PERSPECTIVA

José Alencar e a falta de respeito da Globo

O ex-presidente José Alencar conseguiu conquistar a simpatia do povo brasileiro através de uma vida digna e pela sua luta heróica no enfrentamento da doença que o acometeu. Não conheço ninguém que não gostasse de José Alencar e a notícia do final de sua luta gerou uma onda de manifestações pesarosas nas redes sociais. Todos lamentamos e muitos de nós dedicamos alguns instantes para orar por ele. Esse foi o clima que o Brasil todo sentiu.

No entanto, as redes jornalísticas nem sempre têm a sensibilidade de perceber o que o povo sente. A Rede Globo, no portal Globo. com, noticiou a morte de José Alencar da maneira como está registrado abaixo. Convenhamos é até uma falta de respeito a notícia da morte do ex-vice-presidente da República estar acompanhada de fotos sobre brindes  festivos no Big Brother Brasil.

março 29, 2011 Posted by | Geral | 1 comentário

Comissão da Secretaria de Cultura de Canoas e o mau uso da língua pátria

 

“Saber escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos. A língua é a mais viva expressão da nacionalidade. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que a exprime e representa, o idioma pátrio?”
(Napoleão Mendes de Almeida)

Como todos sabemos, o uso da língua portuguesa no dia-a-dia é variável. Varia de acordo com a classe social, com o nível de estudo, com a região, com o local, com o interlocutor. Há momentos em que os desvios à norma são toleráveis e há momentos em que estes mesmos desvios são, digamos, pouco recomendáveis. Há momentos para o uso da gíria e há momentos para um cuidado mais apurado no uso do idioma. E isto não ocorre apenas no Brasil: o inglês pode ser usado da maneira mais informal possível no East End londrino, terra natal do proverbial dialeto cockney e, a poucos quilômetros dali, receber o mais pomposo e cuidadoso tratamento da família real inglesa, no Palácio de Buckingham, de onde a expressão “king’s english” vem e é utilizada no sentido de conferir pureza e bom uso ao idioma de Shakespeare. As palavras do eminente gramático Evanildo Bechara não parecem deixar espaço para qualquer dúvida:

“Como, de manhã, a pessoa abre o seu guarda-roupa para escolher a roupa adequada aos momentos sociais que ela vai enfrentar durante o dia, assim também, deve existir, na educação lingüística, um guarda-roupa lingüístico, em que o aluno saiba escolher as modalidades adequadas a falar com gíria, a falar popularmente, a saber entender um colega que veio do Norte ou que veio do Sul, com os seus falares locais, e que saiba também, nos momentos solenes, usar essa língua exemplar (…).”

Poucas vezes as palavras dos renomados  gramáticos  fizeram tanto sentido quanto no caso que passaremos a relatar.

Um dos integrantes deste blog inscreveu-se junto à Secretaria Municipal de Cultura de Canoas no Programa de Incentivo a Cultura, visando publicação de obra literária. A obra em questão tratava-se de um livro com entrevistas de canoenses atuantes nas mais diversas áreas. A introdução da obra trazia a justificativa para sua publicação.

O nosso livro tem como objetivo dar a conhecer todos estes homens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer Canoas por inteiro, na sua totalidade, para além dos estereótipos das primeiras vistas. Canoas é, sim, a cidade das máquinas, do comércio pujante, do barulho dos trens, do andar apressado, do trabalhador duro e rude e do empresário ainda mais duro e rude. É tudo isso.

Mas é, também, a cidade onde foram tomadas importantes decisões para a consecução do movimento das Diretas Já; é a cidade de conjuntos musicais conhecidos em todo o país; é a cidade onde escritores, cineastas, músicos, artistas plásticos e muitos outros encontram seu pouso e sua inspiração; é a cidade de esportistas que fazem jus a seu apelido de outrora, “Capital do Esporte”; e é a cidade, também, do trabalhador duro e rude que, nos horários curtos e rápidos de folga do labor cansativo, consegue ainda arranjar forças para pensar na comunidade, no próximo, no amigo, no irmão, no conterrâneo, em todos, em nós.

Todos os nossos entrevistados são, sem exceção, figuras destacadas em suas respectivas atividades e tornaram-se conhecidas pela importância do trabalho que desenvolveram. Ocuparam espaço em jornais, no rádio, na televisão, em tribunas e em palcos. Mas nem por isso deixam aquela atitude do trabalhador diário da escultura, seja no uso dos músculos, do cérebro ou da voz. E esta atitude, transposta para as mais diferentes atividades, nos mais diversos campos, é o que há de mais bonito nesta nossa terra rude e bruta, de comércio, de indústria, de ferro, madeira e fuligem.  Terra de trabalhadores. De canoenses.

A eles dedicamos este livro.

Ao lado da introdução, foi entregue à Comissão encarregada da seleção  o teor completo da obra a ser publicada, isto é, o texto das entrevistas realizadas. Entrevistas que, repetimos, incluíam pessoas dos mais diversos segmentos da cidade, de atletas ao secretário municipal de educação, de vereadores a ex-deputado, de artistas a cineasta. Canoenses de todos os setores, enfim.

Passados alguns meses, o autor do projeto compareceu à Secretaria Municipal de Cultura  e foi informado de que a Comissão de Analise de Projetos Culturais havia opinado contrariamente à sua pretensão de ser contemplado com verba do PIC para publicação.  Recebeu três documentos com timbre da Secretaria Municipal de Cultura onde constam as razões expostas pelas integrantes da  Comissão. E o conteúdo destes documentos oficiais é de causar constrangimento a todo aquele que tenha um mínimo de apreço pela cidade de Canoas e pelo idioma nela falado. Nesses documentos oriundos da Secretaria de Cultura de Canoas,  o que se viu não foi o mau uso das “roupas” linguisticas de que falou Evanildo Bechara.  Foi muito pior: foi a ausência completa de trajes. Um verdadeiro atentado ao pudor idiomático. E pior, um atentado com consequências que vão muito além de muito simplesmente maltratar o idioma: eles chegam a maltratar a justiça.

A cópia dos documentos segue abaixo :


I

O proponente resolveu recorrer da decisão. As razões do recurso que foi protocolado no dia 10 de março de 2011 na Prefeitura Municipal de Canoas,a serão aqui reproduzidas com a  finalidade de levar a conhecimento público a maneira desrespeitosa com que é feita avaliação de projetos culturais em Canoas.

 


PRELIMINARES

I-Quanto à tempestividade


O signatário, acreditando no propósito do Município de Canoas de promover apoio a projetos culturais, inscreveu-se no PIC com obra expressamente destinada a registrar a  memória viva da cidade através de depoimentos de seus moradores.Este propósito consta da introdução da obra, que foi, juntamente com a totalidade do texto, anexada ao projeto, também expresso no formulário de apresentação. Após a inscrição, adotou o hábito de semanalmente realizar ligações telefônicas para a Secretaria da Cultura, a fim de inteirar-se da data da seleção dos trabalhos. Tal prática perdurou até o início do mês de fevereiro de  2011, quando lhe foi informado por funcionário da Secretaria de Cultura que não haveria decisão antes do mês de março e que tal se daria através de evento público amplamente divulgado, com  prévio aviso aos inscritos.

Tranquilizou-se, então, o atarefado signatário. Aguardaria o mês de março para então retomar a rotina de averiguar qual teria sido a decisão daquela que considerava, até então, como qualificada comissão julgadora.

Qual não foi sua surpresa quando, ao comparecer à Secretaria de Cultura no dia 4 de março, foi-lhe informado que o resultado havia sido noticiado no dia 22 de fevereiro do corrente ano.

A notícia, constante no site da Prefeitura, assim relata:

“A Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Diretoria de Economia da Cultura, divulgou no início desta semana os nomes dos contemplados no Programa de Incentivo a Cutlura 2010.(…)”

Ou seja, trata-se de uma notícia comunicando acerca da divulgação ocorrida no início daquela semana. Não se trata, absolutamente, da própria divulgação do resultado e sim de mera notícia, cuja única finalidade é, simplesmente, informar ao público que a divulgação já havia ocorrido. Logo, não há como a municipalidade pretender que a data da notícia seja o termo inicial para fluência de prazo recursal. Isso seria dizer que uma mera notícia, constante no rol de inúmeras notícias da página da prefeitura sem qualquer destaque especial, cumpriria a função de intimar os concorrentes, assumindo a função de tornar publicado o resultado no sentido do artigo 10.2 do edital 015/10, que assim dispõe:

“9.1. A Secretaria Municipal de Cultura, por meio de publicação no site da Prefeitura Municipal de Canoas (http://www.canoas.rs.gov.br) e no mural oficial no Gabinete do Prefeito de Canoas, disponibilizará a lista de todas as propostas ganhadoras, assim como a relação, por ordem alfabética, dos projetos suplentes.

9.3. O resultado final dos contemplados por este Edital será publicado no site da Prefeitura Municipal de Canoas (http://www.canoas.rs.gov.br) e no mural oficial no Gabinete do Prefeito de Canoas.

10.2 Da decisão da Comissão de Análise  de Projetos Culturais, caberá recurso administrativo em 05 (cinco) dias úteis,  a contar da publicação do resultado, no Protocolo Geral do Município, mesmo local das inscrições. O recurso apresentado será julgado no prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis, prorrogável por um mesmo período.”

Outrossim, a lei  8666/93 estabelece que :

Art. 109.  Dos atos da Administração decorrentes da aplicação desta Lei cabem:

I - recurso, no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar da intimação do ato ou da lavratura da ata, nos casos de:

(…)b) julgamento das propostas;

(…)

§ 1o A intimação dos atos referidos no inciso I, alíneas “a”, “b”, “c” e “e”, deste artigo, excluídos os relativos à advertência e multa de mora, e no inciso III, será feita mediante publicação na imprensa oficial, salvo para os casos previstos nas alíneas “a” e “b”, se presentes os prepostos dos licitantes no ato em que foi adotada a decisão, quando poderá ser feita por comunicação direta aos interessados e lavrada em ata.

A notícia veiculada no site, conforme já frisado, informa que já ocorreu a divulgação dos resultados. Assim, é inclusive desnecessário ressaltar ser inadmissível que se considere simples notícia como  publicação oficial,  considerando-se que existe no Brasil o império da lei. Publicação oficial não prescinde de divulgação em órgão oficial e mera notícia não substitui esta forma de publicação.

O edital informa que os resultados seriam publicados no site da Prefeitura. Em que pese  tenham sido eles noticiados (sem qualquer destaque, frise-se), não se pode considerar, como acima dissemos, em hipótese alguma, que simples notícia cumpra a função de publicação mencionada tanto no edital quanto na Lei 8666/93.

O signatário foi, de fato, intimado do resultado de seu pedido de no dia 04 de março de 2011. Afinal, foi nesta data que tomou conhecimento de que, em algum lugar incerto e não sabido – pelo menos aos não aquinhoados com informações privilegiadas…. – , ocorreu a publicação dos resultados. Sim, pois é isso que informa a notícia veiculada no site da Prefeitura: que a Secretaria Municipal de Cultura divulgou a lista de aprovados. Em lugar algum há menção de onde ocorreu esta divulgação, o que leva a crer que ainda não foi publicada em órgão oficial.

Então, muito embora ainda espere a publicação oficial, considera-se o recorrente intimado a partir da ciência inequívoca, face recebimento dos documentos de avaliação em data de 04 de março de 2011. E, a partir dessa data inicia a fluir o prazo recursal de cinco dias,  sendo desnecessário salientar que 09 de março de 2011 é o primeiro dia útil após a ciência do ocorrido.


II-Quanto à comissão


Primeiramente, cumpre ressaltar a absurda falta de conhecimento básico da língua portuguesa por parte de membros da Comissão de Análise de Projetos Culturais – CAPC , composta por Leila da Silveira, Camila Mousquer Buralde e Lígia B. Fensterseifer. Tal desconhecimento inclui a incapacidade de formular frases compreensíveis, o que evidencia despreparo para julgar trabalho alheio.

Vejamos, apenas a título de exemplo, o resumo da avaliação da parecerista Leila da Silveira:

“Resumo da avaliação: O presente projeto apresenta um custo de acordo com a realidade, não clareza nos objetivos, tem que explorar mais este lado criativo, o porponente esta hábito a aplicar este projeto, será descentralizado.”grifo nosso

Ininteligível. O resumo da avaliação da parecerista trata-se de um acúmulo palavras (algumas sequer existentes na língua portuguesa), ali dispostas na  infrutífera intenção de construção de uma frase.

O que significaria a expressão”o porponente(sic)esta(sic) hábito(sic) a aplicar este projeto, será descentralizado”?.

Dificulta, inclusive, a tentativa de oposição ao que supostamente está sendo colocado. Para que haja oposição é preciso conhecer aquilo ao que se irá opor; isto, como se vê, afigura-se uma tarefa complicada, dada a extrema dificuldade para se entender o conteúdo da  frase final de um parecer que determina se irá o Município de Canoas patrocinar ou não um projeto literário. Defende-se o recorrente do que imagina seja uma crítica ao seu trabalho.

“Pessoa hábita a fazer este trabalho” – O que seria uma pessoa “hábita”, segundo Leila Silveira?

A palavra, inexistente na língua portuguesa com sentido diverso de habitar (e sem acento), está inserida na frase aparentemente com o sentido de substituir a palavra “apta”. Pois bem, se assim for o requerente seria pessoa APTA a realizar o trabalho. Sendo assim, porque recebeu nota  5? Se é apta, deveria forçosamente receber nota 10, como lhe foi atribuída pela integrante Camila Mousquer Buralde. Por outro lado, a parecerista Lígia B. Fensterseifer preferiu ignorar que o edital expressamente prevê a contrapartida obrigatória de 10% das obras e assim conferiu-lhe a nota 5.

Mas retornemos a Leila Silveira, que, considerando ser o proponente pessoa “habita”, sem restrições, conferiu-lhe nota 5. Por que? Seria a palavra habita um código que promove demérito à pessoa assim denonimada? Misteriosa forma de aquilatar trabalho alheio, utilizando palavra inexistente na língua portuguesa.

Mas vai além Leila Silveira em seu estranho afã em agredir sistematicamente a língua pátria. A parecerista, integrante de comissão ligada à Secretaria de Cultura de Canoas, formula frases como a que é reproduzida a seguir:

“Criatividade. O presente projeto apresenta não tem criatividade em seu trabalho.Apenas, entrevistas. A pergunta é: O que pretende com estas entrevistas.  Qual será os critérios para selecionar os entrevistados? Falta de titulo.”

A questão de mérito não será enfocada neste momento. Detenhamo-nos apenas na continuidade da agressão à língua portuguesa perpetrada por Leila da Silveira. A senhora avaliadora aparenta desconhecer a concordância do verbo “ser”: na frase em questão, estando o substantivo “critério” no plural seria imperativo que o verbo fosse conjugado no plural. A frase deveria ser assim formulada: “Quais serão os critérios”, ou se entendesse que o proponente deveria utilizar apenas um critério, aí então permaneceria o verbo ser no singular juntamente com critério. Nunca, jamais se utiliza “qual será os critérios” No entanto, o citado erro no uso do idioma, embora fira a gramática, não ataca a lógica elementar. Com algum esforço foi possível compreender o que a parecerista aparentemente pretendia dizer.

O mesmo lamentavelmente não se pode dizer da seguinte frase:

“O presente projeto apresenta não tem criatividade em seu trabalho.Apenas, entrevistas”.

Ou então esta:

“O presente projeto apresenta um custo de acordo com a realidade, não clareza nos objetivos, tem que explorar mais este lado criativo, o porponente esta hábito a aplicar este projeto, será descentralizado.”

A parecerista Camila afirma que “O projeto carece de criatividade, haja vista que não serão realizadas entrevistas para compor a obra, mas serão utilizadas  entrevistas já elaboradas e publicadas não apresentado nenhuma novidade, tão pouco criatividade”

No resumo de Camila:

“ O projeto não atende aos critérios de avaliação. Não foi apresentada contrapartida . As modificações que devem ser procedidas estão diretamente ligadas com o objeto, tal remendo não é aconselhável. Para tanto,não recomendo o projeto.”

Inicialmente detenhamo-nos no uso da expressão  “tão pouco criatividade“. Em vista das demais agressões ao idioma apontados anteriormente este poderia ser até considerado de menor potencial  ofensivo. Afinal, trata-se “apenas” da substituição da palavra tampouco pela expressão tão pouco. A falta de familiaridade com a língua gera esses problemas. Como existem semelhanças fonéticas, aqueles despreparados para o manuseio do português cometem esses erros.

Da mesma forma a substituição de “portanto” por “para tanto”, como fez a parecerista Camila no mesmo resumo.

O proponente é acadêmico de Letras. Está, portanto, habituado ao estudo das peculiaridades do uso da língua mãe, inclusive por parte de pessoas menos habituadas ao convívio com as letras. Mesmo assim, revelou-se incapaz de compreender o que a parecerista Leila pretendeu dizer nas frases supracitadas. Pensou, inclusive, em solicitar auxílio aos seus professores de lingüística e sintaxe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Lamentavelmente, as férias letivas impossibilitaram que pedisse  ajuda aos mestres. Tão logo inicie o ano letivo, entretanto, levará ao conhecimento dos mesmos os pareceres para que sejam alvo de cuidadosa análise por parte daqueles que prezam a língua e a literatura, como exemplo a não seguir.

