PERSPECTIVA

Seleções que gostaríamos de ver (2) - Seleção Britânica

Seleção do Pampa: CLIQUE AQUI

Uma das perguntas mais frequentes para quem assiste a Copa do Mundo é: porque os países da Grã-Bretanha não jogam o torneio pela mesma equipe? A questão é complexa e toca no ponto da complicada maneira como os britânicos resolveram organizar seu governo - complicação análoga à do seu sistema de medidas, do seu sistema monetário e da culinária - e harmonizar as diferenças culturais existentes nas Ilhas governadas pela mesma coroa. Além de terem relativa autonomia em relação ao governo de Londres, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm tradições próprias que incluem até a presença de outros idiomas (galês e gaélico), além de (res)sentimentos nacionalistas que não podem ser desconsiderados. Tão forte é a aversão aos ingleses nos demais países que os escoceses, por exemplo, torcem contra os Sassenach (”saxões”, em gaélico) sempre que podem. São, portanto, nações distintas para todos os efeitos futebolísticos.

E as Olimpíadas? Lá, a Grã-Bretanha compete com uma equipe só, com atletas de todos os países. Só no futebol isso não acontece - os britânicos não mandam uma seleção unificada desde 1912, em Estocolmo, quando venceram a competição (já o haviam feito em 1900, em Paris, e em 1908, em Londres). Depois, só meia dúzia de amistosos festivos ocasionais e nada mais. Em alguns deles, como em numa partida de 1969, chegaram a reunir uma equipe que, se jogasse uma Copa do Mundo, bem poderia sair campeã, com George Best, Bobby Charlton, Dennis Law, Bobby Moore e Billy Bremner dividindo espaço no mesmo time. Este já seria um argumento forte para que os sentimentos nacionalistas dos países integrantes - especialmente dos escoceses - fossem deixados um pouco de lado em prol do interesse maior de todas elas, que é, finalmente, conseguir vencer uma Copa do Mundo. Alguns dirão que essa seleção britânica seria nada mais do que uma seleção inglesa com um ou outro ajuste diplomático. Não exatamente: épocas houve em que nenhum centroavante inglês foi tão bom quanto o escocês Kenny Dalglish e nenhum ponta tão bom quanto o irlandês George Best. Nos dias de hoje, a seleção inglesa tem carências em vários setores, que bem podem ser supridos pelos jovens (ou nem tão jovens) valores escoceses, galeses e irlandeses. Ou seja, é possível, sim, armar uma seleção britânica com (quase) nenhuma concessão ao ego dos países menores que circundam a mamãe Inglaterra e fazer com que o hino tradicionalmente entoado pela torcida inglesa ganhe a simpatia dos outros países.

Gordon (Escócia) - A Inglaterra tem uma bela tradição de goleiros. Da copa de 1970 para cá, a lenda Gordon Banks deu lugar a Ray Clemence, Peter Shilton e David Seaman, três excelentes nomes que mantiveram a tradição em alto posto . Porém, depois da copa de 2002, quando Seaman foi aposentado por Ronaldinho Gaúcho, a meta inglesa tem alternado bons e maus momentos com Carson, Robinson e James. O escocês Craig Gordon não tem, portanto, rivais à sua altura. Comprado pelo Sunderland por 9 milhões de libras - o maior valor já pago por um goleiro nas Ilhas Britânicas - o ex-jogador do Hearts of Midlothian foi citado pelo italiano Buffon, titular na última Copa, como um dos melhores goleiros do mundo. Basta dizer que a histórica vitória da Escócia sobre a França em pleno Parc des Princes, no ano passado, só foi possível graças à sucessão de milagres protagonizados por Gordon. Aqui vai uma seleção de suas melhores defesas: http://www.youtube.com/watch?v=_8Es7y94w4Q

Alan Hutton (Escócia) - Apelidado de “White Cafu”, o lateral-direito do Tottenham Hotspur mostra em campo o mesmo fôlego, velocidade e disposição do brasileiro em seus bons tempos. É também alto - 1,86 - e muito forte, além de ser bom cabeceador. Enquanto a Inglaterra improvisa volantes para esta posição, os escoceses dispõem deste jovem jogador que foi escolhido como a 8o. maior revelação do futebol mundial no ano passado.

Ferdinand - Inglaterra - Indiscutível é pouco para definir a escolha de Ferdinand. Se fosse uma seleção mundial o zagueirão do Manchester United provavelmente também seria o titular. Que o diga Luis Felipe Scolari, para quem Ferdinand é o melhor do mundo. Ou os pobres atacantes do Barcelona, que em vão tentaram passar pelo gigante de 1,93 na semifinal desta Champions League, numa atuação elogiada até pelos seus próprios adversários.

John Terry - Apesar do zagueirão do Chelsea viver machucado - e nenhum zagueiro britânico que se preze pode se dar ao luxo de sentir dorzinhas -, Terry é, inegavelmente, um ponto de equilíbrio da equipe finalista da Liga dos Campeões. Além de ser excelente no jogo aéreo, Terry é uma liderança natural da equipe, pronto para assumir a braçadeira de capitão quando Frank Lampard está machucado. O único problema é mesmo a canelinha de vidro. Mas Terry também não hesita em quebrar o vidro alheio quando é necessário.

Ashley Cole - Inglaterra - Outro indiscutível. Poucos laterais do mundo marcam e atacam com a mesma eficiência do jogador do Chelsea. Esse não lembra o Cafu - é melhor, bem melhor, do que ele. E melhor do que qualquer outro britânico.

Barry Ferguson - Escócia - O jogador-símbolo do Glasgow Rangers é o maior exemplo atual de um tipo de meio-campista tipicamente britânico: o box-to-box, isto é, aquele que corre de uma grande área a outra destruindo as jogadas adversárias, armando ataques e chegando à frente para concluir. Um exemplo de jogador desse tipo no Brasil seria o argentino Guiñazu, do Internacional. Ferguson é conhecido também pelas suas cobranças de falta e seus lançamento precisos, algo muito necessário em se tratando de futebol escocês.

Gerrard - Inglaterra - O capitão do Liverpool pertence à nova geração de meio-campistas capazes de cumprir múltiplas tarefas em campo com a mesma competência. Normalmente o colocam ao lado de Andrea Pirlo, Deco, Maniche e Xavi, mas o fato é que Steven Gerrard é melhor do que todos eles: chuta melhor do que Pirlo e Deco, marca melhor do que Maniche e Xavi, alem de mostrar um espírito de liderança que poucos jogadores no mundo têm. Seu porte físico ajuda: 85 quilos distribuídos em 1,87m.

Beckham - Inglaterra - Não, ele não é rápido. Não, ele não é goleador. Não, ele não corre todo o campo. Não, ele não é um driblador capaz de entortar a defesa adversária. Beckham apenas é, depois de passados doze anos de sua estréia no English Team, o melhor jogador inglês. Muitos tentaram substitui-lo e as críticas à sua superexposição na mídia são cada dia maiores. O fato é que ninguém, na Inglaterra ou no resto do mundo, é capaz de passar, lançar, cruzar, cobrar escanteios e faltas como ele. Pode ser que, com Beckham em campo, a seleção inglesa perca velocidade e dependa muito de um só jogador. Sem ele, torna-se uma reunião de volantes incapazes de criar jogadas. Exemplo claro disso foi o jogo contra a Croácia, em Wembley. No primeiro tempo, os croatas venciam por 2 x 0, a Inglaterra jogava bisonhamente e Beckham estava no banco. No segundo tempo, ele entrou, deu passe para um gol, ajudou a cavar um pênalti e mandou um chute na trave. Não foi o suficiente para evitar a derrota do seu time, mas deixou claro que a Inglaterra ainda é ele e mais dez.

Giggs - Gales - Desde que Ryan Giggs entrou no time do Manchester United, há quase vinte anos, nenhum outro jogador canhoto do seu nível apareceu em solo britânico, e muitos poucos no resto do mundo. Raros jogadores conseguem aliar velocidade, técnica, habilidade e senso coletivo quanto este ponta/meia-esquerda que já aos 17 anos era titular do Manchester United. Após um amistoso da Seleção contra o País de Gales, Dunga disse o que muitos já sabiam: Giggs teria, sim, lugar na seleção brasileira. E quem duvida pode ver neste vídeo do que Giggs é capaz: http://www.youtube.com/watch?v=hrOyedpeZnk. Ou assistir a final da Liga dos Campeões no próximo dia 22, quando o seu Manchester United enfrentar o Chelsea.

Rooney - Inglaterra - Ele era boxeador até os 16 anos. Decidiu pelo futebol e, surpreendentemente, não foi para a zaga. Seu físico esculpido em anos nos ringues rendeu-lhe força suficiente para derrubar qualquer zagueiro que lhe apareça à frente quando dá suas famosas arrancadas. Além disso, Rooney sabe sair da área e distribuir o jogo para os seus companheiros de ataque, além de cobrar faltas e escanteios. É o melhor atacante inglês desde Alan Shearer, e muito mais completo do que ele.

Lafferty - Irlanda do Norte - É titular de seu país e tem 1m94. Não será pior do que Peter Crouch. E sim, sua escalação é puramente política: era preciso colocar um jogador da Irlanda do Norte. Mas é o único dos onze nesta condição.

Treinador: Alex Ferguson - Uma escolha um tanto óbvia. A seleção inglesa é, há muitos anos, presa da incompetência dos seus treinadores, sejam eles ingleses, como a recente nulidade Steve McLaren, ou estrangeiros, como o retranqueiro sueco Sven Goran Eriksson. Tanto é assim que Fabio Capello foi escolhido para tentar tirar a equipe do atoleiro e classificá-la para a próxima Copa. Alex Ferguson é um escocês que aplica um jogo pouco escocês no Manchester United, revezando Giggs, Ronaldo, Tevez e Rooney em vários esquemas que privilegiam o ataque e o jogo coletivo.

