertadores. No jogo de ida, vence por 1 a 0. No jogo de volta, perde por 2 a 1 e enfrenta uma batalha campal raramente registrada, que se repete no jogo-desempate disputado em Montevidéu. Os escoceses voltaram para casa contando toda sorte de barbaridades e a saga do Celtic na América do Sul chegou a inspirar uma música. No ano seguinte, o Manchester United de George Best, Bobby Charlton e Denis Law enfrenta o Estudiantes de la Plata. No jogo de ida, 1 a 0 para o Estudiantes, com muita catimba e violência. George Best é caçado em campo e após receber repetidos chutes nas canelas de seu marcador, pega a bola na mão e entrega-lhe, dizendo “Quer tanto essa bola? Tome-a, mas pare de dar pontapés!”. E isto tudo, lembremos, na sequência da Copa de 1966, da expulsão de Rattin contra a Inglaterra e da polêmica  declaração do treinador inglês, AlF Ramsey, de que os argentinos eram um bando de animais.  O jogo de volta ocorreria em Manchester, com recordes de público e renda, e o resultado foi um empate por um gol, dando o título ao Estudiantes. Um título que marcou a última partida de um clube inglês no antigo formato do Mundial Interclubes, devido – esta foi a explicação oficial – à violência dos clubes sul-americanos quando jogavam em casa. Isto é o que se conta. O que não se conta foi a violência dos jogadores do Manchester United no jogo de volta: o volante Paddy Crerand, legítimo exemplar de hardman do futebol britânico dos anos 60, distribuiu bordoadas durante o jogo todo e George Best foi expulso após dar um soco num jogador argentino. A torcida inglesa não ficou atrás: jogava objetos no banco de reservas dos argentinos e gritava “Animals! Animals!” como se comandada pelo treinador de sua seleção nacional. Os jogadores do Estudiantes ensaiaram uma volta olímpica, mas foram imediatamente interrompidos: a qualquer momento os ingleses poderiam invadir o gramado e trucidá-los.

Nos anos 70,  o argumento da violência afastou os europeus e a competição chegou a não se realizar em 1975 e 1978.  O torneio voltou em 1980, num jogo só, em Tóquio, longe das crises políticas, da violência e da selvageria dos latino-americanos. Resolveu-se um problema e na sequência veio outro: a retomada da Copa coincidiu com o início o êxodo sul-americano para a Europa, o consequente fortalecimento em massa dos clubes europeus e paulatino desequilíbrio de forças entre os dois campeões continentais, retirando o clima de disputa ferrenha (com vantagem para os sul-americanos) que caracterizaram as primeiras edições do torneio nos anos 60. O problema só cresceu com o tempo até chegarmos à situação que temos hoje.

Não resta dúvida de que a única maneira de a competição voltar a ganhar interesse é o fortalecimento dos clubes sul-americanos. Foi isso que transformou um campeonato de baixo nível técnico, sem nenhuma divulgação no exterior e exportador de seus melhores craques, o inglês, na liga mais rica do mundo, suplantando os tradicionalíssimos campeonatos italiano e espanhol e atraindo alguns dos melhores jogadores de todas as partes. E é isso que fará os clubes sul-americanos – e brasileiros, principalmente – voltarem a ser respeitados na cena internacional, não só pelos europeus como pelo resto do mundo. Todas as outras medidas- mudanças na fórmula de disputa, de sede, de clubes participantes – são paliativos de curto alcance.

O caminho a percorrer é longo: é  um caminho, basicamente, de retorno a um patamar onde estávamos meio século atrás. E não há caminho mais duro de se trilhar do que o de retorno ao topo. Tentar voltar a ser grande após tê-lo sido é uma tarefa tão difícil que o simples fato de tentar realizá-la já é sinal de grande coragem. E é isso o que os clubes brasileiros vêm buscando fazer  nos últimos tempos, mais propriamente há uns 3 anos. Driblando as dificuldades inerentes à nossa condição periférica e aproveitando como podem a recente e, espera-se, sólida ascensão econômica do Brasil no cenário econômico internacional (acompanhada da decadência econômica do Velho Continente), os clubes brasileiros vêm tentando de todas as formas – com patrocínios especiais, contratos especiais, acordos especiais – atrair alguns jogadores brasileiros que estavam na Europa e segurar algumas das nossas melhores revelações. O retorno de um Elano ou um Fred, o empréstimo recente de um Robinho, a manutenção de um Neymar ou de um Giuliano entre nós, a chegada de bons vizinhos hispanos como D’Alessandro, Dario Conca, Loco Abreu e outros poderiam ser o sinal de um bom e alvissareiro recomeço para o futebol sul-americano. Se tentar voltar aos píncaros de uma glória é uma tarefa complicadíssima, tão complicado quanto isso é recomeçar de fato a trajetória que nos leva até lá. O futebol brasileiro e, em menor medida, o sul-americano estava retomando o caminho. E o mundo já dava mostras, tímidas ainda, de que reconhecia esta retomada, através de uma citação de pé de página aqui, uma menção ali, uma pequena reportagem acolá.

Eu disse estava. Já não está mais.

Desde o dia 14 de dezembro de 2010, todo o trabalho realizado por dirigentes, torcedores, jogadores e todos os envolvidos com o futebol da América do Sul foi por água abaixo. Quando a bola do segundo gol do Mazembe morreu no fundo do gol do Internacional, morria também, no nascedouro, todo osesforço concentrado desde pelo menos 2008 para dar renome internacional ao futebol deste lado do mundo.  O Internacional não era, neste ano, apenas o favorito contra o Mazembe. Não era o time sul-americano que passaria à final com os italianos para servir de saco de pancadas ou para, se armasse uma retranca, talvez vencer com um golzinho salvador. O Internacional era, neste momento histórico, a equipe brasileira e sul-americana que poderia, pela primeira vez em muitos anos, fazer um jogo franco e aberto com o campeão europeu e vencê-lo jogando apropriadamente e não como clube pequeno. Talvez até perdesse. Mas perderia jogando de maneira frontal e franca e não como um rato acuado por um leão, como o São Paulo contra o Liverpool ou o próprio Internacional contra o Barcelona, em 2006, que acabaram vencendo por lances casuais. Quem duvida da percepção européia do que era o Inter e de como poderia se comportar deveria ler esta matéria do prestigiado jornal Gazzeta Dello Sport sobre os colorados. O Internacional é aqui descrito como um clube com excelente estrutura, uma equipe organizada, “a mais européia das equipes brasileiras”, com vários jogadores de experiência internacional e convocações para seleções, organizado taticamente e sem nenhum dos estereótipos normalmente associados ao futebol do Brasil e da América do Sul e ao próprio Brasil e à América do Sul como um todo. Era, em suma, um adversário de verdade para a Internazionale , capaz de fazer da final do Mundial um jogo que valeria a pena ver. Sem condescendência européia para não ofender seu potencial mercado consumidor do Hemisfério Sul, sem esgoelar-se tresloucado sul-americano para garantir uma vitória por meio a zero: um jogo de verdade. Pela primeira vez em muito tempo. O primeiro de muitos nos anos que viriam. O primeiro verdadeiro passo do turning point do futebol sul-americano.

Pois bem. Quem lê em inglês pode acessar os textos do britânico Tim Vickery ,jornalista da BBC inglesa e da Sports Illustrated . Mister Vickery vive no Rio de Janeiro desde 1994 e abastece seus conterrâneos com informações sobre o futebol sul-americano. No mundo de língua inglesa, ele é tido como uma grande autoridade no assunto, recebendo, por isso, o apelido de “Legendinho” (“Legend”, lenda em inglês, mais o “inho” que o mundo associa aos brasileiros) e é ele, basicamente ele, quem orienta os europeus pretensamente mais informados sobre o nosso futebol. Se você, leitor, encontrar por este mundo afora algum europeu e, especialmente, algum inglês que fale do futebol sul-americano como se soubesse alguma coisa, pode ter certeza de que ele acompanha o blog de Mr. Vickery. O trabalho do jornalista inglês pode ser considerado relativamente bem feito: traz muita informação sobre os clubes e os jogadores daqui e neste aspecto, o da informação pura, ele é bastante satisfatório;  o mesmo nem sempre se pode dizer de suas opiniões e avaliações, que são, e com alguma frequência, baseadas em erros mais ou menos graves, histórias contadas pela metade ou sem qualquer comprovação, omissões (deliberadas ou não) de certas informações e uma tendência, embora não muito forte mas presente, de dizer aquilo que sua platéia – no caso o leitor europeu e, sobretudo, o britânico – deseja ouvir. Mas é ele, e não outro, quem os inforna e saber sua opinião é, portanto, importante para quem quer avaliar o impacto de uma derrota como a do Inter. E sua opinião está aqui. É esta opinião que correrá o mundo. Está correta sua na maior parte – equivocada num ou noutro ponto, quando avalia alguns jogadores (um dos mais sensíveis calcanhares de Aquiles do trabalho de Mr. Vickery) – e, embora ressalte, no final, o princípio de fortalecimento econômico de nossos clubes (e países), ressalta ainda mais a situação de inferioridade dos mesmos em relação aos europeus. A derrota do Internacional apenas reforçou esta idéia. Se era possível falar de algo como o começo do renascer do futebol sul americano – e nada além disso, um começo de um renascer – ele morreu antes de chegar a acontecer. Todo o caminho até agora trilhado de nada valeu. Todo o esforço foi inútil. Voltamos à estaca zero. Se há uma palavra certa para caracterizar o impacto desta derrota, esta palavra é tragédia.

Está tudo perdido? Creio que não. Ainda podemos, sim, trilhar a mesma estrada de novo, the long way to the top. Mas agora, diante de um mal já feito, diante de um estrondoso fracasso, a nossa resposta à altura precisa ser nada menos do que um estrondoso sucesso. E este estrondoso sucesso precisa ser nada mais, nada menos, do que uma vitória incontestável, ressoante e firme de um clube sul-americano sobre um europeu no próximo Mundial de Clubes. Isto, e somente isto, poderá retomar o caminho que, a duríssimas penas, tentamos iniciar nos últimos anos. Isto, e somente isto, poderá anular o grande salto para trás que o Sport Club Internacional deu neste último Mundial de Clubes e levou a todos nós, sul-americanos, junto com ele. Isto, somente isto, poderá colocar um clube brasileiro, de novo, entre “the biggest and the best clubs in the world”.

dezembro 20, 2010 Posted by | Esportes | 7 Comentários

Record ” sem noção”

Se fossemos procurar um exemplo do que significa a expressão’ sem noção” poderíamos utilizar o programa do Gugu com   o bloco “Saindo dos trilhos”  que a  Rede Record teve o descaramento de transmitir . A apresentadora, com um tom de voz semelhante ao de  Lilian Celiberti quando faz referência a lances esportivo  empolgantes ,  narra para quem  teve o mau gosto de sintonizar o canal, acidentes de trens. Isso mesmo, narra empolgadamente acidentes de trens.

 

dezembro 19, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Eleição de Final de Ano do Redação SporTv contempla clubes gaúchos

O programa Redação SpotTv promoveu hoje sua eleição de final de ano. Diversas categorias foram objeto de votação pelos  abalizados comentaristas do conceituado canal de esportes , André Rizek, Lédio Carmona, Renato Maurício Prado e Luiz Carlos Junior. Nos ocuparemos aqui apenas dos títulos vencidos pelos clubes gaúchos. O Internacional saiu vencedor na categoria Mico do ano, pela performance no Mundial de Clubes da FIFA. Já o Grêmio foi lembrado por seu jogo diante do Santos na Copa do Brasil ( 4×3)  e venceu como  a torcida mais feliz do Brasil em 2010.

O Perspectiva cumprimenta os vencedores.

 

 

dezembro 17, 2010 Posted by | Esportes | Deixe um comentário

Recordando Gabiru ou A bola pune?

Leia aqui o que publicamos em 14 de dezembro de 2007

dezembro 14, 2010 Posted by | Esportes | 1 comentário

Intervenção urbana de Natal

dezembro 14, 2010 Posted by | Arte | Deixe um comentário

Entrevista de Gerardo Mello Mourão


 

Se por um lado sua obra poética é majestosa, com pretensões universalistas, por outro, o senhor utiliza elementos locais da sua família e do prosaísmo da vida nordestina. Como conciliar esses dois enfoques aparentemente discrepantes?

Majestosa? Só se for no sentido musical, em que as partituras indicam na pauta as palavras maestoso, ou andante, ou allegro e assim por diante, para marcar o ritmo e o tempo de trechos da sonata ou cantata. Nestes termos, quem me dera que meus versos guardem e transmitam ao leitor a marcação rítmica que está em toda obra poética, de Homero a nossos dias. Todo homem é uma dança, e tudo começa e tudo acaba em dança – advertia Keats. Assim é a poesia. Nasceu da marcação com os pés no chão da dança. Ainda hoje a grande poesia alemã e inglesa – como a poesia dos salmos hebraicos – guarda em cada verso os ritmos greco-latinos, a medida dos tons pela combinação das sílabas breves e longas. Esta é a poesia mensurada de John Donne e Shakespeare, de Byron a Coleridge, a Pound, a Eliot. Nas línguas neolatinas, o ritmo se faz pelas átonas e tônicas, pelo número de sílabas: heptassílabos, os decassílabos, os alexandrinos etc.Mas mesmo em nossa grande poesia, de Dante a Camões, a Mallarmé, a Baudelaire, a Rimbaud, a Leopardi, a Fernando Pessoa, está lá dentro de cada verso a batida dos pés de Homero, Virgílio, Propércio, Ovídio, com seus hexâmetros e pentâmetros, seus dáctilos, anapestos e troqueus – as sonoras combinações de sílabas. É este “arranjo” que dá espírito ao corpo do verso, e o poeta sabe gerá-lo, com a inocência do bom soprador de flauta ou tocador de viola, que rege o furo e a corda do instrumento com a sabedoria intuitiva e mágica que exclui mesmo a intenção. Por geração espontânea, digamos. Sem essa sabedoria mágica, qualquer sujeito poderá metrificar com rigorosa matemática, “more geométrico”, seus falsos versos: mas fará prosa sem saber, como o Mr. Jourdain de Molière.É certo que a revolução estática do princípio do século passado, de Marinetti a Tzara, a Breton e outros, tão fecunda com as descobertas do futurismo, do surrealismo, do dadaísmo, dos concretismos e assim por diante, resolveu abominar a métrica e o verso, como formas artificiais que aprisionaram o pensamento. Oswald de Andrade, um extraordinário “promoter” da boa literatura, embora sendo um poeta menor, como é o caso também de Mário de Andrade, repeliu o poeta que lhe propunha a experiência do soneto, com a famosa imprecação: “Abaixo a gaiola!”. Pelo visto, não sabia o que era um soneto ou não sabia o que era uma gaiola.O soneto, como a quadra, como o decassílabo, como o alexandrino etc., é um instrumento poético, como a flauta, o piano, o violão e o cavaquinho são instrumentos musicais. Com eles se faz música boa ou música ruim, dependendo dos dedos ou do sopro e do ouvido de quem toca. O poeta não é um escravo de versos medidos e contados, mas é servidor e provedor do ritmo, do ritmo mensurado e numerado, como nos tercetos do Dante, na oitava rima de Camões, nos sonetos de Gongora, e busca sempre o ritmo – todos os ritmos-, como Claudel ou Pound ou Walt Whitman. “Todos os ritmos, sobretudo os inumeráveis”, anunciava Manuel Bandeira.Mas a resposta já está ficando longa: é a má sina das respostas que em geral são sempre mais compridas do que as perguntas. Em todo caso, eu diria ainda que o poema se constrói muito como o “opus” musical: a repetição incessante da mesma frase musical, em todos os tons é a “fuga”, ou o “cânon” que estão na medula sonora dos textos mais líricos de Mozart, de Beethoven e de Bach, por exemplo. O poeta repete um número sorteado de sílabas e de palavras, sem nexo entre si, ou trechos de crônicas antigas e histórias do dia-a-dia, como o músico, com apenas as oito notas musicais estabelecidas na escala de Guido d´Arezzo – do-re-mi – e estas oito notas não são uma gaiola, mas a matéria prima do canto.Não há outras, e sair delas, é desafinar. Veja os cantadores de feira do nordeste: eles cantam redondilhas, versos de oito pés em quadrão, os chamados gabinetes de dez sílabas ou o “galope-a-beira-mar” de rigorosos endecassilacos metastasianos. Nunca estudaram métrica, não precisam medir versos no dedos, mas jamais incorrem num verso de pé quebrado. O ritmo nasceu com eles. Os elementos familiares e quotidianos é que salvam o poeta do prosaismo.Convivi muito na juventude com o historiador paulistano Ernani Silva Bruno, muito importante para a nossa geração, e descobrirmos, ainda na adolescência, que a história do mundo é a história de cada homem. E vice-versa. Ernani fundara em São Paulo o movimento “Boitatá”. Boitatá é a cobra de fogo, que abre e ilumina o caminho arrastando-se sobre seu chão. Ernani Silva Bruno cunhou uma frase que é o santo e senha dos que pretendemos nossa inserção no universo: “É preciso abrir uma picada para o universal”. A palavra “picada”, regionalismo típico do caipira de São Paulo ou do matuto do Nordeste, sugere um compromisso com o sítio próprio de nossa tribo. A maneira correta de partir é sair de onde estamos. Até por força da matemática euclidiana, eu só chego lá se partir de onde venho. Eu parto de um engenho de cana, de um curral reiúno, de uns coronéis valentes e bravateiros, de umas mulheres beatas, de uns cangaceiros matadores, bons no rifle e no punhal, que fundaram a Renascença da civilização brasileira.