Isto posto, cumpre ressaltar o seguinte: todos estamos sujeitos a cometer erros idiomáticos . O cidadão comum os comete diariamente, sem maiores prejuízos tanto a si quantos aos outros. Entretanto, em se tratando daqueles que exercem função pública de avaliação de projeto literário, é imperativo que tenham conhecimento esmerado da língua, pois suas responsabilidades são incomparavelmente mais pesadas.  Quem não maneja bem a língua talvez não a compreenda bem e assim não terá alcance para julgar obras. Mas em Canoas julgaram, e a análise da avaliação de mérito indicará que julgaram de forma inaceitável.

II – a

Descumprimento por parte da comissão do que prevê o edital 015-10

O artigo 8.1 do edital 015-10 estabelece que a comissão deverá pautar-se nos seguintes requisitos para análise e avaliação dos projetos culturais:

a) aspectos orçamentários do projeto, pela relação custo-benefício;

b) retorno de interesse público; – ignorado pela comissão

c) clareza e coerência nos objetivos;

d) criatividade;

e) Importância para o Município;    – ignorado pela comissão

f) descentralização cultural;

g) valorização da memória histórica da cidade;   – ignorado pela comissão

h) princípio de equidade entre as diversas áreas culturais possíveis de serem incentivadas; - ignorado pela comissão

i) princípio de não aceitação de pluralidade de projetos; – ignorado pela comissão

j) capacidade executiva do proponente  a ser aferido na análise de seu currículo.

O artigo 8.1, frise-se, é imperativo.

Desconhecemos as razões pelas quais um projeto que tem, como uma de suas maiores justificativas de realização, a valorização da memória histórica da cidade, como está bem expresso nos objetivos e na introdução da obra ,não tenha esse requisito sido avaliado, bem como outros ali presentes.


ANÁLISE DAS AVALIAÇÕES DE  MÉRITO


Vejamos, então, um a um, o constante nos pareceres de Leila da Silveira, Camila Mousquer Buralde e Lígia B. Fensterseifer, que integram a comissão de avaliação. Salientamos que os mesmos serão reproduzidos exatamente como foram escritos, sendo que as eventuais incorreções gramaticais são de responsabilidade de seus signatários.

a) ASPECTOS ORÇAMENTARIOS

-Leila Silveira

 

“O presente projeto custode  acordo com realidade do mercado. Nota 6”

Por que nota 6? A frase (extremamente mal elaborada) da avaliadora leva a supor que entendeu ter o projeto uma relação positiva de custo-benefício, estando de acordo com o valor praticado no mercado. Mas, apesar disso, confere a Celso Augusto Uequed Pitol a nota 6. Ou seja, entendeu que merecia desconto de 4 pontos na nota o projeto que, segundo entendimento da própria parecerista, estava de acordo com a realidade do mercado. O motivo do desconto é obscuro, o que leva a crer que foi realizado sem observância de nenhum critério objetivo, sendo expressa apenas a vontade livre e com oculta motivação da avaliadora.

 

-Camila Mousquer Buralde

“Analisando o valor unitário entende-se como plausíveis com os valores de mercado. Nota 10”

A avaliação de Camila Mousquer Buralde evidencia que os critérios não são objetivos. Para ela, estando o projeto de acordo com os valores de mercado, a nota é 10. Para Leila, isso leva a conferir nota 6. As notas não têm compromisso com a fundamentação.

 

-Lígia B. Fensterseifer

“O valor unitário dos livros está de acordo como valor praticado no mercado- – Nota 8”

Já a parecerista  Lígia, seguindo a linha de incoerência no critério de avaliação, muito embora tenha, assim como as duas pareceristas anteriormente mencionadas, considerado que o projeto está de acordo com o valor praticado no mercado, retirou dois pontos do signatário, deixando-o com nota 8. Por quê? O que motiva a discrepância de notas ante exatamente a mesma observância, qual seja, o projeto ter valores condizentes com a realidade de mercado? Gera a dúvida sobre o que seria necessário para que as pareceristas Leila e Lígia confiram a nota máxima nesse quesito. Motivações ocultas, eis que a nota conferida ao recorrente não condiz com o que está expresso.

 

b) CLAREZA E COERÊNCIA DOS OBJETIVOS

 

Leila Silveira

“O presente projeto não tem com clareza os seus objetivo.  Nota 1.”

Bastaria ler o projeto para que qualquer pessoa que conheça medianamente a língua portuguesa entendesse seus objetivos. Afinal, no formulário da inscrição firmado pelo recorrente consta:

“Como objetivos do projeto:

Traçar um perfil de uma cidade a partir da vivência de seus habitantes.

Como justificativa do projeto:

A importância de termos o registro da passagem  e da opinião dos entrevistados sobre a cidade, que são, a um tempo, testemunhas de seu desenvolvimento e importantes atores deste mesmo desenvolvimento.”

“Como resultado previsto do projeto:

Através do registro das entrevistas, compor um painel da cidade através das muitas vozes que dela fazem parte, representadas pelos entrevistados.“

E mais, no texto de introdução da obra, que acompanhou a seleção de entrevistas, lemos o seguinte:

“Para quem não é canoense, este trecho do romance “Clarissa”, de Érico Veríssimo talvez nem chame a atenção:

“Clarissa saia todas as manhãs às sete para tomar o ônibus que a levava a Canoas. Já começava a gostar dos alunos. Canoas era bonita, com suas vivendas no meio de jardins verdes e floridos. Ouvia-se o canto dos passarinhos. Um silêncio fresco envolvia as casas, árvores e as criaturas.”

Para nós, porém, não pode deixar de chamar. Ao lermos a bela descrição do maior romancista gaúcho, ainda mais num momento em que Canoas nem sequer poderia ser chamada de cidade – o livro data de 1932, e a emancipação de Canoas, de 1939 – temos bons motivos para sentir orgulho.

O orgulho vem, porém, acompanhado de uma indagação: que cidade é esta? Onde estão os prédios, as ruas, o asfalto, o trem, as máquinas, os trabalhadores apressados? Onde está a poluição? Onde está a cidade que vemos, sentimos e enfrentamos todos os dias,  quase como uma inimiga que nos encara  assim que pomos os pés para fora de casa? Fica difícil reconhece-la. Ao fecharmos o livro e irmos à janela de nossas casas, procuramos em vão as “vivendas no meio de jardins verdes e floridos” e dificilmente ouviremos “o canto dos passarinhos” no meio da buzina dos automóveis, dos gritos dos vendedores, do clangor do trem ao chegar à estação.

Nós não a reconhecemos. Ao contrário do Érico Veríssimo de 1932, não vemos Canoas como uma cidade bonita.

E não somos só nos. Todos os nossos visitantes parecem ter idéia semelhante. É freqüente ouvi-los opinar sobre a pujança econômica da cidade, a sua vocação empreendedora, a força industrial e comercial do segundo maior PIB do Estado. Fazem, ocasionalmente, algum comentário sobre a falta de certos serviços, certas, opções, mas nem isso é especialmente marcante : a verdade é que, via de regra, quando falam de Canoas, até que falam bem. Mas também é verdade que ninguém diz que é bonita ou agradável. Não falam das nossas praças, do nosso verde, das nossas águas, das “vivendas no meio de jardins verdes” e do “canto dos passarinhos”. E não falam de seus habitantes. Não falam de nós. Ninguém fala de nós. Não há poeta nem cantor para os canoenses. Existimos apenas para, dia a dia, mês a mês, ano a ano, trabalhar incessantemente em nossas fábricas, em nossas casas de comércio, em nossas repartições públicas, em nossos escritórios,  em nossas praças, ruas e avenidas, para o bem da economia municipal,estadual e nacional. Canoas merece, como poucas cidades neste mundo, o título de cidade de trabalho, com todos os prós e contras que este título traz consigo.

Quem passa pela Praça da Emancipação, no centro da cidade, encontra uma enorme escultura de concreto. Ali vemos uma canoa e três homens: um deles tem um remo nas mãos, é alto e robusto; o outro, de cabeça baixa, segura uma espécie de pergaminho; e outro, atrás dos dois, aponta para a frente. Não é difícil reconhecer, ali, o trabalhador braçal, o intelectual e o líder. São, todos eles, canoenses.

O nosso livro tem como objetivo dar a conhecer todos estes homens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer Canoas por inteiro, na sua totalidade, para além dos estereótipos das primeiras vistas. Canoas é, sim, a cidade das máquinas, do comércio pujante, do barulho dos trens, do andar apressado, do trabalhador duro e rude e do empresário ainda mais duro e rude. É tudo isso.

Mas é, também, a cidade onde foram tomadas importantes decisões para a consecução do movimento das Diretas Já; é a cidade de conjuntos musicais conhecidos em todo o país; é a cidade onde escritores, cineastas, músicos, artistas plásticos e muitos outros encontram seu pouso e sua inspiração; é a cidade de esportistas que fazem jus a seu apelido de outrora, “Capital do Esporte”; e é a cidade, também, do trabalhador duro e rude que, nos horários curtos e rápidos de folga do labor cansativo, consegue ainda arranjar forças para pensar na comunidade, no próximo, no amigo, no irmão, no conterrâneo, em todos, em nós.

Todos os nossos entrevistados são, sem exceção, figuras destacadas em suas respectivas atividades e tornaram-se conhecidas pela importância do trabalho que desenvolveram. Ocuparam espaço em jornais, no rádio, na televisão, em tribunas e em palcos. Mas nem por isso deixam aquela atitude do trabalhador diário da escultura, seja no uso dos músculos, do cérebro ou da voz. E esta atitude, transposta para as mais diferentes atividades, nos mais diversos campos, é o que há de mais bonito nesta nossa terra rude e bruta, de comércio, de indústria, de ferro, madeira e fuligem.  Terra de trabalhadores. De canoenses.

A eles dedicamos este livro.

Impossível maior clareza de objetivos. A afirmativa de expressar que o projeto não tem clareza em seus objetivos é quase ofensiva ao recorrente.

 

- Camila Mousquer Buralde

“Analisando o Plano de Trabalho verifica-se que o mesmo não é claro e apresenta incoerências, dentre elas: critérios de escolha das entrevistas que serão inseridas na obra; proporcionalidade entre as mesmas;pertinência do conteúdo.Nota:2”

O parecer supracitado causa revolta. Inicialmente, pelo que parece, busca implementar uma forma de censura prévia, uma vez que critica o critério de escolha das entrevistas. Voltamos a 1968 e este recorrente não percebeu?

Ora, o critério de escolha é claro: pessoas que auxiliaram e auxiliam na construção da história da cidade. Da mesma forma, a proporcionalidade, mencionada pela parecerista, deve ser enxergada de forma relativa. Afinal, o tamanho da entrevista é proporcional ao que o entrevistado tem para contar.As estradas da vida são diferentes e de diferentes tamanhos; logo, o que as pessoas têm para contar têm, também, diferentes tamanhos.Mas os censores sempre foram assim. Vilipendiam obras com critérios obscuros e suprema arrogância.

Ao final, conclui a parecerista que as histórias de uma cidade, narradas por seu próprio povo quando conta sua própria história , não formam um conteúdo pertinente. Questiona, portanto, o recorrente:  o que seria um conteúdo pertinente?

Mesmo que eventualmente não compartilhasse a parecerista da escolha de algum dos entrevistados, mesmo que preferisse que alguns deles fossem relegados ao esquecimento, como muitas vezes os autoritários de plantão costumam fazer, isso não tira a pertinência do conteúdo. A história, meus amigos, se conta não apenas pela facção que eventualmente detém o poder. Ela ocorre com todos e deve ser registrada. A parecerista detém o poder  de barrar patrocínio a uma obra, e o exerce pretendendo promover a volta da censura.

 

- Lígia B. Fensterseifer

“Traçar o perfil da cidade, proposto no objetivo do projeto, é duvidoso, pois a escolha dos entrevistados e suas opiniões representa que parcela da população? As perguntas aos entrevistados não são direcionadas a questões específicas do município de Canoas”      -Nota 2

O parecer acima transcrito evidencia que faltou à parecerista alcance de análise da proposta do recorrente. Ao que tudo indica, imaginou, ao ler que um dos objetivos do projeto seria “traçar o perfil da cidade”, que o recorrente faria algo similar a uma pesquisa, para fins de estatística. Isso resta claro na observação acerca da parcela da população correspondente aos entrevistados, bem como no que diz respeito às perguntas que, segundo a  parecerista, não são direcionadas a questões específicas do Município.

Trata-se, claramente, de falha de interpretação. Nunca foi objetivo do projeto fazer pesquisa com a população, para fins estatísticos, acerca de questões do Município.

Não ousa o recorrente imaginar quer a parecerista pretendesse que o livro retratasse “guetos”, o que um desavisado leitor de seu parecer poderia imaginar. A população não está dividida em “parcelas” na obra. Os canoenses foram  entrevistados sem esse critério discriminatório. Na apresentação do projeto, o recorrente deixou claro que seriam entrevistadas pessoas de diversas áreas de atuação, o que significa dizer-se que não haveria exclusão por diferenças ideológicas, classe social, raça, sexo,ou qualquer outra. Apenas canoenses, contando através de suas histórias, a História de sua cidade, sem que alguns sejam considerados “mais iguais do que os outros”.

Mesmo que eventualmente não compartilhasse da escolha de algum dos entrevistados, mesmo que preferisse que alguns deles fossem relegados ao esquecimento, como muita vezes os autoritários de plantão costumam fazer, isso não é aceito no Brasil de hoje, com a  democracia que este recorrente tem a sorte de usufruir pela luta dos que a conquistaram.  Como dissemos antes: a História se conta não apenas pela facção que eventualmente detém o poder. Ela ocorre com todos e deve ser registrada. A parecerista detém  o poder  de barrar patrocínio a uma obra e exerce este poder pretendendo promover a volta da censura.

 

c) CRIATIVIDADE

 

Leila da Silveira

“O presente projeto apresenta não tem criatividade em seu trabalho. Apenas, entrevistas. A pergunta é: O que pretende com estas entrevistas? Qual será os critérios para selecionar os entrevistados? Falta de título.”

Foi com esforço hercúleo que o recorrente leu o parecer.

A vontade de que a volta da censura ocorra no Brasil é manifesta novamente. Além disso, cumpre indagar-se o que entende a parecerista por criatividade. Escolher entrevistados, elaborar perguntas pertinentes para cada um deles e fazer a relação deles com a cidade implica em criatividade. Importante ressaltar que o edital não exigia dos participantes que apresentassem obra de ficção. Se o fato de o  projeto conter “apenas, entrevistas” lhe tira a criatividade, isso leva a crer que, para que ela exista,  no mesmo deveria conter relatos ficcionais, restringindo enormemente o cabedal de projetos a serem estimulados pelo Município de Canoas. Ficariam de fora na análise da Comissão, apenas para exemplificar, obras como o “Poder do Mito”, de Joseph Campbell , eis que ali constam “apenas” entrevistas.

O que pretende está claramente expresso nos objetivos como explicado acima, mas repetido novamente neste momento:

Anexo I do formulário de inscrição:

“Como objetivos do projeto:

Traçar um perfil de uma cidade a partir da vivência de seus habitantes.

Como justificativa do projeto:

A importância de termos o registro da passagem  e da opinião dos entrevistados sobre a cidade, que são, a um tempo, testemunhas de seu desenvolvimento e importantes atores deste mesmo desenvolvimento.

Como resultado previsto do projeto:

Através do registro das entrevistas, compor um painel da cidade através das muitas vozes que dela fazem parte, representadas pelos entrevistados.  “

E mais, no texto de introdução que acompanhou a seleção de entrevistas é afirmado:

O nosso livro tem como objetivo dar a conhecer todos estes homens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer Canoas por inteiro, na sua totalidade, para além dos estereótipos das primeiras vistas. Canoas é, sim, a cidade das máquinas, do comércio pujante, do barulho dos trens, do andar apressado, do trabalhador duro e rude e do empresário ainda mais duro e rude. É tudo isso.

Mas é, também, a cidade onde foram tomadas importantes decisões para a consecução do movimento das Diretas Já; é a cidade de conjuntos musicais conhecidos em todo o país; é a cidade onde escritores, cineastas, músicos, artistas plásticos e muitos outros encontram seu pouso e sua inspiração; é a cidade de esportistas que fazem jus a seu apelido de outrora, “Capital do Esporte”; e é a cidade, também, do trabalhador duro e rude que, nos horários curtos e rápidos de folga do labor cansativo, consegue ainda arranjar forças para pensar na comunidade, no próximo, no amigo, no irmão, no conterrâneo, em todos, em nós.

Todos os nossos entrevistados são, sem exceção, figuras destacadas em suas respectivas atividades e tornaram-se conhecidas pela importância do trabalho que desenvolveram. Ocuparam espaço em jornais, no rádio, na televisão, em tribunas e em palcos. Mas nem por isso deixam aquela atitude do trabalhador diário da escultura, seja no uso dos músculos, do cérebro ou da voz. E esta atitude, transposta para as mais diferentes atividades, nos mais diversos campos, é o que há de mais bonito nesta nossa terra rude e bruta, de comércio, de indústria, de ferro, madeira e fuligem.  Terra de trabalhadores. De canoenses.