Maio 13, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Não Há Comentários

A vitória do futebol-arte

Quem tem acompanhado os jogos do São Paulo na Libertadores e no Campeonato Paulista deve ter notado que o time de Muricy Ramalho pode parecer com qualquer coisa, menos com uma equipe do futebol brasileiro.

As razões são várias. Primeiro, porque joga no 3-5-2. Como todos sabem, a tradição do futebol brasileiro desde a copa de 70 é o uso do 4-4-2 com um volante de contenção, um segundo volante habilidoso, dois meias ofensivos e criativos - sendo um deles o camisa 10 - e dois atacantes. Depois, porque é um time que simplesmente abdicou da criatividade, povoando o meio campo com volantes e alas e o ataque com dois trombadores - Borges e Adriano - à espera de cruzamentos e escanteios.

Na verdade, esse é o esquema do São Paulo desde 2006. A final do Mundial contra o Liverpool deixou nos são-paulinos as doenças britânicas do bolacabecismo, do trombadorismo, do velocismo e do bolaparadismo, que vem custando ao time da terra da garoa várias derrotas em âmbito regional e internacional. Primeiro, contra o Internacional na final da Libertadores. Depois, contra o Santos no paulistão. Por fim, contra o Grêmio, na Libertadores de 2007. Assim como a seleção inglesa, o São Paulo costuma afinar quando confronta seu estilo britânico com a criatividade brasileira. A englishness são-paulina é estranha, mas plenamente comprovável pelos fatos concretos.

Pensando bem, não é nada de muito estranho em se tratando de São Paulo: é conhecida de todos a antiga admiração paulista pelos ingleses. No início do século XX, São Paulo era chamada de “Manchester brasileira” e o sonho de todo aristocrata paulistano era mandar seus filhos a Oxford para estudar. Para a construção das estradas de ferro que ligaram a capital ao interior cafeeiro foram contratados trabalhadores e engenheiros ingleses, deixando os nossos “jecas” a ver bois e vacas - aliás, a própria companhia se chamava “The São Paulo Railway”. Muitos de seus colégios são de origem inglesa. Seu cenário musical é composto por bandas que cantam em inglês e imitam o rock alternativo londrino. O próprio nome do Estado é uma homenagem à catedral de Saint Paul, em Londres.

Tão grande é a pagação de pau na terra dos bandeirantes que eles chegaram a copiar uma cidade inteira do interior da Inglaterra, com direito a casa de tijolos à vista, ruazinhas estreitas e linhas férreas. O lugar chama-se Vila Inglesa e fica nos arredores de Santo André - padroeiro da Escócia -, região serrana onde nevoeiros e dias frios são muito frequentes, mostrando que os paulistas cuidaram de imitar tudo nos mínimos detalhes. E, como se nada disso bastasse, o maior time da cidade, o Corinthians, copiou o nome de um clube inglês e o uniforme da seleção daquele país, exaltando o que chamou de “esporte bretão” em seu hino e elegendo São Jorge, padroeiro da Inglaterra, como seu santo protetor. Tanto é que os paulistas do rival do Corinthians, o Palmeiras, de origem italiana, são discriminados na cidade e chamados de “porcos” por não se adequarem à anglofilia reinante.

Nada mais precisamos dizer: paulistas são, e sempre foram, baba-ovos de ingleses. Até a eficiência e a industriosidade, características tipicamente britânicas, os paulistas fazem questão de proclamar como suas, assim como o ar superior e o pedantismo. Trata-se de um verdadeiro entrave de Sua Majestade em pleno território brasileiro. Não se de se esperar, portanto, que o seu futebol seguisse a mesma linha.

Pois bem. Esse time british-wannabe, proveniente de uma terra british-wannabe, repete o desempenho de sua pátria-mãe-wannabe quando se confronta com o autêntico futebol brasileiro. Foi o que aconteceu na noite de ontem, quando enfrentou o Grêmio Portoalegrense. O São Paulo veio determinado a fazer o que os ingleses sempre fazem, isto é, fechar o meio, anular a criação do time de adversário, jogar pelas pontas e cruzar para a área. Tentou até o desespero: os zagueiros do Grêmio chegaram a ficar com torcicolo de tanto assistir os lançamentos e cruzamentos dos são-paulinos pararem nas mãos do goleiro Vítor. Escalou também volantes de marcação, zagueirões trombadores e até o goleiro, Rogério Ceni, funciona como líbero, ajudando na marcação sempre que pode.Porém, assim como a Inglaterra em 1970 e 2002, o São Paulo, tão bom em imitar os outros, tremeu diante do que eles não são capazes de imitar: a criatividade. É o que os ingleses sempre temem quando jogam contra os sul-americanos. O São Paulo enfrentou o melhor jogador em atividade no Brasil e o maior canhoto do futebol brasileiro, Roger, o craque bossa-nova. Enfrentaram Léo, o Domingos da Guia mineiro, incapaz de dar chutão mesmo quando acossado por adversários dentro da pequena área. Enfrentaram Paulo Sérgio, o novo Cafu. Enfrentaram Soares e Perea, dupla endiabrada capaz de entortar qualquer zagueirão de muita altura e pouca qualidade técnica. Enfrentaram a jovem promessa Rafael - ora, vejam - Carioca, um volante habilidoso que poderá seguir os passos de Gerson ou Falcão. Enfrentaram ainda Rodrigo Mendes, craque experiente e habilidoso que jogou poucos minutos e deixou a zaga do São Paulo perdidinha da Silva com passes milimétricos. E isso que o Tricolor não tinha Anderson Pico e seus dribles desconcertantes. Ou Tcheco e seus passes milimétricos e chutes precisos que, inclusive, já devassaram a meta anglo-paulista. Já imagino o que os são-paulinos estão pensando sobre o jogo de volta em Porto Alegre, quando estes grandes craques brasileiros chegarem ao plantel do Grêmio.

O jogo Grêmio 1 x 0 São Paulo não foi apenas um jogo. O Grêmio, que historicamente cultua o verdadeiro futebol brasileiro, demonstrou ao São Paulo que imitar modas alheias não leva a nada. A sinceridade consigo mesmo, no futebol e na vida, é o que conduz às grandes vitórias, aos feitos grandiosos, às grandes façanhas que servem de modelo a toda a terra e que provocam nos estrangeiros a admiração pelo que é autêntico e próprio. O Grêmio, cujo hino foi composto por um dos maiores nomes da verdadeira MPB, deu aos paga-paus uma verdadeira lição de vida. E para quem quiser rever o golaço de Pereira em pleno Morumbi deixamos um exemplar desta verdadeira música que faz o São Paulo, e todos os paulistas, caírem da cadeira:

http://http://www.youtube.com/watch?v=MByVS9mhvzU&feature=related

http://http://www.youtube.com/watch?v=yLmu9FFgBQg

 

Maio 11, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 3 Comentários

Releituras de Kafka

 

Quem acompanha as tiras do quadrinista americano Peter Kuper na revista “Mad” pode esperar tudo, menos que ele seja capaz de fazer uma adaptação consistente de um clássico da literatura. Em sua seção, a popular “Spy vs Spy”, dois espiões dedicam suas vidas a planejar toda sorte de artimanhas para acabar com a vida do oponente. São historinhas simples e engraçadas que nos deixam a impressão de que Kuper é um humorista para adolescentes espinhentos e não um quadrinista sério como um Will Eisner ou um Alan Moore.
Pois bem. Quem acha isso de verdade deve ficar surpreso ao saber que o “superficial” Kuper é adaptador da obra de ninguém menos do que Franz Kafka, que pode ser acusado de tudo menos de leitura para adolescentes. Mais: que ele foi premiado por isso em 2004, recebendo o troféu de melhor arte seqüencial da Sociedade Americana dos Ilustradores pela sua versão de “A Metamorfose”. Ou seja, Kuper sabe muito bem o que está fazendo – e quem disto duvida pode conferir o recém lançado Desista! (Conrad Editora, 64 páginas).
O livro é composto de nove pequenas narrativas de Kafka publicadas postumamente pelo seu amigo Max Brod, que felizmente descumpriu a promessa de queimá-las após sua morte. Neles estão presentes todos os elementos característicos da obra de Kafka – o homem transformado em coisa pelo mundo burocratizado e dessacralizado, o indivíduo esmagado pela coletividade, o desespero advindo da falta de sentido para a existência - comprimidos em poucas páginas e palavras, o que só ajuda a fortalecer o tom sufocante próprio da narrativa de Kafka. Tom que casa muito bem com a técnica expressionista de Kuper e o seu reconhecido talento para produzir efeitos cinestésicos nos quadrinhos.

