O fascínio que o Natal desperta*
*Sermão do Cardeal inglês John Henry Newman , proferido na noite de Natal de 1858, em Londres, livremente traduzido por nós
“As duas maiores festas da Igreja são a Páscoa e o Natal. Das duas, a Páscoa é a mais importante.
Porém, é agora, no Natal, que adornamos nossas igrejas com mais gosto e com mais alegria. Parece haver mais paixão quando o fazemos. A missa da meia noite, as três missas, o presépio, as canções natalinas – em tudo isso, parece haver um indescritível fascínio.
Por que isto ocorre?
O Natal é mais fácil de ser entendido pela maioria dos homens; entra em suas casas mais facilmente e exige menos para ser celebrado.
É a diferença entre aquilo que vem até nós e aquilo se vai. Os corações dos apóstolos encheram-se de tristeza quando Nosso Senhor se foi. A Páscoa é a comemoração da perfeição. Se fôssemos perfeitos, deveríamos nos alegrar mais na Páscoa do que no Natal. Em um deles, Cristo vem até nós. No outro, nós vamos até Ele.
O Natal é o tempo de apaziguar sentimentos. O profeta Abraão foi obrigado a deixar sua terra, e nós, por natureza, não gostamos de sair de onde estamos. No Natal, nos é permitido ficar em nossas casas, pois Cristo vem até nós como um convidado.
E, ao chegar, ele ilumina tudo. Não nos tira nada: nos dá. Dá graça ao mundo que nos cerca. Se há um momento em que devemos amar o mundo, é agora. Cristo faz do mundo nossa casa e promete ser a luz a iluminá-la. Ele santifica famílias com a imagem de Maria e Jesus. E, quando esta família não tem lar, ele nos junta, a todos nós, para formarmos uma mesma grande família. Esta família é a Igreja”.
“Não comemoramos o Natal na sua verdadeira dimensão”
O jovem estudante José Bonifácio Schmidt estava sofrendo de um mal muito freqüente entre os seminaristas: saudades de casa. Achou por bem dirigir-se ao reitor do seminário a fim de comunicar-lhe o problema. Schmidt e o reitor eram de origem alemã, como boa parte do clero do Rio Grande do Sul de então e falantes nativos do idioma de Goethe. Após ouvir as queixas do jovem, o reitor respondeu, com franqueza tipicamente germânica: “Desculpe, mas essa palavra saudade só existe em português”. Bonifácio ouviu quieto e retornou para junto dos internos. Não voltou para casa. Por ironia do destino, essa e outras particularidades idiomáticas e de tradução acompanhariam a carreira do jovem seminarista para sempre. O vigário episcopal de Canoas, nascido em Bom Princípio em 1944, é especialista em exegese bíblica, trabalhou com os originais das escrituras em hebraico, aramaico e grego (além destes idiomas, domina o inglês, o francês, o italiano, o alemão, o espanhol e o latim), foi professor da disciplina e pretende dedicar-se, no futuro, à divulgação da Bíblia e da sua mensagem para o povo. Que é, aliás, o que tem feito em nossa cidade e na região desde que aqui chegou, em 2001. Leitor contumaz das obras do Padre Comblin e de Thomas Kempis e sua Imitação de Cristo – além de, logicamente, da própria Bíblia -, padre Bonifácio recebeu-nos nesta terça para falar sobre o Natal, a origem de sua comemoração e seu significado.
A entrevista foi publicada no jornal O Timoneiro, de Canoas/RS.
OT: Para começar, vamos esclarecer uma dúvida básica: Jesus nasceu ou não em 25 de dezembro do ano 1? Há quem diga que não foi exatamente nesse dia.
PB: Pode ter nascido ou não. Não há como provar. Ao menos não nas condições atuais, o que não se pode dizer que no futuro não se consiga fazer isso. O Dis natalis foi estabelecido quando o cristianismo chegou a Roma. Agora, não se sabe como e quando os costumes pagãos se tornaram cristãos. Exemplo: a palavra “mitra” era o nome de um Deus. Agora, Mitra significa a sede de um bispado. O dia 25 de dezembro era o dia do Deus Sol. O que o cristianismo fez? Assumiu que Jesus Cristo, a Luz do Mundo, nasceu naquele mesmo dia, ou melhor, que se celebraria o nascimento de Cristo naquele dia. Isso lá pelo século III d.C.
OT: Como se comemorava antes?
PB: Não se comemorava.
OT: Os primeiros cristãos não comemoravam o natal?
PB: Não, o centro da tradição e das comemorações cristãs não era o Natal. Os primeiros anos de Jesus não eram importantes. Comemorava-se a morte, ou melhor, o significado da morte de Jesus. A Páscoa foi, desde o início, a grande festa do cristianismo e continua sendo o centro da fé cristã. O Natal não era nem comemorado. Depois, a Igreja assumiu que este que morreu na cruz tem uma história como nós, nasceu de uma mulher, foi homem como nós. São afirmações bastante importantes para a pessoa que procura seguir Jesus Cristo. Só São Paulo foi o primeiro a referir o nascimento de Jesus no ano 57 D.C., 27 anos depois da morte de Jesus.
OT: Jesus nasce numa manjedoura e vêm três reis magos para visitá-lo. Qual o sentido dessa visita?
PB: Ela é elaborada. É um mito. Não sei se por Mateus mesmo ou por outros, mas é mito. Está no texto para indicar a finalidade mais universal da religião que ali nasce , pois os reis magos vem de povos pagãos para adorá-lo. Não creio tanto na possibilidade de que tenha acontecido de fato. Essa narrativa quer simbolizar que toda a humanidade está lá representada. Na verdade, na própria tradução não é exatamente isso o que aparece. Não são propriamente “reis magos”, mas sim “sábios”.
OT: Na literatura fora da Bíblia o nascimento de Jesus está documentado?
PB: Sim. No II século há muitos documentos, que são os chamados evangelhos apócrifos, que trazem alguns casos interessantes e até engraçados. Num dos documentos, na fuga para o Egito, um leão se dispõe a cuidar do boi que levava a carroça de Jesus. Noutro, eles chegam a um oásis e Jesus percebe que a mãe estava com sede. Então ele manda a palmeira baixar até à frente dela para que ela pudesse beber o coco. Em outro, Jesus transforma pedras em passarinhos. Então, criou-se algumas coisas que parecem um tanto míticas. Os evangelhos canônicos, isto é, os escolhidos para fazerem parte da Bíblia, não têm tantos casos assim. Não são tão anedóticos e são mais coerentes entre si. Mesmo assim, há casos em que aparecem divergências.
OT: O primeiro evangelho é o de Marcos, não é?
PB: Sim, do ano 65. Outros falam em 70 e o situam na região da Síria. Eu já penso que foi em Roma. Mas essa é uma questão técnica, de interpretação de textos originais. Todos os evangelhos coletaram tradição oral referente a Jesus, coisas que estavam sendo ditas pelo povo e que eram aceitas como verdade.
OT: Todos os evangelistas presenciaram a vida e a pregação de Jesus?
PB: Não. Lucas certamente não presenciou. Marcos talvez alguma coisa, pois talvez tenha sido um menino que era de Jerusalém, de classe social mais elevada, que teria fugido nu e largou nas mãos dos soldados o lençol de linho, o que seria um indicativo de que se tratava de uma pessoa de mais posses. E Marcos tem uma visão bem interessante de Jesus. Se ele tivesse escrito vinte anos antes, ele teria escrito outro evangelho.
OT: Porque?
PB: Porque ele mudou de mentalidade. Ele era um judeu, de Jerusalém, e não concordou com Paulo. Em Atos dos Apóstolos 12 está escrito que ele voltou para Jerusalém e não acompanhou Paulo. Depois do Concílio, no ano 49, Paulo diz a Barnabé para visitarem as comunidades que fundaram. Só que Barnabé sugere para que levem João Marcos. Houve briga e os dois se separaram. Barnabé e Marcos foram para Chipre e Paulo levou Silas e foi para a Anatólia. Portanto, se Marcos tivesse escrito naquela época o Evangelho teria sido bem diferente.
Padre José Bonifácio Schmidt
OT: Como foram as primeiras comemorações do Natal?
PB: São Francisco foi o primeiro a fazer presépios, no século XII. Antes disso, não havia o aspecto visual, a representação do fato.
OT: E a tradição de dar presentes?
PB: Tem a ver com os reis magos. Na tradição alemã, era comum dar presentes antes do Natal. Nós, em casa, recebíamos no dia 6 de dezembro, no dia de São Nicolau. São Nicolau é a base para a figura do Papai Noel e foi um bispo da Ásia Menor que tornou-se conhecido por dar presentes. Depois, passaram isso para o Dia da Epifania, que é o dia dos reis magos, no dia 6 de janeiro.
OT: O cristianismo nasce com o nascimento de Jesus Cristo? Ou é algo construído posteriormente?
PB: O cristianismo se diz originário deste Judeu que nasceu em Belém, provavelmente, criado na Galiléia, que depois foi morto pelo poder invasor com a aprovação total do Sinédrio, que era a autoridade máxima judaica. Ou seja, uma persona non grata, uma pessoa destinada a ser esquecida e sua crucificação era um aviso para os que o seguiam. Ou seja, alguém que não servia. Uma coisa é o reconhecimento de que ele é o divisor de águas. Com ele começa uma nova história. Outra é a concretude. Os que se dizem cristão ficam muitas vezes mais no desejo de serem Jesus, segui-lo, do que propriamente serem, e nisso inclui-se bispos e padres. Há mais desejo de seguir do que segui-lo propriamente.
OT: Mas a condição de discípulos não é inerente a todo cristão? Ou seja, alguém que erra e acerta, como um aluno em sala de aula? O cristão não está aí para errar mesmo? E para tentar acertar?
PB: Ele teria que ser o seguidor. Mas acontece que, em torno de Jesus, criou-se muitos mitos e as pessoas às vezes pensam que seguem Jesus mas na verdade seguem apenas os mitos pessoais, que elas mesmas criaram, acerca de Jesus. Na Igreja Católica, há um esforço para seguir quem é este Jesus. E o testemunho é a Bíblia, mais concretamente os quatro evangelhos, que nos dão os fatos da vida de Jesus e o que devemos fazer para segui-lo.
OT: O que o cristianismo trouxe de novo para o mundo? Quais as grandes diferenças que o Mundo Cristão apresenta em relação ao Mundo Antigo?
PB: Acho que uma das diferenças que são acentuadas é que com Jesus Cristo não deveriam mais haver barreiras. Ele é alguém que convida todas as pessoas a fazerem parte da grande família católica, e católica, como sabemos, quer dizer universal. Sem barreiras. Sem ligação entre raça e religião. Além disso, o cristianismo é revolucionário ao dizer que toda pessoa tem dignidade e cada alma tem um valor específico. Recentemente, li uma notícia que me deixou escandalizado: dentre os nove homens mais ricos do mundo, quatro são indianos. Só que então me dei conta que há lá as castas e que elas legitimam que haja essa diferença abissal. Antes havia essa legitimação divina, era desejo dos deuses, era o destino, enfim, os homens eram colocados em patamares diferentes. O cristianismo acabou com isso.
OT: Então, é um corte essencial na história da civilização?
PB: Sim, sem dúvida. Mas principalmente para o mundo ocidental. O mundo oriental não o acompanha tanto assim. O Islã já acompanha um pouco, porque Cristo é reverenciado por eles, claro que o maior é Maomé, mas Cristo é tido como profeta. Mas e os outros povos do Oriente? Os xintoístas, budistas, hinduístas e outras religiões? Será que podem olhar para isso como nós olhamos? Mesmo assim, acho que não podemos olhar só para o nosso lado. Temos que olhar planetariamente. Queremos salvar o planeta, o mundo todo, todas as pessoas. O planeta Terra é uma planetinha sem nenhuma importância no universo. O universo é algo imenso, gigantesco, e por trás deste universo deve haver uma inteligência. Não é possível que tudo tenha acontecido por acaso. O que esta inteligência pretendia ao criar este universo todo. Os seres que habitam esse planetinha Terra têm a pretensão de que Deus, o criador desse universo, que deu força evolutiva a uma energia concentradíssima, alguns têm a pretensão de que Deus tenha se apaixonado tanto pelas criaturas que vivem na Terra que dizem que essa criança é, além de pessoa humana completa, Deus. Essa é uma afirmação de fé. E quem diz isso são os cristãos. Eu digo isso. Como é que pode uma coisa dessas? Como é que Deus vai olhar para esta coisinha que é a Terra? E ainda para esses seres? Que não estão conseguindo se ajeitar neste planeta? Então, de fato, eu penso que uma visão planetária, uma visão generalista, se faz necessária.
OT: E como poderíamos resumir o significado do nascimento de Jesus? Porque nós comemoramos o Natal?
PB: Celebra-se muito a inocência, a ternura, a amizade entre os familiares, mas não comemoramos o Natal na sua verdadeira dimensão. Comemoramos a reunião com os familiares, algumas coisas boas….mas não é o suficiente. O Natal é muito mais do que isso.
O entusiasmo do vigário episcopal de Canoas quando o assunto é a leitura e a interpretação da Bíblia motiva até ao mais empedernido descrente a conhecer melhor o livro mais importante de nossa civilização. Saí das modestas instalações do Vicariato Episcopal convicto de que o carisma do vigário foi um dom recebido justamente para despertar essa sede de conhecimento ao rebanho que lhe foi entregue para conduzir.
O menino e o bracinho estendido
E la ia eu pela rua Lageado, em Canoas/RS, quando avisto um menino de seus 10 anos parado junto a uma faixa de segurança. No momento em que me preparava para frear o carro com o fito de deixá-lo atravessar a via (embora com receio pois nem sempre os veículo no sentido contrário tem a mesma atitude), a criança estende o bracinho indicativo de seu intenção.
Lógicamente o menino de Niterói desconhece que em Canoas o Novo Sinal ainda não foi implantado, mas o que importa é a consciência de seu direito como pedestre que ficou evidente.
Boa idéias encontram receptividade popular e o Novo Sinal é uma delas.
Instantâneos da Feira do Livro de Porto Alegre/2009
No encerramento da Feira do Livro de Porto Alegre os presentes desfrutaram de bons momentos com apresentação do Grupo de Danças Folclóricas Kunstkraft da Comunidade Evagélica de Esteio.
Degustação de livros
Exemplares prestes a serem devorados
Um show à parte a participação de Volt e Banricomprinhas na Feira
Dona Emília Sustentável – homenagem a uma mulher de valor
Hoje recebi a notícia do falecimento de Emília Neves Ataídes uma amiga que tinha 90 anos de idade e dedicava seu tempo ao trabalho social que desenvolvia com idosos em Canoas/RS, no bairo Mathias Velho. Impressionava o fato de que sendo a mais velha de todos parecia ser a mais jovem tamanha a disposição com que se dedicava ao trabalho e as tarefas em prol da preservação ambiental.
