PERSPECTIVA

Berlusconi Superstar

Novembro 25, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico, Política | | Sem comentários ainda

66 anos da Independência do Líbano

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Foto:http://www.libano.org.br/olibano_ocedro.html

Uma excelente maneira de tirar um libanês do sério é chamá-lo de turco. O brasileiro que faz isso certamente não sabe que o apelido surgiu quando o Líbano pertencia ao Império Otomano e os imigrantes libaneses vinham ao país com o passaporte turco, recebendo assim o adjetivo pátrio correspondente. Não faz, portanto, por maldade. Mas isso não importa quando memórias doloridas vêm à mente dos representantes deste povo antiquíssimo, tão antigo que até Jesus Cristo, segundo os Evangelhos, passeou pelo seu território . Os libaneses ficam furiosos e não querem nem saber se há maldade ou não.

Não estão de todo errados. O turcos fizeram toda sorte de barbaridades no Libano, como fizeram na Síria, na Grécia e em todos os seus domínios. Após a Primeira Guerra Mundial, com o colapso do Império Otomano, o país foi entregue pela Liga das Nações ao mandato dos franceses, que trataram de expandir ao máximo sua influência no país, fomentando o ensino do francês (já então muito difundido, devido às históricas relações comerciais com Marselha e outras cidades da França mediterrânea), instalando um sistema parlamentar semelhante ao da França e remodelando a capital, Beirute, à imagem e semelhança de Paris, com boulevares, muitas árvores, museus, teatros e cafés. Beirute ganhou o status de capital cultural do Oriente Médio, e os libaneses, de refinados, aristocráticos, excelentes comerciantes e oradores, orgulhosos e mundanos. Os franceses do Oriente – os mais ocidentais dentre os orientais.

A Independência veio em 1943. Os laços políticos com a França e o Ocidente foram cortados apenas formalmente. Num dos chamados Quatro Princípios que nortearam a criação do novo país está escrito o seguinte:

“Mesmo sendo uma nação árabe e com o árabe como língua oficial, o Libano não cortará nunca seus laçoes espirituais e intelectuais com o Ocidente, os quais o ajudaram a alcançar um nivel notável de progresso”

Uma maneira exemplar de tratar o próprio passado e de construir o futuro. Que sirva de exemplo para os dias que virão naquele pequeno país que tanto tem a ver com o Brasil e especialmente com os milhões de descendentes daqueles “turcos” que por aqui chegaram nos primórdios do século passado. Descendentes que incluem os multiétnicos integrantes desse blog, felizes em compartilharem deste legado.

Em data de hoje, Joâo Dib também  descendente de libaneses e vereador de Porto Alegre,  pronunciou discurso na Câmara de Vereadores afirmando que “O Líbano é um pequeno país, com um grande povo e eu, por isso, tenho orgulho da minha ascendência.”

Lebanon- Nature

The beautiful Lebanon

Li Beirut-Feyrouz

bandeira_libano1

Hino Nacional Libanês

Hino Nacional Libanês (tradução)
Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Nossa espada, nossa pena
Fulguram aos olhos do tempo
Nossos vales e montes
São o berço dos bravos
Nossa palavra e ação, só buscam a perfeição

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria
Velhos e moços ao apelo da Pátria
Investem, como leões da floresta,
Quando surgem os embates
Coração de nosso Oriente
Que Deus o preserve ao longo dos séculos

Seu mar, sua terra são a pérola dos dois Orientes
Sua opulência, sua caridade
Preenchem os dois pólos
Seu nome é seu triunfo
Desde a época de nossos ancestrais
Sua glória é seus cedros
Seu símbolo é para a eternidade

Somos todos para a Pátria
Para a sublime, pela bandeira
Somos todos para a Pátria

Para ouvir

Novembro 23, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

“Las tácticas de Kirchner y Chávez contra la prensa son muy similares”

Entrevista de Robert Rivard, presidente da comissão de Liberdade de Imprensa da Sociedade Interamericana de Imprensa, ao jornal El Clarín, acerca dos recentes cerceamentos aos jornais argentinos promovidos pelo governo Kirchner.

Leia aqui.

Um trecho interessante:

P:¿Qué diferencias encuentra en esas restricciones a la prensa de las que habla entre una dictadura y la democracia actual?

R: Son diferencias mucho más sutiles. En los ochentas el problema venía por derecha, con las violaciones a los derechos humanos, miles de inocentes murieron desaparecidos, en Centro América, en Argentina, Chile… Hoy llevamos más de veinte años de democracia civil y vemos la situación desde la izquierda. La amenaza es tremenda pero mucho más sutil porque los gobiernos son elegidos pero se van convirtiendo poco a poco en dictaduras democráticas. Ganaron poder por la votación pero manipulando las constituciones con leyes anticonstitucionales y tomando medidas para limitar a la oposición política, reprimiendo a los medios.


Novembro 8, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

The best of Hugo Chávez – volume 1

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Me gusta mirar lejos…..

A partir de agora, o Blog Perspectiva passa a publicar uma seleta das melhores frases ditas pelo sr. Hugo Chávez.

Ressalte-se que, ante o volume praticamente inesgotável de material a ser coligido – o presidente venezuelano é pródigo em ditos espirituosos -, e também porque ele está no cargo há um bom tempo, nosso corpus de análise será composto apenas pelas frases ditas mais recentemente e que chegaram aos nossos olhos e ouvidos. Fôssemos venezuelanos, certamente teríamos um repertório ainda maior.

Ei-las:


“Algumas pessoas cantam no chuveiro, ficam meia hora no banho. Não, meninos, três minutos é mais do que suficiente. Eu contei, três minutos, e não cheiro mal.”

Ao exigir (e não pedir) que os venezuelanos passem a economizar luz a fim de evitar o apagão energético

“Meu coraçãozinho diz que Dilma será presidente do Brasil”

Brincando de futurólogo

“O congresso brasileiro é um papagaio de Washington”

Brincando de zoólogo

“O senhor está barbudo como Fidel”

Dirigindo-se ao rei Juan Carlos (sim, aquele do “porqué no te callas?”), que deixou a barbar crescer

“- Eu lamento que Lula saia e sei que no Brasil muitos também lamentam. Deixo a pergunta no ar: por que um presidente que está bem e tem 80% de popularidade tem que sair?”

Questionando o porquê dessa coisa boba e chata chamada democracia

” Lula veio como Cristo anunciando o Evangelho. Só faltou o cabelo comprido”

Fazendo as vezes de apóstolo

e, por último, o momento apoteótico de sua carreira, pronunciado a plenos pulmões numa tarde quente e abafada do Fórum Social Mundial:

“Los gringos tienen razón? Nosotros tenemos corazón!”

Arriba!

Novembro 2, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico, Política | | Sem comentários ainda

Roberto Freire e a campanha presidencial

A Tv Cultura apresentou em seu programa  Roda Viva da segunda-feira que passou uma entrevista com Roberto Freire, presidente do PPS a respeito de variados temas, dentre os quais a campanha presidencial do próximo ano.

Independente de cores partidárias vale a pena assistir a entrevista, que leva a reflexão sobre o momento em que vivemos no Brasil e a interessante postura adotada por alguns jornalistas a respeito de alguns temas.

Link do programa, clicar à direita em Vídeo do Programa

Fonte

Outubro 28, 2009 Publicado por blogperspectiva | Política | | Sem comentários ainda

Obama e Berlusconi, em 3 momentos

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“Ma che bella signora!”

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“Que mãos lindas!”

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” E esse anel, hein? Queria um igual para dar à minha namorada!”

Para quem quer ver este memorável momento ao viva basta clicar aqui.

Fonte das fotos:  Angola Minha Terra

Outubro 10, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico, Política | | Sem comentários ainda

“Sou o homem mais perseguido da História”

Na última quarta, Sílvio Berlusconi perdeu a imunidade que a lei lhe garania como primeiro ministro. Está sendo acusado de tudo e mais um pouco, e não pela primeira vez. Indignado com a injustiça, disparou as seguintes palavras cheias de mágoa:

“Sou, sem dúvida alguma, o homem mais perseguido pelo judiciário em toda a história”

A esquerda, segundo ele, está no seu pé. Não conseguem engolir o fato de que o país das Brigadas Vermelhas está sob o governo de um direitista assumido. Berlusconi tem confiança no que está fazendo e acha que seu legado será duradouro e positivo: “Sou o melhor primeiro ministro que a Itália já teve”.

E a Itália tem sido injusta com este homem. Faz com que gaste boa parte de sua fortuna defendendo-se dos ataques maldosos e invejosos da esquerda canalha do mundo todo.  Sua queixa é elucidativa:

“Ao longo dos anos, gastei 200 milhões de euros em consultores e juízes…….ops, desculpem, consultores e advogados”.

Será que Berlusconi anda tão perturbado com a maldade alheia que acabou cometendo coisas como essas aqui? Acho que não. Talvez eu mesmo seja um dos maldosos que não fazem justiça a Berlusconi, o homem mais perseguido de todos os tempos.

Outubro 10, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

O Terceiro Mundo dentro dos EUA

Se você vive em qualquer Estado das regiões Sul, Sudeste ou Centro-Oeste do Brasil pode começar a estufar o peito de orgulho: o seu estado tem condições de vida melhores do que uma boa parte dos EUA. Se você vive em qualquer parte do Brasil, pobre ou rica, atrasada ou avançada, também tem bons motivos pavonear-se:   no Brasil vive-se melhor do que em quatro estados dos EUA.

Isso não é brincadeira: é estatística. A comparação entre os números do IDH (o Índice de Desenvolvimento Humano, usado pelas ONU para medir a qualidade de vida de cada país a partir dos números de educação, renda per capita, condições de saúde, etc, etc) dos Estados americanos revela uma surpreendente disparidade que não encontra similar senão em países subdesenvolvidos. Não é segredo para ninguém que os EUA possuem a maior taxa de desigualdade social dos países de Primeiro Mundo, fruto das diferenças entre o desenvolvimento do Sul escravocrata e do Norte industrial, da questão racial e de muitos outros motivos. O que, creio, ninguém poderia pensar é que ela fosse tão acentuada.

Os números são impressionantes. O IDH da maioria dos estados do Sul dos EUA  varia entre 0,799 e 0,871 (numa escala crescente de 0 a 1). Nesta faixa encontra-se vários países latino-americanos (Brasil, Argentina, Uruguai, Equador, México, Venezuela) e do Leste Europeu (Romênia, Rússia, Estônia, Bielorrússia, Bulgária e outros). O IDH do Brasil, por exemplo, é 0,807. Nada de muito respeitável, mas é superior ao do Arkansas (0,803), da Louisiana (0,801), da West Virginia (0,800) e do  Mississipi (0,799) e quase empata com o do Alabama (0,809). Por outro lado,os Estados do Norte ostentam índices semelhantes aos da Noruega, da Suíça e do Canadá: em New Jersey, Massachussets e New York o valor do IDH gira em torno de 0,960. Entre Connecticut (0,962), o melhor colocado, e o Mississipi (0,799), o pior, há quase tanta distância quanto entre o Distrito Federal, o mais rico do Brasil (0,874) e Alagoas, o mais atrasado (0,677), segundo números de 2005. Uma disparidade verdadeiramente terceiro-mundista.

As razões para essas diferenças residem, como fica claro, no passado escravocrata e agrário dos Estados do Sul, que atrasou enormemente o seu desenvolvimento social em relação aos do Norte. Ainda tiveram o revés da Guerra da Secessão, que destruiu a economia da região e condenou-a ao posto de fornecedora de mão-de-obra barata para as grandes cidades do Norte e do Oeste, nomeadamente os negros ex-escravos e os rednecks empobrecidos, encarregados pela História de espalhar a sua cultura tradicional pelo país (o blues, o jazz, o country, o bluegrass,  o rock´n roll) e transformá-la, através do canhão midiático das grandes cidades do Norte, em símbolo do melhor que a América tem a mostrar ao mundo.  Não deixa de ser interessante notar que nem todo o poderio econômico dos EUA foi suficiente para amainar as profundas disparidades construídas ao longo dos séculos. Como bem disse Nelson Rodrigues, subdesenvolvimento não se improvisa: é tarefa de gerações. Faltou dizer que sair dele também é.

Fonte:

Agosto 15, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

O Grande Irmão chegou

Retirado daqui

20 mil famílias “problemáticas” serão acompanhadas pelo governo

Por Stella Dauer

O Grande Irmão está cada vez mais próximo de nós. Um anúncio feito pelo governo britânico informou que câmeras de vídeo, tradicionalmente utilizadas para segurança, serão instaladas em 20 mil casas do país, onde seus moradores serão monitorados 24 horas por dia

Idealizado por Ed Balls, Secretário da Criança do Reino Unido, o projeto tem objetivos nobres, ainda que assustadores. De acordo com o site TechRadar as câmeras servirão para monitorar famílias problemáticas (de acordo com um critério governamental) e verificar se as crianças fazem lição de casa e dormem na hora certa.

O Projeto de Intervenção Familiar, que custará US$ 668 milhões aos cofres públicos ingleses também contará com uma equipe policial especializada que irá fiscalizar o andamento do programa e evitar problemas. Além disso as famílias terão de assinar um “contrato de comportamento” no qual os pais afirmam que vão garantir a boa conduta dos filhos, noticiou o blog Gadget Lab do site Wired.

Segundo o site Daily Express cerca de 2 mil casas já possuíam as câmeras instaladas em seu interior até ontem. Com esse programa o governo espera reduzir o número de jovens que entram para o mundo do crime devido ao comportamento caótico de suas famílias.

Para os apreciadores de literatura de ficção, isso soa mais como um pesadelo. A semelhança a 1984, livro do escritor George Orwell, é assustadora. No livro é retratada uma sociedade onde o Estado é onipresente e vigilante, com a capacidade de alterar a história e o idioma, de oprimir e torturar o povo e de travar uma guerra sem fim com outras nações, com o objetivo de manter a sua estrutura inabalada e a economia funcionando.

