Seleções que gostaríamos de ver (2) - Seleção Britânica
Seleção do Pampa: CLIQUE AQUI
Uma das perguntas mais frequentes para quem assiste a Copa do Mundo é: porque os países da Grã-Bretanha não jogam o torneio pela mesma equipe? A questão é complexa e toca no ponto da complicada maneira como os britânicos resolveram organizar seu governo - complicação análoga à do seu sistema de medidas, do seu sistema monetário e da culinária - e harmonizar as diferenças culturais existentes nas Ilhas governadas pela mesma coroa. Além de terem relativa autonomia em relação ao governo de Londres, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm tradições próprias que incluem até a presença de outros idiomas (galês e gaélico), além de (res)sentimentos nacionalistas que não podem ser desconsiderados. Tão forte é a aversão aos ingleses nos demais países que os escoceses, por exemplo, torcem contra os Sassenach (”saxões”, em gaélico) sempre que podem. São, portanto, nações distintas para todos os efeitos futebolísticos.
E as Olimpíadas? Lá, a Grã-Bretanha compete com uma equipe só, com atletas de todos os países. Só no futebol isso não acontece - os britânicos não mandam uma seleção unificada desde 1912, em Estocolmo, quando venceram a competição (já o haviam feito em 1900, em Paris, e em 1908, em Londres). Depois, só meia dúzia de amistosos festivos ocasionais e nada mais. Em alguns deles, como em numa partida de 1969, chegaram a reunir uma equipe que, se jogasse uma Copa do Mundo, bem poderia sair campeã, com George Best, Bobby Charlton, Dennis Law, Bobby Moore e Billy Bremner dividindo espaço no mesmo time. Este já seria um argumento forte para que os sentimentos nacionalistas dos países integrantes - especialmente dos escoceses - fossem deixados um pouco de lado em prol do interesse maior de todas elas, que é, finalmente, conseguir vencer uma Copa do Mundo. Alguns dirão que essa seleção britânica seria nada mais do que uma seleção inglesa com um ou outro ajuste diplomático. Não exatamente: épocas houve em que nenhum centroavante inglês foi tão bom quanto o escocês Kenny Dalglish e nenhum ponta tão bom quanto o irlandês George Best. Nos dias de hoje, a seleção inglesa tem carências em vários setores, que bem podem ser supridos pelos jovens (ou nem tão jovens) valores escoceses, galeses e irlandeses. Ou seja, é possível, sim, armar uma seleção britânica com (quase) nenhuma concessão ao ego dos países menores que circundam a mamãe Inglaterra e fazer com que o hino tradicionalmente entoado pela torcida inglesa ganhe a simpatia dos outros países.

Gordon (Escócia) - A Inglaterra tem uma bela tradição de goleiros. Da copa de 1970 para cá, a lenda Gordon Banks deu lugar a Ray Clemence, Peter Shilton e David Seaman, três excelentes nomes que mantiveram a tradição em alto posto . Porém, depois da copa de 2002, quando Seaman foi aposentado por Ronaldinho Gaúcho, a meta inglesa tem alternado bons e maus momentos com Carson, Robinson e James. O escocês Craig Gordon não tem, portanto, rivais à sua altura. Comprado pelo Sunderland por 9 milhões de libras - o maior valor já pago por um goleiro nas Ilhas Britânicas - o ex-jogador do Hearts of Midlothian foi citado pelo italiano Buffon, titular na última Copa, como um dos melhores goleiros do mundo. Basta dizer que a histórica vitória da Escócia sobre a França em pleno Parc des Princes, no ano passado, só foi possível graças à sucessão de milagres protagonizados por Gordon. Aqui vai uma seleção de suas melhores defesas: http://www.youtube.com/watch?v=_8Es7y94w4Q

Alan Hutton (Escócia) - Apelidado de “White Cafu”, o lateral-direito do Tottenham Hotspur mostra em campo o mesmo fôlego, velocidade e disposição do brasileiro em seus bons tempos. É também alto - 1,86 - e muito forte, além de ser bom cabeceador. Enquanto a Inglaterra improvisa volantes para esta posição, os escoceses dispõem deste jovem jogador que foi escolhido como a 8o. maior revelação do futebol mundial no ano passado.

Ferdinand - Inglaterra - Indiscutível é pouco para definir a escolha de Ferdinand. Se fosse uma seleção mundial o zagueirão do Manchester United provavelmente também seria o titular. Que o diga Luis Felipe Scolari, para quem Ferdinand é o melhor do mundo. Ou os pobres atacantes do Barcelona, que em vão tentaram passar pelo gigante de 1,93 na semifinal desta Champions League, numa atuação elogiada até pelos seus próprios adversários.

John Terry - Apesar do zagueirão do Chelsea viver machucado - e nenhum zagueiro britânico que se preze pode se dar ao luxo de sentir dorzinhas -, Terry é, inegavelmente, um ponto de equilíbrio da equipe finalista da Liga dos Campeões. Além de ser excelente no jogo aéreo, Terry é uma liderança natural da equipe, pronto para assumir a braçadeira de capitão quando Frank Lampard está machucado. O único problema é mesmo a canelinha de vidro. Mas Terry também não hesita em quebrar o vidro alheio quando é necessário.