Quais foram os escritores que o influenciaram mais intimamente? Com quais poetas o senhor alinha sua obra?

Não sei se é próprio falar de influências. Prefiro lembrar algumas referências. A primeira delas foi o caboclo Anselmo Vieira, cantador da feira de Ipueiras, com sua rebeca rouca, sua voz gemedeira, cantando quadras e sextilhas de sete sílabas, mourões de oito pés em quadrão, galopes-à-beira-mar em puros endecassílabos de Metastasio e assim por diante. Aos cinco anos aprendi seus versos de cor, depois de tanto ouvi-los, antes mesmo que os pais do folclorismo nordestino, Gustavo Barroso, Leonardo Mota e Câmara Cascudo os recolhessem em antologias. Depois, entre os doze e os treze anos, comecei a ler e traduzir em grego e em latim, Homero e Píndaro, Virgílio e Horácio, Ovídio e Propércio, nos exercícios que eram a voluptuosa disciplina cotidiana e o pão de cada dia no convento de redentoristas holandeses em que vivi até os dezoito anos.E naturalmente a Sagrada Escritura, em que fui iniciado desde a primeira adolescência e que me deu a salubre convivência e o vício da vida inteira no convívio de Isaías, Jeremias, Ezequiel, e Daniel com os quatro evangelhos e as cartas de São Paulo, tudo isso no ritmo religioso do canto gregoriano, cantado de manhã, de tarde e de noite na serenidade claustral, ritmo dominante, talvez, de minha poesia. E mais: nos textos às vezes da Koiné grega, mas sobretudo na linguagem vigorosa do violento latim de são Jerônimo. Este Jerônimo que é para mim, como para André Gide, Léon Bloy e Valéry Larbaud, o maior escritor do Ocidente. De uma de suas passagens, a conversa de Jesus com seus amigos apóstolos na Última Ceia, o agnóstico Gide diria que se nunca tivesse havido um Deus ele teria afinal aparecido naquela noite, com aquele texto, pois jamais um ser humano poderia tê-lo redigido. Só um Deus.No ano passado, em Seminário realizado na Sorbonne pelo Professor Christos Klairis, em sua cátedra Lingüística e com a participação de quinze lingüistas, para um debate sobre um de meus livros de poemas, lembrou aquele mestre que Dionísio, o Trácio, em sua Gramática, a mais antiga que se conhece no Ocidente, ao falar da natureza do poema, dizia que a poesia é um sopro. E Christos Klairis invocava ainda um dos mais antigos estudos de poética que se conhecem, o de Zenon e Eléia, para quem a poesia deve ter duas medidas: a metonímia e os “pachos”, a palavra que quer dizer “espessura”. (Daí vem a palavra “pacote”). Com esta espessura que se constrói com as palavras, uma depois da outra, em cima da outra, o poeta estende no leito dos vales da linguagem o rio volumoso de corrente de sua expressão, para a metáfora de seu canto. Talvez por isto o que é próprio do rio do poema é ser um rio caudaloso.Também em 1999, o jornal Le Monde promovia um debate entre escritores para identificar a qualidade e as tendências da mais autêntica poesia francesa contemporânea. Houve um entendimento praticamente unânime de que os dois poetas mais representativos da França neste século poderiam ser Claudel, entre os mortos, e meu amigo Robert Marteau, entre os vivos, com seus largos, longos, caudalosos versos, capazes de sustentar a metonímia e o pachos da visão eleata da poesia. Sobretudo porque esta caudal se faz com as águas substantivas da metáfora, e não com os berliques e berloques dos adjetivos, artificiais e ornamentais da eloqüência vazia. Parece-me que seria fútil ou arrogante alinhar com a de outros poetas a minha própria obra. Lembraria mesmo a resposta de Heidegger, quando lhe perguntaram como situar “a filosofia de Heidegger”. A resposta do filósofo foi que não havia uma filosofia de Heidegger, e se houvesse não haveria importância alguma. O que existe e o que importa é a filosofia, ponto. No caso, a poesia, e não a poesia de Gerardo.

Durante sua trajetória, o senhor nunca se filiou a nenhuma corrente estilística, nem ideológica. O senhor não concebe a produção artística engajada, como um suporte para para ideologias?

A ideologia é a negação da fecundidade e da liberdade do espírito. O sujeito que se escraviza a uma ideologia não tem idéias. Tem uma idéia só. Às vezes, fascinado por um sonho generoso, o homem se encerra no círculo de ferro, estéril e sem saída, de uma ideologia. O século 20 conheceu esta indigência e esta impostura, com a endemia do marxismo. Parece que hoje não há mais marxistas nos círculos respeitáveis do pensamento em nenhum país culturalmente aparelhado. O marxismo, que se tornou uma redução política na União Soviética e seus satélites do Leste, já não existe mais a não ser na pobre ilha desolada de Fidel Castro, onde sobreviverá, se sobreviver, até o dia em que o idoso “comandante” venha a morrer, e na indigente e agoniada Coréia do Norte, até o dia em que se recolham a um manicômio o ditador “minus habens” ali entronizado por direito hereditário. O marxismo começou a morrer no dia em que um de seus maiores aplicados clérigos, o lúcido e inteligente Achille Occhetto, Secretário Geral do Partido Comunista italiano proclamou: “Il comunismo è finito.” Aí veio o terremoto de Berlim, e um dos mais eminente cardeais da ideologia da Europa, convidado a falar sobre aqueda do muro, respondeu: “Houve um terremoto, e eu não discuto com um terremoto.” No Brasil, quase todos os membros do atual governo pagaram seu pedágio ao marxismo. Hoje, seria uma injúria ou uma desinformação supor que algum deles seja ainda marxista. Restam alguns cavalheiros na mediocridade do mundo acadêmico ou dos supostos profissionais da cultura, que encontraram no marxismo um pé-de-cabra para seus supostos êxitos literatura, conseguidos à custa dos patrulhamentos vergonhosos e imorais, institucionalizados por um funcionário de Stalin, o medíocre escritor Ilia Ehrenburg, como documenta o grave terrível livro de Lottman, La Rive Gauche. Mas, de certo modo o destino do marxismo chega ao fim, com a morte das ideologias, que vão parar todas na lata de lixo da história. Isto não significa que devamos satanizar o marxismo e os marxistas. Eles cumpriram uma importante missão histórica: acelerar o respeito aos direitos dos trabalhadores na selva selvagem do capitalismo desumano. Veja homens como o Oscar Niemeyer: ele é o último dos moicanos do comunismo, e é um santo por sua profissão de fé de amor ao ser humano.

Por que a inteligentzia que compunha os movimentos de vanguarda no início do século 20 (como Ezra Pound e T.S Eliot) comprou idéias fascistas?

Não sei se a inteligentzia comprou idéias fascistas. Mas os exemplos de Ezra Pound não são únicos. Na literatura inglesa, além de Chesterton, que foi militante uniformizado do Partido Fascista de Sir Oswald Mosley, como tantos outros intelectuais, basta lembrar que D. H. Lawrence, o mais importante romancista inglês de seu tempo, assinou manifestos favoráveis a Mussolini, como o próprio James Joyce, que saudou o Duce italiano como uma esperança jovem para o mundo. Quase todos os membros do círculo que girou em torno de Pound, os chamado “Pound’s artists” acompanhavam as idéias políticas do poeta. As patrulhas de esquerda escondem esses fatos, temerosas do peso desses nomes na opinião cultural. Mas todo o mundo sabe disso. Em Portugal, praticamente toda a inteligentzia lusíada aplaudia Salazar e participava de seu governo. O poeta Fernando Pessoa é signatário de vários manifestos e moções de louvor e apoio a Salazar. Na Alemanha, além de Heidegger, passaram pelo nazismo figuras como o cientista Max Planck, criador da teoria dos “quanta”, sem a qual não teria existido Einstein, a Heisenberg, criador da teoria mais avançada da física de nosso tempo, a teoria da indeterminabilidade, que ampliou os horizontes einsteinianos.O dramaturgo Gerhard Hauptmann foi filiado ao Partido Nazista, como Prêmio Nobel de literatura norueguês Knut Hamsum e o pintor Paul Klee saudou o advento de Hitler. Na Itália, o próprio Alcide de Gasperi, ao chefiar o primeiro governo do país depois de Mussolini, recusou-se a promover julgamentos contra os fascistas, para não Ter de meter na cadeia toda a inteligentzia italiana. O poeta D’Annunzio recebeu o título nobiliárquico de Príncipe das mãos de Mussolini, por sua luta armada e por suas odes em favor do fascismo. O mesmo Mussolini nomeou Senadores romanos pelo Partido Fascista o teatrólogo Pirandello e o poeta Marinetti, criador do futurismo e cabeça de todo o vanguardismo literário e artístico da Europa.O então jovem poeta Ungaretti pediu a Mussolini para fazer o prefácio de seu primeiro livro de poemas. E por aí afora, sem esquecer que o próprio Benetto Croce, pai do liberalismo deste século e pai da moderna crítica literária e do pensamento estético moderno, antes de recolher-se ao ostracismo em seu “palazzo” napolitano, em silencioso e digno protesto contra o regime, votara a favor da investidura de Mussolini como Primeiro-Ministro, depois da famosa Marcha sobre Roma. Quando se sabe que até o divino poeta Rainer Maria Rilke, tão alheio aos problemas temporais, saudou com entusiasmo a chegada de Hitler, não é difícil imaginar o que aconteceu no resto da Europa. As relações do psicanalista Jung com o ditador alemão foram as mais explícitas. Hitler o fez presidente da Sociedade Alemã de Psicanálise, e teve nele seu mestre e seu guru: a escolha da cruz suástica como símbolo do nazismo foi uma indicação pessoal de Jung. E além de pai da suástica, Jung foi o inventor da pureza da raça ariana e da exclusão dos judeus da Europa, teses que se tornaram marca registrada do nazismo.Na França, basta lembrar os livros reeditados no ano passado, do escritor israelense Zeev Sterbnell (Gallimard, quase 700 páginas), A Direita Revolucionária e As origens francesas do fascismo. Seria interminável a lista dos escritores franceses oriundos do fascismo, como o próprio Bernanos e toda a legião de impressão de que Charles Maurras fez a cabeça dos franceses militantes e simpatizantes da “Action Française”. Tem-se a impressão de que Charles Maurras fez a cabeça dos franceses representativos, nas letras, nas artes e na política, incluindo o General De Gaulle, Pompidou, o socialista Mitterand e assim por diante. A França madrugou para o fascismo e o anti-semitismo com o “affaire Dreyfus”. Assim, não é por acaso que o mais consagrado – talvez o maior – poeta francês do século, Paul Claudel, tenha escrito uma ode retumbante ao General Franco quando o fascismo despontou na Espanha. E ainda recentemente, em minucioso levantamento divulgado pelo jornal de esquerda Le Monde, a melhor crítica literária do país, ao relacionar os grandes escritores do século no país, chegava à conclusão de que todos eram de direita. E concluía: “Hélas! Ils sont à droite”. Num cotejo entre Aragon e Céline, isto é, entre o poeta símbolo da literatura de esquerda e o romancista condenado como nazista, não era possível hesitar na escolha. O nome a ficar para a posteridade era Céline. E ponha cotejos semelhantes nisto! Basta lembrar o caso da fama pirotécnica de Sartre, cuja obra filosófica está condenada a um julgamento irremissível: é apenas um pastiche, uma contratação medíocre da obra de seu antigo mestre Martin Heidegger, “ad usum Delphini”. No caso, “ad usum” das militâncias de esquerda nas ruas e nas medíocres academias do Terceiro Mundo.

Esse exemplo foi seguido no Brasil com o Estado Novo?

No Brasil, até por ser impostura e uma contrafação do fascismo, o Estado novo não aliciou entusiasmos maiores no universo artístico cultural. A eventual presença de artistas e escritores em órgãos do governos não chega a comprometer ideologicamente ninguém. Ninguém vai acusar Carlos Drummond ou Clarice Lispector de serem partidários da ditadura só pelo fato de haver o poeta servido no gabinete do Ministro da Educação, Gustavo Capanema – um grande ministro, de resto – ou a romancista por haver tido um emprego no DIP, a agência de propaganda do Goebbels tupiniquim do Estado Novo. Mesmo intelectuais e artistas que foram colaboradores de projetos do governo da ditadura, como Cassiano Ricardo, o citado Gustavo Capanema, o maestro Villa-Lobos, o pintor Portinari e o arquiteto Oscar Niemeyer, estão todos eles acima de qualquer suspeita. Aqui, os compromissos com o fascínio da direita devem ser catalogados entre os militantes e simpatizantes do integralismo, entre os quais não fujo de incluir meu próprio nome, certamente o menos importante entre tantos outros, como Luiz da Câmara Cascudo, Miguel Reale, Gustavo Barroso, Gofredo Silva Teles, Almeida Sales, Ernani da Silva Bruno, Rolan Corbisier, Antônio Galloti, Américo Jacobina Lacombe, Adonias Filho Guerreiro Ramos, os poetas Olegário Mariano, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Tasso da Silveira e Francisco Karam – doce poeta hoje tão esquecido – e toda uma legião de pensadores, professores, artistas plásticos, músicos, acadêmicos, e o próprio Tristão de Athayde, por cuja mão cheguei à filiação integralista. Isto, sem falar nos que passaram apenas por alguma tempo pelo integralismo como o crítico Álvaro Lins e o romancista José Lins do Rego. Mas o integralismo brasileiro era uma direita à moda da casa e não pode ser confundido com o nazismo. Sua satanização pelas esquerdas incompetentes é uma falta de informação. Por exemplo: o integralismo estava cheio de militantes judeus ortodoxos. Meu primeiro chefe imediato, o Diretor do Departamento Universitário a que fui filiado, era o brilhante judeu Aben-Attar Neto, fundador do Centro Osvaldo Spengler, que passou de Chefe do Departamento Universitário a Secretário Provincial de Propaganda do Integralismo no Rio de Janeiro. Mas isso é outra história.

