PERSPECTIVA

Teoria do Estado de Solidariedade- Wambert Gomes di Lorenzo

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Tive o prazer de conhecer o professor Wambert durante um curso, há alguns anos. Desde então, tornei-me admirador de sua inteligência e da sua notável capacidade expositiva, que praticamente garante a qualidade do livro a ser lançado amanhã.

Novembro 12, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Ordem e História

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O segundo volume de Ordem e História, de Eric Voegelin, intitulado O Mundo da Pólis (Edições Loyola, R$ 89) , aborda a formação da concepção de ordem no mundo grego, dando seguimento ao primeiro volume, Israel e a Revelação. O trabalho de Voegelin na Grécia prossegue no próximo volume, Platão e Aristóteles, a ser lançado em breve. Aqui, Voegelin investiga em profundidade as raízes da formação da cultura grega, desde os primórdios, com a civilização cretense, passando pela Ilíada, pela Odisséia, o surgimento da filosofia com Parmênides, Heráclito e outros pré-socráticos, e desemboca nos primeiros historiadores, onde faz uma análise da concepção helênica de história e a sua particularidade face às demais civilizações da mesma época. Inicialmente, Voegelin ocupa-se dos mitos – a tentativa primeira dos gregos em representar a ordem no ser – passando depois a examinar minuciosamente o surgimento da filosofia e das instituições políticas e religiosas, que suplanta a mitologia como simbolização da ordem cósmica e confere um caráter único à civilização grega.

Novembro 12, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Charlie Patton (1891 – 1934)

Novembro 8, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Música | | Sem comentários ainda

“Las tácticas de Kirchner y Chávez contra la prensa son muy similares”

Entrevista de Robert Rivard, presidente da comissão de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa, ao jornal El Clarín, acerca dos recentes cerceamentos aos jornais argentinos promovidos pelo governo Kirchner.

Leia aqui.

Um trecho interessante:

P:¿Qué diferencias encuentra en esas restricciones a la prensa de las que habla entre una dictadura y la democracia actual?

R: Son diferencias mucho más sutiles. En los ochentas el problema venía por derecha, con las violaciones a los derechos humanos, miles de inocentes murieron desaparecidos, en Centro América, en Argentina, Chile… Hoy llevamos más de veinte años de democracia civil y vemos la situación desde la izquierda. La amenaza es tremenda pero mucho más sutil porque los gobiernos son elegidos pero se van convirtiendo poco a poco en dictaduras democráticas. Ganaron poder por la votación pero manipulando las constituciones con leyes anticonstitucionales y tomando medidas para limitar a la oposición política, reprimiendo a los medios.


Novembro 8, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

Claude Lévi-Strauss (1908-2009)

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“O conjunto dos costumes de um povo é sempre marcado por um estilo; formam sistemas. Estou persuadido que estes sistemas não existem em número ilimitado e que as sociedades humanas, tal como os individuos – nos seus jogos, nos seus sonhos ou nos seus delirios – limitam-se a escolher certas combinações, num repertório ideal que seria possível reconstituir.

Um espírito malicioso já definiu a América como sendo uma terra que passou da barbárie à decadência sem conhecer a civilização. Poderíamos com mais razão aplicar a fórmula às cidades do Novo Mundo: vão da frescura à decrepitude sem se deterem na antiguidade.

Nas cidades do Novo Mundo não é propriamente a falta de reminiscências que me choca. Essa ausência é um elemento da sua significação. Estas cidades são jovens e extraem dessa juventude sua essência e justificação. A passagem dos séculos representa uma promoção para as cidades européias; para as americanas, a simples passagem dos anos é uma degradação. Não foram apenas construídas recentemente, mas de forma tal que podem renovar-se com a mesma velocidade com que foram erguidas, isto é, mal. No instante em que se erguem novos bairros, quase não chegam a ser elementos urbanos: são demasiadamente novos para o serem. O estilo passa de moda, a ordenação arquitetônica primitiva desaparece com as demolições que são exigidas por uma nova impaciência.

Não são cidades novas contrastando com cidades antigas, mas são cidades com um ciclo evolutivo demasiadamente rápido. Certas cidades da Europa adormecem suavemente na morte; as do Novo Mundo vivem febrilmente numa doença crônica: eternamente jovens, nunca são todavia saudáveis.

Botânicos nos ensinam que as espécies tropicais compreendem variedades mais numerosas do que as das zonas temperadas, mesmo que cada uma delas seja constituída por um número muito restrito de indivíduos. Esta especialização, no Brasil, foi levada até os limites máximos.

Assim é que uma sociedade limitada distribuiu os papéis entre os seus membros. Nela podiam encontrar-se todas as ocupações, todos os gostos, todas as curiosidades justificáveis da civilização contemporânea, embora cada setor fosse encarnado por representante único. Nossos amigos não eram exatamente pessoas, mas sim funções cuja lista havia sido estabelecida mais em virtude da sua importância intrínseca do que das suas disponibilidades. Havia assim o católico, o liberal, o legitimista, o comunista ou, noutro plano, o gastrônomo, o bibliófilo, o apreciador de cães ou cavalos de raça, da pintura antiga, moderna. Havia o erudito local, o poeta surrealista local, o musicólogo local, o pintor local.

Nenhuma preocupação real em aprofundar os conhecimentos encontrava-se na base destas vocações. Se por acaso dois indivíduos, em resultado de erro de manobra ou por pura inveja, ocupavam o mesmo domínio ou domínios próximos, passavam a ter a preocupação exclusiva de se destruírem mutuamente, o que faziam com persistência e ferocidade notáveis. Havia troca de visitas entre feudos vizinhos, com muitas mesuras uma vez que todos estavam interessados em se manter nas posições. Somos forçados a reconhecer que alguns dos papéis eram desempenhados com brilho extraordinário devido à conjugação de fortunas herdadas, encanto nato e muita manha adquirida.

Os estudantes queriam saber muito, porém apenas das teorias mais recentes. Nunca liam as obras originais, preferiam as publicações abreviadas e mostravam enorme entusiasmo pelos novos pratos. É uma questão de moda e não de cultura. Idéias e doutrinas não apresentavam aos seus olhos um valor intrínseco, eram apenas instrumentos de prestígio, cuja primazia deveriam obter. Partilhar uma teoria conhecida por outros era o mesmo do que usar roupa pela segunda vez. Uma concorrência encarniçada estabelecia-se com o fito da obtenção do modelo mais recente e mais exclusivo no campo das idéias.

Na América tropical o homem encontra-se dissimulado. Em primeiro lugar pela sua própria escassez. Mas mesmo nos locais em que se agrupou em formações mais densas, os indivíduos permanecem enleados pela agregação muito recente. Ainda não aprenderam a conviver. Qualquer que seja o grau de pobreza, no interior ou mesmo nas grandes cidades, só excepcionalmente chegamos ao ponto de ouvir os seres gritarem – sempre é possível subsistir com pouca coisa num solo que começou a ser saqueado pelo homem – e só em alguns pontos – há apenas 450 anos.”

Trecho de Tristes Trópicos (Ed. Martins Fontes)

Novembro 8, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Ciências Humanas | | Sem comentários ainda

The best of Hugo Chávez – volume 1

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Me gusta mirar lejos…..

A partir de agora, o Blog Perspectiva passa a publicar uma seleta das melhores frases ditas pelo sr. Hugo Chávez.

Ressalte-se que, ante o volume praticamente inesgotável de material a ser coligido – o presidente venezuelano é pródigo em ditos espirituosos -, e também porque ele está no cargo há um bom tempo, nosso corpus de análise será composto apenas pelas frases ditas mais recentemente e que chegaram aos nossos olhos e ouvidos. Fôssemos venezuelanos, certamente teríamos um repertório ainda maior.

Ei-las:


“Algumas pessoas cantam no chuveiro, ficam meia hora no banho. Não, meninos, três minutos é mais do que suficiente. Eu contei, três minutos, e não cheiro mal.”

Ao exigir (e não pedir) que os venezuelanos passem a economizar luz a fim de evitar o apagão energético

“Meu coraçãozinho diz que Dilma será presidente do Brasil”

Brincando de futurólogo

“O congresso brasileiro é um papagaio de Washington”

Brincando de zoólogo

“O senhor está barbudo como Fidel”

Dirigindo-se ao rei Juan Carlos (sim, aquele do “porqué no te callas?”), que deixou a barbar crescer

“- Eu lamento que Lula saia e sei que no Brasil muitos também lamentam. Deixo a pergunta no ar: por que um presidente que está bem e tem 80% de popularidade tem que sair?”

Questionando o porquê dessa coisa boba e chata chamada democracia

” Lula veio como Cristo anunciando o Evangelho. Só faltou o cabelo comprido”

Fazendo as vezes de apóstolo

e, por último, o momento apoteótico de sua carreira, pronunciado a plenos pulmões numa tarde quente e abafada do Fórum Social Mundial:

“Los gringos tienen razón? Nosotros tenemos corazón!”

Arriba!

Novembro 2, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico, Política | | Sem comentários ainda

Retrato de uma geraçã0

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Em seu poema “Apologies to Harvard”, uma espécie de ajuste de contas com o seu passado estudantil, o escritor americano John Updike sai-se com a seguinte frase: “E nós nem sabíamos que éramos uma geração”. E nem poderiam. No turbilhão de acontecimentos que marcam a juventude – e a juventude universitária, sobretudo – esse tipo de coisa nem passa pela cabeça de alguém. Registrar uma geração é tarefa para as gerações vindouras, ou para representantes daquela geração que, por talento, formação e oportunidade, podem registra-la para a posteridade. É o caso de Ruy Nedel e seu Porto Alegre dos Casais – A Medicina da Santa Casa ( 272 páginas, EDIURI).

E é isso que o livro do ex-deputado constituinte e médico há mais de quatro décadas nos oferece: o retrato de uma geração. No caso, a dos estudantes de medicina da UFRGS que, entrando na faculdade entre o fim dos aos 50 e o início dos 60, completaram a sua formação em meio ao golpe militar e às mudanças sociais, políticas e comportamentais pelas quais o Brasil e o mundo passaram naquela época. O pano de fundo histórico não abafa, no entanto, a riqueza das relações humanas descritas ali, relações estas que, mais do que a História que as cerca, forma, verdadeiramente, uma geração de homens, que vivem e pensam em uma determinada época. E esta geração, que não se sabia uma geração, ganha aqui o seu testemunho.

Pedidos pelo email:

ineshoffmann@uol.com.br

Outubro 29, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Relendo Pessoa

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Fernando Pessoa se definiu como um “poeta animado pela filosofia”. Há quem diga que foi o maior filósofo de uma língua tão pobre em pensamento quanto a nossa, e isso pode ser aplicado tanto à filosofia propriamente dita quanto à poesia. A regra entre os poetas portugueses – e também entre os brasileiros – é a expressão de sentimentos primários, de amores mal-resolvidos, desejos não concretizados e paixões momentâneas que se esvaem com o tempo. É “eute- gosto-tu-me-gosta”, de que falava Drummond. Os valores da civilização, o homem diante do cosmo e o próprio cosmo interessam apenas a uns poucos poetas, que não raro são tachados de “intelectualistas” e “difíceis” e não recebem, do público ou da crítica, o devido reconhecimento no momento em que surgem.

Pessoa é o exemplo paradigmático de tudo isso. Pouco publicou em vida; no único concurso de poesia de que participou, recebeu um prêmio de consolação, e não é preciso dizer que seu trabalho inscrito – o clássico Mensagem – era incomparavelmente superior ao livro vencedor. Só nos anos 60 sua obra começou a receber análises sérias. Hoje, está entre os principais temas dos críticos portugueses e brasileiros. Fernando Pessoa: almoxarifado de mitos, de Carlos Felipe Moisés (Editora Escrituras, 228 páginas) é um claro exemplo disso. O livro é uma reunião de ensaios que, ressaltando o aspecto filosófico da obra de Pessoa, além de suas características esotéricas, contribuem para uma sempre fecunda releitura da obra. Um livro imprescindível para acadêmicos e fãs do poeta português.

Outubro 23, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

O pensamento jurídico hoje

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Quem estuda Direito e cursou ou cursa as disciplinas introdutórias da faculdade sabe bem a importância de se ter acesso aos textos originais das matérias, em especial os clássicos e os mais conectados com as tendências contemporâneas de cada uma destas disciplinas. É este o caso das disciplinas de Antropologia, Sociologia Jurídica, História do Direito e, sobretudo, Filosofia do Direito, cujos textos são, muitas vezes difíceis de encontrar e selecionar, mesmo em se tratando de clássicos. No caso dos autores contemporâneos, então, o problema aumenta ainda mais. O tempo ainda não se encarregou de selecionar o que é perene e o que é de momento, e o estudante fica perdido diante de tantos textos. É preciso, então recorrer às antologias e confiar no trabalho de quem as organiza e apresenta ao leitor. Ler uma antologia é, antes de tudo, uma atitude de confiança.