Agosto 5, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

Ah, uhu, o Chávez é nosso!

Trecho da entrevista com Guillermo Zuloaga:

Como o senhor vê a posição brasileira em relação a Chávez?

Ao Brasil convém muito apoiar nosso presidente. Como a nossa capacidade produtiva foi minada pelas políticas socialistas, toda a população se tornou cliente dos amigos de Chávez, incluindo aí muitos empresários brasileiros. Em dez anos de chavismo, o número de indústrias venezuelanas caiu 40%, enquanto a importação de produtos brasileiros foi multiplicada por dez. Como o volume das nossas exportações não foi alterado, nossa balança comercial com o Brasil hoje é extremamente desfavorável para nós. No ano passado, compramos 5 bilhões de dólares e vendemos pouco mais de 500 milhões de dólares. É uma diferença muito grande. Lula apoia isso porque sabe que essa relação é benéfica aos seus empresários. Para os homens de negócios venezuelanos, é um tormento.

Como se vê, o Brasil finalmente assumiu a posição de megapotência: está apoiando governos totalitários para garantir a sua supremacia econômica na região.

Pena é que, ao contrário de outras megapotências, o faça também por razões extra-econômicas.


Agosto 3, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

E se Obama fosse brasileiro?

Como todos sabemos, Obama é ídolo mundial. Em sua campanha, foi capa da Rolling Stones, da TIME e da Newsweek. Eleito, protagonizou uma série de trabalhos tido como impossíveis: aplaudido de pé no Oriente Médio, discursou para centenas de milhares na Alemanha e, para desviar os holofotes, apontou Lula como o maior político do mundo enquanto saía de fininho no canto. Aliás, no país de Lula, Obama é saudado por todas as correntes de esquerda e só estamos esperando a campanha eleitoral começar para ouvirmos falar num “Obama brasileiro”. Gostamos de Obama: é mestiço como nós, simpático como nós, sorridente como nós e boa praça como poucos de nós conseguem ser. A verdade é que Obama é um dos nossos – ou melhor: gostaríamos que ele fosse.

Na semana passada, dia 17, Obama fez um discurso exaltadíssimo na NAACP, a maior organização de direitos civis dos EUA, onde militou e formou-se como político. Dirigiu suas palavras ao público negro, que ele tão bem conhece e do qual ele é, a um tempo, o membro mais relevante e um estranho no ninho, mulato num país de brancos e negros sem meio-tons. Falou o que sempre se fala em situações como essa: da história trágica da escravidão, das suas visitas à África, da discriminação que continua a existir nos EUA e do seu trabalho para combatê-la. Mas, sobretudo, Obama falou o seguinte:

“Ninguém escreveu seu destino para vocês (….) Seu destino está nas suas mãos e vocês não devem esquecer isso. Isso é o que eu tenho a ensinar a todas as nossas crianças! Não há desculpas! Não há desculpas!”

Obama falou mais:

“Coloquem o Xbox de lado e ponham suas crianças para dormir em uma hora razoável”"

E, como se não bastasse:

“Eles podem pensar que têm um bom arremesso ou uma bela voz, mas nossos filhos não podem todos ser LeBron ou Lil Wayne. Eu quero que eles queiram ser cientistas e engenheiros, médicos e professores, não apenas jogadores e rappers. Eu quero que eles queiram chegar à Suprema Corte. Eu quero que eles sejam presidentes dos Estados Unidos da América”.

Para muitos de nós, esse último parágrafo talvez pareça algo chocante. Confesso que não consigo imaginar  um político brasileiro – e ainda mais um presidente da República – proferindo um discurso desses ao grande público nos dias de hoje.  No mesmo momento seria acusado de preconceito, de menorizar os afro-descendentes, os jogadores, os rappers e, mais  do que isso, de fazer vista grossa à influência das condições sócio-econômicas na formação de uma pessoa. Quando Obama conclama os negros a acreditarem em si mesmos, a estudarem, a quererem vencer na vida, a deixarem o discurso vitimista e fácil, ele apela para um princípio fundador dos Estados Unidos da América: o da autonomia individual. Todo e qualquer indivíduo está livre para ser o que quiser, e não serão os preconceitos dos outros que lhe impedirão de alcançar seus objetivos e muito menos as amarras psicológicas que prendem alguém à sua condição social. Se Obama fosse brasileiro, seria acusado de dar argumentos para os opositores das cotas raciais e, portanto, conivente com um racismo institucionalizado, dito cordial. Se Obama fosse brasileiro, seria acusado a discriminar rappers e jogadores e, por tabela, discriminar os próprios negros. Se Obama fosse brasileiro, teria receios de ferir certas suscetibilidades, de parecer – ora vejam! – um racista.

Pensando bem, Obama não é um dos nossos.

Julho 27, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Obama no Cairo: uma breve análise

O discurso de Barack Obama no Cairo, neste último dia 4, foi mais uma aula de sensibilidade política e diplomática do presidente americano. Aplaudido entusiasticamente logo na entrada, começou com um agradecimento à Universidade do Cairo, ao povo egípcio e lembrando do que significava estar ali, naquela cidade milenar, falando aos árabes sobre um recomeço de relações. Acabou a primeira parte do discurso com a tradiconal saudação árabe “Assalamu Alaikum”. Ovação total. Qualquer desconfiança inicial já se havia dissipado. A porta para o desfile do mestre Obama estava aberta.

E ele não decepcionou seus fãs: falou de um recomeço de relações e lembrou, com cautela, que Islã e Ocidente nem sempre estiveram em relação amistosa. Mostrou-se humilde o suficiente para reconhecer que não tinha condições para, num só governo, reatar essas relações. Disse que precisamos abrir os corações, falar abertamente uns aos outros e, para isso, citou o Corão várias vezes. Em seguida, lembrou de suas raízes islâmicas – seu pai era muçulmano – e tocou num ponto fulcral para quem quer conquistar a atenção dos árabes: a contribuição islâmica para a cultura Ocidental. Obama sabe muito bem de quão orgulhosos são os árabes de hoje pelos feitos de seus antepassados, à maneira daquele personagem do filme Casamento Grego para quem até a palavra “quimono” era de origem helênica. Aliás, sabe de tudo o que a sua platéia – qualquer platéia – gosta de ouvir.

Terminou a primeira parte do discurso lembrando algo que faria qualquer neocon republicano tremer nas bases: Thomas Jefferson, founding father, tinha um Corão em sua biblioteca pessoal. Um show. Aplausos delirantes para o representante do Império em terras de Maomé. O discurso inteiro, aliás, está aqui para quem quiser aprender com o mestre Obama.

O imperador grego Alexandre, quando conquistou o Oriente Médio, foi chamado pelos árabes de então – ainda não muçulmanos – de Iskandar Zu al-Karnayn, “Alexandre, o Bicorne”, pelos dois chifres que usava no seu capacete representando o Ocidente e Oriente. Obama não usa chifres. Por um lado, tem a cor de sua pele, o seu nome – Hussein Obama – e a sua origem,  por outro, o cargo de presidente dos Estados Unidos da América. Nenhum capacete, nenhum símbolo, nenhum discurso pode superar isso e nenhuma carranca de islâmico anti-Ocidente resiste a ele.

O resultado? Um presidente dos Estados Unidos é popular entre os árabes. Yeah, baby!

Junho 8, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Voluntários na campanha de Obama: o papel das redes sociais e das novas tecnologias

O economista e ativista  Cezar Busatto, que participou como voluntário na campanha de Barack  Obama  à presidência dos Estados Unidos, tendo inclusive escrito um livro sobre o tema ” Um voluntário na campanha de Obama” convida, através de seu excelente blog “Vida Democrática” para palestra da psicóloga norte-americana Bárbara Oceanlight a ser realizada na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, no dia 08 de junho às 19 horas.

A seguir o texto extraído do site da Câmara:

A Escola do Legislativo Julieta Battistioli, da Câmara Municipal de Porto Alegre, promove no próximo dia 08 de junho, às 19 horas, no Plenário Otávio Rocha, a palestra “Voluntários na Campanha de Obama: o papel das redes sociais e das novas tecnologias”, a ser proferida pela psicóloga norte-americana Barbara Oceanlight.

A palestrante, ativista comunitária, foi voluntária na campanha do candidato democrata à presidência Barack Obama. Sua contribuição à frente do voluntariado é tida como determinante para o sucesso da campanha presidencial de Obama no estado de Nevada, no qual,historicamente, os republicanos costumavam vencer as prévias.A palestra focará três principais aspectos inovadores da campanha do presidente norte-americano, quais sejam: a criação de rede devoluntários, integrada por cinco milhões de pessoas; o uso da tecnologia e o financiamento feito pelos próprios eleitores, através de contribuição voluntária, o que resultou na campanha com maiores recursos financeiros na história dos Estados Unidos.

Inscrições para o evento.
Os organizadores pedem a doação de um quilo de alimento não perecível ou um agasalho para ajudar as famílias da Vila Chocolatão.

Maio 19, 2009 Publicado por blogperspectiva | Política | | Sem comentários ainda

A derrota dos melhores

O poema “The Second Coming” – “A Segunda Vinda” – do irlandês William Butler Yeats é uma obra-prima da poesia moderna e uma das maiores peças literárias de língua inglesa em todos os tempos. Cheio do simbolismo muito particular à poesia do próprio Yeats, um estudioso de ocultismo e mitologias orientais (e, não obstante tudo isso, um cristão), o poema publicado em 1921 ala de uma época em que “tudo desmorona; o centro se desmembra/ Mere anarquia recai sobre o mundo/Monta a sombria maré sanguinolenta/ E a cerimônia da inocência é afogada em toda parte“. E, a seguir, resume em duas linhas qual é o espírito geral desta época: “Os melhores perdem toda convicção, enquanto os piores estão cheios de apaixonada intensidade”

Não é preciso dizer que as leituras de The Second Coming são quase tantas quanto são os seus leitores. Para Harold Bloom, Yeats enxerga a instalação do comunismo na Rússia, em 1917,  e as suas promessas redentoras de criação de um novo mundo e de um novo homem como um prenúncio apocalíptico do retorno de um falso Cristo, de um falso Messias, de um Anticristo, prometendo uma Salvação sem Cristo e uma religião sem Deus – e, por isso, uma falsa Salvação e uma falsa religião. O último verso faz uma pergunta aterrorizante: “Qual horrenda besta, quando chegar a hora, arrastar-se-à até Belém para nascer?”. Talvez Yeats não se referisse apenas ao comunismo russo daquela época. Talvez este poema com mais de sete décadas de vida não seja mero produto de época – e, se o for, esta época provavelmente não terminou.

Para dizer a verdade, depois de saber deste caso, cristaliza-se em mim a convicção de que vivemos, sim, a época da Segunda Vinda, a época em que o centro que guiava o mundo já não retém nada, a época em que a besta procura Belém para renascer e, enganando a todos, guia a humanidade como um profeta em direção ao abismo. A época, em suma, em que os piores estão cheios de paixão, e que os melhores, como Gilberto Thums, perdem toda a convicção no que fazem.

Abril 21, 2009 Publicado por blogperspectiva | Literatura, Política | | 1 Comentário

“Quero ajudar Obama”, diz Fidel Castro

E Obama também quero ajudar Fidel Castro. O líder americano está propondo várias iniciativas de aproximação com a ilha caribenha, que incluem flexibilização das hoje duríssimas relações comerciais entre os dois países.

Fidel Castro e o governo Obama estão em rota de aproximação. Mais do que isso: dá para dizer que um clima de simpatia mútua está começando a se desenhar. Nesta semana, seis deputados democratas visitaram Castro em sua residência e voltaram impressionados com “El Comandante”, a quem qualificaram como uma pessoa saudável, cheia de energia e com as idéias bem claras. Ou seja, ao contrário do que a mídia está dizendo, os deputados americanos afirmam tacitamente que Fidel não está à beira da morte.

O deputado Bobby Rush fez questão de dizer que Raul Castro pessoalmente é o contrário do que a mídia costuma dizer dele. Voltou maravilhado: “O que me fascinou nele foi o seu grande senso de humor, sua consciência histórica e suas qualidades humanas”.

Fidel não ficou menos satisfeito com a visita dos representantes do país vizinho. Agradeceu a eles pela “qualidade de suas palavras simples e profundas”.

Quem não acredita clica aqui.

Abril 9, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

México: um novo estado dos EUA?

A premiê alemã Angela Merkel, em viagem ao México, disse aos políticos mexicanos que o país deveria passar a fazer parte dos Estados Unidos.

“Deixem-me falar claramente: a União Européia apóia firmemente a candidatura do México aos Estados Unidos“, disse ela diante da Assembléia Nacional Mexicana, sendo surpreendentemente ovacionada pelos deputados.

Merkel evocou os “séculos de história, de cultura e de comércio entre os países que os unem”.

Há dois erros no discurso da sra.Merkel. O primeiro é o de considerar os EUA como uma espécie de União Européia do Novo Mundo.  Os países não se candidatam a fazer parte dos EUA como se candidatam a fazer parte da União Européia, como a Turquia vem tentando há anos e alguns países do Leste recentemente conseguiram. Provavelmente acostumada a entender os países pobres que limitam com o seu bloco como pedintes desesperados em busca de aceitação, a sra. Merkel achou que os mexicanos são, como os turcos, postulantes a uma vaga no clube dos ricos mais próximo. E este clube é, para ela, os EUA.