O poeta é um santo?

O poeta é um santo, um santo mártir, no sentido etimológico da palavra, que quer dizer testemunha. Mas o poeta é também um endemoniado. As duas coisas, para lá de todas as medidas. Gide e meu saudoso amigo, o romancista Lúcio Cardoso, achavam que o demônio é a mais permanente fonte de inspiração.

Durante sua trajetória, o senhor nunca se filiou a nenhuma corrente estilística, nem ideológica. O senhor não concebe a produção artística engajada como um suporte para para ideologias?

A ideologia é a negação da fecundidade e da liberdade do espírito. O sujeito que se escraviza a uma ideologia não tem idéias. Tem uma idéia só. Às vezes, fascinado por um sonho generoso, o homem se encerra no círculo de ferro, estéril e sem saída, de uma ideologia. O século 20 conheceu essa indigência e essa impostura, com a endemia do marxismo. Parece que hoje não há mais marxistas nos círculos respeitáveis do pensamento em nenhum país culturalmente aparelhado. O marxismo, que se tornou uma redução política na União Soviética e seus satélites do Leste, já não existe mais a não ser na pobre ilha desolada de Fidel Castro – onde sobreviverá, se sobreviver, até o dia em que o idoso “comandante” venha a morrer – e na indigente e agoniada Coréia do Norte, até o dia em que se recolham a um manicômio o ditador “minus habens” ali entronizado por direito hereditário. O marxismo começou a morrer no dia em que um de seus mais aplicados clérigos, o lúcido e inteligente Achille Occhetto, secretário-geral do Partido Comunista italiano, proclamou: “Il comunismo è finito”. Aí veio o terremoto de Berlim, e um dos mais eminente cardeais da ideologia na Europa, convidado a falar sobre aqueda do muro, respondeu: “Houve um terremoto, e eu não discuto com um terremoto”. No Brasil, quase todos os membros do atual governo pagaram seu pedágio ao marxismo. Hoje, seria uma injúria ou uma desinformação supor que algum deles seja ainda marxista. De certo modo o destino do marxismo chega ao fim, com a morte das ideologias, que vão parar todas na lata de lixo da história. Isto não significa que devamos satanizar o marxismo e os marxistas. Eles cumpriram uma importante missão histórica: acelerar o respeito aos direitos dos trabalhadores na selva selvagem do capitalismo desumano. Veja homens como o Oscar Niemeyer: ele é o último dos moicanos do comunismo, e é um santo por sua profissão-de-fé de amor ao ser humano.

Qual a finalidade da literatura?

A finalidade da literatura é a verdade. Mais claramente: é a beleza da verdade. O escultor Brancuse pergunto um dia a Pound o que ele buscava em seu trabalho. O poeta respondeu: a beleza. Brancuse, que era oficial do mesmo ofício comentou: “Beauty is difficult”. Por isso, Lautréamont advertia: “A missão da poesia é difícil. Ela não se mete nos acontecimentos da política, na maneira pela qual se governa um povo, não faz sequer alusão aos períodos históricos, aos golpes de Estado, aos regicídios, às intrigas da corte. Não trata nem mesmo das lutas que excepcionalmente o homem trava consigo próprio, com suas paixões. O que ela faz é descobrir as leis que dão corpo e vida à política teórica, à paz universal, às refutações de Maquiavel, aos corneteiros da obra de Proudhon, à psicologia da humanidade”. Por isso mesmo, Novalis lembrava as origens apolíneas da poesia nos oráculos de Delfos. Ela junta as palavras e os sons que compõem a magia de sua mensagem logicamente incompreensível, claros enigmas que se dão ao conhecer na zona incontaminada do conhecimento intuitivo. Do conhecimento mágico. A Sibila Délfica, ao proferir certa vez um oráculo a um capitão de Atenas, foi por ele solicitada a interpretá-lo. Respondeu: “Apolo não ensina. Apolo revela.” Assim, a poesia. Ela não ensina. Ela apenas revela, e isto é tudo. Enganam se os poetas que querem ensinar. Como o nosso bom e sofrido João Cabral, que escrevia seus breves versos didáticos como se estivesse sempre ensinando, pedagogicamente. Ele mesmo sabia que não era um poeta e preferia ser chamado de “escritor de poesia”. Escritor, sim, de poesia não. Seus textos devem ser didáticos, mas nunca poéticos. Proferem instruções, ordens do dia, mas não revelações. O mesmo equívoco ocorre com todos os outros supostos poetas engajados.

Tido por muitos como adepto das esquerdas, o senhor recebia pressões por parte da intelligentzia de esquerda para tingir sua obra com um caráter político imediato?

Nas duas ditaduras deste país, a do Estado Novo e a do regime militar de 64, fui perseguido, preso, torturado (em 67 quase até a morte), primeiro como fascista, depois como comunista. Estou vivo por milagre. O oportunismo revolucionário, à esquerda e à direita, forçou a catagolação de quem lhe convinha, neste ou naquele esquema. Haja vista o escritor Otto Maria Carpeaux, até filiado ao fascismo austríaco, que foi confiscado pela esquerda apenas porque lutou aqui contra a ditadura militar. Todos nos querem enquadrar.

O crítico literário Wilson Martins afirma que a literatura brasileira é irrelevante para os outros países. O senhor concorda com ele?

O sr. Wilson Martins, que exerce a missão de crítico com independência, dignidade e uma lucidez rara entre nós para os de seu ofício, sabe o que diz.

Nós ainda padecemos do mal da especialização, da ditadura da certeza e dos bárbaros da individualidade que marcaram nossa história?

A especialização é uma das pragas de nosso tempo cultural. Cito sempre Ortega: o especialista é o sujeito que sabe cada vez sobre cada vez menos.

O senhor considera o esquema proposto por Decartes falido? É preciso acreditar mais na essência do homem? O ser e a razão são irreconciliáveis? O senhor acredita que estamos retomando gradualmente a espiritualidade? Ela é legítima?

Seria preciso um tratado inteiro para responder a esta pergunta. O racionalismo cartesiano não é tão excludente como pensam alguns. O próprio Descartes conta que formulou seu famoso teorema depois de uma revelação que lhe chegara num sonho. Quer dizer: o sonho e a razão, a fé e o raciocínio têm um ponto de encontro no âmago do ser.

O fenômeno da globalização impõe a homogeneização cultural?

A resposta também teria que ser longa. Depois que Paul Valéry nos advertiu que as civilizações morrem, muita gente passou a confundir civilizações com cultura. As culturas não morrem. E quando morrem, é para nascer de novo. O bem-sucedido pragmatismo norte-americano confunde as coisas no simplismo de sua filosofia do êxito. Nas universidades americanas Sócrates e Platão são acusados de fascistas, e os ingênuos professores das Harvards da vida proclamam que estes filósofos estão superados. Não é assim: um automóvel Ford 1930 pode estar superado pelo Ford 1980. Mas o pensamento essencial de um filósofo de 1500 anos atrás não é superado com a facilidade com que se supera um artefato mecânico. Homero ou Dante não podem ser superados. Situam-se num campo em que não existe esse negócio de superação.

Nesse sentido, existiria uma cultura brasileira?

Mesmo quando seja nos seus balbucios, é claro que há uma cultura brasileira. Refiro-me à cultura do saber, como a definiu Max Scheler, e que não tem nada a ver com os conceitos sociológicos e antropológicos de cultura que estão na moda. A cultura brasileira há de ser um quinhão valioso no formal de partilha da cultura ocidental.

Como o senhor enxerga a crise por que passa a Universidade pública? Estamos realmente vivendo um período de crise ou é o conceito de universidade que está deteriorado? Existe alguma saída viável?

Creio que a Universidade no mundo inteiro, salvo raríssimas exceções, está em crise. Melhor: não é a Universidade que está em crise, com a depravação pós-iluminista do conceito de saber.

Como o senhor assistiu às comemorações dos 500 anos de Descobrimento? Mais uma vez a festa – elemento que caracteriza o país – foi imposta de cima para baixo e os representantes legítimos foram alijados?

Convidado certa vez para as comemorações do segundo centenário de Goethe, Ortega y Gasset excusou-se dizendo – “no estoy para commemoraciones.” Eu também, não estou para comemorações, sobretudo quando dirigidas por comandos institucionais.

De sua experiência como correspondente no Oriente, notadamente na China, como o senhor vê a recepção dos países a valores ocidentais, depois da abertura econômica?

Não sei. A China é difícil. Não creio que um povo tribalmente homogêneo, com 5 mil anos de história escrita, possa um dia perder sua identidade. Aquele perigo de ianquização da Europa, denunciado por Ortega y Gasset, não existe na China nem no Japão. Talvez acabe um dia ocorrendo o inverso, como se diz dos gregos: acabaram sempre colonizando seus colonizadores.

No fim da década de 70, o senhor afirmou que naquele momento era necessário “maquiavelizar” o Brasil, seguindo uma orientação de Octavio de Faria. Isso ainda se faz necessário hoje em dia? Como Nicolau pode ajudar nosso governo?

Em seu admirável livro quase adolescente, Maquiavel e o Brasil, escrito aos 22 anos, Octavio de Faria abriu uma picada para a organização do poder político neste país. O Chico Campos, seu mestre e sobretudo seu discípulo em algumas coisas, tentou encontrar aquele momento maquiavélico, também lembrado por Popper, depois de Octavio, para repetir a experiência florentina de fundação de uma civilização política. Mas o ditador de que Chico Campos dispunha não estava à altura. O general Castelo Branco, também influenciado por Campos e pelo romancista Adonias Filho, antigo integralista e discípulo de Octavio, pensou em ser o protagonista desse momento maquiavélico. Também não esteve à altura, até porque Machiavel não propunha ditadores. Propunha estadistas. Neste momento, embora oriunda das esquerdas e dos equívocos marxistas, parece que o presidente Fernando Henrique está, de certo modo, atento aos semáforos do momento maquiavélico. O tempo pode ser propício. Mas o espaço político em que está condenado a operar é precário e inepto. Pode até haver uma vocação de Lorenzo di Medicis na solidão do Planalto. Mas não há aquela graça do Ponte Vecchio sobre o rio, por onde cruzava diariamente para seu despacho na mesa de carvalho do Palazzo della Signoria o amanuense Niccolo Machiavello. No chão de figueiras estéreis do estéril burgo podre de Brasília jamais poderão medrar o espírito e o cérebro do florentino que sonhou o perfil do Príncipe para sua admirável república.

Fonte: http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=82&Artigo_ID=847&IDCategoria=1016&reftype=2

dezembro 12, 2010 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Kursk em três fotos

Uma jovem brasileira, estudante de medicina na Rússia, fotografou a paisagem vista da janela de seu quarto em três momentos distintos e obteve imagens belíssimas que o Perspectiva tem o prazer de apresentar.

Agradecemos à multi talentosa Carolina De Boni Horochovski, nossa correspondente internacional no norte da Eurásia, pelo envio das belas imagens.

Verão

 

Outono

Inverno

dezembro 11, 2010 Posted by | Arte | 6 Comentários

Cem anos de Noel

Estátua Noel Rosa inaugurada  no dia 22 de março em 1996, na entrada Vila Isabel/RJ. Noel aparece sentado numa cadeira de bar, com seu habitual cigarro entre os dedos, uma garrafa de cerveja e um copo sobre a mesa. Ao lado dele, uma cadeira vazia, convidando o visitante a senter-se para uma foto.

O maravilhoso Poeta da Vila nasceu em 11 de dezembro de 1910 e faleceu em 04 de maio de 1937. Breve existência mas que deixou marcas profundas e indeléveis na cultura brasileira.

Fã assumida presto minha homenagem com os vídeos abaixo

A vida de Noel

dezembro 11, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Pensar o mundo

 

 

É fácil vermos os cientistas como seres estranhos, imersos em teorias inexplicáveis e alheios a todo problema mundano que cerca os mortais comuns. É conhecida a história onde Albert Einstein, caminhando pelo campus da universidade onde dava aulas, perguntou aos seus alunos de onde ele vinha. Atônitos, responderam que vinha da direção do refeitório. A resposta do gênio foi: “bom, então isso significa que eu já almocei. Posso ir trabalhar”. Verdadeira ou não, a história confirma o clichê.

Não é este o caso de José Goldemberg. É um dos maiores físicos brasileiros e sua contribuição para a física nuclear é reconhecidamente importante, sendo que seus estudos na área de energia inspiraram o uso do etanol pelo governo brasileiro como alternativa de combustível renovável. Além disso, e talvez mesmo por isso, Goldemberg é também um defensor ferrenho da preservação do meio Ambiente – tendo ocupado inclusive a pasta do setor no governo federal – um mestre preocupado com os rumos da educação no país e um cidadão brasileiro que busca alternativas para tornar o futuro do país um pouco melhor. Este O Mundo e o homem (Editora Perspectiva, 240 páginas) revela este lado de Goldemberg através de artigos escritos para a grande imprensa brasileira sobre temas candentes e pertinentes à sua especialidade. Uma obra de um cientista dedicado a pensar o mundo em que vive, preocupado em fazer o leitor pensar – e assim, transformar, a todos nós, em seus alunos.

 

 

 

Onde encontrar:

 

http://www.perspectiva.com.br

 

(11) 3885.8388

 

dezembro 10, 2010 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

O Indiana Jones brasileiro

 

 

A busca pelo Eldorado e seus assemelhados tem sido, desde o século XVI, um sonho acalentado por muitos aventureiros do Velho Mundo. Um deles – e, talvez, o último deles – foi Percy Harrison Fawcett, coronel britânico que desapareceu em 1925 na Floresta Amazônica na busca de uma cidade perdida. A falta de notícias sobre Fawcett gerou uma série de especulações a seu respeito, transformando-o inclusive em matéria para o cinema: veio de sua história a inspiração para a saga de Indiana Jones.

Fawcett, de André Diniz Fernandes e Flávio Colin (Editora Devir, 40 páginas) é a adaptação da história do explorador britânico para os quadrinhos. O roteirista André Diniz Fernanes, porém, permite-se ter algumas liberdades criadoras, como narrar uma viagem de projeção astral de Fawcett durante o cativeiro entre os índios, onde ele toma contato com a cidade perdida que tanto procura. Trata-se de uma boa história, onde se sobressai o traço de Flávio Colin, um dos maiores desenhistas brasileiros, falecido em 2002. Aliás, Fawcett é um dos pontos altos de sua carreira: por ele, ganhou o prêmio Ângelo Agostini de melhor desenhista, em 2000. Um importante relançamento da Devir, uma das melhores editoras de quadrinhos do país.

 

Onde encontrar:

 

www.devir.com.br

(11) 21278787

dezembro 3, 2010 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Dos sonhos e seus efeitos colaterais

 

 

Quem abre Dos sonhos e seus efeitos colaterais (Editora Mais Que Nada, 184 páginas) e pergunta por que um rapaz como Felipe Longhi Malheiros, nascido em boa família de classe média de Canoas, recém formado em Direito e com boas perspectivas profissionais resolve meter-se num avião e ir para a Nova Zelândia jogar futebol – sim, ir para a Nova Zelândia jogar futebol – deve deixá-lo de lado logo nas primeiras páginas. Provavelmente não será livro para ele. Pior: é capaz até de deixá-lo irritado.