Correntes Contemporâneas do Pensamento Jurídico (Manole, 464 páginas) é um livro que merece tal confiança. A seleção feita pelos professores Anderson Vichineski Teixeira e Elton Somensi de Oliveira dá ao leitor um panorama bastante completo sobre as atuais discussões jusfilosóficas no mundo inteiro. Ao lado de nomes mundialmente já consagrados, como Ronald Dworkin e John Finnis, professores brasileiros e estrangeiros abordam temas como o neojusnaturalismo, o neocontratualismo e os desafios que o Direito tem a enfrentar num mundo cada mais interligado e sem fronteiras. Um livro indispensável na estante de qualquer acadêmico.

Outubro 19, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Geral | | Sem comentários ainda

Um breve comentário sobre o jogo Brasil x Gana

A seleção de Gana sagrou-se campeã mundial sub-20 diante da seleção brasileira. Recebe aqui, portanto, os parabéns do blog Perspectiva diante de tão respeitável conquista.

Confesso que pouco conheço do país Gana e do seu povo. Aprendi, porém, ao observar os jogadores em campo, que os ganeses começam a ficar carecas muito cedo – afinal, não custa lembrar, trata-se da categoria de base – e têm uma compleição física, digamos, incomum para as idades que têm. Isto decerto se deve a dados culturais, como alimentação diferente, ambiente, clima, etc, etc.

Registre-se, ainda, o semblante marcado que alguns ostentam, cheios de rugas que ponteiam a pele já ressecada. Um resquício, não há dúvidas, da vida difícil que se leva naquele país africano.

Deve ser isso.

Outubro 16, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Sem comentários ainda

O historiador Winston Churchill

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Winston Churchill é um grande personagem da história política e militar do século XX. Estadista inteligente, figura central da resistência ao nazismo, autor do brado “só tenho para vos oferecer sangue, suor e lágrimas”, proferido no seu discurso de posse na Câmara dos Comuns, é um exemplo de força na adversidade e de coragem pessoal e política. Em suma, um candidato natural o mais importante prêmio para os que se destacam em tais misteres: o Nobel da Paz. Porém, não foi o que aconteceu. Churchill recebeu em 1953, logo após a guerra, nada menos do que o Nobel de Literatura, num ano em que poderiam ter agraciado um Camus, um Sartre ou qualquer outro escritor de porte semelhante engajado na guerra recém terminada. Justificou-se a escolha de Churchill pelos seis volumes da sua A Segunda Guerra Mundial , sem dúvida o mais importante documento daquele período. Já seria um motivo razoável para premia-lo, até pelo clamor do momento. Mas a obra de Churchill não se esgotou neste ponto, e uma bela prova disso é História dos Povos de Língua Inglesa (Editora Ibrasa, 449 páginas, tradução de Aydano Arruda). Publicada pela primeira vez em 1951, agora chegam às mãos do público brasileiro os dois últimos dos quatro volumes, intitulados “A Era da Revolução” e “As grandes democracias”. Os dois volumes enfocam os dias de paz que se seguiram à queda de Napoleão e chega até a morte da Rainha Vitória e o começo do século XX, passando pelas guerras dinásticas as lutas internas da Europa, as quais desfizeram o equilíbrio do mundo civilizado. Uma aula de história e narrativa por um das maiores personalidades do século passado.

Onde encontrar:

Outubro 13, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Obama e Berlusconi, em 3 momentos

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“Ma che bella signora!”

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“Que mãos lindas!”

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” E esse anel, hein? Queria um igual para dar à minha namorada!”

Para quem quer ver este memorável momento ao viva basta clicar aqui.

Fonte das fotos:  Angola Minha Terra

Outubro 10, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico, Política | | Sem comentários ainda

“Sou o homem mais perseguido da História”

Na última quarta, Sílvio Berlusconi perdeu a imunidade que a lei lhe garania como primeiro ministro. Está sendo acusado de tudo e mais um pouco, e não pela primeira vez. Indignado com a injustiça, disparou as seguintes palavras cheias de mágoa:

“Sou, sem dúvida alguma, o homem mais perseguido pelo judiciário em toda a história”

A esquerda, segundo ele, está no seu pé. Não conseguem engolir o fato de que o país das Brigadas Vermelhas está sob o governo de um direitista assumido. Berlusconi tem confiança no que está fazendo e acha que seu legado será duradouro e positivo: “Sou o melhor primeiro ministro que a Itália já teve”.

E a Itália tem sido injusta com este homem. Faz com que gaste boa parte de sua fortuna defendendo-se dos ataques maldosos e invejosos da esquerda canalha do mundo todo.  Sua queixa é elucidativa:

“Ao longo dos anos, gastei 200 milhões de euros em consultores e juízes…….ops, desculpem, consultores e advogados”.

Será que Berlusconi anda tão perturbado com a maldade alheia que acabou cometendo coisas como essas aqui? Acho que não. Talvez eu mesmo seja um dos maldosos que não fazem justiça a Berlusconi, o homem mais perseguido de todos os tempos.

Outubro 10, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Seminário para discutir proteção aos animais domésticos em Porto Alegre

O Gabinete do vereador Beto Moesch e a  Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Porto Alegre promovem o Seminário Políticas de Proteção aos Animais Domésticos hoje  dia 6 de outubro de 2009 (terça-feira)

Horário: 19h às 21h30

Local: Plenário Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre (Av. Loureiro da Silva, 255)

Inscrição gratuitas no local

Programação

Painelista: Elizabeth Mac Gregor – Gerente de Desenvolvimento da World Society for the Protection of Animals – WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal)

Tema: Avanço do bem-estar animal no Brasil

Painelista: Maria Luiza Nunes – Vice-coordenadora da Coordenadoria Multidisciplinar de Políticas Públicas para Animais Domésticos

Tema: O que está sendo feito pelos animais domésticos em Porto Alegre

Painelistas:

Painelistas: Jairo Armando – Representante do Grupo de Trabalho para a Regulamentação do Programa de Redução Gradativa do Número de Veículos de Tração Animal e de Veículos de Tração Humana

Tema: Medidas para viabilizar a retirada das carroças em Porto Alegre

Painelista: Renata Fortes – Advogada especialista em Direito Ambiental Tema: Instrumentos jurídicos de proteção aos animais

Outubro 6, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Ecologia | | Sem comentários ainda

Um livro de nosso tempo

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“Quando os russos se tornaram eslavos, quando os franceses assumiram o papel de comandante de mão-de-obra negra, quando os ingleses se tornaram ‘homens brancos’ do mesmo modo como, durante um certo período, todos os alemães se tornaram arianos, então essas mudanças significaram o fim do homem ocidental. Pois não importa o que digam os cientistas, a raça é, do ponto de vista político, não o começo da humanidade, mas seu fim, não a origem dos povos, mas o seu declínio, não o nascimento natural do homem, mas sua morte antinatural”.

Esta frase poderia ter sido escrita hoje, no tempo das cotas, das “ações afirmativas”, da “igualdade racial”, das “políticas compensatórias”, do orgulho negro, branco, rosa ou cinza. Mas é de 1949, dez anos depois de ver tudo aquilo ter-se transformado em realidade. Se alguém se sente em alerta ou preocupado, ótimo: é isso mesmo o que Hannah Arendt quis provocar quando publicou Origens do Totalitarismo (Companhia das Letras, 562 páginas,tradução de Roberto Raposo). A epígrafe do livro, de autoria de Karl Jaspers, é altamente elucidativa: “Não almejar nem os que passaram, nem os que virão: importa ser de seu próprio tempo”.

Origens do Totalitarismo é um livro do seu tempo e com as preocupações do seu tempo, mas serve perfeitamente como aviso e guia para aqueles que vieram depois dele – ou seja, nós. Lemos a análise dos três epifenômenos do Mal presentes em nosso século – anti-semitismo, o imperialismo e o totalitarismo – como algo situado num passado longínquo, pré-Onu, pré-convenção de Genebra e pré-Direitos Humanos e, ao mesmo tempo, perigosamente próximo do mundo em que vivemos.

O alerta de Hannah Arendt continua válido: Origens do totalitarismo é, definitivamente, um livro de nosso tempo.

Onde encontrar: (11) 3707 3500

www.ciadasletras.com.br

Setembro 17, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Kant e Hegel

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Os nomes dos alemães Immanuel Kant e Georg F. Hegel estão ligados a boa parte do que aconteceu no mundo nos últimos dois séculos. Quando um estudante de Direito aprende que a ciência jurídica reduz-se à análise e interpretação da norma, quando um estudande de filosofia aprende que a história humana é a história da luta de classes ou quando um líder político fala em ideologia estão emulando, talvez sem saberem, o nome destes dois grandes pensadores. Juízos de valor à parte, Hegel e Kant estão ao lado de uns poucos na posição de artífices da nossa visão de mundo moderna. E, como tais, escapar deles é muito difícil. É preciso erguer-se acima da nossa época, mirá-la do alto e, assim, também mirar as épocas anteriores, de onde a nossa vem e para as quais deveria prestar tributo.

Olavo de Carvalho faz este rigoroso e indispensável exercício intelectual na aula 28 da sua coleção História Essencial da Filosofia (É Realizações, 72 páginas). Segundo ele, as pessoas de hoje enxergam o mundo de uma maneira kantiana, hegeliana ou da mistura das duas: “De cada um vão derivar correntes que prosseguem até hoje e que de algum modo modelam não só as idéias dominantes na sociedade, mas se impregnam tão profundamente na cultura que chegam a determinar e dar forma à percepção individual das coisas”. Olavo alerta, porém, para as deformações cognitivas que ocorrem no pensamento Ocidental desde o Renascimento e que, através de Hegel e Kant, desembocam em algumas das piores tragédias do século XX.

Onde encontrar:
www.erealizacoes.com.br
(11) 5572.5363

Setembro 16, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

O sentido da Semana Farroupilha

Inicia hoje a Semana Farroupilha. Este é, provavelmente, o maior feriado regional do Brasil. Durante seis dias o Rio Grande inteiro festeja a trajetória dos combatentes que desafiaram o Império por dez longos anos e que, uma vez derrotados, assumiram a contraditória roupagem de heróis de uma guerra perdida.

Poucas datas são tão festejadas e, ao mesmo tempo,tão mal compreendidas. Mentes menos aquinhoadas e  crianças de todos os tamanhos e idades costumam relacionar aquele grande momento da História do Brasil com um suposto desejo de independência de um suposto “povo gaúcho”, algo como uma versão campeira da Catalunha, da Irlanda do Norte, do País Basco ou da Ossétia do Sul, desejo este fundado na ficção da especificada cultural gaúcha, como se não tivéssemos neste imenso Brasil pelo menos dez especificidades culturais muito bem definidas. Mal sabem eles que, no Rio Grande do Sul de 1835, era mais fácil achar parecenças, em quase todos os níveis, entre a Porto Alegre e a Salvador da época do que entre a Porto Alegre de 1835 e a de hoje. Identificação com os países vizinhos, então, nem pensar. Quem pensasse corria o sério risco de nunca mais pensar nada. Como  luso-brasileiros que eram, os homens de Bento Gonçalves nutriam ódio mortal pelos castelhanos e fariam fama alguns anos depois, na Guerra do Paraguai e em batalhas contra os argentinos, à frente do Exército Brasileiro que naquele momento enfrentavam. Pois era o Império o seu inimigo e nunca o Brasil.

O hino Rio-grandense é explícito: “Como autora precursora / Do farol da divindade / Foi o 20 de setembro / Precursor da Liberdade”. O gaúcho – o tipo que “passa pela vida, aventureiro, jovial, diserto, valente e fanfarrão, despreocupado” de que falava Euclides da Cunha – não era capaz de viver sob a égide de um rei.  Nascera em território virgem de normas e só concebia ser governado por alguém a quem pudesse escolher pelo voto.  Ou seja, a República. Seu anseio foi satisfeito em 1889, quatro décadas depois da memorável guerra. Nenhum outro Estado da federação deu tantos presidentes ao país: o gaúcho era talhado, de corpo e alma, para viver numa nação republicana.

Deixo para os leitores a carta de Bento Gonçalves, que atesta, de modo definitivo, o que queriam e quem eram os farroupilhas. E esclarece também o porquê de comemorarmos o 20 de setembro.

“Srs. representantes da nação rio-grandense!

Depois da eroica revolução, que operámos contra os opressores da nossa pátria, depois de uma luta obstinada, que por espaço de 7 annos absorve os nossos cuidados, xegou finalmente a época, em que sem grande risco se verifica vossa reunião exigida altamente pelo voto publico.

Meu coração palpita de prazer, vendo oje assentados n’este venerando recinto os escolhidos pelo povo, em quem estão fundadas as mais belas esperanças do nosso paiz. Eu me congratulo comvosco.”

(…)

Si me não é dado anunciar-vos o soleno reconhecimento da nossa independência política, gozo ao menos a satisfação de poder afiançar-vos, que não só as republicas vizinhas, como grande parte dos Brasileiros simpatiza com a nossa causa.