A eles dedicamos este livro.”

O esquecimento da  falta de título seria facilmente sanável.

 

-Camila Mousquer Buralde- nota zero

“O projeto carece de criatividade, haja vista que  não serão realizada entrevistas para compor a obra,mas serão utilizadas entrevistas já elaboradas e publicadas, não apresentando nenhuma novidade, tão pouco criatividade.Nota:zero”

O que entende a parecerista por criatividade? Busquemos um conceito no mestre Aurélio Buarque de Holanda, de um dos ramos mais estreitamente ligados á cultura nesse país e parente da atual ministra da Cultura, figura, portanto, altamente qualificada para nos auxiliar na busca do sentido da palavra:

Segundo o mestre, “criatividade”, significa capacidade criadora; engenho, inventividade.

Justifica Camila Mousquer Buralde que o fato das entrevistas constantes do projeto terem sido anteriormente publicadas, como de fato foram, no semanário O Timoneiro, tira caráter de criatividade do projeto. Não é demais ressaltar que as entrevistas foram realizadas pelo recorrente e não por outra pessoa, como a afirmativa constante da decisão de Camila pode levar a crer. As entrevistas são elaboradas pelo recorrente e foram selecionadas dentre as publicadas no espaço que o jornal O Timoneiro lhe disponibilizou.

Talvez Camila confunda ineditismo com criatividade. No entanto o edital não impede que entrevistas sejam objeto de um livro. E o fato de terem sido publicadas anteriormente não torna o projeto menos criativo.

 

- Lígia B. Fensterseifer

“O proponente atua como entrevistador no jornal onde trabalha, não diferenciando seu trabalho da proposta do livro, que busca fazer uma coletânea de entrevistas. Nota 4”

Talvez a parecerista devesse explicar de que maneira o fato de o recorrente exercer a função de entrevistador no jornal O Timoneiro retira de seu trabalho o caráter de criatividade. Ignora ou demonstra ignorar que a realização de uma entrevista exige prévia escolha de temas, habilidade na condução, timing, capacidade de extrair o máximo do entrevistado e outras características que poderiam perfeitamente entrar no conceito de criatividade.

Também deveria explicar o que há de desabonatório no trabalho do proponente, que macula de maneira indelével seu projeto. O que importa que publique entrevistas em O Timoneiro e pretenda fazer uma coletânea?

 

d) CAPACIDADE EXECUTIVA DO PROPONENTE

 

-Leila Silveira

“O presente projeto apresenta o proponente sendo uma pessoa hábita a fazer este trabalho. Nota 5

A inquiração do sentido da palavra “habita” foi realizada em tópico anterior. Não voltaremos ao  assunto, verdadeiramente constrangedor para a cultura da cidade. Porém, não resistimos a  indagar se a palavra “habita” tem mesmo algum significado negativo, pois somente isso justificaria a nota cinco atribuída ao ora proponente pela parecerista. Afinal se “habita” significa “apta” a nota deveria ser 10. No entanto, como lhe foi conferida nota 5, imagina que talvez “habita” tenha outro significado e, diante disso, solicita que lhe seja elucidada a dúvida.

 

-Camila Mousquer Buralde

“Pelas informações prestadas, o proponente apresenta capacidade executiva.Nota 10”

Afirmativa positiva leva a nota máxima. Tem capacidade, recebe nota 10.Talvez hábita realmente tenha um significado negativo que este reles formando em Letras não conheça.

 

-Lígia B. Fensterseifer

“O proponente apresenta condições de executar o projeto, caso seja contemplado, embora não tenha nenhuma proposta de contrapartida prevista em seu projeto.”Nota 5

Não é demais ressaltar que o item 8.1 do edital 015/10 em sua alínea “j” preceitua que “A Comissão de Análise de Projetos Culturais – CAPC observará as condições estipuladas neste Edital devendo pautar-se, para análise e avaliação dos projetos culturais, nos seguintes requisitos:

j) capacidade executiva do proponente  a ser aferido na análise de seu currículo.  “

Se o currículo do proponente indica que ele tem capacidade executiva, e isto é expresso pela parecerista, a nota terá de ser 10. Qualquer outra nota indicaria intenção de afetar a reputação do proponente. Esse requisito não prevê análise de contrapartida e sim aferição do currículo do proponente. Quem recebe nota cinco pelo seu currículo tem abalo em sua reputação.

No entanto, não evitará enfrentar o tema da contrapartida. O edital 015/10 expressa em seu artigo 13.1

A contrapartida referida na Lei 5012/005 deverá ser realizada através de cota social. No caso do projeto de incentivo resultar em obra de arte de caráter permanente, como CD’s, livros, filmes,  vídeos ou outros, o retorno mencionado consistirá em doação de parcela de edição de um percentual  de 10% ao acervo municipal para uso público.

Ora, ao firmar o requerimento, o proponente aceitou os termos do edital e, portanto, comprometeu-se a entregar 10% da obra ao  acervo municipal. Por isso, desnecessário que reiterasse o compromisso ao preencher o formulário. A contrapartida já estava assegurada quando firmou sua inscrição. Não era questão de proposta, como colocado pela parecerista, e sim obrigação derivada da aceitação dos termos do edital 015/10, conforme o previsto em seu artigo 14.2.

A inscrição do candidato implicará na aceitação das normas e condições estabelecidas neste Edital, em relação às quais não  poderá alegar desconhecimento.

 

e) DESCENTRALIZAÇÃO CULTURAL

 

-Leila Silveira

“O presente projeto terá como foco público alvo geral”. Nota 6

Não focaremos a evidente falta de sentido da frase.

Tentaremos interpretar o parecer. Parece-nos que a senhora Leila entende, ao fazer uma constatação não valorativa, que isso deprecia o projeto. Constata que o projeto terá como foco o público em geral e atribui a nota 6. Significa dizer que ousar apresentar um projeto tendo como foco a população como um todo é um demérito para a comissão da Secretaria de Cultura do Município de Canoas. Devemos entender que o projeto deveria ser direcionado a guetos culturais ou de outra natureza?

 

-Camila Mousquer Buralde

“Este tópico não é contemplado pelo projeto apresentado.”. Nota zero

 

- Lígia Fensterseifer

“Não contempla este critério” – nota zero

Tendo em vista o zero retumbante, escrito em gordas letras, que segue uma seca e direta afirmativa de que o tópico simplesmente não é contemplado no projeto, não podemos nos esquivar a indagar o que seria, ao fim e ao cabo, a descentralização cultural. Afinal, este tópico, segundo Camila Mousquer Buralde não está presente no projeto apresentado. Por outro lado, como vimos acima, Leila da Silveira entendeu que o projeto é descentralizado, enfatizando este dado no resumo da avaliação (“será descentralizado”).

Se por descentralização cultural entendem as avaliadoras Camila e Lígia como sendo a presença, dentro do projeto, dos mais diferentes estratos da sociedade canoense, não podemos ver como não esteja este tópico contemplado . Afinal de contas, estão ali pessoas de todas as classes sociais da cidade e de todos os cantos do município. Estão ali desde esportistas, estudantes, músicos até políticos, escritores, jornalistas, enfim, todos os estratos da sociedade canoense. Não é, de modo algum, um projeto “centralizado” no que quer que seja. Aliás, poderíamos dizer que é difícil imaginar um projeto tão descentralizado quanto este.

Assim sendo requer REVISÃO da avaliação de mérito, que decidiu pela não-contemplação de seu projeto no Programa de Incentivo a Cultura 2010, eis que as razões expostas evidenciam de forma cabal o equívoco da decisão.

Termos em que,

Pede e espera deferimento

Canoas, 10 de março de 2011

Celso Augusto Uequed Pitol

Não termina aí a história

. Esperou pacientemente o julgamento de seu recurso. No dia 21 de março,  através de contato telefônico para a Secretaria Municipal de Cultura  foi informado de que a Comissão  mantivera sua posição contrária ao seu projeto sob fundamento em que o recurso fora intempestivo. Para cientificar-lhe da decisão, foi-lhe entregue uma folha de papel A4, sem timbre,  com um texto digitado e três rubricas.

 

 

O título do texto é significativo do descaso para com o cidadão que ousou apresentar um projeto literário.

“Parecer da Comissão sobre o recurso apresentado…………..”

Qual Comissão? Sequer constam os nomes de seus integrantes naquele pedaço de papel, que também não identifica sua procedência. Poderia ter sido digitado em qualquer lugar, por qualquer pessoa, pois nada o vincula com a Secretaria de Cultura de Canoas.

E prossegue nos seguintes termos:

“Esta Comissão deixa de analisar o mérito do presente recurso, haja vista o mesmo ser intempestivo, pois a publicação do resultado final dos contemplados, conforme estabelecido no item 9.3 do referido Edital, foi publicado no site eletrônico da Prefeitura Municipal (www.canoas.rs.gov.br)”

Ignoremos o óbvio problema de concordância (irrelevante, diante da torrente de outros problemas gramaticais existentes) e sigamos em frente.

O recurso já havia tratado longamente do tema “tempestividade”, invocado como argumento central para a “Comissão” não recebê-lo. Não trataremos disso agora porque não é foco desta postagem discutir interpretação de texto legal. O foco dessa postagem é tratar do absurdo que é uma comissão para avaliar projetos culturais ser  constituída por pessoas com pouco ou nenhum domínio daquilo que mais identifica uma cultura, isto é, o idioma. Não se concebe, em hipótese alguma, que alguém possa se dizer habilitado a julgar uma produção literária, por exemplo, sem conhecer, e bem, o idioma em que ela foi escrita. Não se exige, naturalmente, que a comissão seja constituída de filólogos renomados, estudiosos profundos da língua e de seu uso. O que se exige aqui é simplesmente o básico: que as pessoas saibam escrever minimamente bem. Não como um grande estilista do idioma ou como um candidato ao Nobel: minimamente bem. Com capacidades mínimas de organização mental e respeito à normas gramaticais. E a resposta ao recurso, sem nenhuma observância de requisitos mínimos que deve conter um documento oficial é apenas consequência da falta de respeito já demonstrada quando da análise do trabalho.

O cidadão é desrespeitado duas vezes: em primeiro lugar, vê um trabalho realizado com esmero ser avaliado por quem visivelmente não está apto a fazê-lo. Em segundo lugar, quando, inconformado com esta decisão, elabora cuidadosamente recurso bem fundamentado e recebe como resposta um parecer a rigor anônimo, de uma vaga “Comissão” que parece não querer ousar dizer seu nome.

Foi, e continua sendo, uma tarefa hercúlea trabalhar com cultura em Canoas. Torna-se difícil tentar apagar um estereótipo  quando o próprio poder público, através dos órgãos aos quais delega a função de cuidar da cultura, faz de tudo para que se perpetue.

 

 

março 29, 2011 Posted by | Geral | 4 Comentários

Post privativo para elurófilos

Fonte

março 27, 2011 Posted by | Geral | 1 comentário

Hora do planeta – 26/03/2011, 20:30 às 21: 30

 

No sábado, 26 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta.  O objetivo é mostrar aos líderes mundiais a preocupação com o aquecimento global.

A Hora do Planeta começou em 2007, em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades aderiram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma, a Times Square, em Nova York, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Congresso Nacional, em Brasília, ficaram uma hora no escuro.

Porto Alegre irá comemorar seus 239 anos integrando-se a uma ação ambiental de repercussão mundial. Às 20h30 do próximo sábado, 26, dia do Baile da Cidade, as luzes do Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha, serão desligadas.

Comojá se sabe, a Hora do Planeta é um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população demonstram a sua preocupação com o aquecimento global, apagando as suas luzes durante sessenta minutos.

O próximo passo é espalhar a mensagem da Hora do Planeta para o maior número possível de pessoas. Convide familiares, amigos, colegas e membros da sua comunidade para participarem também!

 

 

http://www.horadoplaneta.org.br/

março 26, 2011 Posted by | Ecologia | Deixe um comentário

Parabéns Porto Alegre! 239 anos!

O vídeo abaixo, mais uma bem sucedida campanha publicitária da Companhia Zaffari de Supermercados, expressa com perfeição o amor que os componentes deste blog têm pela nossa Capital.

Porto Alegre realmente é demais  e com certeza é a cidade que tem a música mais bonita em sua homenagem.

março 26, 2011 Posted by | Geral | 2 Comentários

Descanse em paz, Liz Taylor

Faleceu hoje, 23/03/2011, a lendária atriz Elizabeth Taylor. A estrela estava internada há 6 semanas no hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, e a causa do falecimento ainda não foi divulgada.

Seria repetitivo fazer um breve relato bibliográfico de Liz Taylor, falando de seus casamentos e sua vida pessoal. Nós do blog Perspectiva, fãs ardorosos da atriz, preferimos prestar aqui nossa homenagem, montando, para tanto, nosso Top 3 Liz Taylor:

3. Um lugar ao sol -


O filme engana no início, parece que se transformará em um romance comum. Porém, a medida em que evolui, ganha em tensão e dramaticidade. Montgomery Clift, no auge, contracenou com Liz Taylor nesta obra prima.
2.Gata em teto de zinco quente -


Paul Newman e Elizabeth Taylor, cada um em sua melhor forma, nesse filme fantástico baseado em peça de Tennessee Williams.
1. Assim caminha a humanidade -


O nosso favorito. O filme conta com mais de três horas de duração e nunca se torna cansativo, o que não é surpresa a partir do momento em que o elenco contava com  Elizabeth Taylor, James Dean e Rock Hudson.

Descanse em paz, Liz Taylor.

março 23, 2011 Posted by | Arte, Cinema | Deixe um comentário

Projeto de vereador de Porto Alegre visa evitar constrangimento a clientes de bancos

O vereador Bernardino Vendruscolo  ingressou com projeto de lei a fim de obrigar as instituições bancárias de Porto Alegre a destinarem armários guarda-volumes com chaves individualizadas para utilização do público, antes da porta giratória detectora de metal.

Pela relevância da iniciativa, visto ser altamente constrangedor ter de submeter-se a revista de bolsas nas portas giratórias , reproduzimos aqui o texto do projeto.

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

O presente projeto de lei tem como objeto disponibilizar armários guarda-volumes com chaves individualizadas para os usuários de serviços bancários nas agências localizadas no município de Porto Alegre.

Esta é uma matéria de relevante interesse da coletividade, pois no dia-a-dia observa-se que as portas detectoras de metais localizadas nas agências bancárias, as quais foram ali colocadas para garantir a segurança dos funcionários, dos usuários e do patrimônio, seguidamente são causas de inconvenientes e constrangimentos às pessoas que são obrigadas a esvaziar bolsos, bolsas e sacolas de todo o seu conteúdo. Motivo pelo qual é comum presenciarmos discussões entre clientes e seguranças, decorrentes dos tais incidentes.

Para evitar a ocorrência cotidiana de cenas que constrangem os usuários de serviços bancários, estamos propondo o presente projeto de lei para obrigar as agências bancárias a colocarem a disposição do público freqüentador armários guarda-volumes com chaves individualizadas de modo a permitir que o cliente possa adentrar a agência, sem os transtornos provocados pelos sensores da porta eletrônica e também para garantir a privacidade de cidadãos e cidadãs, os quais, querendo, não precisarão mais depositar seus pertences pessoais em caixas coletoras coletivas.

Esses equipamentos deverão estar instalados antes da porta giratória para que possam acomodar valises de toda espécie e outros volumes, como por exemplo, o capacete dos motoqueiros, antes de passar pela porta giratória e detectora de metais, bem como a mulher que, especialmente tem o incomodo de ter que esvaziar suas bolsas por carregarem um grande numero de objetos.

O projeto de lei em tela não pretende abolir as portas detectoras de metais, bem ao contrário, reconhecemos sua importância para a segurança de funcionários e usuários. Todavia, não se pode deixar de reconhecer que as mesmas são causadoras de constrangimento aos usuários das agências e, por conseguinte aos agentes de segurança. Nesse sentido, o presente projeto de lei oportunizará ao usuário a opção de adentrar a agência bancária sem precisar expor seus objetos pessoais.


março 21, 2011 Posted by | Política | Deixe um comentário

Déjà vu

2011


O Brasil era o país do futuro. Agora, o futuro chegou.

 

Anos 60

 

 

Propaganda do governo militar na década de 60

Fonte: Nosso Século

 

 

março 21, 2011 Posted by | Política | Deixe um comentário

Weber economista

 

 

A série de conferências “Linhas gerais de História Social e Econômica do Mundo foi o último curso que Max Weber pôde ministrar do início ao fim. A Gripe Espanhola, o grande flagelo daqueles dias, viria a matá-lo pouco tempo depois do fim das aulas, em 1920, interrompendo aos 56 anos uma brilhante carreira de intelectual e líder político. Segundo dizem, Weber deu aquele curso sob insistência de seus estudantes: não se considerava um especialista em história econômica e teria até mesmo proibido sua esposa, Marianne, de publicar qualquer trabalho seu sobre o tema, pois os julgava cheios de erros e carentes do devido rigor científico. Se esta história é verdadeira, então podemos agradecer a Marianne por ter desobedecido ao marido e coligido as notas de aula dos alunos de Weber, as quais, organizadas e acrescidas de algumas anotações do próprio Weber, deram origem a História Geral da Economia (Centauro Editora, 336 páginas, tradução de Klaus Von Puschen).