Em segundo lugar,  o México não é um apêndice dos EUA. Não sei até que ponto a sra. Merkel conhece a história do país de Pancho Villa. Talvez não saiba que extensas partes do antigo território mexicano foram anexadas pelos EUA e talvez também não saiba das particularidades culturais daquela nação que, há mais de um século, repete para si mesma o velho ditado,: “Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos EUA!”. O simples fato de que, em alguns estados do Sudoeste dos EUA, a imensa quantidade de imigrantes mexicanos tenha mudado consideravelmente o semblante e os hábitos de boa parte da população – a Califórnia é um caso amplamente conhecido deste fenômeno – não quer dizer que os EUA tenham sofrido uma transformação profunda em suas estruturas, em sua auto-imagem e nos seus ideais norteadores. Moreninhos ou não, indiáticos ou não, WASPS ou não, os americanos continuam rigorosamente iguais ao que sempre foram e muito diferentes do que o resto da América é, incluindo o seu vizinho, o Canadá. Aliás, um inspirado Hélio Jaguaribe nos alerta para o fato de que há muito menos unidade entre a América do Sul e os EUA do que entre aquela e a Europa latino-germânica.

Estas são as duas hipóteses que encontro para justificar a declaração da sra. Merkel: ignorância geopolítica e ignorância histórica. Se há uma terceira razão, confesso que nem quero pensar no que seria – até porque certamente não seria outra espécie de ignorância.

Abril 7, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

“Lula é o cara”, diz Obama

do Uol Economia

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira em Londres que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o “político mais popular da Terra”

Obama fez o comentário em uma roda de líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em uma sala de conferência do Excel Center, em Londres.

Um vídeo da BBC registrou a cena em que os dois se cumprimentam. Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha para o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula: “Esse é o cara! Eu adoro esse cara!”.

Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula : “Esse é o político mais popular da Terra”.

Rudd aproveita a deixa e diz : “O mais popular político de longo mandato”.

“É porque ele é boa pinta”, acrescenta Obama.

Para quem não acredita (eu custei a acreditar), o vídeo está aqui.

Abril 2, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Alívio Cômico, Política | | 2 Comentários

Coisa de gente branca e de olhos azuis

Uma peça especialmente valiosa para os estudantes de filologia germânica é o poema “Der Abschied”, ou “O Adeus”, de Peter-Johann Rottmann. Publicado em 1840, o poema fala da partida do imigrante alemão Hannes para o Brasil, deixando sua querida Lisekett desconsolada à sua espera na terra natal. A moça entra em desespero e avis ao moço que ele enfrentará todo tipo de adversidades, cobras , monstros terríveis e macacos. Hannes, por sua vez, fala das grandes chances que terá no imenso Brasil e promete voltar para sua amada com o dinheiro obtido no novo país.

Não sabemos se Hannes ganhou dinheiro no Brasil. Não sabemos se ele voltou a ver sua amada Lisekett – provavelmente nunca mais a viu. Embrenhado no interior dos Estados do Sul, ou nas serras do Sudeste, era grande a chance de ter sido vítima daqueles monstros terríveis, das cobras e dos macacos que tanto assustavam a sua namorada. Mesmo assim, centenas de milhares de pessoas como ele enfrentaram a fome, o frio, o calor, os monstros terríveis, as cobras e os macacos e,  com rara força de vontade, fizeram mais do que deles se esperava: sobreviveram.  Construíram  cidadezinhas floridas  e agradáveis no interior daquele imenso país, deram impulso à indústria e ao comércio e o seu idioma, o rude Hunsruckish, desprezado em sua Alemanha natal, continuaria a ser falado naquela longínqua e desconhecida terra por muitos dos melhores brasileiros que, desde então, carregaram consigo o mesmo sangue que o seu. O aventureiro Hannes e a sua querida Lisekett nunca poderiam imaginar que a saga da sua gente na nova terra seria tão produtiva e tão bela. Nunca poderiam imaginar que eram capazes de fazer algo tão grandioso. E nem poderiam imaginar que os descendentes de gente como eles, simples, trabalhadora e sonhadora, seriam acusados de serem responsáveis por uma crise que eles não criaram e que eles não entendem .  E, vejam só, acusados por ninguém menos que  o próprio presidente do país que os acolheu.

Três das responsáveis pela crise:


Fonte: www.santacatarinabrasil.com.br

Março 31, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

Governo brasileiro surpreende e derruba impostos

Diante da indústria estagnada e do comércio morto, o Governo Brasileiro voltou a agir. Prorrogou o IPI reduzido para os automóveis e derrubou ainda taxações de outras mercadorias. Tudo para o mercado não perecer diante da falta de dinheiro na economia e para o brasileiro não ter seu cotidiano afetado negativamente.

Para compensar as perdas das tributações, o Governo decidiu por um aumento de 30% no preço dos cigarros. Confira a tabela das reduções abaixo:

Créditos para a tabela: FOLHA ONLINE

MATERIAL REDUÇÃO DO IPI
Cimentos aplicados na construção 4% para 0%
Tintas e vernizes dos tipos aplicado na construção 5% para 0%
Massa de vidraceiro 10% para 2%
Indutos utilizados em pintura 5% para 2%
Revestimentos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria 5% para 0%
Aditivos preparados para cimentos, argamassas ou concretos 10% para 5%
Argamassas e concretos para construção 5% para 0%
Banheiras, boxes para chuveiros, pias e lavatórios de plástico 5% para 0%
Assentos e tampas, de sanitários de plástico 5% para 0%
Caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos, de plásticos 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês, sanitários, caixas de descarga, mictórios de porcelana 5% para 0%
Pias, lavatórios, colunas para lavatórios, banheiras, bidês de cerâmica 5% para 0%
Grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Outras grades e redes de aço, não revestidas, para estruturas ou obras de concreto armado ou argamassa armada 5% para 0%
Pias e lavatórios, de aços inoxidáveis 5% para 0%
Outras fechaduras; ferrolhos 5% para 0%
Partes Cadeados, fechaduras e ferrolhos 5% para 0%
Dobradiças de qualquer tipo (incluídos os gonzos e as charneiras) 5% para 0%
Outras guarnições, ferragens e artigos semelhantes para construções 10% para 5%
Válvulas para escoamento 5% para 0%
Outros dispositivos dos tipos utilizados em banheiros ou cozinhas 5% para 0%
Disjuntores 15% para 10%
Chuveiro elétrico 5% para 0%

Março 31, 2009 Publicado por F Rules | Geral, Política | | Sem comentários ainda

Artigo de Barack Obama no “Times”, de Londres

Neste dia 25 o presidente dos EUA, Barack Obama, publicou no Times, de Londres, um artigo intitulado “We are ready do lead. Are you ready to join us” (Nós estamos prontos para liderar. Você está pronto para juntar-se a nós?).

A seguir, traduzimos alguns trechos:

“Minha mensagem é clara: os Estados Unidos estão prontos para liderar e  convocamos nossos parceiros a juntarem-se a nós, munidos de senso de urgência e propósitos comuns. O trabalho está sendo muito bem feito, mas ainda resta muito por fazer. Nossa liderança é baseada numa simples premissa: a de que vamos agir com coragem para tirar a economia americana da crise e reformar o nosso sistema regulatório, e estas ações serão fortalecidas por outras ações complementares. Através do nosso exemplo, os Estados Unidos podem promover uma recuperação global e trazer confiança ao resto do mundo; e se a cúpula puder ajudar a incentivar uma ação coletiva, podemos forjar uma recuperação segura e crises futuras poderão ser evitadas.”

A seguir, o presidente estabelece três passos para combater a crise.

1- Ações rápidas para estimular o crescimento;

2- Restaurar o crédito do qual dependem consumidores e empresários;

3- Ajudar países e povos mais suscetíveis à crise.

Não fica nisso, porém, o recado do presidente americano:

“Se é verdade que estas ações podem ajudar a nos tirar da crise, nós não podemos deixar espaço para um retorno ao status quo. Devemos pôr um fim à especulação desenfreada e aos gastos acima das nossas possibilidade; pôr um fim ao mau uso do crédito, aos bancos superavaliados e à ausência de regulação que nos condenam a bolhas que inevitavelmente explodem. Somente a ação coordenada pode prevenir a irresponsável atitude arriscada que causou esta crise. É por isso que eu me comprometo a aproveitar a oportunidade de pôr em marcha reformas estruturais profundas no nosso sistema de regulação da economia.

Obama está colocando as asas esquerdistas de fora? Está lançando as bases de um socialismo moreno versão ianque? Nem tanto. Está apenas repetindo o que praticamente todos os analistas econômicos do mundo estão dizendo: que o mercado tem de ser regulado, que não podemos deixar o lobo do capitalismo à solta na rua e que a crise só terá fim após o esforço conjunto de todos. Nenhuma novidade, mas é algo que, saído da sua boca, agrada tanto aos esquerdistas, que adoram ouvir falar em intervenção estatal, e aos direitistas, que respiram aliviados ao saber que Obama não diz nada que um Alan Greenspan já não tenha dito.

Ao mesmo tempo, com este discurso convocatório ao melhor estilo “sigam-me os bons”, Obama apresenta-se como o grande timoneiro da retomada econômica global e convoca a todos para caminhar ao seu lado, de braços dados, em direção a um futuro brilhante onde os EUA não são arrogantes nem imperialistas, mas apenas bons companheiros, líderes por vocação e não por imposição forçada. Uma bela imagem, sem dúvida. E ainda mais bonita para os EUA, que alcançam uma popularidade no mundo como raras vezes alcançou em sua história através do método exposto por este artigo e conhecido há milênios: dizer o trivial na hora certa.

Março 25, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

A crise ao redor do mundo

Março 23, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

Os “Southern Agrarians” de hoje

1930 foi um ano difícil para os EUA. O país tentava recolocar as coisas em ordem depois do furacão nas bolsas em 1929, do desemprego galopante e das greves em todo o país. As duas décadas anteriores, de extrema bonança, foram a feliz  confirmação da idéia de que a civilização americana sublimava os princípios tipicamente anglo-saxônicos de liberdade individual, livre comércio e democracia representativa, e os EUA, apoiados nesses princípios cumpririam o seu “destino manifesto”, isto é, comandar e modificar o mundo. A alegria durou pouco e a depressão, econômica e psicológica, veio em seguida.

Naquele ano difícil, foi publicado em Nashville, Tennessee, um manifesto chamado “I´ll take my stand” assinado por importantes escritores do Sul dos EUA, como Robert Penn Warren e John Crowe Ramson. O título remetia a uma frase da conhecidíssima canção “Dixieland”, entoada pelos confederados sulistas durante a Guerra Civil Americana e praticamente um hino “não-oficial” da região derrotada no conflito. O grupo – denominado “Southern Agrarians” – defendia a retomada dos valores da cultura tradicional do Sul dos EUA contra o industrialismo e a massificação típicos do Norte do país.

Começava assim o manifesto:

“THE authors contributing to this book are Southerners, well acquainted with one another and of similar tastes, though not necessarily living in the same physical community, and perhaps only at this moment aware of themselves as a single group of men.

E assim continuava:

“All the articles bear in the same sense upon the book’s title-subject: all tend to support a Southern way of life against what may be called the American or prevailing way; and all as much as agree that the best terms in which to represent the distinction are contained in the phrase, Agrarian versus Industrial.”

“(…) how far shall the South surrender its moral, social, and economic autonomy to the victorious principle of Union? “

Por “Union”, entendamos “O Norte” – e por “O Norte”, entendamos o capitalismo liberal daquela época. Os EUA foram, durante os primeiros anos do século XX, o maior exemplo do sucesso dos princípios da democracia liberal à inglesa do ponto de vista social e econômico. O “american way of life” , que o mundo conheceria através dos filmes, era, o “northern way of life” – o estilo de vida dos nortistas.  Os EUA que o mundo conheceu, respeitou e temeu desde então eram os EUA da metade Norte: o país militarista, fortemente industrializado, liberal, democrata e progressista. O país do Sul, aristocrático, fortemente elitista e conservador, foi esquecido. Os “southeners” – os sulistas – era estranhos numa terra estranha e sua única saísa era adaptarem-se aos rumos que o lado vencedor escolhera, lado que estava comprovadamente dando certo. Consideravam os nortistas, democratas liberais ao melhor estilo inglês, um bando de grosseirões , de modos rudes, amantes de prazeres toscos e incapazes de compreender as virtudes e o refinamento da aristocracia. E, como costuma acontecer em nações aristocráticas, o Sul dos EUA sempre foi um celeiro de cultura, terra de poetas, pensadores, escritores, músicos e pintores , mas, sobretudo,de homens orgulhosos de pertencer a uma tradição especial e marginalizada. E esse orgulho adormecido só precisava de um momentinho de desatenção dos nortistas para vir à tona. Esse momentinho foi a crise de 1929. E com ela, veio I´ll take my stand – uma grande revolta conservadora contra  o capitalismo liberal.

A influência do manifesto foi duradoura e profunda. Pôde ser sentida em toda a literatura, as artes e o pensamento provenientes do Sul dos EUA a partir de então, como na obra de William Faulkner e Flannery O´Connor, mas também na música folk, nos escritores do  Southern Gothic e no rock´n roll. Até hoje os Southern Agrarians são lembrados, seja por aqueles que defendem os princípios do movimento, seja por aqueles que o condenam como reacionário, saudoso de um sistema sócio-econômico perverso e desigual (a escravidão) e ultraconservador, à maneira de outros movimentos ultraconservadores que surgiram na mesma época aproveitando-se da derrocada da democracia capitalista liberal. O fim do laissez faire, previsto por ninguém menos do que John Maynard Keynes três anos antes do desastre da Bolsa, foi, em grande medida, o fim de toda uma época e um dos principais causadores de um abalo civilizacional e histórico chamado Segundo Guerra Mundial.