Mui dolorozo m’é o ter de manifestar-vos, que o governo imperial, surdo á voz da umanidade, e com escandalozo desprezo dos mais sãos princípios da siencia do direito, nutre ainda a pertinaz pretenção de reduzir-nos pela força, e por em meu profundo pezar se diminue com a grata recordação, de que a tirania acintosa exercida poe elle nas provincias tem despertado o innato brio dos Brasileiros, que já fizerão retumbar o grito da rezistencia em alguns pontos do Imperio.

É assim, que seu poder se debilita, e se aproxima o dia, em que, banida a realeza da terra de Santa Cruz, nos avemos de reunir para estreitar laços federaes á magnanima nação brasileira, a cujo gremio nos xame a natureza e nossos mais caros interesses.

Todavia o que deve inspirar-vos mais confiança, o que deve convencer-vos de que alfim triunfarão nossos principios politicos, é o valor e constancia de nossos compatriotas; é alfim a rezolução, em que se axão de sustentar a todo custo a independencia do paiz. (…)”.

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As imagens abaixo são um claro exemplo da postura dos gaúchos ante seu estado natal.

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Fonte fotos e vídeos

Sobre o mesmo tema:

Por que comemoramos o 20 de Setembro

Setembro 15, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Geral | | 2 Comentários

Alphonse Mucha

Ver mais aqui.

E aqui.

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Setembro 10, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Arte | | Sem comentários ainda

O Newton oculto

Qualquer pessoa que tenha completado o segundo ano do Ensino Médio conhece o inglês Isaac Newton: é ele o formulador das leis básicas da mecânica que aprendemos na 1ª.. série do Ensino Médio e daquele método matemático que estudamos um ano depois denominado, muito simplesmente, de “Binômio de Newton”. Quem acompanha, ainda que superficialmente, alguma publicação de divulgação científica decerto já ouviu falar do “Principia Mathematica” e, com absoluta certeza, da imagem clássica do homem de peruca, à moda do século XVIII, encostado numa macieira à espera que a queda de uma maçã lhe dê o leitmotiv necessário para elaborar a Teoria da Gravitação Universal.

Em suma: conhecemos muita coisa do Newton astrônomo, físico e matemático e algo do homem excêntrico e solteirão. Nada, porém, do Newton dedicado ao estudo da Alquimia, do ocultismo e da Bíblia, estudioso do hebraico e do grego e autor de diversos tratados de teologia e interpretação bíblica, para quem “a maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode”. É este Newton que As profecias do Apocalipse e o livro de Daniel: as raízes do Código da Bíblia (Pensamento-Cultrix, 224 páginas, tradução de Carlos Salum e Ana Lucia da Rocha Franco) nos revelam. Aqui, o cientista estuda pormenorizadamente as profecias dos livros de Daniel e do Apocalipse e as relaciona com a história européia e mundial, encontrando pontos de contato e pistas que levam à idéia de um Código escondido nas Escrituras.

Onde encontrar:

www.pensamento-cultrix.com.br

Setembro 9, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

O crítico Bandeira

A Apresentação da Poesia Brasileira de Manuel Bandeira, é uma das melhores antologias de poetas brasileiros já publicada. Além da seleção criteriosa, que vai José de Anchieta a Haroldo de Campos, o livro traz um ensaio introdutório do autor onde cada um dos principais nomes da nossa poesia é submetido a rigorosa crítica, como sói acontecer nas melhores antologias. Um livro modelar. Ou quase. Manuel Bandeira pecou apenas ao ser excessivamente rigoroso com um poeta em particular: ele mesmo. Nas 504 páginas de Apresentação da Poesia Brasileira não há apreciação crítica do seu próprio trabalho e seu nome aparece apenas em um ou outro momento menos relevante. O julgamento de Bandeira é seguro em praticamente todo o livro – a não ser quando chega aos seus companheiros de geração, quando fala demais dos outros e nada de si mesmo. Este pequeno defeito, provocado talvez pela proverbial humildade do autor – apelidado por Murilo Mendes de “franciscano da poesia” -, não chega a manchar uma obra que, embora dedicada ao leitor iniciante (foi escrita sob encomenda de uma editora mexicana, disposta a apresentar os poetas brasileiros ao público hispano-americano), jamais desce ao nível do reles didatismo e muito menos da superficialidade. É um livro de genuína crítica literária, seja na segurança ao apreciar dos predecessores, seja na coragem de apontar, dentre os mais novos, quais mereciam maior atenção do público leitor. Em uma palavra: essencial.

Onde encontrar:

www.cosacnaify.com.br (11) 7727-1218

Setembro 7, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

A caminho do Inferno

O lançamento de Preacher – A Caminho do Texas (Devir Livraria, 200 páginas, R$ 45) é um dos mais aguardados do ano.As multipremiadas aventuras do pastor Jesse Custer e do vampiro irlandês Cassidy não são publicadas há quase uma década no Brasil, e agora viraram álbum pela primeira vez, numa bela edição com a capa de Glenn Fabry.

O enredo é típico das road stories, criação original da cultura americana, presentes no cinema, na literatura e na música popular daquele país: é a velha história do peregrino solitário que atravessa o gigantesco território americano em busca de algo, seja o dinheiro, a fama ou a salvação de sua alma. O caso de Preacher é, nesse sentido, bastante singular: os protagonistas parecem procurar, isso sim, a danação eterna.

Jesse Custer é um pastor em crise que encontra  em seu caminho  um misto de anjo e demônio chamado Genesis. Com sua ex-namorada Tulip uma jovem pistoleira e Cassidy, um vampiro irlandês beberrão, Jesse parte  do coração do Texas até a cidade do Nova York, passeando por cenários que nada lembram a mítica Big Apple.

Violência, degradação e muito bom humor acompanham a trajetória dos personagens nesse verdadeiro clássico dos quadrinhos contemporâneos.

Onde encontrar: www.devir.com.br (11) 3347.5703

Agosto 29, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Sábio Spacca

“Está tudo mudando, há facilidades tão incríveis para se produzir, e consumir, e ao mesmo tempo, ou por isso mesmo, tudo fica muito banal.

Voltando ao ‘paradigma Chico Buarque’: era possível um cara ser Chico Buarque sem o mercado das gravadoras, sem o LP? Não bastavam os olhos verdes, o talento e a censura…

Quando, nos anos 90, os DJs começaram a ‘fazer música’ com retalhos sampleados de outras canções, e o rap apareceu com aquela bateria eletrônica – e essas coisas funcionaram muito bem para animar festas –, eu disse: ‘Ih, acabou…’

As facilidades eletrônicas, piratas ou não, pulverizaram o poder das gravadoras, o CD matou o LP e a pirataria matou o CD… Como imaginar um artista sem essa estrutura (física e econômica)?

Por isso, os meus livros ‘feitos para durar’ – quem sabe? – talvez sejam um caminho… Opostos à velocidade, e à instantaneidade, da era do Twiter – que, em breve, será substuído por um editor de 12 caracteres!

‘Micro mensagens’ e ‘terabytes’ de memória…”

Quem quiser, lê mais aqui.

Agosto 17, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Arte | | Sem comentários ainda

Será o efeito Roth?

roth

Celso Roth nos anos 80, quando era um tiozão sorridente.

Atlético perde por 2 a 0 e fica fora do G4

Quem quer saber o que o efeito Roth produziu no passado clica aqui.

Agosto 17, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Sem comentários ainda

O Terceiro Mundo dentro dos EUA

Se você vive em qualquer Estado das regiões Sul, Sudeste ou Centro-Oeste do Brasil pode começar a estufar o peito de orgulho: o seu estado tem condições de vida melhores do que uma boa parte dos EUA. Se você vive em qualquer parte do Brasil, pobre ou rica, atrasada ou avançada, também tem bons motivos pavonear-se:   no Brasil vive-se melhor do que em quatro estados dos EUA.

Isso não é brincadeira: é estatística. A comparação entre os números do IDH (o Índice de Desenvolvimento Humano, usado pelas ONU para medir a qualidade de vida de cada país a partir dos números de educação, renda per capita, condições de saúde, etc, etc) dos Estados americanos revela uma surpreendente disparidade que não encontra similar senão em países subdesenvolvidos. Não é segredo para ninguém que os EUA possuem a maior taxa de desigualdade social dos países de Primeiro Mundo, fruto das diferenças entre o desenvolvimento do Sul escravocrata e do Norte industrial, da questão racial e de muitos outros motivos. O que, creio, ninguém poderia pensar é que ela fosse tão acentuada.

Os números são impressionantes. O IDH da maioria dos estados do Sul dos EUA  varia entre 0,799 e 0,871 (numa escala crescente de 0 a 1). Nesta faixa encontra-se vários países latino-americanos (Brasil, Argentina, Uruguai, Equador, México, Venezuela) e do Leste Europeu (Romênia, Rússia, Estônia, Bielorrússia, Bulgária e outros). O IDH do Brasil, por exemplo, é 0,807. Nada de muito respeitável, mas é superior ao do Arkansas (0,803), da Louisiana (0,801), da West Virginia (0,800) e do  Mississipi (0,799) e quase empata com o do Alabama (0,809). Por outro lado,os Estados do Norte ostentam índices semelhantes aos da Noruega, da Suíça e do Canadá: em New Jersey, Massachussets e New York o valor do IDH gira em torno de 0,960. Entre Connecticut (0,962), o melhor colocado, e o Mississipi (0,799), o pior, há quase tanta distância quanto entre o Distrito Federal, o mais rico do Brasil (0,874) e Alagoas, o mais atrasado (0,677), segundo números de 2005. Uma disparidade verdadeiramente terceiro-mundista.

As razões para essas diferenças residem, como fica claro, no passado escravocrata e agrário dos Estados do Sul, que atrasou enormemente o seu desenvolvimento social em relação aos do Norte. Ainda tiveram o revés da Guerra da Secessão, que destruiu a economia da região e condenou-a ao posto de fornecedora de mão-de-obra barata para as grandes cidades do Norte e do Oeste, nomeadamente os negros ex-escravos e os rednecks empobrecidos, encarregados pela História de espalhar a sua cultura tradicional pelo país (o blues, o jazz, o country, o bluegrass,  o rock´n roll) e transformá-la, através do canhão midiático das grandes cidades do Norte, em símbolo do melhor que a América tem a mostrar ao mundo.  Não deixa de ser interessante notar que nem todo o poderio econômico dos EUA foi suficiente para amainar as profundas disparidades construídas ao longo dos séculos. Como bem disse Nelson Rodrigues, subdesenvolvimento não se improvisa: é tarefa de gerações. Faltou dizer que sair dele também é.

Fonte:

Agosto 15, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Palestra Itália mostra desqualificação no atendimento médico

Na partida entre Palmeiras 1 x 1 Grêmio realizada na noite de ontem no estádio do clube paulista, um fato ficou comprovado: em casos de uma lesão grave, o jogador padecerá. Na dividida entre Rever e Diego Souza, o zagueiro gremista levou a pior e desceu ao chão quase desacordado. Do momento em que se constatou a necessidade de seu atendimento até sua saída de campo, foram mais de 5 (cinco!) minutos.

Lembrei imediatamente do caso Serginho, jogador do São  Caetano falecido poucos anos atrás jogando uma partida de futebol no Morumbi. A demora no atendimento fez com que o jogador não resistisse e deixasse a vida ali mesmo, no gramado do campo. A morte de Serginho, pelo mesmo para a Direção do Palmeiras, foi em vão: Réver teve um atendimento completamente desqualificado ao demonstrar incapacidade de permanecer na partida. O carro maca demorou a entrar em campo; o jogador foi “jogado” na maca; ao ser conduzido, a televisão filmou que sua cabeça ficava caída e balançando quando estava desacordado e deitado.

Mas o pior fato de todos é que no estádio do clube paulista é IMPOSSÍVEL a entrada de ambulâncias. Isso mesmo, amigos: as ambulâncias não entram no Parque Antártica/Palestra Itália. Ou seja, o jogador que precisa de pronto-atendimento deve esperar a boa vontade do juiz em parar a partida, a demora secular dos motoristas dos carros-maca, a desqualificação na condução de seu corpo e só assim, já fora do estádio, conseguir adentrar em uma ambulância. Jogadores que se lesionarem no estádio palmeirense, TREMEI: vocês morrerão se depender da estrutura física palmeirense.

Ainda por cima a direção palmeirense lança em seu site oficial a informação de que “O Palmeiras coloca o seu departamento médico à disposição em dias de jogos”. Se for verdade, fiquei com pena do departamento médico palmeirense. De que adianta DIZER que possui uma aparelhagem moderna se em casos de lesão o jogador leva um tempo absurdo para ser mal atendido?

Agosto 7, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Sem comentários ainda

O Grande Irmão chegou

Retirado daqui

20 mil famílias “problemáticas” serão acompanhadas pelo governo

Por Stella Dauer

O Grande Irmão está cada vez mais próximo de nós. Um anúncio feito pelo governo britânico informou que câmeras de vídeo, tradicionalmente utilizadas para segurança, serão instaladas em 20 mil casas do país, onde seus moradores serão monitorados 24 horas por dia

Idealizado por Ed Balls, Secretário da Criança do Reino Unido, o projeto tem objetivos nobres, ainda que assustadores. De acordo com o site TechRadar as câmeras servirão para monitorar famílias problemáticas (de acordo com um critério governamental) e verificar se as crianças fazem lição de casa e dormem na hora certa.