Para os demais, a história da trajetória errática deste nosso conterrâneo no outro lado do mundo- em muitos aspectos semelhante à de milhares de jovens brasileiros que, todos os anos, tentam a sorte no exterior – constitui uma leitura interessante e reflexiva sobre a perda súbita de referenciais e o aprendizado daí advindo para aqueles capazes de aproveitar estas experiências. Longe de casa, dos amigos, do mundo que conhecia, caracterização perfeita de um stranger in a strange land, Felipe enfrentou a hostilidade dos locais, as diferenças culturais, a dificuldade de adaptação, mas também encontrou amizade, hospitalidade e, principalmente, crescimento pessoal. O sucesso ou fracasso de sua carreira relâmpago como jogador é um assunto menor diante disto tudo. O sonho de Felipe, em si, não foi tão importante. O que importa na história mesmo são os efeitos colaterais – e estes podem significar muito mais do que uma carreira vitoriosa.

 

 

Sessão de Autógrafos  na Feira do Livro de Niterói ( Praça Dona Mocinha), na Sessão Coletiva dos Escritores Canoenses, sábado, 04/12, às 15h.

 

dezembro 3, 2010 Posted by | Literatura | 2 Comentários

Patrício “peito de aço” no Caxias

A S.E.R  Caxias está garantindo componentes importantes para um time de futebol  ou seja técnica aliada a  garra  pelo menos na  lateral direita. Contará entre seus jogadores com Patrício que foi personagem relevante na inesquecível Batalha dos Aflitos em 2005.

Aos 36 anos de idade e com excelente forma física aliada a notória determinação,  Patrício pode ser peça  importante no objetivo do S.E.R. Caxias de conquistar o Gauchão e durante toda temporada que inclui a disputa da Copa do Brasil.

 

Como referimos em dezembro de 2007 quando Patrício saiu do Grêmio:

 

Junto com outros jogadores, Patrício simboliza uma página na história do Grêmio, momento de crescimento e retomada de caminho. Sua presença em campo, com erros e acertos técnicos, evidenciava o espírito desse momento. O Grêmio entra agora em um outro  momento, com outros protagonistas e os resultados o tempo mostrará.

Patrício e o seu já famoso ”peitaço”, que  naquela tarde de 26 de novembro de 2005 em Recife  pode ter sido o fator que desencadeou toda a história do jogo contra o Naútico, ficarão para sempre na história do Grêmio. Se recordamos de jogadores por gols marcados que levaram a conquista de grandes títulos, com muito mais razões deverão ser lembrados e reverenciados atletas que com atitudes  que  ultrapassaram as obrigações de profissional proporcionaram a saída do  clube da vexatória situação de estar na segunda divisão do campeonato brasileiro.

Se a força do tempo provoca inevitáveis mudanças, os feitos que marcaram a história ficarão para sempre. Se o Grêmio quer fazer valer a sua fama de equipe de raça, espírito de luta e dedicação, se o gremista quer ser reconhecido como o torcedor que valoriza mais a paixão e a garra do qualquer outra coisa, então o jogador Patrício, que encarnou esses predicados como poucos, merece um lugar de honra na lembrança dos torcedores.”

 

E, por tudo isso, os integrantes desse blog passarão a torcer pelo sucesso da  S.E.R. Caxias na temporada 2011.

dezembro 1, 2010 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

A Governança Solidária Local e a Copa de 2014

*Cézar Busatto

Porto Alegre prepara-se para o grande evento da Copa do Mundo de 2014 de modo a promover as transformações estruturais que a cidade há pelo menos duas décadas necessita, ao mesmo tempo em que nesse processo possa se produzir um legado de inclusão social e melhores serviços públicos para os porto-alegrenses que mais precisam. Para alcançar esse propósito de desenvolvimento harmonioso e sustentável, o governo municipal está empenhado na integração e fortalecimento da rede de participação democrática, representada pelo Orçamento Participativo, os Conselhos de Políticas Públicas, o Conselho do Plano Diretor, os Foruns de Segurança e Direitos Humanos, as Redes de Proteção à Criança e ao Adolescente e outras. A partir da prática inovadora da Governança Solidária Local em desenvolvimento na cidade, cuja essência é a criação de ambientes de diálogo e cooperação entre todos os cidadãos em favor de uma cidade mais democrática e inclusiva em todos os seus bairros e regiões, será realizado no ano de 2011 o V Congresso da Cidade sob o paradigma de uma cidade para todos.

O Congresso da Cidade será um processo de articulação ee mobilização de todas as forças e saberes da cidade, a partir de cada rua e bairro, de modo a construirmos de forma participativa e solidária as ações prioritárias necessárias e possíveis para produzir uma cidade ainda melhor para todos até 2014

 

*Cézar Busatto é Secretário de Governança Solidária Local de Porto Alegre

 

Fonte: Vida Democrática

Sobre o mesmo tema no Perspectiva:  Governança Local :Alternativa para as Cidades

novembro 30, 2010 Posted by | Política | Deixe um comentário

Filmes para (re)ver neste Natal I

 

*O conto de Natal do Mickey (Mickey’s Christmas Carol)

É a versão em desenho animado para “Um conto de Natal” de Charles Dickens. Aqui, temos a versão “Tio Patinhas” de Ebenezer Scrooge, o milionário egoísta que recebe os espíritos do Natal Passado, Presente e Futuro.

 

 

* A Felicidade Não se Compra

É o clássico filme Natalino. Traz mensagens de solidariedade e esperança.

 

 

 

 

*Rudolph and Frosty’s – Christmas in july (1979)

Eu não sei o nome deste filme em português! Assisti a ele diversas vezes quando era criança. Se algum leitor souber o nome em português, favor postar nos comentários :)


 

 

 

Miracle on 34th Street

 

 

 

 

novembro 28, 2010 Posted by | Cinema | 4 Comentários

Feira de Filhotes em Canoas/RS

Crédito da foto: César Barbosa

No domingo 28/11 está prevista a realização a partir das 14h até as 16h da  Feira de Filhotes, com doação de cachorrinhos no Parque Getúlio Vargas/Canoas/RS.

Os animaizinhos são desverminados e com controle de parasitas.

Os interessados em adotar os cachorrinhos devem apresentar o documento de identidade e assinar um termo de adoção e serão orientados sobre posse responsável.

Fonte


novembro 27, 2010 Posted by | Geral | Deixe um comentário

26.11.2005

Nunca esqueceremos!

Aqui

novembro 26, 2010 Posted by | Esportes | 1 comentário

Damos graças

 

O Angelus

Jean-François Millet

Paris-Louvre

 

06-AudioTrack%2006.mp3

1. Noi ti rendiamo grazie Padre nostro,
ci hai fatti per la gloria del tuo nome;
plasmati con argilla di bellezza
lodiamo la tua luce dentro noi.

2. Ci hai scelti dall’origine del mondo,
ci hai fatti per la gloria del tuo nome;
plasmati con argilla di bellezza
lodiamo la tua luce dentro noi.

3. Con Lui rendesti a noi la somiglianza
perché ricomponesse il tuo poema:
allora s’inarcò l’arcobaleno,
anello d’oro, nastro imporporato.

4. O Padre, per il soffio della vita
c’introducesti nel giardino nuovo;
e come il primo giorno tu alitasti,
soffiasti poi sul Figlio del tuo cuore.

5. L’aurora nuova sorge all’orizzonte;
il volto tuo possiamo contemplare.
Negli occhi di Gesù noi ti vediamo,
nella sua carne le fragranza eterna.

6. Noi ti lodiamo ancora Padre Santo,
la tua Sapienza abbiamo assaporato;
suggello del banchetto il melograno,
il vino delle nozze col tuo miele.

7. Risuoni per i secoli futuri
il canto della Chiesa e del creato.
A te Padre beato del Signore
ed a Colui che invoca con la Sposa

 

.

 

Angelus é  realizado em devoção à Imaculada Conceição, repetida três vezes ao dia, de manhã, ao meio dia e ao entardecer. A oração é constituída de três textos que descrevem o m*istério da Encarnação, respondidos com uma Ave Maria e uma oração final.


novembro 25, 2010 Posted by | Geral | 1 comentário

José Serra no show de Paul McCartney

Serra confraterniza com o público de Paul

José Serra, contrariando um comportamento usual de políticos após passada a disputa eleitoral continua interagindo com seus eleitores. Noticiou aos   569,663 seguidores de seu perfil no twitter  que convidou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para acompanhá-lo ao show de Paul MacCartney no Morumbi e postou a foto em que estão os dois juntamente com Raí.

Achei legal isso.

 

 

Fonte

novembro 23, 2010 Posted by | Geral | Deixe um comentário

Amigos

novembro 23, 2010 Posted by | Música | Deixe um comentário

67 anos da Independência do Líbano

cedro3

Foto:http://www.libano.org.br/olibano_ocedro.html

Uma excelente maneira de tirar um libanês do sério é chamá-lo de turco. O brasileiro que faz isso certamente não sabe que o apelido surgiu quando o Líbano pertencia ao Império Otomano e os imigrantes libaneses vinham ao país com o passaporte turco, recebendo assim o adjetivo pátrio correspondente. Não faz, portanto, por maldade. Mas isso não importa quando memórias doloridas vêm à mente dos representantes deste povo antiquíssimo – antigo a ponto de ter visto Jesus Cristo, segundo os Evangelhos, passar pelas suas cidades de Sídon e Tiro . Os libaneses ficam furiosos e não querem nem saber das intenções do interlocutor.

Não estão de todo errados. O turcos fizeram toda sorte de barbaridades no Libano, como fizeram na Síria, na Grécia e em todos os seus domínios. Após a Primeira Guerra Mundial, com o colapso do Império Otomano, o país foi entregue pela Liga das Nações ao mandato dos franceses, que trataram de expandir ao máximo sua influência no país, fomentando o ensino do francês (já então muito difundido, devido às históricas relações comerciais com Marselha e outras cidades da França mediterrânea), instalando um sistema parlamentar semelhante ao da França e remodelando a capital, Beirute, à imagem e semelhança de Paris, com boulevares, muitas árvores, museus, teatros e cafés. Beirute ganhou o status de capital cultural do Oriente Médio, e os libaneses, de refinados, aristocráticos, excelentes comerciantes e oradores, orgulhosos e mundanos. Os franceses do Oriente – os mais ocidentais dentre os orientais.

A Independência veio em 1943. Os laços políticos com a França e o Ocidente foram cortados apenas formalmente. Num dos chamados Quatro Princípios que nortearam a criação do novo país está escrito o seguinte:

“Mesmo sendo uma nação árabe e com o árabe como língua oficial, o Libano não cortará nunca seus laçoes espirituais e intelectuais com o Ocidente, os quais o ajudaram a alcançar um nivel notável de progresso”

Uma maneira exemplar de tratar o próprio passado e de construir o futuro. Que sirva de exemplo para os dias que virão naquele pequeno país que tanto tem a ver com o Brasil e especialmente com os milhões de descendentes daqueles “turcos” que por aqui chegaram nos primórdios do século passado. Descendentes que incluem os multiétnicos integrantes desse blog, felizes em compartilharem deste legado.

Em data de hoje, Joâo Dib também  descendente de libaneses e vereador de Porto Alegre,  pronunciou discurso na Câmara de Vereadores afirmando que “O Líbano é um pequeno país, com um grande povo e eu, por isso, tenho orgulho da minha ascendência.”

Íntegra do discurso de João Dib

 

LÍBANO: Passado e presente; usos e costumes.

O Líbano é um pequeno país da Ásia Menor, mas tem um grande povo.

Nos 5 continentes nós encontramos libaneses e seus descendentes.

No Brasil é muito grande o número de libaneses e seus descendentes.

O Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e grande parte das Câmaras de Vereadores têm descendentes de libaneses que se destacam pelo seu amor ao Brasil e respeito pela pátria de seus ascendentes.

Filhos de libaneses são destaques em todos os ramos do conhecimento humano no nosso Brasil.

A República do Líbano está localizada no Oriente Médio. Tem fronteira com a Síria e Israel e é banhada pelo Mar Mediterrâneo, onde suas costas são entrecortadas. Sua capital é Beirute.

O escritor francês Alphonse de Lamartine escreveu em seu livro “Voyage en Orient”: “Conheci a Itália, toda a Itália; Conheci a Sabóia. Como conheci Atenas e o (Monte) Olimpo. Mas jamais senti tão profundamente a glória de ser um homem, como na austera grandeza das montanhas do Líbano”.

O Líbano tem 270 Km de extensão por 70 Km de largura. É um país rochoso semeado de ruínas grandiosas. Tem duas cadeias de montanhas que o atravessam, paralelas ao litoral.

O país obteve sua independência em 22 de novembro de 1946. A forma de governo é República Parlamentarista.

Sua bandeira se compõe de uma larga faixa horizontal, tendo no centro um cedro verde com tronco marrom, entre duas faixas vermelhas. Seu Hino Nacional começa com “Todos Nós”, numa conclamação geral.

A maioria dos habitantes é árabe; a língua dominante é o árabe embora o francês e o inglês sejam muitos usados. O Líbano pertence à Liga Árabe, é o único Estado Árabe em que o cristianismo predomina, mas não é a religião oficial. A religião é variada. Existe uma pluralidade de religiões com muçulmanos, drusos, ortodoxos, armênios, católicos e protestantes, mas o maior grupo religioso é o dos maronitas que se estabeleceu na área no século VII, assim chamados por causa de São Maron, morto no século V.

O povo libanês é muito religioso. Espalhadas por toda parte podem-se ver igrejas, mesquitas, conventos, mosteiros, imagens da Virgem Maria e pequenos altares ao longo das estradas.

As pessoas estão de tal modo integradas ao espírito religioso que se apresentam como membros de uma religião, seita ou rito. O país não tem uma religião “oficial”, mas nenhum libanês pode ser ateu, uma vêz que está incluído “nos livros” de uma autoridade religiosa.

Seus antepassados, Cananeus conforme a Bíblia, e chamados Fenícios pelos historiadores, eram marinheiros destemidos e grandes construtores de navios. Viajavam por todas as partes do mundo antigo.

Sua capital é Beirute cuja origem é difícil de determinar. Sabe-se que havia ali a presença do homem desde o período neolítico. Na época fenícia a cidade já era grande. Com a invasão grega, Alexandre o Grande, fez ali desenvolver-se a arte helênica, e os romanos quando a dominaram, fundaram a Escola de Direito em 222 A.D. passando ela a rivalizar com Atenas e Bizâncio. Apesar das invasões, Beirute conseguiu manter-se como um centro de cultura e atividades importante.

Beirute possui cinco centros de cultura para onde acorrem alunos de outros países também. A Escola de Direito fundada durante o Império Romano já não existe mais; foi destruída por um terremoto seguido de incêndio. Mas foi tão grande o papel desta Escola na criação do Direito Romano que foi ali que os juristas se refugiaram quando da decadência do Império Romano.

O Líbano tem muitas belezas para apresentar aos turistas. Quem sai de Beirute e vai em direção norte, vale a pena conhecer a Gruta de Jeita no Nahr el Kalb (Rio do Cão), famosa por suas belezas. Possui várias “salas” iluminadas, cada uma com um nome diferente, conforme o feitio das estalagmites e estalactites. Pode-se fazer um passeio de barco, indo de uma sala para outra, e observar mais esta maravilha da natureza.

Passando a gruta vamos encontrar em Jounie, próximo da costa, a gigantesca imagem de Nª Srª de Harissa (Padroeira do Líbano) no topo de uma montanha da qual recebeu o nome. Para alcançar o alto pode-se ir de carro pela estrada que a circunda ou usar o teleférico. Aos pés da Santa existem duas igrejas, uma Maronita e outra Ortodoxa.