Sem querer dar créditos à idéia de História cíclica, ou de qualquer outra filosofia da História, os acontecimentos do momento presente talvez nos sugiram uma pergunta que, diante de tudo o que vimos até agora, acaba por ser impor: quem são os “Southern Agrarians” de hoje? O que pretendem? Contra o que se rebelam, o que propõem e, mais do que tudo isso, quais são os seus ressentimentos histórico? Não são poucas as vezes que ouvimos falar do fim do capitalismo liberal, da retomada do keynesianismo, da volta do protecionismo, do fim da globalização como hoje a conhecemos, etc, etc, etc, enfim, de tudo o que pode tomar o lugar do velho capitalismo ianque e do domínio mundial dos EUA, que é o domínio do Norte dos EUA sobre o Sul do mesmo país, do Norte da América sobre o Sul da América e, por via de consequência indireta, do Norte do Mundo sobre o Sul do Mundo. Alguns membros dos Southern Agrarians fizeram elogios ao fascismo italiano justamente por se contrapor fortemente ao capitalismo (e à democracia que o fundamenta) e outros viram virtudes até mesmo no comunismo stalinista, como viram virtudes em tudo o que parecesse contrário ao que soasse a “liberal”, a “democrata”, a “nortista”. Pode ser uma pista vaga, um palpite pouco confirmável, mas algo me diz que entre as plantações de algodão do Mississipi e a cordilheira dos Andes há mais semelhanças do que supõem a nossa vã ingenuidade. O Norte odiado é o mesmo, a distância é que é um pouco diferente.

Março 9, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Esse, sim, é liberal

EUA deveriam deixar bancos e GM falirem, diz McCain

Os senadores republicanos John McCain e Richard Shelby disseram neste domingo que o governo do presidente Barack Obama deveria permitir que alguns dos grandes bancos americanos e a montadora General Motors (GM) declarassem falência.

Shelby, que faz parte da Comissão Bancária do Senado, afirmou à rede de televisão ABC que o governo deveria deixar os bancos fecharem.

“Permitam que parem de fazer negócios”, ressaltou o republicano. “Se estão mortos, é preciso enterrá-los”, acrescentou.

Este é um legítimo exemplo de constância diante da adversidade: pode o mundo ruir, pode o neoliberalismo cair em descrédito total até mesmo pelos seus principais defensores, pode até mesmo o Partido Republicano levar chumbo nas eleições: um liberal de verdade, à moda antiga, não pode ter coração. Se está morto, é preciso enterrar. Laissez faire, laissez passer.

Março 9, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

A imigração sem poesia

Para começar este artigo, convido o leitor a meditar brevemente sobre este poema:


E os trens que vêm de Bauru
Trazem cheia a segunda classe,
Com catingas de porão de navio,
Com choros de crianças embrulhadas em grossas lãs
européias,
Com caras rubras queimadas de sóis estrangeiros,
Famílias salubres e miseráveis
Que o Brasil chamava, miragem de ultramar.

Nesse amontôo de povo mal dormido
— Cabeças com lenços de cores, boinas de veludo negro —,
Nesses corpos fétidos que os beliches balançaram
Na travessia do vapor inglês,
Há uma poesia profunda,
Há uma poesia violenta,
Poesia das plebes agrícolas da Europa,
Poesia de raças antigas e obstinadas
Que qualquer coisa para este lado do Atlântico atrai;
Poesia da sorte desconhecida sobre o mar,
Poesia do porto de Santos,
Poesia da São Paulo Railway Company,
Poesia da Capital entrevista na bruma,
Poesia da imigração.


Este poema de Ribeiro Couto foi publicado em 1933. O autor é paulista e a imagem que o inspirou é a das estradas de ferro do Interior paulista e seus trens apinhados de gente “das plebes agrícolas da Europa” atraídos para um Brasil verde, pujante e vazio, imagem clássica da América dos sonhos dos europeus pobres.O rico solo da terra paulista foi uma mãe grata para milhões, a maioria deles italianos, cujo patois ítalo-paulista, característico até hoje de boa parte daquele Estado, batizou a terra que lhe matou a fome de “terra rossa” – terra vermelha em italiano, “terra roxa” na corruptela brasileira que passou à história. O trem de Ribeiro Couto passa pela “terra roxa”, circundada por serras cobertas pela Mata Atlântica e pelas florestas de Araucárias, mas poderia perfeitamente falar do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro ou do Espírito Santo, e, talvez do Mato Grosso e do Amazonas. Poderia falar do imenso Planalto Brasileiro – as “Brazilian Highlands”, dos mapas ingleses – que se estendem do Norte do Rio Grande do Sul ao Sul da Bahia, dos vales riograndenses e catarinenses, dos centros antigos de Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Manaus e Belém do Pará. Poderia falar de quase todo o país.

Um país que viu sua população quintuplicar em menos de setenta anos, passando de menos de 10 milhões de pessoas para mais de 44 milhões entre entre 1870 e 1945, época em que esta poesia da imigração foi entoada. Ao povo brasileiro, fruto da miscigenação do colonizador português, dos índios que restaram e dos escravos africanos, juntou-se esta massa gigantesca de gente de todos os cantos do mundo, do Japão à Alemanha, de Portugal à Rússia, do Oriente Médio à Grã-Bretanha, que coloriu o já coloridíssimo panorama étnico brasílico. Este brasileiro que os recebeu estranhou seus hábitos, suas línguas “do demo” e, em alguns casos, até sua religião. Acabou por aceitá-los e misturar-se a eles, ou deixar-se perder no meio deles. Deixou também que ocupassem as terras virgens do Brasil, a fim de que buscassem em solo brasileiro o pão que suas pátrias infelizes não lhes davam. Deixou ainda que construíssem bairros e cidades inteiras à imagem e semelhança das suas terras natais para que não fossem atormentados pelo sentimento doloroso que ele, brasileiro, tão bem conhecia – e que, dizem, só ele conhecia – , chamado saudade. Deixou também que abrissem mercearias, bares, padarias, pizzarias, cervejarias onde poderiam vender livremente a comida que sempre faltou e passou a lhes sobrar – e também passou este brasileiro a beber cerveja e vinho, a comer pizza, sushis, salsichões, kibes e pastéis, a jogar futebol, a usar bonés, a falar “tchau”, “caramba”, “estrudel”, “chimia”, “caricatura”, “catzo” e tantas outras expressões alienígenas. Por fim, para completar a receptividade, o brasileiro deixou que seu rosto, seu nome e seus próprios hábitos se alterassem – passou a se chamar Schmidt, Rossi, Hidalgo, Nakamura, Scott, Mansur e outros que ele nem sequer aprendeu a pronunciar direito. Seu rosto virou, como no poema, uma cara rubra queimada de sol, mas não estrangeiro, sim brasileiro – o sol brasileiro destinado a iluminar e a queimar o rosto de todas as raças.

Diante disto tudo, diante deste poema com o qual o brasileiro recebeu o mundo inteiro, uma notícia como a da brasileira que teria sido agredida na Suíça, ou casos semelhantes  não deve gerar ódio ou raiva e muito menos acordar uma xenofobia adormecida, quase morta, no coração de nosso povo, oriundo em grande parte justamente destas “raças antigas e obstinadas” que hoje não nos deixam sequer visitar a terra de onde partiram para sentirmos um pouco o ar que nossos miseráveis e famintos avós respiraram, comermos a escassa comida que lhes estava disponível, bebermos o pouco vinho que jazia no fundo de suas garrafas, caminhar, enfim, pelas estradas que seus pés – e não seus sapatos – cansadamente palmilharam. Não devemos nos sentir injustiçados quando os italianos, os mesmos que, por calcarem as mãos de tanto trabalharem nas lavouras, nas fábricas e nas cantinas, ganharam o apelido de “carcamanos”, nos expulsam de sua pátria com os bons gritos que nos acostumaram a conhecer.  Nem devemos gritar aos céus pelo olhar frio e arrogante dos alemães, os mesmos que encontraram nos nosso verdejante interior a paz que sua pátria, presa de intermináveis conflitos internos e externos, de raça e de idéias, só logrou encontrar há menos de vinte anos; e muito menos devemos achar minimamente estranho quando ninguém menos que os portugueses, expulsos de sua pátria não pela guerra mas sim pela dura e simples fome, fome da comida que seu solo pedregoso e pobre não lhes dava, fome de liberdade que seu país preso de ditaduras lhe negava, fome, enfim, de dignidade, de humanidade mesma – quando eles, que são 700 mil em nosso país, chamam os 50 mil brasileiros que hoje estão em Portugal de ladrões e as 50 mil brasileiras de prostitutas. As portas que se fecham diante de nós, portas de ferro, protegidas por pontudas lanças,  impedem a velha Europa de receber esses indesejáveis vagabundos que o mundo – o Terceiro Mundo – repeliu, não nos devem provocar dentes cerrados, órbitas saltadas, dores de cabeça ou reações mal pensadas, como a do nosso próprio presidente.A única coisa que devemos fazer, com a certeza e a decisão dos que, como o apóstolo pregou, abandonam uma vida para entrar em outra, é crescer. Crescer duramente, como os adolescentes divertidos e alegres que são obrigados a se tornarem adultos taciturnos e tristes. Crescer decididamente, como os jovens sonhadores que abandonam os sonhos de juventude para adquirirem o pragmatismo dos “vencedores”. Crescer em tudo, da cabeça aos pés, de coração e alma, de dentro para fora e de fora para dentro. Em cada praça deste gigantesco país devíamos pendurar letreiros coloridos com os dizeres “Urge que cresçamos”, mesmo que isso doa. Porque, caros compatriotas, é importante ficar claro, e muito claro, que um povo que consagra as nobres palavras da poesia a um bando de estrangeiros famintos é, sem a menor dúvida, nada menos do que um povo tristemente infantil.

Fevereiro 19, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

O último telefonema

O blog Perspectiva atesta que o que vem a seguir NÃO É UMA PIADA nem gozação. Como prova disto, colocaremos a fonte ao final.

O último telefonema de Bush como presidente dos EUA para o nosso presidente foi o seguinte:

Bush – Lula!
Lula - Bush!

Bush – Estou telefonando para você no meu último dia como presidente.
Lula – Você está com uma voz muito boa, parece estar bem.

Bush – É uma sensação de dever cumprido. Nem todos presidentes têm a honra de servir a seu país por dois mandatos. Venha me visitar no Texas.

Lula – Está de pé aquele convite para uma pescaria. Se você cansar do Texas, venha pegar peixes grandes no Brasil.
Os dois riram e o diálogo continuou por mais alguns minutos.

Bush – Então até logo.
Lula – Lembranças minhas para sua mulher e suas filhas.

Bush – Ah, calorosas lembranças a Marisa.
Lula – Cuide-se.

Fonte: O Povo

P.S.: Dizem que, depois do telefonema de Bush, Lula comentou com Celso Amorim: “Sujeitinho simpático esse tal de  Bush, hein? Se não falasse enrolado desse jeito eu nem precisava de tradutor! Eita trem bão, sô!”.

P.S.2: A última frase, esta sim, foi uma piada.

Janeiro 20, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Carta de Busatto para Jairo Jorge

O ex-deputado Cézar Busatto foi convidado pelo prefeito Jairo Jorge a assumir o cargo de Secretário Especial de Estratégia e Inovação na prefeitura de Canoas/RS. A presença de Busatto na administração do prefeito do Partido dos Trabalhadores seria o coroamento de uma campanha política onde a superação de velhos e nocivos ranços ideológicos foi a tônica. Alías , esta superação de diferenças  possibilitou a vitória de Jairo Jorge.

No entanto, velhos hábitos parecem ser difíceis de serem modificados e a presença de Busatto no governo foi vetada por setores do partido do prefeito.

Perde Canoas com o veto, pois a experiência e capacidade de Busatto seriam  valiosas  nas mudanças que Jairo Jorge parece pretender implantar na cidade. Lamentamos que a mesquinharia de alguns tenha obstaculizado o avanço de uma prática política construtiva e que claramente visava a busca pelo Bem Comum.

Abaixo a carta que Cezar Busatto enviou ao prefeito de Canoas:

EM NOME DO DIÁLOGO

Canoas, 19 de Janeiro de 2009

Caro Prefeito e amigo JAIRO JORGE,

Foi com muita honra que recebi seu convite para integrar o governo municipal da cidade de Canoas, como seu Secretário Especial de Estratégia e Inovação.

Confesso que pensei muito, e o que me levou a aceitar seu convite foi o impositivo de corresponder à grandeza e coragem de seu gesto de pacificação, pouco comum na política gaúcha. Seu gesto está à altura da política feita com espírito público e voltada para o cidadão, que coloca em segundo plano as disputas partidárias e de poder, típicas de épocas eleitorais, mas incompatíveis com os desafios pressupostos pelo bem comum. Foi essa convicção que levou meu partido, o PPS, a estar junto com o PT nessa caminhada desde o primeiro turno em Canoas, e que nos manterá lado a lado na construção desse governo, que tenho certeza será um marco para a história da cidade, e um exemplo para o Rio Grande.

O propósito comum do nosso entendimento foi um só: melhorar a qualidade de vida e de convivência das 350 mil pessoas que vivem em Canoas, reunir as nossas melhores experiências e conhecimentos para fazer uma gestão local inovadora e radicalmente democrática, colocando o cidadão como protagonista do desenvolvimento da sua própria cidade. Nunca esteve presente em nossas conversas o interesse por cargos, posições, barganhas, típicos da velha política que rejeitamos.

É fácil praticar a democracia entre os que pensam igual a nós, difícil é praticá-la com os que pensam diferente. Mas a democracia existe exatamente para que as diferenças possam ser explicitadas e se realize a obra de arte política do diálogo, do entendimento e do compromisso entre os diferentes. É assim que se consolidaram as grandes democracias em todo o mundo. Ao apostar no diálogo, não desconhecemos nossas diferenças, mas sim demonstramos maturidade, humildade e a grandeza para construir a partir delas, de maneira dialética, uma síntese que gere inovação e avanço.