Se analisarmos a obra com o rigor que Weber gostaria de ver empregue, seremos obrigados a dar-lhe certa razão. Há mesmo um ou outro ponto em História Geral da Economia que chamará a atenção de especialistas, como o uso do termo “feudal” para definir o processo de colonização da América Latina, algo sobremaneira discutível quando se tem em mente que mundo ibérico não conheceu o feudalismo. Contudo, a grandeza deste pequeno livro não está nos detalhes, e sim na abordagem generalista que o próprio titulo sugere: como bom representante do historicismo alemão, Weber vê a economia dentro do quadro geral da cultura, não como um “eflúvio, uma simples função daquela”, mas sim como “uma subestrutura, sem cujo conhecimento não se pode imaginar, certamente, uma investigação fecunda de qualquer dos grandes ramos da cultura”. Evita, assim, o determinismo e o monocausalismo, verdadeiras doenças intelectuais que já existiam em sua época e contra as quais sempre se opôs.

 

Onde encontrar:

www.centauroeditora.com.br

(11) 39762399

 

 

março 20, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Até quando, Renato?

- Até quando a escalação de Gílson (mais conhecido como HORROR)?
- Até quando a crença de que Jr. Viçosa e Clementino têm condições de vestir a camiseta do Grêmio?
- Até quando a substituição de “qualquer um menos Gílson” por Bruno Collaço, com a única finalidade de ajudar o furo do time (Gílson)? Sim, o Grêmio é a única equipe no mundo que, ao invés de tirar o furo do time de campo, substitui outro, para colocar alguém que ajude o furo do time.

Ontem o Grêmio contou com nada menos do que TRÊS laterais-esquerdo de origem durante a partida e, pasmem, mesmo assim os ataques do perigosíssimo León ocorriam, ora vejam, pelo lado esquerdo da defesa do Grêmio, curiosamente o lado de Gílson, o lateral que não ataca e nem defende, que chega na linha de fundo e cruza para as arquibancadas, que não consegue ganhar uma sequer contra o ataque adversário.

E digo mais, não é louvável coisa nenhuma fazer substituições aos 15, aos 20 minutos de jogo em todas as partidas, sob a desculpa do “estou sendo corajoso e mudo mesmo, não espero o intervalo”. Quem, todo jogo, muda antes mesmo da metade da etapa inicial, o faz porque vem escalando mal, e só por isso.

Está beirando ao insuportável assistir aos jogos do Grêmio.

março 18, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

BBC anuncia a morte de Hitler

Destaque para o badalar dos sinos de Westminster no início do programa e a chamada “This is London Calling”, que abria os programas da BBC para fora do Reino Unido.

março 18, 2011 Posted by | Mundo pop | Deixe um comentário

Carnaval em Artigas/Uruguai

 


Rafael Cardozo  nasceu  no Uruguai, mais especificamente em Artigas, mora em Canoas/RS  e contribui por sua vinculação com  ações que visem o bem comum com a amizade entre os dois povos vizinhos. Este Uruguaio/brasileiro nos enviou uma notícia sobre a presença de um grupo de brasileiros no carnaval de Artigas que temos imenso prazer em  disponibilizar aos nossos leitores. 

*O texto é de autoria de sua filha Valéria Cardozo França.

Para quem pensa que carnaval é coisa de brasileiro está enganado. As cidades vizinhas ao nosso país com o passar dos anos estão aprendendo um pouco mais do nosso samba no pé. O que é o caso de Artigas, cidade uruguaia que faz fronteira com Quaraí. O carnaval de lá começa com a tradicional festa a fantasia e termina com o desfile das quatro melhores escolas de samba na Avenida principal.

O sucesso do carnaval da cidade de Artigas é tão grande que alguns canoenses aproveitaram os dias de folias no carnaval deste ano.




Bruno Barcelos, Diego Fernandes, Lilián França, Luciano Klein, Rafael Cardozo e Valeria Cardozo França garantem que voltam no próximo ano porque lá a folia é garantida.

 

 

março 16, 2011 Posted by | Sem categoria | 3 Comentários

A obra de Max Weber, por Otto Maria Carpeaux

No Instituto de Sociologia da Universidade de Munique acaba de ser inaugurado o Arquivo Max Weber, em que, além de documentos e manuscritos, serão conservados os livros e estudos que se escreveram sobre o grande erudito: até agora, aproximadamente, 3.500. Um orgão tão responsavel e tão insular como o “Times Literary Supplement” chamou-o, há pouco, de “a maior figura da sociologia do seculo XX”. Raymond Aron e Lorenzo Giusso dedicaram-lhe livros. O Fundo de Cultura Economica divulgou-lhe as obras no mundo de linguas ibericas. No Brasil, toda pessoa medianamente culta conhece o nome de Max Weber, pelo menos aqueles estudos que fundaram uma nova disciplina cientifica: estudando a influencia da ética protestante ou, mais exatamente, da ética calvinista sobre a formação da mentalidade capitalista, essa tese, embora muito discutida, é sua maior gloria e é o grande desmentido contra a idolatria da especialização: pois nunca teria nascido, se o economista e sociologo Weber, no ambiente estreito de uma cidadezinha universitaria alemã, não tivesse frequentado seus colegas da Faculdade de Teologia que ensinavam e estudavam a historia moderna da Igreja.

Mas tudo que Weber escreveu, continha germes e sugestões para outros estudos, de importancia muito grande, sempre maior do que aparentavam ser os assuntos. Seu primeiro trabalho, de 1891, sobre a historia da estrutura agraria do antigo Imperio Romano, esclareceu o papel historico do latifundio. Conquistou a catedra em Friburg com um estudo sobre a situação dos trabalhadores rurais na Alemanha oriental, então dominada pelos “junkers” prussianos. Combinou, em 1903, os dois assuntos, escrevendo um famoso verbete de enciclopedia sobre “Estrutura agraria na Antiguidade”, responsabilizando o latifundio pelo declinio e pela catastrofe da civilização antiga, terminando com uma sombria perspectiva para o futuro da Prussia latifundiaria de 1908. Também foi Weber o unico sociologo ocidental que se dignou de estudar a revolução russa de 1905: todo o mundo considerava-a então como a derrota de uma revolução socialista; mas o professor de Freiburg explicou-a como o fracasso de uma revolução burguesa, acreditando que esse fracasso causaria a transição direta da Russia, do feudalismo ao socialismo, sem fase burguesa.

Durante a primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918, estendeu Weber seus estudos sobre sociologia da religião ao mundo não-cristão. Escreveu sobre religião e sociologia do Islão, da China e do judaismo; mas, sobretudo, os famosos artigos sobre Amos, Hosea, Isaías, Jeremias, os profetas do judaismo antigo. Até então, esses profetas eram considerados como individualistas religiosos, que libertaram o judaismo do monopolio dos sacerdotes do Templo, preparando a transformação da religião nacional dos hebreus em religião nacional dos hebreus em religião universal. Mas Weber demonstrou que os profetas não pensavam na salvação individual das almas, e, sim, na salvação da nação ameaçada. Lutaram contra a burocracia do templo e contra a monarquia, já de prestigio decadente, para que a nação sobrevivesse às suas instituições obsoletas. – Foram estas as ultimas pedras para o grandioso monumento científico que Weber deixou. Depois da catastrofe de 1918, já professor em Munique, dedicou-se, episodicamente, a atividades politicas, contribuindo para o estabelecimento do parlamentarismo na Republica de Weimar. A morte prematura, em 1920, poupou-lhe amargas decepções.

Ainda não se aludiu, nestas linhas, à idéia determinante de Weber, quase um princípio de filosofia da história moderna: esta é caracterizada pela progressiva racionalização de todos os setores da vida. O Estado e o pensamento politico, a Administração e a Justiça, o Direito e as teorias e praticas economicas libertam-se, há 5 ou mesmo 6 seculos, cada vez mais, de mitologias, filosofemas, tabus de toda a especie, para reconhecer como supremo criterio só a eficiencia: é a racionalização da vida ocidental. O mesmo “trend” verifica-se na evolução das ciencias, pela exclusão gradual dos julgamentos de valor, oriundos de preconceitos tradicionais ou de fonte emocional. O testamento de Weber são as duas grandes conferencias muniquenses de 1920, “Politica e profissão” e “Ciencia como profissão”, nas quais proclamou a objetividade total da ciencia e, portanto, sua independencia da politica que, por difinição, nunca pôde ser objetiva. Os valores, sendo elementos subjetivos, não devem entrar no estudo cientifico de problemas nem nos seus resultados. Mas Weber sabe que os valores subjetivos aceitos pelo estudioso têm determinada função psicologica: são eles que inspiram ao pesquisador a escolha dos seus temas. Têm função seletiva. Essa tese autoriza a pergunta seguinte: – quais foram os valores subjetivos que determinaram, para Max Weber, a seleção dos seus temas de estudo? Em toda a imensa bibliografia sobre o sociologo, só duas vezes – por Christoph Steding (1832) e por Wolfgang Mommsen (1959) – foi levantada aquela pergunta. Responderam, partindo de pontos de vista muito diferentes, chegando no entanto ao mesmo resultado: foram valores da vida politica; daquela politica que Weber quis tão radicalmente excluir da ciencia objetiva.

Filho da burguesia capitalista e industrial da Renania, e dedicando-se, como especialista, ao estado de problemas economicos, seria de supor-se que estes monopolizassem a atenção de Weber. Mas não aconteceu assim. Na mocidade recusou os mais vantajosos convites para entrar na direção de grandes trustes; mais, dos estudos especificamente economicos.

A inedita relação que Weber conseguiu estabelecer entre os ensinamentos morais do protestantismo calvinista e o estilo de vida do capitalismo, manda pensar em inspiração religiosa, talvez subconsciente; pois Weber era livre-pensador, descrente, mas filho de gerações de burgueses calvinistas. Mas a analise das suas reações revela logo que a inspiração não era de natureza religiosa e, sim, politica.

A burguesia calvinista renana, que tinha construido a grande industria da Alemanha ocidental é pequena minoria num país meio luterano e meio catolico. Seu destino foi o caso extremo do destino da burguesia alemã do seculo XIX em geral: ficou com liberdade para fazer seus grandes negocios, mas também ficou excluida da direção politica do país, confiada no rei da Prussia, quase absoluto, aos seus aristocratas prussianos, aos seus oficiais aristocraticos, à sua burocracia de juristas. Não foi possível organizar uma oposição eficiente. Os catolicos alemães, no seculo XIX, fecharam-se num “ghetto”, não querendo participar de uma civilização predominantemente protestante. O luteranismo retirou-se para a pequena burguesia e para o Leste agrario, pois a etica luterana paternalista, é incompativel com a grande industria e com a comercialização; o estudo da diferença essencial entre essa etica e a do calvinismo é mesmo um dos meritos de Weber e do seu amigo Troeltsch. O proletariado? Como filho da grande burguesia industrial, Weber se preocupa mais com os sofrimentos dos trabalhadores rurais do que com as esperanças dos trabalhadores urbanos. Seu grande trabalho sobre a influencia da etica calvinista na mentalidade capitalista é vigoroso desmentido ao materialismo historico que explicara, ao contrario, pelo capitalismo as mudanças da mentalidade religiosa; o proprio Weber definiu esse seu trabalho como exemplo de “antimarxismo positivo”; naturalmente num outro nivel do que a antimarxismo barato e ignorante dos maccarthystas de hoje. Weber só quis demonstrar que “o espirito é mais poderoso que a natureza” (inclusive as forças inconscientes da economia). Nesse sentido, o trabalho de Weber sobre etica calvinista e mentalidade capitalista é o ato pelo qual a burguesia alemã conquistou a consciencia das suas origens e do seu destino. Mas essa classe, rica, culta e consciente, estava excluida do poder pelo imperador Guilherme II e seus aristocratas e burocratas e os latifundiarios da Alemanha oriental.

Eis os “valores seletivos” que inspiraram a Max Weber seus temas de estudo. Seus trabalhos sobre o operariado rural da Alemanha oriental atingem diretamente o inimigo agrario, o “junker” prussiano. Os estudos, aparentemente historicos, sobre o declinio da civilização antiga e a derrota do Imperio Romano pela força autodestruidora do latifundio predizem desastre semelhante ao Imperio da aristocracia latifundiaria prussiana; são de natureza complementar os artigos sobre o fracasso da revolução russa de 1905. Enfim, a guerra de 1914 e a direção incompetente dessa guerra pelas classes dominantes da Alemanha confirmaram as previsões do sociologo.

Fiel à sua convicção de que “a ciencia (social) tem a função de fazer compreender fatos incomodos”, Weber começou a fazer oposição ao Kaiser. A censura não conseguiu impedir essa oposição. Nenhum evasionismo obrigou o sociologo a entrincheirar-se atrás de estudos historicos, cheios de alusões à atualidade. De sua livre vontade escolheu, durante os anos de guerra, o estudo dos profetas do judaismo antigo. Esses profetas lutaram contra uma monarquia impotente e contra os sacerdotes profissionais, especie de burocracia do Templo; assim como Weber lutou contra o imperador Guilherme II e sua burocracia administrativa e militar. Os profetas, conforme Weber, não se preocupavam com a salvação das almas individuais, mas da nação ameaçada. O sociologo também se preocupou, naqueles anos, só com o futuro da nação alemã em face da derrota iminente. Ao monarquismo decadente opôs a perspectiva de lideres saidos do povo e legitimados pela sua vocação, o “charisma”; e à burocracia opôs a reivindicação do regime parlamentarista, o regime proprio da burguesia, o triunfo da racionalização enfim também na politica.

Pela derrota de 1918, a monarquia foi abolida. A Republica de Weimar iniciou a experiencia parlamentarista. Weber morreu logo depois, em 1920. Não viveu, para assistir ao espectaculo de forças irracionalistas se apoderarem das suas esperanças. A preocupação exclusiva pelo futuro da nação virou nacionalismo fanatico. A substituição da monarquia pela liderança, “charismatica” degenerou em culto ao “Fuehrer”. O fim eram as ruinas da Alemanha destruida e depois, sua reconstrução meramente economica.

Mas – “o espirito é mais poderoso que a natureza”. Depois de tudo, a lição de Weber sobre a objetividade da ciencia venceu. Em meio das ruinas materiais do nazismo e das ruinas espirituais do “milagre economico” fica em pé o monumento de Max Weber: sua Obra.

 

Artigo publicado no “Suplemento Literário” em 14 de Abril de 1962 e reproduzido a partir daqui.

março 15, 2011 Posted by | Ciências Humanas | Deixe um comentário

O sistema jurídico inglês

 

Qualquer estudante de Direito sabe a distinção entre os sistemas jurídicos romano-germânico e anglo-saxônico (ou civil law e common law, segundo outra classificação): o primeiro baseia-se no corpo codificando das leis, enquanto que o segundo centra-se no conjunto das decisões judiciais, isto é, na precedência. O esquema  é simplificador e não dá conta das influências de um no outro, fenômeno que se tem dado nas últimas décadas. Isto posto, podemos dizer que, grosso modo, ele vale. O problema é que o estudo do “outro” sistema – no nosso caso, o anglo-saxão – costuma acabar aí. Decora-se o esquema e pronto.

 

Isto ocorre, em grande parte, devido à falta de bibliografia. Raras são as obras sobre o Direito inglês publicadas em português, e mais raras ainda são as que possuem amplidão necessária para servirem às exigências de um estudo sério do Direito Comparado. Por essa razão, a publicação de O Sistema Jurídico Inglês (Editora Forense, 606 páginas), de Gary Slapper e David Kelly, se faz tão importante. Neste pesado volume, os autores exploram os principais pontos do sistema jurídico de seu país de forma didática porém aprofundada, dando especial destaque às recentes mudanças ocorridas no Direito inglês. Como não é escrito tendo em vista o leitor brasileiro e sim o inglês, o livro traz uma introdução geral que inclui vários conceitos comuns ao estudo do Direito em qualquer parte do mundo.

 

Onde encontrar:

 

www.grupogen.com.br

(21) 3543-0770

 

 

fevereiro 26, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

O cronista dos subúrbios

O escritor americano John Updike foi descrito certa vez por um crítico de seu país como o cronista dos adultérios dos subúrbios dos EUA. Esta preferência temática do autor não decorre de algum tipo de obsessão,  . O adultério, quando ocorrido no tradicionalíssimo Nordeste dos EUA, é o símbolo da transgressão, de quebra de valores consagrados e das mudanças que acompanham as revoluções estruturais do próprio país com o passar do tempo. Por isso, Updike não se via como um mero narrador de mexericos extraconjugais. Seu tema era a classe média protestante das pequenas cidades americanas – isto é, a América propriamente dita, longe de Hollywood, do cosmopolitismo das metrópoles e da Casa Branca.

