Hipotéticas situações
Inconformada com a negativa do patrão a um pedido de aumento de salário, uma secretária se irrita e resolve invadir a sala da diretoria, ofender os integrantes e ameaçá-los como forma de corrigir o que considera uma injustiça.
Inconformado com a negativa de reconsideração de decisão judicial que considerou injusta, Fulano de Tal invade o Forum de sua cidade.
Inconformado com o fato de não possuir recursos para comprar drogas, jovem invade residência, amarra seus moradores e saqueia o local.
Inconformado pelo fato de não dispor de dinheiro para comprar bens que considera essenciais, como um tênis importado, jovem baleia outro jovem para furtar.
Fato real
Inconformados com o fato do Congresso Nacional ainda não haver aprovado piso salarial para sua categoria profisssional e pelo fechamento fechamento de escolas com número insignificante de alunos por medida administrativa da Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, professores gaúchos invadiram o prédio do Centro Administrativo do Estado, com consequente tumulto no local.
As situações acima elencadas são sintomas de uma sociedade caótica, onde cada um estabelece o que seria adequado,de acordo com sua perspectiva unilateral sobre fatos e situações. O problema é que tais sintomas só são percebidos em sociedades onde o caos ainda não se instalou, onde ele ainda é a exceção e não a regra. Tão acostumados estamos a invasões de terras (comandadas por um cidadão de classe média alta com mestrado no exterior), movimentos disto e daquilo, jovens bem alimentados clamando por uma vaga justiça social da qual não fazem a menor idéia, latifúndios doados a meia dúzia de índios para gáudio de estrangeiros oportunistas e outras barbaridades dos auto-intitulados inimigos da “zelite”, tão narcotizados estamos que um afronta à lei cometida por professores já nem chama a atenção. É só mais uma para a lista.
Vamos lembrar: qual a finalidade das leis? Impedir o caos social, impedir a justiça pelas próprias mãos, assegurar a convivência social. Todo aquele que , sob alegação de injustiça, prega o desrespeito à legislação está transmitindo a mensagem da nociva relativização dos conceitos legais. Ora, comprovadamente a falta de respeito às leis, falta de temor à sua força, está gerando uma sociedade onde cada vez mais a lei da força é que domina. Por isso, causa espanto que aqueles que são encarregados de transmitir valores aos jovens estejam servindo de exemplo de transgressão das leis, sabedores dos malefícios que esta transgressão pode acarretar. O que diriam aqueles que invadiram prédio público, se um aluno, inconformadíssimo com as notas que lhe foram atribuídas, furar os pneus do seu carro no estacionamento, justificando o ato com a alegação de que se trata de uma insurgência contra a ordem burguesa estabelecida representada pela figura do professor, espécie de senhor de escravos que, sob vara e chicote, lhe exige uma nota mínima para passar de ano? Se for coerente com as suas ações, deve chamar o aluno para junto de si, cumprimentá-lo e até ajudá-lo a furar o outro pneu do carro, mas dessa vez bem furado, fazendo a roda inteira em fiapos e com direito a aplauso no fim da contenda.
Todos nós ficamos inconformados às vezes com decisões daqueles que estão em posição que lhes permite afetar diretamente nossos interesses. E podemos protestar contra isso, diria mais, devemos protestar sempre que entendermos haver erros ou abusos. No entanto, nosso protesto forçosamente deverá ocorrer dentro dos limites impostos pela lei. Ocorrendo violação ,deixa de ser um simples protesto e passará a constituir afronta à lei e deverá ser reprimido por quem de direito. Se os encarregados de reprimir infração à lei não o fizerem estarão cometendo crime.
Esta a única maneira de coexistência em uma sociedade. Aceitar-se o contrário, de acordo com ” a cara do freguês” é inadmissível. O cumprimento da lei é imperativo para todos, mesmo os integrantes de poderosos movimentos,associação, sindicatos, etc. Pensar e pregar o contrário é propugnar por privilégios, com “castas”, os integrantes da elite dos “mais iguais”, tendo permissão para violação da lei.
O que é altamente preocupante é que as eventuais motivações políticas dos “educadores” serão menos percebidas pelos jovens que estão assistindo o aparente destempero do que o nocivo exemplo que está sendo transmitindo.