 

Onde encontrar:

www.conradeditora.com.br
(11) 33466088

 

Maio 8, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Não Há Comentários

Boa notícia e triste lembrança

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Lembro quando li uma edição completa da Folha de São Paulo pela primeira vez. Foi num sábado de abril, em 1999. Tínhamos acabado de fazer a assinatura do melhor jornal do Brasil e estava ansioso para poder apreciá-la na íntegra. Abri então o imenso jornal e tentei manuseá-lo meio desajeitadamente, acostumado que estava com os tablóides do Rio Grande do Sul. Parei na página 3, a dos artigos assinados. Vejo então o nome de Tarso Genro, figurão do PT gaúcho, ex-prefeito de Porto Alegre, então um dos nomes mais respeitados da política brasileira, no cabeçalho de um dos artigos. Não lembro do título, mas lembro do que ele, Tarso Genro, tido e havido como cabeça pensante, respeitado pela sua moderação no falar e no reivindicar, pedia nada menos do que o impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso. E por quê? Porque ele havia traído o povo brasileiro com suas falsas promessas e com o seu falso Plano Real, que estava levando a Nação à bancarrota. Naquela época, é bom lembrar, o país tinha acabado de sofrer uma grave crise cambial que levaria à necessidade de deixar o câmbio flutuar, em vez do sistema de bandas até então adotado.

O artigo obviamente me chamou a atenção, mas não consegui dimensionar naquele momento o que ele significava de fato. Depois, quando outros grandes nomes do PT começaram a atacar em bloco o governo e líderes de movimentos sociais engrossavam o tom, comecei a perceber que a esquerda inteira estava, em bloco, atacando o governo FHC justamente naquele momento delicado em que o país vivia, um dos muitos momentos delicados que vivemos entre 1995 e 2002. FHC bambeou, mas continuou firme e forte. Ninguém pediu seu impeachment.

É verdade o tempo muda muita coisa e que o travesseiro é um ótimo conselheiro, e que todos temos o direito de errar. Mas, mesmo assim, eu gostaria de saber se, diante desta notícia aqui, o distinto senhor que introduziu as minhas leituras daquele grande jornal, em todos os sentidos, que é a Folha ainda mantém sua opinião. Será que agora, provado e reconhecido que a sua triste manifestação, naquele triste momento, talvez deixasse o país eternamente distante do nível que ora atingimos, ele manteria sua posição? Não, provavelmente, não manteria. E não digo isso porque acredito que mudaria sua postura, que seria capaz de rever seus próprios e rígidos conceitos. Digo que não manteria porque o governo a ganhar com essa boa notícia seria o dele, e não o outro, ainda que todos os louros das vitórias que Lula alcança se devam, diretamente ou indiretamente, à permanência dos principais pontos consagrados pelo governo FHC. Seu projeto é de poder, não de governo. E é lamentável que eu, num momento tão bom quanto esse para o país, tenha me recordado não do que temos a ganhar com isso, mas do que já perdemos até agora.

Maio 2, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Não Há Comentários

Sem Ronaldo x Com Ronaldo

Hoje tem mais uma semifinal de UEFA Champions League. Barcelona e Manchester United se enfrentam no Camp Nou com ausência do Ronaldo brasileiro mas presença garantida do luso. C. Ronaldo foi blindado para esta partida pelo técnico do Manchester, Sir Alex Ferguson, que deposita no gajo suas principais esperança. O encontro também marca a disputa entre os dois principais atacantes argentinos do mundo na atualidade: Messi, do Barcelona e Tevez, do Man Utd devem começar a partida.

Barcelona: Valdés, Zambrotta, Milito, Márquez e Abidal; Touré Yayá, Xavi, Deco e Messi; Iniesta e Eto’o. Técnico: Frank Rijkaard.

Manchester United: Van der Sar, Brown, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Scholes, Giggs e Cristiano Ronaldo; Tevez e Rooney. Técnico: Alex Ferguson.

Abril 23, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Não Há Comentários

Clássicos em cordel

 

Os livros de cordel são uma das mais marcantes contribuições ibéricas para a cultura brasileira. Características do interior da Região Nordeste, vieram junto com os primeiros colonos de Portugal e constituem até hoje das mais prolíficas formas de arte popular em nosso país. Uma das vertentes mais ricas da literatura de cordel é a adaptação de clássicos da literatura ocidental, em especial os de origem medieval, para os versos dos cordelistas. Um dos mais adaptados é o Dom Quixote de la Mancha, de temática muito cara aos armoriais, assim como as antigas novelas de cavalaria e histórias de cunho religioso.

Seguindo essa tradição, a Editora Nova Alexandria lança agora a Coleção Clássicos em Cordel , cujos primeiros volumes acabaram de sair: O Corcunda de Notre Dame (48 páginas, 25 reais) e Os Miseráveis (48 páginas, 25 reais) , ambos do escritor francês Victor Hugo, sendo o primeiro adaptado por João Gomes de Sá e o segundo por Klévisson Viana. Ainda que fiéis à história original, os adaptadores deram às histórias um leve toque local ao situá-las em pequenas cidades do Nordeste, onde normalmente se desenrolam as narrativas de cordel. O que não deixa de ser um reconhecimento à filiação com a cultura da qual todos nós, de Norte a sul, descendemos: a cultura ocidental.

 

 

 

Abril 20, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Não Há Comentários

Romário - meninos eu vi!

Nossa geração cresceu ouvindo pais, tios e avós tecendo loas a jogadores de uma época de grandeza do futebol brasileiro. Dependendo da faixa etária do narrador, o exemplo de genialidade futebolística é Pelé, Falcão, Zico ou o que eles, privilegiados, viram desfilar pelos gramados brasileiros e assistiram ao vivo e a cores.

Já nós, da geração dos degredados, que pertencemos a um Brasil que não consegue manter em casa seus filhos que saem mundo a fora em busca da realização profissional e financeira que sua pátria lhes nega, vimos esta tendência também no futebol. E assistimos os grandes virtuoses da bola aqui revelados brilharem em gramados estrangeiros, sem que pudéssemos desfrutar por muito tempo de suas jogadas geniais em nosso país.

Havia, entretanto, uma exceção: Romário.

Uma tia minha disse que quando Romário fazia gol em seu time chegava a ser uma honra. Sem chegar a tanto, posso dizer que, quando ele entrava em campo com a camisa do Vasco, do Flamengo ou de outro time, parecia que estávamos fazendo parte de uma importante página da própria história do futebol brasileiro. Parecia que voltávamos ao tempo romântico dos craques identificados com clubes, como o Flamengo de Zico, Renato do Grêmio ou o Inter de Falcão. Romário não identificou-se com um clube, mas com uma cidade - o Rio de Janeiro - e jogou em quase todos os seus grandes clubes, à exceção do Botafogo de Garrincha. Romário nunca gostou muito de correr, assim como seus conterrâneos cariocas. Preferia que algum atacante veloz e habilidoso, como Bebeto, Ronaldo, Muller ou Renato, levasse a bola até a área onde era rei. Ali ele faria o que era necessário fazer, e sempre o fez com perfeição. Duvido que outro atacante, na história do futebol, soubesse se colocar tão bem dentro da área e acertar o gol com tanta precisão. Símbolo máximo disso foi o seu gol contra a Suécia, na Copa de 1994, saltando mais alto do que todos os gigantescos zagueiros nórdicos. Além disso, um atacante que, aos 39 anos, foi artilheiro do Campeonato Brasileiro.

Romário parou e deixará saudades. E nossa geração poderá, assim como as que nos antecederam, dizer com orgulho: meninos, eu vi um gênio do futebol jogar.

Abril 16, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Não Há Comentários

Reaprendendo a ler

A palavra se desvaloriza no mundo inteiro. A falta de leitura, cada vez maior, é apenas um dos sintomas disso: as propagandas são cada vez mais óbvias, as tiragens de jornais e revistas, mais curtas, e as letras de música, mais simples. É preciso explicar metáforas para o homem urbano médio, porque ele não compreende mais o sentido simbólico das palavras de sua própria língua. É um fenômeno típico da sociedade industrial: nas feiras do interior do Nordeste, sertanejos semi-analfabetos compõem poemas com métrica e rima e contam as sílabas em pés, como Homero, para platéias de agricultores e jagunços. Enquanto isso, em qualquer metrópole, um estudante universitário não consegue entender Camões ou Castro Alves.

É para esse leitor que se destinam as lições de A Análise Literária, de Massaud Moisés, professor de teoria literária na USP. Que ninguém se engane com o título e nem com o que o próprio autor postula na introdução: não se trata de uma obra destinada apenas aos acadêmicos. Aliás, o título que a obra trazia na sua primeira edição – “Guia prático de análise literária” – era mais apropriado ao que ela propõe. Massaud Moisés quer nos ensinar, a todos nós, a ler poemas, contos, crônicas e romances. Ensina a apreciar uma metáfora, a acompanhar o percurso de um personagem num romance, a entender a diferença entre uma crônica e um conto. Dá conselhos que têm um sabor de novidade, mas que, no passado, estariam em qualquer manual de literatura do ensino secundário. O que o professor Massaud Moisés parece querer, veladamente, é fazer com seus alunos leiam e avaliem um livro com a mesma naturalidade com que nossos avós o faziam.

Abril 14, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | 1 Comentário

Ainda as cotas ou Apontamentos a partir da leitura de um jornal

Quem passeia pelo Brique da Redenção nas manhãs de domingo volta para casa bem informado. Enquanto olha os discos de vinil ou procura edições pré-históricas da revista O Cruzeiro, o transeunte toma contato, e à sua revelia, com a fina flor da imprensa alternativa portoalegrense, de informativos de grupos GLS a folhetos de cartunistas.

Um desses jornais intitula-se, muito simplesmente, Jornal do Centro. Na sua edição de dezembro do ano passado, este jornal trouxe uma matéria sobre um tema então candente: a questão da aprovação das cotas raciais na UFRGS. Não se pode dizer que a matéria discutiu a questão, como seria natural em um texto que não é opinativo. Veremos a seguir porquê. Importa, por enquanto, comentar brevemente algumas passagens do texto.