Cidadezinhas (368 páginas, tradução de Paulo Henriques Brito) foi o último livro escrito por Updike antes de morrer. O protagonista, Owen Mackenzie, passa por várias pequenas cidades do Nordeste americano durante uma vida transcorrida entre um dos momentos cruciais da História dos EUA, aquele que vai do otimismo do pós-guerra até a decadência pré-era Reagan. Esta contextualização histórica acompanha e reflete as ações de Mackenzie, principalmente no que diz respeito aos seus envolvimentos amorosos, altamente discutíveis segundo os padrões estabelecidos. O foco da mirada do autor direciona-se, porém, sobretudo para seu país, visto aqui com um olhar que mistura crítica, acidez e ternura.

 

Onde encontrar:

http://www.companhiadasletras.com.br

(11) 3707.3500

 

fevereiro 26, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Além das ideologias

 

 

 

Em 1999, a prestigiada Faculdade de Jornalismo da Universidade de Nova York elaborou uma lista das 100 melhores livros de jornalismo de todos os tempos. Na sétima posição, à frente de Truman Capote, Hannah Arendt, Tom Wolfe, H.L. Mencken e Norman Mailer, estava John Reed e seu Dez dias que abalaram o mundo. Sua escolha foi cercada por controvérsias: no meio de vários conservadores, centro-esquerdistas, liberais e apolíticos – isto é, tudo o que é aceitável dentro do espectro político das democracias ocidentais -, Reed era o único abertamente comunista. Houve quem sugerisse que a colocação de Reed em posição tão elevada fosse uma manobra da propaganda esquerdista: ele só estaria lá por causa de suas posições políticas, e não de sua excelência literária e jornalística.Respeitosamente, somos obrigados a discordar. E discordamos com a tranqüilidade de quem não está de acordo com as posições políticas de Reed. Não é preciso fechar os olhos para o que foi a Revolução Russa e para as atrocidades do comunismo dentro e fora do Leste Europeu para admirarmos seu trabalho. Não é preciso ser comunista para ler Dez dias que abalaram o mundo. Mas, para escrevê-lo, foi preciso que Reed tivesse sido o comunista que foi. Seu grande mérito foi ter usado a sua proximidade com a causa socialista como instrumento para conseguir pintar um quadro mais elaborado e profundo do que o jornalista comum poderia fazer. E se há alguma dúvida sobre o valor de sua obra podemos lembrar que o diplomata americano George Kennan, um dos maiores adversários do comunismo durante a Guerra Fria, considerava a obra de Reed o maior relato sobre a Revolução Russa já escrito; e podemos, também, lembrar que Josef Stalin, presidente da URSS, proibiu-a de circular. O que é mais um atestado de como a análise de John Reed sobrevive às disputas ideológicas.

 

Onde encontrar:

 

www.companhiadasletras.com.br

(11) 37073500

 

 

fevereiro 21, 2011 Posted by | Literatura | 1 comentário

Lançamento das novas camisas do Grêmio – Perspectiva dos sócios

 

A festa de lançamento das novas camisas do Grêmio mereceu realmente este nome. Os sócios foram brindados com um evento que dignifica as tradições do clube. Já na entrada do Portão 1 fomos recebidos da forma como gostaríamos de ser em dias de jogos, isto é, com respeito e consideração. Ao entrarmos no estádio nos deparamos com um visual diferente daquele com o qual estamos acostumados, e o entardecer de um dia com temperatura amena e com a leve brisa que soprava contribuíram para que o efeito fosse muito agradável.

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A animação comandada por  Mr. Pi, Cagê e Jeiso  e as  bandas Nacional Kid, Vera Loca, Charles Máster e Chimarruts foi perfeita, com direito a em coro ser entoado Querência Amada, Hino do Rio Grande  e de forma emocionante Bebendo Vinho na versão Geral do Grêmio. A interação com a torcida continuou com  Sou borracho sim  senhor, Pingos de Amor e o Hino do Imortal.

Fonte: Grêmio Net

O presidente do Grêmio, Paulo Odone foi recebido com grande carinho pela torcida quando acompanhando o presidente da SP Alpargatas, Márcio Utsch e o diretor da Topper, Fernando Beer falaram aos presentes sobre a nova parceria.

E, após, começou o desfile, primeiramente com os uniformes destinados aos treinos e às viagens. Obviamente, ninguém estava muito interessado nestes modelos. Os sócios presentes queriam, basicamente, ver o novo uniforme de jogo, com uma ansiedade fruto tanto do marketing construído para o lançamento quanto do desgosto ocasionado pelos últimos modelos lançados pela Puma.

Felizmente, a Topper não decepcionou.

Fonte: Grêmio Net

Fonte: Grêmio Net

A satisfação dos torcedores que o modelo desenvolvido pela Topper era evidente. O bom humor e a alegria tomavam conta das sociais do Olímpico. Aliado a isso, os que compareceram puderam presenciar a participação dos campeões da américa Roger e Tarciso, que tiveram seu dia de modelo na passarela, cumprindo muito bem este papel. Foram recebidos com o carinho que merecem ídolos de seu porte.

Fonte: Grêmio Net

 

 

Ao final da apresentação, a social aplaudia de pé o desfile. Porém, como todo espetáculo, o ‘gran finale’ estava por vir. Sem qualquer prévio anúncio surgiram, da pista atlética do Olímpico, todo o plantel gremista, trajando os modelos que utilizarão ao longo do ano. Simplesmente fantástico. A torcida, ao avistar os atletas, imediatamente iniciou  a cantar a música ‘queremos a copa’, tradicionalmente entoada em jogos da Libertadores. O último a subir na passarela foi  Renato Portaluppi, e acredito ser até desnecessário mencionar que foi ele o mais ovacionado (seguido de perto pelo goleiro Victor). Emoção total quando cantamos ” Lá vem Renato…”

 

Fonte: Grêmio Net
Foto da Social com felizes integrantes do Perspectiva em meio aos felizes gremistas que ali compareceram

Ao fundo, ouvia-se o hino do Grêmio, numa linda e emocionante versão do pianista Geraldo Flach. Era a chave de ouro de um evento perfeito, iniciado no  entardecer de um atípico dia ameno de verão, e finalizado já à noite, em um clima inexplicável que só o Grêmio e sua torcida conseguem criar.

O Grêmio, que transforma jogos aparentemente normais em batalhas épicas. O Grêmio, que vence quando ninguém acredita. O Grêmio, capaz de fazer um simples desfile de apresentação de camisetas gerar a sensação de que é, justamente, essa camiseta que será eternizada na história do clube com o tricampeonato da América.

fevereiro 16, 2011 Posted by | Esportes | 2 Comentários

Estudando a vanguarda


O Brasil é um país em que a expressão “artista engajado” não tem o menor sentido. Aqui, todo artista, com a exceção provável dos cantores de axé e dos pagodeiros, é engajado em alguma coisa: luta contra ou a favor de algo, promove e assina abaixo-assinados, lidera manifestações, movimentos, ONGs, institutos e isto quando não lidera Ministérios de Estado. Ao mesmo tempo, todo artista brasileiro tem uma proposta artística inovadora, criativa, única, diferente de tudo o que já existiu antes. Isso vem desde a Semana da Arte Moderna, de 1922, que praticamente autorizou os brasileiros a pisotear qualquer tipo de tradição a que estavam até então vinculados e consagrou o uso dos termos “vanguarda” e “modernismo” como sinônimo daquilo que estavam fazendo. Mas será que são realmente a mesma coisa?

Teoria da Vanguarda, de Peter Burger (Cosac e Naify, 268 páginas) distingue bem estes dois termos. Segundo Burger, o modernismo está ligado tão-somente à evolução estilística dentro da arte, seja da literatura, do cinema ou de qualquer outra, como, por exemplo, o cubismo, o abstracionismo e o concretismo. Por outro lado, a vanguarda é uma postura crítica ao que Burger chama de “instituição arte”, isto é, as ideias artísticas de um determinado período e às formas de distribuição e produção da arte. Acima de tudo, a vanguarda é uma postura crítica e revolucionária do artista em relação à cultura em que está inserido e, em último caso, à própria vida. Fica claro, portanto, que os nosso modernistas eram, antes de tudo, vanguardistas – e nem sempre da melhor espécie, é bom que se diga.

 

Onde encontrar:

http://www.cosacnaify.com.br

(11) 3218.473

fevereiro 12, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Abrigo João Paulo II/Porto Alegre faz campanha para arrecadar material escolar

Rosa Albuquerque, agente de atendimento da presidência da EPTC-Porto Alegre é uma cidadã no sentido mais amplo do termo. Este blog  tem sido obsequiado com colaborações suas que sempre visam divulgação de ações em prol do bem comum. Dessa vez nos envia mensagem em que o Abrigo João Paulo II  situado na Av. Bento Gonçalves, 1701 – Partenon – 90650-002 – Porto Alegre/RS, - Certificados de Fins Filantrópicos do CNAS 28992.000902/94-96
Fone: (51) 3384 2540 – 3336 3754  que atende  diariamente nos dezessete núcleos, denominados Casas Lares, 162 crianças e adolescentes, na faixa etária de um aos dezoito anos, na grande maioria moradores de rua,  está realizando campanha para arrecadação de material escolar.

Os encarregados sugerem doação de dois tipos de kits:

Kit 1: caderno grande, lápis, caneta, régua e borracha.
Kit 2: caderno pequeno, lápis, lápis de cor, régua e borracha

No entanto salientam que :

“Mas se você preferir doar os materiais avulsos, o que mais estamos precisando no momento são: cadernos, cadernos de desenho, lápis de cor e canetinha hidrocor.”

Achamos que vale a pena colaborar com quem tem gestos concretos no enfrentamento do problema  que representam os jovens desamparados.

A página do Abrigo para quem quiser conferir o belo trabalho que desenvolve:

www.abrigojoaopauloii.org.br

fevereiro 10, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Cezar Busatto no Forum Social Mundial

 

Cezar Busatto, da Secretaria de Governança de Porto Alegre, disponibiliza fotos sobre sua  marcante participação no Fórum Social Mundial em Dacar/Senegal.Compartilhamos com nossos leitores.

 

Comissão de frente da passeata de abertura do FSM, com Cezar Busatto ao centro.

A passeata reuniu milhares de pessoas, percorrendo o trecho desde a Grande Mesquita de Dacar até a Universidade Cheikh Anta Diop, sede das atividades do FSM.
Segundo Busatto, o que mais o impressionou foi  o ambiente de pobreza ao longo do trajeto, combinado com infra-estrutura de transporte público precária, prédios de serviços públicos depredados, pouquíssima arborização e muita sujeira.

Debate sobre democracia participativa e poder local, durante o Forum de Autoridades Locais, no ambito do FSM de Dacar. O  Prefeito de Canoas, Jairo Jorge coordenou a mesa. Busatto defendeu as as inovações que POA está fazendo na prática do Orçamento Participativo, como o ObservaPoa, o CapacitaPoa, o fortalecimento dos CARs e o V Congresso da Cidade, que deverá ocorrer em março/2011. Ele entende que dessa forma haverá avanço no que diz respeito ao planejamento e o desenvolvimento participativos de cada território e da cidade como um todo.

 

Bachir Kenoute, senegalês, coordenador regionalda  ONG chamada ENDA, voltada para a capacitação em desenvolvimento sustentável, Busatto e Jairo Jorge, prefeito de Canoas/RS.

As cidades e a região certamente se beneficiarão com a participação doas encarregados de gerir seus destinos em eventos como o Forum.

fevereiro 9, 2011 Posted by | Política | 2 Comentários

SMMA/Canoas e e os animais abandonados

O site da Prefeitura de Canoas/RS noticiou no dia 03 do corrente que a SMMA notificou e multou uma loja de animais situada no Shopping Canoas pelo fato da mesma abrigar animais sem procedência, bem como determinou imediata retirada dos mesmos.

A notícia está aqui.

Á primeira vista parece que a SMMA está realizando bem sua missão, zelando pelo bem estar dos animais. No entanto, quem tem um mínimo de interesse pelo destino dos animais chamados “de rua” em Canoas/RS sabe que não é bem assim.

Minha experiência com animais abandonados me faz testemunha da omissão da SSMA em relação aos mesmos. E não sou nenhuma especialista no assunto, apenas percebo o sofrimento dos animaizinhos nas ruas.  Na primeira vez que encontrei um gatinho abandonado na rua e me vi compelida a recolhê-lo face ser um filhotinho, busquei informações sobre onde poderia entregá-lo, eis que meus cachorros não são propriamente amigos de gatos. Tomei conhecimento de que não encontraria local para abrigo do animalzinho ou encaminhamento para adoção por parte da municipalidade e que, na loja de animais do shopping, poderia ser entregue com vista a futura adoção. Ligando para a mesma me informaram que face a gatinha ser pretinha era mais difícil ser adotada, mas a receberiam assim mesmo. Resolvi eu mesma adotar a Michelle, pela qual já me afeiçoara passados dois dias de nosso encontro na rua. Conversando com amigos, vários me relataram a experiência de encontrar gatinhos nas ruas e levar ao shopping para adoção.

No mês passado presenciei um ataque de cães a uma gatinha na praça perto de minha casa. Recolhi o animalzinho e busquei informações sobre atendimento do mesmo por parte da SMMA. Não atendem, e eu tive que arcar com custo de tentativa de salvamento por parte do Hospital da Ulbra. O animalzinho morreu, mas pelo menos foi sedado, o que não ocorreria se dependesse daqueles que detém o poder  de gerir o meio ambiente.

A atitude da SMMA em relação a loja de animais é hipócrita. A loja recebia animaizinhos que estariam circulando pelas ruas e os expunha para adoção. Não é o ideal isso, talvez os bichinhos não ficassem tão comodamente instalados, mas estavam recebendo alimentação e protegidos dos ataques  de humanos e outros animais. A Secretaria que nada faz para proteger os animais ainda alardeia o fato de haver determinado sua retirada de onde estavam abrigados.

Fica a pergunta:  para onde foram levados os animais? E agora, para onde serão levados os que a população encontrar, porque a loja não recebe mais, face ter sido multada.

Saliento que não sou amiga do(a) proprietário(a) da loja de animais, sequer sua freguesa, eis que compro o alimento de meus 4 gatos ( todos encontrados nas ruas) em outro estabelecimento que atende melhor minhas exigências, mas era muito bom saber que havia um lugar onde as pessoas poderiam  entregar bichinhos que encontrassem.

A SMMA deve fiscalizar as lojas de animais, deve autuar e punir o que estiver irregular, mas isso é o mais fácil. Espera-se de uma Secretaria com a estrutura de que dispõe a SMMA uma política de enfrentamernto do problema que representam os animais abandonados, sem que isso implique em sua pura e simples eliminação. Se uma lojinha de animais podia acolher e disponibilizar para adoção dezenas de animais a cada mês, o ente público também poderia fazê-lo. Talvez falte a chamada ” vontade política”.

 

fevereiro 8, 2011 Posted by | Ecologia | 4 Comentários

Carlos Alberto e o Imortal

Carlos Alberto ingressou no Grêmio proclamando a imortalidade tricolor.

Seja bem-vindo!

 

fevereiro 5, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

André Rizek contra o privilégio ao Flamengo

Em época de “babação” pelo Flamengo é altamente gratificante constatar que ainda existem jornalistas com senso do que significa sua função. André Rizek da Sportv não é o típico “bonzinho” que segue a horda e sim um jornalista que tem a capacidade de analisar os fatos e situações.

No programa Redação Spotv exibido hoje pela manhã  provocou a ira de  seus colegas quando ousou afirmar, ora vejam, que a imprensa privilegia o Flamengo. Rizek externou o que o Brasil inteiro sente, isto é, que um clube de futebol que sequer foi classificado para a Libertadores  está sendo tratado pela imprensa como fosse o maior do país.

Não é , e a imensa dificuldade que enfrentou para vencer o “poderoso” Iguaçu mostra que a divulgação de seus jogos é desproporcional ao desempenho em campo.

Ainda bem que existem jornalistas como André Rizek, caso contrário seria melhor suspender assinatura dos canais de esporte do eixo.

fevereiro 3, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

ESPN Brasil deveria mudar para ESPN Sudeste

 

 

Inacreditável ouvir o apresentador “Amigão” na abertura do programa Sportcenter, transmitido pela ESPN Brasil, afirmar que “hoje o torcedor teve que se dividir entre a estreia de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo e o jogo do Corinthians na Libertadores contra o Tolima.”