Como homenagem a esta mulher de valor, um modelo a ser seguido, e cuja ausência fará muita falta à comunidade onde vivia, postamos aqui o teaser do documentário Dona Emília Sustentável feito pelo seu neto Rubiélson Ataídes Medeiros que cursa Cinema.
Maitê Proença e companheiras: falta de classe
O programa Saia Justa tem entre suas integrantes mulheres que tiveram destaque nas atividades nas quais se dedicaram. Ali assistimos debates entre a ex-modelo Betty Lago, que foi uma mulher de invulgar beleza; a atriz Maitê Proença, que também foi bela e razoável intérprete; a jornalista Mônica Valdvogel; e a professora da Unisinos, Márcia Tiburi. Como pode-se, perceber é uma mescla interessante. E estas mulheres debatem, criticam e opinam com um tom definitivo sobre os mais variados assuntos. Espera-se, portanto,de quem a tudo e todos critica, uma postura condizente.
E por isso nos causa constrangimento o vídeo da visita de Maitê Proença a Portugal. Trata-se de uma mulher madura , assumindo um comportamento que seria ridículo até mesmo se partisse de uma adolescente. Com um tom de voz que beira ao patético( apenas não mais patético que a postura que assume mais tarde quando pede desculpas pelo ocorrido) Maitê se põe a ridicularizar os portugueses e seus hábitos, desrespeitando até mesmo mortos ilustres com piadinhas no interior de um mosteiro.
Diz que Salazar governou Portugal por 20 anos ( foram quase 40 anos) e teve o despudor de apresentar um vídeo onde cospe em uma fonte . A cena desrespeitosa e atentatória a qualquer senso estético provocou risos frenéticos nas senhoras que compõem o programa, como pode-se constatar pelo vídeo.Acharam engraçado ver alguém cuspindo na fonte portuguesa, após debochar acintosamente do país.
Outro vídeo mostra o pedido de desculpas da atriz, que afirma ser uma típica e brincalhona brasileira.No entanto pior a emenda que o soneto, porque o vídeo de desculpas que Maitê gravou consegue a proeza de achincalhar com baianos e cariocas, chamados de indolentes e malandros. Lamentável.
O Saia Justa ficou reduzido a um programa onde mulheres sem grande qualificação e sem respeito às mais elementares regras de convivência reunem-se para conversar. Apenas isso. Há quem goste.
Clique aqui para ver o vídeo da retratação
Clique aqui para ver o vídeo do programa Saia Justa
O pensamento jurídico hoje
Quem estuda Direito e cursou ou cursa as disciplinas introdutórias da faculdade sabe bem a importância de se ter acesso aos textos originais das matérias, em especial os clássicos e os mais conectados com as tendências contemporâneas de cada uma destas disciplinas. É este o caso das disciplinas de Antropologia, Sociologia Jurídica, História do Direito e, sobretudo, Filosofia do Direito, cujos textos são, muitas vezes difíceis de encontrar e selecionar, mesmo em se tratando de clássicos. No caso dos autores contemporâneos, então, o problema aumenta ainda mais. O tempo ainda não se encarregou de selecionar o que é perene e o que é de momento, e o estudante fica perdido diante de tantos textos. É preciso, então recorrer às antologias e confiar no trabalho de quem as organiza e apresenta ao leitor. Ler uma antologia é, antes de tudo, uma atitude de confiança.
Correntes Contemporâneas do Pensamento Jurídico (Manole, 464 páginas) é um livro que merece tal confiança. A seleção feita pelos professores Anderson Vichineski Teixeira e Elton Somensi de Oliveira dá ao leitor um panorama bastante completo sobre as atuais discussões jusfilosóficas no mundo inteiro. Ao lado de nomes mundialmente já consagrados, como Ronald Dworkin e John Finnis, professores brasileiros e estrangeiros abordam temas como o neojusnaturalismo, o neocontratualismo e os desafios que o Direito tem a enfrentar num mundo cada mais interligado e sem fronteiras. Um livro indispensável na estante de qualquer acadêmico.
Posto Metropolitano – Uma boa ação vale um cofrinho
O Posto Metropolitano, em Canoas/RSm está dando um belo exemplo de estratégia de marketing com criatividade e auxílio aos necessitados.
O cliente que entregar uma lata de lei em pó( ou similar) na caixa coletora que arrecada o produto para distribuição a entidades que auxiliam carentes recebe um cofrinho de metal com o logotipo do posto. Detalhe: a atendente deixa claro que o leite pode ser comprado em qualquer estabelecimento.A campanha termina na terça-feira: quem quiser participar que se apresse.
*A Guerra dos Farrapos, segundo Dona Picucha
* Dona Picucha Terra Fagundes, personagem de O Continente, primeiro volume da trilogia O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo , contou esta história nas páginas 284/289 do romance.
Dona Picucha Terra Fagundes, conte alguma coisa da sua vida.
Pra contar não tenho muito. Mas sou filha do velho Horácio Terra, negociante no Rio Pardo. Me casei muito menina com um tropeiro de Caçapava. Quem me escolheu marido foi meu pai sem pedir minha opinião. Quando vi, estava noiva. O moço vinha uma vez por semana, mas ficava na sala proseando com o velho. Eu mal tinha licença pra espiar pela fresta da porta. E fomos muito felizes, graças a Deus Nosso Senhor.
Onde está seu marido?
Enterrado em chão castelhano. Morreu na Cisplatina.
Dona Picucha, quantos filhos teve?
Fui bem como a mulita. Tive uma ninhada de sete machos.
E os sete se criaram?
Com o leite destes peitos.
Deram muito trabalho?
Nem tanto. Só sinto não ter tido mais sete.
Me perdoe a curiosidade, mas quantos anos a senhora tem?
Sessenta e seis na cacunda.
Quem vê a senhora não diz.
É muita bondade sua, sei que estou um caco velho. Mas não vá embora ainda. Quero que prove meus bolinhos de polvilho e um licorzinho de butiá. Quem sabe aceita um mate? Só lhe peço que não repare, pois isto é casa de pobre.
Dona Picucha Terra Fagundes, toda vestida de preto, pele de marfim, olhos de noz-moscada, buço cerrado, verruga no queixo, xale xadrez e chinelas de ourelo.
Dona Picucha Fagundes, uma coisa vou dizer: quem um dia entrou em vossa casa nunca mais há de esquecer seu cheiro de flor e pão quente o pintassilgo da gaiola os manjericões da janela os ratos que espiam nos buracos dos rodapés e que vós tratais como pessoas da família.
Quem passou pela vossa casa, ainda que viva cem anos, há de sempre recordar
vossas mãos ágeis que fazem renda de bilro
vossas mãos frescas e secas, boas para espremer queijo
vossas belas mãos afeitas a acariciar cabeças de filhos , netos e gatos lvossas ligeiras mãos que sabem curar feridas de gentes e bichos
vossas rapadurinhas de leite
vossos lençóis cheirando a alfazema
vossos chás caseiros
vossos óculos na ponta do nariz
vossas cantigas
vosso oratório onde sempre há velas acesas
e a vela solitária que às vezes acendeis no meio do pátio para o Negrinho do Pastoreio.
Quem um dia passou pela vossa casa há de guardar para sempre na memória
os causos que contais de Carlos Magno e os Doze Pares de França
os vossos fabulosos casos de assombrações e mistérios, princesas e fadas, lagoas brabas e salamancas.
Dona Picucha Terra Fagundes quem vos ensinou essas histórias e rezas e receitas, essas cantigas antigas e essas estranhas simpatias que tudo podem curar?
Depois da Guerra dos Farrapos dona Picucha não falou mais nas proezas de Carlos Magno e seus doze cavaleiros.
Esqueceu Rolando por Bento Gonçalves
Olivério por Antônio Neto
Reinaldo por Davi Canabarro
Flores Malão por Lima e Silva.
Entre, patrício, a casa é sua. Não faça cerimônia, tome assento e aceite um chimarrão.
Eu lhe conto como foi. Nunca vi guerra mais braba nem mais comprida.
Durou dez anos.
Está vendo aquele pessegueiro lá no fundo do quintal? Quando ele floresceu, em setembro de 35, chegou a notícia que o general Bento Gonçalves tinha dado o grito da Revolução. Um ano se passou, e eu estava ainda comendo compota dos pêssegos de 35 quando o general Neto proclamou a República Rio-Grandense.
Dei tudo que tinha prós Farrapos. Meus sete filhos. Meus sete cavalos.
Minhas sete vacas. Fiquei sozinha nesta casa com um gato e um pintassilgo. E Deus, naturalmente.
Quando eu não estava fazendo pão ou doce, fazia renda de bilro, porque estas mãos que vossuncê está vendo não sabem ficar sossegadas.
Sina de mulher é essa: ficar em casa esperando, enquanto os homens se vão em suas andanças.
Mas por que será que o tempo custa tanto a passar quando há guerra?
Decerto não pode andar ligeiro, tropeçando num morto a cada passo.
E por que às vezes o vento geme tanto que parece ferido?
Decerto porque viu muito horror no seu caminho.
Foi uma guerra tremenda. Durou dez anos. Bem dizia o compadre Quinzote.
Em todo o Continente não podia haver ninguém de lado, só os urubus, que pra eles carne de farroupilha era o mesmo que carne de cararnuru.
Vossuncê deve se lembrar de quando prenderam o general Bento Gonçalves.
Bento Gonçalves da Silva
Foi preso, foi desterrado,
Mas deixou o bravo Neto
Pra cumprir o tratado.
Quando me contaram que os imperiais tinham levado nosso general pra Bahia e metido ele no Forte do Mar, acendi uma vela pra Santo António, que tem honras de sargento, e lhe pedi que ajudasse o nosso chefe a fugir.
Santo António me atendeu, é santo mui cumpridor.
Um dia Bento Gonçalves pediu licença aos carcereiros pra tomar um banho de mar. Deram. Ele se atirou nas ondas e começou a bracear com vontade, e quando os guardas caíram em si nosso bravo presidente estava longe já entrando na canoa dum amigo, pois tudo era combinação. Veja só que homem ladino!
Depois, bem disfarçado, entrou num navio que descia cá prós mares do Sul, desembarcou em Santa Catarina, montou logo num cavalo e se tocou pró Continente.
Upa! Upa! meu bragado! Tenho pressa de chegar, vou assumir a presidência da República Rio-Grandense, e preciso muitas contas ajustar!
Depois de três dias de viagem batida chegou numa estância e gritou:
Ó de casa:
Apareceu uma velhinha.
Minha boa senhora, quero que me arranje um cavalo, que me alugue ou que me venda, o meu está mais morto que vivo, venho de longe, preciso chegar ao meu destino, é um caso de vida ou de morte.
A velhinha respondeu:
Vivo sozinha neste rancho, dei tudo que tinha prós Farrapos e o resto os imperiais levaram. Só me resta um cavalo, que faz todo o serviço da estância. Esse não vendo nem alugo, nem por ouro nem por prata nem por sangue de lagarta. Há só um ente no mundo pra levar o meu tordilho. É o homem que mais venero, e o que mais admiro: o general Bento Gonçalves.
Mas vá se servindo de mate, a chaleira está aí mesmo.
Pois foi uma guerra braba, que judiou com o Continente. Mas dela saímos limpos, passamos todas as provas, honramos o nosso povo.
Mas cá pra nós vou lhe dizer, do lado dos caramurus também havia muita gente boa, que todos eram do mesmo sangue.
E o tal de Bento Manuel Ribeiro? Ninguém entendia esse cristão. Um lia estava com os imperiais e no outro com os farroupilhas. Havia até quem dissesse que duma feita ele entrou na Salamanca do Jaraú e saiu de lá com o corpo fechado pra bala e arma branca.
O meu compadre Quinzote acredita nessas bruxarias. E eu as vezes também acho que alguma coisa deve haver…
O general Bento Manuel era valente, ligeiro e alarife. O povo até fez uns versos:
Pode um altivo humilhar-se,
Pode um teimoso ceder,
Pode um pobre enriquecer,
Pode um pagão batizar-se,
Pode um mouro ser cristão,
O arrependido salvar-se
Tudo pode ter perdão
Só o Bento Manuel, não.
Mas isso de perdoar é lá com Deus Nosso Senhor, que conhece melhor as pessoas.
Pois é como lhe digo. Os homens da Revolução eram feitos duma só peça.
Não sei se vossuncê se lembra do manifesto do presidente, do ano 38.
Tenho guardado o jornal que o meu filho me mandou da guerra. Leia onde ele marcou.
Éramos o braço direito e tão bem a parte mais vulnerável do Império.Agressor ou agredido o Governo nos fazia sempre marchar a sua frente:disparávamos o primeiro tiro de canhão, e eramos os últimos a recebê-lo. Longe do perigo dormião em profunda paz as de mais Províncias, em quanto nossas mulheres, nossos filhos e nossos bens, presa do inimigo, ou nos erão arrebatados, ou mortos, e muitas vezes trucidados cruelmente.
É preciso ter senhoria na cabeça pra escrever palavras assim.
Foi uma guerra mui séria, de ódios e durezas, ferro contra ferro, olho por olho, dente por dente.
Vossuncê deve estar lembrado que os republicanos deram alforria pra todos os negros que se alistaram nas suas forças. Os imperiais quando pegavam um desses negros mandavam dar-lhe uma sumanta de duzentos a mil açoites.
O governo farroupilha deita então um decreto, dizendo que dali por diante toda vez que os caramurus surrassem um negro farrapo eles tiravam a sorte entre os prisioneiros e passavam um oficial legalista pelas armas.
Vingança, sim senhor. Mas davam morte de homens e não castigo de cachorro.
Como o patrício está vendo, o respeito entrava na guerra.
Também, houve cada uma!
Os farroupilhas precisaram levar sua frota por mar. Vai então José Garibaldi inventou de carregar dois navios em cima de carretas puxadas por duzentas juntas de bois. Coisa igual nunca se viu, dês que o mundo é mundo. E assim aqueles dois barcos fizeram léguas por terra do Capivari até o mar.
Montado no seu cavalo Garibaldi é o capitão. Nas verdes ondas do campo A sua rédea é o timão.
Foi por esse tempo que os Farrapos tomaram a vila da Laguna, onde por sinal nasceu a minha avó materna. Garibaldi foi por água, Canabarro foi por terra. E acabaram proclamando a tal República Juliana.
Também foi por esse tempo que Garibaldi conheceu Anita.
E agora me dê licença de falar na minha gente.
Um dia um capitão farrapo, de espada na cinta, lenço republicano no pescoço, bateu na minha porta, tirou o chapéu e entrou.
Venho da parte do general Canabarro. Tenho o pesar de lhe comunicar que seu filho o tenente Crescendo morreu em ação como um bravo. O general me pediu que lhe desse os seus pêsames.
Fiquei tonta, meio cega, mas fiz força pra não chorar. Porque essas coisas, como tantas outras, a gente deve fazer quando está sozinha.
Diga ao general Davi que lhe fico muito obrigada.