O Projeto de Intervenção Familiar, que custará US$ 668 milhões aos cofres públicos ingleses também contará com uma equipe policial especializada que irá fiscalizar o andamento do programa e evitar problemas. Além disso as famílias terão de assinar um “contrato de comportamento” no qual os pais afirmam que vão garantir a boa conduta dos filhos, noticiou o blog Gadget Lab do site Wired.

Segundo o site Daily Express cerca de 2 mil casas já possuíam as câmeras instaladas em seu interior até ontem. Com esse programa o governo espera reduzir o número de jovens que entram para o mundo do crime devido ao comportamento caótico de suas famílias.

Para os apreciadores de literatura de ficção, isso soa mais como um pesadelo. A semelhança a 1984, livro do escritor George Orwell, é assustadora. No livro é retratada uma sociedade onde o Estado é onipresente e vigilante, com a capacidade de alterar a história e o idioma, de oprimir e torturar o povo e de travar uma guerra sem fim com outras nações, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada e a economia funcionando.

Agosto 5, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

Ah, uhu, o Chávez é nosso!

Trecho da entrevista com Guillermo Zuloaga:

Como o senhor vê a posição brasileira em relação a Chávez?

Ao Brasil convém muito apoiar nosso presidente. Como a nossa capacidade produtiva foi minada pelas políticas socialistas, toda a população se tornou cliente dos amigos de Chávez, incluindo aí muitos empresários brasileiros. Em dez anos de chavismo, o número de indústrias venezuelanas caiu 40%, enquanto a importação de produtos brasileiros foi multiplicada por dez. Como o volume das nossas exportações não foi alterado, nossa balança comercial com o Brasil hoje é extremamente desfavorável para nós. No ano passado, compramos 5 bilhões de dólares e vendemos pouco mais de 500 milhões de dólares. É uma diferença muito grande. Lula apoia isso porque sabe que essa relação é benéfica aos seus empresários. Para os homens de negócios venezuelanos, é um tormento.

Como se vê, o Brasil finalmente assumiu a posição de megapotência: está apoiando governos totalitários para garantir a sua supremacia econômica na região.

Pena é que, ao contrário de outras megapotências, o faça também por razões extra-econômicas.


Agosto 3, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

O que Fábio Santos tem contra o Grêmio?

Porquê Fábio Santos odeia tanto o Grêmio? O que o impele a ter tamanha sofreguidão em desmoralizar, em demolir, em avacalhar, em humilhar, em aniquilar o nosso querido Tricolor?

Porque Fábio Santos quer entupir as goleiras de Vítor com gols originados dos buracos do lado esquerdo da defesa ? Que benefícios aufere Fábio Santos em deixar o adversário passar livre, leve e solto, como um falcão maltês a cruzar o Mediterrâneo? Qual a graça que vê Fábio Santos em perder a bola sempre que aproxima do ataque adversário e deixar os pobres Adilson e Túlio desesperados para evitar o sinistro acontecimento do gol?

Qual a origem daquele eterno sorriso na face de Fábio  Santos sempre que erra um cruzamento? Será demoníaco?Que taras pérfidas e doentias passam pela cabeça do sr. Fábio Santos ao ver o oponente aproximar-se do lado esquerdo do campo? De onde vem tal sanha de desgraça e destruição, de morte e aniquilação?

Em suma: o quê Fábio Santos tem contra o Grêmio?

Julho 31, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 3 Comentários

Contos de F. Scott Fitzgerald

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O filme O Estranho Caso de Benjamin Button, de David Fincher, tem quase três horas de duração. O conto O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald (1896 -1940), tem exatas trinta páginas. A coletânea de contos em que ele aparece, O curioso caso de Benjamin Button e outras histórias da Era do Jazz (José Olympio, tradução de Brenno Silveira), não chega a trezentas páginas, que seria um tamanho compatível com o tempo de duração da adaptação. Só por aí já podemos ter uma ideia do que foi o trabalho do roteirista em dilatar o tempo da narrativa, inserindo detalhes que o conto não traz ou o faz de maneira implícita ou superficial. Apesar do cuidado de Fitzgerald com o estilo – clássico, sem os experimentalismos típicos dos seus contemporâneos – o conto felizmente permite essa expansão, dado o grande período de tempo transcorrido nas trinta páginas em que o escritor nos conta a história do homem que nasceu com aparência de velho e foi rejuvenescendo com o passar dos anos.

A narrativa é um dos trunfos de Fitzgerald. Assim como o nosso Machado de Assis, foi jornalista e aprendeu a arte da concisão, duramente trabalhada pelas rigorosíssimas exigências de espaço dos jornais. Também como Machado, gosta de conversar com o leitor como quem convida um amigo para tomar chá na varanda, o que é outro provável resquício do cronista e jornalista. E, como se tudo isso não bastasse, o autor de O Grande Gatsby é também muito machadiano em sua visão irônica da sociedade (sobretudo a alta sociedade), em seu pessimismo incoercível e na latente ternura pela incapacidade dos homens de sua época supostamente feliz – os anos 20 nos EUA, a “Era do Jazz” – em serem felizes. Só isso – ou tudo isso – já justifica a leitura atenta destes contos.

Onde encontrar

Julho 29, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

E se Obama fosse brasileiro?

Como todos sabemos, Obama é ídolo mundial. Em sua campanha, foi capa da Rolling Stones, da TIME e da Newsweek. Eleito, protagonizou uma série de trabalhos tido como impossíveis: aplaudido de pé no Oriente Médio, discursou para centenas de milhares na Alemanha e, para desviar os holofotes, apontou Lula como o maior político do mundo enquanto saía de fininho no canto. Aliás, no país de Lula, Obama é saudado por todas as correntes de esquerda e só estamos esperando a campanha eleitoral começar para ouvirmos falar num “Obama brasileiro”. Gostamos de Obama: é mestiço como nós, simpático como nós, sorridente como nós e boa praça como poucos de nós conseguem ser. A verdade é que Obama é um dos nossos – ou melhor: gostaríamos que ele fosse.

Na semana passada, dia 17, Obama fez um discurso exaltadíssimo na NAACP, a maior organização de direitos civis dos EUA, onde militou e formou-se como político. Dirigiu suas palavras ao público negro, que ele tão bem conhece e do qual ele é, a um tempo, o membro mais relevante e um estranho no ninho, mulato num país de brancos e negros sem meio-tons. Falou o que sempre se fala em situações como essa: da história trágica da escravidão, das suas visitas à África, da discriminação que continua a existir nos EUA e do seu trabalho para combatê-la. Mas, sobretudo, Obama falou o seguinte:

“Ninguém escreveu seu destino para vocês (….) Seu destino está nas suas mãos e vocês não devem esquecer isso. Isso é o que eu tenho a ensinar a todas as nossas crianças! Não há desculpas! Não há desculpas!”

Obama falou mais:

“Coloquem o Xbox de lado e ponham suas crianças para dormir em uma hora razoável”"

E, como se não bastasse:

“Eles podem pensar que têm um bom arremesso ou uma bela voz, mas nossos filhos não podem todos ser LeBron ou Lil Wayne. Eu quero que eles queiram ser cientistas e engenheiros, médicos e professores, não apenas jogadores e rappers. Eu quero que eles queiram chegar à Suprema Corte. Eu quero que eles sejam presidentes dos Estados Unidos da América”.

Para muitos de nós, esse último parágrafo talvez pareça algo chocante. Confesso que não consigo imaginar  um político brasileiro – e ainda mais um presidente da República – proferindo um discurso desses ao grande público nos dias de hoje.  No mesmo momento seria acusado de preconceito, de menorizar os afro-descendentes, os jogadores, os rappers e, mais  do que isso, de fazer vista grossa à influência das condições sócio-econômicas na formação de uma pessoa. Quando Obama conclama os negros a acreditarem em si mesmos, a estudarem, a quererem vencer na vida, a deixarem o discurso vitimista e fácil, ele apela para um princípio fundador dos Estados Unidos da América: o da autonomia individual. Todo e qualquer indivíduo está livre para ser o que quiser, e não serão os preconceitos dos outros que lhe impedirão de alcançar seus objetivos e muito menos as amarras psicológicas que prendem alguém à sua condição social. Se Obama fosse brasileiro, seria acusado de dar argumentos para os opositores das cotas raciais e, portanto, conivente com um racismo institucionalizado, dito cordial. Se Obama fosse brasileiro, seria acusado a discriminar rappers e jogadores e, por tabela, discriminar os próprios negros. Se Obama fosse brasileiro, teria receios de ferir certas suscetibilidades, de parecer – ora vejam! – um racista.

Pensando bem, Obama não é um dos nossos.

Julho 27, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Cartas de Burckhardt

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O suíço Jakob Burckhardt (1818-1897) passou para a história como o típico erudito solitário, austeramente dedicado aos seus elevados afazeres e desligado do impuro mundo exterior. Isso foi, ao menos em parte, verdade: homem de hábitos simples, morador do segundo andar de uma casa de comércio durante a maior parte de sua vida, quase que inteiramente dedicado à sua cadeira de História da Arte na Universidade da Basiléia, Burckhardt contemplou com a sua época com a preocupação de um apaixonado pelos valores perenes da civilização européua diante da derrocada geral trazida pelo populismo, o capitalismo industrial e o igualitarismo.

Nestas Cartas (Topbooks, 416 páginas), vemos quão freqüentes eram estas preocupações na cabeça do autor da monumental A Cultura do Renascimento na Itália. Dirigidas a vários interlocutores – dentre os quais ninguém menos do que Friedrich Nietzsche, amigo do historiador – , Burckhardt discorre nelas sobre a sua concepção de história (outra preocupação freqüente), sobre a ascensão dos governos democráticos (entendidos aqui no seu pior aspecto, ou seja, demagógicos) na Europa e a massificação da cultura, além de muitas, muitas opiniões sobre arte, cultura e tudo o que diz respeito ao sacerdócio deste autodenominado “monge secular”.

Onde encontrar:

www.topbooks.com.br

(21) 2233 8718

Julho 21, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Luz em agosto

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Considerado por muitos como o melhor livro de William Faulkner, Luz em Agosto é uma espécie de suma da obra do escritor do Mississipi. Nas 44 páginas desta bela edição da Cosac Naiffy, encontramos todos os prinncipais elementos que fizeram de Faulkner um dos maiores nomes da literatura do sécul XX e, possivelmente o melhor romancista americano: a narrativa contada sob várias perspectivas, a sobreposição de histórias, os fluxos de consciência, a questão racial (tema candente, em se tratando de Sul dos EUA), os personagens dilacerados moral e fisicamente, dentre várias outras características não só de Faulkner como de todo um estilo, o chamado “Southern Gothic”, espécie de transposição inusitada do gótico do frio e sombrio Norte Europeu para o quente e úmido Sul dos EUA.

Luz em Agosto apresenta três histórias cujo centro está em Joe Christmas, branco mas com sangue negro (algo pelo menos inusitado, em se tratando da região), um típico marginalizado de Faulkner. Assim como Lena Grove, uma jovem grávida que sai do Alabama em direção ao Tennessee em busca do pai de seu filho, e o reverendo Hightower, afastado de suas funções devido a uma desgraça pessoal. O assassinato de uma ex-amante de Christmas será o ponto de contato entre essas pobres criaturas, habitantes do trágico mundo que Faulkner criou. À imagem e semelhança do nosso.

Onde encontrar:

www.cosacnaify.com.br

(11) 3823 6599

Julho 18, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Capa do Olé

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Julho 17, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Sem comentários ainda

Juan Sebastián Verón

Julho 16, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 2 Comentários

Carta a um amigo europeu

Prezado John,

Escrevo aqui momentos antes do principal acontecimento do ano. Já imaginas qual é, decerto. Lembro de ter comentado contigo em uma tarde de café qualquer quão importante é, neste lado do mundo, um jogo de futebol, importante ao ponto de nem saber se pode ser mesmo chamado de “jogo”.  Jogo é diversão, é brincadeira, tem um começo e um fim que não se transmitem para o mundo exterior a ele. Uma final de Libertadores, como sabes, não é bem assim. Sei que vocês aí recebem notícias meio aterrorizantes sobre o que é o futebol neste canto esquecido do mundo e de tudo o que o cerca – aliás, eu diria que qualquer coisa aqui parece aterrorizante a vocês, não é? – e acredito que até achem interessante.