Lembramos a ESPN que existem alguns torcedores que estavam interessados em assistir ao Grêmio vencer o Liverpool e prosseguir na Libertadores.

fevereiro 3, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Broadway – The Clash

 

Faixa de “Sandinista”, um dos discos mais corajosos da história do rock’n roll.

janeiro 31, 2011 Posted by | Música | Deixe um comentário

Max Weber e o jornalismo

“O jornalista pertence a uma espécie de casta de párias, que é sempre estimada pela `sociedade’ em termos de seu representante eticamente mais baixo. Daí as estranhas noções sobre o jornalista e seu trabalho. Nem todos compreendem que a realização jornalística exige pelo menos tanto `gênio’ quanto a realização erudita, especialmente devido à necessidade de produzir imediatamente, e de `encomenda’, devido à necessidade de ser eficiente, apesar de suas condições de produção serem totalmente diferentes.Raramente as pessoas dão-se conta que a responsabilidade dos jornalistas é, na verdade, muito maior do que a dos intelectuais”.

janeiro 31, 2011 Posted by | Ciências Humanas | 2 Comentários

Conhecendo o Trivium

Um dos preconceitos mais praticados e menos combatidos é o preconceito temporal. A maior parte das pessoas tem a superioridade do mundo de hoje perante o antigo como um fato indiscutível. Nota-se tal postura de maneira mais clara quando o assunto é a Idade Média: para muitos, trata-se da Idade das Trevas, onde a Europa foi jogada, inteira, na fossa da ignorância construída pela Igreja e pelas elites a fim de se manterem no poder. Neste período, o legado clássico erguido a duras penas por gregos e romanos ficou soterrado até as luzes do Renascimento voltarem a iluminar o Ocidente. Esta é a versão da história que aprendemos no colégio e repetimos a torto e a direito, condicionando a nossa compreensão daquele período da História e tudo o que a ele está relacionado.

 

É curioso constatar, portanto, que os leitores – e, em especial, os leitores brasileiros – do século XXI sofram horrores para ler um livro como o Trivium (É Realizações, 320 páginas, tradução de Henrique Leal Dmyterko). Para os refinados leitores de hoje, as lições da irmã Miriam Joseph, religiosa americana preocupada com a degradação do ensino dos jovens, talvez pareçam praticamente ilegíveis. Explica-se: o “Trivium” era o termo que os educadores medievais utilizavam para designar as artes liberais da lógica, gramática e retórica, essenciais para todo homem que se quisesse dizer culto. São, ou seriam, a base do ensino de hoje, se o que tivéssemos nas escolas fosse de fato ensino. E talvez por ser educação no sentido verdadeiro do termo, o Trivium é ilegível para muitos – e, justamente por isso, muito necessário.

 

Onde encontrar:

 

http://www.erealizacoes.com.br

(11) 5572.5363

janeiro 28, 2011 Posted by | Ciências Humanas, Livros | 3 Comentários

Parque Getúlio Vargas – descaso II

Clique aqui aqui

Os administadores do Parque Getúlio Vargas aparentemente consideram que descumprir lei municipal não tem importância e, por isso, enaltecem o fato de mais de dez cães permanecerem soltos em local de livre acesso ao público. Consideram como “comportamento maroto” dos animais atacarem pessoas e outros animais. Eu tive a desventura de assistir três destes cães atacarem uma gatinha. Na oportunidade, mesmo ante minha intervenção, permaneceram atacando a gatinha, somente desistindo do seu intento quando lhes arremessei as chaves que portava. O animalzinho (cujo dono desconheço) foi por mim conduzido ao Hospital Veterinário da Ulbra, e mesmo com o imediato e pronto atendimento da veterinária Renata, não resistiu ante as violentas lesões internas sofridas.

Os patinhos do parque foram dizimados, o que demonstra o padrão de comportamento dos cães: acostumaram-se a atacar e matar os outros animais, sem restrições. E isso, para os responsáveis pelo parque, é um “comportamento maroto”.

Comportamento maroto? Não. Apenas cães sendo cães e, justamente pelo fato de que esta espécie tem este padrão de comportamento é que não podem permanecer soltos nas dependências do parque, sem que ninguém se responsabilize pelos danos causados. Quem deseja manter animais deve cuidá-los, respeitar seus direitos e evitar que causem dano a outrem. Isso é posse responsável, e não pode o poder público dar o  mau exemplo à população.

janeiro 21, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Parque Getúlio Vargas – descaso

Impressionante como há coisas que não mudam. A postura da  SEMPA reforça esse pensamento. A Secretaria está localizada dentro do Parque Municipal Getúlio Vargas em Canoas/RS. Dessa maneira, seria de esperar-se que ocorrências atentatórias à fauna e flora do local fossem prontamernte resolvidas, inclusive sem necessidade de apelos dos frequentadores/defensores do parkque. Mas nunca foi assim e continua não sendo.

Recebemos notícias de que os patos que habitavam o lago do parque foram dizimados pelos cachorros que transitam livremente no local sem presença de responsáveis.  Frise-se que existe lei municipal vedando a presença de animais em locais públicos.

Art. 6º da Lei4266/98 – É proibida a permanência, manutenção e o trânsito de animais nos logradouros públicos ou locais de livre acesso ao público.


Um cidadão tentou evitar a matança comunicando o fato ao ente público.

Excertos do e-mail que enviou para diversas secretarias municipais:

Não queremos mais presenciar cachorros matando patos e animais silvestres do parque! Já reclamamos diversas vezes e não temos soluções para o problema! Achamos que o parque não local adequado para se criar cachorros! É uma insistência de uma veterinária do parque, que está trazendo estes transtornos para nós freqüentadores!São muitas reclamações das pessoas que vão diariamente no parque! Já presenciamos os cachorros perseguindo os patos e outros animais e os guardas não tomam atitude nenhuma, porque eles estão acompanhados pelos cachorros, agravando o problema! O problema está se tornando grave, só resta um pato de uns vinte que habitavam o parque! Já houve atrito com freqüentadores que soltam seus animais da corrente, dentro das dependências do parque, alegam que tem cachorros soltos no parque, e se acham com o direito de soltarem os deles. Existe uma lei Municipal que proíbe animais soltos no parque! É só cumprir a lei! Inclusive é inseguro para as pessoas e crianças transitarem com animais soltos no parque!

Como é comum nesses casos( e , justiça seja feita, não apenas em Canoas) um funcionário público transfere o problema para outro, alegando não ser de sua competência o encaminhamento da questão. Tomando conhecimento do fato não seria o caso de cientificar a secretaria responsável , sabedores de que a comunicação interna é bem mais fácil? Não, e o cidadão fica sendo “chutado” de um lado para outro  como se estivesse gestionando para solução de um problema seu e do qual os servidores contatados não tem interesse na solução.

Lamentável isso.

janeiro 17, 2011 Posted by | Ecologia | 2 Comentários

Entrevista: Marcus Paulo Rycembel Boeira – ““O ensino brasileiro idiotiza os estudantes”

Entrevista: Marcus Paulo Rycembell Boeira, professor universitário




Por Celso Augusto Uequed Pitol

A entrevista com Marcus Paulo Rycembell Boeira foi realizada sem a presença física do entrevistado. Para contatarmos nosso conterrâneo de 31 anos – “canoense desde o primeiro dia de vida”, segundo ele – foi preciso apelar para o Skype: Marcus mora em Curitiba, onde é professor universitário, e vive em trânsito entre a capital paranaense, São Paulo – onde termina a tese de doutorado sobre o Poder Moderador na Constituição do Império (a tese de mestrado, sobre a natureza da democracia constitucional brasileira, está em processo de publicação) – e a sua Canoas natal. Além disso, seu tempo é contado: dá aula em várias instituições e dedica pelo menos duas horas diárias para o estudo. O momento para conversas é, portanto, reduzido. Mesmo assim, quando se anima a discorrer sobre os seus assuntos preferidos – filosofia do Direito, ciência política, o estado da educação e do ensino no Brasil, a religião e muitos outros – o professor Marcus estende-se por horas e horas, sem economizar palavras e olhar para o relógio. Suas referências intelectuais o distanciam um pouco de seus colegas de profissão: em vez de Habermas, Ferraioli e Laclau, cita São Tomás, Francisco de Vitória, Suárez e Domingo de Soto. São essas referências, que denunciam uma sólida formação clássica, o fundamento de suas opiniões corajosas e contundentes que apresentamos ao leitor nesta entrevista.

O Timoneiro: Primeiramente, gostaria que falasses um pouco da tua formação intelectual.

Marcus Boeira:A minha formação eu devo primeiramente ao meu avô, Victor Rycembel. Na minha infância, ele me tomava lições de matemática e lógica, o que me permitiu ter uma certa base nessa área. No ensino formal, eu estudei no Rondon até a quarta série e depois me transferi para o La Salle, onde estudei até o terceiro ano do segundo grau. Mas a minha educação de verdade nunca dependeu das instituições formais e oficiais. A minha educação eu fiz em casa, sozinho, estudando e tendo aconselhamentos primeiro do meu avô e depois de pessoas que foram se incorporando à minha adolescência. Isso tudo me permitiu a poder articular discursos e linguagem de uma forma mais rebuscada. Quando meu avô faleceu, eu perdi muito nesse sentido, porque eu via nele uma autoridade nestes aspectos. Durante o segundo grau, eu dei um salto da literatura para outras áreas do conhecimento, a Sociologia, a Ciência Política e outras áreas.

OT: Isto foi quando?

MB: Em 1994, 1995. Também comecei a me interessar por política. Este contato deu-se, em primeiro lugar, quando observei meu avô na infância relacionar-se com pessoas da sociedade canoense. Na casa de meu avô, comentava-se muito acerca do prefeito Hugo Lagranha, do teu pai (Celso Pitol, ex-vereador canoense), o teu tio (Jorge Uequed) , Jurandir Bonacina, Carlos Giacomazzi e muitos outros. Lembro quando tinha 9, 10 anos de idade e visitei a Câmara de Vereadores de Canoas, que ficava ao lado do fórum onde meu pai trabalhava. Eu tinha a impressão de que a política era algo muito superior a ela mesma e isso permaneceu dentro de mim, como uma chama apagada, até os 16, 17 anos de idade. Já com 18 anos de idade eu ingresso na Faculdade de Direito da PUCRS.

OT: Porque escolheste o Direito?

MB: É uma questão complicada. Na adolescência eu sempre quis fazer filosofia ou história. Só que, como todo adolescente, eu fui suscetível às pressões do momento, à família e a outros personagens da minha vida. Havia uma verdadeira pressão social. Quando entrei, eu percebi que o que era tratado na universidade era muito complexo mas carecia de uma substância de realidade que desse às teorias ali ensinadas uma base moral sustentável.

OT: Falas especificamente da faculdade de Direito?

MB: Não só dela. Em contato com outros cursos, eu percebia isso também. Percebia que havia entre os professores uma falta de conhecimento da tradição, da base da civilização ocidental, que pudesse colocar suas próprias teses em cheque.

OT: Não te parece que a faculdade de Direito , da maneira como está hoje estruturada hoje, é um campo mais fértil que o do resto das ciências humanas para que isto que tu acabaste de descrever ocorra? Não te parece que o ensino jurídico negligencia, ao menos no Brasil, o estudo das humanidades clássicas e da tradição ocidental?

MB: Parece-me que tudo começa com a falta de formação básica dos próprios professores. Se os professores não foram educados de uma maneira capaz de articular as suas próprias disciplinas, eles tecnicizam e burocratizam o ensino de forma a estupidificar ou passam a ser massa de manobra para movimentos ideológicos de massa. Ou é uma coisa, ou é outra. Ou é tecnicização irresponsável frente ao universo do real, ou por outro lado passam a ser massa de manobra para ideologias de massa que se introjetam na cultura jurídica e passam a dominá-la a partir de idiotas úteis.

OT: Quando te deste conta que este é o processo em que as universidades estão inseridas?

MB: Em 1998. Eu tinha 19 anos e tive um professor universitário, o professor Diego Pérez – que hoje é meu padrinho de casamento – que me introduziu num universo absolutamente novo para mim. O Diego e a Sofia, sua esposa, eram liberais – hoje são liberais conservadores – e me convidaram para integrar um grupo de estudos que eles tinham e eu, que estava no segundo ano da faculdade, fiquei todo entusiasmado. Sendo que, à época, já tinha tido uma passagem pelo marxismo.

OT: Quando tiveste essa passagem?

MB: Com 16, 17 anos. Fui seduzido a partir do final do colégio e início do cursinho. Eu conheci algumas pessoas que pertenciam ao PT e essas pessoas me forneceram  a “Ideologia Alemã”, do Marx. Eu li aquilo e achei coerente com as minhas aspirações revolucionárias de jovem que queria mudar o mundo. A partir daí, fui seduzido por todo o resto: pelo “Manifesto”, pelo “Capital” e por toda a economia política marxista. Fui seduzido pelo marxismo clássico, da luta de classes, etapas revolucionárias da História.

OT: Isso foi no colégio?

MB: Não. Eu, na minha vida intelectual, não recebi nada do colégio. Posso dizer que tudo o que eu aprendi na minha vida foi fora do colégio. Passei um tempo como marxista até que conheci esse professor universitário e ele abriu um flanco na minha formação, me apresentando as pessoas que mais contribuíram para a minha formação intelectual: Cezar Saldanha e Olavo de Carvalho. Após conhecer a obra desses dois, tomei um soco na cara e depois um impulso de conhecimento, pois estamos falando provavelmente dos dois maiores gênios brasileiros vivos, ao menos dos que eu conheci. Eu, conhecendo o prof. Cezar, comecei a integrar o grupo de estudos do prof. Cezar, que me deu uma formação muito boa em termos de ciência política e filosofia do Direito. Naquele ano, tive contato com a obra “Aristóteles em Nova Perspectiva” e “O Imbecil Coletivo”, de Olavo de Carvalho. Com essas obras, posso dizer que a minha casa caiu e o que eu tinha aprendido até ali, salvo a educação clássica que eu havia recebido do meu avô, tinha de ser revisto. E isso me fez abandonar o marxismo completamente. Passei boa parte da minha vida acadêmica estudando Aristóteles, São Tomás e a tradição clássica e escolástica. A partir daí, cheguei aos autores da segunda Escolástica espanhola, Domingo de Soto, Francisco de Vitória, Francisco Suárez e outros. Mas, antes de chegar a esses autores, ter tido essa formação básica foi decisivo. E hoje eu devo muito a essas pessoas e essas fontes intelectuais, que permitiram não apenas a formação que eu tive, mas também definir o curso intelectual da minha vida.

OT: Gostaria que falasses um pouco deste momento de mudança de eixos, deste momento axial, tão importante para a trajetória intelectual de muitos.

MB: Na verdade, a minha experiência “axial” já estava dada no momento em que eu estava imerso do marxismo. Houve, porém, um evento importante envolvendo o teu tio e vou contá-lo, ainda que ele provavelmente não lembre. Foi em abril de 1998. Eu estagiava com meu pai (Paulo Boeira, funcionário do fórum de Canoas) no fórum de Canoas e estava saindo para almoçar quando encontrei o seu Jorge na rua. E eu disse: “seu Jorge, o seu jornal não tem espaço para idéias marxistas”. Ele então respondeu que o jornal tinha espaço para todo tipo de idéias, que era um jornal democrático. Aí continuei a conversar, a falar das minhas preferências políticas e ele me disse assim: “tu tens certeza disso que tu estás fazendo?”. Aí eu fiquei sem saída. Naquele momento as palavras do dr. Jorge Uequed me atingiram como uma flecha. Era um momento em que eu estava deixando totalmente o marxismo para trás. Eu tinha, por um lado, a carga de perder os amigos, os colegas, as amizades na esquerda, de perder a possibilidade de crescer em certos organismos e instituições, e por outro lado eu tinha o trivium, o quatrivium e tinha o professor Cezar Saldanha, o Diego, o Olavo e as fontes intelectuais destes três. Então tudo isso pesava do outro lado. Hoje, vejo que fiz a escolha acertada. Fiz amigos como o Carlos Reverbel, Gustavo Sander, Ronaldo Laux e muitos outros que hoje são professores. Um autor que me influenciou decisivamente foi o Giovanni Sartori, a ponto de eu ter ido visita-lo na Itália. Mas estudei também o lado oposto: Habermas, Horkheimer, Adorno. Pouco depois, comecei a dar aula. Casei-me – o que foi um momento importantíssimo para que eu tivesse a aspiração de ser um homem de verdade, de tocar a própria vida. Acabei por ir morar em Curitiba e é onde estou até hoje. E veio também a religião. Comecei a partir de 2006 a ter uma experiência espiritual cada vez mais intensa. Eu posso dizer que em 2008 eu verdadeiramente me converti à fé cristã. O meu entendimento do cristianismo era até então mais filosófico, não o entendimento com os olhos da alma. Comecei a compreender o crisitanismo não de um ponto de vista externo, mas sim dentro de mim mesmo. O meu casamento na Igreja foi a porta de entrada para aquilo que se tornou pleno em 2008.

OT: Qual a tua opinião sobre o atual ensino universitário brasileiro, de modo geral?

MB: Péssima. A verdadeira educação é apenas a das 7 artes liberais: o trivium – o conhecimento da mente, a lógica, a gramática e a retórica; e o quatrivium – o conhecimento da matéria,  aritmética, geometria, astronomia e a música. Nem as universidades nem os colégios ensinam isso. O ensino brasileiro idiotiza os estudantes. Só ensina-se aparências, questões sensitivas e teorias radicadas em movimentos ideológicos de massa que em nenhum, ou em quase nenhum momento correspondem ao que um estudante das artes liberais estuda. Temos hoje uma cultura de estereótipo, a baixa cultura. Um estudante que se formou na lógica do ensino médio brasileiro está estupidificado. É a pedagogia da estupidez. O sujeito entra no colégio sem o desenvolvimento das artes liberais e não tem faculdades congnitivas capazes de compreender as imbecilidades do que que lhe estão sendo ensinadas. E os professores também não tem o conhecimento necessário. Quem não é pedagogo de si mesmo não pode ser pedagogo dos outros. Lendo Ortega y Gasset, ao analisar a obra do toynbee, ele diz que o lado prático dos ingleses é baseado na educação à moda grega que eles tem nos colleges – Oxford, Cambridge e outros. Ortega y Gasset viu então uma dissonância profunda entre essa educação e a educação dada no continente. Posso dizer que não há remédio para a nossa educação a não ser retomar as sete artes liberais.

