PERSPECTIVA

67 anos da Independência do Líbano

 

 

cedro3

Foto:http://www.libano.org.br/olibano_ocedro.html

 

Uma excelente maneira de tirar um libanês do sério é chamá-lo de turco. O brasileiro que faz isso certamente não sabe que o apelido surgiu quando o Líbano pertencia ao Império Otomano e os imigrantes libaneses vinham ao país com o passaporte turco, recebendo assim o adjetivo pátrio correspondente. Não faz, portanto, por maldade. Mas isso não importa quando memórias doloridas vêm à mente dos representantes deste povo antiquíssimo, tão antigo que até Jesus Cristo, segundo os Evangelhos, passeou pelo seu território . Os libaneses ficam furiosos e não querem nem saber se há maldade ou não.

Não estão de todo errados. O turcos fizeram toda sorte de barbaridades no Libano, como fizeram na Síria, na Grécia e em todos os seus domínios. Após a Primeira Guerra Mundial, com o colapso do Império Otomano, o país foi entregue pela Liga das Nações ao mandato dos franceses, que trataram de expandir ao máximo sua influência no país, fomentando o ensino do francês (já então muito difundido, devido às históricas relações comerciais com Marselha e outras cidades da França mediterrânea), instalando um sistema parlamentar semelhante ao da França e remodelando a capital, Beirute, à imagem e semelhança de Paris, com boulevares, muitas árvores, museus, teatros e cafés. Beirute ganhou o status de capital cultural do Oriente Médio, e os libaneses, de refinados, aristocráticos, excelentes comerciantes e oradores, orgulhosos e mundanos. Os franceses do Oriente – os mais ocidentais dentre os orientais.

A Independência veio em 1943. Os laços políticos com a França e o Ocidente foram cortados apenas formalmente. Num dos chamados Quatro Princípios que nortearam a criação do novo país está escrito o seguinte:

“Mesmo sendo uma nação árabe e com o árabe como língua oficial, o Libano não cortará nunca seus laçoes espirituais e intelectuais com o Ocidente, os quais o ajudaram a alcançar um nivel notável de progresso”

Uma maneira exemplar de tratar o próprio passado e de construir o futuro. Que sirva de exemplo para os dias que virão naquele pequeno país que tanto tem a ver com o Brasil e especialmente com os milhões de descendentes daqueles “turcos” que por aqui chegaram nos primórdios do século passado. Descendentes que incluem os multiétnicos integrantes desse blog, felizes em compartilharem deste legado.

Em data de hoje, Joâo Dib também  descendente de libaneses e vereador de Porto Alegre,  pronunciou discurso na Câmara de Vereadores afirmando que “O Líbano é um pequeno país, com um grande povo e eu, por isso, tenho orgulho da minha ascendência.”

 

Íntegra do discurso de João Dib

 

LÍBANO: Passado e presente; usos e costumes.

 

 

O Líbano é um pequeno país da Ásia Menor, mas tem um grande povo.

Nos 5 continentes nós encontramos libaneses e seus descendentes.

No Brasil é muito grande o número de libaneses e seus descendentes.

O Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e grande parte das Câmaras de Vereadores têm descendentes de libaneses que se destacam pelo seu amor ao Brasil e respeito pela pátria de seus ascendentes.

Filhos de libaneses são destaques em todos os ramos do conhecimento humano no nosso Brasil.

A República do Líbano está localizada no Oriente Médio. Tem fronteira com a Síria e Israel e é banhada pelo Mar Mediterrâneo, onde suas costas são entrecortadas. Sua capital é Beirute.

O escritor francês Alphonse de Lamartine escreveu em seu livro “Voyage en Orient”: “Conheci a Itália, toda a Itália; Conheci a Sabóia. Como conheci Atenas e o (Monte) Olimpo. Mas jamais senti tão profundamente a glória de ser um homem, como na austera grandeza das montanhas do Líbano”.

O Líbano tem 270 Km de extensão por 70 Km de largura. É um país rochoso semeado de ruínas grandiosas. Tem duas cadeias de montanhas que o atravessam, paralelas ao litoral.

O país obteve sua independência em 22 de novembro de 1946. A forma de governo é República Parlamentarista.

