PERSPECTIVA

Além das ideologias

 

 

 

Em 1999, a prestigiada Faculdade de Jornalismo da Universidade de Nova York elaborou uma lista das 100 melhores livros de jornalismo de todos os tempos. Na sétima posição, à frente de Truman Capote, Hannah Arendt, Tom Wolfe, H.L. Mencken e Norman Mailer, estava John Reed e seu Dez dias que abalaram o mundo. Sua escolha foi cercada por controvérsias: no meio de vários conservadores, centro-esquerdistas, liberais e apolíticos – isto é, tudo o que é aceitável dentro do espectro político das democracias ocidentais -, Reed era o único abertamente comunista. Houve quem sugerisse que a colocação de Reed em posição tão elevada fosse uma manobra da propaganda esquerdista: ele só estaria lá por causa de suas posições políticas, e não de sua excelência literária e jornalística.Respeitosamente, somos obrigados a discordar. E discordamos com a tranqüilidade de quem não está de acordo com as posições políticas de Reed. Não é preciso fechar os olhos para o que foi a Revolução Russa e para as atrocidades do comunismo dentro e fora do Leste Europeu para admirarmos seu trabalho. Não é preciso ser comunista para ler Dez dias que abalaram o mundo. Mas, para escrevê-lo, foi preciso que Reed tivesse sido o comunista que foi. Seu grande mérito foi ter usado a sua proximidade com a causa socialista como instrumento para conseguir pintar um quadro mais elaborado e profundo do que o jornalista comum poderia fazer. E se há alguma dúvida sobre o valor de sua obra podemos lembrar que o diplomata americano George Kennan, um dos maiores adversários do comunismo durante a Guerra Fria, considerava a obra de Reed o maior relato sobre a Revolução Russa já escrito; e podemos, também, lembrar que Josef Stalin, presidente da URSS, proibiu-a de circular. O que é mais um atestado de como a análise de John Reed sobrevive às disputas ideológicas.

 

Onde encontrar:

 

www.companhiadasletras.com.br

(11) 37073500

 

 

fevereiro 21, 2011 - Publicado por | Literatura

1 Comentário »

  1. Ótima dica de leitura! Quando eu terminar de ler “A verdade sufocada” (570 p.- comecei recenzinha) vou ler também este.

    Comentário por Nélsinês | fevereiro 22, 2011 | Responder


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