E como não tinha mais que dizer, perguntei ao capitão:
Aceita um amargo? Ou uma guampa de leite?
E depois que ele foi embora, peguei na renda de bilro, porque estas mãos que vossuncê está vendo não sabem ficar sossegadas. Mas ai! este coração de velha é que ficou sem sossego, e não encontrei pra ele outro trabalho senão pensar nos ausentes.
E o tempo continuava a andar num tranco lento de boi lerdo. Entrava inverno, saía inverno. E a guerra nada de acabar.
Notícias foram chegando.
Batalha do Taquari. Nessa perdi dois filhos.
Cerro dos Porongos. O general Canabarro foi pegado de surpresa: mais três filhos meus que se foram.
O sétimo morreu no Poncho Verde.
Depois veio a paz, com honras pros dois lados.
Mas a flor do Continente se perdeu.
Os campos ficaram desertos, as mulheres de luto, casas viraram tapera, cidades empobreceram, cemitérios cresceram, os urubus engordaram, e muita gente até hoje passa necessidade por causa dessa guerra e os que antes não tinham nada, depois dela ficaram com menos.
E agora aqui está a velha Picucha Terra Fagundes, esperando a chamada de Deus.
Ah! Ia me esquecendo de lhe dizer que tenho sete netos, todos homens.
Quando vejo eles, que já estão grandotes, sinto um calafrio pensando noutra guerra.
Por falar nisso, vossuncê acha fundamento nos boatos que andam correndo que vai haver outro barulho com os castelhanos?
Deus queira que seja mentira, mais uma guerra ninguém agüenta.
Mas vá tomando o seu mate Quem sabe aceita uns bolinhos? Não faça cerimônia, a casa é sua.
E agora se me dá licença, vou voltar à minha renda, porque estas mãos que vossuncê está vendo não sabem ficar sossegadas.
Dona Picucha Terra Fagundes, toda vestida de preto, pele de marfim, olho, de noz-moscada, buço cerrado, verruga no queixo, xale xadrez e chinelas de ourelo.
O sentido da Semana Farroupilha
Inicia hoje a Semana Farroupilha. Este é, provavelmente, o maior feriado regional do Brasil. Durante seis dias o Rio Grande inteiro festeja a trajetória dos combatentes que desafiaram o Império por dez longos anos e que, uma vez derrotados, assumiram a contraditória roupagem de heróis de uma guerra perdida.
Poucas datas são tão festejadas e, ao mesmo tempo,tão mal compreendidas. Mentes menos aquinhoadas e crianças de todos os tamanhos e idades costumam relacionar aquele grande momento da História do Brasil com um suposto desejo de independência de um suposto “povo gaúcho”, algo como uma versão campeira da Catalunha, da Irlanda do Norte, do País Basco ou da Ossétia do Sul, desejo este fundado na ficção da especificada cultural gaúcha, como se não tivéssemos neste imenso Brasil pelo menos dez especificidades culturais muito bem definidas. Mal sabem eles que, no Rio Grande do Sul de 1835, era mais fácil achar parecenças, em quase todos os níveis, entre a Porto Alegre e a Salvador da época do que entre a Porto Alegre de 1835 e a de hoje. Identificação com os países vizinhos, então, nem pensar. Quem pensasse corria o sério risco de nunca mais pensar nada. Como luso-brasileiros que eram, os homens de Bento Gonçalves nutriam ódio mortal pelos castelhanos e fariam fama alguns anos depois, na Guerra do Paraguai e em batalhas contra os argentinos, à frente do Exército Brasileiro que naquele momento enfrentavam. Pois era o Império o seu inimigo e nunca o Brasil.
O hino Rio-grandense é explícito: “Como autora precursora / Do farol da divindade / Foi o 20 de setembro / Precursor da Liberdade”. O gaúcho – o tipo que “passa pela vida, aventureiro, jovial, diserto, valente e fanfarrão, despreocupado” de que falava Euclides da Cunha – não era capaz de viver sob a égide de um rei. Nascera em território virgem de normas e só concebia ser governado por alguém a quem pudesse escolher pelo voto. Ou seja, a República. Seu anseio foi satisfeito em 1889, quatro décadas depois da memorável guerra. Nenhum outro Estado da federação deu tantos presidentes ao país: o gaúcho era talhado, de corpo e alma, para viver numa nação republicana.
Deixo para os leitores a carta de Bento Gonçalves, que atesta, de modo definitivo, o que queriam e quem eram os farroupilhas. E esclarece também o porquê de comemorarmos o 20 de setembro.
“Srs. representantes da nação rio-grandense!
Depois da eroica revolução, que operámos contra os opressores da nossa pátria, depois de uma luta obstinada, que por espaço de 7 annos absorve os nossos cuidados, xegou finalmente a época, em que sem grande risco se verifica vossa reunião exigida altamente pelo voto publico.
Meu coração palpita de prazer, vendo oje assentados n’este venerando recinto os escolhidos pelo povo, em quem estão fundadas as mais belas esperanças do nosso paiz. Eu me congratulo comvosco.”
(…)
Si me não é dado anunciar-vos o soleno reconhecimento da nossa independência política, gozo ao menos a satisfação de poder afiançar-vos, que não só as republicas vizinhas, como grande parte dos Brasileiros simpatiza com a nossa causa.
Mui dolorozo m’é o ter de manifestar-vos, que o governo imperial, surdo á voz da umanidade, e com escandalozo desprezo dos mais sãos princípios da siencia do direito, nutre ainda a pertinaz pretenção de reduzir-nos pela força, e por em meu profundo pezar se diminue com a grata recordação, de que a tirania acintosa exercida poe elle nas provincias tem despertado o innato brio dos Brasileiros, que já fizerão retumbar o grito da rezistencia em alguns pontos do Imperio.
É assim, que seu poder se debilita, e se aproxima o dia, em que, banida a realeza da terra de Santa Cruz, nos avemos de reunir para estreitar laços federaes á magnanima nação brasileira, a cujo gremio nos xame a natureza e nossos mais caros interesses.
Todavia o que deve inspirar-vos mais confiança, o que deve convencer-vos de que alfim triunfarão nossos principios politicos, é o valor e constancia de nossos compatriotas; é alfim a rezolução, em que se axão de sustentar a todo custo a independencia do paiz. (…)”.
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As imagens abaixo são um claro exemplo da postura dos gaúchos ante seu estado natal.
Fonte fotos e vídeos
Sobre o mesmo tema:
Por que comemoramos o 20 de Setembro
Novo Sinal – Porto Alegre em busca de mais respeito no trânsito

A qualidade de vida nas grandes cidades é altamente comprometida pela dificuldade que existe para possamos caminhar nas vias públicas. Uma das razões para isso é a falta de respeito que existe em relação ao uso das faixas de segurança. E sucedem-se mortes por atropelamento. Em Porto Alegre,ocorreram 812 atropelamentos entre janeiro e agosto de 2009, com saldo de 52 mortes.
Com estes dados preocupantes, a EPTC-Empresa Pública de Transporte e Circulação realizou pesquisa para analisar o comportamento de motoristas e pedestres e provavelmente chegou a conclusão de que é necessário investir em educação com nova abordagem. É o que se depreende da nova campanha de trânsito “Novo Sinal” ,buscando conscientizar pedestres e motoristas sobre a importância do respeito às faixas de segurança. A campanha foi lançada hoje na Usina do Gasômetro pelo diretor-presidente da EPTC, Luiz Afonso Senna, com a presença do prefeito Fogaça, que declarou: “Queremos mudar o comportamento dos usuários do trânsito, e a cidade está capacitada para isso. Somos a cidade mais politizada do Brasil e temos a ambição de que Porto Alegre seja admirada também pelo comportamento tanto de seus motoristas quanto de pedestres”.
O Novo Sinal estimula uma atitude ativa do pedestre que irá interagir com o motorista na medida em que sinalizará sua intenção de realizar a travessia na faixa de segurança.
Vídeo de lançamento da campanha
Abaixo reproduzimos algumas das instruções que constam do site Novo Sinal.
Qual a função do novo sinal de trânsito?
Ajudar o pedestre a atravessar a rua na faixa e deixar o trânsito da cidade mais seguro para todos. O sinal é apenas um facilitador para lembrar ao motorista de dar a preferência para o pedestre na faixa.
Em que situações o pedestre deve fazer o novo sinal de trânsito?
O pedestre deve fazer o novo sinal sempre que for atravessar em uma faixa onde não tenha sinaleira. É importante ressaltar: o pedestre sempre deve esperar os carros pararem completamente antes de atravessar a rua.
Existe alguma situação em que o novo sinal NÃO deve ser feito?
O pedestre não deve fazer o novo sinal onde existe sinaleira. Nesse caso, o pedestre deve respeitar a indicação da sinaleira e esperar a sua vez para atravessar. O novo sinal também não deve ser feito onde não tem faixa de pedestres. Por isso, atravesse sempre na faixa.
Como o pedestre atravessa a rua onde não tem faixa?
Se tiver uma faixa a 50 metros ou menos, o pedestre deve atravessar na faixa. Isso significa mais segurança e mais harmonia no trânsito. Onde não tiver faixa, o pedestre deve olhar para os dois lados e atravessar em linha reta sem correr.
Como o condutor deve proceder ao ver o pedestre fazendo o novo sinal na faixa?
O condutor sempre deve parar o veículo ao ver o pedestre fazendo o sinal na faixa. Parar na faixa significa respeito à vida, cumprimento da lei e uma ação concreta por mais harmonia no trânsito. É importante lembrar: o condutor não deve dirigir “recortando” entre os outros veículos, para não correr o risco de não ver o pedestre iniciando a travessia na faixa.
Como o condutor deve agir onde tem sinaleira?
Onde tem sinaleira, o condutor deve respeitar sua indicação e parar sempre que o sinal estiver fechado para os veículos. Além disso, o condutor sempre deve esperar o pedestre concluir a travessia antes de arrancar o veículo.
É importante lembrar algumas atitudes que contribuem para o bom fluxo do trânsito: nunca dirigir em alta velocidade, diminuir a velocidade ao se aproximar da faixa de pedestres e sempre estar atento ao veículo de trás.
O novo sinal de trânsito é lei?
O novo sinal não é lei, mas usar e respeitar a faixa de pedestres é e está no Código de Trânsito Brasileiro. O novo sinal veio justamente para reforçar a importância do respeito à faixa e estabelecer um diálogo entre o pedestre e o motorista, sinalizando que o pedestre deseja atravessar.
Qual lei regulamenta o trânsito e o respeito à faixa de pedestres?
A Lei nº 9.503, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro no dia 23 de setembro de 1997. Para conhecer a lei, clique aqui.
Mais informações pelo Disque Faixa, por meio do telefone 3289.4444.
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AES Sul – qual o problema?
Ocorrendo falta de fornecimento de energia elétrica por esssas bandas no dia 22 de julho de 2009, quando digitava um documento, liguei para a AES Sul e anotei a ocorrência, providência que adotei nas próximas cinco interrupções que ocorreram nesse período. Em uma delas, na noite de 09 de agosto o fornecimento foi suspenso por várias horas. Considerando-se que dia dia 22 de julho até hoje transcorreram 40 dias concluo que a cada sete dias temos algumas horas de suspensão de fornecimento de luz por aqui, sempre com a mesma explicação: problemas na rede.
Ora, se a rede da empresa tem apresentado tantos problemas em curto espaço de tempo presume-se que a manutenção da mesma está deficiente e sendo assim a empresa está descumprindo com a obrigação assumida com os consumidores. Qual será o problema com a concessionária?
Extremamente irritantes e potencialmente geradores de prejuízos os constantes “cortes” de luz.
Belchior, a imprensa e a coerência
O episódio envolvendo o “desaparecimento” de Belchior que ocupou as manchetes no Brasil inteiro e culminou com a ‘descoberta’ do cantor/compositor no Uruguai por parte de uma emissora de Tv é algo que me levou a refletir sobre algumas coisas.
Uma delas é o atual momento da imprensa brasileira. O fato de um programa de uma grande emissora fazer as vezes de oficial de justiça e sair à cata de um suposto devedor é, para dizer o mínimo, quase deprimente. Agrega-se a isto o fato de, ao encontrar o suposto desaparecido, achar-se no direito de questioná-lo sobre seus problemas financeiros. Qual o objetivo disso? O que nos interessa saber se Belchior tem dívidas com carros que comprou em S. Paulo ou se paga ou não pensão à ex-mulher?
A busca ainda tinha a sua razão de ser quando o objetivo era encontrar um artista desaparecido. Eventualmente poderia ter ocorrido algo trágico envolvendo Belchior. No momento em que constatou-se que ele simplesmente estava exercendo o direito de ir e vir, forçosamente deveria acabar a cobertura jornalística sobre o assunto.
Questionado sobre os motivos pelos quais teria “fugido” (dívidas, segundo a Imprensa), Belchior foi direto:
“Eu não vou responder. Eu não tenho menor interesse na vida privada de nenhuma pessoa, sabe? Nada, em nada”, disse.
Foi também coerente consigo mesmo. Há três décadas, Belchior cantava:
“Saia do meu caminho
Eu prefiro andar sozinho
Deixem que eu decida a minha vida
Han! Han!
Não preciso que me digam
De que lado nasce o sol
Porque bate lá meu coração”
Hoje diz a mesma coisa. Nos anos 70, Belchior era, ao lado de outros, perseguido pela ditadura. Hoje é cercado pela imprensa e vigiado de perto por policiais e advogados. Qual a saída? Refugiar-se no interior de um pequeno país latino-americano para fazer o que se espera dele: cantar. É isso que os fãs de Belchior querem ouvir e não explicações sobre a maneira de Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes conduzir a sua vida. Até porque todos sabemos que, do homem que cantou esta canção não podemos esperar que conduza a sua passagem por este mundo como grande parcela de nós – talvez obrigados – conduzimos.
Monumento aos Maçons Imperiais em Porto Alegre
A capital dos gaúchos tem mais um monumento a partir de hoje, data em que é comemorado o Dia do Maçom. Por iniciativa do vereador Bernardino Vendruscolo foi destinada área da cidade na esquina da rua Azenha com João Pessoa, próximo à Ponte da Azenha, onde teve início a Revolução Farroupilha para abrigar Monumento à Paz em homenagem aos Maçons Republicanos e Imperiais da Revolução .Como a história registra, a decisão de tomar militarmente a cidade de Porto Alegre e destituição do presidente provincial, que deu início à Revolução Farroupilha, foi tomada em 1835 na Loja Maçônica Filantropia e Liberdade, na Rua Duque de Caxias, sendo grão-mestre o general Bento Gonçalves. Garibaldi, um dos nomes mais importantes da Revolução era maçom, tendo inclusive sido lançado um selo em sua homenagem com símbolo maçonico.
Duas colunas integram o monumento, sendo uma Jonica (Sabedoria) e outra Dórica(Força)
O horário da inauguração foi a partir das 11 horas, quando o sol se encontra em zênite, projetando sua luz sobre todos, sem sombra.