OT: Vê um componente ideológico nisso tudo?

MB: Claro. Há uma hegemonia esquerdista no meio universitário mundial. Não é só no Brasil. Esse discurso do politicamente correto, da crítica ao capitalismo, passou a tomar conta e conquistaram artificialmente o que se chama de senso comum. Eles conquistaram artificialmente aquilo que as pessoas chamavam de opinião pública. É o que o professor Giovanni Sartori diz: a “Vox populi” na atualidade não é formada no publico, e sim para o público. São certos atores assumem a condição dessa hegemonia cultural. É claro que esses agentes conhecem profundamente a obra do Gramsci, do marxismo cultural e de outros. Nunca na história humana tivemos isso: a opinião pública formada não a partir da cultura tradicional e sim por agentes culturais marxistas.

OT: Falas em escala global. Gostaria que falasses da ação desses movimentos na tua atividade profissional como professor. Como a percebes?

MB: Eu percebo com o próprio lombo, como se diz no interior (risos). Eu percebo na porrada. Eu posso dizer que tive muitas portas fechadas e sofri alguma perseguição por conta de não pertencer ao establishment marxista existente.

OT: Sendo tu professor Direito, não posso deixar de perguntar sobre um tema candente da atualidade, que é o da obrigatoriedade do exame de ordem, que está sendo posto em xeque. Que pensas dele?

MB: As faculdades formam robôs técnicos e quando alguém tem uma vocação propedêutica ele sai contaminado pelo marxismo cultural. Nesse sentido, se o exame de ordem é avaliação técnica, e a faculdade só forma técnicos, me parece justo. O problema é usar desse recurso técnico como maneira de impedir verdadeiras vocações jurídicas que, embora não tenham esse conhecimento técnico talhado, têm a amplitude da cosmovisão jurídica necessária para trabalhar os problemas técnicos diante de uma unidade de conhecimento. Nesse sentido, o exame de ordem facilita a entrada de pessoas altamente especializadas e impede que haja a entrada de pessoas mais abertas no campo da ciência.

OT: O que tu podes aconselhar para um jovem que está se iniciando no estudo do Direito?

MB: Antes de tudo, o trivium e o quatrivium. Depois, estude por si mesmo. Procure mestres e pessoas mais experientes que lhe possam fornecer bases de estudo não só de autores contemporâneos, mas de autores clássicos em primeiríssimo lugar. Não confie em tudo o que escutam dentro da universidade. Se o professor deu uma fonte, procurem também o contraponto. Numa cadeira de direito constitucional, se derem o Paulo Bonavides, procure também o Sampaio Dória, ou o Manoel Gonçalves Ferreira Filho.

 

Entrevista publicada no jornal O Timoneiro.

janeiro 17, 2011 Posted by | Entrevistas | 4 Comentários

Golden Globe 2011

Angelina Jolie, linda como sempre acompanhada do marido Brad Pitt já não tão bonito.

Leighton Meester, a Blair de Gossip Girl

Sandra Bullock e seu horroroso cabelo


Olívia Wilde de House. Talvez o cabelo pudesse estar melhor para combinar com o vestido lindíssimo.

 

 

Jim Parsons- The Big Bang Theory

 

Se tem algo que não combina é Kelly Osbourne e um vestido de festa

 

 

 

 

Natalie Portman, grávida e linda

 

Fonte:Just Jarred

janeiro 16, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

A entrevista de Julian Assange: alguns comentários

A entrevista de Julian Assange publicada no Estado de São Paulo em 23 de dezembro chama a atenção por alguns motivos.

O primeiro deles é o conhecimento que Assange demonstra ter do país. Não se esquivou de nenhuma pergunta que envolvia o nome do Brasil e até mesmo citou um blog anti-Folha de São Paulo – o Falha de S. Paulo – desconhecido até mesmo da grande maioria dos brasileiros – e falo da minoria supostamente bem informada. Assange também aparenta conhecer bem a política brasileira e a posição atual do Brasil no mundo.

O segundo é a definição do objetivo do Wikileaks. Se alguém tinha dúvida sobre o que ele e seus companheiros estão fazendo, esta declaração não deixa mais dúvidas:

“O que eu espero é que nosso trabalho mostre às pessoas em todo o mundo como é que o mundo de fato funciona”.

Um propósito messiânico. Assange pretende rasgar o véu que encobre a política mundial desde que a diplomacia e a espionagem foram instituídas (ou seja, desde quase sempre) e pôr a nu tudo o que os políticos querem esconder sobre a condução do mundo. A famosa frase atribuída a Benjamin Disraeli – o mundo é regido por personagens muito do que imaginam aqueles que não estão nos bastidores –  deixará de fazer sentido quando Assange terminar seu intento: ele quer abrir as cortinas do teatro até escancarar o que acontece nos bastidores. Quer acabar com o segredo e a ocultação. Quer mostrar quem é que manda. Ainda não mostrou grande coisa. Mas promete que vai mostrar.

Resta-nos aguardar. O problema todo é que a história já nos mostrou o que acontece com os Messias imanentes e os autoproclamados salvadores da humanidade. Esperamos – todos – que Assange não seja um deles.

Adiante:

“O sr. já pensou em pedir asilo no Brasil?
Seria ótimo ter isso oferecido. Há alguma reflexão sendo feita de que o Brasil seria um bom lugar para instalar algumas de nossas operações. É um país grande o suficiente para ser independente da pressão dos EUA, tem força econômica e militar suficiente para fazer isso. E não é um país como China e Rússia que não são tão tolerantes com a liberdade de imprensa. Talvez o Brasil seria um bom país para que coloquemos parte de nossas operações.”

Como se sabe, o governo dos EUA está em guerra aberta com Assange e há quem fale até mesmo em perseguição política. Ele se defende e apela para um argumento curioso:  “Os valores americanos estão sendo jogados no lixo”.

Diante disso, pode-se dizer que Assange não é um anti-americano, ao menos não no discurso. Aliás, sua própria existência depende, aliás, destes valores, e seu discurso de oposição aos EUA é, em boa medida, um discurso de oposição ao governo americano que não respeita o próprio país e as bases sobre as quais ele foi fundado. Por isso o Brasil é interessante para o Wikileaks. Para Assange, o Brasil não está com os EUA, mas não é um anti-EUA. Não é, segundo ele, um inimigo dos tais valores americanos que ele diz querer resgatar. Por outro lado, a China e a Rússia são, em vários aspectos, países anti-EUA, e lá não é possível sequer imaginar a existência de um grupo de trabalho como o dele. Só numa democracia ocidental um tipo como Assange pode surgir e sobreviver. Só num país onde os “valores americanos” – leia-se: valores do Ocidente – sejam conhecidos e respeitados.

Fica, portanto, um alerta para aqueles que aplaudem a aproximação do Brasil com certas tendências – por assim dizer – anti-ocidentais e anti-liberais em nome de um suposto não-alinhamento, garantidor de uma suposta independência. Assange está do lado de um Brasil pelo que ele imagina que o Brasil defenda, e não de um Brasil que aplaude espancamento de mulheres, que quer cercear a mídia e que se aproxima de ditadores.

Por fim: o repórter responsável pela entrevista, Jamil Chade, diz que Assange escolhe muito bem os jornais para os quais vai dar entrevista. Tendo em vista o que conhece do Brasil, seria estranho que ele não soubesse qual a orientação de O Estado de São Paulo. Coordenemos a sua escolha com o restante do que foi dito até agora. A conclusão é interessante, ainda que nem um pouco estranha.

Quem quer saber mais como funciona o Wikileaks acessa aqui.

janeiro 14, 2011 Posted by | Política | Deixe um comentário

Maldade sem limites

 

 

Em frente ao hospital veterinário da Ulbra-Canoas/RS encontrei uma senhora recebendo um gatinho que havia sido operado. Sequer condições tive de perguntar algo. Por acaso, encontrei na Internet notícias sobre o caso e pude contribuir com as bondosas pessoas que o acolheram. Peço a quem ler essa postagem que faça o mesmo. O ato de maldade de um “ser humano” deve ser minimizado por atos de bondade de outros seres humanos. Vamos juntos tentar diminuir o efeito do mal.

O site onde estão os dados é o esse.

Banrisul-agência 0871-CC 3514802704-Liliana Souza Lima
Caixa Econômica Federal-agência 0463-conta poupança -19707-6-operação 013-Camila Lima da Silva

Itaú-agência- 7219-conta poupança 09009-4/500-Liliana Souza Lima

janeiro 14, 2011 Posted by | Geral | 2 Comentários

Signos na Vogue – Capricórnio

22/12 – 21/01

“A garota abraça seu signo regente com toda a delicadeza e serenidade de uma estátua de porcelana.”

 

 

Fonte: Sepha blog

janeiro 13, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

Gogol relançado

 

 

 

A seleção de contos O Capote e outras histórias, de Nicolai Gogol (224 páginas) é mais um lançamento da Editora 34, que, através de sua coleção Leste, vem brindando o público leitor com novas traduções de escritores russos como Dostoievski, Maiakovski, Puchkin, Tchekhov, Tolstói e muitos outros. Neste caso trata-se de um relançamento, pois a seleção foi originalmente publicada em 1990, pela editora Civilização Brasileira. Para a edição atual, a obra recebeu uma revisão completa do tradutor, Paulo Bezerra, já um nome consagrado entre nós quando o assunto é literatura russa. E não é para menos, afinal, é ele o responsável pela tradução de boa parte da obra de Dostoievski publicada pela 34.

A seleção de Bezerra contém apenas cinco contos, três dos quais estão entre as narrativas mais conhecidas e influentes de Gogol: “O Nariz”, “O Diário de um Louco” e “O Capote”. São, também, o que há de melhor no livro e só elas já valeriam o volume. As outras duas narrativas, “Viy” e “Noite de Natal”, são baseadas no folclore da terra natal do escritor, a Ucrânia, então província do Império Russo. São um excelente complemento para os três contos escolhidos e, juntos, os cinco perfazem uma obra obrigatória para o leitor da incomparável novelística russa do século XIX e princípios do XX. Isto é, para qualquer leitor de bom gosto.

 

Onde encontrar:

www.editora34.com.br

(11) 3816 6777

janeiro 11, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Algumas palavras sobre Bill Shankly

Este ano de 2011  marcará os trinta anos da morte de Bill Shankly.

O torcedor brasileiro provavelmente nunca ouviu falar dele.  Para a torcida do Liverpool, porém, este escocês nascido em 1913 é o maior nome da história de um clube cheio de grandes nomes e dono de uma mitologia própria comparável à Imortalidade gremista.

William Shankly nasceu numa paupérrima família operária em Glenbuck, interior da Escócia. Durante a infância, passou por todas as dificuldades que um operário nascido nas ilhas Britânicas no início do século XX poderia passar. Shankly costumava brincar que nunca havia tomado banho até os quinze anos e que a única oportunidade de ganhar a vida naquele lugar era trabalhar nas minas ou jogar futebol.

O menino Shankly escolheu o futebol. Tornou-se um bom jogador do Preston North End, então um poderoso time de Londres, e chegou a disputar algumas partidas pela seleção escocesa. Mas destacou-se mesmo foi como treinador. Após experiências relativamente bem sucedidas em times ingleses menores, foi contratado em 1959 para assumir o Liverpool.

É importante contextualizarmos:  o  Liverpool que Shankly encontrou em 1959 estava mais próximo do tamanho do seu homônimo uruguaio do que do mega-clube que é hoje. Era um clube local, que vivia num vai e vem entre a primeira e a segunda divisão, jogando num Anfield Road precariamente construído e frequentado por um pequeno e desanimado público. Em 1974, quando saiu, deixou uma equipe consolidada entre os melhores do seu país e do futebol europeu,  vencedor de três campeonatos ingleses, duas copas da Inglaterra e uma copa da UEFA. Deixou, principalmente, um verdadeiro exército de torcedores, que se apinhavam em pé no Estádio de Anfield para ver sua equipe e seu treinador.

Como Shankly fez isso? Primeiro, moldou uma nova cara para o Liverpool. Substituiu os calções e meias brancos do kitoriginal por equivalentes vermelhos e criou o uniforme atual, totalmente vermelho. Depois, aproximou-se da massa trabalhadora daquela cidade definida pelo seu filho mais ilustre, John Lennon, como “gente dura vivendo vidas duras em uma cidade dura” e trouxe-a para dentro do clube através de convocatórias, discursos inflamados como este e uma dedicação integral aos fãs, a quem nunca negou um minuto de sua atenção: fazia questão de responder a todas as cartas que lhe enviavam e não foram poucos os scousers que privaram da companhia do mestre em sua casa, na sala de estar, onde discutiam – fãs e treinador – sobre os jogos do Liverpool e as melhores táticas e jogadores a serem utilizados em campo.

A partir desta interação entre clube e torcida intermediada por Shakly nasceu a “Red Army”, um verdadeiro exército da classe trabalhadora comandado por Shankly que sacudia Anfield Road e apavorava adversários numa época em que os estádios ingleses eram verdadeiros caldeirões sul-americanos em pleno Norte europeu.

Por fim, criou uma maneira de jogar. Os torcedores nunca exigiram do Liverpool que desse show técnico em campo: ao contrário dos seus quase vizinhos do Manchester United, que sempre gostaram mais do toque refinado de um George Best, um Denis Law ou um Bobby Charlton, o que importava para os scousers e para Shankly era a dedicação e a garra demonstrada em campo. Durante os 15 anos de Shankly no comando, o Liverpool teve apenas um craque de verdade: Kevin Keegan. Os demais eram, como Shankly e seus torcedores, nada mais do que operários no velho 4-4-2 britânico de duas linhas que Shankly adaptou e que seria a marca registrada do grande Liverpool dos anos 70 e 80, tetra-campeão europeu, e mesmo do Liverpool vencedor em 2005. A fórmula – 4-4-2, garra, espírito de luta, companheirismo, senso coletivo – foi toda criação de Shankly.

“Sou apenas uma dessas pessoas que ficam ali, no estádio. Eles pensam da mesma maneira que eu e eu penso da mesma maneira deles. É o tipo de casamento entre pessoas que gostam uma da outra”. Assim resumiu Shankly a sua relação com a torcida. Do futebol, disse (e esta é, creio, a sua frase mais conhecida): “Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Posso garantir que futebol é muito, muito mais importante.” Era ótimo com as palavras e ainda melhor ao lidar com as pessoas. Digo sem medo de errar: ninguém, na história do futebol, foi mais amado pelos torcedores do que ele.

Ou, como ele mesmo dizia:

Acredito que a única maneira de se viver e ter sucesso é através do esforço coletivo, com todos trabalhando por todos, todo mundo se ajudando e cada um colhendo a sua parte da recompensa no final. Pode ser pedir demais, mas é assim que eu vejo o futebol e é assim que eu vejo a vida.”

Nestes trinta anos de seu falecimento, assistimos neste início de ano a certos espetáculos tristes que provavelmente deixariam o velho Shankly um tanto decepcionado com o jogo que tanto amava. E justamente por isso é que torna-se tão importante lembrarmo-nos dele neste momento.

Torcida do Liverpool saudando o treinador.

 

Torcedores invadem o campo para prestar reverência a Shankly:

 

janeiro 9, 2011 Posted by | Esportes | 1 comentário

Nem Judas traiu duas vezes

janeiro 8, 2011 Posted by | Esportes | 2 Comentários

Feliz 2011!

Greta e Marlene  foram encontradas juntas no meio da rua, em novembro de 2009.

As irmãs permanecem juntas até hoje, dando e recebendo amor entre si e dos humanos.

Este amor se reflete na postura de Marlene,à esquerda, auxiliando sua irmã Greta , à direita, nos cuidados com os filhotes desta.

 

Os filhotes nasceram dia 01/12 através de uma cesariana de emergência  realizada em um hospital que merece ser exaltado por todos aqueles que utilizam seus serviços. O Hospital Veterinário Lorenzoni (rua   Getúlio Vargas 217- Porto Alegre) tem uma equipe que dignifica a nobre  profissão de veterinários.  Respeito pelos animais e pelos seus donos é a tônica no Lorenzoni nas 24 horas em que ficam à disposição para auxiliar naqueles momentos difíceis em que um atendimento médico faz toda diferença.Agradecemos a toda equipe especialmente às dras. Joseane Salvi e às querida dra. Simone e recepcionista  Sônia.

