PERSPECTIVA

Lembranças da Bizz

Em sua postagem do dia 2 de setembro, o jornalista André Forastieri resolveu prestar uma homenagem à revista da qual foi diretor por três anos: a BIZZ.

A homenagem veio por ocasião da descoberta, por ele – e agora, também por mim – da comunidade da revista no Facebook, que conta com vários ex-colaboradores e editores como Pedro Só, Bia Abramo, Pedro Alexandre Sanches, Camilo Rocha e, agora, o próprio Forastieri.

Para mim, a homenagem diz muito. Fiz parte daquela que, muito provavelmente, foi a última geração de jovens cuja formação musical dependeu da Bizz. À época (virada dos anos 90 para os 2000) não havia outra revista de música no país: a única alternativa do mesmo nível para ter acesso às novidades eram cadernos culturais, como a “Ilustrada” da Folha de São Paulo, ao qual eu tinha acesso por assinar o jornal. O download de canções pela Internet engatinhava (ou melhor, inexistia para a grande maioria, inclusive para mim), os discos eram difíceis de encontrar nas lojas de Porto Alegre e é desnecessário dizer que não havia youtube. A nossa orientação – minha e, estou certo, de muito mais gente – era a “Bizz”.

Lá estavam os álbuns raros, a seção Discografia Básica, as opiniões contundentes sobre o novo e o antigo, as entrevistas, as matérias, tudo o que, hoje, está ao alcance de um clique. Na época, não estava. Os lançamentos mais óbvios encontrávamos em qualquer boa loja. Os não tão óbvios, nas poucas lojas dedicadas ao que não era tão óbvio, muitas delas no Rio ou em São Paulo. Um telefonema resolvia o problema. Onde se conseguia o telefone? Na Bizz. Lojas como “Baratos Afins” e outras tornaram-se nomes conhecidos e quase dava para dizer, com indefectível sotaque e falsa familiaridade portoalegrenses, que tal disco a gente encontrava “lá na Baratos” – isto, claro, se eu tivesse o hábito de fazer uso deste detestável recurso comunicativo de meus conterrâneos.

A BIZZ terminou em meados de 2001. Logo depois, como que movidos por um sentimento de busca pelo que se perdera,  eu e minhas duas irmãs percorremos os sebos da Rua Riachuelo, em Porto Alegre, em busca de edições antigas da Revista. Passamos tardes empoeirando dedos e compramos quase tudo o que encontramos: capas com Guns N´Roses (então uma paixão delas), Nirvana, U2, Faith No More, Maddonna, Red Hot Chilli Peppers e todos os outros que, entre 1985 e a virada do milênio, foram notícia no mundo pop.

Alguém poderá dizer que parte do papel que a Bizz desempenhava está, hoje, nas mãos da melhor revista do Brasil, a Rolling Stone. Isto só é em parte verdade. A Rolling Stone tem a Internet a seu lado, como um poderoso auxiliar.  A Bizz só tinha a si própria. O papel que ela desempenhou não pode ser repetido, porque o mundo em que ela atuou já existe. Um mundo onde as coisas não estavam a apenas um clique.

setembro 10, 2011 - Publicado por | Música

1 Comentário »

  1. Que coincidência ler esse post, porque essa semana mesmo eu falava da revista Bizz e de como sentia saudades dela. Lembro que ela se tornou Showbizz, acho que teve uns meses de Bizz, ainda, mas voltou a ser Showbizz, bem, já não sei. Lembro só de estar confusa em relação a que revista comprar. Até hoje uso um termo que aprendi na revista, quando eles falavam de uma banda de apenas um sucesso, que era “one hit wonder”. Enfim, fiquei bem feliz com a “sessão nostalgia” do Blogue, patrocinada pela Bizz. Parabéns pelo post.

    Comentário por ninaantonioli | setembro 10, 2011 | Responder


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