Ao inaugurar a obra, que foi custeada pela iniciativa privada, segundo parâmetros da municipalidade, o prefeito Fogaça ressaltou que “é um orgulho para a cidade inaugurar este monumento. Não há nenhuma palavra que se associe mais à maçonaria que liberdade, vinculada à Revolução Farroupilha e à alma do gaúcho. Que estas colunas sejam permanentemente o símbolo do apego dos gaúchos à liberdade”.
A sonegação de medicamentos e as estatísticas
Segundo notícias do início do mês haviam cerca de cem mil ingleses com a gripe A e o número de mortos era de 36.
Um país com aproximadamente 50 milhões de habitantes tem cerca de cem mil infectados e 36 mortos.
No México, país com cem milhões de habitantes, morreram até o final de julho 177 pessoas.
Já o Brasil, o país dos medicamentos sonegados por ordem do próprio Ministro da Saúde, registra o óbito de 368 pessoas, sendo que por aqui a doença começou pelo menos dois meses após ter sido noticiado sua ocorrência no México.
O Rio Grande do Sul, por exemplo, com seus 12 milhões de habitantes tem 78 mortos pelo vírus . O Paraná contabiliza 107 mortos com uma população de aproximadamente 10 milhões de pessoas.
Por que será? Talvez pelo fato de os ingleses terem acesso a medicamento desde o início dos sintomas , não ficando à mercê da burocracia de um Estado absolutamente incompetente para cuidar da saúde de seu povo e que, perfidamente, definiu quem deve ser medicado e quem deve tentar sobreviver por suas próprias forças.
Não é de se admirar que, sem medicação, esperando exames absurdamente demorados, dezenas tenham morrido devido ao fato de que, por alguma deficiencia física e sem receber medicamento, não puderam suportar a agressão do vírus.
O futuro mostrará o crime que está sendo praticado neste país contra uma população indefesa e a mercê da prepotência e incompetência dos responsáveis pela saúde pública no governo federal. E dê-lhe bla,bla,bla pela televisão.
Será uma forma de experiência científica? Qual a explicação o fato de que os brasileiros estão morrendo em maior número do que outros povos ante o vírus, sendo que a doença começou a ter casos manifestados somente em 28 de junho e, já em maio, o mundo assistia escandalizado os mexicanos andando com máscaras pelas ruas?
As notícias de hoje mostram o aumento do número de mortos pela doença , com mais oito casos. Essas pessoas morreram hoje? NÃO, esta estatística abrange casos em que a morte ocorreu no mês passado, a partir do dia 18 de julho.
Os dados são divulgados após a confirmação dos exames pela Fiocruz. (A Fundação Oswaldo Cruz, situada no Rio de Janeiro era a única entidade autorizada para realização dos exames de todo Brasil até poucos dias atrás).
Isso significa que o exame que mostrou ocorrência da gripe teve resultado um mês após a morte do doente. Com a prática de não ser ministrado remédio sem comprovação da ocorrência da doença através dos exames, que somente começou a ser “flexibilizada” a partir de 4 de agosto, não é de se admirar que organismos mais frágeis não tenham resistido.
A pergunta que não pode calar é: quantos dentre os 368 mortos anunciados foram devidamente medicados quando procuraram auxílio no sistema de saúde?
Tristes tempos em que exames são feitos não para tentar salvar vidas, e sim apenas para fins estatísticos.Isso prova que, pelo menos nesse aspecto Stalin estava corretíssimo: a morte de uma pessoa é tragédia e a de milhões apenas estatística.No Brasil do novo século estes milhões foram reduzidos para algumas dezenas.
Operações mãos limpas e a gripe
“Moleza” seletiva?
A partir das contundentes declarações do procurador federal Adriano dos Santos Raldi quando do ajuizamento de Ação Civil contra a governadora Yeda Crusius surge uma indagação: existem casos em que o uso do “instituto” da ” moleza” é franqueado ao réu? Se no caso em tela foi necessário explicitar publicamente que não haverá “moleza” então talvez existam situações em que o procurador considere possível o uso da mesma.
A população, dentre as quais nos incluímos, sempre considerou que o papel dos procuradores na esfera estadual ou federal fosse representá-la na busca de punição aqueles que fossem acusados de prática de ilícitos, e que no desempenho desse papel não dessem “moleza” para ninguém. A investigação sem “moleza” é exigência da função do procurador e garantia de seriedade. Essa falta de “moleza” faz parte da função do procurador sendo desnecessário que seja proclamada. É o óbvio ululante de que falava Nelson Rodrigues. Procurador denuncia sem “moleza” e juiz julga de forma isenta. O réu tem direito a seriedade na denúncia, na investigação, na decisão. Deverá ser denunciado com seriedade, investigado com rigor e condenado se for o caso ou ter proclamada sua inocência.
As declarações do produrador me causam preocupação. Haverá situações em que o novo termo ‘jurídico’ “moleza” é permitido, sendo que quando não permitido deverá ser dito antecipadamente como no caso concreto?
Operação mãos limpas e a gripe
Normalmente lemos matérias sobre doenças que afetam populações inteiras e nos sentimos penalizados, porém as coisas acontecem longe de nós e então logo as esquecemos. Com a gripe que está assustando ao mundo e, desta vez também a nós, é diferente. Ela exige que tomemos precauções básicas para tentar evitar o contágio. Precauções que deveriam ser rotineiras SEMPRE , independente do tipo de gripe que circula por aí,mas normalmente não são seguidas pela maioria de nós.
OPERAÇÃO MÃOS LIMPAS
Uma dessas precauções é LAVAR AS MÃOS. Lavar as mãos como elas merecem ser lavadas, de forma completa, isto é, palma e dorso, com vagar e não aquela passadinha de água rápida. Imaginemos que uma pessoa espirrou, lançou vírus da gripe em suas mãos e após isso, tocou no corrimão da escada rolante do lindo shopping onde fomos fazer compras, ou no botão do elevador, no pacote que recebemos, ou na maçaneta da porta de algum lugar. Basta tocarmos em uma dessas superfícies já contaminadas pelo vírus e, após inadvertidamente, tocarmos nos nossos olhos, ou em nossa boca. Pronto, o contágio está feito.
Portanto, lavemos as mãos com a percepção de que estamos tirando delas a sujeira que outros deixaram em algum corrimão por aí.
Então, vamos tomar como hábito: NUNCA colocar a mão na boca ou nos olhos sem antes lavá-la cuidadosamente. E lembrem-se: O nariz também é porta de entrada para vírus. Também nunca é demais lembrar para NUNCA nos alimentarmos sem lavar as mãos com cuidado. Ao chegarmos da rua em casa devemos como primeira providência lavar as mãos.
TOSSES E ESPIRROS
Logicamente não podemos evitar que as pessoas espirrem ou tussam perto de nós. O risco de contágio sempre existirá, mas pelo menos parte dele diminui com nossas mãos limpas. E aqui vai um recadinho a quem estiver com gripe ou um simples resfriado. É no mínimo deselegante forçar aos demais ao convívio com quem está transmitindo doença. Independente de gripe A ou comum considero que o lugar de quem é transmissor de algum vírus não é e nunca foi lugares públicos e fechados. Agora, ainda mais, acabam causando constrangimento e medo. Evitemos isso. E mais, quem detém cargos de comando não tem o direito de forçar seus subordinados ao convívio face a hierarquia. Então, do chefe ao subalterno o lugar de doente é em casa ou em casos extremos no hospital.
Agradecemos a Rosa Albuquerque , da assessoria da presidência da Empresa Pública de Transportes e Circulação de Porto Alegre- EPTC , o envio da tabela acima que nos possibilita auxiliarmos na divulgação de orientações sobre a doença que apavora o mundo.
A sonegação de medicamentos e as estatísticas
Tempo de vida do vírus
O vírus permanece vivo por 24 a 48 horas no plástico e aço inoxidável, 8 a 12 horas nas roupas, papel e tecido e nas mãos por até cinco minutos.
Canoas, 70 anos – a moça se arruma para a festa
O dia 27 de junho marca o 70º aniversário da emancipação política de Canoas (RS). Às vésperas da festa, o prédio histórico do Paço Municipal recebeu um tratamento à altura da importância da data. O trabalho anônimo dos funcionários integrantes de uma população marcadamente trabalhadora que levou a cidade a índices elevados de crescimento econômico está registrado nas fotos abaixo.






Fabulas – A raposa e a cegonha
Este blog passa a ajudar a manter vivos ensinamentos contidos em fábulas milenares.
Iniciamos com A Raposa e a Cegonha
Indignação tardia
O jogador do Cruzeiro que afirma ter sido vítima de racismo por parte de Maxi Lopez esperou acabar o primeiro tempo do jogo, o intervalo e sómente após sua substituição no segundo tempo lembrou-se de tocar no assunto.
Estranho.
SPORTV -julgamento antecipado
Revoltante ouvir os jornalistas da Sportv decidindo por antecipação que Maxi Lopez realmente proferira expressões de cunho racista contra o jogador do Cruzeiro. Lamentavam que o racismo ainda exista no futebol, dando como favas contadas que a versão do cruzeirense é fidedigna.
A imprensa precisa entender que deve informar, isto é, fazer o que presumivelmente sabe fazer, e não tentar assumir papel de inquisidor. Após decidir sobre cada palavra que teria sido dita, analisando e interpretando, o jornalista de forma retórica afirma que Maxi deve ter direito a defesa. Ora, ora.
Cometi um erro, comprei no site da Lancôme
Compras pela Internet não faziam parte de meus hábitos. Não achava prazeroso e preferia utilizar lojas reais e delas sair com o produto. Além disso havia o receio de não ver cumprido o contrato, já que o pagamento antecipado deixa o comprador inteiramente à mercê do vendedor. No entanto, face ofertas de produtos fora de catálogo em lojas, minha desconfiança começou a ser abalada com algumas compras feitas no Mercado Livre, todas elas entregues nas condições e prazo combinados. Embalada por essa nova visão de como fazer compras, MissLouLou me estimulou a comprar em perfumarias virtuais, com o convincente argumento do preço mais atrativo. E novamente entregas realizadas estritamente dentro do combinado.
Desconfiança em compras virtuais diminuídas face a 100% de experiências positivas em outros sites me levaram a realizar pedido na página da Lancôme. Confesso que a marca deixou-me mais tranquila ainda. Se os vendedores desconhecidos do Mercado Livre e perfumarias sem nome consagrado por essas bandas foram corretíssimos o que se poderia esperar de uma marca com fama mundial? Ofertas boas estimularam ainda mais a realização da compra.
Então dia 17 de junho concretizei a compra no site com a promessa de que no máximo em 4 dias úteis receberia as mercadorias. Normal: como nos outros sites e geralmente a entrega é feita antes do final do prazo. Foi indicado que acompanhasse pelo site o andamento do pedido. Assim, na sexta-feira, segundo dia do prazo, visitei o site em busca de informações, com a esperança de que o pedido fosse entregue no sábado. Estranhei que nada do que ali constava indicava movimentação, o pedido em si. Aquela voz interior mandou-me ligar para a Lancôme e obtive a informação de que ” um erro de sistema” impedira o repasse da ordem de entrega para o setor responsável, mas face ao meu telefonema isso seria feito. Imaginei que seria feito imediatamente, afinal nosso contrato tinha prazo para cumprimento. No entanto, no sábado ainda não se observava alteração no site, evidenciando que ainda não fora determinada expedição dos produtos. Nova ligação e recomendação de que aguardasse , eis que na segunda-feira seriam tomadas providências. Além disso, foi recomendado de que aguardasse, pois entrariam em contato, via correio eletrônico. Como silenciaram na segunda-feira e o site indicava a mesma situação liguei novamente e recebi novamente recomendação de que aguardasse.
Hoje, no prazo fatal para entrega dos produtos recebo um e-mail indicando a postagem de minha compra e o aviso de que poderá ser entregue no prazo máximo de quatro dias. Agem como se nada tivesse acontecido, como se a entrega estivesse dentro da normalidade. Situação anômala não gerou da parte da empresa vendedora nenhum tipo de ação especial para cumprir o contrato no prazo.
Além disso, imaginem tivesse eu quedado inerte. A situação permaneceria a mesma, diante da “falha do sistema” com a consumidora esperando uma mercadoria que nunca iria chegar.
Agora, mesmo com o número da postagem em mãos, minha confiança está abalada.
Estou esperando que chegue, mas sempre com a famosa “pulguinha atrás da orelha” diante dessa situação.
E empresa tem o desplante de mandar mensagem com o seguinte final:
Esperamos o seu retorno em breve para que você possa descobrir novos produtos, ofertas e se encantar com o universo de beleza e cuidados Lancôme.
Nunca mais e recomendo a todos que façam o mesmo. Não caiam na armadilha.
A humildade e Pablo Santana
Paulo Santana é uma das figuras mais representativas do meio jornalístico do Rio Grande do Sul. É um gremista fanático, com os erros e acertos decorrentes da condição de fanático, o cronista mais lido e influente do Estado e, além disso, completou 70 anos no último dia 15 de junho.
Os colegas de Santana no Jornal do Almoço o homenagearam com retrospecto de momentos de sua participação no programa ao longo de 37 anos. E Santana cantou – como gosta de fazer, embora este talento lhe tenha sido negado por quem tem a incumbência de distribuí-los . Porém, dada a sua invulgar capacidade geminiana de apresentar múltiplas facetas e, mesmo não sabendo cantar, canta e nos faz gostar de sua apresentação apesar de sua pouca qualidade. Tivemos oportunidade de ouvir Se é verdade do grande Lupicínio e uma linda seresta de J. Cascata e Leonel Azevedo gravada por Orlando Silva Não foi o tempo. Foram momentos deliciosos, como o vídeo nos mostra .
Santana tem a capacidade de escrever sobre situações do cotidiano de maneira diferenciada, expressando o que sentimos e não sabemos externar. Nesse olhar reside, a meu juízo, sua genialidade. Genialidade, aliás ,com a qual ele brinca autoproclamando-a, com absoluta, deliberada , debochada e divertida falta de humildade.
Tudo isso faz parte do show da vida de Paulo Santana.
A camisa de Noel
Manhã de terça-feira, hora do café, olhadinha básica no jornal, no caso Zero Hora. O Segundo Caderno estampa foto de camiseta da Seleção Brasileira, com o nome de Noel impresso, o que chama minha atenção.Lendo a coluna A Camisa do Brasil, assinada por Mariana Bertolucci tomo conhecimento da sugestão da jornalista ao casal que consta ter encontrado a peça em armário de hotel de Porto Alegre . Ao afirmar com convicção que a peça pertence a Noel Gallagher da banda Oasis, que hospedou-se na mesma suíte no mês de maio passado, sugere que o casal realize leilão beneficente.