Mas, como eu dizia, o futebol numa Libertadores da América não é um jogo. Um jogo, como eu também disse antes, é uma brincadeira. Assim como meninos brincam de soldadinhos de chumbo, vocês brincam de guerra no futebol. Vocês aí na Europa brincam de repetir as pelejas do passado, transformando o gramado em uma guerra metafórica num tempo em que as velhas batalhas de capa e espada já não existem aí. Aí, o futebol é um espetáculo, algo como as cavalhadas do Maranhão, no Norte do Brasil, em que são representadas as guerras entre mouros e cristãos. Aqui, não. Há algo de terrivelmente sério numa Libertadores da América. Há algo de profundamente vital, essencial, humano num jogo deste torneio. Num jogo aí na Europa, numa cavalhada no Maranhão, numa peça de teatro, num filme sobre a Segunda Guerra temos garantias de que, acabado o espetáculo, sairemos são e salvos para o conforto de nossas casas. Façamos uma comparação: quem ganha o campeonato europeu, ganha a Liga dos Campeões, título um tanto insípido, cujo nome pouco significa. Quem vence o torneio da América do Sul recebe uma taça que homenageia os homens que tiraram os nossos povos do jugo dos europeus – de vocês – e colocaram o nosso próprio destino em nossas mãos. Quem vence uma Libertadores recebe uma taça cheia de ressentimento, dor, passado desgraçado. Uma taça cheia de sangue – do nosso sangue.

Lembro de ter visto certa vez um documentário sobre um antigo jogo dos maias, semelhante ao futebol,  que tinha um significado ritual, religioso, onde o vencedor era obrigado a sacrificar-se a um deus de nome impronunciável. O jogo, se bem me lembro, tinha algo a ver com a representação da criação do mundo. Nesse sentido específico, há um jogo, sim, na Libertadores. Um jogo sério – o que, como eu disse antes, não é propriamente jogo – mas antes um ritual que, como todo ritual, reproduz simbolicamente uma situação. Jogar a Libertadores é repetir a aventura dos espanhóis e portugueses por estas terras que nunca deixaram de ser totalmente selvagens. Os estádios têm auras míticas, são encobertos por névoas, espíritos dos índios mortos pelos conquistadores (que não são os teus, mas sim os meus ancestrais, por mais que nos custe admitir), dos conquistadores abatidos pela doença e pelas feras reais e imaginárias, dos imigrantes enganados por falsas promessas de fazer uma América bem diferente daquela com a qual sonharam. Quem joga uma Libertadores da América sobe aos Andes com o Basco Aguirre e enfrenta a cólera dos deuses andinos, furiosos por terem sido acordados de seu torpor forçado: lá em cima, o Sporting Cristal, o Nacional de Medellin, o Millionarios de Bogotá, o Bolívar e o Blooming são sacerdotes de uma estranha magia que rouba o ar do visitante e o deixa abatido para a decapitação (Sim, João, não há leis contra jogar na altitude, todos sabem que faz mal, que prejudica os pulmões, que põe em risco a vida do atleta, mas não interessa: é preciso cumprir o ritual). Lá de cima, pode mirar outro desafio terrível, a cidade de Cali, caliente e úmida como são as cidades da planície na Colômbia, verdadeiro inferno verde do América – nome altissonante e elucidativo -, quatro vezes vice-campeão do torneio, que enverga uma camisa vermelha assustadora

Desce quase quatro mil metros e enfrenta o temível estádio Defensores del Chaco, localizado em meio ao desolador Chaco paraguaio, longe de Deus e dos homens civilizados, onde os inimigos do Cerro Porteño e do Olímpia recebem a dura vingança do povo paraguaio esmagado por uma guerra covarde; pega uma barca no Rio Paraguai, desce pelo rio Paraná e chega ao Rio da Prata, onde no passado aportaram miseráveis de todo o mundo em busca de pão em uma Argentina cheia de trigo e de vinho, mas também cheia de governantes corruptos e desalmados; alguns deles amontoaram-se em casebres miseráveis nas proximidades do rio e, junto a bolivianos, paraguaios e “cabecitas negras” do Norte argentino, recepcionam com paus e pedras, bumbos e bandeiras, voz e coração, aos inimigos do Club Atlético Boca Juniors. Há clubes que se localizam nos bairros: La Boca é o único bairro que é localizado no terreno do Boca Juniors, válvula de escape para os dramas, as frustrações e as desgraças dos pobres moradores dos arrabaldes de Buenos Aires. Ali perto, em La Plata, um pouco mais ao sul, situa-se o Estudiantes de La Plata, mestre incomparável na arte de torturar o adversário – fisicamente, é claro, aos pontapés, aos cotovelaços, aos furos de agulhas escondidas nas meias. Tantas pauladas sofreram os ingleses do Manchester United na final do Mundial de 1968 que reuniram os demais clubes europeus e decidiram, de uma vez por todas, que naquele continente de incivilizados não jogariam nunca mais.

Do outro lado do Rio da Prata, dois velhos gigantes aguardam cansados, quase adormecidos. São o Peñarol e o Nacional. Autênticos guerreiros, cheios de cicatrizes, com olhar melancólico de tanto olhar para o sul ártico do mundo, de tanto lutar por sua independência de dois gigantes vizinhos, os dois não assustam muito ao visitante desavisado. São clubes pobres de um país pequeno e pobre. Teoricamente, vencer um clube uruguaio é tarefa fácil.  Quase todos pensam assim. O  Brasil achou isso em 1950.

Aliás, bem lembrado: subindo os pampas uruguaios pelo Norte penetra-se no continente Brasil. Ali os demônios que o peregrino enfrenta são outros, talvez ainda mais traiçoeiros. A simpatia e a bonomia inata dos brasileiros revela uma aqui uma face desconhecida e cruel. O Cruzeiro de Minas Gerais, terror dos argentinos e uruguaios, apelidado La Bestia Negra, joga seusadversários num campo imenso e cheio de armadilhas preparadas pelos escravos e pelos portugueses para quem se aventurar a tentar profanar o ouro inesgotável de suas Minas; o sorridente Rio de Janeiro despeja uma gargalhada malévola no Maracanã colorido pelo vermelho e pelo negro, as cores de Exu, o demônio da umbanda; já em São Paulo, cidade arrogante e poderosa, construída por uma raça de homens altivos e industriosos – os bandeirantes -, a cidade de todas as indústrias humanas, impõe-se o São Paulo Futebol Clube ao seu visitante com o dedo em riste e o olhar fime e desafiador. Em Porto Alegre, despertar a fúria do Grêmio de Porto Alegre  – o mais furioso de todos os nossos clubes – é despertar o furor do velho gaúcho defensor das fronteiras do Império contra o inimigo castelhano e convidá-lo para uma peleia de faca na mão ao som ribombante dos tambores da enlouquecida torcida do Imortal Tricolor.

Isso parece entretenimento, não é, João? Parece que dá uma certa graça ao torneio. De fato, achamos isso mesmo. Não creio que, para a gente, cadeiras almofadadas, lugares numerados, limpeza impecável nos banheiros e a presença efetiva – e não apenas simbólica – da polícia seja algo atrativo, desejado, esperado. Tudo isso transformará a nossa Libertadores em apenas mais um jogo, mais uma diversão, mais uma brincadeira. Pedir para que façamos isso é o mesmo que pedir a um católico que retire a comunhão da missa: sem o corpo de Cristo, a celebração não tem sentido. Sem o nosso corpo – exposto, maltratado, arriscado, sujo, enlameado – a Libertadores não existe e aqueles encontros de dois clubes passarão a ser meras partidas de um torneio qualquer como essa Liga dos Campeões. A Libertadores da América repete as contradições deste lado contraditório da América. A Libertadores da América é a confirmação do epíteto de que o futebol é como a vida. A Libertadores da América é, sim, como a vida – a nossa vida.

Sim, eu sei que escrevi muito. Fico por aqui.

Lembranças a ti e à família.

Um jogo é uma brincadeira. Assim como meninos brincam de soldadinhos de chumbo, vocês brincam de guerra no futebol. Vocês aí na Europa brincam de repetir as guerras do passado, transformando o gramado em uma guerra metafórica num tempo em que as velhas batalhas de capa e espada já não existem aí.Aí, o futebol é um espetáculo. Aqui, não.Há algo de terrivelmente sério numa Libertadores da América.

Jogar a Libertadores é repetir a aventura dos espanhóis e portugueses por estas terras que nunca deixaram de ser totalmente selvagens, que

Julho 16, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 1 Comentário

Michael Jackson (1958-2009)

Lembro muito bem da primeira vez em que ouvi falar em Michael Jackson. Foi em 1992. Na época, a MTV ainda engatinhava num Brasil de hiperinflação, desestruturação política e atraso generalizado em relação ao resto do mundo. Só podia assistir os videoclipes dos grandes nomes do momento quem tivesse uma antena com opção para UHF (nunca soube direito o que isso queria dizer) capaz de sintonizar o canal 24 da emissora de Luis Thunderbird, Marina Person e (na época) Zeca Camargo. Ali, o Brasil periférico e (ainda mais) bagunçado de 1992, o Brasil de Collor, de PC Farias, dos raríssimos shows internacionais, sem novidades da informática e da tecnologia podia assistir, embasbacado, às novidades da música pop das quais os adolescentes só ouviam falar através de revistas como a Bizz ou do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo. E crianças, como eu, que não liam essas coisas, nem isso tinham.

Desenhado este quadro, o leitor pode imaginar a impressão causada neste articulista ao entrar na casa de um primo agraciado com a antena, com a MTV e com os videoclipes. TV ligada, tarde chuvosa, todos sentados na sala esperando o clipe que viria a seguir. A música chamava-se “Black or White” e quem a cantava atendia pelo nome de Michael Jackson. Foi a primeira de muitas vezes que ouvi falar daquele nome em 1992 e nos anos seguintes. Com toda a sinceridade, eu mentiria se dissesse que aquela música me arrebatou logo da primeira vez. Mas eu mentiria também se dissesse que não senti nada.

Os anos passaram e ouvi o nome de Michael Jackson muitas outras vezes, para o bem e para o mal. O Brasil abriu-se cada vez mais para o mundo, os shows começaram a ficar mais frequentes, a MTV deixou de ser algo para poucos, surgiram outras revistas de música, outros canais de TV e outras maneiras de se ter acesso ao melhor do pop mundial. Eu próprio passei a acompanhar o pop e tive meus ídolos, como todos os que acompanham o mundo do entretenimento. Ouvi muitas críticas ao trabalho de Michael Jackson, e concordei com algumas delas, assim como concordei com alguns elogios. Três décadas de carreira sempre trazem altos e baixos, em nível pessoal ou artístico. Nem todos, porém,podem dizer que alcançam locais tão distantes do centro do mundo como a cidade de Canoas, no Brasil de 1992, e, mais do que isso, deixam a sua imagem na memória de um menino desinteressado pelo pop, pela música e por tudo o que a cerca. E que – quem sabe? – talvez por isso tenha passado a se interessar por tudo.

Acho que isso resume bem o que foi a trajetória de Michael Jackson.

Julho 7, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Mundo pop | | Sem comentários ainda

Não vai coisa nenhuma, Tcheco!

A leitura do blog de Cristian Bonatto neste sábado mostra bem o que uma derrota pode causar em cabecinhas menos preparadas. Em um post intitulado “Juntando os cacos”, o autor afirma o seguinte acerca do capitão gremista:

“Sua permanência no Olímpico não é mais possível pelo simbolismo que adquiriu de um time, uma atitude, uma postura e uma forma de comportamento que não podem continuar iguais. Tcheco tem a procuração para representar este Grêmio que urge mudança. O desgaste com a torcida parte daí. Imaginamos por duas vezes a foto de Tcheco ao lado das imagens de De Leon e Adílson levantando Libertadores e acabamos tendo que ouvir sempre dele os pedidos de desculpas pelos tantos “quase lá” deste Grêmio pós 2005.

Se foi a imagem das mortes na praia, também foi o símbolo do “como este time chegou até ela?”. Uns o mandarão seguir o caminho das sombras, a maioria vai oferecer a porta da frente”

O sr. Bonatto é estudante de publicidade. É possível notá-lo claramente pelas fotos que ilustram o blog. A primeira delas, a maior, é um vidro rachado. É uma das janelas do quadro social do Grêmio, atacada por torcedores irritados pelo tratamento desumando dado pela direção aos sócios antes do jogo da última quinta-feira. A segunda, ao lado, é uma prova indiscutível de falta de cavalheirismo e bons modos. O leitor do Blog Perspectiva há de reconhecê-la de pronto: é a foto do post Trapo do Tcheco, que registra o processo criativo da nossa querida Madame Y, desenhista, pintora e integrante deste blog, ao pintar um trapo em homenagem ao capitão gremista. O sr. Bonatto não faz referência de onde conseguiu a foto, não cita fonte e nem presta esclarecimentos. Em suma: não faz nada do que as regras básicas da boa convivência na Web costumam receitar.