Sua bandeira se compõe de uma larga faixa horizontal, tendo no centro um cedro verde com tronco marrom, entre duas faixas vermelhas. Seu Hino Nacional começa com “Todos Nós”, numa conclamação geral.

A maioria dos habitantes é árabe; a língua dominante é o árabe embora o francês e o inglês sejam muitos usados. O Líbano pertence à Liga Árabe, é o único Estado Árabe em que o cristianismo predomina, mas não é a religião oficial. A religião é variada. Existe uma pluralidade de religiões com muçulmanos, drusos, ortodoxos, armênios, católicos e protestantes, mas o maior grupo religioso é o dos maronitas que se estabeleceu na área no século VII, assim chamados por causa de São Maron, morto no século V.

O povo libanês é muito religioso. Espalhadas por toda parte podem-se ver igrejas, mesquitas, conventos, mosteiros, imagens da Virgem Maria e pequenos altares ao longo das estradas.

As pessoas estão de tal modo integradas ao espírito religioso que se apresentam como membros de uma religião, seita ou rito. O país não tem uma religião “oficial”, mas nenhum libanês pode ser ateu, uma vêz que está incluído “nos livros” de uma autoridade religiosa.

Seus antepassados, Cananeus conforme a Bíblia, e chamados Fenícios pelos historiadores, eram marinheiros destemidos e grandes construtores de navios. Viajavam por todas as partes do mundo antigo.

Sua capital é Beirute cuja origem é difícil de determinar. Sabe-se que havia ali a presença do homem desde o período neolítico. Na época fenícia a cidade já era grande. Com a invasão grega, Alexandre o Grande, fez ali desenvolver-se a arte helênica, e os romanos quando a dominaram, fundaram a Escola de Direito em 222 A.D. passando ela a rivalizar com Atenas e Bizâncio. Apesar das invasões, Beirute conseguiu manter-se como um centro de cultura e atividades importante.

Beirute possui cinco centros de cultura para onde acorrem alunos de outros países também. A Escola de Direito fundada durante o Império Romano já não existe mais; foi destruída por um terremoto seguido de incêndio. Mas foi tão grande o papel desta Escola na criação do Direito Romano que foi ali que os juristas se refugiaram quando da decadência do Império Romano.

O Líbano tem muitas belezas para apresentar aos turistas. Quem sai de Beirute e vai em direção norte, vale a pena conhecer a Gruta de Jeita no Nahr el Kalb (Rio do Cão), famosa por suas belezas. Possui várias “salas” iluminadas, cada uma com um nome diferente, conforme o feitio das estalagmites e estalactites. Pode-se fazer um passeio de barco, indo de uma sala para outra, e observar mais esta maravilha da natureza.

Passando a gruta vamos encontrar em Jounie, próximo da costa, a gigantesca imagem de Nª Srª de Harissa (Padroeira do Líbano) no topo de uma montanha da qual recebeu o nome. Para alcançar o alto pode-se ir de carro pela estrada que a circunda ou usar o teleférico. Aos pés da Santa existem duas igrejas, uma Maronita e outra Ortodoxa.

Com a conquista dos romanos em 644 A.C., o país tornou-se próspero como se pode ver pelo complexo de Baalbeck e inúmeros templos romanos. As cidades desenvolveram a indústria, e sua arte inspirada na dos egípcios tornou-se modelo para as artes gregas arcaicas. Com a invasão de Alexandre, em 333 A.C. a prosperidade do país declinou em favor dos gregos, continuando nas artes os apreciados estilos egípcio e grego.

Os fenícios usavam o barro desde o período neolítico; era material fácil de moldar para variados usos domésticos. Na cerâmica as peças mais primitivas datam do séc. IX e concentram-se na faiança, com motivos decorativos e seus significados: flores de palma representavam a realização dos desejos ou a benção; os crisântemos e a flôr de lótus significavam felicidade e fertilidade.

Com a divisão do Império Romano, o Líbano ficou sob a autoridade Bizantina, menos liberal que a Romana. O 1º Imperador Cristão Constantino tornou o país oficialmente cristão no Séc. VII, e mandou destruir os templos pagãos inclusive Baalbeck.