Vejamos se entendi. Sabedora de que alguém encontrou algo que pertence a outrem, ciente desta circunstância, recomenda que se aposse do bem e posteriormente o leiloe para fins caritativos. Ou seja, disponha do que reconhecidamente não é seu. Aquele comportamento de procurar fazer chegar às mãos do legítimo dono o que foi encontrado saiu de moda? Ou depende de quem perde ou esquece e de quem acha?
Que coisa…
A morte de Alegria
Quem visita o campus do Vale, da UFRGS, pela primeira vez surpreende-se com a quantidade de cães que circulam pela entrada. Alguns deles são mais ousados e chegam a entrar em salas de aula dos prédios próximos – principalmente no Instituto de Letras – onde chegam a assistir às aulas com atenção raramente encontrada entre os estudantes.
Qual a razão para tantos cães num só lugar? Ninguém sabe ao certo. Uma explicação bem possível é a mais simples: porque são bem tratados. No caso dos cães abrigados pelos alunos da Letras, eles chegam a ganhar nomes de escritores famosos de acordo com o seu aspecto físico e o seu comportamento. Há o Machado de Assis, o James Joyce, o Proust, o Kafka e, curiosamente, também há um Paulo Coelho. Não consigo imaginar que tipo de coisa o pobre cãozinho tenha feito para merecer este apelido. Mesmo assim, o fato é que os cães do Campus do Vale são quase parte da família universitária.
Assim era considerado o cãozinho Alegria. Adotada pelo professor de genética Renato Zamora Flores, Alegria auxiliava no tratamento de crianças carentes vítimas de violência da seguinte maneira: os menores contavam os seus problemas a ele, e não ao médico responsável. Assim, aproveitava-se a capacidade natural dos animais em cativar as crianças e ajudá-las psicologicamente. E Alegria ajudou muitas crianças. E continuaria a ajudá-las, se não tivesse sido morto a pauladas na noite do último sábado. O que motivou alguém a matar um simples cachorrinho de maneira tão cruel e grotesca? Ninguém sabe. E provavelmente nunca saberemos. Desconfio, porém, que o nome da cão tenha desencadeado no criminoso uma auto-repulsa tão grande, tão absurdamente forte, que não lhe restou alternativa a não ser eliminá-la, tal como o pecador, mesmo rico e poderoso, sente-se diante do santo, mesmo pobre maltratado. Ou, muito simplesmente, como a maldade sente-se diante da bondade.
Novo link do blog Perspectiva
Informamos aos leitores que o Blog Perspectiva passará para o seguinte link a partir de agora:
http://www.blogperspectiva.blogspot.com/
Agradecemos a todos aqueles que nos têm acompanhado desde o início, há quase dois anos. Só a casa mudou: todo o resto continua igual.
Gracias hermano
Fim de tarde de sexta-feira, ouço uma voz chamando meu nome no portão, com forte sotaque dos países do Prata. Meia desconfiada – tristes tempos! – abro a porta e vejo um rapaz com aparência condizente com o sotaque: altura mediana, cabelos e olhos escuros, pele morena clara, nariz pronunciado, quase um sósia do jogador Herrera, do Grêmio. Em outras palavras, um típico rioplatense.
Com seu português atravessado me informa que achou minha carteira com cartão, dinheiro e boleto pago, o que possibilitou minha localização. Entregou-me meus pertences com a postura típica de quem considera que cumpriu uma obrigação. Ouviu meus agradecimentos e seguiu seu caminho.
Publicamente externo ao jovem argentino chamado Maximiliano, que mora em Canoas há seis meses, conforme fui informada em nossa rápida conversa os meus sinceros agradecimentos. Estes aparentemente pequenos gestos que nos fazem ainda acreditar que resta esperança.
Ana Karina Belegante discorda que “Correr é o fim”
A RBS lançou em 2007 a campanha“Violência no Trânsito – Isso tem que ter fim”, se auto-proclamando um grupo preocupado com a crescente perda de vidas devido acidentes. A empresa promoveu lançamento da campanha em edição onde praticamente todos seus colunistas vestiam camisetas brancas com dizeres alusivos ao tema e expuseram seu posicionamento. Os motoristas de Porto Alegre tiveram disponibilizados adesivos da promoção com entrega gratuita em diversos pontos da cidade. O adesivo reproduz uma das mensagens principais da campanha: Correr é o Fim, pois é senso comum que a velocidade é uma das principais causas das mortes no trânsito.
A iniciativa do Grupo RBS tornou-se bastante conhecida e apoiada. O adesivo Correr é o Fim está presente em um grande número de veículos em todo estado. Todos ficamos satisfeitos com a iniciativa embora lamentemos a necessidade da mesma.
Como é evidente, coerência é o mínimo que se espera de alguém que propõe aos outros um comportamento correto . Se é pedido à população e aos jovens ( segundo o grupo jornlístico o foco principal da campanha) que não abusem da velocidade pois ela é causa de acidentes – afinal, “Correr é o Fim” – o que justifica a matéria publicada a fls.20 do no Caderno Donna do Jornal Zero Hora?
Ali, uma jovem senhora, mãe de uma menina de tres anos expõe sua visão de mundo. Ana Karina Belegante, apresentadora do “Adrenalina”, programa de esportes radicais produzido no Rio Grande do Sul, com transmissão nacional pelo Canal Futura, certamente influencia quem assiste seu programa.Pois esta senhora, escolhida como destaque no Dia das Mães e apresentada como uma pessoa altamente interessante e divertida ( portanto modelo ideal para ser seguido pelos jovens)afirmou textualmente o seguinte:
O que você faria se não fosse proibido?
Correria de carro em alta velocidade nas estradas!
Campanha de um lado com todo aquele conteúdo muitas vezes considerado maçante pelos jovens e, de outro a expressa manifestação de alguém divertido que se mantém esportiva e jovial mesmo chegando perto dos quarenta anos.
Qual mensagem atinge os jovens?
Faltou D’Alessandro na Casa Branca
O presidente dos Estado Unidos recepcionou jornalistas no tradicional jantar anual da Associação dos Correspondentes, na Casa Branca. O clima descontraído fez com que o presidente americano contasse piadas aos presente. Uma delas fazia referência a sua “amizade ” com a secretária de estado Hillary Clinton. Segundo Obama, já foram rivais, mas que agora não poderiam estar mais próximos e que ela até o abraçou quando voltou de uma viagem… ao México, em clara alusão à gripe que vem aterrorizando o mundo,provocando morte e dor. E os presentes certamente riram muito.
Lembrei-me do jogador do Inter , D’Alessandro, que quando entrevistado por jornalista argentino, após jogar em Santa Catarina, assolada por enchente foi perguntado sobre a chuva de gols de seu time, indignou-se e retrucou que o assunto não permitia brincadeiras.
É uma situação muito séria. Não é para piada. Houve um minuto de silêncio por causa disso. São muitas vítimas. É bastante triste — diz
Pelo visto Obama não comunga da mesma visão de mundo do meia colorado. Que pena.
Crime contra a humanidade na 15 de Janeiro
Um dos grandes símbolos da defesa do homem foi conquistado em 1948 em assembléia realizada na então jovem Organização das Nações Unidas. Foi a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que defende o indivíduo e lhe garante direitos – com o perdão da redundância – humanos. Os trinta artigos narrados nesta reunião internacional foram aceitos e aclamados, afinal, defendiam a igualdade e essa é uma palavra muito bonita.
Dentre estes artigos a ONU indica que somos todos iguais perante a lei, temos o direito a vida e diversos outros que já lemos nos créditos finais do documentário de Al Gore. Chama a minha atenção o Artigo V da Declaração:
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Eu, como cidadão, me sinto no dever de denunciar após a leitura deste Artigo um crime universal que vem sendo paulatinamente cometido em Canoas, Rio Grande do Sul. Segundo maior PIB do Estado, cidade da Praça do Avião, da Fundação Cultural e também do Felipão, Canoas tem seu coração na Rua 15 de Janeiro. Por lá passam diariamente milhares de pessoas, sempre sorridentes e satisfeitas com a qualidade de vida da cidade. Eu sou uma delas! Pois bem.
Era um agradável dia de sol de temperatura amena (39°C à sombra e umidade do ar beirando o zero) quando cruzei as proximidades do belíssimo calçadão canoense e me deparei com uma imagem que lembrou os campos de Auschwitz, tamanho o desprezo pela raça humana. Mas era muito pior. Debaixo do escaldante sol enxerguei dois seres humanos, lado a lado vestidos de…..VESTIDOS DE DENTE. Isto mesmo! E não era um dentinho de leite, pequenino e impresso na camisa. Eram gigantescos dentes trituradores, brancos como o marfim e , por ironia, sorriam. Já seria imbecil um dente sorrir em qualquer momento, mas sorrir sob aquelas condições desumanas? Jamais! Se eu que trajava roupas comuns enquanto saboreava meu delicioso Toddynho Ice não sorria àquele momento, imaginem os dentes, expostos ao sol e ensaiando danças? Senti corar minha Declaração dos Direitos Humanos que carrego sempre no bolso e na obrigação de realizar esta denúncia.
Nem a fada dos dentes ficaria satisfeita em ver um mastigador sendo usado daquela forma. Ainda mais com um ser humano dentro! A expressão “Olho por olho, sua vida por um dente” finalmente fez sentido. A Declaração Universal jamais foi tão desrespeitada. Os dentes transeuntes representaram um tapa na cara da sociedade. Precisamos de uma intervenção dos Capacetes Azuis, ONU!
São Jorge, padroeiro dos guerreiros
“São Jorge matando o Dragão”, relevo em mármore de Donatello, Museu del Bargello, Florença-Itália
São Jorge é um dos santos mais populares da Igreja e, talvez por isso, um dos mais requisitados para o cargo de padroeiro. Além do Corinthians, o guerreiro nascido na Capadócia (região da atual Turquia ) abençoa a Catalunha, a Inglaterra, a Lituânia, a Geórgia, Moscou, Gênova, várias ordens milares e instituições do mundo inteiro. Mas será que é apenas o grande número de fiéis que dá a São Jorge toda essa importância, digamos, institucional?
Primeiro, cabe perguntar o que um clube de futebol, nações, cidades e exércitos têm em comum. Resposta: a luta. Seja no campo de jogo ou no campo de batalha, jogadores e soldados recebem o nome de “guerreiros” por aqueles que torcem pelo seu sucesso. E São Jorge é o santo guerreiro por excelência, aquele que, mesmo nos piores momentos, jamais perde a fé na vitória. Não lhe faltou chance para provar isso. Soldado romano, erguido à condição de membro da corte numa época de violenta perseguição contra cristãos, Jorge fez defesa apaixonada do cristianismo diante dos seus próprios pares. Perguntado sobre o que era o cristianismo, Jorge respondeu: “É crer na Verdade”. Ao que um cônsul perguntou: “E o que é a verdade?”. E ele respondeu: “A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis, e eu sou servo de meu redentor Jesus Cristo, e Nele confiado me pus no meio de vós para dar testemunho da Verdade.”
Não é preciso dizer que, naquela época, quem fizesse semelhante defesa apaixonada do cristianismo era imediatamente morto. Não foi o caso de Jorge: primeiro, o imperador pediu que ele fizesse uma retratação pública. Não a fez. Depois, mandou torturá-lo de várias maneiras. Também não obteve sucesso. Aliás, conforme o processo de “persuasão” avançava, Jorge ganhou cada vez mais notoriedade e respeito por parte da população, – incluindo aí a própria mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Quando enfim foi degolado, no dia 23 de abril de 303, já era uma figura célebre pela sua resistência e fé incomuns.
A imagem clássica de São Jorge lutando contra o Dragão dá bem a noção da mensagem que São Jorge passou para a humanidade. Mesmo contra um adversário muito maior e armado apenas de uma lança, Jorge joga-se sobre ele com a confiança daqueles que nada temem porque têm ao seu lado um aliado indestrutível que jamais os abandona mesmo depois da morte. Como os georgianos, que homenagearam o santo dando-lhe o nome da pátria. Como os soldados ingleses nas cruzadas, que morreram com a cruz estampada na bandeira. Como todos, enfim, que buscam um espelho de força e garra para as lutas que o homem é obrigado a enfrentar diariamente.
Para ouvir na Semana Santa
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Jorge Uequed receberá o título de Cidadão Canoense
A cidade de Canoas (RS) contará a partir de hoje com mais um cidadão. Em sessão realizada nesta terça-feira, às 19 horas, a Câmara Municipal de Vereadores entregará a Feres Jorge Uequed, advogado, jornalista, deputado federal durante 20 anoas e atual presidente da Comissão de Ética Municipal, a honraria reservada àqueles que, não sendo naturais de uma localidade, a ela prestam relevantes serviços. Uequed foi agraciado com a distinção em 1991; porém na condição de deputado federal estava participando de discussões parlamentares em Brasília e devido a isso não pode comparecer à cerimônia de entrega na época.
Feres Jorge Uequed também será homenageado na condição de diretor do jornal local O Timoneiro, o mais antigo em circulação na cidade.
Domingo de Ramos
Desenho elaborado por Madame Y , baseado na obra
A entrada triunfal em Jerusalém
de Bernhard Plockhorst
Museu de Syracuse- New York
Quer saber mais? Leia aqui
Esperando a Páscoa
O Posto Metropolitano em Canoas está com uma original decoração para a Páscoa: a Fazendinha dos Coelhos. Em frente ao estabelecimento , na rua Guilherme Schell, no centro da cidade,coelhinhos vivos estão instalados em um muito bem cuidado cercado alegrando a todos quantos frequentam o local.
São estas aparentemente pequenas coisas que ajudam a tornar nosso cotidiano mais bonito.
Os coelhinhos da Fazendinha dos Coelhos tendo ao fundo o bosque da Villa Mimosa.
A Fazendinha encanta aos transeuntes
*São Lucas e a insônia
*Plínio Carlos Baú
Lendo o excelente site Espaço Vital encontramos um interessante artigo escrito pelo cirurgião Plínio Carlos Baú. Autorizados pelo autor, reproduzimos o texto nesse espaço, eis que o que ali consta constitui um relato pungente de uma experiência de vida.
Há cerca de doze anos, um paciente idoso, já no ocaso da sua existência e que, periodicamente era internado por complicações do diabete, teve uma noite de insônia.
Calçou os chinelos, vestiu o roupão e, alta madrugada, saiu do quarto indagando, a quem encontrasse, quem era São Lucas.
Como não encontrou resposta entre os sonolentos funcionários do seu andar, foi descendo todos os andares, perguntando , afinal, quem era o santo que dava o nome ao hospital. Percorreu todo o trajeto, do nono andar ao térreo, inquirindo a auxiliares, técnicos, funcionários da nutrição, seguranças, familiares de outros pacientes, quem era São Lucas.
Amanhecia o dia, quando, derrotado em sua incursão, exausto, retornou ao seu quarto.
Foi assim que o encontrei na manhã em que fui visitá-lo. Estava muito amuado, e foi logo disparando:
- Droga de hospital! Ninguém sabe quem é o santo!
E relatou-me a sua aventura noturna.