A combinação das duas fotos tem um claro objetivo, como toda combinação de fotos preparada por um publicitário: mostrar que Tcheco é o epicentro da crise, a causa dos males da equipe, o símbolo de derrota, de um time perdedor, de uma época marcada pela falta de títulos. Tcheco traz consigo, em seus lançamentos precisos, em suas cobranças de faltas laterais e de escanteio salvadoras (o gol de Réver contra o Cruzeiro nasceu de uma delas), em sua doação em campo e em sua notável capacidade de organizar o meio campo uma espécie de maldição que contagia toda a equipe e afasta o Grêmio das conquistas. O Tcheco do sr. Bonatto é um anti-Midas, um tipo malquisto por Deus e pelos homens, um perseguido pela má sorte. Um verdadeiro inimigo público.

O sr. Bonatto é definitivo: “Sua permanência no Olímpico não é mais possível pelo simbolismo que adquiriu de um time, uma atitude, uma postura e uma forma de comportamento que não podem continuar iguais”.

Mais:

“Não. Não há nada definido neste sentido. Apenas especulações da imprensa e interpretações das palavras do próprio Tcheco. Mas já vou me despedindo do capitão. Não há como pensar em uma reformulação de verdade no time do Grêmio com a manutenção do Tcheco.”

O que sr. Bonatto pede é que mandemos esse símbolo de “um time, uma atitude, uma postura e uma forma de comportamento que não podem continuar iguais” embora de uma vez. Não explica de qual time, de qual atitude, de qual postura e de qual forma de comportamento está falando. Talvez se refira ao Tcheco que, no intervalo do jogo contra o Cruzeiro, quando tudo estava perdido, disse que iria jogar para lavar a honra da torcida; ou do Tcheco que recusou os milhões dos árabes e preferiu satisfazer o seu desejo (e o da torcida) de jogar no Grêmio; ou do Tcheco que aceitou vir para o Grêmio em 2006, quando recém saímos da Segundona e ninguém – repito: ninguém – queria vir jogar em um clube falido e com um ano muito pouco promissor; ou do Tcheco que garantiu pelo menos duas vezes, de forma decisiva, a classificação do Grêmio para as finais da Libertadores de 2007; ou do Tcheco que tantas vezes entrou em campo sem as devidas condições físicas, porque o Grêmio precisava dele; ou do Tcheco que foi  tantas vezes expulso porque, ao contrário de muitos, “profissionais”, ele não conseguiu controlar-se, não conseguiu ser profissional, não conseguiu manter-se frio diante do roubo descarado, da vigarice, da trama e dos inimigos do Grêmio. O Tcheco que fez tudo o que nós, cada um de nós, verdadeiros e apaixonados torcedores, faríamos no lugar dele. Deste Tcheco – diz o sr. Bonatto – não precisamos mais.

Diante de tanta sandice, tanta injustiça, tanta barbaridade escrita por alguém que tem o poderio das Organizações Globo a seu favor para dizer e fazer acontecer, talvez fosse fácil escrevermos um texto daqueles cheios de melancolia, de amargura, de indignação contra uma injustiça cometida. Seria fácil dizermos que o pobre Tcheco não merece receber em cima de si tantas asneiras ditas por um so-called gremista. Não o faremos. O post do Sr. Bonatto já é cheio de melancolia – de falsa melancolia, fabricada, de plástico, desvinculada da realidade e do momento – e não precisamos disso no momento. O sr. Bonatto talvez goste da saudável atividade de chorar no cantinho. O Grêmio – o meu Grêmio, o de Tcheco, o do Souza, o do Herrera e de tantos outros – não pode se dar este luxo. Temos um Brasileirão inteiro para ganhar – e para ganhar, é preciso confiança, espírito de grupo e senso coletivo, e não aquela busca por bodes expiatórios tão típica dos fracos em momentos de crise.

Fica, Tcheco.

Vai, Bonatto.  Por qualquer porta, dos fundos, da frente ou do porão. Mas vai.

Tcheco no Perspectiva

Julho 4, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 30 Comentários

Discutindo a crise

criseA atual crise econômica pôs em discussão aquilo que há poucos meses era tido como indiscutível: o capitalismo. De uma hora para outra, o bom e velho neoliberalismo claudicou e, hoje, ninguém se atreve a defendê-lo em público. Livros empoeirados do velho Keynes – e do ainda mais velho Karl Marx – saíram do canto das prateleiras e passaram a ser relidos com o fervor de quem procura a cura para uma doença. Como costuma acontecer em momentos como esse, marxistas saíram da toca como formigas provocadas e passaram a picar as pernas de todo mundo com a velha e boa retórica do fim do capitalismo devido aos seus problemas internos. Alguns, porém, vão um pouco além da retórica. É o caso de Istvan Meszáros e seu A Crise Estrutural do Capital (Boitempo Editora, 136 páginas).

Como todos os livros de Meszaros, este é um livro marxista. Duramente marxista. Aliás, poucos dos pensadores modernos são tão irrenunciavelmente marxistas quanto Meszaros – e poucos são capazes de fazer análises tão inteligentes e refinadas do mundo de hoje como ele. Húngaro, ex-aluno de Gyorgy Lukács, Meszaros enxerga no mundo de hoje, e com excelentes argumentos, um momento crucial de crise no capitalismo. Além disso, acredita que é preciso apresentar uma alternativa a esse sistema condenado. Esta alternativa é, naturalmente, o comunismo. Todos sabem o que acontece  num regime comunista e todos sabem que devemos evitá-lo a todo custo. O problema é que comunistas como Meszáros, apesar disso tudo, não deixam de ter razão em muito do que dizem. O que fazemos com eles, então? Não sei. Mas sei que precisamos lê-los.

Onde encontrar: (11) 3875 7250
www.boitempo.com.

Julho 3, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

O crime de Maxi López

Junho 27, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Sem comentários ainda

O peso de Ronaldo

Foi discutidíssimo o segundo gol do Corinthians na vitória de ontem sobre o Internacional, válida pelo primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Para muitos, o meio-campista Elias não poderia ter cobrado aquela falta com a bola rolando e, consequentemente, o lance seguinte – o gol de Ronaldo – não poderia ter acontecido. Os colorados reclamam com todo o direito que os perdedores têm de reclamar. Nós, que nada temos com isso, atentamos apenas para o lance do gol e para quem o marcou.n

Ronaldo recebeu a bola e arranca em direção ao gol do Inter pelo lado direito da grande área colorada. Com dois zagueiros na sua cola, sua única saída é cortar para o lado e chutar com a perna esquerda (Ronaldo é destro). É o que todo atacante pretenderia fazer. A maioria não tenta, pois sabe que não vai conseguir. O argentino Maxi Lopez teve um lance parecido no jogo contra o Caracas, ontem, e, em vez de cortar para o lado, bateu de pronto e chutou a bola nas imediações do Obelismo,em Buenos Aires. Outros tentam,mas não conseguem o drible. Outros até conseguem driblar, mas, tomados pelo nervosismo da situação, fazem o mesmo que Maxi Lopez fez. E outros simplesmente driblam mas não sabem chutar. Ronaldo não se encaixa em nenhuma dessas situações: sabe fazer o corte, sabe driblar, sabe chutar, sabe que sabe de tudo isso e, sobretudo, não demonstra o menor nervosismo em fazê-lo. Quando recebeu a bola, cortou para o lado e chutou, o atacante carioca parecia executar uma tarefa rotineira, simples, repetida tediosamente todos os dias e há muito tempo. Com tranquilidade, fez o que devia fazer e marcou o gol. Como já fez centenas de vezes nos quatro cantos do mundo, de todas as maneiras possíveis, contra adversários de todos os níveis e patamares. Ronaldo já marcou gols em defesas onde militaram Franco Baresi, Paolo Maldini, Lothar Matthaeus, Tony Adams e Frank Rijkaard e já fez Zubizarreta, Zetti, Kahn, Pagliuca, Preud´homme, Buffon e Barthez buscarem a pelota no fundo das redes. Já calou estádios, torcidas adversárias, sua própria torcida e todos os seus críticos. Ronaldo já experienciou tudo o que o futebol pode proporcionar a um atacante world class. Quando veste a 9 do Corinthians e entra em campo com seus companheiros esses gols marcados, essas bocas caladas, essas expressões de desapontamento dos maiores goleiros do mundo batidos pelo seu inimitável faro de gol entram junto com ele e lhe conferem um peso que nenhum atacante de hoje tem. Nem aqui, nem em outras paragens. E tudo isso que acompanha Ronaldo, para tristeza dos críticos maldosos e de adversários como os de ontem à noite, não pode ser medido em quilos.

Junho 18, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | Sem comentários ainda

NY por Will Eisner

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A cidade de Nova York é uma das obsessões do quadrinista Will Eisner. Grande parte de sua obra tem a Big Apple como cenário. Mas não como os cenários costumam ser, meros panos de fundo para a ação dos personagens. A Nova York de Will Eisner parece ser quase uma entidade viva, com personalidade própria, capaz de atuar na vida de cada um dos seus habitantes como uma mãe – e uma mãe dominadora.

Nova York: A vida na Grande Cidade (Cia das Letras, 440 páginas, tradução de Augusto Calil) é uma espécie de Suma dos retratos que Eisner faz da cidade e dos seus habitantes em seus outros livros, sobretudo Avenida Dropsie, A Força da Vida e O Sonhador. Aqui, porém, câmera de Eisner aproximase um pouco mais: cada história é uma espécie de flash de uma situação única, de um momento efêmero dentre os incontáveis momentos efêmeros que a vida na cidade grande proporciona. Muitas vezes sequer há diálogo: basta a imagem pura e simples do traço expressionista de Eisner para revelar os mistérios escondidos nas vielas sujas, nos becos, nas mansões,nos pequenos apartamentos de classe média baixa, nos bairros de imigrantes que o autor conheceu tão bem na infância. Mistérios estes que, uma vez revelados, deixam à mostra uma beleza insuspeita e, entretanto, incomparável. Assim como a cidade de Nova York. Assim como o grande Will Eisner.

Onde comprar

Junho 15, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

Frei Rovílio Costa – O ideal da leitura

A notícia do falecimento do frei Rovílio Costa nos entristece profundamente. Tivemos oportunidade de conhecer o frei em meados de 2004 e desde então nos tornamos seus admiradores. O amigo dos livros e dos gatos conquistou nossos corações por sua inteligência, sua capacidade de transmissão de conhecimentos e principalmente, pelo fato de que era uma daquelas pessoas que fazem o mundo ser um lugar mais agradável, mais feliz.Lamentamos que naquela casa repleta de livros e gatos não estará mais a figura física do simpático frei, mas resta o consolo de que sua obra permanecerá e seu exemplo estará presente nos corações e mentes que ele conquistou.

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Frei Rovílio na Feira do Livro de 2008 dirigindo-se para assistir espetáculo de Ariano Suassuna

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Como homenagem ao querido Frei reproduzimos aqui o texto que publicamos no jornal canoense O Timoneiro no dia 28 de outubro de 2005 .

O IDEAL DA LEITURA

Patrono da Feira do Livro é título pomposo. Então imaginamos a figura do patrono como alguém de difícil acesso, um intelectual sisudo e quase inalcançável.No entanto, a figura de Frei Rovílio Costa escolhido para ocupar o cargo neste ano desmonta totalmente esta concepção.Basta entrar nas depedências da Editôra EST para percebermos que estamos ingressando no mundo de alguém que encara a vida e as pessoas de acordo com os valores cristãos que defende. Em meio a livros e mais livros, circula sobranceira, totalmente cônscia de seus direitos, a gata Gelina, que o patrono qualifica como gata de telhado. Neste ambiente Frei Rovílio Costa conduz a maior editora do Rio Grande do Sul, e nos recebeu para uma entrevista, com a presença da gata, é claro.

Qual a importância de sua escolha como patrono para a Filosofia da EST?

A escolha do patrono da Feira do Livro, tanto quanto a discussão que vai começar agora sobre o Fato Literário, do qual estou entre os cinco escolhidos, não é uma escolha minha, da minha pessoa, porque não escolheriam um escritor nem um editor propriamente dito, mas uma amante seja da edição, seja do livro. As duas coisas eu as vejo como provisórias. O que é definitivo para mim é a pesquisa: seja publicando ou não, eu vou continuar pesquisando, vou continuar tentando dar ao livro a carga sentimental e afetiva para que ele não seja um intruso na mente e na vida de qualquer criança, de qualquer jovem que seja obrigado a ler inadequadamente. A escolha para patrono significa o reconhecimento de um trabalho feito, porque pelos critérios adotados até hoje, sempre se escolheu alguém da área da alta literatura, da arte, mas este ano escolheram uma ideia, um tipo de trabalho. Então os escolhidos são os mais de três mil autores que tenho publicado.

Quais os próximos projetos da EST?

O projeto principal é ir cobrindo o mais poss[ivel as etnias presentes no Brasil e Rio Grande do Sul. Nós temos coberto quase que a totalidade da etnia italiana e alemã[...]

Qual a relação do ideal cristão em que o senhor for formado e o seu trabalho como editor de livros?

Quando nós tomamos a história da Igreja, se diz que as duas fontes são a Bíblia e a tradição. A Bíblia é a palavra escrita, e a tradição é o boca a boca. Há verdades que estão baseadas mais no magistério da Igreja do que da Bíblia.