O Rio Grande viveu um período de polarização exacerbada, da qual tanto eu, como as principais lideranças do PT, fizemos parte. Responsáveis somos todos. Mas de minha parte, quero que fique claro: não vejo sentido em não dialogar sobre o futuro em razão de diferenças de quinze anos atrás. Essa lógica da polarização e do conflito sectário tem causado grandes prejuízos ao Rio Grande, e por isso procurei pautar minha vida pública nos últimos anos pela busca da convergência em torno de valores, conceitos, idéias e projetos comuns. Só os ressentidos vivem no passado, e o ressentimento, definitivamente, não constrói o futuro.

Foi com esse espírito que coordenei o Pacto pelo Rio Grande, quando todos os deputados com assento na Assembléia Legislativa construímos juntos uma agenda mínima comum para o ajuste fiscal, a modernização da gestão e o desenvolvimento sustentável do Estado. O deputado Raul Pont, do PT, teve um papel decisivo na construção dessa unidade, que foi subscrita por toda a bancada do seu partido.

Na minha breve passagem pela Casa Civil do Governo do Estado, pautei-me também pela política do diálogo e da convergência com os parlamentares de todos os partidos, o que contribuiu para aprovar todos os projetos do Executivo por unanimidade, e construir a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o corrente ano de 2009 por acordo de todos os Poderes de Estado.

Em Porto Alegre, mesmo após um embate eleitoral duro, coordenei pessoalmente uma política que preservou a principal obra dos 16 anos de governos do PT, que é o Orçamento Participativo, compatibilizando-a com a proposta inovadora da Governança Solidária Local. Essa inovação democrática reafirmou a liderança mundial de Porto Alegre como cidade da democracia comunitária e viabilizou a realização da Conferência Mundial Sobre o Desenvolvimento de Cidades, com a presença na capital dos gaúchos de 7 mil pessoas vindas de mais de mil cidades de todo o mundo.

Diante de tudo isso, lamento profundamente que a generosidade, a grandeza e o espírito público do gesto feito pelo bravo Prefeito e amigo, ao convidar-me para integrar o governo municipal de Canoas, tenha sido inviabilizado pela reiteração da velha lógica da exacerbação do conflito e do ressentimento, que aprisiona e apequena a política democrática. A sociedade brasileira, e especialmente os eleitores do Rio Grande, tem dado reiteradas demonstrações de que não aceitam mais essa miopia política. Mas a história tem seu tempo, e os homens públicos de visão, paciência.

Para preservar a governabilidade, para evitar que atitudes de hostilidade possam introduzir um fator desestabilizador na administração que está recém iniciando, para retribuir o seu gesto de generosidade e grandeza política, libero-o, prezado Prefeito e amigo, de nomear-me para Secretário de sua administração.

Não sem antes reafirmar que a cultura política do diálogo, do entendimento e da radicalização da democracia, que nos uniu, continuará sendo a plataforma a pautar a minha luta pela necessária e urgente mudança na política em nosso Rio Grande, para o bem de todos os gaúchos.

Nesse episódio, abrimos um debate fundamental para o futuro do Rio Grande. Um debate de paradigmas sobre a política. Com certeza ele não se encerrará aqui.

Com meu forte e fraterno abraço,

CEZAR BUSATTO

Janeiro 19, 2009 Publicado por blogperspectiva | Política | | Sem comentários ainda

Busatto e Canoas

O blog Vida Democrática do ex-deputado Cezar Busatto publica artigo Porque Vou Colaborar Com O Governo E A Cidade De Canoas. A leitura do que foi postado evidencia vontade de somar esforços para  buscar construir, superando tradicionais mesquinharias e pequenezas que impedem a construção de uma sociedade melhor. Vale a pena ler o que ali foi postado.

Janeiro 16, 2009 Publicado por Madame Li Li | Política | | Sem comentários ainda

Sem olhos em Gaza

“Sem olhos em Gaza,no moinho com os escravos”: assim o poeta inglês John Milton descreve Sansão, o herói bíblico, no capítulo “Sansão , o que agoniza”, do livro “O Paraíso Reconquistado”. Ali Sansão está preso, trabalhando como escravo num moinho, cegado pelos filisteus após a traição pela sua amada Dalila. A cegueira é uma desgraça, sem dúvida, mas não tão grande quanto outra que ele assim descreve: “Estar cego e entre inimigos é ainda pior do que as correntes”.

Sansão foi cegado para pagar por um crime e colocado como escravo de forma humilhante. Só isto já é suficiente para despertar a nossa indignação de Ocidentais civilizados. O que dizer então de um povo que, sem ter cometido crime algum a não ser muito simplesmente existir, foi colocado sob ferros num cubículo onde mal podem se locomover e, quando alguns malucos entram em desespero e cometem crimes (aliás condenáveis), este povo ainda é bombardeado, assassinado cruelmente, destruído?

Quisera os palestinos estarem na situação de Sansão. Pelo menos saberiam a razão pela qual estão ali, presos, sob ferros, sem olhos em Gaza.

Janeiro 3, 2009 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Patrulha racial

A servidora pública Rosane Brandão poderia imaginar qualquer coisa em sua vida, menos que, um dia, seria acusada de racismo. Afinal de contas,  casada com um negro, milita em movimentos sociais e, além disso, defende uma das bandeiras mais recentes dos movimentos afro-brasileiros: as cotas para negros nas universidades públicas. Seria mais ou menos o mesmo que acusar um sobrevivente do Holocausto de anti-semitismo ou um líder GLS de homofobia. Pois foi exatamente isso o que aconteceu a Rosane. Dito assim, pode parecer uma situação kafkiana, mas não é bem assim. N´O Processo de Kafka, o acusado nunca sabe os motivos pelos quais ele é um criminoso. No caso de Rosane, ela sabe, sim, a razão da acusação – e é justamente aí que reside o problema.

Na última edição do jornal da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Pelotas, Rosana publicou um artigo intitulado “A nova tendência da moda para os últimos anos”, onde a autora fala da maneira como a classe média brasileira estaria tratando as pessoas que ascenderam socialmente nos ultimos anos. Lá pelas tantas a autora diz o seguinte:”Inventaram agora que os negros fazem parte da sociedade. Esse povo que nunca se esforça o suficiente! Claro, sei que eles têm direitos desde a abolição. Mas a gente sabe que eles ficavam lá, na marginalidade, que sempre foi o lugar deles. Sempre tão conformadinhos! Volta e meia aparecia um para gritar por uma justiça qualquer.” E o tom segue o mesmo até o fim do artigo.

Se alguém me desse esse texto para ler e acrescentasse, logo depois, que eu não precisava levar a sério o que estava escrito porque era apenas uma ironia eu sentiria ganas de encher a cara do sujeito de tapas para deixar de ser besta e não me chamar de burro. Não é preciso ser um Swift para saber que se trata de uma maneira de satirizar o que considera como pensamento preconceituoso de parte da classe média brasileira assustada com a presença dos negros nas universidades após as cotas. Pessoalmente, discordo desse ponto de vista: as pessoas são contra as cotas não por serem racistas, mas porque querem oportunidades iguais. Mas a questão não é essa. O que chama a atenção é que Rosana foi acusada de racismo por escrever , de maneira irônica, um texto marcadamente anti-racista.

E o pior não é isso. Sabendo da queixa registrada, Rosane reuniu-se com dirigentes do movimento negro para explicar o óbvio. Não adiantou nada. Ela fez os esclarecimentos necessários e nós entendemos, mas o que fica é um texto publicado com notória escrita racista, por isso deixaremos a ação seguir seu caminho. Este episódio deve servir de lição para as pessoas lembrarem que ao escrever sobre os outros e suas marcas é preciso fazer isso com responsabilidade , disse Maritza Freitas, coordenadora do Movimento Negro de Pelotas, à Zero Hora de ontem. Em outras palavras, Rosane foi escolhida para mostrar ao mundo que qualquer coisa que seja escrita, com qualquer intenção, está sujeita a ser chamada de racista ou preconceituos se alguém, de algum movimento étnico, assim o decidir. Inclusive este mesmo texto que agora escrevemos. Para ser chamado de racista, basta que o cidadão escreva algo que a sra. Maritza não seja capaz de compreender.

Tal atitude denuncia duas coisas. Primeiro, a triste miséria intelectual de uma época em que a ironia precisa ser explicada e,mesmo depois de explicada, ainda é proibida. Segundo, a miséria moral de pessoas que jogam asquerosamente com a honra de alguém de acordo com as conveniências de momento, tomando-a como “exemplo” mesmo depois de reconhecer que suas intenções eram as melhores para a causa que defende. Vivêssemos em um país normal, a atitude da senhora Maritza Freitas e do movimento que representa seria motivo para vergonha da comunidade afro-descendente. Como estamos numa terra firmemente disposta a copiar integralmente todos os defeitos do american way of life (e nenhuma de suas inúmeras qualidades), sua atitude passará para a História como um momento grandioso de luta contra o racismo. Nem os defensores dos direitos dos negros, como Rosane, serão poupados. O fogo amigo da patrulha racial respingou nela desta vez. Se ela foi atingida por ser aliada, não quero nem imaginar o que sobra para quem não é da turma ou não segue a cartilha.

Novembro 2, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

Uma nova esperança para a Cidade dos Tocos

A população de Canoas/RS, ansiosa por mudanças na condução dos destinos da cidade, depositou suas esperanças no Bloco de Oposição Municipal (BOM), composto pelo PT-PP-PPS-PSB-PR-PCdoB, com a candidatura de Jairo Jorge a Prefeito, conferindo-lhe 98.736 votos, um percentual de 52,63% dos votos válidos .

Esperamos que o prefeito eleito corresponda a este anseio por mudanças e direcione seus esforços no sentido de tentar transformar a tristemente chamada de Cidade dos Tocos em um lugar com melhor qualidade de vida.

Outubro 26, 2008 Publicado por blogperspectiva | Política | | Sem comentários ainda

Vídeo de palestra sobre a Constituição

Exíguo o espaço e as condições rudimentares na chamada sala “A” da Secretaria Municipal de Educação em Canoas/RS destinada para realização da palestra do deputado constituinte Jorge Uequed sobre a elaboração da Carta de 88. No entanto, aqueles que se propuseram a enfrentar essa falta de conforto, tiveram como recompensa uma bela exposição sobre os caminhos percorridos e as dificuldades enfrentadas para que ficassem assegurados na Constituição os direitos sociais de que agora usufruimos. Foram, como prevíamos, enriquecedores momentos. Saímos do “Conjunto Comercial Canoas” com a consciência de que aquele “livrinho” verde é um bem precioso ao qual devemos dar atenção para evitar que  lhe sejam perpetradas violências, mesmo as sutis e disfarçadas, que culminariam na perda do que foi conquistado pela luta de muitos.

Recomendamos que aumentem o volume de suas caixas de som para melhor compreensão; a máquina não captou o áudio com excelência.

Primeira parte:

Segunda parte:

Terceira parte:

Outubro 24, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

20 anos da Constituição Federal é tema de Ciclo de Debates na UFRJ

A Previdência e a Assistência Social foram os temas do segundo dia do Ciclo de Debates “20 anos da Constituição Federal – a luta pelos direitos sociais: conquistas e novos desafios”, promovido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. O seminário comemorativo ocorreu no Salão Pedro Calmon do Fórum de Ciência e Cultura, no campus da Praia Vermelha.
Participaram do painel sobre a Previdência Social, que se iniciou às 9h, na  terça-feira, dia 21, o ex-ministro da Previdência e Assistência Social (1985/1986), Waldir Pires, a professora da Universidade de São Paulo (USP), Amélia Cohn, o constituinte Jorge Uequed e o especialista em Seguridade Social, Celecino de Carvalho Filho. O moderador foi o jornalista, economista e professor da Universidade Federal da Paraíba, José Carlos Assis.

Jorge Uequed e Waldir Pires

Foto:Marco Fernandes

Seguro-desemprego

Jorge Uequed,  que foi deputado constituinte, abordou  em seu discurso a questão do seguro-desemprego. O ex-parlamentar recuperou a história da luta que teve de enfrentar no Congresso para que os direitos assegurados pela Carta de 1988 fossem de fato consagrados. O seguro desemprego, segundo Uequed, representa uma tentativa de eqüidade entre a garantia do capital e a garantia do trabalho.

Referindo-se ao momento atual de crise no mercado financeiro internacional, ele ressalta o quão fundamental é a proteção assegurada pelo Estado aos trabalhadores. Ele terminou a sua apresentação ressaltando a importância da luta em defesa da constituição “cidadã”.  “Dificilmente teremos melhores”.

Leia aqui sobre o Ciclo de Debates na UFRJ

Palestra sobre a Constituição em Canoas

Vídeo de palestra sobre Constituinte

Outubro 23, 2008 Publicado por Madame Li Li | Política | | Sem comentários ainda

Palestra sobre Constituição em Canoas

A Constituição Federal do Brasil completou 20 anos no último dia 05 de outubro. Com as célebres palavrasDeclaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil” o presidente da Assembléia Nacional Constituinte, deputado Ulysses Guimarães (PMDB/SP), promulgou a sétima constituição da República Federativa do Brasil.

Os jovens que vivem sob a égide da Carta de 1988 talvez não tenham a noção exata da importãncia daquelas palavras pronunciadas pelo ” Senhor Diretas”. Direitos sociais, respeito às garantias individuais e todos os demais avanços que vieram com a Constituição são considerados normais e , como sempre acontece nesses casos, talvez nem sejam valorizados como deveriam.