Continuou:
- Fui até a capela. Não encontrei nem um santinho ou imagem, ou alguém que me explicasse quem é São Lucas…”
Expliquei-lhe, do meu modo, que São Lucas era um apóstolo de Jesus, que tinha algum pendor em cuidar de doentes, e por isso era considerado o médico da turma dos doze. Tratava-se do santo padroeiro dos médicos.
Cerca de um ano depois, o paciente faleceu em sua cidade de origem, rodeado por muito carinho da família e dos muitos amigos que fizera em vida. Na véspera do seu falecimento, num dos últimos atos de lucidez, chamou a esposa e pediu que ela providenciasse uma imagem de São Lucas para o hospital que tantas vezes e tão bem o acolhera.
Este último desejo foi atendido e, com o auxílio do Irmão Erno Cristh, fez-se a encomenda a um escultor de origem austríaca residente em Treze Tílias, Santa Catarina, conhecido como Sr.Mosel.
Hoje, o santo assiste tranqüilo a todas as pessoas que circulam pelo saguão do nosso hospital e aquele velho morreu em paz. Foi um homem honesto, muito simples e bom.
Era meu pai.
Governo brasileiro surpreende e derruba impostos
Diante da indústria estagnada e do comércio morto, o Governo Brasileiro voltou a agir. Prorrogou o IPI reduzido para os automóveis e derrubou ainda taxações de outras mercadorias. Tudo para o mercado não perecer diante da falta de dinheiro na economia e para o brasileiro não ter seu cotidiano afetado negativamente.
Para compensar as perdas das tributações, o Governo decidiu por um aumento de 30% no preço dos cigarros. Confira a tabela das reduções abaixo:
Créditos para a tabela: FOLHA ONLINE
| MATERIAL | REDUÇÃO DO IPI |
|---|---|
| Cimentos aplicados na construção | 4% para 0% |
| Tintas e vernizes dos tipos aplicado na construção | 5% para 0% |
| Massa de vidraceiro | 10% para 2% |
| Indutos utilizados em pintura | 5% para 2% |
| Revestimentos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria | 5% para 0% |
| Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos | 10% para 5% |
| Argamassas e concretos para construção | 5% para 0% |
| Banheiras, boxes para chuveiros, pias e lavatórios de plástico | 5% para 0% |
| Assentos e tampas, de sanitários de plástico | 5% para 0% |
| Caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos, de plásticos | 5% para 0% |
| Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês, sanitários, caixas de descarga, mictórios de porcelana | 5% para 0% |
| Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês de cerâmica | 5% para 0% |
| Grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada | 5% para 0% |
| Outras grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada | 5% para 0% |
| Pias e lavatórios, de aços inoxidáveis | 5% para 0% |
| Outras fechaduras; ferrolhos | 5% para 0% |
| Partes Cadeados, fechaduras e ferrolhos | 5% para 0% |
| Dobradiças de qualquer tipo (incluídos os gonzos e as charneiras) | 5% para 0% |
| Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes para construções | 10% para 5% |
| Válvulas para escoamento | 5% para 0% |
| Outros dispositivos dos tipos utilizados em banheiros ou cozinhas | 5% para 0% |
| Disjuntores | 15% para 10% |
| Chuveiro elétrico | 5% para 0% |
Uma biblioteca no lugar de um boteco
Neste sábado pela manhã fomos ao parque Getúlio Vargas em Canoas/RS conferir o Prefeitura na Rua, programa promovido pela administração municipal com a presença do prefeito, vice-prefeita e secretários nos bairros da cidade. O programa tem o objetivo de ouvir as reivindicações da população transmitidas diretamente aos setores responsáveis. A iniciativa de ir ao encontro da população nos pareceu extremamente interessante, pois nada como ver e ouvir para realmente sentir as necessidades da comunidade. Assim, esperavamos um evento positivo, sinalizador de mudança de postura no trato com a população.
Não estávamos preparados, no entanto, para a agradável surpresa que nos esperava já na entrada do parque. Ao lado do prédio do SEMPA existia um local destinado venda de bebidas, na verdade um boteco, que ultimamente sequer aberto estava. Um lugar feio e nada edificante, chegando a ser ofensivo face a beleza do espaço onde estava localizado, em meio aoverde do parque. Pois bem, o antigo bar virou uma mini biblioteca. A BiblioParque foi inaugurada hoje, com a presença do prefeito Jairo Jorge. Não deixa de ser sintomático: onde antes havia um boteco, com tudo o que um boteco traz, abriu-se uma biblioteca, com tudo o que de positivo, iluminador e semeador ela traz.
Estantes com bons exemplares que tem capacidade de atender ao gosto literário de um público diversificado.
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Os artesãos locais também participam do Prefeitura na Rua, expondo seus trabalhos. Existe um movimento propondo um feira livre nos moldes do Brique da Redenção. Idéia excelente.
Com relação ao Prefeitura na Rua ficamos satisfeitos com a forma como os cidadãos são atendidos. Sob um toldo e suportando estoicamente um calor de muitos graus, o prefeito Jairo Jorge e a vice Bete Colombo atendiam com muita solicitude aos canoenses. Ao lado, representantes das secretarias municipais também solicitamente ouviam e anotavam as postulações para encaminhamento.Percebe-se muita vontade de acertar no encaminhamento de solução para os problemas de Canoas e isso já representa muito face ao que observamos nos últimos anos na cidade.
Bete Colombo e Jairo Jorge atendem aos canoenses
O S.C. ULBRA mudou de nome?
Um fato que vem chamando a atenção de todos aqueles que acompanham a transmissão dos jogos do campeonato gaúcho pela RBS TV e pelo Pay Per View é o Sport Club ULBRA ser chamado de Canoas pelos narradores. Como todos sabem, o clube tem sua sede em Canoas/RS, mas não leva o nome da cidade. Desconheço as razões que fazem a emissora denominar um clube por outro nome que não o correto, mas é tão evidentemente proposital que, há alguns dias, o comentarista, em ato falho, iniciou sua intervenção dizendo: ” a Ulbra…” para logo após pedir desculpas e retificar para “Canoas”. Pediu desculpas por haver utilizado o nome correto do clube, ora vejam só.
Aliás, falando em Ulbra vale a pena fazer uma visita às imediações do estádio, em Canoas. É um lugar muito limpo e b0nito, com alamedas de plátanos e paisagens bucólicas.

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Academy Awards, Oscar 2009*
Mais um ano tem seu inicio, e mais uma vez começam os preparativos para a maior festa de gala do tapete vermelho. Desde o dia 25 de fevereiro de 2008, muitos filmes estrearam na telona, uns recentes outros nem tanto, mas igualmente participarão da 81ª edição do Academy Awards, marcada para o dia 22 de fevereiro de 2009. Segundo a visão do arquiteto David Rockwell, esta edição de 2009 será “toda azul”, a idéia de cenário é “trazer de volta a intimidade dos primeiros anos da festa, quando tudo eram taças de champanhe, banquete e festa”.
Filmes como, O curioso caso de Benjamin Button (recordista em indicações, 13, ao Oscar nesta edição) dirigido por Daivd Fincher, conta a história de um homem nascido sobre circunstâncias incomuns; Benjamin Button, personagem de Brad Pitt, nasce velho, aos 80 anos, e rejuvenesce à medida que os anos passam; entra na briga com uma pitada extra de favoritismo em categorias como: Melhores Efeitos Visuais; Melhor Maquiagem e Melhor Filme. Ironman (criação de Stan Lee, Marvel, popular nas HQ’s) conta a história de um magnata egocêntrico, Tony Stark, personagem vivido por Robert Downey Jr., que ao sofrer um acidente, durante a exposição de uma das suas armas tecnológicas, decide largar os vícios que o compunham, e construir uma armadura para salvar os cidadãos e a si mesmo; ganhou uma adaptação para as telas. Adaptação que ao meu ver, o público – em si – teve uma certa desconfiança pelo fato de não ser um super-herói tão legal quanto os outros por aí, msa que acabou rendendo bons frutos. Na minha opinião, é um dos melhores filmes do gênero estando atrás apenas de Spider-Man, do primeiro – óbvio. Disputa nas categorias de Melhores Efeitos Visuais e Melhor Som. The Dark Knight, dirigido por Christopher Nolan, finalmente o filme que os fãs esperavam, dispensa comentários, portanto, vamos direto a indicação póstuma de Heath Ledger, interpretando o Coringa – resumindo Jack Nicholson “a nada” - a personificação da Teoria do Caos, um psicopata criminoso ensandecido cuja (única) obsessão é humilhar Batman, personagem de Christian Bale. Tem indicações, principalmente, nas categorias de Melhor Maquiagem e Melhor Ator Coadjuvante.
Se me é permitido dizer, Slumdog Millionaire, dirigido por Christian Colson, conta a história de um jovem de um bairro pobre de Mumbai, cidade da índia, decide participar de um programa de perguntas e respostas na televisão; mesmo sendo analfabeto, ele surpreende a todos ao ganhar o jogo, o que levanta suspeitas de que pode ter trapaceado, no entanto, o rapaz queria, apenas, reconquistar a guria que ele ama; tem uma boa proposta e vem com uma boa expectativa para sair com alguns “homenzinhos de ouro”. Realmente pode surpreender, pois foi indicado em diversas categorias (mais precisamente 10), entre elas a de Melhor Filme.
Kate Winslet, que já competiu como coadjuvante em 1995 com Razão e Sensibilidade e em 2001 com Iris; como protagonista em 1997 com Titanic, em 2004 com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e ainda em 2006 com Pecados Íntimos, e nunca sequer ganhou. Esta é a sexta indicação da diva, e concorrerá como Melhor Atriz com o filme O Leitor. Porém, já sabemos para quem vai o premio de Melhor atriz, “and the Oscar goes to(?)”… para a brasileira em Zurique.
Broilo
Fonte: http://spoilermovies.com/tag/oscar-2009/
Bixos, trote universitário
Mateus Broilo da Rocha*
Bem, amigos do Blog Perspectiva, eu não sou conhecido de vocês ainda, mas hei de ser daqui por diante. Antes de mais nada, sinto-me na obrigação de introduzir minha pessoa, meu nome é Mateus Broilo Da Rocha – salvo piadas – não tratarei de assuntos restritos tampouco escreverei com freqüência (sim, eu não aderi à Cretinice Ortográfica ), não sou jornalista, muito menos um aspirante, portanto, imparcialidade não faz a minha imagem.
“Quantas outras pessoas queriam ser BIXOS como vocês? Vocês são os calouros da federal, o trote é um tipo de boas-vindas”.
Foram estas as palavras proferidas a mim e a mais tantos outros alunos em uma quinta-feira à tarde ao fim de uma aula de ‘Química Fundamental A’. Sou universitário do curso de Física – Bacharelado da UFRGS, e lembro bem que no início do ano letivo, do primeiro semestre da faculdade, eu estava com a mão direita fraturada. Para ser mais preciso, tinha fraturado o quinto metacarpiano – sim sim mesmo problema que lutadores de Boxe, em algum momento de suas carreiras, passam – e não, não pratico Boxe -, msa de fato estava eu com o ante-braço engessado. Foi, no mínimo, contagiante aquele trote, pois, eu estava/estou da Universidade Federal do Rio Grande do Sul! Passamos pela brincadeira do elefantinho*– calma, eu explico -, e fomos sujos de tinta; erva-mate; azeite; farinha; água de peixe; esmalte; batom; terra; vinagre… ( imagina o cheiro da gente ao final, e eu preciso pegar um ônibus e o trem para voltar para casa ). De certa forma, foi um trote saudável, pois não exigiu da nossa saúde, e só participou quem quis. Enfim ninguém saiu ferido. E espero que neste ano de 2009, nos trotes na UFRGS, e de qualquer outra das demais instituições, não haja violência como foi o caso de algumas universidades do estado de São Paulo.
É impressionante a tamanha falta de respeito com que os veteranos ‘de lá’ demonstraram frente a essa brincadeira. Uma caloura, grávida de três meses foi queimada em várias partes do corpo com um líquido onde um dos constituintes era creolina, produto este exclusivo de uso animal. Em outros lugares, os estudantes foram submetidos a sessões onde deveriam rolar sobre fezes de animais, quiçá humanas. Ainda em outros lugares, estudantes foram chicoteados – sim, chicoteados – e embebedados a ponto de entrarem em coma alcoólico. Parece que esses trotes universitários cada vez mais vêm se tornando assunto de polícia, e se não forem contidos de alguma maneira, continuarão sendo manchetes das páginas policiais. Vale a pena lembrar, também, da morte do calouro Edson Tsung da USP, não me recordo o curso, há 10 anos atrás, onde ele e tantos outros foram jogados dentro de uma piscina e espancados se tentassem sair. Na manhã seguinte, o corpo, já sem vida, de Edson fora encontrado boiando na piscina. Edson Tsung não sabia nadar, maa mesmo assim não era motivo para não participar da “brincadeira”.
*A brincadeira do elefantinho diz que devemos, todos, nos curvar; passar uma das mãos por baixo das pernas da pessoa a nossa frente e segurar em uma das mãos dela; passar a outra mão por baixo das nossas pernas e segurar nas mão da pessoa de trás. Andar, ainda curvado, e, em nossa condição de Aspirantes a Físico, gritar: “ Uto, uto, uto, engenheiro é tudo p***(!)”
* Mateus Broilo da Rocha é estudante universitário, gremista e sobreviveu ao trote.
Pelé – com um “pai” desses…
O ex-jogador Pelé sempre foi considerado ” pai” do atacante Robinho e afirma publicamente que o considera “cria” sua. Com as recentes notícias envolvendo o nome de Robinho em acusação de estupro, que ele nega, o maior nome do futebol mundial apressou-se em prestar declarações à imprensa lamentando o ocorrido e as repercussões negativas que trará a reputação dos atletas brasileiros no exterior.
“O Robinho é cria nossa, foi lançado com a gente. Enquanto estava comigo e com o Manoel Maria (ex-ponta-direita do Santos que trabalhou com Pelé na base), escutava os nossos conselhos. Agora é mais difícil falar com ele, mas coisas como essas me deixam tristes” ” Isso que aconteceu com o Robinho, com o Adriano e com o Ronaldo fecha as portas para os atletas brasileiros” Fonte
Bem, considerando o que o “pai” de Robinho declara não restam dúvidas da culpa do jogador, mesmo que ele negue peremptoriamente haver cometido o crime de extupro. Pelé associa fatos inquestionáveis como o ocorrido com Adriano e Ronaldo com as acusações contra Robinho.
Da minha parte prefiro considerar que não existe culpa por ter havido uma acusação. No meu ponto de vista Robinho é inocente até que provem o contrário.
Pele me fez lembrar o que declarou alguns anos atrás o eterno Romário: “Pelé calado é um poeta”.
Modificação ab-rupta
Ab-rupto. Sim, essa é a maneira como pretendem que passemos a escrever a palavra outrora conhecida como abrupto.
Coerdeiro, outrora “co-herdeiro”, com um pequeno erro de digitação, fica igual ao cordeiro.