Como conciliar as atividades de religioso e de editor?

Eu escolhi ser religioso. Ser editor vem em decorrência. Na Universidade eu estava ligado a dois horários: o horário acadêmico e o de atividades religiosas. No resto do tempo, comecei a dar importância a escrever, a levar as outras pessoas a escrever, a pesquisar e a levar as outras  pessoas a pesquisar. Editar faz parte da ocupação do tempo pessoal.

Sendo religioso, o senhor acredita em missões pessoais. Qual, então, a missão que o senhor vê na EST, e, ao mesmo tempo, qual o diferencial que o senhor vê na editora?

Alguém perguntou qual o futuro da EST, porque até o presente é um trabalho meu pessoal. São Paulo demonstra que existe a Lei e o espírito da lei, então existe o livro e o conceito (espírito) do livro. São tão importantes as obras publicadas quanto a ideia criada de que se faça cultura como cotidiano.  A cultura é como a vida: não se vivem fatos esporádicos e datados, mas cada segundo do cotidiano. Como a gente não se alimenta só uma vez por ano, mas todos os dias, assim a cultura é um todo, não de um dia, mas de todos os dias. Através dos mais de rinta anos da EST, foi possível ajudar leitores e pesquisadores, que levarão as propostas da EST em suas atividades profissionais. Essa nova forma de cultura vida está assegurada, independente de a EST continuar ou não. Sua missão essencial foi realizada.

Qual o futuro do falar vêneto?

O livro Não é a morte das línguas (2000), de Claude Hagége, prevê que, das 12 mil línguasm dentro de cem anos, seriam 6 mil. Perde-se uma língua por semana. Mas, uma pesquisa recente está mostrando que também estão se formando novas línguas. E agora também há o movimento na Itália para reconstituição do ensino das línguas regionais e de grupos minoritários, com respaldo político. Decisões politicas são importantes para prestígio dos falantes. O interiorano que nunca falou português  entre nós e nunca falou i9taliano oficial na Itália, com decisões políticas favoráveis, serão importantes esteios na manutenção dos idiomas, como bases de formas diferentes de identidades. A Itália, pela lei 153, estende o ensino do italiano oficial ao mundo, sem se dar conta que, de fato, a grande emigração, sobretudo de 1860 a 1914, partiu para diferentes pontos do planeta, falando seu idioma regional, provincial, comunal e, por vezes, com típicas características familiares. Dos diferentes falares vênetos, lombardos, trentinos, friulanos e outros constituiu-se aqui o Talian, como língua que hospeda as demais, com prevalência vêneta por a maioria dos imigrantes serem vênetos. A sobrevivência do Talian depende de ele conseguir respaldo político e prestígio social e uma consciência crítica que venha a se criar pelo valor intransferível de ser a língua materna, que uma vez perdida, perde o afetivo próprio. Aprender a língua que foi dos antepassados, depois que nada dela se conhece, não é aprender uma língua envolvente e sentimental, mas uma língua artificial como as demais. Então,a té que alguns falam e compreendem, outros compreendem embora não falem, é o tempo precioso de salvar a base das diferentes identidades familiares, através do Taliam, que deixa caminho aberto à retomada das variantes regionais e provinciais da Itália.

Quais são suas leituras preferidas?

Eu gosto de ler, mas não me apego a este ou aquele literato. Gosto muito de José de Alencar, cearense e casualmente o Ceará é homenageado nesta Feira do Livro; são os 140 anos do Iracema. Eu comecei lendo o Tronco do Ipê. Ele escreve aventuras à beira de rios, raízes de árvores…Eu perguntava: onde será que estão estas árvores? Quando ia para casa – nós morávamos perto de um rio – tem um angico que dobra em cima do rio, eu achava qye aquela era uma das árvores descritas, mas faltavam as famosas raízes serpeando na barranca do rio.

Depois, na área da filosofia, tem Martin Buber. Um livro fantástico, que envolve história, cultura, análise até da perspectiva social é O Nome da Rosa. A partir dele, todos os livros do Umberto Eco. Até Como se faz uma tese é inovador. A proposta acadêmicca não é aquela proposta americana, assim materializada, totalmente esquematizada, parece que é só preencher um quadrinho.

Junho 13, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | 3 Comentários

Poder oculto

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Um livro intitulado Poder oculto que governa os mundos talvez leve o leitor precipitado a pensar que está diante de um tratado de teorias da conspiração. Em outras palavras, de um livro cuja credibilidade é, no mínimo, bastante discutível. Nada mais falso. O estudo do cientista político italiano Giorgio Galli destina-se a uma área que recebeu pouca atenção, isto é,a influência de sociedades secretas, grupos esotéricos e iniciáticos na política mundial.
É natural que muitos torçam o nariz para um assunto desses. Afinal, para muitos,a política está somente subordinada a interesses econômicos – aliás, não só a política, como todas as realizações humanas – e qualquer coisa além disso tem pouca influência na condução dos assuntos ligados ao poder. Giorgio Galli nos mostra que, muitas vezes, por trás de regimes políticos – totalitários, sobretudo – estão crenças profundas que pouco ou nada têm a ver com interesses econômicos e que jazem no fundo das aspirações coletivas dos povos, seus mitos particulares, sua visão de mundo, sua história e seus desejos de momento. O século XX, tão impregnado do laicismo e do culto à razão, foi justamente aquele onde o esoterismo mais influenciou na condução da política. Giorgio Galli mostra, assim, o que havia de crenças ocultas na Alemanha nazista, na Itália de Mussolini, no Portugal de Salazar e em muitos outros países.

Onde encontrar: madras.com.br

Junho 13, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

A morte de Alegria

Quem visita o campus do Vale, da UFRGS, pela primeira vez surpreende-se com a quantidade de cães que circulam pela entrada. Alguns deles são mais ousados e chegam a entrar em salas de aula dos prédios próximos – principalmente no Instituto de Letras – onde chegam a assistir às aulas com atenção raramente encontrada entre os estudantes.

Qual a razão para tantos cães num só lugar? Ninguém sabe ao certo. Uma explicação bem possível é a mais simples: porque são bem tratados. No caso dos cães abrigados pelos alunos da Letras, eles chegam a ganhar nomes de escritores famosos de acordo com o seu aspecto físico e o seu comportamento. Há o Machado de Assis, o James Joyce, o Proust, o Kafka e, curiosamente, também há um Paulo Coelho. Não consigo imaginar que tipo de coisa o pobre cãozinho tenha feito para merecer este apelido. Mesmo assim, o fato é que os cães do Campus do Vale são quase parte da família universitária.

Assim era considerado o cãozinho Alegria. Adotada pelo professor de genética Renato Zamora Flores, Alegria auxiliava no tratamento de crianças carentes vítimas de violência da seguinte maneira: os menores contavam os seus problemas a ele, e não ao médico responsável. Assim, aproveitava-se a capacidade natural dos animais em cativar as crianças e ajudá-las psicologicamente. E Alegria ajudou muitas crianças. E continuaria a ajudá-las, se não tivesse sido morto a pauladas na noite do último sábado. O que motivou alguém a matar um simples cachorrinho de maneira tão cruel e grotesca? Ninguém sabe. E provavelmente nunca saberemos. Desconfio, porém, que o nome da cão tenha desencadeado no criminoso uma auto-repulsa tão grande, tão absurdamente forte, que não lhe restou alternativa a não ser eliminá-la, tal  como o pecador, mesmo rico e poderoso, sente-se diante do santo, mesmo pobre maltratado. Ou, muito simplesmente, como a maldade sente-se diante da bondade.

Junho 9, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Geral | | Sem comentários ainda

Obama no Cairo: uma breve análise

O discurso de Barack Obama no Cairo, neste último dia 4, foi mais uma aula de sensibilidade política e diplomática do presidente americano. Aplaudido entusiasticamente logo na entrada, começou com um agradecimento à Universidade do Cairo, ao povo egípcio e lembrando do que significava estar ali, naquela cidade milenar, falando aos árabes sobre um recomeço de relações. Acabou a primeira parte do discurso com a tradiconal saudação árabe “Assalamu Alaikum”. Ovação total. Qualquer desconfiança inicial já se havia dissipado. A porta para o desfile do mestre Obama estava aberta.

E ele não decepcionou seus fãs: falou de um recomeço de relações e lembrou, com cautela, que Islã e Ocidente nem sempre estiveram em relação amistosa. Mostrou-se humilde o suficiente para reconhecer que não tinha condições para, num só governo, reatar essas relações. Disse que precisamos abrir os corações, falar abertamente uns aos outros e, para isso, citou o Corão várias vezes. Em seguida, lembrou de suas raízes islâmicas – seu pai era muçulmano – e tocou num ponto fulcral para quem quer conquistar a atenção dos árabes: a contribuição islâmica para a cultura Ocidental. Obama sabe muito bem de quão orgulhosos são os árabes de hoje pelos feitos de seus antepassados, à maneira daquele personagem do filme Casamento Grego para quem até a palavra “quimono” era de origem helênica. Aliás, sabe de tudo o que a sua platéia – qualquer platéia – gosta de ouvir.

Terminou a primeira parte do discurso lembrando algo que faria qualquer neocon republicano tremer nas bases: Thomas Jefferson, founding father, tinha um Corão em sua biblioteca pessoal. Um show. Aplausos delirantes para o representante do Império em terras de Maomé. O discurso inteiro, aliás, está aqui para quem quiser aprender com o mestre Obama.

O imperador grego Alexandre, quando conquistou o Oriente Médio, foi chamado pelos árabes de então – ainda não muçulmanos – de Iskandar Zu al-Karnayn, “Alexandre, o Bicorne”, pelos dois chifres que usava no seu capacete representando o Ocidente e Oriente. Obama não usa chifres. Por um lado, tem a cor de sua pele, o seu nome – Hussein Obama – e a sua origem,  por outro, o cargo de presidente dos Estados Unidos da América. Nenhum capacete, nenhum símbolo, nenhum discurso pode superar isso e nenhuma carranca de islâmico anti-Ocidente resiste a ele.

O resultado? Um presidente dos Estados Unidos é popular entre os árabes. Yeah, baby!

Junho 8, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Souza – cabra macho

Willamis de Souza Silva nasceu no dia 04 de fevereiro de 1979 em Maceió, Alagoas e joga no Grêmio.

Quando ingressou no Grêmio, Souza declarou textualmente:

“- Eu sempre defendo as cores do clube em que estou. Se falarem algo de um lado, tem bala na agulha do outro”

O jogador esteve em campo no jogo em que o tricolor gaúcho foi acintosa e escancaradamente prejudicado pelo árbitro Wilson Luiz Seneme (lembrem de Grêmio x Flamengo em 2008). Seneme passou a partida inteira intimidando, ou pelo menos tentando intimidar os jogadores do Gêmio e no minuto final do jogo marcou um penalti inexistente.

A postura de Souza durante, no intervalo e após a partida de ontem, entre Atlético Mineiro x Grêmio  mostra que a declaração inicial não foi apenas jogo de palavras. Corajosamente,  enfrentou a arrogância de Seneme, denunciou a atitude do juiz no intervalo e, de forma enfática, protestou ao final do jogo. (leiam ou ouçam aqui a entrevista)

A atitude corajosa de Souza poderá lhe render conseqüências negativas. Afinal, quando é para incriminar jogadores, o que aparece na TV é sempre considerado prova irrefutável. O mesmo não se pode dizer no caso das imagens comprovarem erros grosseiros de arbitragem. Como disse Souza, na entrevista após o jogo: “Dois pesos e duas medidas”.

Maio 17, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Esportes | | 1 Comentário

Noite de celebração ao rock´n roll

IMG078-01Créditos da foto: Mauricio Rezende Pereira

A fila para a entrada do show do Oasis daria orgulho ao velho Winston Churchill. Segundo o velho estadista britânico, mesmo que um dia a Inglaterra perecer, os tesouros culturais do Império Britânico continuariam vivos para testemunhar a grandeza da nação. Pois o que víamos ali ao lado do Ginásio Gigantinho,  em Porto Alegre, num ameno e nublado fim de  de outono gaúcho, era um verdadeiro cortejo de gente que estaria disposta, se perguntada, a defender essa legado. O cortejo de anglófilos incluía a presença bandeiras do Reino Unido e da Inglaterra em diferentes tamanhos, faces pintadas com as cores da Grã-Bretanha, cabelos cortados à brit poppers, arremedos de chavs e muitas camisetas do English Team (incluindo uma retrô da copa de 66, a 9 de Bobby Charlton) e de clubes de futebol da Premier League, sobretudo dos quatro grandes:  Arsenal, Manchester United, Liverpool e Chelsea. O engraçado é que muitos daqueles fãs talvez não saibam que os irmãos Gallagher, nascidos e criados em Manchester, não torcem para o time de Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney e Carlitos Tevez, mas sim pelo Manchester City, menos rico e muito menos conhecido que o rival. Só dentro do ginásio foi possível ver uma ou outra camisa do City. E muitas, muitas bandeiras. O Gigantinho transformou-se numa miniatura de Wembley nesta noite de terça-feira.