Em Canoas/RS, os estudante dos cursos de História e Direito da UNILASALLE, terão oportunidade de  enriquecer seus conhecimentos sobre este momento histórico através de palestra que será proferida dia 23 do corrente mês de outubro às 19h15m na sala “A” da Secretaria Municipal de Educação e Cultura .

A palestra será proferida por  Jorge Uequed que foi Deputado Federal durante vinte anos e atuou como membrio titular da  Subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente, da Comissão da Ordem Social  e como membro suplente na Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher .

Uequed teve  sua participação na Assembléia Nacional Constituinte  considerada excelente  pelo DIAP-Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar em relação  as questões de interesse  dos trabalhadores como afirmado na publicação Quem foi quem na Constituinte.

Os estudantes  canoenses serão brindados com momentos especialíssimos,tendo o privilégio de obter  informações sobre aquele momento histórico através de um de seus personagens.

Outubro 23, 2008 Publicado por blogperspectiva | Política | | Sem comentários ainda

Palestra sobre Constituição no La Salle

Outubro 23, 2008 Publicado por Madame Li Li | Política | | Sem comentários ainda

Obama disparou?

Leiam aqui.

Será que Obama agora vai? Calma, minha gente. As pesquisas do New York Times em conjunto com a CBS têm sido as mais favoráveis ao democrata desde o início da temporada eleitoral, ainda que nunca tenham atingido uma distância tão grande quanto esta. A média de todas elas, porém, continua a mesma que noticiamos há alguns dias: 7,2%, dentro da margem de erro, sendo que as pesquisas veiculadas ontem, dia 14, dão vantagens a Obama que variam entre 3% e 8%.

E isto contra um candidato que, não bastasse tudo o que já noticiamos aqui, ainda quer suspender a campanha eleitoral por causa da crise e sugere que o adversário faça o mesmo. Pelo menos McCain está revelando que, por trás de sua cara sisuda, habita um cara com muito senso de humor.

Outubro 16, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

“Meu filho é cidadão americano!”

Mamãe Obama pede que deixem seu filhinho em paz.

E manda bala até na African Press International, que não o tem tratado muito bem.

Outubro 15, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Geral e o cabresto

O jornal Zero Hora na edição de 15 de outubro em matéria sob o título Rachou Geral publica entrevista com o candidato à presidência do Grêmio, Duda Kroeff em que o candidato atribui à Geral do Grêmio a qualidade de “‘ORGANIZADA”.

“Sou apaixonado pela Geral, mas ela não é decisiva na eleição, pois o sócio não votará cabresteado por torcidas organizadas. Mas, claro, quero contar com o apoio dela “

É uma novidade, eis que o agrupamento de pessoas atrás da goleira da “Cascatinha” sempre se caracterizou pela espontaneidade sem assumir a condição de organizada como se entende este tipo de torcida. A palavra organizada remete à lembrança das torcidas dos grandes clubes do centro do país e especialmente a grupos que cantam para si mesmos. A Geral, pelo menos por enquanto, tem se caracterizado por ser uma torcida que canta para o Grêmio  e ( aí a principal diferença) levando a que todo estádio cante junto.Mas no entender de  Kroeff, a Geral é uma organizada.

Outro aspecto da declaração do candidato é a posição dúbia que assume ante a “organizada”. Inicialmente afirma que o sócio não votará “cabresteado” para logo após admitir que gostaria de contar com o apoio da Geral. Ou seja, muda o tom do discurso quando fala dos benefícios que esta ” torcida organizada” lhe poderia trazer em termos eleitorais. Se a Geral decidir lhe apoiar vale o suposto “cabresto”?

Outubro 15, 2008 Publicado por Miss Lou Lou | Esportes, Política | | 1 Comentário

O chicote de McCain

McCain disse que vai chicotear Obama nessa reta final da eleição. Não é preciso dizer o que aconteceu depois: não faltou gente pensando na imagem clássica do branco, anglo-saxão e protestante – isto é, McCain – colocando o negro – Obama – no tronco para mostrar-lhe qual ele acha que seria o seu verdadeiro lugar.  O fato de que McCain vença de lavada nos estados com maior presença negra não é levado em conta nessa avaliação.

Bem, não sei exatamente o que McCain quis dizer com “chicotear Obama”, mas tenho a absoluta certeza de que não há referência racial alguma. Nem ele, mal assessorado, mal acompanhado e mal preparado como é, cometeria uma bobagem desse tipo para dar munição a uma imprensa que já não lhe dá nenhum sinal de simpatia. Por essas e outras, para mim fica clara apenas uma coisa: se McCain quiser de fato vencer, deve parar de ajudar Obama desse jeito. A distância entre a qualificação de um e de outro é tão grande que a única maneira de McCain chicotear Obama é realmente tentar faze-lo no sentido estritamente literal do termo.

Mais Celso Augusto Uequed Pitol

Outubro 14, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Jurandir Maciel participa de chat no clicRbs

Em conversa realizado no clicRBS o candidato a prefeito de Canoas/RS pelo PTB, Jurandir Maciel, respondeu a perguntas dos internautas sobre seus projetos de governo. A integrante do do Blog Perspectiva,  Miss LouLou participou do encontro e não obteve resposta do candidato para nenhuma de suas quatro perguntas. Reproduzimos aqui as perguntas.

Pergunta 1:

Jurandir, não agüento mais o corte de árvores em Canoas, realizado pela administração que participaste. Tens algum projeto para o plantio de mudas como foi feito em Porto Alegre?

Jurandir: A pergunta não foi respondida

Pergunta dois:

O muro no Parque Getúlio Vargas gerou insatisfação de grande parte da população canoense. Qual sua opinião acerca do assunto?

Jurandir: A pergunta não foi respondida.

A mesma temática foi alvo de questionamento por outro participante do chat, de nome Fernando, que colocou a pergunta nos seguintes termos:

“Candidato, o Sr. vai manter o Muro que cerca o parque Getulio Vargas, tendo em vsita que foi sua administração que colocou?”

Jurandir: A administração não é minha. A colocação do muro não foi uma decisão minha como vice-prefeito. Fui contra o muro desde o começo. Eleito prefeito, vou procurar cercar com tela que dê condições de integração do parque com a comunidade acabando com este muro.

Pergunta três:

A zona central está muito abandonada e sem verde. Tem planos para ‘esverdear’ o centro?

Jurandir: A pergunta não foi respondida

Pergunta quatro:

Coleta seletiva. Uma vez por semana . Isso é pouco, temos de ficar com o lixo toda semana se quisermos ajudar a natureza. Vai mudar?

Jurandir: A pergunta não foi respondida

Outubro 14, 2008 Publicado por Madame Li Li | Cidade dos Tocos, Ecologia, Política | | 2 Comentários

Jairo Jorge participa de chat no clicRbs

Em conversa realizado no clicRBS o candidato a prefeito de Canoas/RS pelo Bloco de Oposição Municipal(  BOM), Jairo Jorge, respondeu a perguntas dos internautas sobre seus projetos de governo. Os integrantes do Blog Perspectiva, Miss Lou Lou e FRules, participaram do encontro e obtiveram respostas do candidato para suas  quatro  perguntas. Reproduzimos aqui as perguntas e respostas. Pretendemos amanhã também participar da conversa com Jurandir Maciel , o outro candidato à Prefeitura de Canoas.

Pergunta 1:(FRules)

Jairo, não agüento mais o corte de árvores por Canoas. Tens algum projeto para o plantio de mudas como foi feito em Porto Alegre?

Jairo Jorge :

Infelizmente Canoas é a capital do TOCO. É uma tristeza. Vamos mudar isso e vamos plantar árvores, vamos incentivar a população. Precisamos de mais parques e praças na cidade. Canoas precisa disso.

Pergunta dois: (FRules)

Jairo, o muro no Parque Getúlio Vargas gerou insatisfação de grande parte da população canoense. Qual sua opinião acerca do assunto?

Jairo Jorge:

Sou contra o muro, é um absurdo. Vamos colocar uma boa cerca, adequada, bonita, que não agrida o meio ambiente e o visual. O parque é lindo e colocaram um Muro de Berlim no parque.

Pergunta tres:(Miss LouLou)

A zona central está muito abandonada e sem verde. Tem planos para ‘esverdear’ o centro?

Jairo Jorge:

Vamos trabalhar nossas praças, vamos melhorar o centro da cidade com mais verde, tornar mais bonita nossa cidade. Eu tenho orgulho de ser canoense e amo minha cidade natal. Quero o melhor para Canoas.

Pergunta quatro:(Miss LouLou)

Coleta seletiva. Uma vez por semana . Isso é pouco, temos de ficar com o lixo toda semana se quisermos ajudar a natureza. Vai mudar?

Jairo Jorge:

Sim Lúcia, eu faço a coleta em casa. É dificil como está. Vamos buscar outras formas para incentivar as pessoas.

Outubro 13, 2008 Publicado por Madame Li Li | Cidade dos Tocos, Ecologia, Política | | 1 Comentário

Obama e a margem de erro

Obama é o candidato preferido da mídia americana. Os grandes jornais, principalmente os da Costa Leste, o adoram. Já virou capa da Rolling Stone e da Time. Foi aplaudido na Europa por onde passou. É amado por árabes e judeus. Os negros o admiram e muitos brancos não o acham tão negro assim, afinal, não tem ancestrais escravos, seus avós não plantaram algodão no Mississipi,ele se formou em Harvard e não passa os dias reclamando da discriminação que os brothers sofrem no gueto. É simpático, carismático e inteligente. E jovem.

Seu adversário, John McCain é o contrário disso tudo. É velho, sem graça, sua voz é insuportável – há um nítidio indicio de gagueira nela -, meio corcunda e não tem expressão facial. Ex-militar, adora um discursinho nacionalista e promete mandar bomba em quem discordar da idéia de que os EUA nasceram para dominar o mundo. Seus poucos apoiadores na mídia americana não têm credibilidade alguma. Sua vice, Sarah Palin, é rápida como uma águia, mas andou sugerindo algumas bobagens e virou inspiração para um filme pornô. Os jornalistas chiques o odeiam. O resto do mundo o odeia. Sua imagem está indiscutivelmente ligada ao clichê de WASP avesso a mudanças, ignorantão, fanático religioso e xenófobo. E, para completar, representa um governo cuja popularidade é quase zero. É o adversário que qualquer um pediu a Deus.

Ditas estas coisas que todos sabemos, pergunto aos leitores: alguém pode me dizer porquê diabos o sr. Barack Obama, com tudo o que tem a seu favor, não consegue disparar nas pesquisas? A página Real Clear Politics fez uma média das ultimas pesquisas divulgadas e mostra uma diferença  de 7,6% em favor de Barack Obama. Não chega sequer a ultrapassar a margem de erro da pesquisa, que é de 4 pontos. Além disso, várias pesquisas veiculadas em setembro deram vantagem a McCain. Num momento em que até um renomado articulista da Vanity Fair diz que os EUA viraram uma república de bananas sob o comando de Bush era de se esperar que Obama estivesse a uma distância um pouco mais confortável. Não está. E o mais interessante é que a vantagem de McCain nos Estados em que ele vence – ou seja, os do Meio-Oeste do país, tradicionalmente republicanos – é bem superior àquela que Obama obtém nos Estados onde é mais forte (as duas costas e alguns estados do Norte): chega a abrir 30 pontos de distância em Wyoming.

É, talvez a eleição nos EUA não esteja tão decidida quanto alguns pensam…..

Outubro 12, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

O custo da guerra do Iraque

A Guerra do Iraque custou aos americanos nada menos do que 4 mil vidas até o momento. São prejuízos que não podemos medir em números. O que podemos medir, e em números bem grandes, é o prejuízo financeiro causado aos cofres americanos pela turnê de George W. Bush e sua turma até o Oriente Médio. Quem fez isso por nós foi ex-economista da Casa Branca Lawrence Lindsey. Segundo o ex-professor de Harvard, a Guerra do Iraque já custou aos americanos mais de 500 bilhões de dólares – um valor mais do que suficiente para dar ajuda aos combalidos bancos do país, cuja má situação é responsável pela crise econômica que todos sofremos.

O curioso é que Lindsey errou suas próprias estimativas. Quando estava no governo, dizia que a guerra iria custar em torno de 200 bilhões de dólares, algo que já havia sido, na época, considerado proibitivo. E não se pode acusá-lo de ser um tradicional da família Bush. O homem é republicano, reconhecido conservador e tido por seus adversários como um boneco fabricado por George Bush pai.

Neste artigo, ele explica como chegou à quantia astronômica divulgada e como ela pode ficar ainda maior com o passar do tempo.

Outubro 9, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Palestra sobre a Constituição em Canoas

A Constituição Federal do Brasil completou 20 anos no último dia 05 de outubro. Com as célebres palavrasDeclaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil” o presidente da Assembléia Nacional Constituinte, deputado Ulysses Guimarães (PMDB/SP), promulgou a sétima constituição da República Federativa do Brasil.

Os jovens que vivem sob a égide da Carta de 1988 talvez não tenham a noção exata da importãncia daquelas palavras pronunciadas pelo ” Senhor Diretas”. Direitos sociais, respeito às garantias individuais e todos os demais avanços que vieram com a Constituição são considerados normais e , como sempre acontece nesses casos, talvez nem sejam valorizados como deveriam.

Em Canoas/RS, os estudante dos cursos de História e Direito da UNILASALLE, terão oportunidade de  enriquecer seus conhecimentos sobre este momento histórico através de palestra que será proferida dia 23 do corrente mês de outubro às 19h15m na sala “A” da Secretaria Municipal de Educação e Cultura .

A palestra será proferida por  Jorge Uequed que foi Deputado Federal durante vinte anos e atuou como membrio titular da  Subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente, da Comissão da Ordem Social  e como membro suplente na Subcomissão da Nacionalidade, da Soberania e das Relações Internacionais, da Comissão da Soberania e dos Direitos e Garantias do Homem e da Mulher .