Com a conquista dos romanos em 644 A.C., o país tornou-se próspero como se pode ver pelo complexo de Baalbeck e inúmeros templos romanos. As cidades desenvolveram a indústria, e sua arte inspirada na dos egípcios tornou-se modelo para as artes gregas arcaicas. Com a invasão de Alexandre, em 333 A.C. a prosperidade do país declinou em favor dos gregos, continuando nas artes os apreciados estilos egípcio e grego.

Os fenícios usavam o barro desde o período neolítico; era material fácil de moldar para variados usos domésticos. Na cerâmica as peças mais primitivas datam do séc. IX e concentram-se na faiança, com motivos decorativos e seus significados: flores de palma representavam a realização dos desejos ou a benção; os crisântemos e a flôr de lótus significavam felicidade e fertilidade.

Com a divisão do Império Romano, o Líbano ficou sob a autoridade Bizantina, menos liberal que a Romana. O 1º Imperador Cristão Constantino tornou o país oficialmente cristão no Séc. VII, e mandou destruir os templos pagãos inclusive Baalbeck.

Visitar o Líbano é um prazer sempre renovado. A cidade de Jbeil, antiga Biblos, é muito apreciada por sua beleza, seu teatro e colunata. Ela foi outrora famosa pelo pairo que exportava.

Seguindo-se rumo ao norte passa-se por um túnel e chega-se a Rãs Chekka. Poucos quilômetros adiante está Trípoli. A cidade deve seu nome a uma antiga Constituição que a dividia em três bairros, sendo cada um a sede federal de uma das três cidades fenícias: Saída, Sour e Tsour (antiga Riwad). Após haver sido várias vezes conquistada por romanos, árabes e franceses foi dominada e destruída pelo Sultão turco Chaloun Malek. Uma nova cidade foi construída próximo da antiga e voltou a ser uma das principais cidades do Oriente, e a mais importante depois da capital do país. Suas Igrejas, o famoso Castelo de Saint Gilles – hoje museu muito apreciado pelas interessantes peças que contém, as várias Mesquitas como de D’Adbel Wahed com seu delicado minarete, ou as Escolas do Corão ou “Madrassahs” algumas com cúpulas grandiosas, artísticos minaretes.

Mais para o leste, via Chekka, chega-se ao cume do Monte Becharré e aos famosos Cedros do Líbano, marca registrada do país uma vez que o cedro é o emblema de sua bandeira. Os cedros antigamente cobriam a montanha libanesa. De todas as partes chegavam encomendas para construção de vários tipos. Estas árvores são um símbolo de grandeza e força. Hoje em dia os cedros ainda existem reunidos em um bosque, um dos mais antigos e reservados.

E o visitante segue seu caminho até Becharré que é muito lembrada por ser o berço do grande poeta Gibran Khalil Gibran, alma inspirada que soube expressar nobre sentimentos e grande sabedoria em seus poemas já traduzidos para múltiplos idiomas.

Por toda parte do país onde quer que se vá, encontraremos ruínas fenícias, romanas, do tempo dos cruzados, e árabes, isto sem falar nos gregos e romanos. É que cada um destes povos ali deixou sua marca indelével para a posteridade.

Os libaneses são afáveis, alegres, gostam de festa, de música e de dança. Adaptam-se facilmente onde quer que estejam. Não fazem distinção de raça.

A letra do seu Hino Nacional retrata muito bem o grande povo daquele pequeno país.

Lebanon- Nature

The beautiful Lebanon

bandeira_libano1

Hino Nacional Libanês

Hino Nacional Libanês (tradução)
Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Nossa espada, nossa pena
Fulguram aos olhos do tempo
Nossos vales e montes
São o berço dos bravos
Nossa palavra e ação, só buscam a perfeição

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria
Velhos e moços ao apelo da Pátria
Investem, como leões da floresta,
Quando surgem os embates
Coração de nosso Oriente
Que Deus o preserve ao longo dos séculos

Seu mar, sua terra são a pérola dos dois Orientes
Sua opulência, sua caridade
Preenchem os dois pólos
Seu nome é seu triunfo
Desde a época de nossos ancestrais
Sua glória é seus cedros
Seu símbolo é para a eternidade

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria

Para ouvir

novembro 22, 2010 Posted by | Política | 2 Comentários

Eficiência estatal

A Livraria do Senado Federal é um dos melhores exemplos de eficiência estatal em um país onde o Estado é notoriamente ineficiente. Ali encontramos, por exemplo, os clássicos da nacionalidade a preços baixos (a maioria entre 10 e 30 reais), em boas edições e sem cobrança de taxa de envio para qualquer canto do país. Ali encontramos, também, um Capistrano de Abreu, um Vamireh Chacon, um Sílvio Romero, um Meira Penna, um Afonso Arinos de Mello Franco, um Francisco Adolfo Varnhagen e muitos outros que, não fosse pela Livraria, seriam encontrados apenas nos cantos das prateleiras dos sebos, em edições antiquíssimas, raríssimas e caríssimas. Ali encontramos, ainda, ensaios de Euclides da Cunha sobre a Amazônia, textos de Padre Vieira, a Consolidação das Leis Civis de Teixeira de Freitas, obras do filósofo Farias Brito e muitas, muitas outras. A lista é enorme. Apontar tudo o que ali encontramos de bom ocuparia todo o espaço deste artigo.

Nada do que há ali é, contudo, marca tão significativa de bom serviço prestado quanto a  História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux. Finalmente disponível após décadas sem reedições, em quatro volumes muito bem encadernados e custando razoáveis 200 reais, a obra dispensa maiores apresentações: há críticos, como Mauro Gama, que a consideram a melhor história da literatura já escrita, em qualquer país e em qualquer tempo. Austríaco de nascimento, formado entre o melhor da intelectualidade européia de seu tempo, Carpeaux bebeu na tradição historicista alemã – Dilthey, Simmel, Weber e muitos outros -, que ajudou a introduzir no Brasil, e deixou sua obra magna a nós, brasileiros, como recompensa pelo acolhimento que lhe demos durante a Segunda Guerra Mundial. Tão belo e valioso foi o presente dado por Carpeaux que dificilmente o Brasil poderá agradecer-lhe à altura. Um bom começo é levá-lo a todos os brasileiros. E este primeiro passo a Livraria do Senado está dando.

Se levarmos em conta a natureza e os propósitos que pretende atingir, talvez a Livraria do Senado seja o órgão do Estado que melhor funcione. Claro que não se precisa de muito para merecer tal título – alguém dirá que basta o tal órgão simplesmente funcionar – mas o destaque da Livraria não se explica apenas pela fraca concorrência. Ela funciona realmente bem. E “bem”  não a partir desta ou daquela preferência ideológica, desta ou daquela ótica, mas daquela que deve prevalecer quando falamos das funções do Estado: a de todos nós, cidadãos.

novembro 22, 2010 Posted by | Literatura, Livros | Deixe um comentário

Entrevista: professor Eberhardt Frank, ex-diretor do Colégio Marechal Rondon-Canoas/RS “Dirigir o Rondon por vinte anos foi uma graça de Deus”



*Por Celso Augusto Uequed Pitol

O nome do professor Frank tem um ressoar muito especial para quem foi adolescente em Canoas entre os anos 60 e 80. Nesta época, quem estudava nos colégios particulares da cidade dizia, aos cochichos, que lá do outro lado da faixa, no colégio Marechal Rondon, encontrava-se um senhor sisudo, com forte sotaque alemão, que impunha aos seus comandados um senso de disciplina de fazer até o mais empedernido general prussiano engolir em seco. Dizia-se, então, que era bom estudar no La Salle, no Auxiliadora ou em qualquer outro lugar onde o professor Frank não estivesse. Isso era o que diziam os alunos, entre cochichos, às gargalhadas, nos intervalos das aulas. No final do Segundo Grau, porém, quando os egressos dos colégios de Canoas tentavam uma vaga no ensino universitário, os comandados do prof. Frank apareciam como os líderes de aprovação no vestibular da UFRGS. Era o resultado de um trabalho desenvolvido hora a hora, dia a dia, mês a mês, com extremo cuidado com os mínimos detalhes que apenas a visão mais superficial – isto é, a de jovens garotos de colégio, entre cochichos e gargalhadas no intervalo das aulas – entendia como espartana. Pois o Colégio Rondon, o espartano colégio Rondon, não teve um só aluno expulso nos vinte anos sob o comando do professor Frank. Nunca foi preciso, ele nos garante. Bastava ter cuidado, respeito ao aluno e ao professor e agir com sabedoria. O resultado foram duas décadas de grande sucesso que o nosso entrevistado desta semana resume da seguinte maneira: “Foi uma graça de Deus”.

 

*        *        *        *

 

 

Celso Augusto:O senhor é filho de alemães, não é?

 

Professor Frank: Sim. Em 1929, meu pai foi transferido de Recife para cá, porque ele era funcionário de um banco de Hamburgo, na Alemanha. Vou fazer uma comparação para facilitar a compreensão. Se você recebesse hoje um convite de O Timoneiro para ser correspondente na Austrália , você toparia?

 

CA: Bem, a Austrália é um bom lugar. Parece ser um país bonito, agradável (risos)….

 

PF: Foi o que o meu pai pensou. Era após o fim da Primeira Guerra, a época da hiperinflação na Alemanha e não havia nenhuma perspectiva para gente moça como meu pai, gente que tinha vontade de trabalhar. Ele tinha 23 anos. Então se candidatou a ir trabalhar no exterior. O banco tinha filiais no Chile, África do Sul e na Ásia. Veio a informação de que havia um lugar no Chile e meu pai foi em seguida. Mas não achou um ambiente de trabalho muito bom, não gostou. Escreveu para um tio que trabalhava nesse mesmo banco e perguntou se não haveria a possibilidade de se transferir. Recebeu a informação de que precisavam de um bom contador no Recife. Foi para lá. E ali conheceu a minha mãe, que tinha ido para lá, assim como meu pai e muitos outros alemães,  a fim de sair da situação em que se encontrava a Alemanha naquela época. O banco pediu-lhe então que viesse para Porto Alegre porque aqui faltava um contador. Veio para cá em 1929.

 

CA: O ano da grande crise.

PF: Foi. Mas aqui não tinha crise.

 

CA: E o senhor nasceu onde?

PF: Em Porto Alegre,  no hospital Moinhos de Vento. Morávamos a quatro quadras do Hospital. Na época, havia muito alemães em Porto Alegre, principalmente nos bairros  Floresta e o Navegantes, que tinham muitos operários alemães. A Gerdau , por exemplo, nasceu ali. Fazia pregos, cadeiras vergadas, começaram assim. Eu nasci em 1931 e em 1932 nos mudamos para cá. Canoas só tinha chácaras naquela época. Era uma estância de veraneio de Porto Alegre. E todas tinham o mesmo tamanho: 22 de largura e 300 de fundo.

 

CA: Era uma época de guerra. Havia muito preconceito contra alemães?

 

PF: Sim, havia algum preconceito. Meu pai foi preso naquela época, não por qualquer motivo especial, mas para averiguar se ele estava comprometido com os nazistas.. Isso aconteceu a todos que emigraram, alemães, italianos, japoneses, quando o governo não se posicionava na hora certa e deixava que o povo tomasse conta. Todos os povos que emigraram sofreram isso. Inclusive nunca se comprovou que os submarinos afundados fossem por alemães. O governo alemão disse que não tinha um só submarino no Atlântico Sul naquela época.

 

CA:  O senhor, sendo criança e adolescente naquela época, sofreu alguma coisa?

PF: Não. Para mim, só mudou a língua de instrução, pois era criança: do alemão para o português. Até então, as aulas eram dadas em alemão. O meu pai trabalhava naquele banco que foi fechado durante a guerra, quando o Brasil entrou na guerra. E o governo do estado do Rio Grande do Sul foi extremamente correto. Todos os funcionários dos bancos italianos, japoneses e alemães que tinham perdido o seu emprego depois de um ano foram redistribuídos entre os bancos estaduais. O meu pai foi para o Banrisul, onde organizou a primeira carteira de câmbio.

CA: Imagino que alguém com o currículo dele fosse muito valioso para os bancos daqui

 

PF: Nem tanto. O  Banco da Província, do Brasil funcionavam que era uma maravilha. O Banco Pelotense, que fechou por causa duma desavença com Getulio, também era ótimo. Eram super bancos. Pelotas era riquíssima naquela época!

 

CA: Basta ver pelos edifícios suntuosos que ainda tem…

PF: O Rheingantz. O filho dele foi o autor da imigração alemã em São Lourenço. Foi ele pessoalmente pra Alemanha recrutar colonos e se estabeleceram no interior e traziam os seus produtos para vender à beira da Lagoa dos Patos.

 

CA: Como era Canoas naquela época?

PF: Em comparação com agora, era um horror. A telefonia era horrível. Tinhas que esperar 1 hora ou 2 horas para conseguir uma das três linhas se querias falar com Porto Alegre. Onde hoje é o Golden Center era a Telefônica e você chegava lá, dizia o seu número e tinha de esperar, porque só os ricos tinham telefone. Não havia supermercado. Os únicos médicos eram o Dr. Santos Rocha e o dr. Ludwig. Só havia produtos coloniais que vinham uma vez por semana para um armazém onde hoje é a Tiradentes, vindos do interior: nata, hortaliças, etc, etc. A vida era absolutamente calma. Nós tínhamos cavalos, ovelhas, porquinhos, enfim, era uma vida rural. Para as crianças era um paraíso. Nós começávamos a andar a cavalo com dois anos. Foi uma infância muito livre, sem marginais, sem roubo, sem nada. Se meus pais queriam ir para as férias, fechavam a casa e iam embora, sem quaisquer preocupações.

 

 

CA: O seu pai, quando veio para cá para o RS, tinha noção do tamanho da comunidade alemã que havia aqui?

PF: Mas não havia. Começou com cinco ou seis pessoas. Tinha em Santa Cruz do Sul, mas, imagine as estradas para ir até lá? Se chovia, parava tudo. Só se viajava de trem, que era super demorado. Para ir a Santa Maria, embarcavas de noite e chegavas no outro dia de manhã. Mas, como eu disse, havia um grande contingente de tecelões e operários alemães, que fundaram inclusive a Sogipa, o Colégio Farroupilha.A Igreja São José em frente ao Plaza, foi construída e feita por alemães.

CA: Boa parte dos prédios da UFRGS foi feita por Theo Wiederspahn…….

 

PF: Exatamente. Aliás, a nossa igreja, a original, foi um projeto de Wiederspahn. Aqui mesmo, em Canoas, pois ele era amigo do pároco de Porto Alegre. Foi convidado por ele para construir.

 

CA: O senhor estudou onde?

PF: Estudei na nossa Igreja Evangélica Luterana que tinha uma pequena escola, na esquina da Dr. Selbach com Monte Castelo. Meus pais eram luteranos, do Norte da Alemanha, que é predominantemente protestante. Havia aquele acerto comandado pelo papa, chamado “Cuius Regio eius Religio” – “cada região com sua religião”, ou seja, se o duque de uma determinada zona era evangélico, toda a área seria evangélica. Se era católico, era católico. E isso permaneceu. Fiz a escolinha primária aqui, depois fui para o colégio Farroupilha e enfim para São Leopoldo no internato, o Instituto Pré-Teólogico da nossa igreja, ao lado do Colégio Sinodal. Dali consegui uma bolsa de estudos para ir estudar na Alemanha, em Tübingen.

 

CA: Uma das mais tradicionais universidades da Europa.