A primeira frase do texto é a seguinte:

O Brasil é o país com a segunda maior população negra do mundo”

Este é um dos argumenos mais frequentemente utilizados pelos defensores das cotas raciais. Segundo eles,  aproximadamente metade dos brasileiros pertenceriam a esta etnia, contabilizando assim 90 milhões de negros em todo o país. De acordo com esse número, apenas a Nigéria, com seus 125 milhões de habitantes - quase todos desta cor - teria mais negros do que o Brasil em números absolutos. 

Uma olhada de perto nas estatísticas desmonta essa idéia.  Os 90 milhões a que aludem os pró-cotas incluem aí os mestiços - 43% da população - junto aos negros - em torno de 6%. São pessoas que possuem tanto origem africana quanto européia. Aliás, muitos destes mestiços sequer têm origem africana: são mistura de índios e europeus, como é o mais frequente nos Estados das regiões Norte ,Centro-Oeste e em partes do Sul do país, sobretudo nas áreas próximas à fronteira com a Argentina e o Paraguai. Essa estatística de 90 milhões de negros é, portanto, totalmente fictícia e serve apenas à propaganda dos cotistas, que empregam aí o critério do censo norte-americano, segundo o qual é negro todo aquele tenha algum ancestral de origem africana. Esquecem eles, porém,  que naquele país a miscigenação entre negros e brancos - excluídos aí os mestiços provenientes da América Latina e do Caribe - é raríssima, sendo assim o negro americano quase sempre um tipo puro, sem qualquer origem européia. O que, definitivamente, não é o caso do Brasil.

Logo depois, a mestranda em Letras Luanda Sito, participante do Grupo de Trabalho pelas Ações Afirmativas, diz o seguinte:

“Uma população não está ingressando aqui e o item racial é bastante importante para este não-acesso”

Outra afirmação muito discutível. O vestibular não discrimina ninguém pela cor. Na escola, as turmas não são divididas pela cor. Nos concursos, idem. O item racial só pode ser ímportante se considerarmos o racismo presente na sociedade como um obstáculo a ser ultrapassado pelo negro. Só que esse racismo não é oficial. Aliás, há garantias legais contra ele. Como é possível, portanto, afirmar que o item racial seja tão importante assim?

A mesma Luanda comenta as pichações racistas que apareceram nos prédios da UFRGS da seguinte maneira:

“Essas manifestações que ocorreram foram uma reação à promoção de direitos de igualdade. O que é normal, pois quando você quebra privilégios de um grupo ele tende a reagir negativamente”.

A qual grupo a sra. Sito se refere? Aos que picharam os muros? Aos alunos da UFRGS? Se a referência for a estes últimos, ela está enganada. Os alunos que estão na universidade, de qualquer cor de pele, não são “privilegiados”. Entraram por meio de um concurso público com chances iguais e ali estão por mérito próprio. Se o grupo aludido for o daqueles que picharam os muros, então a questão muda de foco. Racistas são contra negros em qualquer lugar, não apenas na universidade.

Por fim, a matéria traz uma declaração de um estudante sobre a questão. Diz ele: “A aprovação das cotas criará um apartheid social dentro da UFRGS. Ficarão os aprovados por mérito de um lado e os cotistas do outro”.  Ao que respondeu a sra. Sito:

“Este apartheid já existe”

Difícil imaginar que a sra. Sito seja mesmo estudante do mestrado da UFRGS. Este que aqui escreve estuda na mesma universidade e no mesmo instituto que ela e nunca viu nada parecido com apartheid desde que lá ingressou. Ao contrário: a regra é ver alunos negros, brancos e mestiços no mesmo espaço, estudando juntos, fazendo trabalhos juntos e divertindo-se juntos. Assim é dentro da Universidade, e assim é também fora dela. As manifestações racistas, se ocorrerem - e este articulista nunca viu nenhuma - com absoluta certeza serão imediatamente reprimidas não pelos órgãos oficiais da universidade, mas sim pelos próprios alunos, sejam eles de qual etnia forem.

E agora, perguntamos: onde está o outro lado da questão? Onde estão os estudantes e professores que são contrários a esta medida? Onde estão os representantes da tendência oposta? A matéria trata a questão das cotas como o único remédio possível contra o racismo e os seus defensores como uma espécie de paladinos da igualdade contra o preconceito. Ao escolher apenas um lado da questão, essa matéria contribui para a divulgação de uma idéia baseada em falsos preceitos e que, ao contrário de diminuir o preconceito racial, só irá aumentá-lo.

 

Abril 14, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Não Há Comentários

Berlusconi vem aí

Como você qualificaria alguém que:

- É presidente de um dos maiores clubes do planeta, que é também atual campeão mundial de clubes; nesse time joga o melhor jogador do mundo.

- Dono de uma das maiores galerias de arte da Europa;

- Dono da Fininvest;

- Apesar de contar mais de 70 anos, é frequentemente visto com modelos com menos da metade da sua idade;

- É bilionário;

- É a pessoa mais rica da Itália e a 15a. do mundo;

- Dono da maior rede de televisão da Itália;

- Suspeita-se que tenha ligações bem amistosas com a Máfia, da Camorra e outras organizações criminosas da Europa;

- Produtor de cinema bem sucedido, já faturou um Oscar com o filme “Mediterrâneo”

- Amigo íntimo da maçonaria;

- E, como se tudo isso não bastasse, já foi primeiro ministro da Itália duas vezes e pretende sê-lo pela terceira vez.

Sua última frase:

“As mulheres de direita são muito mais bonitas do que as de esquerda”.

Acrescentou ainda que:

“A primazia feminina é dentro das paredes domésticas, mas fora de casa é discutível”

Por tudo isso, e por muito que não dissemos, o blog Perspectiva diria que o sr. Silvio Berlusconi é, em bom português, um cidadão que pode. Simplesmente isso.

Abril 12, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes, Política | | Não Há Comentários

O aquecimento global é uma farsa?

É o que diz o meteorologista paulista Luis Carlos Molion neste entrevista à revista Isto É. Suas idéias foram alvo de muita polêmica no último Fórum da Liberdade. Molion diz, entre outras coisas, que as teses ambientalistas de controle de recursos naturais são invenções dos países ricos para impedir o crescimento econômico dos países mais pobres, entre eles o Brasil.

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1967/artigo55150-1.htm

Este artigo contém outras informações detalhadas.

http://www.alerta.inf.br/news/1097.html

Abril 10, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Ciência & Saúde | | Não Há Comentários

As oportunidades de Lula

Podemos criticar o governo FHC em muitos pontos, mas ninguém pode negar que o ex-presidente tucano vem dando verdadeiras lições de como um verdadeiro homem público deve se comportar. Depois que deixou a Presidência, Fernando Henrique não seguiu o rito comum a muitos ex-presidentes que recolhem-se à vida privada, aos chinelos, à novela das oito e os netinhos. Fundou um Instituto com seu nome, dá palestras e cursos, escreve livros e publica artigos periodicamente na grande imprensa brasileira. E volta e meia tem momentos luminosos que servem - ou deveriam servir - de lição para o seu sucessor.

Um deles é este artigo, publicado no jornal Zero Hora na última semana:

Fernando Henrique Cardoso Oportunidade perdida

Seu título é “Oportunidade perdida” e sua leitura nos mostra que a distância entre Fernando Henrique e Lula não é apenas de origem social. Tampouco podemos medi-la pelas dezenas de anos de estudo que um tem a mais do que o outro. O que os separa é a maneira de encarar o país em que vivem e o mundo que os cerca.

Após saudar a iniciativa de Barack Obama em criticar abertamente as palavras racistas do seu suposto mentor espiritual, o pastor Jeremiah Wright, Fernando Henrique a compara com as atitudes recentes de Lula:

“Que diferença! Seria demais esperar que Lula, que também é símbolo de uma sociedade dinâmica em que as forças da mobilidade social contam mais do que a origem, percebesse que o País, para avançar, precisa realizar o muito imperfeitamente realizado ideal da igualdade perante a lei e que a moralidade pública é condição da igualdade republicana, e não preocupação de privilegiados? Não é isso que se deveria esperar do chefe da Nação? O que se vê, porém, é um presidente que não hesita em reviver a velha cantilena dos “dois Brasis”, da elite branca e dos oprimidos, dos maus e dos bons, e não raro justificar as práticas políticas mais atrasadas. Isso num país que o colocou no topo da vida pública e que se caracteriza por ter uma elite composta pelos “brancos da terra”, tisnados com orgulho pelos mais variados sangues, do indígena ao europeu, do negro ao asiático.”

A seguir, lembra do episódio lamentável - e francamente ridículo - do nosso presidente em Pernambuco, ao fazer uso interesseiro do ressentimento da platéia contra os sulistas que supostamente os desprezam:

“Para afagar Severino Cavalcanti, chamou-o de vítima do preconceito das elites de São Paulo e do Paraná, que teriam urdido uma trama para seu afastamento da vida pública. Teoria conspiratória risível, se dita por uma pessoa comum. Inaceitável, porém, vindo do presidente da República.”

Inaceitável e preocupante. Lula mostra assim, sem retoques, a sua faceta amiga de Chávez e Morales, que também brincam com a questão racial para angariar apoio popular e dividir nações ao meio através da cor e da origem. Lembra aquela criança pobre que, enraivecida pela popularidade de um menino mais bonito e rico, aponta-lhe o dedo na frente de todo o mundo e grita aos quatro ventos: “Ele despreza a gente, sabiam?”. Engraçadinho e previsível no caso da criança. Inaceitável, para alguém que, em princípio, deveria colocar-se acima de tudo isso. Só que Lula, o mesmo que assume ar bonachão de dono de padaria, que admite gostar de samba, futebol e novela, que chama o presidente dos EUA de “cumpanhêro Búshi” e que se veste de caipira em Festa Junina, recusa-se a assumir, nem por alguns minutinhos, uma postura um pouco mais altiva, mais sóbria, mais, digamos, compatível com o cargo de comandante máximo da oitava economia do mundo.