Uequed teve  sua participação na Assembléia Nacional Constituinte  considerada excelente  pelo DIAP-Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar em relação  as questões de interesse  dos trabalhadores como afirmado na publicação Quem foi quem na Constituinte.

Os estudantes  canoenses serão brindados com momentos especialíssimos,tendo o privilégio de obter  informações sobre aquele momento histórico através de um de seus personagens.

Outubro 7, 2008 Publicado por Madame Li Li | Política | | Sem comentários ainda

Barack Obama e Sarah Palin: uma análise de circunstâncias

Barack Obama tem um grande trunfo nesta eleição para a Presidência dos EUA: seu pai. Foi ele, o sr. Barack Obama sênior- o candidato é, obviamente, o júnior – que legou ao candidato democrata uma de suas características mais atrativas para o eleitorado e a opinião pública internacional. Não foi a sua simpatia, pois o sr. Obama pai era um tipo bastante desagradável, e nem sua verve retórica, pois consta que seu inglês era sofrível.Foi ,mui simplesmente, a cor de sua pele. Se fosse apenas pela sua mãe, Barack Obama seria apenas mais um branquelo de classe média alta, como provavelmente foram quase todos os seus colegas de aula em Harvard, todos os seus conhecidos mais próximos e até mesmo boa parte de seus parentes. Ou como John McCain, seu adversário. McCain não teve um pai como o de Obama para pigmentar um pouco sua pele esbranquiçada de WASP sem graça e garantir seu espaço na mídia chique desejosa de capas como a da Rolling Stone, onde o candidato negro e sorridente ilustra um fundo branco e dispensa chamadas para matérias internas. Obama é uma imagem que dispensa qualquer comentário. O ícone pop por excelência. E tudo graças a seu pai.

É bem verdade que o sr. Obama pai não deixou apenas benesses para a campanha do seu querido filhinho. Por mais modernoso, mente-aberta, descolado e avançado que possa parecer o eleitorado americano destes dias que correm, ser um negro nos EUA ainda é ser um negro nos EUA e isto não mudará totalmente tão cedo. Além disso, Barack Obama herdou de seu pai um nome do meio – Hussein – que gera um princípio de calafrios até mesmo no mais esclarecido novaiorquino, sem contar a semelhança de seu nome com o daquele famosa figura que Bush está à cata e ainda não achou. Mesmo assim, podemos dizer que, por enquanto, os prós superam os contras. O passado de Obama lhe dá mais do que lhe tira.

Vejamos agora o outro lado. A vice-presidente de John McCain, Sarah Palin, tem uma filha, Bristol, de 17 anos. A moça está grávida e não é casada. Sarah é cristã, conservadora e defensora da virgindade até o casamento, assim como boa parte do seu eleitorado. Ter uma filha que contraria uma das suas maiores bandeiras é um fato grave em se tratando de campanha. Ainda não se sabe bem que impacto isso terá nas intenções de voto da massa anônima, mas já se sabe que muitos democratas bem esclarecidos e liberais apontam o dedo para a senadora com a certeza inquebrantável de inquisidores: “culpada! culpada!”. Uma hipócrita, essa senhora Palin: defendendo a continência dos filhos dos outros e liberando geral em casa. Feio, muito feio.

É óbvio que não ocorreu a nenhum republicano mais esperto – talvez tenha faltado um brasileiro por lá – que a gravidez indesejada de Bristol Palin seria, antes de uma condenação das teses de Sarah, uma confirmação de que elas são relevantes. Que é preciso cuidar mesmo dessa coisa chamada sexo na adolescência, porque senão a juventude de muita gente vai acabar sendo destruída. Que não é só com gente pobre e morena, cheia de filhotes barrigudinhos, que essas coisas acontecem. Que isso pode estar próximo, bem próximo de você, meu caro pai de família estilo Papai Sabe Tudo. Tudo isso o pessoal da senhora Sarah Palin poderia ter dito, e não disse. Assim como não disse nada sobre o verdadeiro papel do político em qualquer democracia decente, um papel que não inclui dar lições básicas de moral para o seu eleitorado. Preferiram, em vez disso, perder tempo com acusações francamente idiotas sobre supostas ligações de Obama com pastores malucos e ressaltando o remoto passado islâmico da sua família. Quem quer conferir o nível de imbecilidade a que esse debate chegou por lá clica aqui. Bill O´Reilly, famoso comentarista conservador que criticou os pais de uma menina grávida de 16 anos, vem dizer que sua crítica não se aplica ao caso de Palin porque ali os pais estavam supervisionando o, digamos, “contato” entre os dois corpos. Com uma tropa de choque dessas a pobre Sarah Palin não precisa de inimigos. Com um líder de chapa como esse ela não precisa de inimigos. Nem toda a sua proverbial esperteza e rapidez de raciocínio são páreos para tanta incompetência do Partido Republicano em fazer uma campanha decente para o sucessor do moribundo George W. Bush.

Depois de tudo iisso, o que chama a atenção é que Obama e McCain ainda estejam em empate técnico. Com tanta coisa a favor de um e tanta coisa contra o outro, seria natural esperar que as pesquisas mostrassem uma vantagem enorme em favor do candidato democrata, que, além de tudo, não tem filhos em idade de gerar escândalo. O que só mostra uma coisa: nem todas as vantagens de Obama e nem todas as desvantagens de Sarah Palin são suficientes para mudar a cabeça de um eleitorado que, apesar de tudo, ainda é um dos mais conservadores do mundo.

Setembro 25, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 2 Comentários

Manuela D´Ávila x Cristina Ranzolin

Chegou a ser constrangedora a situação em que se colocou Cristina Ranzolin, apresentadora do Jornal do Almoço da RBS que perguntou á candidata Manuela D’ávila sobre a hipótese da mesma renunciar ao cargo de prefeita, caso seja eleita, para concorrer ao cargo de governador. A hipótese foi aventada tendo a vista a candidata haver renunciado ao mandato de vereadora para concorrer a deputada e , caso eleita terá de renunciar ao de deputada.A pergunta proporcionou aos expectadores pelo menos duas  constatações: a primeira é a de que a jovem candidata é extrememamente inteligente e bem articulada, eis que com simplicidade , esclareceu que detém apenas um voto e que seu agir foi referendado pelos eleitores da capital que lhe proporcionaram expressiva votação;a segunda é a de que a jornalista desconhece a legislação eleitoral, que exige idade mínima para que alguém concorra à governador. Manuela não terá alcançado esta idade mínima para concorrer à governador no pleito de 2010. E, de forma discreta, evitando tripudiar sobre o desconhecimento da jornalista, ressaltou esse fato.

Como dizia o velho português, “quem não tem competência não se estabeleça”.

Setembro 22, 2008 Publicado por Madame Li Li | Política | | Sem comentários ainda

Por que comemoramos o 20 de setembro


Meus caros conterrâneos

Nesta data maior da história do nosso Estado, seria fácil para nós, do Blog Perspectiva, chamar um patrão de CTG e ouvir sua fala firme, com palavras simples aprendidas em reuniões regadas a mate .Seria ainda mais fácil perguntar a um adolescente qualquer se ele sente orgulho do seu Estado e ouvir uma resposta afirmativa e entusiasmada, daquelas dadas só por aqueles que não sabem do que estão falando. Mais fácil ainda, ridiculamente fácil, seria chamar um historiador e pedir que ele discorra sobre o significado simbólico da Revolução Farroupilha, da sua importância para a constituição da identidade dos gaúchos, dos ideais da oligarquia dominante no RS daquela época e dos interesses econômicos que motivaram a Revolução. Provavelmente ninguém leria o texto, mas já teríamos cumprido com a pauta do dia.

Pois a verdade é que não escolhemos nenhum dos caminhos acima, meus prezados conterrâneos. Em vez de optar pelo que fizeram todos – e eu friso este “todos” – os meios de comunicação do RS para comemorar a data que ora corre, decidimos fazer o inédito em casos como esse: decidimos dar voz a um morto. Sim, um morto – não qualquer morto, é claro,mas um morto mesmo assim. Penso que somente ele tem condições de dar uma explicação satisfatória, principalmente para os jovens de hoje, sobre o que foi de fato a Revolução Farroupilha e porque estamos nós, aqui, em clima de celebração. Este morto não é ninguém menos do que o general Bento Gonçalves da Silva, o comandante da Revolução que hoje celebramos e da qual tão pouco sabemos.

É escusado dizer que não nos dirigimos a nenhum centro espírita. Fomos atrás do que o general deixou para a posteridade, isto é, suas palavras, profundas e eternas, sobre a marca que ele e seus companheiros deixaram na história do mundo. E não foi sem surpresa que encontramos o seguinte discurso,proferido em assembléia provincial no ano de 1842. Mantivemos a grafia original do texto.

“Srs. representantes da nação rio-grandense!

Depois da eroica revolução, que operámos contra os opressores da nossa pátria, depois de uma luta obstinada, que por espaço de 7 annos absorve os nossos cuidados, xegou finalmente a época, em que sem grande risco se verifica vossa reunião exigida altamente pelo voto publico.

Meu coração palpita de prazer, vendo oje assentados n’este venerando recinto os escolhidos pelo povo, em quem estão fundadas as mais belas esperanças do nosso paiz. Eu me congratulo comvosco.”

(…)

Si me não é dado anunciar-vos o soleno reconhecimento da nossa independência política, gozo ao menos a satisfação de poder afiançar-vos, que não só as republicas vizinhas, como grande parte dos Brasileiros simpatiza com a nossa causa.

Mui dolorozo m’é o ter de manifestar-vos, que o governo imperial, surdo á voz da umanidade, e com escandalozo desprezo dos mais sãos princípios da siencia do direito, nutre ainda a pertinaz pretenção de reduzir-nos pela força, e por em meu profundo pezar se diminue com a grata recordação, de que a tirania acintosa exercida poe elle nas provincias tem despertado o innato brio dos Brasileiros, que já fizerão retumbar o grito da rezistencia em alguns pontos do Imperio.

É assim, que seu poder se debilita, e se aproxima o dia, em que, banida a realeza da terra de Santa Cruz, nos avemos de reunir para estreitar laços federaes á magnanima nação brasileira, a cujo gremio nos xame a natureza e nossos mais caros interesses.

Todavia o que deve inspirar-vos mais confiança, o que deve convencer-vos de que alfim triunfarão nossos principios politicos, é o valor e constancia de nossos compatriotas; é alfim a rezolução, em que se axão de sustentar a todo custo a independencia do paiz. (…)”.

Eis aí, meus caros conterrâneos, o verdadeiro sentido desta data. Bento Gonçalves, general do exército brasileiro , queria uma república para todos os brasileiros, e para isso contou com a ajuda de voluntários de outras partes do país que não aguentavam mais assistir as outras nações americanas proclamarem suas nações livres, independentes e democráticas. Queriam o mesmo para si, e acabaram por conseguir quatro décadas depois. República que, aliás, teve mais presidentes do Rio Grande do Sul do que de qualquer outro Estado.

É este o motivo do “20 de setembro, precursor da Liberdade”. E é por isso que comemoramos a Revolução Farroupilha.

Sobre o mesmo tema:

O sentido da Semana Farroupilha

Setembro 20, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | 1 Comentário

Andrés Ollero em Porto Alegre

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Ex-deputado do Parlamento Espanhol, professor catedrático de Filosofia de Direito da Universidade Rey Juan Carlos  e membro da Real Academia de Jurisprudencia e Legislação de Granada o pensador espanhol Andrés Ollero Tassara está em Porto Alegre onde realizará uma série de palestras.

15 de setembro - Controle Constitucional, Desenvolvimento legislativo Dimensão judicial da proteção dos Direitos Humanos, no Salão Nobre da Faculdade de Direito da UFRGS, às 19:00.

Dia 16 de setembro -Direitos Humanos: quatro perguntas para os expertos em humanidade na PUCRS às 10horas.

Dia 16 de setembro -Estado e Liberdade Religiosa, durante o almoço no Restaurante Tirol de Porto Alegre, numa co-promoção do Instituto Jacques Maritain, da ADCE e do IJCRS.

Dia 17 de setembro- Igualdade na aplicação da lei e precedente judicial, às 19:00 na Escola da AJURIS – Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul.

Todas palestras são abertas ao público e gratuitas.

Fonte:Instituto Maritain

Setembro 15, 2008 Publicado por Madame Li Li | Política | | Sem comentários ainda

O nosso patriarca e o deles

Os EUA são uma nação de múltiplas faces. Ao contrário do que sua imagem estereotipada pode passar, os americanos guardam diferenças internas absurdamente grandes e até antagônicas, seja no aspecto cultural seja no econômico ou no político, onde convivem – também ao contrário do que normalmente se diz – desde os esquerdistas mais ferrenhos até os conservadores. Desta disputa eterna entre pontos de vista antagônicos não escapam nem os grandes mitos da História americana, como John Kennedy, Ronald Reagan, Franklin Roosevelt e Abraham Lincoln, fustigados por ataques periódicos e sujeitos a altos e baixos. conforme as tendências dominantes Neste país tão variado, há, entretanto, uma unanimidade, – alguém, porém, que todo americano, de direita ou de esquerda, liberal ou conservador, cristão ou agnóstico, negro ou branco, admire sinceramente e pelas mais diversas razões: a figura de Thomas Jefferson. É o mais proeminente dos Founding Fathers americanos, o maior presidente que o país já teve, grande humanista do século XVIII, mestre inspirador da democracia americana e dos regimes democráticos que os americanos  incentivam mundo afora e, acima de tudo isso, um exemplo de ser humano para todos os seus compatriotas.  Os esquerdistas o lêem como um precursor da social-democracia, preocupado que era com a distribuição equitativa de renda e com o fim das classes sociais. Os direitistas vêm nele um conservador que guiava sua vida por valores atemporais e até religiosos. Até anarquistas encontram subsídios nos textos de Jefferson, que versam sobre temas tão díspares quanto botânica e filosofia política, fruto da sua conhecida vastidão de interesses. O jornalista I.F. Stone, socialista convicto, dizia que inspirava-se mais em Jefferson do que em Karl Marx. Quando John Kennedy recebeu uma comissão de quarenta e nove vencedores do PrêmIo Nobel na Casa Branca, quis fazer um elogio aos visitantes e declarou que aquela era a maior reunião de talento e conhecimento que já se havia reunido na Casa Branca – exceto quando Thomas Jefferson jantava ali sozinho.