 

PF: Sem dúvida. E, teologicamente, era uma das melhores da Europa. Se quiseres ir para lá, eu te dou os endereços e as pessoas para freqüentares. Vais em maio , para não pegares o fluxo dos turistas, e, no forte do verão de lá, tu escapas de lá. Ficas Maio, junho, uns dois meses e já dá para conhecer muita coisa.

 

CA: Obrigado pelo convite (risos).

PF: Sem problema. Continuando: depois, formei-me em Letras Clássicas na UFRGS. Apenas seis formados. Tive aula com Guilhermino César, um grande professor. Um professor exigente , assim como os que eu tinha na Alemanha. Lá, como aqui, tinha que apresentar trabalhos, relatórios. Lembro que um dos meus colegas alemães tinha de falar sobre a situação do rei em Homero. Quem era rei e quem é que comandava. O rapaz que recebeu essa incumbência estudou, naturalmente, todo o texto em grego, original, e fez a sua preleção sem papel à mão por mais de meia hora. Impressionou o professor (risos).

 

CA: Quando o senhor começou a dar aula, o grego e o latim ainda estavam no currículo?

PF: Sim. Mas o que eu aprendi na faculdade me ajudou muitíssimo no ensino do português. O grego era essencial nesse ponto. Nas aulas, nunca a gente se apertava na explicação da etimologia da palavra.

 

CA: Quando começou a dar aula aqui em Canoas?

 

PF: Primeiro comecei em Novo Hamburgo, à noite. Acho que foi em 1959 que vim para cá. Porque abriu à época a oportunidade para pedir transferência e fiquei sabendo que havia começado um colégio noturno. Aí pedi transferência. Fui ver a diretora do colégio noturno e ela viu os diversos candidatos que se interessavam, as fichas, os currículos, e no meu coloquei que tinha carro próprio. Eu tinha um Prefect (antigo carro da Ford), que comprei de um professor que foi embora. Então foi o suficiente para eu entrar no estado. A diretora disse “pronto, está aqui a nossa carona para Porto Alegre” (risos). A primeira diretora que eu tive foi a Velia Calvet da Rosa, muito interessada, muito camarada, um convivência muito boa, exigente com os professores, com os alunos, ela era daquela madeira antiga, boa (risos). Depois que mudou o governo e veio uma professora que foi nomeada para o nosso corpo docente. Depois, mudou o governo de novo e depois dessa assumi eu, em 1965. Naquela época era diferente: o diretor só dava satisfação ao Secretário de Educação.

 

CA: E o senhor ficou 20 anos como diretor.

PF: É, eles partiram do seguinte ponto: em time que ganha não se mexe (risos). É importante dizer o seguinte: os primeiros dois anos não servem pra nada. O sujeito está primeiro se situando, tateando, sabendo onde pisar. Depois ele começa a fazer suas tentativas, erros e acertos. Só depois de 4 anos ele começa a dar resultado se ele efetivamente é bom. E isso eles sabiam naquele tempo..

 

CA: Meu tio Paulo Uequed foi seu aluno do colégio.

PF: Sim, eu o conheço. Lembro dele e do seu avô, Jorge Uequed, um homem muito gentil e agradável, muito cortês e educado. A primeira vez que o encontrei foi na sua loja, lá ao lado de um posto de gasolina. Uma pequena loja, em um canto. Fui até lá indicado por alguém só para fazer uma compra simples. Pois lembro que fiquei um bom tempo conversando com ele, de tão bem atendido que fui, como em poucas lojas que freqüentei.

 

CA: E sabe também da fama de rigoroso e disciplinador que o senhor teve…….

 

PF: Mas eu nunca tive necessidade disso. Quem não queria estudar saía por si. E se os pais achavam que o filho devia estudar, geralmente a gente convidava os pais e dizia que o filho estava dando problemas e mostrava: aqui o senhor tem por escrito a primeira e a segunda advertências. Na terceira, teremos de ser obrigados a transferir. Quem sabe vocês transferem o filho e recebem transferência sem observação e nós passamos o pano por cima? Dessa maneira resolvemos todos os casos. Não houve necessidade de expulsão nenhuma. Os alunos tinham orgulho do colégio. O corpo docente era homogêneo. Eram quase todos eles professores de Porto Alegre, mas preferiam trabalhar aqui a ir para um colégio de Porto Alegre onde sabiam que a diretora era ruim, que faltava material, essas coisas. E aqui não faltava. Exemplo: uma professora de português ia falar sobre Érico Veríssimo mas só havia uma obra na biblioteca e precisava de pelo menos umas doze. Eu ligava então para a editora e pedia 12 obras. Então eu avisava que elas tinham chegado. O material escolar nunca faltava. Se a professora de química precisava de determinados objetos, falava comigo e dizia, olha, preciso, isso, isso e isso. Nunca um professor ficou sem material. E isso dava uma coesão muito boa, porque viam que a direção estava por trás deles. Nunca peguei um aluno pelo braço que o professor tinha posto pra fora e botava dentro de novo. Nunca! Não se faz isso, de jeito nenhum. Não se desmoraliza o professor. Você pode ter uma conversa depois com ele, com o aluno, mas assim, oficialmente, não. Como titulo disso tudo, desses 20 anos no Rondon eu posso dizer: foi uma  graça de Deus. Não sei qual a sua religião.

 

CA: Sou católico.

PF: Você leu há poucos dias que a madre Bárbara Maix foi beatificada em Porto Alegre por causa de um milagre? Eu devia ser beatificado permanentemente, se eu fosse católico, porque essa minha permanência no Rondon foi uma única graça divina. (risos). Nunca tive problemas graves.

 

CA: Uma imagem que, a meu ver, define bem aquele período são as fotos do meu tio Paulo, seu ex-aluno no Rondon, um colégio público, todos muito bem vestidos. Isso que eu achei interessante: esse simples fato de todos estarem bem vestidos é sinal de alguma coisa, não?

 

PF: Sim, mas isso não acontece se você tira a autoridade do professor. Ele perde a vontade de se impor à turma, de exigir algo do aluno. A minha mãe sempre foi professora de Francês e de latim e ela me deu as indicações necessárias de procedimento, mas, como um todo, foi um presente divino que me foi dado. Depois apareceu o Colares com a mulher dele (Neuza Canabarro-Secretaria Estadual de Educação no período de 1991/1994) e ela dilapidou o ensino público.

 

CA: Como?

PF: Exigiu que se trabalhasse nas férias. O diretor só pode ficar dois anos  eleito pelos pais funcionários, alunos. Não havia mais a relação direta com o Secretário de Educação. Isso obrigava o diretor a ser político, a não tomar medidas que, embora impopulares, são necessárias.

 

CA: E o Rondon na época tinha a melhor aprovação na UFRGS de Canoas….

PF: Sim, porque os professores eram bons, exigiam bastante e não precisavam temer o aluno. “Ah, ele é filho desse e daquele, logo não pode rodar, ele tem que ser aprovado”. E isso não acontecia, não mesmo. O aluno rico e o pobre eram tratados da mesma forma. Foi uma graça imensa de Deus, ainda mais quando olho para trás e vejo o poderia ter acontecido. Nunca tive de me envolver com brigas. O colégio sempre funcionou de uma maneira muito boa.

 

CA: Durante o período em que foi diretor deu aulas?

PF: Não, não precisei. Mas, você imagina, um colégio inicialmente só de um prédio, o que ele exige de você como administrador. Toda hora aparecem problemas. Você precisa fazer a qualquer momento coisas para manter o funcionamento. Mas eu dei aula, conheço algumas técnicas. Eu preparava as aulas em casa e dava sem livro na mão. O professor não deve ler um livro durante a aula. E quando eu mandava o aluno escrever, eu sempre olhava o que eles escreviam no quadro. Nunca ficava de costas para ele. E o professor, especialmente o de literatura, tem de ter lido todos os livros que ele pede aos alunos, para poder fazer as perguntas.

 

CA: O senhor deixou de ser diretor em 1985, não. E depois não mais deu aula? Desligou-se completamente do Rondon?

PF: Não. Você nunca deve ficar dentro da escola onde trabalhou, onde se aposentou. Não faça isso. Caia fora e encerre essa fase, você só vai atrapalhar. Não se faz isso nunca.

 

CA: Como avalia o ensino publico agora? Em vários sentidos? O senhor acha que é muito diferente da sua época

É diferente por causa dessa questão da direção. É esse um dos motivos mais fortes. O diretor que sabe que só o secretário pode demitir “ad nutum”. Se ele tem um problema, o Secretário vai chamá-lo. Agora, se a permanência dele depende da boa impressão que passa aos  pais e alunos, se ele é bem quisto, se é camarada, isso não é bom. A escola é uma fábrica: você recebe o aluno para instruí-lo. É para isso que os pais entregam os filhos: para que você os instrua, da maneira correta. Claro que se deve primar também pela boa educação, asseio e outras coisas, mas isso são anexos. Em primeiro lugar é para instruir. Partindo desse ponto de vista, você automaticamente orienta todo o trabalho nesse sentido. O aluno entra e é instruído da melhor forma possível para prepara-lo para a vida. Esse é o objetivo. Se você usa outros objetivos, problema seu. Em primeiro lugar, é para instruir o aluno de modo eficiente. Quando tu tens filhos, vai procurar o colégio onde há energia, tem matéria, disciplina, etc, etc.

 

CA:O senhor acha que isso existe na escola publica de hoje?

PF: Vou me abster de comentar isso, porque não estou agora lá e isso seria injusto. Mas o principio é esse. Objetivamente, é esse. E os pais esperam sempre que o colégio faça isto: instrua bem o seu filho para o futuro. Dentro de determinadas regras, claro, de asseio, comportamento, mas isso são acessórios. O objetivo é instruir. É para que a matéria seja dada.

 

CA: Parece simples, mas é complicado (risos).

PF: Não é! Se você é diretor e só presta contas ao Secretário, é pessoa de confiança dele, você sabe se tem as costas quentes ou não e pode trabalhar à vontade. Nós nunca mandamos alunos para casa. A regra geral era que as aulas que ficavam vagas eram imediatamente ocupadas por alguma pessoa de fora. Depois de dois ou três meses, conforme a licença, voltava a outra. Essa que fazia a substituição recebia sempre conforme o combinado. Isso dá uma moral incrível.

 

CA: Acha que, quando o colégio funciona, o aluno e o professor sentem-se parte dele?

PF: Sim, sentem que ele tem responsabilidade com eles. Você, como diretor, manda um funcionário avisar- para não se expor – que o professor está doente. Imagina se numa fabrica isso acontece? O professor é um elo numa cadeia de trabalho. Você tem que olhar objetivamente como é que funciona um colégio. Mas, convenhamos, é uma questão de confiança, e os secretários da minha época tinham do colégio, sabiam qual colégio funcionava, qual não funcionava.

 

CA: Quão importante é, na sua opinião, o ensino de português, de gramática, para a formação do estudante?

PF: Imensa. O português é a base da literatura. Se você conhece bem a base, pode seguir em frente. Em geral, o aluno vem hirto de medo do português, porque acham que é extremamente difícil. Um ex-aluno veio me dizer que as minhas aulas de português eram muito severas, a gente tinha que trabalhar bastante, mas que, hoje, quando têm que apresentar um relatório, uma defesa, os seus colegas sempre pedem que ele olhe as virgulas, a acentuação, porque ele sabe tudo disso.

 

CA: A leitura dos clássicos ajuda?

 

PF: Imprescindível. Os clássicos latinos, por exemplo, são fundamentais. São como mãe e filho, o português e o latim. E o grego é o avô (risos)

 

CA: Perdeu-se muito com o fim do latim?

 

PF: Muito. Como eu disse, o latim é o pai da língua portuguesa. O latim caiu porque precisava-se de lugar para acomodar os alunos. Tiravam-se matérias e organizava-se o segundo turno. O aluno tinha aula de manhã e de tarde. Ele aprendia latim, inglês, francês, tinha bastantes aulas e isso era acomodado em dois turnos. Quando o governo do Estado se viu diante da massa de alunos que não tinha lugar, ele cortou disciplinas. Isso se deu em 1972. É uma pena, porque com educação e com saúde não se mexe. Não se faz propaganda eleitoral. A educação e a saúde devem ser uma coisa contínua, permanente, perfeita, sempre melhorando. Você pode deixar de fazer uma estrada, mexer nos presídios, com vistas a futura eleição, mas a educação e a saúde não podem ser manipuladas.

CA: Qual a importância da leitura dos clássicos do idioma?

 

PF: Também é muito grande.  Veja Joaquim Nabuco, um português perfeito. Veja Olavo Bilac! Os alunos, enquanto eu dava, os alunos na quarta série ginasial recebiam como matéria para o exame final saber escrever um ou dois sonetos de Bilac ou de qualquer poeta. Saber de cor. Eram obrigados a saber de cor aqueles sonetos.

CA: O ensino da gramática deve acompanhar o de literatura?

 

PF: Sim, mas sem o conhecimento básico da gramática não adianta. Primeiro, ele tem de saber expressar-se de maneira correta. Se você vai a uma repartição e diz “eu quero um quilo disso aí”, isso é uma maneira de você pedir. Agora, se você diz “boa tarde”, já cativa. Depois dize: “Me diz uma coisa, vocês tem esse produto?”. De repente, você já criou um outro ambiente falando um português perfeito, solicitando de uma maneira gentil, falando direito, sem erros de linguagem grosseiros, já é uma outra situação. Você é atendido de maneira diferente. E no ambiente profissional nem se fala. Depois disso, você pode ter aulas de literatura. Mas antes, deve saber expressar-se.

 

CA: Falando em literatura, o senhor é um homem que leu muito em sua vida. O senhor tem autores preferidos ou autores que o senhor ainda freqüente?

PF: Isso é muito subjetivo. Havia fases em que a gente trabalhava com os alunos com um determinado autor. Você chegando mais perto desse autor você começa a ver os pontos fracos e fortes e depois muda para outro autor. Dizer que um me marcou…….me marcou a Bíblia. Os outros são muito bonitos, muito atrativos, mas se você quer adotar uma linha de procedimento, não é a partir desses livros que você vai adotar. É interessante ouvir a opinião deles. Mas não adotá-las.

CA: E pensadores? Filósofos?

 

PF: Filósofos, não. Se você lê com cuidado o que a Bíblia traz e você ouve o que diz X ou Y filósofo, você diz……..coitados. É isso aí que acham que é o melhor? Opinião de você, temos que respeitar. Kafka antes de morrer pediu que o seu amigo lhe queimasse os papéis, porque era uma perturbação que eu tinha e sabia disso. Quando ele escrevia, ele sabia perfeitamente: o que eu escrevi, não era para ser lido.

 

 

 

novembro 21, 2010 Posted by | Geral | 14 Comentários

José Dirceu no Roda Viva

novembro 19, 2010 Posted by | Política | Deixe um comentário

Ando devagar/Tocando em frente

Clique aqui

para assistir Almir Satter cantando

Clique aqui

para assistir Maria Bethânia cantando


Ando Devagar

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
È preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu sou,
Estrada eu vou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
È preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua historia, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
È preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua historia, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz

 

Fonte da dica:http://twitter.com/#!/joseserra_

novembro 19, 2010 Posted by | Música | Deixe um comentário

Uma obra essencial

Os intelectuais na Idade Média (Editora Record) é uma pequena parte da imensa obra do historiador francês Jacques Le Goff. São apenas 252 páginas de um livrinho publicado quando o autor – considerado por muitos o maior medievalista vivo – era apenas um jovem professor de pouco mais de trinta anos. É, em outras palavras, uma obra de juventude. E obras de juventude serão, muitas vezes, objeto de releitura e reescrita, como foi Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque, ou Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, para ficarmos em dois exemplos ilustres. Não foi o caso de Intelectuais na Idade Média. É uma obra pequenina em tamanho, escrita por jovem pesquisador, espremida entre gigantes como História e Memória e A Civilização do Ocidente Medieval – e, mesmo assim, definitiva.