São bem conhecidos os frutos dessa política nojenta. Nos países africanos, fazendeiros brancos são brutalmente assassinados pelo simples fato de serem brancos. Na Espanha, bascos explodem bombas como vingança pela barbárie cometida por Franco. Até mesmo nos EUA, velhos políticos sulistas saudosos da segregação dão força para grupos racistas por que não querem ver descendentes dos seus escravos mandando em grandes empresas. Lula está querendo fazer a mesma coisa. Irresponsabilidade? Provável. Ignorância? Também. Mas também pode ser plano bem arquitetado de conquista de espaços dentro do eleitorado, trazendo para si uma faixa de público que adora um bode expiatório para acalmar seu ressentimento.

E é com preocupação que o ex-presidente pergunta:

“Será a prévia do que virá pela frente na campanha eleitoral de 2010?”

Infelizmente, há bons motivos para pensar que sim. Esse discurso mesquinho e tosco já demonstrou ter vida longa num país onde as cotas para negros foram aprovadas e os seus opositores foram tachados de racistas, inimigos da igualdade e neo-escravagistas, mesmo que entre eles se encontrassem muitos negros. E aí podemos diferenciar essencialmente os governos Fernando Henrique e Lula, bem como as suas personalidades. No governo FHC, a questão de quebra de patentes dos remédios foi tomada pelos estrangeiros como uma afronta aos princípios básicos do livre comércio. O Brasil foi muito elogiado, mas também muito criticado pelos grandes grupos econômicos. FHC - ou melhor, o ministro José Serra- manteve-se firme e, hoje, o Brasil é referência no combate à AIDS em todo o mundo. FHC ainda desapropriou centenas de milhares de hectares - alguns deles indevidamente -, deu polpudas indenizações para quem foi prejudicado pelo Regime Militar e destruiu ACM e sua descendência política. Ousou bastante, portanto. Mas sempre soube, como sociólogo de formação que é, o perigo de mexer em estruturas básicas da formação cultural brasileira. E uma destas - talvez a principal - é a miscigenação. FHC sempre deixou claro que o discurso racialista era, em se tratando de Brasil, é não só mentiroso e redutor como perigosíssimo. Importado de centros onde ele, por uma série de variáveis de ordem cultural, se fez necessário - nomeadamente, os Estados Unidos da América -, ele corria o sério risco de adaptar-se mal a um ambiente onde as condições que o engendraram não existem ou, se existem, estão configuradas de maneira muito diferente e gerando resultados muitos diferentes também. Por isso sempre se pôs contra as cotas universitárias, apesar de, com isso, ter a grande chance de ganhar a simpatia de certa parcela engajada da comunidade negra. Por isso nunca usou de baixos expedientes retóricos ao falar em áreas mais pobres do país. Por isso nunca falou do Brasil como uma gigantesca - e grotesca - antítese entre proletariado e elite, tão cara aos ouvidos dos admiradores de Stalin e Mao, respeitando a complexidade do país e reconhecendo que não seria pelo confronto direto entre “civilizações” diferentes que resolveríamos os nossos problemas. Lula não tem essa preocupação. Lula não entende nada disso. Provavelmente sequer entende este texto. Provavelmente sequer sabe o que Fernando Henrique quer dizer quando lamenta, no fim de seu artigo, que a “oportunidade se está perdendo pela falta de visão de quem lidera”. Porque Lula, com todas as suas apologias aos laços “de sangue” (palavras suas) que o unem à população brasileira, com todos os anúncios de coisas que “nunca antes nesse país” foram feitas, com seu sorriso e sua camaradagem tão brasileiras, não entende nada do país que ele próprio governa. Se tivesse a mínima noção do que está fazendo e do que deveria fazer ele aproveitaria as inúmeras oportunidades que lhe passam à frente, não de construir um novo País, como FHC lhe pede, mas sim apenas as de ficar quieto.

Abril 8, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

Cosmólogo apresenta provas de que Deus existe

Os gregos procuraram. Os escolásticos também. Leibniz idem. Kant deixou a questão de lado e Nietzsche enlouqueceu ao tentar matá-lo. Nestes últimos 2500 anos a humanidade vem tentando demonstrar racionalmente que Deus não é apenas um personagem interessante de algum épico antigo ou uma resposta psicológica aos nossos medos pessoais. Ao que parece, ninguém chegou a conclusões definitivas, e é por isso que poetas, pensadores e místicos continuam sofrendo por aí. Deus, se existe, ainda não se deu a conhecer. E é bom que ele exista, senão, como lembrou Dostoievski, tudo será permitido.

Sem poder aguentar mais tanto sofrimento, o cosmólogo Michael Heller pôs-se a trabalhar para resolver a questão. O resultado foi a comprovação matemática - sim, matemática - da existência do criador, para gáudio dos fiéis e desapontamento dos céticos.

Quem quiser saber mais leia aqui:

 

Abril 4, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Ciências Humanas | | Não Há Comentários

Brincando de Araguaia

http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2004/artigo75944-1.htm

Anhanga, na língua da tribo indígena uru-eu-wau-wau, que habita boa parte do Estado de Rondônia, significa inferno. Ireroa quer dizer guerra. Os dois substantivos traduzem de forma literal o clima que tomou conta dessa parte do País por causa das ações da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), uma organização de extrema-esquerda que treina homens armados em busca de uma “Revolução Agrária” e que já tem nove vezes mais combatentes que o PCdoB na Guerrilha do Araguaia

LCP arregimenta para suas fileiras miseráveis sem terras, jovens de classe média do movimento estudantil, através do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e sindicalistas ligados à Liga Operária e Camponesa (LOC)

Isso é para quem faz pouco daqueles jovens meio sujinhos usando camisas rasgadas, mochilas do Fórum Social Mundial,  Havaianas estrategicamente gastas e cabelos desgrenhados que abundam em nossas universidades. Há quem pense que eles estão brincando de revolução e que, chegando aos 30 anos, vão deixar essas bobagens de lado para viverem uma vida normal. Infelizmente, isso não parece ser verdade. Essa gente está falando e pensando em coisas bem sérias. 

Se bem que, num certo sentido, o que eles estão fazendo é mesmo uma brincadeira. Como vivem num regime democrático e não têm sequer a tutela dos pais para refrearem seus impulsos, esse pessoal inventou um joguinho onde eles criam um espaço para fazerem guerrilha. Só que, como Jan Huizinga já demonstrou, os jogos podem ser brincadeiras, mas suas regras são bem sérias.

Por outro lado, falando de maneira bem objetiva, esses grupelhos não são grande motivo de preocupação. São uns desordeiros que qualquer polícia bem equipada destrói em poucas horas. O problema é que o governo simplesmente não lhes dá importância  e não os têm como criminosos - e isso, sim, é um grande motivo de preocupação.

Março 31, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Não Há Comentários

O melhor time do mundo

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A primeira coisa que chama a atenção de quem assiste aos jogos do Manchester United é a sua formação. Contrariando a tradição britânica do 4-4-2 com duas linhas de quatro e dois atacantes (responsável, aliás, pela péssima e nem sempre justificada fama do futebol inglês em nosso país) o treinador escocês Alex Ferguson costuma colocar o time em campo num 4-3-3, algo pelo menos extravagante no futebol de hoje e mais ainda na merry old England, que não sabe o que são pontas desde que Stanley Matthews abandonou o futebol. Na direita, o português Cristiano Ronaldo, que Felipão, com muita justiça, já comparou a Renato Portaluppi. Na esquerda vai o galês Ryan Giggs, inteligente, driblador e com um toque mágico na canhota. No meio vai Wayne Rooney, centroavante de grande movimentação e participação nas jogadas ofensivas. Tanto Giggs quanto Ronaldo dão o primeiro combate e ajudam na marcação, motivo pelo qual alguns consideram o esquema de Ferguson uma espécie de 4-5-1 com dois meias avançados. A meu ver, isto é incorreto: nas décadas de 70 muitos pontas já ajudavam na marcação da saída de bola e nem por isso deixaram de ser considerados atacantes.

O meio-campo do Manchester United é o que dá sustentação ao 4-3-3 de Ferguson. Não há um cabeça-de-área fixo: Michael Carrick fica à frente da zaga, mas sai para o jogo, faz lançamentos e chuta com força quando é há oportunidade. Um pouco à sua frente, o brasileiro Anderson, em maravilhosa adaptação ao futebol inglês, também ajuda na marcação e dá velocidade à saída de bola. Ao lado de Anderson joga o experiente Paul Scholes, verdadeira lenda em Old Trafford, titular do United desde 1994 e com mais de 500 partidas disputadas pelos Red Devils. Scholes é o maestro do time: arma com perfeição, seu passe é perfeito - são famosos os seus lançamentos em profundidade para Ronaldo ou Giggs -, tem um chute muito potente e criatividade raríssima em jogadores ingleses, sendo capaz de confundir os duros zagueirões da Premier League com passes inesperados de calcanhar e leves toques por cima da defesa. Além disso, ajuda muito na marcação. Como o futebol atual praticamente eliminou a idéia de meio-campista, dividindo os jogadores do setor entre meia-atacantes e volantes, Scholes seria uma espécie de “meia-volante”, como Paulo Roberto Falcão no Internacional dos anos 70. Aliás, seu futebol já foi várias vezes comparado ao do maior ídolo da história do futebol inglês, o meia Bobby Charlton, tão cerebral e devotado à equipe quanto ele. Scholes foi titular absoluto do English Team durante 7 anos, abandonando o posto em 2004 alegando problemas pessoais (na verdade, especula-se que a verdadeira razão era a dificuldade dos treinadores da seleção em achar um lugar para ele em seus esquemas rígidos e tolhedores de talento). Tivesse ele continuado na seleção e fosse o campeonato inglês tão prestigiado quanto o italiano ou o espanhol (sim, alguns preconceitos ainda subsistem), Paul Scholes seria considerado, com absoluta justiça, um dos melhores jogadores do mundo, do nível de Kaká ou Messi e certamente superior a Pirlo ou Ballack.