Ashley Cole - Inglaterra - Outro indiscutível. Poucos laterais do mundo marcam e atacam com a mesma eficiência do jogador do Chelsea. Esse não lembra o Cafu - é melhor, bem melhor, do que ele. E melhor do que qualquer outro britânico.

Barry Ferguson - Escócia - O jogador-símbolo do Glasgow Rangers é o maior exemplo atual de um tipo de meio-campista tipicamente britânico: o box-to-box, isto é, aquele que corre de uma grande área a outra destruindo as jogadas adversárias, armando ataques e chegando à frente para concluir. Um exemplo de jogador desse tipo no Brasil seria o argentino Guiñazu, do Internacional. Ferguson é conhecido também pelas suas cobranças de falta e seus lançamento precisos, algo muito necessário em se tratando de futebol escocês.

Gerrard - Inglaterra - O capitão do Liverpool pertence à nova geração de meio-campistas capazes de cumprir múltiplas tarefas em campo com a mesma competência. Normalmente o colocam ao lado de Andrea Pirlo, Deco, Maniche e Xavi, mas o fato é que Steven Gerrard é melhor do que todos eles: chuta melhor do que Pirlo e Deco, marca melhor do que Maniche e Xavi, alem de mostrar um espírito de liderança que poucos jogadores no mundo têm. Seu porte físico ajuda: 85 quilos distribuídos em 1,87m.

Beckham - Inglaterra - Não, ele não é rápido. Não, ele não é goleador. Não, ele não corre todo o campo. Não, ele não é um driblador capaz de entortar a defesa adversária. Beckham apenas é, depois de passados doze anos de sua estréia no English Team, o melhor jogador inglês. Muitos tentaram substitui-lo e as críticas à sua superexposição na mídia são cada dia maiores. O fato é que ninguém, na Inglaterra ou no resto do mundo, é capaz de passar, lançar, cruzar, cobrar escanteios e faltas como ele. Pode ser que, com Beckham em campo, a seleção inglesa perca velocidade e dependa muito de um só jogador. Sem ele, torna-se uma reunião de volantes incapazes de criar jogadas. Exemplo claro disso foi o jogo contra a Croácia, em Wembley. No primeiro tempo, os croatas venciam por 2 x 0, a Inglaterra jogava bisonhamente e Beckham estava no banco. No segundo tempo, ele entrou, deu passe para um gol, ajudou a cavar um pênalti e mandou um chute na trave. Não foi o suficiente para evitar a derrota do seu time, mas deixou claro que a Inglaterra ainda é ele e mais dez.

Giggs - Gales - Desde que Ryan Giggs entrou no time do Manchester United, há quase vinte anos, nenhum outro jogador canhoto do seu nível apareceu em solo britânico, e muitos poucos no resto do mundo. Raros jogadores conseguem aliar velocidade, técnica, habilidade e senso coletivo quanto este ponta/meia-esquerda que já aos 17 anos era titular do Manchester United. Após um amistoso da Seleção contra o País de Gales, Dunga disse o que muitos já sabiam: Giggs teria, sim, lugar na seleção brasileira. E quem duvida pode ver neste vídeo do que Giggs é capaz: http://www.youtube.com/watch?v=hrOyedpeZnk. Ou assistir a final da Liga dos Campeões no próximo dia 22, quando o seu Manchester United enfrentar o Chelsea.

Rooney - Inglaterra - Ele era boxeador até os 16 anos. Decidiu pelo futebol e, surpreendentemente, não foi para a zaga. Seu físico esculpido em anos nos ringues rendeu-lhe força suficiente para derrubar qualquer zagueiro que lhe apareça à frente quando dá suas famosas arrancadas. Além disso, Rooney sabe sair da área e distribuir o jogo para os seus companheiros de ataque, além de cobrar faltas e escanteios. É o melhor atacante inglês desde Alan Shearer, e muito mais completo do que ele.

Lafferty - Irlanda do Norte - É titular de seu país e tem 1m94. Não será pior do que Peter Crouch. E sim, sua escalação é puramente política: era preciso colocar um jogador da Irlanda do Norte. Mas é o único dos onze nesta condição.
Treinador: Alex Ferguson - Uma escolha um tanto óbvia. A seleção inglesa é, há muitos anos, presa da incompetência dos seus treinadores, sejam eles ingleses, como a recente nulidade Steve McLaren, ou estrangeiros, como o retranqueiro sueco Sven Goran Eriksson. Tanto é assim que Fabio Capello foi escolhido para tentar tirar a equipe do atoleiro e classificá-la para a próxima Copa. Alex Ferguson é um escocês que aplica um jogo pouco escocês no Manchester United, revezando Giggs, Ronaldo, Tevez e Rooney em vários esquemas que privilegiam o ataque e o jogo coletivo.