Os pronto-socorros de todo o país terão de perder um hífen e ganhar um “s”, tornando-se “prontossocorros”. Não sei se melhorará o atendimento aos pacientes, mas com certeza irá agredir os olhos de quem passar por eles.
Enfim, lembrei-me de minha avó: “coisa de gente que não tem o que fazer”. O único consolo que temos é saber que, ate 2012, podemos continuar a escrever “errado”.
O país esquecido
Monumento aos descobrimentos, Lisboa
A primeira vez que falei com um português teve em mim um impacto semelhante ao que os nossos colonizadores devem ter sentido quando tomaram contato com os nativos de Pindorama. Tinha 19 anos (hoje tenho 25) e era usuário ocasional das salas de chat do portal Terra, divididas por regiões do Brasil e do mundo e por preferências pessoais. Costumava entrar nas ligadas aos meus interesses pessoais – sobretudo na de Literatura – e na da minha cidade natal, Porto Alegre. Um belo dia, resolvi vasculhar os outros cantinhos do mundinho virtual criado pelo portal mais acessado do Brasil. Encontrei um sala para jogadores de RPGs, uma para sambistas, uma para metaleiros e uma chamada “Portugueses”. Não uma: duas salas. Achei interessante e estranho ao mesmo tempo e não pude deixar de sentir curiosidade pelo tipo de povo que lá habitava. Quem seriam estes tais “portugueses”? E numa página brasileira, ainda por cima? O que faziam ali? Entrei para conferir.
A sala contava com uns vinte membros, alguns com uns apelidos que me soaram bastante engraçados. Engatei conversa com um deles. Como de praxe, comecei com uma apresentação básica: sou o Celso e sou de Porto Alegre. E achei importante acrescentar: fica no Brasil. Afinal, minha experiência com estrangeiros na Net me dera a clara noção de que ninguém sabia o que era Porto Alegre, nem que ficava no Brasil e, muitas vezes, nem que o próprio Brasil existia. Importante, portanto, dizer que eu era brasileiro e que Porto Alegre fica no Brasil.
A isto o portuga respondeu:
- Sim, eu sei que Porto Alegre fica no Brasil.
E acrescentou:
- A Adriana Calcanhoto nasceu aí, não é?
Surpreso com a resposta, disse que sim, ela nasceu aqui, assim como outra cantora brasileira, Elis Regina. Dei outras referências da cidade, falei da dupla Gre-Nal, do chimarrão e das bombachas. Tudo isto o lusitano conhecia e eu tinha a nítida impressão de que estava rindo por dentro, pensando em alguma coisa como “que brasuca burro”. Não estaria longe da verdade, mas a forte impressão que me causou a conversa, e que me acompanhou desde então, não se deu pela minha ausência de neurônios.
Aquela pequena conversa – e tantas outras que eu tive com os habitantes da Ocidental Praia Lusitana nos anos subsequentes, fazendo inclusive bons amigos virtuais, foi um simulacro do caráter oratório das relações Brasil – Portugal. Oratório pelo seguinte: trata-se de um lado que só fala, e o outro que só escuta. Quem fala somos nós, com direito a microfone e potentes caixas de som. Quem escuta são eles e, quando tentam falar, não encontram platéia interessada em ouvi-los.

Cidade do Porto
Eu próprio era um dos que não estava disposto a ouvi-los. Aquele sotaque que me parecia tão estranho, tão diferente das outras línguas românicas, desde que eu me conheço por gente associado a piadas e gozações, nunca me havia despertado o menor interesse. Sabia que Portugal existia (e no Brasil há quem disto não saiba) e que falavam o nosso idioma de um jeito um tanto engraçado. Tinha o necessário discernimento para saber que as piadas de portugueses eram apenas piadas e sabia que eles eram mais morenos que os alemães e franceses e um pouco mais pobres do que eles, conhecimento adquirido em mal assimiladas aulas de geografia. Sabia também que era a terra de um cidadão chamado Camões cujas estrofes eu precisava decorar para o exame vestibular. Ah, claro, e de Fernando Pessoa – mas quando eu lia a “Ode Marítima” ou “O Guardador de Rebanhos” a última coisa que eu pensava era em Portugal. Fiquei por aí. Estava muito ocupado ouvindo rock inglês, lendo James Joyce, Kafka, Machado de Assis e Cervantes e assistindo Werner Herzog e Charles Chaplin e para me preocupar com os portugueses. E creio que não era o único, já que nunca Portugal sequer entrou em pauta em minhas conversas, seja com amigos, seja com familiares – a não ser, é claro, nas piadas. Nisto eu era exatamente igual a quase todos os brasileiros. Ignorava olimpicamente o passado e o presente da nação que, embora eu não soubesse, chamava-nos algo ingenuamente de “país irmão”.
É óbvio que alguém numa situação tal de ignorância nem sequer desconfia em que ponto do tempo e do espaço ele está parado. Não desconfia, portanto, de quão estranha e anômala é a sua situação perante os seus pares. É o caso do Brasil: ele, o brasileiro, nem se dá conta, mas é a única ex-colônia que ignora quase que completamente a ex-metrópole. Fenômenos como o de um grupo de crianças negras haitianas estudando os clássicos franceses como se fossem herdeiros de uma tradição cultural nos parecem uma brincadeira de péssimo gosto, até porque o velho e surrado discurso anticolonialista vive adormecido na ponta da nossa língua. Do mesmo modo, fenômenos norte-americanos como o amor pelo rock inglês, Charlie Chaplin, Alfred Hitchcock e a devoção por Shakespeare e Milton não têm correspondente por aqui. Até mesmo os nossos países vizinhos jamais esquecem da presença inspiradora de um Ortega y Gasset, um Unamuno, um Camilo José Cela, vários e bons músicos espanhóis, um Goya e a figura sempre magna de Cervantes. Jovens argentinos e mexicanos escutam Joaquin Sabina e Estopa, fazem fila para assistir o último de Almodóvar (e de outros espanhóis menos óbvios) e lêem quadrinhos feitos na Espanha. Aliás, nós também fazemos fila diante dos filmes de Almodóvar, empurramos quem está na nossa frente para ver quadros de Picasso e não hesitamos em gastar 50 reais para comprar um livro como “A Sombra do Vento”, do espanhol Carlos Ruiz Zafon. Mas não fazemos – nunca fizemos – o mesmo com um cineasta, um desenhista, um artista ou um escritor português, sendo que a única exceção, José Saramago, constituiu-se em exceção depois do Nobel de 1998 e de uma agressiva estratégia de vendas fruto do projeto pessoal do próprio Saramago de fazer-se conhecido no Brasil.
O outro lado da moeda é bem diferente. Sem que seja necessária uma missão artística ou estratégia de divulgação, as listas de discos mais vendidos em Portugal sempre trazem um brasileiro. As audiências das novelas da Globo continuam altas, o Brasil é um grande destino turístico dos portugueses, filmes como “Carandiru”, “Tropa de Elite”, “Cidade de Deus” e outros chegaram ao circuito comercial (aliás, Fernando Meirelles é o responsável pela única adaptação para o cinema de uma obra de Saramago) e até mesmo autores popularescos como um Paulo Coelho têm grande público por lá, a par de um Machado de Assis, um Carlos Drummond de Andrade, um Guimarães Rosa ou um Érico Veríssimo entre as camadas mais cultas da população portuguesa. Quem duvida que acesse a seção de cultura dos jornais portugueses na Internet.

Mosteiro dos Jerônimos
É possível que eu esteja exagerando e que um americano do Meio-Oeste, gordo, de cabelos loiros, nem saiba qual é a capital da Inglaterra ou que um índio boliviano sequer saiba falar castelhano. Talvez. Mas com absoluta certeza um professor universitário americano ou boliviano não deixam nunca de conhecer e respeitar a cultura do país de onde veio oidioma. Salvo pontuais observações sarcásticas de um Borges e seus companheiros de geração com relação à cultura espanhola (sendo que ele, Borges, sempre considerou Unamuno e Cervantes como mestres), os hispano-americanos nunca deixaram de ter Madrid como o meridiano cultural da língua espanhola, fato claramente comprovável pela força decisória da Real Academia quando o assunto é idioma e o prestígio do Prêmio Cervantes entre os hispanohablantes. Gostando ou não dos espanhóis, os nossos países vizinhos não deixam de resguardar a cultura de língua espanhola e de se sentirem, de um modo ou de outro, descendentes de uma tradição e continuadores dela.
No Brasil, como sabemos, o povo ignora tudo sobre Portugal e reduz o país a material para anedotas vendidas em bancas de jornal. Isto em si, em se tratando do povo, nem seria grave. A questão é que os próprios intelectuais brasileiros não fazem nada muito diferente disto. A releitura brasileira da cultura portuguesa com muita frequência é feita em tom francamente pessimista, quando não jocoso e desrespeitoso e às vezes até condescendente. É a célebre passagem de Antonio Candido em “A Formação da Literatura Brasileira”, quando trata a literatura (e a cultura) portuguesa como “um arbusto de segunda ordem no jardim das Musas”; é o tom algo agressivo (e, para os olhos de hoje, preconceituoso) em Sérgio Buarque de Holanda, que coloca os ibéricos (e, principalmente, os portugueses) como insensíveis ao trabalho, à organização geral, à educação, à cultura e ao planejamento, deixando margem para o velho lugar-comum de que “teria sido melhor se fossem os ingleses”; é a declaração apocalíptica de Carlos Drummond de Andrade que Portugal foi um país que deu Camões ao mundo e morreu. É isso tudo e muito mais. Uma coisa é um bando de malucos complexados clamando contra o ex-colonizador. A outra são análises feitas por pessoas supostamente qualificadas e imbuídas de rigor científico. Uma coisa é o grito de meia dúzia de pseudo-intelectuais e ignorantes assumidos. A outra é a elite cultural, responsável direta pelos destinos da nação, dizer que a cultura da qual a sua provém pouco acrescentou ao mundo e lamentar o legado que recebemos. Tendo estudado fenômeno semelhante na Argentina não encontrei nada de parecido com isto – e não creio que os EUA, tributários de uma das tradições literárias mais ricas do Ocidente, tenham tomado posição semelhante. Nossa posição é única.
Novamente, o outro lado da moeda chega a ser constrangedoramente distinto. Nem é preciso recorrer às visões amorosas e quase idílicas de um Agostinho da Silva, que considerava o Brasil melhor do que Portugal em todos os sentidos, de um Jaime Cortesão, que achava que servir ao Brasil uma das melhores formas de ser português, e até mesmo do ditador António de Oliveira Salazar, que impedia os seus cidadãos de tomar Coca-Cola mas nunca os impediu de ouvir Roberto Carlos e a Jovem Guarda. Basta esta citação retirada de um pequeno livro didático de história portuguesa, datado do século XIX, para termos em mente o que era ensinado aos pequenos portugueses sobre a ex-colônia.
“Hoje, o Brasil, vastíssimo império, vivido, esperançoso e livre. Emancipado da metrópole não só pelos sucessos políticos que se realizaram no primeiro quartel do século em que vivemos, mas ainda pela lógica natural do progresso das sociedades, está destinado pela sua posição geográfica, pela excelência do clima, pelas riquezas que possui e pelo patriotismo dos seus habitantes, a desempenhar um grande papel na história do novo mundo. Possa o povo infante, filho e em tudo descendente d’uma nação pequena, mas nobilíssima, viver e prosperar por muitos séculos, dando exemplos de sabedoria e de humanidade às velhas monarquias da Europa, que se julgam mais civilizadas, e que só têm mais poder ou fortuna. (Moreira & Correa, s/d, p. 38)”
Em outras palavras, os portugueses eram ensinados a nada menos do que amar o Brasil e até mesmo defendê-lo ante o ataque das demais nações européias que “se julgam mais civilizadas e que só têm mais poder ou fortuna”. Deveriam agir como um pai a defender o filhão das críticas dos professores nos conselhos de classe, um irmão mais velho que entra na briga contra os meninos da outra rua para evitar que o irmãozinho apanhe. É claro que tudo isto data de mais de século atrás e a ingenuidade, por uma série de razões, já não é a mesma. Mas é surpreendente o fato de que Cristiano Ronaldo, ao desembarcar em Brasília para um amistoso contra a nossa seleção, tenha feito questão de chamar o Brasil de “país irmão” perante toda a imprensa. Não creio que qualquer jogador nosso teria feito o mesmo se fôssemos jogar em Portugal – aliás, é bem provável que, ao desembarcar lá, a maioria deles (ou todos eles) nem pensasse que está numa nação que fala a mesma língua que nós, quanto mais que guarda laços históricos e culturais.
Tudo isto é incompreensível para um brasileiro. Isto pode até certo ponto ser explicado pelo fenômeno de etnocentrismo típico dos países de grande população e dimensões, como os EUA, que chama de “World Champion” ao seu campeão nacional de beisebol. Mas não é apenas isso. Quem visita Minas Gerais aprende em detalhes a história do barroco “brasileiro”, construído por brasileiros e criado por nós. E é óbvio que muitos portugueses já se deram conta disto. Chamo a atenção para as palavras do jornalista português Miguel Sousa Tavares, velho conhecedor e admirador do Brasil e da cultura brasileira, que escreveu um artigo sobre a comemoração dos 500 anos do Brasil num tom para nós impensável para quem carrega o fardo de “colonizador”.
Assim começa o seu artigo “Desculpem lá o Cabral:
“Tal como vejo as coisas, há duas atitudes habituais, do lado de cá, e ambas são causa de ilusões: uma, é a tal nostalgia imperial, que talvez seja uma fatalidade de quem algum dia foi Império, e que, na prática, se traduz em alguns desejos tidos como verdades de todos os tempos, tais como a ficção do “país-irmão” ou a presunção de que os brasileiros, só porque falam a mesma língua, hão-de gostar tanto de nós quanto nós gostamos deles; outra, é uma subserviência institucional perante o Brasil, da parte de alguns “abrasileirados oficiosos”
Logo depois diz o seguinte:
“A questão próxima – as declarações de Caetano Veloso – é apenas um detalhe, mas o detalhe é elucidativo. Preparava-me eu, entusiasmado, para ir a correr comprar bilhete para o espectáculo de Caetano no Parque das Nações, quando dei comigo a pensar se estaria certo ir a um concerto comemorativo dos 500 anos da descoberta do Brasil, ouvir um brasileiro que afirma que “o que Portugal veio fazer ao Brasil foi sugar, sugar, sugar e matar índios.” Se isto é o que ele pensa que Portugal foi fazer ao Brasil, a pergunta óbvia é o que vem ele fazer a Portugal. E como é que nós nos sentiremos a aplaudi-lo no Parque das Nações? Eu sinto-me mal.” E assim encerra o grande jornalista e escritor da cidade do Porto: “Desculpem lá o Cabral, pá. Até dizem que ele não o fez de propósito…”
Qualquer bom entendedor percebe que o tom empregado pelo sr. Sousa Tavares é qualquer coisa menos típico de um “colonizador”. Não é, talvez, sequer o tom que se espere de um europeu e sem dúvida alguma não é o tom que um espanhol ou um inglês empregaria para comentar alguma impertinencia vinda de suas ex-colônias. É o tom de quem está magoado. É o tom de quem esperava uma coisa e recebeu outra, de quem, como ele mesmo diz, estava prestes a correr para ir comprar o bilhete como uma criança corre atrás dos amigos para jogar futebol e, de repente, dá-se conta de que ninguém quer brincar com ela. É o tom, enfim, do amor não correspondido. E este tom nos constrange. Nos deixa um tanto embaraçados. Nos deixa sem resposta. É como se, passeando numa praça qualquer, um desconhecido se aproximasse e declarasse, na nossa frente, que desde sempre seguiu nossos passos, desde sempre nos amou e agora está magoado porque não lhes demos atenção e a pouca que lhe damos é fria e protocolar. O que responder?