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A defesa do United é mutável, sendo difícil estabelecer qual a escalação oficial. Um titular absoluto é o zagueiro Ferdinand, que Felipão considera o melhor do mundo, tão técnico e habilidoso que faz as vezes de lateral ou volante quando o time vai para o ataque. O outro é o lateral francês Evra, com um fôlego de fazer o supervalorizado Paulo Sérgio, do Grêmio, parecer uma velhinha asmática. Vidic, o outro zagueiro, não é um grande primor de técnica, mas é forte e muito bom no jogo aéreo. Gary Neville, o irlandês O´Shea e outros jogadores se revezam na lateral-direita. No gol, o experiente Van der Sar, conhecido dos gremistas por razões já sabidas.

No fim das contas, o que o Manchester United tem de tão diferente do Milan, do Arsenal, do Real Madrid, do São Paulo, do Boca ou de qualquer outra grande equipe do futebol mundial? A um tempo, a ousadia e o tradicionalismo. Alex Ferguson foi ousado em retomar um esquema que muitos consideravam obsoleto e inaplicável ao futebol atual, adaptando-o aos excelentes jogadores que tinha em mãos. Para isso , fez uso de uma velha receita que muitos treinadores atuais parecem ter esquecido: disciplina tática a serviço da criatividade, e não o contrário. O resultado está aí: o Manchester United joga diferente do Milan, do Arsenal, do Chelsea, do Real Madrid e do São Paulo - e é melhor do que todos eles.

 

Março 25, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 3 Comentários

Os sequelados da guerra urbana

Menina baleada durante assalto deve ficar tetraplégica

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u383023.shtml

Em Angola, na Colômbia ou em qualquer outro país em guerra declarada temos estatísticas claras de quantos são os mutilados por minas, armas de fogo, bombas, etc, etc. Será que já não seria caso de fazermos o mesmo por aqui?

 

Março 21, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Geral | | Não Há Comentários

Arthur C. Clarke (1917-2008)

No dia 18 de março, o escritor britânico Arthur C. Clarke, autor de “2001 –Uma Odisséia no Espaço”, morreu aos 90 anos. Como forma de homenageá-lo, publico aqui agora um dos primeiros artigos meus que saíram no jornal O Timoneiro, de Canoas. Curiosa­mente, há exatos dez anos, neste mesmo 20 de março. Na época, tinha 14 anos e era um grande apreciador das obras de Clarke, então já acometido pela doença que viria a vitimá-lo. Doença que não foi suficiente para tirar o que ele chamou de “mente de borboleta”, radiante e ativa até o fim. Para os que ficam, permanece uma obra que elevou a ficção científica ao patamar de arte genuína e anteviu muito deste mundo de hoje.

 

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Março 20, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Não Há Comentários

Dia de São Patrício - 17 de março

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Se houve algum cristão nestes últimos dois mil anos que mereceu ganhar o título de “santo”, esse alguém foi São Patrício. Duvida? Pois imagine-se na posição dele. Menino rico, filho da aristocracia na província romana da Bretanha, acostumado à boa comida, à cama quentinha, à paparicação e ao melhor que a civilização clássica tinha a oferecer, de repente vê-se privado de tudo isso por um fato inusitado: um sequestro por um grupo de bárbaros de uma ilha vizinha à sua, tão bárbara que nem o Império Romano teve coragem de nela penetrar. Davam a esta ilha o nome de Hibernia, isto é, a terra do eterno inverno, onde o número de dias de chuva superava os de sol por larga distância e o frio variava entre o desagradável e o congelante - bem diferente, portanto, da ensolarada Roma à beira do Mediterrâneo, vizinha da Grécia, do Egito, da Pérsia, da Fenícia, enfim, da civilização. A Hibérnia ficava longe de tudo isso, assim como seus habitantes. Os hibérnicos não sabiam o que era alfabeto, matemática ou conceitos abstratos, e nem queriam saber. Seu único interesse era a guerra, sua religião cheia de heróis sanguinários, muita comida e uma bebida feita a partir de malte capaz de encher os corações dos guerreiros hibérnicos de força e alegria. Era conhecida como “água da vida”- uisguey beatha no seu idioma original, o gaélico. Neste idioma os hibérnicos chamavam a sua terra natal de Eairann, “Verde”, em referência à cor predominante na paisagem. Um vasto campo entremeado por alguns bosques e montes aqui e ali, sem muitas flores para tingir a terra de outras cores. Alguns séculos depois, os anglo-saxões invadiriam a Hibérnia e usariam o termo dos hibérnicos para designar o lugar: Eireland, a terra do verde. Com o fim do Império Romano, a palavra Hibérnia caiu em desuso e o surgiu o nome pelo qual o país seria conhecido a partir de então: a Irlanda.

Sem saber nem da metade disto que foi dito acima - mais precisamente, só até a parte da “ilha tão bárbara que os romanos nem quiseram invadir -, o menino Patrício foi jogado num porão de navio, acorrentado, sem cobertores, conforto, comida ou carinho e levado até uma fazenda num canto daquela ilha para servir de escravo. Passou alguns anos ali cuidando de cabras e cães selvagens, já naquela época um dos mais conhecidos produtos de exportação da Irlanda. Um dia, quando foi para a Bretanha vender a mercadoria, seu navio foi atacado por uma horda de vikings que, como de costume, trucidaram toda a tripulação. Patrício conseguiu fugir e esconder-se num monastério, onde foi adotado pelos monges, educado e ordenado padre. Perguntaram a ele onde queria trabalhar. Talvez em algum lugar do continente, onde o Império Romano em ruínas ansiava pela conversão dos seus novos governantes, os bárbaros germânicos. Talvez na própria Bretanha, ainda presa aos costumes pagãos de origem celta. Patrício escolheu nada menos do que a Irlanda - sim, aquela mesma. Tarefa impossível? Não para ele, que sobrevivera a dois ataques bárbaros.

O ex-escravo Patrício conseguiu explicar aos irlandeses  - os mesmos que o haviam aprisionado e escravizado - que Deus poderia ser uno e trino ao mesmo tempo usando apenas um trevo, que não era mais preciso sacrificar velhos e crianças para salvar a tribo porque um homem chamado Jesus já se havia sacrificado por toda a humanidade e que ele próprio era o exemplo vivo da força santificadora do perdão e da caridade. Os irlandeses não esqueceram disso e até hoje chamam seus filhos de Patrick, põem trevos no peito de seus clubes de futebol e todos os anos, no dia 17 de março, reúnem-se nos bares em todo o mundo para comemorar a graça de terem conhecido a este homem extraordinário com muitas, muitas doses de uisgue beatha , belas canções, camaradagem, fé e a alegria sincera dos cristãos verdadeiros.

Março 19, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Geral | | Não Há Comentários

Brasileiros na Espanha - um outro ponto de vista

Leia aqui a matéria da BBC 

Ninguém pode deixar de sentir-se indignado com o tratamento recebido pelos físicos brasileiros Pedro Luiz Lima e Patrícia Rangel no aeroporto de Madrid. São duas pessoas qualificadíssimas, formadas pela melhor universidade da América Latina, alunos de mestrado, prontos para participar de um congresso sobre a matéria em Lisboa, sem nada que os qualificasse, portanto, como imigrantes ilegais ou criminosos. Pois foi exatamente este o tratamento. E a reação da mídia foi imediata: os envolvidos foram entrevistados, os analistas políticos discutiram a questão, houve muita indignação, enfim. Injustiça. Foi o termo mais usado: injustiça. Não merecemos essas coisas que eles fazem conosco.

Não mesmo? Num certo sentido, não mesmo. Nem todos aqueles que vão à Europa são virtuais infratores da lei.  Nem todos vão trabalhar ilegalmente. Nem todas as mulheres vão parar na prostituição. Há aquelas famílias que vão apenas visitar um lugar diferente, passar uns dias, comer em bons restaurantes, conhecer os monumentos, divertir-se um pouquinho. Só isso. Nada de muito incômodo. E decerto não foi por causa destas pessoas que as autoridades de imigração da Espanha barraram os brasileiros. Não foi também por aqueles que foram para este país legalmente em busca de emprego. Não foi também pelos estudantes universitários que para lá vão fazer mestrado ou doutorado. Nem pelos jogadores que alegram os domingos espanhóis depois da siesta. Não é este tipo de brasileiro que faz a nossa má fama no exterior, fama esta que já está suficientemente espalhada ao ponto de, em muitos lugares, a palavra “brasileira” trazer um sentido semelhante ao que “polaca” tinha em nosso país no passado. Assim como é sabido que por muito tempo brasileiros ingressaram na Espanha utilizando diversos estratagemas que funcionaram por algum tempo.  Em 2007,  diariamente cerca de 20 brasileiros foram barrados no aeroporto de Barrajas, local de entrada de 55% dos que pretendem entrar na Espanha. Não é preciso explicar mais.