E não foi só lá. Há uma semana, a banda tocou em Caracas, na Venezuela, no início da turnê sul-americana e o que se viu nas filas em volta do local do show foi exatamente a mesma coisa, mesmo num país onde tudo o que tem a ver com o estrangeiro vem sendo escorraçado. O que o Oasis leva de inglês para o mundo não é apenas o sotaque característico de sua Manchester natal (incompreensível até mesmo para muitos londrinos) mas um conjunto de atitudes em relação ao resto do mundo e ao próximo que caracteristicamente sempre se identificou com eles. E estas características ficaram claramente demonstradas no show desta noite.

O escolhido para aquecer os instrumentos do Oasis foi a banda gaúcha Cachorro Grande, e não por acaso. Fundado na mesma tradição de rock britânico do Oasis – The Who, Rolling Stones, The Jam e, principalmente, os Beatles – o grupo portoalegrense é daqueles que nunca deixam de cumprir o que prometem. As roupas estilizadas emulam o final dos anos 60 e é isso que eles dão ao público: rock sessentista, com guitarras distorcidas à Stooges (provavelmente a única referência americana que eles têm) e temáticas tipicamente mod. Goste-se deles ou não, o fato é que o Cachorro Grande executa à perfeição o que se propõe – até o cover de Helter Skelter, dos Beatles, encerrando a noite, foi simplesmente perfeito,com direito a Beto Bruno transformando o cabo do microfone em um laço, à Roger Daltrey.

O Oasis entrou logo depois e também cumpriu tudo o que prometeu, como sempre. Pode-se acusá-los de tudo, menos de incompetência. As vezes em que os shows do Oasis não são tudo o que se espera só ocorrem por falta de interação público-banda, o que definitivamente não ocorreu ontem à noite. A postura sóbria e sobranceira de Liam Gallagher à frente do microfone, encarando o público enlouquecido pelos seus ídolos, era volta e meia quebrada por palmas sinceras do cantor para a platéia e uma ou outra palavra dirigida a eles. Em se tratando de Oasis, isto é muito, mas muito mesmo. Eles nunca trocam palavra com o público. Com seus poucos e calculados gestos, Liam Gallagher deu uma verdadeira aula de como ter os fãs na mão, agradecendo na medida certa e dando a atenção calculada para compor o quadro de gentleness que permeou toda a apresentação do Oasis. A porra-louquice começou e acabou no show do Cachorro Grande. Liam é a propria definição de carisma que resiste a toda postura antipática.

Com Noel nao é tanto assim. Mais velho, de cabeça baixa, é até melhor cantor do que Liam – o momento apoteótico do show, a execução de Don´t Look Back In Anger, o confirma – mas não resta a menor dúvida de que o Oasis, ao menos ao vivo, depende miseravelmente da presença do seu irmãozinho. Comparando com o futebol – uma paixão dos Gallagher transferida para os fãs, que se comportam como torcedores -, é como se Noel fosse o meia-armador-faz-tudo em campo e Liam fosse o artilheiro carismático que faz acrobacias para a torcida quando marca um gol. Ambos são necessários para o fim que se propõe.

O show do Oasis durou 1h40min. O da Cachorro Grande, por volta de 1 hora. Não ouvimos em nenhum deles algum apoio para salvar a África, o Timor Leste ou até mesmo a favela mais próxima. Não ouvimos discursos dos Gallagher sobre conscientização ambiental ou política. O Oasis não quer mudar o mundo dessa forma. Aliás, não quer mudar o mundo de maneira algum. É apenas um ótimo grupo de rock – muito longe dos seus heróis, os Beatles, e provavelmente não integra o panteão roqueiro de todos os tempos. O Oasis não está pensando nisso. Está pensando em cumprir o que se propõe a fazer – e isso eles fazem com poucos.

Maio 14, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Mundo pop, Música | | 1 Comentário

História como história da liberdade

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A indagação sobre a condução da História foi um dos temas centrais do pensamento dos séculos XIX e XX. Respingado pelos últimos vestígios do positivismo comtiano, do hegelianismo e de um marxismo elevado à categoria de verdade de Estado, o centênio passado viu o florescer de sistemas políticos totalitários que se auto-denominavam a realização plena de ideais de sociedade, germinadas num passado remoto e desenvolvidas ao longo dos tempos até chegar ao estágio semi-divino prometido por esses sistemas. A história, segundo eles, era um vetor com um só sentido para o qual todos inexoravelmene caminharíamos. Assim entendiam o marxista Lênin e o hegeliano Giovanni Gentile, mentores teóricos do comunismo soviético e do fascismo italiano, respectivamente. Entre esses dois amores balançou o coração da humanidade na primeira metade do século XX.

Foi neste ambiente que, em 1938, Benedetto Croce lançou História como História da Liberdade (Topbooks, 456 páginas, tradução de Julio Castañon Guimarães). Um livro solitário, com uma proposta solitária em um tempo em que a palavra “liberdade” não andava muito em voga. Enquanto que, segundo os marxistas, a história da humanidade caminhava em direção ao comunismo, e, segundo os fascistas inspirados por Hegel, ela só chegaria ao seu ápice com o Estado fascista, para Croce a evolução do homem era sempre na direção da liberdade, seja ela entendida do ponto de vista político, artístico ou econômico. Mais: para Croce, o dever do historiador é identificar esses resquícios da idéia de liberdade ao longo da história com vistas a interpretar o presente e ajudar a construir um futuro. Este é o sentido da expressão “intelectual engajado” para Croce: o de alguém comprometido com a dignidade do homem.

Onde encontrar:

www.topbooks.com.br

(21) 2233 8718

Maio 7, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura | | Sem comentários ainda

São Jorge, padroeiro dos guerreiros

sao“São Jorge matando o Dragão”, relevo em mármore de Donatello, Museu del Bargello, Florença-Itália

São Jorge é um dos santos mais populares da Igreja e, talvez por isso, um dos mais requisitados para o cargo de padroeiro. Além do Corinthians, o guerreiro nascido na Capadócia (região da atual Turquia ) abençoa a Catalunha, a Inglaterra, a Lituânia, a Geórgia, Moscou, Gênova, várias ordens milares e instituições do mundo inteiro. Mas será que é apenas o grande número de fiéis que dá a São Jorge toda essa importância, digamos, institucional?

Primeiro, cabe perguntar o que um clube de futebol, nações, cidades e exércitos têm em comum. Resposta: a luta. Seja no campo de jogo ou no campo de batalha, jogadores e soldados recebem o nome de “guerreiros” por aqueles que torcem pelo seu sucesso. E São Jorge é o santo guerreiro por excelência, aquele que, mesmo nos piores momentos, jamais perde a fé na vitória. Não lhe faltou chance para provar isso. Soldado romano, erguido à condição de membro da corte numa época de violenta perseguição contra cristãos, Jorge fez defesa apaixonada do cristianismo diante dos seus próprios pares. Perguntado sobre o que era o cristianismo, Jorge respondeu: “É crer na Verdade”. Ao que um cônsul perguntou: “E o que é a verdade?”. E ele respondeu: “A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.”

Não é preciso dizer que, naquela época, quem fizesse semelhante defesa apaixonada do cristianismo era imediatamente morto. Não foi o caso de Jorge: primeiro, o imperador pediu que ele fizesse uma retratação pública. Não a fez. Depois, mandou torturá-lo de várias maneiras. Também não obteve sucesso. Aliás, conforme o processo de “persuasão” avançava, Jorge ganhou cada vez mais notoriedade e respeito por parte da população, – incluindo aí a própria mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Quando enfim foi degolado, no dia 23 de abril de 303, já era uma figura célebre pela sua resistência e fé incomuns.

A imagem clássica de São Jorge lutando contra o Dragão dá bem a noção da mensagem que São Jorge passou para a humanidade. Mesmo contra um adversário muito maior e armado apenas de uma lança, Jorge joga-se sobre ele com a confiança daqueles que nada temem porque têm ao seu lado um aliado indestrutível que jamais os abandona mesmo depois da morte. Como os georgianos, que homenagearam o santo dando-lhe o nome da pátria. Como os soldados ingleses nas cruzadas, que morreram com a cruz estampada na bandeira. Como todos, enfim, que buscam um espelho de força e garra para as lutas que o homem é obrigado a enfrentar diariamente.

Oração de São Jorge


Abril 23, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Geral | | 2 Comentários

Ler Tintim hoje

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A Companhia das Letras vem lançando desde o ano passado a coleção completa das obras de Tintim, que completa agora em 2009 seus oitenta anos. Trata-se de um dos maiores fenômenos de venda neste gênero em todo o século XX.  A fama de Tintim no auge de sua popularidade, entre os anos 40 e 60, fez com que o presidente Charles de Gaulle fosse obrigado a admitir que, no estrangeiro, ele era o único francófono capaz de rivalizar com ele. Talvez fosse um excesso do presidente francês: Tintim era muito mais conhecido do que De Gaulle e provavelmente muito mais admirado. São nada menos do que 200 milhões de álbuns vendidos desde que o cartunista belga Hergé publicou a primeira história  no “Petit Vingtième”, suplemento do jornal belga “Le Vingtième Siécle” destinado aos jovens: “As Aventuras de Tintim no País dos Sovietes”.

O título já diz tudo: o repórter belga Tintim vai à então recém-criada União Soviética para fazer uma reportagem sobre aquele novo país que contava apenas doze anos de existência. Enfrenta tudo o que um visitante da União Soviética tem direito: a repressão da polícia, o olhar atento dos vigilantes a qualquer estrangeiro (ainda mais, Ocidental), o aparelho estatal atento a tudo e, enfim, a falta da liberdade com a qual está acostumado. O roteiro não parece própro para jovens – ou, pelo menos, para os jovens de hoje – mas o livro ajudou a catapultar Tintim para o sucesso, vendendo dezenas de milhões de cópias e se tornando um dos mais conhecidos de toda a  sua bibliografia.

Uma pequena passada pelas suas páginas nos mostra as características principais da obra de Tintim, como o traço ligne claire (“linha clara”, em francês), marcante e forte, sem distinguir figuras que estão no plano de fundo ou em primeiro plano. Mas, principalmente, o que nos chama a atenção no livro é que ele parece datado, por uma série de razões: é em preto e branco; o traço clear line talvez não seja tão aceito hoje; a própria referência a um país que já não existe , e a maneira como esta referência é feita – enfim, tudo dificulta a nossa aproximação do texto. A leitura destas Aventuras de Tintim no País dos Sovietes têm, para nós, um efeito semelhante ao da leitura daqueles relatos fantásticos de exploradores europeus nas Américas ou de Marco Polo na China. E não só delas. Todas as obras de Tintim nos dão essa mesma impressão, até mesmo quando ele está em países que até hoje existem.

É uma sensação estranha. Em 1929, quando este livro foi publicado, pouca gente sabia como era a vida na União Soviética. Tintim era um stranger in a strange land, e nós, ocidentais como ele, o considerávamos um emissário nosso nestas terras. Sua visão dos soviéticos era a nossa, assim como a sua visão dos chineses, dos australianos e de todos os povos do mundo correspondia mais ou menos à nossa visão deles. Não por acaso, Tintim no Congo é, hoje considerado um livro racista pela maneira como retrata os africanos sem qualquer preocupação com o politicamente correto: em 1929 – e em 1939, em 1949 e até mesmo em 1959 – não havia preocupação com essas coisas.  Da mesma forma, em 1929 fazer uma viagem destas para os confins do mundo civilizado era algo raríssimo: ninguém, ou quase ninguém, ia a Macchu Picchu falar em aimará com os nativos. Hoje, visita-se não só Macchu Picchu mas qualquer vila minuscula em volta e pede-se uma Coca-Cola em inglês sem problemas. Qualquer um faz o caminho de Santiago, visita a Muralha da China, faz mochilões por qualquer canto desconhecido do mundo ou, muito simplesmente abre o Google Earth e tem uma idéia de como é o mundo para além das nossas fronteiras. Um Tintim não precisa nos emprestar sua visão do mundo eurocêntrica para que possamos conhecer o mundo que nos cerca. Ele não é necessário e também não é interessante. Boa parte do roteiro de suas histórias e de suas aventuras calca-se no choque civilizacional entre ele,habitantes de um dos centros da cultura européia, e a perifeira ou além-periferia que ele visita. Claro que são aventuras inteligentes, que os personagens são ótimos – o capitão Haddock é simplesmente espetacular – mas esse confronto, essa aventura que aparece em todos os títulos de suas histórias já não fazem muito sentido para nós. O mundo século XXI é um mundo sem grandes aventuras, sem grandes lugares para descobrir. Tintim é muito menos lido hoje por isso. É pena. Talvez uma das melhores razões para lê-lo seria a possibilidade de recordar de um mundo em que visitar o outro lado do Globo envolvia muito mais do que simplesmente clicar um mouse.

Abril 18, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Literatura, Livros | | Sem comentários ainda