Os motivos pelos quais o mestre Le Goff não alterou o texto de sua obra estão expostos no prefácio. Não incluiu, porém, aquele que é, provavelmente, o mais importante, embora um autor não possa, ao menos publicamente, dizer isso de seu próprio livro: se melhorar, estraga. Intelectuais da Idade Média é, apesar do tema amplíssimo que aborda em poucas páginas e das cinco décadas que nos separam de sua primeira edição, uma obra completa e modelar. Relacionando o surgimento do intelectual medieval à ascensão das cidades, onde as primeiras universidades se instalam, Le Goff nos apresenta um tipo que, ao contrário do que normalmente se imagina quando o assunto é Idade Média,  é um homem público, que fala para o público e preocupa-se não apenas com as alturas da metafísica, mas também com os temas do momento e das massas. Uma obra essencial para qualquer interessado em Idade Média.

 

Onde encontrar:

 

www.record.com.br

(21) 2585 2000

 

 

 

novembro 18, 2010 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

A vida intelectual

 

 

Publicado pela primeira vez em 1921, A Vida Intelectual, de A. D. Sertillanges é uma das mais célebres obras de introdução aos estudos superiores já escritas. Sucesso nos EUA e na Europa, o livro (no original francês) teve boa circulação nos meios católicos brasileiros décadas atrás e ainda pode ser encontrado em antigas bibliotecas. Felizmente, graças à iniciativa pioneira da É Realizações – que ,quase na surdina, vem brindando o leitor brasileiro com clássicos da alta cultura – esta bela obra ganha agora uma tradução brasileira.

A base para o estudo de A.D. Sertillanges é a carta “Dezesseis preceitos para adquirir o Tesouro da Ciência”, de Santo Tomás de Aquino. Às lições do Aquinate o padre Sertillanges agrega a sua força verbal,  formada na velha escola da retórica eclesiástica (a mesma que nos deu um Padre Vieira, para ficarmos num exemplo próximo) que nada perdeu na feliz tradução de Lilia Ledon da Silva para o nosso idioma. Em lições relativamente curtas e muito claras e diretas, o padre explica ao jovem iniciante as técnicas de leitura, estudo e organização da vida de um postulante a intelectual. Que ninguém, no entanto, se engane com o padre Sertillanges : A Vida Intelectual não conclama ninguém a abandonar a agitação do mundo e a refugiar-se no claustro. Trata-se de um livro para o homem de ação, para o estudante atolado de trabalhos e premido pelas provas, para o profissional atarefado, para quem luta pela vida e enfrenta tempo e condições adversas. É um organizador mental para homens desorganizados e um guia intelectual para um mundo cada vez mais carente de guias e intelectuais. Um mundo onde eles – guias e intelectuais – são cada vez mais necessários.

 

Onde encontrar:

 

www.erealizacoes.com.br

 

 

novembro 18, 2010 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Borges em 1980

“La vida del escritor es una vida solitária. Uno cree estar solo, y al cabo de los años, si los astros son propicios, uno descubre que esta en centro de un vasto circulo de amigos invisibles, de amigos que nunca conocera  fisicamente, pero que lo quieren a uno y eso una recompensa mas que suficiente”

novembro 17, 2010 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Jean Lauand e a pesquisa universitária nos dias de hoje

“Ao mesmo tempo que o pesquisar foi facilitado (….)  surgiu recentemente o problema de avaliar as pesquisas – e mesmo de quantificar seu “valor” – e de estabelecer os critérios para essa valoração. O pesquisador é avaliado (e credenciado…) pela quantidade e qualidade de suas publicações.

Esses critérios são aplicados e afetam o próprio credenciamento do pesquisador, que, por exemplo, se não atingir um certo índice, estará impedido de exercer suas atividades de pós-graduação. Mas os critérios são problemáticos e nem sempre estimulam a pesquisa: tornam difícil, por exemplo, iniciar uma nova revista acadêmica: todos os que nela publicarem nos primeiros números serão punidos com pontuação zero até que a revista – anos depois de sua fundação – venha a receber sua avaliação.

(….) temo que uma das disfunções dessa febre avaliacionista seja a de não estimular a vocação. Como editor, recebo com frequência artigos que seguem com todo rigor as normas técnicas (aproveito para registrar uma queixa de leitor contra a exigência de que as notas venham ao fim do texto e não no rodapé), mas não trazem nenhum insight, nenhuma paixão…”

Quem quer ler o artigo completo acessa aqui.

Quem quer saber mais sobre Lauand, acessa aqui.

novembro 16, 2010 Posted by | Ciências Humanas | Deixe um comentário

Poster XXII Salão Iniciação Científica UFRGS – A relativização da tradição heróica anglo-saxônica em “Juliana”, de Cynewulf

 

novembro 14, 2010 Posted by | Arte | Deixe um comentário

Chico Buarque e o Prêmio Jabuti

O compositor Chico Buarque anda rindo à toa. O Ministério da Cultura autorizou a captação de 1,5 milhão de reais para a realização de uma temporada de Leite Derramado, peça inspirada em seu último livro.

Fonte da foto

Chico vive um bom momento em relação também a patrocínios oficiais. Vejam aqui.

Além disso, como se sabe, sua candidata a Presidente da República venceu as eleições.

O momento é tão bom para Chico Buarque que seu livro Leite Derramado, classificado em segundo lugar na categoria para a qual fora inscrito para o 52 º Prêmio Jabuti , de forma surpreendente foi escolhido como o melhor livro do ano. Entendendo: o livro que foi considerado o segundo melhor na categoria romance foi considerado depois o melhor entre todos. A Editora Record, responsável pela edição de Se eu fechar os olhos, de Edney Silvestre, que conquistou o primeiro lugar na categoria romance, protestou com os que qualificou de “critérios políticos” na premiação através de uma carta dirigida à Câmara Brasileira do Livro e à Comissão do Prêmia Jabuti

Realmente é difícil entender como o segundo lugar de uma categoria vira o primeiro na premiação geral.   Na Internet circula um manifesto exigindo que o autor/compositor devolva o prêmio.

Como dizia uma velha senhora que eu conheci tempos atrás: ‘Que coisa!”

 

novembro 13, 2010 Posted by | Literatura, Livros | 2 Comentários

Lula, por Fábio Konder Comparato

“O único risco para a oligarquia brasileira (e latino-americana, de modo geral) é a presidência da República, porque a tradição latino-americana é de hegemonia do chefe do Estado em relação aos demais Poderes do Estado. Se o presidente decidir desencadear um processo de transformação das estruturas sócio-econômicas do país, por exemplo, ele porá em perigo a continuidade do poder oligárquico.

Ora, Luiz Inácio Lula da Silva já demonstrou que não encarna esse personagem perigoso para a oligarquia. Ele é o maior talento populista da história política do Brasil, muito superior a Getúlio Vargas. Mas um populista francamente conservador, ao contrário de Getúlio ou de Hugo Chávez, por exemplo. Mas o que significa ser um político populista? Populista é um político que tem a adesão muitas vezes fanática do povo, que tem um extraordinário carisma popular, mas que mantém o povo perpetuamente longe do poder. O populista conservador pode até, se isso agradar ao povo, fazer críticas aos oligarcas, mas mantém com eles um acordo tácito de permanência do velho esquema de poder. Ora, isto representa a manutenção do povo brasileiro na condição de menor impúbere, ou seja, de pessoa absolutamente incapaz de tomar decisões válidas. O populista é uma espécie de pai ou tutor, que trata os filhos com o maior carinho, enche-os de presentes, brinquedos, etc, mas nunca lhes dá o essencial: a verdadeira educação para que eles possam, no futuro, tomar sozinhos as suas decisões. É um falso pai. O verdadeiro pai existe para desaparecer. Se o pai não desaparecer, enquanto pai, alguma coisa falhou, uma coisa essencial, que é a educação dos filhos para a maturidade. O fundamental do líder populista é que ele mantém o povo muito satisfeito, mas num estado de perpétua menoridade.”

 

Declaração dada em entrevista publicada na Caros Amigos. Sim, você leu bem: na Caros Amigos.

novembro 11, 2010 Posted by | Política | 1 comentário

Entardecer em Canoas/RS

Rua Inconfidência

Créditos da foto: Paulo Munir Peres Uequed

novembro 10, 2010 Posted by | Arte | 2 Comentários

Um livro de professor

Um dos meus momentos preferidos da obra de José Ortega y Gasset é o trecho de “A Rebelião das Massas” em que ele descreve as principais características dos acadêmicos de nosso tempo: “O especialista sabe muito bem seu íntimo rincão do universo, mas ignora basicamente todo o resto”. Passadas oito décadas da publicação do clássico ensaio do filósofo espanhol, esta definição só tem ganho atualidade. As universidades, em todo o mundo, tornaram-se reduto de “especialistas” semelhantes a burocratas que executam sua função sem nem olhar o que o colega ao lado está fazendo. Lamentavelmente, esta é, cada vez mais, a regra – e as exceções, como se costuma dizer, estão aí para confirmá-la.

O jurista português Jorge Miranda mostrou que é uma destas felizes exceções. Autos de vários títulos em Direito Constitucional, Teoria Geral do Estado e assuntos correlatos, publicou o professor catedrático da Universidade de Lisboa este Curso de Direito Internacional Público (Editora Forense, 321 páginas) com a advertência, já na primeira frase que abre o livro, de que não era um especialista na matéria, quase desculpando-se pela ousadia de aventurar-se por seara alheia. Pois quiséramos nós, estudantes, que o professor Miranda cometesse outras ousadias como esta: elaborado com base nas aulas ministradas pelo autor, o Curso traz o dinamismo, a clareza e a sistematicidade das aulas bem dadas, preparadas por professores que realmente querem que seus alunos aprendam. Prova-o, além de tudo, a extensa bibliografia, disposta não ao fim do livro, como é costume, mas sim nos rodapés das páginas, prontas para servirem de apoio para o estudante que quer aprofundamento nos temas introduzidos pelo livro. O livro de Jorge Miranda pode não ser obra de especialita. Mas é , sem dúvida, um livro de um verdadeiro professor.

 

Onde encontrar:

http://www.grupogen.com.br

novembro 10, 2010 Posted by | Livros | Deixe um comentário

Apoteótico Paul*

*Ana Iris Ramgrab

 

O Celso pediu para eu escrever um texto sobre o show do Paul McCartney em Porto Alegre. Eu disse pra ele que não ia conseguir dizer muito além de “bah, chorei no corinho de ‘Hey Jude’!!!” e que algum descornado iria comentar algo do tipo “Achei cafona” e eu ia ficar triste e me esconder para sempre num buraco, num misto de humilhação pública e auto-preservação, porque com esse calor que faz hoje em Porto Alegre, um buraco caía bem.

Mas já que eu vou falar do show, é melhor começar pelo começo, que é bem esquisito: meu conhecimento de Beatles, Wings e da carreira solo do Paul são os mais básicos possíveis. Não que eu não goste, mas eu nunca decorei discografia de ninguém pra saber de quando é cada música. MAS! Meu tio ama Beatles. Ele sim decora setlists, e sabe tudo, e coleciona. O que eu sei, eu aprendi com ele. Todos os presentes que eu compro pra ele são Beatles-related porque eu sei que ele vai gostar (tipo os descansos de copo com as capas de discos dos Beatles que eu comprei nos EUA e que ele transformou num QUADRO pra casa dele, ou o DVD de Across the Universe, que eu rodei Porto Alegre inteira atrás pra dar de presente de Natal ano passado). Beatles, pra mim, sempre foi o meu tio. E o Beatle preferido do meu tio sempre foi o Paul. Aí, quando começaram os rumores de que ele viria não só para o Brasil, mas para PORTO FRAKKIN’ ALEGRE, nós começamos uma troca furiosa de SMS por informações, negociações e combinações porque é claro que ele iria no show, e eu queria ir junto com ele pra dividir esse momento.

E, olha, só mesmo 1/4 dos Beatles e o amor do meu tio por eles pra me fazer passar uma hora e meia esperando o site processar a compra dos ingressos, só pra descobrir que até hoje ele não processou (mas eu tive a sorte de não ter a minha ligação cortada na central telefônica deles, então fui garfada em 4% a mais por ingresso, mas consegui). Ou pra me fazer sair de casa às 4 da tarde de domingo, num sol típico do pré-verão portoalegrense, pra ir de T5 até o fim da José de Alencar, e depois a pé até o Beira-Rio. O que, diga-se, foi a parte mais tranqüila em termos de deslocamento (pra ser sede de Copa do Mundo, Porto Alegre ainda precisa melhorar muito). Depois de enfrentar as hordas de pessoas nas filas pro gramado, conseguimos chegar na rampa 4, que dava acesso às cadeiras numeradas ímpares (pode ser um Beatle, mas eu tenho 1,50m e se eu me arrisco a ir no gramado, o máximo que eu vejo são os cotovelos alheios).

Mas isso tudo aconteceu mais de 3 horas antes do show começar. E o que interessa é o show, não é mesmo? Então vamos lá. Um pouco depois das 21h, a iluminação do palco diminuiu, dando a dica de que estávamos a minutos de um grande momento. É legal ver que não interessa a hora, o local e o motivo, grandes momentos sempre são precedidos de um breve silêncio, quase uma segurada de respiração coletiva. E quando mais de 50 mil pessoas fazem isso ao mesmo tempo, acreditem, é um silêncio muito difícil de ignorar.

Até que… Até que os privilegiados da fila do gargarejo começam a gritar, e a gente sabe que o cara tá no palco. Paul. O cara. Porque ele é. O cara. Absolutamente charmoso o tempo todo, interagindo com o público com o seu (já bastante discutido) português bem ensaiado, com direito a gírias e gauchismos. Apesar de dizer que iria falar mais inglês, ele falou em português praticamente todas as vezes em que se dirigiu ao público.

O setlist já foi muito e melhor discutido por gente que sabe melhor do que eu do que está falando, então vou me limitar a dizer é muito difícil ficar imune diante da seqüência de clássicos que Sir Paul enfileirou. “My Love”, “Here Today” e “Something” me fizeram chorar (pois é…), e meu tio quase chorou quando ele começou “Eleanor Rigby” (e a minha irmã chorou quando eu mostrei pra ela hoje de manhã o vídeo de “And I Love Her”. Pessoas sensíveis sofreram ontem).

E porque não dá pra ser Paul McCartney e não ser apoteótico, logo depois de fazer todo mundo cantar juntinho “Let It Be”, a pirotecnia se concentra toda em “Live and Let Die”, com explosões de fogos de artifício .

E aí… Bom, aí ele começa “Hey Jude”. E a real? A real é que, bah, eu chorei no corinho de “Hey Jude” e pode ser cafona, mas também foi catártico. Paul conduziu o coro dos 52 mil abestalhados que ainda não acreditavam estar ali, na frente dele, ouvindo o cara cantar. Primeiro os homens, depois as mulheres. Todo mundo junto. Lindo. Emocionante. (Eu pretendia incluir um vídeo de “Hey Jude” aqui, mas o YouTube não tá colaborando, gentes.).