A reação veio sem demora. Já somam dezenas os espanhóis barrados em nossos aeroportos, e pelos mais variados motivos: problemas no passaporte, falta de dinheiro, falta de comprovante de residência ou hospedagem, enfim, tudo o que se espera do turista bem-intencionado (veja aqui o vídeo com a matéria). Alguns analistas (brasileiros, é bom que se diga) vêem nisto um ressentimento pueril, reação típica de paisecos complexados diante da força de um grandalhão poderoso. Discordo. Não se trata de discriminar a quem quer que seja. Exigir do estrangeiro que adentre solo nacional algumas condições mínimas para sua permanência sem sobressaltos não é discriminação: é apenas a lei - a mesma lei que os europeus e americanos cumprem. E é justamente isto que preocupa nessa história toda. Na Espanha, o exagero dos funcionários levou a arbitrariedades, arrogância e violência; no Brasil, o exagero dos funcionários levou-os a cumprir a lei.  Antes da Espanha deportar brasileiros a entrada de estrangeiros no Brasil prescindia dessas exigências pelo que a repercussão dos que foram barrados agorademonstra. Pelo visto,entrava qualquer um, estivesse ou não com passagem de volta marcada, estivesse ou não com dinheiro no bolso, estivesse ou não com hospedagem garantida, estivesse ou não com boas intenções. Entrou muita gente de bem, sim. E entrou muita gente má - muitos traficantes, de drogas e de pessoas, muitos pedófilos, muitos turistas sexuais, muitos criminosos foragidos. E continuariam a entrar, não fosse o escândalo que a Imigração espanhola ajudou a provocar. Carregando um pouco na ironia, poderíamos dizer que os espanhóis prestaram um grande serviço ao povo brasileiro, já que fizeram os nossos governantes exigirem dos funcionários apenas o mínimo que deles se esperaria. Infelizmente, nem isso está garantido. Quando a poeira baixar, essa coisa de cumprir a lei já vai cair por terra. E prevalecerá, como sempre, o  velho adágio - de origem ibérica, aliás -, traduzido para todas as línguas e aplicado com fervor neste canto do mundo: para os amigos, tudo. Para os inimigos, os rigores da lei.

Março 16, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Não Há Comentários

Faculdade de Letras da PUCRS promove Colóquio Internacional

  

        A Faculdade de Letras da PUCRS promove, nos dias 27 e 28 de março, o “Colóquio Internacional Relações Literárias Brasil Portugal”, com apresentação de trabalhos e painéis, além do lançamento do livro “Mar Horizonte” e da “Revista Navegações - Revista de Literaturas e Cultura de Língua Portuguesa”.

O livro é uma coletânea de ensaios sobre literaturas insulares, publicado pela Editora da PUCRS (ediPUCRS) e a revista é uma edição conjunta da PUCRS e Universidade de Lisboa, com editoria das professoras Vânia Pinheiro Chaves, da Universidade de Lisboa, e Maria Eunice Moreira, da PUCRS.

Na oportunidade também acontece uma exposição sobre a Bibliografia de David Mourão-Ferreira na sala 305 do prédio 8.

        Estarão presentes na abertura oficial do evento o Reitor da PUCRS, Joaquim Clotet,os diretores da Faculdade Porto-Alegrense (FAPA), do Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter), o cônsul de Portugal, diretores de Faculdades e outras autoridades.
        As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na secretaria do Programa de Pós-Graduação em Letras, prédio 8, sala 421, no Campus Central da PUCRS (avenida Ipiranga, 6681 - Porto Alegre).

As vagas são limitadas.

Informações complementares pelo telefone (51) 3320-3676.

Detalhes sobre a programação do evento podem ser acessados na página: www.pucrs.br/fale/coloquio.html.


Fonte :Ascom PUCRS

http://www3.pucrs.br/portal/page/portal/pucrs/Capa/Noticias?p_itemid=343420

Março 14, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Não Há Comentários

Condô do pandeiro

Secretária Condolezza Rice mostra para o mundo o que é que a americana tem.

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Março 14, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico | | Não Há Comentários

Para quem defende as FARC…

……..um vídeo, digamos, esclarecedor.

http://www.youtube.com/watch?v=cU8ujG9M7So&feature=related

Março 11, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

O Bolsa Família funciona?

Abandono escolar cresce entre os dependentes do Bolsa Família

http://www.estado.com.br/editorias/2008/03/09/pol-1.93.11.20080309.1.1.xml

 

“Quantas vezes não ouvimos de professores ‘aquela criança só está aqui por conta do Bolsa-Família’”, diz a secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Almeida e Silva.

É a crônica do fracasso anunciado. Vincular a matrícula a um prêmio financeiro temporário é dizer que, quando este prêmio terminar, o estudo já não tem valia alguma e a criança deve buscar alguma maneira de suprir a perda deste acréscimo financeiro - isto é, trabalhar em vez de estudar.

E isto que nem falamos das falhas de fiscalização, dos estudantes que não existem e estão matriculados, das fraudes, etc, etc.

Ademais, o plano não premia por objetivo alcançado. Não é preciso alcançar a oitava série do ensino fundamental. Basta permanecer na escola até os 15 anos, alcançando a oitava, a quinta ou a primeira série, repetindo ou não de ano.

Março 9, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

El Orgullo Uruguayo

Como já foi referido nesse blog, a torcida do Nacional de Montevideo deu um show ontem no Estádio Parque Central, no jogo pela Libertadores da América contra o Flamengo. Emocionante ouvir 20.000 uruguaios entoarem cânticos de alento que certamente influenciaram no resultado do jogo. Porque, ao contrário do que muitas vezes verificamos no Brasil, a torcida  é que empurra seu time. Mas o que nos chamou a atenção, mais do que a festa visual da torcida, foram as palavras empregadas para classificar “El Bolso”: “El Orgullo Uruguayo”.

Títulos bombásticos não são novidade no Rio da Prata. O torcedor do Peñarol nos anos 60 aparecia no estádio carregando uma enorme faixa em jalde-negro com os seguintes dizeres: “La gloria se llama Peñarol”. Na época, se chamava mesmo. O “carbonero” tinha jogadores das seleções de quatro países diferentes e ganhava praticamente tudo o que disputava. O Nacional não ficou atrás: tricampeão do mundo como o seu conterrâneo, ganhou três Libertadores, uma das quais contra o poderoso Internacional de Falcão, Batista, Jair, Mauro Galvão e Escurinho. Em 1988 ganhou o seu último torneio continental e mais o Mundial, contra o PSV de Romário e Ronald Koeman. No ano anterior o Peñarol havia sido campeão da América. A glória, nos nem tão distantes anos 80, ainda envergava os nomes destes grandes clubes.

Hoje, infelizmente, não precisamos tecer grandes comentários sobre o futebol uruguaio. Tão conhecida de todos é a sua decadência que até os brasileiros, derrotados em casa em 1950, já passaram a enxergar o Uruguai com uma certa condescendência, uma ternura e até um carinho que deve provocar profunda irritação nos sempre orgulhosos platinos. “Eu quero que o Uruguai vá bem nesse ano”, é o que dizem sempre que a Celeste entra em campo. E o mesmo dizemos, irritantemente ternos, amorosos e pentacampeões, com relação ao Nacional. Porque, verdade seja dita, o time que já contou com Sanfilippo, Álvaro Recoba, Sebástian Abreu, Hugo De León e tantos outros em seus quatros já não impõe tanto medo quanto antigamente. Isto, é claro, no papel. Porque o mesmo papel que registra no Caderno de Esportes  os nomes pouco conhecidos dos jogadores atuais do “Bolso” é aquele que registra a história gloriosa de um clube multicampeão e centenário, cuja camiseta já esteve presente em todos os grandes palcos do futebol mundial não como ouvinte ou coadjuvante, mas como protagonista do espetáculo. E esta história que o papel registra segue viva no sentimento profundo dos apaixonados torcedores do Nacional que se amontoam no Parque Central e, com toda a força que suas cordas vocais permitem, lembram aos adversários que, apesar dos baixos salários, da falta de estrutura, do êxodo de jogadores jovens e de tudo o que, sendo latino-americanos, conhecemos tão bem, naquele momento em que adentram no estádio eles enfrentam não números nem nomes mas sim o perene “orgullo uruguayo” , que segue vivo e forte diante de todas as intempéries sociais, econômicas, políticas e culturais que assolam esta e outras partes da América.

É por isso que o Nacional fez 3 x 0. É por isso que, volta e meia, os uruguaios complicam a vida de muita gente importante neste futebol globalizado e monetarizado. É por isso que quase vencem o Brasil no Morumbi, tiram o campeão da América na primeira fase da Libertadores e endurecem contra o vice-campeão do ano seguinte. É por isso que o Nacional e o futebol uruguaio contrariam a tudo e a todos e seguem em frente, indomáveis, orgulhosos e cheios de vida como os gauchos soltos pelas planícies sem fim do pampa sem fronteiras.

Março 8, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 1 Comentário

Barcelona 1 x 0 Celtic - Nada mais do que o óbvio

A vitória magra porém consistente do Barcelona sobre o Celtic ontem, no Camp Nou, foi uma simples - muito simples - demonstração de superioridade em todos os níveis. Superioridade técnica, tática, psicológica. O Barcelona simplesmente esmagou o Celtic e o fez sem grande esforço, caminhando em campo na maior parte do tempo e impondo um pouco mais de ritmo apenas quando necessário.