A questão recente do Acordo Ortográfico é fortemente elucidativa. Enquanto os brasileiros estão meio chateados com o fim da trema, os portugueses consideram esta reforma, que alterará 0,5% da grafia brasileira e quase 2% da portuguesa, nada menos do que um atentado à sua independência, uma atitude colonialista e fortemente imbuída de um plano de expansão do Brasil em território português. Nem é preciso dizer o quão engraçado é ver os papéis tradicionais sendo trocados e os portugueses agirem como se fossem uma pequena república sob as garras de um terrível e opressor império, como se fossem uma espécie de Cuba atacada pelo temível gringo ianque. E os gritos portugueses nem chegam até aqui: ninguém está sabendo que eles são contra o acordo e ninguém, ninguém, rigorosamente ninguém, está interessado em modificá-lo por causa deles. Não há nada de altivo, sobranceiro e autoconfiante na atitude dos portugueses, nada do a mi no me importa dos seus vizinhos espanhóis, empregado tanto nas relações diplomáticas quanto na vida cotidiana. Há apenas o sentimento de rejeição, medo, amor não correspondido e ciúme – o sentimento de quem se importa e percebe que o outro lado não se importa.

É de se notar, aliás, que nos últimos tempos a diplomacia portuguesa tem feito o possível e o impossível para tentar fazer o velho Portugal parecer um país moderno, cool e chique para os brasileiros. Em todas as entrevistas, os embaixadores portugueses dizem que não é mais possivel que os brasileiros continuem a ver os portugueses como o seu Manuel e a dona Maria e Portugal como o país do bacalhau, das padarias, de Nossa Senhora de Fátima e de prédios antigos prestes a desabar. Não creio que tenham conseguido grande coisa. Continuamos a prestar mais atenção em Joyce e Ian Curtis do que nos seus correspondentes lusitanos. Após constatar tudo isso, um professor português chegou a sugerir a estapafúrdia idéia de que a imigração brasileira para Portugal deveria ser facilitada a fim de que o país se tornasse mais interessante aos olhos da maior parte da população, como os EUA, por exemplo. Ora, é um claro indicativo de que os portugueses já não sabem mais o que fazer para conquistarem a nossa simpatia ou a nossa atenção. E já não sabem por que não têm a menor idéia de como conquistarem a nossa simpatia e a nossa atenção. Apesar de todas as novelas, de toda a música, de todos os livros, de todo o futebol, de tudo o que leva, enfim, a marca Brasil em Portugal ser amplamente conhecido do mais ignaro dos lusitanos, o fato é que eles, com tudo isso em mãos, não sabem o que falar e como falar com os brasileiros. A idéia que fazem do que é o Brasil, com toda a informação que têm a respeito de nós, simplesmente não bate com o que nós pensamos a respeito de nós mesmos. E talvez seja difícil para um português imaginar que, depois de quase duzentos anos de afastamento e de migrações de gente de todo o mundo (incluindo aí a construção de cidades à imagem e semelhança de suas terras natais), da Alemanha ao Japão, do Líbano à Itália, da Espanha à Coréia, da Rússia à Grã-Bretanha, o seu povo se tenha transformado em apenas um dos constituintes da nação brasileira, um entre muitos, sem distinção, sem especial carinho ou reconhecimento. Sem nenhum sentimento de irmandade. Um Manoel ou um Joaquim entre milhões de Fritzes, Helmuts, Giuseppes, Jacobs, Mohammeds, Farids, Johns, Josephs, Pablos, Fiodors, Leons e outros tantos que o Velho Mundo expulsou e a doce terra brasileira recebeu, deu comida, abrigo e amizade. A um português amante do Brasil – o que é quase uma espécie de pleonasmo – talvez seja um pouco decepcionante descobrir que para cada Ouro Preto há uma Blumenau, uma Garibaldi, uma Nova Friburgo, uma Monte Verde, uma Nova Veneza…..
Não conheço ninguém que tenha tratado essa questão melhor do que o ensaísta português Eduardo Lourenço em “A Nau de Ícaro”. No seu ensaio elucidativamente intitulado “Nós e o Brasil – ressentimento e delírio”, Lourenço admite que “O discurso português sobre o Brasil, tal como uma longa tradição retórica e historiográfica recita e reescreve sem cessar, é uma pura alucinação nossa, que o Brasil – pelo menos desde há um século – nem ouve nem entende” e que “A autonegação ou denegação que a cultura brasileira faz de si mesma, ocultando, menosprezando ou, com mais verdade hoje, ignorando o seu nódulo irredutível e indissolúvel português (que, mais do que língua, quer ser memória, cultura, rito e ritual) é tão absurda e delirante como a fixação possessiva, o amor imaginário, que devotamos a um Brasil não por ser o que ele é, e o merecer naquilo que ele é, mas por julgarmos que os brasileiros se viem como continuação, ampliação e metamorfose nossa”.
Logo reconhece o óbvio, não sem alguma dureza:
“Que relação pode existir entre o imaginário de um povo de 10 milhões de habitantes, como Portugal, prisioneiro de mitos obsoletos – o Brasil é um deles – e o de um país de 150 milhões de almas, entre as quais se contam pessoas vindas da Itália, Espanha, Alemanha, Europa Central, Oriente Médio, Rússia ou Japão?”
Também duramente ele admite que:
“Sem intuito de escandalizar, os portugueses devem saber, perceber e até compreender que nós não somos um problema para o Brasil. Ou só o somos, negativamente, quando em momento de profundo ressentimento de imaginários pais mal-amados ou ignorados, cedemos à tentação de nos enervar com a desatenção brasileira a nosso respeito”.
Mais dura ainda é esta passagem:
“Os brasileiros nunca nos perdoarão o não terem tido um pai para matar, ou um pai digno de ser morto, como aconteceu com os colonos da Virginia para com a Inglaterra , com os indios do padre Hidalgo, ou com os soldados de San Martin e de Bolivar para com a Espanha (….) A infelicidade dos portugueses reside no fato de não poderem esquecer esse momento em que, tendo abandonado o porto de origem, se tornaram por força das circunstâncias, pequenos demais para os seu sonhos”.
Por fim, Lourenço deixa um recado aos portugueses:
“Para o nosso mútuo presente o que seria urgente era rever, de cabo a rabo, toda essa teia imaginária, hipócrita e nula nos seus efeitos que se acoberta sob o rótulo de relações culturais entre Portugal e o Brasil (…) Quanto a nós, o que nos cabe é estruturar, reforçar, conhecer cada vez melhor a nossa imagem, a maneira como somos vistos e percebidos, os limites do que somos e podemos esperar de nós mesmos e dos outros, em suma, autonomizarmo-nos como realidade história e anímica, para escapar com sucesso à galáxia familiar de um ressentimento e de um delírio identicamente indignos de um povo que é gente, história e sociedade organizada há oito séculos (…)”.
É claro que não falta no discurso do sr. Lourenço o mesmo ressentimento que ele tanto deplora em muitos de seus compatriotas. Nota-se claramente o mesmo desapontamento de Miguel Sousa Tavares e de todos os portugueses que confrontam esta mesma realidade, seja pessoalmente, em viagens ao Brasil (cada vez mais frequentes) seja através da Internet, a cada vez que colocam “Portugal” num motor de busca e se deparam não com um poema de Camões mas com uma infame piada ou o seu modo de ser, a sua cultura e a sua História como objeto de chacotas. De qualquer forma, é bom lembrar que estes textos foram publicados nos anos 90 e não creio que possam sofrer qualquer reparo. Nem mesmo a emigração desqualificada de brasileiros para Portugal – o que sempre mancha a imagem dos países – arrefeceu o estado de ânimo português para conosco: até nosso maior festival de rock foi comprado por eles, seus jovens falam “treta”, “ô meu”, “bacana”, “veado” e outras gírias nossas e na seleção portuguesa de futebol não faltam brasileiros, incluindo aí ídolos nacionais, tidos, havidos e tratados como autênticos compatriotas. Não serão essas contingências de ordem econômica que irão matar os mitos e os símbolos enraizados em uma cultura tão fortemente simbólica como é a portuguesa. Esquecer estas coisas não é algo próprio deles, mas sim de nós. Desconfio, porém, que o tempo – que, como Borges disse, também é esquecimento – nos mostrará que este apagamento progressivo da marca portuguesa no nosso imaginário será o maior e o mais grave de todos os nossos esquecimentos.
Um ano sem cigarros

Fotos como essa levaram uma geração inteira a ser atraída pelo hábito de fumar. O cigarro era associado à beleza, charme e requinte. Confesso que esta foi a motivação da adolescente que fui , nos idos da década de setenta. Além de achar bonito fumar, pensava que, a cada cigarro que acendia, estava transgredindo conceitos antigos. Com o tempo passei a ser dependente.
Como meu corpo aparentemente aceitou o hóspede sem grandes restrições, segui fumando ininterruptamente por 36 anos. Ao subir lances de escadas notava que a respiração era difícil e ofegante, mas a fumante “esperta” driblava isso com paradas estratégicas entre andares.
O cheiro peculiar deixado após o fumo não era percebido pela viciada. Não era, portanto, um obstáculo para o vício continuar.
E segui com o hábito sem parar, de fumar pelo menos uma carteira diária de Hilton longo, Minister, Hilton curto e por fim o popular Carlton mesmo enfrentando toda sorte de resistências. Enfrentei inicialmente as tentativas persuasivas de meu pai que, dentro de sua perspectiva adoravelmente bem-humorada da vida, chegou ao ponto de colar cartazes nas paredes de seu escritório, na década de 80, anunciando ao mundo que sua filha havia deixado de fumar. Anos depois, enfrentei as manifestações não tão bem humoradas de filhos adolescentes enojados com o odor fétido com que eu impregnava a casa, sem o menor constrangimento. Enfrentei , até mesmo um pouco aborrecida, apelos e conselhos de amigos bem intencionados. Segui fumando e gostando muito até o dia 15 de janeiro de 2008, quando o médico Ricardo Billo da Silva, em consulta em emergência do hospital da Ulbra para tratar dor nas costas, conseguiu convencer-me por razões que não sei explicar, mesmo porque a dor aparentemente não tinha nada a ver com o hábito de fumar, como os exames demonstraram.
Parei e o que aconteceu depois é a razão principal desse post-testemunho. O que aconteceu depois não é contado pelos que apelam para que fumantes abandonem o vício. Deixar de fumar é encarado como algo que implica apenas força de vontade e “vergonha na cara”. Os ex-fumantes , na maioria das vezes, jactam-se de seu feito e passam a ser intolerantemente chatos com os fumantes. Deixar de fumar é apresentado como sendo entrada para um mundo maravilhoso. Nunca ouvi ou li nada que me preparasse para a verdadeira tortura física que é parar de fumar bem como para a necessidade de ter de enfrentar reações do sistema integrado que é nosso organismo. As reações emocionais eu sabia existirem porque são facilmente perceptíveis nos outros quando deixam de fumar. Mas as reações físicas somente são percebidas quando nossas ou se houver queixas alheias.
E porque entendo necessário alertar para as dificuldades enfrentadas por quem se dispõe a abandonar o cigarro? Talvez por desejar desestimular os candidato a ex-fumantes? Não, pelo contrário. Desejo que sejam bem sucedidos, enfrentando o inimigo com preparo para a batalha. O inimigo cigarro persiste em nosso organismo mesmo quando deixamos de tê-lo como companhia diária. Ele continua ali e pede mais companheiros. Pede não, exige, e não sendo atendido ataca com vigor. E o corpo sente com nervosismo, formigamentos no rosto, dores resultantes do endurecimento dos músculos pelo stress, palpitações, etc. Nada disso nos é alertado quando fazem campanhas para que deixemos de fumar. E por isso somos surpreendidos e capitulamos com tanta frequência.
Pois bem: passado um ano, a vontade de fumar persiste com vigor. O inimigo ainda é forte presença em meus pensamentos e meu corpo demonstra ainda sinais do quanto sente sua falta, mas resistirei. Não voltarei a fumar, pois subo escadas sem arfar, parei de tossir, minha pele melhorou, minha voz voltou a ser audível, não recendo mais a picumã e sinto mais energia.
Portanto, que os candidatos a deixar de fumar saibam que poderão haver reações variadas em seus corpos. E resistam, mesmo quando for forte a sensação de que estavam melhor nos tempos das tragadas constantes. Não estavam, apesar do inimigo fazer parecer que assim estivessem. Enquanto ele mina a nossa resistência, mascara nossos males e cria outros muito piores.
Um cristão falando como cristão
Renato Raffaele Martino é um Cardeal da Igreja Católica, assessor do Papa Bento XVI e preside o Conselho de Justiça e Paz do Vaticano.
O alto dignatário da Igreja manifestou-se sobre a situação do povo que vive na Faixa de Gaza, face a ofensiva israelense no local.
Disse o cardeal que Gaza parece um grande campo de concentração e “na Terra Santa assistimos a um massacre contínuo, em que a maior parte das pessoas não participa, acabando por pagar o ódio de poucos com a sua vida”.
O Cardeal, com sua manifestação, justifica a existência da instituição a qual está vinculado e demonstra a necessidade que esta seja forte e independente. Somente assim pode assumir publicamente posição de acordo com o que foi pregado por um nativo da região onde mais uma vez inocentes são martirizados.
Beijinho Doce
A músicaBeijinho Doce cantada pela malvada Flora, interpretada pela maravilhosa atriz Patrícia Pillar na novela a Favorita evoca a dupla que a personagem fazia com Donatela( Claúdia Raia).
Será por acaso que a dupla sertaneja que cantava a música na década de 50 no filme” Aviso aos Navegantes” era composta por uma loira(Eliana) e uma morena( Adelaide Chiozzo)?
O vídeo nos remete a um Brasil retratado pelas chanchadas da Atlântida,totalmente diferente do que conhecemos atualmente.Reparem no sotaque caricatural caipira que as cantoras/atrizes certamente não tinham e utilizaram na cena.
Confissão: Fiquei com muita vontade de assistir “Aviso aos navegantes”.
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