Visitar o Líbano é um prazer sempre renovado. A cidade de Jbeil, antiga Biblos, é muito apreciada por sua beleza, seu teatro e colunata. Ela foi outrora famosa pelo pairo que exportava.

Seguindo-se rumo ao norte passa-se por um túnel e chega-se a Rãs Chekka. Poucos quilômetros adiante está Trípoli. A cidade deve seu nome a uma antiga Constituição que a dividia em três bairros, sendo cada um a sede federal de uma das três cidades fenícias: Saída, Sour e Tsour (antiga Riwad). Após haver sido várias vezes conquistada por romanos, árabes e franceses foi dominada e destruída pelo Sultão turco Chaloun Malek. Uma nova cidade foi construída próximo da antiga e voltou a ser uma das principais cidades do Oriente, e a mais importante depois da capital do país. Suas Igrejas, o famoso Castelo de Saint Gilles – hoje museu muito apreciado pelas interessantes peças que contém, as várias Mesquitas como de D’Adbel Wahed com seu delicado minarete, ou as Escolas do Corão ou “Madrassahs” algumas com cúpulas grandiosas, artísticos minaretes.

Mais para o leste, via Chekka, chega-se ao cume do Monte Becharré e aos famosos Cedros do Líbano, marca registrada do país uma vez que o cedro é o emblema de sua bandeira. Os cedros antigamente cobriam a montanha libanesa. De todas as partes chegavam encomendas para construção de vários tipos. Estas árvores são um símbolo de grandeza e força. Hoje em dia os cedros ainda existem reunidos em um bosque, um dos mais antigos e reservados.

E o visitante segue seu caminho até Becharré que é muito lembrada por ser o berço do grande poeta Gibran Khalil Gibran, alma inspirada que soube expressar nobre sentimentos e grande sabedoria em seus poemas já traduzidos para múltiplos idiomas.

Por toda parte do país onde quer que se vá, encontraremos ruínas fenícias, romanas, do tempo dos cruzados, e árabes, isto sem falar nos gregos e romanos. É que cada um destes povos ali deixou sua marca indelével para a posteridade.

Os libaneses são afáveis, alegres, gostam de festa, de música e de dança. Adaptam-se facilmente onde quer que estejam. Não fazem distinção de raça.

 

A letra do seu Hino Nacional retrata muito bem o grande povo daquele pequeno país.

 

 

 

Lebanon- Nature

The beautiful Lebanon

 

 

bandeira_libano1

Hino Nacional Libanês

Hino Nacional Libanês (tradução)
Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Nossa espada, nossa pena
Fulguram aos olhos do tempo
Nossos vales e montes
São o berço dos bravos
Nossa palavra e ação, só buscam a perfeição

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria
Velhos e moços ao apelo da Pátria
Investem, como leões da floresta,
Quando surgem os embates
Coração de nosso Oriente
Que Deus o preserve ao longo dos séculos

Seu mar, sua terra são a pérola dos dois Orientes
Sua opulência, sua caridade
Preenchem os dois pólos
Seu nome é seu triunfo
Desde a época de nossos ancestrais
Sua glória é seus cedros
Seu símbolo é para a eternidade

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria

Para ouvir

 

 

novembro 22, 2010 - Publicado por | Política

2 Comentários »

  1. Fiz um trabalho sobre o Líbano em uma feira multi-disciplinar no ensino médio.

    Até hoje devo ter uma bandeira que mandei custurar de modo a decorar minha banca. O Cedro foi o que mais deu trabalho, segundo a costureira.

    Um salve ao sangue dos mártires e a pureza da neve contida nas montanhas libanesas.

    Forte Abraço

    Comentário por Artur | novembro 27, 2008 | Responder

  2. No ano do Brasileirão mais emocionante da história o Blog Perspectiva largou de mão o nosso amado esporte ?

    HEHEHE , brincadeirinha ..

    espero que continue dando certo o manual do bom gremista : torcer para o Grêmio entregar e secar o Colorado.

    dale Rospide e Roth !

    Comentário por Koringa66 | novembro 23, 2009 | Responder


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