O início do jogo foi arrasador. Em menos de dois minutos o Barcelona já tinha acuado o Celtic e empurrado a equipe escocesa para a defesa sem dar chance de contra-ataque. Aos dois minutos veio o único gol, numa jogada genial de Ronaldinho para Xabi colocar para dentro. Uma goleada histórica se avizinhava. E ninguém pode dizer que o treinador do Celtic, Gordon Strachan, não previa isso. Ao contrário: ao escalar a equipe num 4-5-1 ultra-defensivo, com duas linhas de quatro, um volante de contenção entre elas e um centroavante paradão lá na frente (o holandês Vennegoor of Hesselink,  1,92m, bom cabeceador e péssimo jogador de futebol) a esperar lançamentos longos da defesa para o ataque, ele sabia muito bem que sua única tarefa naquele estádio e contra aquele time era perder de pouco.

E foi justamente este o grande erro do Celtic: o complexo de inferioridade. Achou-se pequeno demais. É verdade, sim, que o Celtic tem um elenco muito inferior ao do Barcelona, principalmente do meio para a frente. Mas não é verdade que estava condenado a perder os dois jogos por causa disso. Não é preciso lembrar o exemplo do Inter na final do Mundial de Clubes. Basta lembrarmos do que foi o Barcelona contra o Atlético de Madrid, no fim de semana anterior, na derrota por 4 x 2. Alguém diá que o Celtic não tem recurso algum a não ser o chutão para frente e o cabeceio. Não é verdade. McGeady é um meia-direita muito habilidoso. Vennegor, apesar de tosco e primário, sabe fazer gols (marcou um no jogo de Glasgow). Nakamura é um meia-esquerda lento, mas técnico, com bom passe e ótimo na cobrança de faltas. Brown, o volante, é forte, brigador, raçudo e sabe sair jogando. Sno, um dos volantes, é um bom marcador e com bom passe também. A dupla de zaga, McManus e Caldwell, apesar de lenta, é forte, ótima nas bolas aéreas e excelente na marcação. Faltam laterais e outro meio-campista (Hartley foi contratado sob o epíteto de “Zico Escocês” e mostrou que nem um passe de dois metros sabe dar) para o Celtic evoluir para o nível de time competitivo, condizente com sua história de duas finais de Liga dos Campeões (em 69 e 67, vencendo esta última), uma de Copa da UEFA (em 2005), dezenas de títulos escoceses e copas da Escócia. E também o exige sua torcida fanática.

Março 5, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 1 Comentário

Corão é “manual fascista de incitação à violência”, diz parlamentar holandês

“De duração curta e incerta - dez ou quinze minutos, como informam diferentes fontes - Ftina (”provação”) é um filme que, embora ainda nem tenha sido lançado, já está deixando os holandeses de cabelo em pé. A produção - obra do parlamentar Geert Wilders, 44, do Partido pela Liberdade (Partij voor Vrijheid/PVV) - pretende demonstrar que o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, seria um “manual fascista e de incitação à violência”, “comparável a ‘Mein Kampf’ (Minha Luta)”, de Adolf Hitler, como recentemente afirmou Wilders, um provocador incansável, inimigo declarado do Islã e defensor inflamado do fim da imigração de “não-ocidentais” -um conceito local que abrange as nacionalidades latino-americanas - na Holanda”

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2653750-EI6580,00.html

É interessante observar que o holandês “anti-fascista” quer acabar com a entrada de africanos, asiáticos e latino-americanos em seu país e controlar de perto os que lá estão.

Não é o primeiro holandês a fazer isso. O político e ativista gay Pim Fortuyn, assassinado por um ativista ambiental, dizia que o Islã era uma religião do atraso, que os islâmicos deveriam ser impedidos de entrar na Holanda e que o multiculturalismo era uma conversa fiada. Sobrou até para os protestantes, religião predominante na Holanda desde Lutero e pilar fundador da nação.

E isto na Holanda, considerada uma das sociedades mais liberais da Europa.

Março 4, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Não Há Comentários

Celtic x Barcelona

Hoje, às 16:45, Celtic x Barcelona jogam no Camp Nou. O Celtic vai tentar o impossível: vencer por 2 x 0 e reverter a vantagem catalã de 3 x 2 no jogo de ida, no Celtic Park.

No último jogo o Celtic não foi bem e o Barcelona dominou inteiramente as ações. A exceção ficou por conta de McGeady, ponta irlandês de grande habilidade - os dois gols do Celtic saíram de jogadas suas -, e o atacante McDonald, veloz e raçudo. O resto do time alternou entre o burocrático e o francamente ruim. Para este jogo é preciso mais, muito mais. Até porque o Celtic nunca venceu no Camp Nou.

Enquanto isso, deixamos para os leitores um belo cântico da torcida do Celtic. “Four leaf clover” é um panegírico ao trevo de quatro folhas, símbolo de São Patrício, padroeiro da Irlanda.

http://www.youtube.com/watch?v=33CgSGH4paU&feature=related

Barcelona: Valdés; Zambrotta, Puyol, Milito e Abidal; Xavi, Touré, Deco e Iniesta (Ronaldinho Gaúcho), Eto’o e Messi. Técnico: Frank Rijkaard.

Celtic: Boruc; Wilson, Caldwell, McManus e Naylor; Hartley (Donati), Brown, Nakamura e McGeady, Vennegoor of Hesselink e Mcdonald. Técnico: Gordon Strachan

Março 4, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Não Há Comentários

Sarau em Língua Inglesa na Cultura- Um tributo aos anos 60-70

Sarau em Língua Inglesa na Cultura

Data:   13 de março de 2008 -5ª feira 

Horário: 19:30

                      Local: Livraria Cultura Shopping Bourbon Country

        

UM TRIBUTO AOS ANOS 60-70!   

                       

O Sarau em língua inglesa na Cultura ingressa em seu 5° ano de atividades ininterrupas e seus coordenadores decidiram resgatar a memória das inesquecíveis décadas de 60 e70. Um dos temas discutidos é o do legado que foi deixado  para os nossos jovens: os movimentos pacifistas? a contracultura?  os Direitos Civis? O que efetivamente mudou desde então? O que deve ser resgatado? O que precisamos ainda fazer?

A conclamação para a participação no Sarau do dia 13 de março fala por si só:

“O Sarau em Língua Inglesa na Cultura,  presta uma homenagem aos protagonistas daqueles movimentos que construíram uma parte rica de nossa história: a abertura de novos caminhos/estradas para que as novas gerações os cruzassem, demarcando novos olhares, refletindo sobre o passado, construindo novas trilhas. Venha relembrar conosco eventos marcantes que tiveram como referência figuras como Bob Dylan, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, as manifestações de 68 em Paris, entre outros. Participe, traga suas contribuições, declame, debata, exercite enfim sua auto-expressão em língua inglesa neste evento único, num espaço ímpar como é o espaço cultural da Cultura!” 

A qualificação da equipe coordenadora garante a qualidade do evento:

-Profa. Ana Maria Kessler Rocha (UFRGS)

-Profa. Maria da Graça Gomes Paiva (UFRGS)

-Kleber Gyrtlack (UFRGS)         

Fevereiro 29, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | 1 Comentário

Ficção científica tupiniquim

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Quando um leigo no assunto toma “Os melhores contos brasileiros de ficção científica” (Devir Livraria, 200 páginas, organizado por Roberto Causo) na mão a primeira reação é de espanto. Ficção científica brasileira? Existe isso? A surpresa é bem natural. Uma história que envolva enredos típicos de uma civilização tecnologicamente mais avançada difere radicalmente dos pressupostos que formam a auto-imagem nacional: abismo de classes, sexo desenfreado, analfabetismo e primarismos de todos os gêneros - imagem que, aliás, nos faz grande mal fora do país. Mesmo que a indúsitra brasileira bata recordes, mesmo que o nosso PIB seja um dos 10 maiores do mundo, mesmo com trem-bala, chips e informática, continuamos nos enxergando como uma terra primitiva. Somos o país de muitas coisas, mas defintiviamente não o da ficção científica.

Daí a surpresa de, numa coletânea como esta, constar o nome de Machado de Assis com o conto “O Imortal”, mostrando que o gênero existia já no século XIX. Outros nomes, como Jerônimo Monteiro, talvez não sejam totalmente ignorados pelo grande público. Já novidades, como Ricardo Teixeira, autor de “A Nuvem”, são inteiramente desconhecidos. Vale notar que a temática dos contos reflete os problemas e inquietações da época em que foram escritos, como é muito comum nesse tipo de literatura: os contos  “O Último Artilheiro” e “A Espingarda”, dos anos 60, tratam da realidade de um mundo pós-guerra nuclear, algo que, naquela época, parecia iminente; já “Meu Sósia”, de 1938, aborda a questão do duplo, praticamente uma obsessão na literatura da primeira metade do século passado, e “O Imortal” de Machado critica o cientificismo dominante no pensando de sua época.

 

Onde encontrar:

www.devir.net
(11) 2127 8787

 

 

Fevereiro 29, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | 1 Comentário

Veja você…

Ora, vejam. E não é que Raul Castro, contrariando todas as expectativas, foi eleito presidente de Cuba? 

 Ah, só um detalhe: Fidel Castro - agora relegado à humilhante categoria de “irmão do Raul” - foi eleito deputado. Sim, senhores. Como diria o gringo Radicci, “Dio non zoga, ma fiscalidza”. Hasta la victoria, siempre!

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Generalíssimo Raulzito: “Dale Cuba, daleoooo”

Fevereiro 25, 2008 Escrito por Celso Augusto Uequed Pitol |