A reverência parece exagerada, mas é bem justa. Os EUA devem mesmo muito a Jefferson.  A idéia de república federada, absolutamente inovadora para a época, é criação sua. A noção do “American exceptionalism” – a de que os Estados Unidos são um país diferenciado dos outros – também é dele. Seu horror à sociedade dividida por classes, típica da Europa de então, gerou um senso de igualitarismo feroz até hoje entranhado nas profundezas da sociedade americana que muitos visitantes europeus confundiam – e ainda confundem – com plebeísmo mediocrizante. Por outro lado, defendeu ardorosamente os princípios da liberdade individual e da livre-associação, duas das maiores marcas dos EUA desde sempre, como forma de equilibrar a balança e impedir que a democracia americana degenerasse em demagogia, como previu Aristóteles. Por tudo isso, Thomas Jefferson não é somente um grande personagem histórico como é absolutamente atual. Quando alguém resolve defender a liberação das armas de fogo imediatamente lembra que ele era a defendia. Quando um grupo nazista resolve fazer uma manifestação nas ruas de Washington, o advogado lembra do que ele disse a respeito da liberdade de opinião. Invocar seu nome numa discussão é um poderoso argumento de autoridade, algo como um católico citar Tomás de Aquino ou um comunista citar Marx num discussão entre pares – e os pares são, neste caso, todos os americanos.

A tudo isto nós, brasileiros, olhamos com aquele velha mistura de admiração e inveja que nos acomete quando comparamos o Brasil aos EUA. Nos é inevitável a comparação: é um país gigantesco, multiétnico, culturalmente variado, cheio de recursos naturais e, acima de tudo, jovem, vigoroso e contente consigo mesmo, como nós gostaríamos que o nosso fosse. Quando assistimos aos filmes que se passam na Califórnia, no Alabama, na Lousianna, no Tenessee, no Texas ou na Flórida vemos cenas que poderiam perfeitamente ser filmadas aqui. As ruas, porém, são mais limpas, os carros parecem mais novos, e sempre que algum nome ligado à fundação da república americana é citado faz-se um silêncio de respeito. Essa reverência pelos nossos maiores antepassados não existe. Não lemos o que os grandes brasileiros do passado escreveram, não imitamos suas atitudes, não tomamos suas palavras em consideração. Deve ser por isso que um homem como José Bonifácio de Andrada e Silva seja ainda um desconhecido para muitos brasileiros, mesmo cultos.

Ou nem tanto. Com certeza há ruas em várias cidades homenageando ao Patriarca da Independência e muitos sabem da importância de sua figura para a História do Brasil. Nada além disso. Se José Bonifácio, fosse lido por aqui, poderiamos,  seguindo a nossa tradição de compararar-nos com os EUA, chamá-lo deo nosso Thomas Jefferson. Não creio que suas obras completas tenham sido publicadas alguma vez no Brasil. Se foram, caíram em esquecimento. Pode-se dizer, sem medo de errar, que José Bonifácio não representou praticamente nada para a formação do pensamento político brasileiro.

Alguém dirá: e daí? O que nos valeria a leitura das obras de um provável pseudo-pensador bacharelesco do Brasil antigo, bom em retórica e péssimo em filosofia?  Sim, pois os pares de José Bonifácio eram pouco mais do que isso – quando não eram exatamente isso – e foram, com toda a justiça, esquecidos até mesmo das melhores enciclopédias. A questão é que José Bonifácio não era um deles. Além de cientista brilhante – era membro da Academia de Ciências de Coimbra e publicou trabalhos sobre botânica e geologia- foi um escritor prolífico de tratados e ensaios, sobra temas que, vistos hoje, causam espanto pela sua atualidade. José Bonifácio foi quase contemporâneo de Thomas Jefferson, mas não há mostras claras de que se tenha inspirado nele para alguma coisa. Não poderia esperar, talvez, que os braisleiros acabariam por tomar Jefferson como modelo – e modelo naquilo que Bonifácio tinha muito mais a mostrar.

Difícil de acreditar? Vejamos, então. No seu ensaio “A Escravidão e a Formação Nacional”, José Bonifácio diz o seguinte:

“É preciso que cessem de uma vez os roubos, incendios e guerra que fomentamos entre os selvagens da Africa. É preciso que não venham mais a nossos portos milhares e milhares de negros, que morriam abafados no porão dos nossos navios”

Até aqui, Bonifácio é louvável como defensor dos direitos do homem num país escravocrata. Um homem corajoso e valoroso, como tantos outros em sua época. Porém, é no trecho a seguir que encontramos um Bonifácio que vai além disso – um visionário destacado de seu tempo e precursor de idéias que, no Brasil, só seriam admitidas na década de 30 do século XX:

“é tempo que vamos acabando até os últimos vestígios da escravidão entre nós, para que venhamos a formar uma nação homogênea, sem o que nunca seremos verdadeiramente livres, respeitáveis e felizes… cuidemos, pois, desde já em combinar sabiamente tantos elementos discordes e contrários, e sem amalgamar tantos metais diversos, para que saia um todo homogêneo e compacto”

Em outras palavras, temos aí nada menos do que um defensor da mestiçagem racial, numa época em que raça era um fator importante de diferenciação em todo o mundo. O negro, no Brasil, devia amalgamar-se ao branco, para produzir uma etnia nova, diferente e tipicamente brasileira. Como bom cientista que era, José Bonifácio decerto sabia que a mestiçagem, ao contrário do que pensava a maioria dos pensadores europeus de sua época, não era degenerativa. Aliás, como brasileiro vivendo em Portugal, sabia que a própria ex-metrópole (que ele admirava, respeitava e considerava para sempre amiga do Brasil) tinha uma população fortemente miscigenada com negros escravos e mouros, estes trazidos pelos árabes e os outros pelos grandes latifundiários do Sul do país. Não era, portanto, nada de tão novo na história da humanidade.

O anglo-saxão Jefferson provavelmente não tinha notícia disto e tratou o problema da escravidão negra em seu país desta forma:

As duas raças – brancos e negros – ….. não podem viver sobre o mesm governo. Natureza, hábitos, opiniões criaram uma línha indelével de distinção entre elas”.

De acordo com o historiador Stephen Ambrose: “Jefferson, como todos os donos de escravo e outros momentos da sociedade americana branca, via os negros como inferiores, infantis, pouco confiáveis e, é claro, como propriedade. Jefferson, um gênio da política, não conseguiu ver maneira dos negros amricanos viveram em sociedade como homens livres.” A solução que ele apresentava era expulsa-los do país, como os espanhóis fizeram aos mouros.

Não ficou nisso o grande patriarca americano:

“O amalgamento entre brancos e negros produz uma degradação na qual nenhum amante do seu país e nem amante da excelência do caráter humano pode consentir inocentemente.”

Assim falou o mestre Jefferson e assim procederam seus diletos e esforçados alunos. De suas palavras saiu uma sociedade dividida, com um violento apartheid social baseado em raça que o mundo dito civilizado nada fez para minorar, onde até a década de 60 um negro não podia dividir um banco de ônibus de um branco e nem entrar nas universidades do Estado. Das palavras de José Bonifácio saiu um país miscigenado, onde a discriminação, após o fim da escravidão, jamais foi amparada por lei alguma e  enfrentou forte oposição política e social.

Neste momento, em que notícias como essa são veiculadas e surgem a partir da importação malfeita de idéias e sentimentos alienígenas à formação cultural brasileira, é de se perguntar se não falta no peito daqueles mais afeitos à “defesa do interesse nacional” quando o assunto é economia  um pouco mais de sentimento de brasilidade quando se toca em assuntos que não estão sujeitos às oscilações da Bovespa. A contínua separação entre negros e brancos por muros institucionais, levada a cabo sem pudor e sem reservas pelo atual governo, é um erro de que os americanos se ressentem e até mesmo George W. Bush, que, como bom americano (e republicano, ainda por cima), é devoto de Jefferson, já declarou que essas coisas não funcionaram e que o melhor é abandoná-las. Não teve coragem de contrariar o grande mestre em público. Nós fazemos o mesmo, só que com o mestre deles: o nosso mestre nós contrariamos sem problema nenhum.

Agosto 28, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Nelson Mandela e o século XX

Nelson Mandela completa 90 anos neste dia 18 de julho. Sua saúde aparenta ser boa, apesar de alguns percalços ocasionais típicos da idade. Está lúcido e disposto, sendo frequentemente visto em eventos onde sua magna presença é requisitada. Seu rosto é conhecido e transformado em ícone pop. Todos o respeitam e querem o seu bem – ou quase todos, mas as exceções, por serem muito poucas e , normalmente, muito toscas, não nos interessam. O fato é que Mandela faz hoje o seu aniversário de 90 anos e parece firmemente disposto a completar outros tantos aniversários sob o olhar admirado e respeitoso do mundo civilizado.

A este olhar admirado e respeitoso nós nos juntamos sem reservas. Como poderia ser diferente? Mandela não é apenas o mais inteligente, o mais articulado, o mais justo e ponderado líder africano de todos os tempos. Não é apenas o homem que pôs fim ao mais asqueroso regime racista do século XX, que inspirou a luta pacífica dos negros em todo mundo, que proferiu as mais belas palavras contra o preconceito do branco para com o negro, do negro para com o branco e dentre os próprios negros, que transformou uma reivindicação étnica local num símboo da luta universal pelos direitos humanos e pela liberdade. Se fosse tudo isso já seria muito mais do que um homem comum pode aspirar. Mas Mandela foi além. No curto período entre a sua libertação da prisão onde viveu por três décadas e sua eleição como o primeiro presidente da África do Sul democrática, em 1994, ele colocou a última pá de cal na mais grandiosa e envergonhante era da história da humanidade: o século XX.

Não é qualquer homem que é capaz de terminar com um século inteiro. Mandela está em companhia de poucos: Mikhail Gorbatchev, João Paulo II, Helmut Kohl….quem mais? São aqueles homens que põem fim a certas condições – um regime político, uma disputa ideológica – que se destacam e constituem, para as gerações vindouras, o símbolo de um século. É certo que nenhum destes homens age sozinho, que nenhum começa ou acaba algo sem boas companhias. No caso de Mandela, ele próprio admitiu que deve muito a Mahatma Ghandi e que, sem os outros movimentos de libertação da África – alguns deles não muito respeitáveis,aliás – ele dificilmente teria feito muita coisa. Mas foi dele o golpe final num dos males que, como o comunismo, o nazismo e demais dissidências, marcaram os cem anos que nos precedem: o colonialismo. O apartheid sul-africano era o último resquício de uma doutrina aplicada em toda a África até mais ou menos a década de 40 (e na maior parte dela há até uns 30 anos), sem qualquer chiadeira da comunidade internacional, que considerava a exploração ilimitada da colônia pela metrópole – incluindo aí a separação entre europeus e nativos, com vantagens para os primeiros – algo perfeitamente legítimo e saudado até por grandes como Rudyard Kipling como um dever civilizatório do homem branco. Sem ser o único país onde houve apartheid, a África do Sul foi, entretanto, o lugar onde ele parecia mais evidente, talvez por se tratar de um país anglófono, relativamente industrializado e com significativa presença de população branca, ao contrário dos seus vizinhos. O colonialismo foi, no decorrer dos anos, morrendo pouco a pouco na Ásia e na África e, quando Mandela foi solto , em 1990, ele já era moribundo. O apartheid era o seu último suspiro. Por causa dele, o líder Nelson Mandela foi preso durante três décadas. Por causa dele tornou-se mito, guiando e inspirando o seu povo mesmo detrás das grades. E pelas suas mãos ele encontrou seu fim.

Depois de 1998, quando saiu da presidência de seu país, Mandela retirou-se da política oficial e passou a viver de acordo com a sua condição de personalidade histórica. Sua grande tarefa já havia terminado e, com ele, foi embora o século em que ele viveu e cuja história ajudou a escrever. O homem que vemos hoje completar 90 anos não está aí para fazer coisas novas. Está aí para observar este século XXI que começou em 2001, com a queda das torres gêmeas, para lamentar o recrudescimento do racismo e da xenofobia na Europa, para notar, consternado, que seus discípulos do CNA (Congresso Nacional Africano, partido anti-racista que ele ajudou a formar) nem sempre aprenderam bem as suas valiosas lições de tolerância e humanidade. Está aí também para ser ouvido, mas sobre o que os outros fazem e farão. Para servir de exemplo, inclusive de como um homem pode chegar aos 90 anos com a serena certeza do dever cumprido. Porque a voz de Nelson Mandela, que ouvimos com dificuldade atrás de seu forte sotaque de negro sul-africano e de sua garganta gasta pela idade, é nada menos do que a voz, viva e pulsante, do mais pulsante de todos os séculos da História.

Leia mais: Nelson Mandela is a hero, not a saint - um artigo do jornal britânico The Guardian sobre a complexa personalidade de Mandela

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Julho 18, 2008 Publicado por Celso Augusto Uequed Pitol | Política | | Sem comentários ainda

Países mais ricos aceitam diminuir emissão de poluentes

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Julho 9, 2008 Publicado por Madame Li Li | Ecologia, Política | | Sem comentários ainda