As luzes se apagam. A banda sai do palco, e o público resolve continuar brincando de corinho de “Hey Jude”. Até que a banda volta e toca mais três músicas, terminando com “Get Back” e saindo de cena novamente. (Em ambas saídas da banda, a câmera acompanha o Paul até a entrada dos bastidores, e a corridinha que ele dá é tão ridiculamente britânica que só vendo pra entender). A segunda, e última, volta da banda começa com nada mais nada menos que “Yesterday” (todo mundo chorando junto, abraçadinho, já pensando àquela altura que a Kleenex perdeu uma ótima oportunidade de patrocínio), seguida de “Helter Skelter”. Já é quase meia-noite em Porto Alegre, e os últimos minutos do dia 7 de novembro são saudados com “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, pondo um quase fim a 3 horas que misturaram nostalgia, sonho e um quê de absurdo (pensa bem, cara, eu fui no show do Paul McCartney. Paul. Mac. Cartney. Minha banda preferida – e que eu vi ao vivo em 1994 num show igualmente apoteótico ali do lado, no Gigantinho – e cujo nome vem de um pseudônimo de quem? Rá! Não, não caiu a ficha ainda).

Nenhum artista que se preze que tenha uma música chamada “The End” poderia deixar de encerrar um show com ela, e nesse caso não foi diferente. Só que não estamos falando de qualquer artista, e nem de qualquer banda, então “The End” não é qualquer música: “And in the end the love you take is equal to the love you make.

novembro 9, 2010 Posted by | Música | 2 Comentários

Beto Moesch palestra sobre crise climática

Beto Moesch

O vereador Beto Moesch (PP) realiza a palestra “Mudanças climáticas: repercussões e ações locais” nesta quarta-feira (10/11), às 19h30, no auditório da Livraria Cultura, localizada no Bourbon Shopping Country (Avenida Túlio de Rose, 80). A explanação versará sobre a crise climática que se abate sobre o planeta, indicando suas causas e consequências e as alternativas para enfrentar esse desafio ambiental no âmbito das políticas públicas municipais.

O evento é promovido pela Fundação Gaia – Legado Lutzenberger, e tem entrada franca

Fonte

novembro 8, 2010 Posted by | Ecologia | 1 comentário

A aliança que poderia ter sido (e que nada indica que será)

Em um país politicamente organizado, todos os integrantes do jogo político admitem, sem problema algum, a existência de partidos de esquerda e de direita. Não ocorre a um trabalhista britânico que o Partido Conservador deva desaparecer do mapa (salvo alguns radicais minoritários e quase sem voz), assim como não ocorre a um republicano (salvo alguns radicais minoritários e quase sem voz) que os democratas devam ser expulsos da vida política americana. A partir do momento que, nestes países, os partidos concordam com as regras do jogo democrático – lembremos de algumas: alternância de poder, respeito ao Estado de Direito, liberdade de opinião, dentre outras – um tem de respeitar o outro e todos estão legitimados a governar. O eleitorado pode, dependendo do momento, querer candidatos mais conservadores, ligados e defensores de valores perenes da civilização à qual o pais pertence; pode querer, por outro lado, alguém mais progressista, capaz de receber novas tendências, novas mentalidades, novidades, enfim, e adaptá-las ao quadro axiológico existente, sem, contudo, violentá-lo; pode escolher um candidato com propostas mais liberais no campo econômico; pode escolher alguém mais intervencionista. Pode escolher qualquer um destes – ou pode escolher algo completamente diferente. O importante é que todos eles estejam de acordo quanto – repito – às regras do jogo. A partir deste momento, todos são legítimos.

Isto, como eu disse, ocorre em países politicamente organizados. Nestes países, um presidente da República não pede que se destrua um partido adversário, pois ele constitui, assim como o seu, parte indissociável da vida democrática e deve, assim como o seu, ser defendido de todos os que são dela inimigos. E o partido, repetimos, pode ser de direita ou de esquerda, ou de qualquer outra coisa entre estes dois pontos. Ser um ou outro não é pecado em democracia, desde que o partido comungue dos princípios que a constituem e não parta para extremismos que são, por natureza, anti-democráticos.

Parece algo básico – e é. Mas não para o Brasil, e isso diz muito acerca do estágio em que nossa desmantelada República se encontra.  Aceitar este pressuposto básico é o maior desafio da democracia brasileira. Trata-se do último obstáculo para que o Brasil possa ingressar de corpo e alma no grupo das nações do mundo onde a democracia não é um mero acidente histórico, mas sim um ente constitutivo, que resiste às inclemências do tempo e aos erros dos homens. É o último capítulo da saga que começamos em 1988.

Nesta eleição que passou vimos mais um capítulo desta saga, cujo principal ator foi a oposição derrotada . O bloco  contrário ao governo chamou mais a atenção do que os vencedores, e isto devido a uma série de aspectos muito peculiares. Autodenominado “do Bem”, reuniu vários partidos e foi capitaneado por três: o DEM, o PPS e o PSDB. Um, de centro-direita; o outro, representante da esquerda democrática clássica, que a nova terminologia chama de “centro-esquerda” para diferencia-lo de quem ainda acha que o Muro de Berlim não caiu (e que constitui, a bem da verdade, apenas uma parte pequena da esquerda); o terceiro, oscilando entre o velho Centrão (em alguns estados), e a centro-esquerda (sobretudo em seu berço, São Paulo), liderou a chapa com um candidato que mesclou propostas tipicamente esquerdistas na economia e uma orientação em outros campos que poderia, algo remotamente, ser classificada como conservadora para os olhos e ouvidos do brasileiro de hoje. Filho dos movimentos políticos católicos dos anos 60 (Ação Popular e Juventude Universitária Católica, principalmente), da resistência ao regime militar e da influência teórica da CEPAL, José Serra era um candidato conhecido de todos, ex-postulante à própria Presidência, ex-deputado, senador, prefeito, governador e, apesar disso tudo, difícil de caracterizar à primeira vista pelos seus opositores, sendo ora rotulado como “privatizador” (que, em certos círculos é sinônimo de entreguista), ora como “desenvolvimentista” (o que, em certos círculos, é sinônimo de comunista), dentre tantos outros adjetivos correlacionados e igualmente redutores, simplistas e incorretos.

A dificuldade de situá-lo dentro dos conceitos estabelecidos e geralmente aceitos pelos atores e comentaristas políticos brasileiros e a tentativa de colar no bloco de oposição o rótulo de nova UDN (sem explicar em quê um Roberto Freire, um Ferreira Gullar, um César Maia ou o própro Serra pareciam com Lacerda), mostra quão desfocada era a presença da aliança e do candidato no status quo moldado ao longo de oito anos de lulismo. Serra, seu discurso e sua postura pareciam inteiramente estranhos aos esquemas mentais que Lula e seus asseclas tentaram – e , em boa medida, conseguiram – impôr aos brasileiros nesta última década. O antigo Ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, político experiente, corajoso, bom de briga, de pouco sorriso e muita ação, estava pisando num terreno que conhecia como poucos no país e mais do que qualquer um dos outros candidatos. Curiosamente, ao contrário de todos eles, parecia um verdadeiro estranho no ninho. No roteiro do teatro do Brasil lulista havia um papel para Plínio, um para Marina e um para Dilma. Não para Serra.

O que se seguiu todos sabemos. Exceto por um breve momento nos começos da campanha, Serra nunca foi o favorito nas pesquisas. O resultado, em parte já esperado – embora tenha sofrido a influência destas mesmas pesquisas, organizadas, em alguns casos, por institutos comandados por partidários da candidata eleita – jogou o bloco e o seu representante na oposição. Um bloco, como vimos, heterogêneo. Da centro-direita à esquerda clássica, o que unia as tendências, tão díspares, podia ser encontrado na frase do ex-petista Hélio Bicudo, em declaração polêmica e definitiva: eu voto em José Serra porque ele é o único capaz de salvar a democracia no Brasil.

O exagero retórico – que talvez não seja tão exagerado assim…. –  do ilustre jurista indicava o ponto de união da tríade opositora: a defesa intransigente da democracia.  Juntos, os três, diferentes entre si mas concordantes num ponto essencial, reuniam, em microcosmo, o que poderia vir a ser – não necessariamente com estes mesmos partidos ou nomes – um quadro partidário brasileiro novo : um representante da direita e da centro-Direita, um da esquerda clássica, um do centro e da centro-esquerda. Não era mero bloco de partidos de oposição ao governo. Era uma idéia nova – de política, de Estado, de nação, enfim, de Brasil – que estava ali em gestação. Do governo, a aliança recebeu franca e aberta hostilidade própria de todo organismo que tenta rechaçar elemento invasor. Explica-se, assim, a estranha agressividade anti-serrista presente na campanha (e mesmo após o fim desta), seja da parte da imprensa, seja dos adversários, seja da militância das ruas e não só, seja do próprio presidente, estranha até mesmo em se tratando de quem notabilizou-se por dela fazer uso.

Sem papel, recusados pelo diretor, barrados pelos seguranças, Serra e sua aliança entraram no palco lulista à força, na marra, sob (às vezes literalmente) paus e pedras. Falando a um grande grupo de descontentes despertos, PPS, DEM e PSDB surpreenderam e levaram para o Segundo Turno uma disputa considerada ganha por antecipação e, no final, seus 44 milhões de votos sinalizaram, apesar da derrota, uma surpreendente aprovação popular para um modelo, ambicioso e promissor, pronto para ser desenvolvido até 2014.

Isto, naturalmente, se a aliança em questão permanecesse unida. Há mostras concretas de que isso não vai acontecer, tanto no interior de cada um dos partidos da coligação (há perigos fortes de rupturas no PSDB, por motivos que todo brasileiro bem informado já sabe) quando na relação entre eles (o DEM, aparentemente cansado, já anuncia que deverá ter candidato próprio em 2014). A exposição das brigas, os pulos fora, a atitude claramente centrífuga de todos eles imediatamente após a eleição faz crer que a aliança “do Bem” não compreendeu o papel histórico que poderia desempenhar. Faz crer que tudo não passou de meras circunstancialidades. Que a união dos três se tenha dado, talvez, por uma feliz coincidência. E as coincidências, como sabemos, não costumam repetir-se. É pena. O bloco PPS-DEM-PSDB, passadas as eleições, é uma aliança que poderia ter sido, representante de idéias novas para um país que poderia um dia ser e nada indica que um dia será.

novembro 8, 2010 Posted by | Política | Deixe um comentário

Lançamento de “Dos sonhos e seus efeitos colaterais”, de Felipe Longhi Malheiro, em Canoas/RS

 

 

Lançamento da obra em Canoas/RS

Dia: 09/11

Horário: 19h30m

Local: Challenge Centro de Idiomas, rua Gal Salustiano, 215

 

 

novembro 7, 2010 Posted by | Livros | 2 Comentários

Quando a cara de pau não encontra limites

O Itamaraty aproveitou ontem a primeira sabatina realizada pela ONU sobre a situação dos direitos humanos nos EUA para declarar que estava “preocupado” com o aumento da pobreza na sociedade americana e sugeriu ao governo de Barack Obama que amplie programas sociais.

“O Brasil nota com preocupação o aumento do número de pessoas vivendo na pobreza nos EUA e a persistente diferença racial”, afirmou a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo. “A desigualdade é refletida em áreas como moradia, emprego, educação e saúde”, disse.

O Brasil, um dos países mais desiguais do mundo, ainda deu sua sugestões sobre como os EUA deveriam tratar da pobreza: “O reconhecimento das necessidades fundamentais da população como um direito humano é um passo importante para superar a pobreza”, ensinou a embaixadora, que ainda criticou a política de imigração americana.

Quem acha que isso não pode ser verdade acessa aqui.

 

A propósito, ocupamos o 73º lugar no ranking de Desenvolvimento Humano da Onu enquanto que o país de Obama ocupa o 4º lugar.

novembro 7, 2010 Posted by | Alívio Cômico, Política | Deixe um comentário

Batista e os jogos do Grêmio

Lamentável o posicionamento do Batista quando comenta jogos  do Grêmio. Além da  constante tentativa de minimizar erros escandalosos de arbitragem quando o prejudicado é o tricolor, Batista teve o despudor de tentar caracterizar a jogada que resultou no  belo gol do Douglas ante o Ceará como um erro do jogador  que, por  “acidente”, foi a gol.

 

novembro 7, 2010 Posted by | Esportes | 1 comentário

Ministério da Educação paga 68 milhões para empresa que imprime errado prova do ENEM

A impressão das provas do Enem tem mostrado uma série de fatos que não se coadunam com a importância do exame para os estudantes  aspirantes a vagas nas faculdades federais.

No ano de 2009 houve vazamento de dados pessoais de inscritos em 2007, 2008 e 2009 no site neste ano, o furto da prova, a divulgação de gabarito errado e alterações de data do exame no ano passado, sendo responsável a   Plural Editora e Gráfica Ltda, que é uma parceria entre o Grupo Folha e a Quad/Graphics. A RR Donnelley foi a empresa contratada este ano. O preço estipulado foi de R$ 68.831.000,00.

Pelo visto, as empresas brasileiras não têm condições de concorrer com as americanos no quesito impressão de provas para o Ministério da Educação, pois, com o erro de uma delas (Quad/Graphics) houve contratação de outra (RR Donnelley). E devem realmente ser muito incompetentes nossas empresas do ramo, pois novamente a empresa contratada para imprimir as provas do ENEM pela bagatela de 68 milhões de reais realizou seu serviço de forma imperfeita com erro de impressão na folha de respostas.

Além disso estudantes apontam erros na prova.

E existem notícias de o total de gastos com o ENEM/2010 foram 215 milhões, sendo que alguns contrato sem licitação.

Que coisa!

novembro 6, 2010 Posted by | Política | Deixe um comentário

José Serra faz palestra na França e sofre novo ataque dos inimigos da democracia

José Serra foi convidado para proferir palestra no Forum Europa América Latina  , em Biarritz, França com a presença de políticos e acadêmicos europeus e latino-americanos. Serra falou sobre  perspectivas do desenvolvimento e da democracia na região e considera que o processo de desindustrialização em marcha criará problemas para a criação dos 50 milhões de novos empregos que a América Latina  necessita até 2020. Além disso, dissertou sobre  questões que atravancam o amadurecimento das democracias, sobre política externa e integração da região além de  relações com a Europa.

Importante para o Brasil o fato de José Serra, um experimentado homem público, não ter se considerado derrotado face ao insucesso eleitoral e, assim, não ter se calado, continuando a expressar o posicionamento que externou na campanha.

Temos uma presidenta eleita cujo sucesso na condução do país interessa a todos nós. Por outro lado, temos, pelo visto,  um líder oposicionista altamente qualificado que está demonstrando uma qualidade invejável: não se cala e não esmorece ante adversidades.  Bom para o Brasil  que assim seja.

Lamentável, porém, o fato de que um cidadão estrangeiro, identificado como representante do Movimento Zapatista mexicano, que, pelo visto, desconhece princípios básicos de civilidade que incluem, por exemplo, permitir que o palestrante conclua sua explanação tenha interferido na palestra. Fosse aceitável outro agir, as palestras deveriam incluir apenas apoiadores das idéias do palestrante ou, então, dever-se-ia permitir apenas palaestras de uma determinada corrente de opinião.

Lamentável o agir anti-democrático do representante mexicano no evento. Não se deve, porém, relacionar esta triste atitude à nacionalidade do ofensor. Afinal de contas, nós, brasileiros, bem sabemos que dentro do território pátrio abundam cidadãos que pensam e agem da mesma maneira.

Mais lamentável ainda, porém, é a repercussão do fato. Vários são os sites louvando e batendo palminhas para a atitude do agressor.  Mais uma vez, um ato que agride os princípios democráticos é referendado por apoiadores do atual governo. Esquecem os incautos que os ataques à democracia, minando-a, causam danos a todos – inclusive a eles. É importante sempre defendê-la, pois, do contrário, um dia, os agredidos podem ser qualquer um de nós,cidadãos.

novembro 5, 2010 Posted by | Política | 11 Comentários

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 41 outros seguidores