 

Jorge, o pai

 

O Perspectiva deseja que em 2011 o exemplo de paz e harmonia que Marlene e Greta simbolizam seja uma constante para todos nós.

dezembro 30, 2010 Posted by | Geral | 4 Comentários

Uma triste profecia

 

Jorge da Cunha Dutra*

Estamos chegando a mais um final de ano. Junto com essa transição anual vem o feriado do dia primeiro de janeiro. Nesses dias, como geralmente acontece nos demais feriados do ano (ainda mais, quando é próximo do fim de semana), existe um grande deslocamento de pessoas para os mais diversos cantos do país em função das comemorações, encontro com familiares, amigos e etc. Em contraposição a esta alegria, nessas épocas de feriado, nosso país vem sendo marcado por uma profecia que não costuma falhar. Eu gostaria de não mencioná-la, mas, por mais triste que seja, sinto que é o momento de anunciá-la: “Ao fim do feriado de Ano-novo, muitas pessoas terão perdido suas vidas em algum acidente de trânsito”.

É triste, eu sei! E não pensem que estou livre desta profecia. Ela vale para todos nós. Tenho reparado que a cada feriadão que passa, os meios de comunicação anunciam o número de mortes que ocorreram no trânsito. Não recordo de ter acontecido algum feriadão em que não fosse pronunciada essa notícia.

Percebo, também, que algumas pessoas atribuem a responsabilidade, pelas fatalidades do trânsito, ao destino: “Ah… aquele jovem morreu porque já era a sua hora”. Não! Não acredito nisso! O que pode ter ocorrido foi o fato de que o respectivo jovem foi imprudente, ou o outro condutor cometeu a imprudência, ou até alguma falha mecânica de alguma das partes. Mas morrer porque já está na hora, isso não. A morte não se preocupa com o “relógio”; ela chega como um ladrão. Está sempre à espreita, esperando que algo aconteça para levar alguém. Portanto, qualquer hora pode ser “a hora” da morte chegar.

Escrevo esta reflexão para que possamos pensar em conjunto. Trago este pensamento para que possamos evitar que esta profecia se concretize neste Réveillon que se aproxima. Que cada pessoa possa parar por um momento e refletir sobre a sua vida: que pense na sua família, nos seus amigos, que pense em si mesmo. Será que desejamos, no dia 2 de janeiro, estar em um cemitério velando o corpo de alguém que amamos, ou sendo velado por nossos amigos? E avançando um pouco mais na reflexão: será que gostaríamos que alguma família estivesse sofrendo a dor da morte de alguém que ama por imprudência nossa?

Vou deixando aqui esta reflexão. Peço desculpas se fui muito duro nas palavras, mas acredito que estou transmitindo-as a tempo de evitar alguma tragédia. A morte no trânsito, por mais que esteja anunciada, pode muito bem ser evitada se agirmos no coletivo. Não acredito no destino pré-determinado, pois vejo que o destino refere-se àquilo que fazemos com a nossa vida, ou o que algumas pessoas acabam fazendo com ela. Mas, se cada um agir com prudência, seguindo as leis do trânsito, tenho a esperança de que poderemos ter o primeiro Réveillon da história do Brasil, sem mortes no trânsito. Se isto realmente acontecer, aí sim, acredito que todos poderemos comemorar um Feliz 2011!

Publicado no jornal Agora- Rio Grande/RS

 

*Aqui tudo que  Jorge da Cunha Dutra publicou no Perspectiva

dezembro 30, 2010 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

Ajudando bichinhos

O blog   querserfelizadoteumbichinho.blogspot.com divulga a situação de animais que necessitam de auxílio na região metropolitana de Porto Alegre.

Algumas pessoas não tem como adotar um animal mas sentem vontade de ajudar. O blog relata diversos casos em que os animais necessitam de doações.

dezembro 27, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Feliz Natal!

dezembro 25, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Mensagem natalina III- Cézar Busatto

 

Recebemos do Secretário Municipal de Coordenação P0lítica e Governana Local de Porto Alegre, o competente  Cezar Busatto a bela mensagem que com prazer compartilhamos com os leitores do Perspectiva.

dezembro 24, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Mensagem natalina II- Sebastião Melo

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Um fraterno abraço,
Sebastião Melo

 

Recebemos do vereador  Sebastião Melo- Porto Alegre/RS mensagem natalina que retribuímos e aqui postamos para que os bons votos externados se propaguem.

dezembro 21, 2010 Posted by | Geral | Deixe um comentário

Mensagem natalina

O cartão virtual do deputado Paulo Odone(PPS/RS) é muito bonito pela mensagem e também pelo seu colorido. Nos permitimos reproduzi-lo.

dezembro 21, 2010 Posted by | Geral | Deixe um comentário

Renato,o pai

Vídeo do Esporte Espetacular

dezembro 21, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Entrevista de Steve Jobs em 1985

“The most compelling reason for most people to buy a computer for the home will be to link it into a nationwide communications network. We’re just in the beginning stages of what will be a truly remarkable breakthrough for most people–as remarkable as the telephone.”

Thus far, we’re pretty much using our computers as good servants. We ask them to do something, we ask them to do some operation like a spread sheet, we ask them to take our key strokes and make a letter out of them, and they do that pretty well. And you’ll see more and more perfection of that–computer as servant. But the next thing is going to be computer as guide or agent.”

Entrevista completa aqui Aqui.

Como bônus: o comercial de TV que tornou a Apple famosa em todo o mundo.

Um comercial que, visto hoje, tendo-se em mente as atitudes recentes da Apple e de seu líder Steve Jobs, soa um tanto irônico.

dezembro 21, 2010 Posted by | Ciência & Saúde | Deixe um comentário

O grande salto para trás

Antes de mais nada, convido o leitor a assistir este pequeno vídeo de 1:21.

Se não ficou claro, eu explico: este é o jogo Plymouth Argyle x Santos, um amistoso disputado na casa dos primeiros, o estádio Home Park,  em 1973. O jogo terminou com a vitória dos ingleses por 3 x 2.  Talvez chame a atenção de muitos – principalmente os mais jovens – o estado do gramado, a localização da torcida e a falta de qualidade técnica dos jogadores do Argyle, compensada com muita garra e vontade de vencer. A muitos – e provavelmente também serão os mais jovens – deve chamar a atenção o simples fato de que o jogo tenha acontecido. Novamente, explico: são estes, os mais jovens, que cresceram a assistir jogos da Premier League onde os estádios são impecáveis,  onde os gramados são verdadeiros tapetes, onde os jogadores são craques ou pseudo-craques ególatras e onde a assistência não levanta das cadeiras nem para perguntar as horas a quem senta atrás. São estes jovens também que nunca vêem amistosos de pré-temporada, ou de meio de temporada, entre os nossos times e os deles.

Para quem cresceu com a idéia de que os campeonatos e os times europeus são o exemplo máximo do bom futebol estas imagens serão, sem dúvida, impressionantes. Mas nada impressiona tanto quanto o final do vídeo. Após o juiz apitar o fim do jogo, a torcida do Plymouth Argyle invade o campo, carrega seus jogadores em triunfo e o narrador, emocionado, diz o seguinte:

“É incrível que um time da 3a. divisão tenha vencido um dos maiores e melhores clubes do mundo, o Santos, por 3 x 2!!!”

Uma vitória histórica, sem dúvida. Ninguém fora da Inglaterra sabia quem era o Plymouth Argyle na ordem do dia e 99% dos brasileiros nem saberiam pronunciar sequer nome do time. Mas os ingleses sabiam quem era o Santos. Sabiam quem era a equipe que, em 1973, contava com Clodoaldo, Carlos Alberto, Edu, Cejas e, naturalmente, Pelé – chamado durante a narração de “El Maestro” na hora em que foi cobrar um pênalti. Sabiam que o Santos, quando fazia tours pela Europa, vencia a Inter de Milão por 7 x 1, a Roma por 5 x 0, o Benfica por 5 x 2, o Barcelona por 5 x 1, o Hamburgo por 6 x 0, o Sporting por 5 x 0, o Newcastle por 4 x 2, o Lyon por 6 x 2 e a Lazio por 3 x0 , dentre outros vários e altissonantes resultados -  e tudo isso, é bom lembrar, na casa do adversário. Sabiam que “era um dos maiores e melhores clubes do mundo”: one of the biggest and best clubs in the world. Vencê-los, sendo um clube pequeno, era motivo suficiente para invadir o campo como se de uma final de campeonato se tratasse – e os ingleses, nos anos 60 e 70, até os 80, sempre invadiam o campo quando ganhavam alguma coisa.

A emoção que viveu o Plymouth Argyle deve ter sido semelhante à sentida  pela Portuguesa da Ilha do Governador, do Rio de Janeiro (que consegue a proeza de ser mais inexpressiva do que a sua homônima paulista),quando venceu o Real Madrid, em 1969. Ou à vivida pelo Cruzeiro de Porto Alegre, que empatou com o mesmo Real Madrid em 1953, com Di Stéfano anulado pelo grande canoense Walter Spiess, o Waltão. É a emoção, óbvia e facilmente compreensível para todos, que vive o pequeno quando bate o grande. Os grandes, à epoca, eram o Santos e o Real Madrid. Os pequenos, a Portuguesa, o Cruzeiro e o Plymouth Argyle.

Passadas quatro décadas, as coisas aparentemente não mudaram tanto assim. A Portuguesa  carioca continua como o primo pobre da já paupérrima Portuguesa paulista. O Cruzeiro de Porto Alegre tem em comum com o Cruzeiro de Minas apenas o nome, as cores e nada mais. O Plymouth Argyle continua na Terceira Divisão inglesa e o Real Madrid continua no seleto grupo dos melhores, o grupo de clubes que o Argyle, a Lusa do Rio de Janeiro e o nosso Cruzeirinho vencem apenas nos seus mais loucos e acalentados sonhos. A diferença está no Santos. Hoje, se o Peixe enfrentar o Argyle novamente no estádio Home Park não mais encontrará um gramado maltratado pelas inclemências do clima, nem uma torcida mal acomodada porém (e talvez por isso) vibrante e muito menos uma invasão de campo ao final. Neste século XXI, o Home Park é um pequeno e confortável estádio de 20 mil lugares devidamente numerados, sem grades, perfeitamente pronto para receber o Santos à hora e ao dia que eles bem entenderem. Se por acaso acontecer de o Argyle vencer novamente, não haverá locutor para saudar a vitória dos ingleses sobre  one of the biggest and best clubs in the world. Não haverá comemorações efusivas e muito menos invasões de campo. Se o Argyle vencer, não terá vencido nada além de uma equipezinha lá do terceiro mundo que, por acaso, até tem uns bons jogadores como o Neymar e o Ganso, os quais, se tiverem sorte e mostrarem competência, estarão jogando na Europa em pouco tempo. Talvez no próprio Argyle, se o time algum dia subir para a primeira divisão e for comprado por algum bilionário da Rússia ou dos países árabes.

O exemplo talvez pareça exagerado. Sem problema. Tomemos outro então, envolvendo o mesmo Santos e outro time inglês, desta vez um bem mais conhecido: o Aston Villa. Não serão poucos os garotos brasileiros que saberão recitar boa parte da escalação desta importante equipe da Premier League: ali jogam Emile Heskey, Ashley Young, Stilian Petrov, Stephen Ireland e muitos outros bons jogadores do campeão europeu de 1982. Em 1972, porém, quando o Santos foi enfrentá-los, o Villa era um clube famoso somente dentro de suas fronteiras, participante de um campeonato de segunda linha em termos europeus: o Campeonato Inglês.  Assistam:

Os jornais da cidade estampavam um enorme Hail to the King (Salve o Rei) para saudar a presença do poderoso Santos e do santo-mor, Pelé. O estádio Villa Park esperava 50 mil pessoas, e acabou acomodando (muito mal) mais de  70 mil, quase todos em pé. Para garantir o fornecimento de luz durante o jogo (a Inglaterra vivia um período de séria crise econômica e era sacudida por greves, inclusive no setor energético) o Aston Villa alugou um gerador apenas para aquele jogo. A medida era justificada: tratava-se, afinal de contas, de um jogo contra o Santos, que era – não custa nada lembrar – one of the biggest and best clubs in the world. Hoje, se o Santos resolver interromper as jornadas do Aston Villa na Premier League, onde é um dos postulantes às primeiras posições, e propor um amistoso no mesmo Villa Park – hoje um belíssimo campo com todos os lugares confortavelmente marcados, de acordo com as exigências atuais do futebol inglês – dificilmente receberá chamadas de capa, estádios cheios ou recepção digna de reis. Aliás, a própria partida dificilmente acontecerá.

Há uma série de motivos que podem ser elencados para justificar a mudança da atitude dos europeus em relação ao futebol sul-americano, motivos estes que estão dentro e fora da seara esportiva. Nenhum deles, porém, é tão forte quanto o dado fático, e reconhecido por qualquer um que não esteja cego por nacionalismo demencial, de que há uma clara diferença de ordem técnica entre os melhores clubes da América do Sul e os melhores da Europa. Ainda se pode discutir sobre o nível dos clubes europeus médios e pequenos e os nossos dos mesmos estratos. Mas não se discute, a sério, que não há clube neste canto do mundo do nível do Real Madrid, do Manchester United ou da Inter de Milão.

Em nenhum outro lugar se percebe tão bem esta disparidade quanto nas disputas do Mundial de Clubes da FIFA e da sua antecessora imediata, a Taça Intercontinental.

Tomemos a disputa de 1999, entre Palmeiras e Manchester United. Enquanto os jogadores palmeirenses caíam no gramado, cansados e deprimidos pela derrota, os vencedores do Manchester United mal celebraram a vitória: Roy Keane comemorou seu gol de maneira burocrática e David Beckham nem esboçou sorriso ao fim dos 90 minutos. Invocar aqui a conhecida insularidade britânica para explicar o desdém do United conseguirá, no máximo, provar que os súditos da Rainha apenas potencializam um sentimento que é latente a todo clube europeu quando vai disputar estes jogos: o sentimento de que estão disputando algo que vale muito pouco ou que, muito simplesmente, nada vale. O apelido que os mesmos ingleses criaram para o torneio diz tudo sobre a importância que se lhe dão:  “Mickey Mouse Cup”. Um torneiozinho interessante e divertido (porém cansativo, porque fica longe de casa), com timezinhos interessantes lá de cantos esquecidos do planeta, cujos melhores jogadores , se preparados estiverem em termos técnicos, emocionais e civilizacionais, talvez possam até jogar na Europa.

Isto é o hoje, e quem negá-lo, repetimos, está cego de nacionalismo demencial. Mas o hoje não é o sempre, e o presente não é o passado. O estudo da História serve para, entre outras coisas, descobrirmos que a grande maioria de nossas certezas inquebrantáveis e verdades eternas são apenas as certezas inquebrantáveis e verdades eternas de nossa época, a ocupar, hoje, o espaço que já foi de velhas certezas do passado. Não é diferente com a História do futebol. A Taça Intercontinental, o Mundial de Clubes ou como quer que se chame o jogo que reúne o campeão da Europa e o campeão da América nem sempre foi uma “Mickey Mouse cup”. Era, aliás, conhecida pelo nome de Copa do Mundo de Clubes, World Cup of Clubs, sendo composta por dois jogos, um na América e outro na Europa A idéia de criá-la foi de um europeu, o francês Henri Delaunay, secretário-geral da FIFA (dizem que sob influência de Santiago Bernabeu, presidente do Real Madrid) e nasceu neste contexto de igualdade de forças entre os clubes dos dois continentes. A Libertadores da América era, basicamente, composta por jogadores sul-americanos. A Liga dos Campeões era, com raríssimas exceções, composta por equipes de jogadores europeus. Mais do que uma disputa entre dois clubes, o Mundial Interclubes era uma disputa entre as duas grandes escolas de futebol, a européia e a sul-americana, cujas características já estabelecidas após várias copas do Mundo, olimpíadas e torneios entre os dois lados.

O mundo de então era muito diferente. Não havia internet, a televisão engatinhava e o rádio, com alcance limitado, era praticamente a única maneira de acompanhar os jogos. O time sul-americano que jogava contra o europeu trazia uma dose de elemento surpresa simplesmente inimaginável para os (aparentemente) globalizados dias de hoje, elemento este que estava presente até mais ou menos o início dos anos 80, quando um atônito Phil Thompson, do Liverpool, disse nunca ter visto nada tão “diabólico” quanto aquele Flamengo que acabara de destrui-los com um 3 x 0 ainda no primeiro tempo. “Diabólico” por vários motivos que a(s) distância(s) entre o sul-americano do Rio de Janeiro e o norte-europeu de Liverpool fazem supor, mas, essencialmente, por serem substancialmente diferentes. O europeu, por outro lado, também trazia novidades, como foi o caso notório do Honved de Budapeste e suas famosas excursões pelo Brasil nos anos 50, presentes na memória de todos quantos o assistiram.

No jogo da Intercontinental, enfrentava-se um adversário onde todos, ou quase todos os seus titulares eram compatriotas, jogavam juntos por anos, tinham seu próprio estilo, sua própria maneira de jogar e assim por diante. Para ser considerado, de fato, o melhor time do mundo era preciso passar por este teste. Para sair do seu quintal e ganhar o planeta era preciso vencer o outro lado – porque, efetivamente, havia um outro lado digno de ser vencido. E atesta-o a resposta de Jimmy Johnstone, sensacional ponta-direita do Glasgow Celtic campeão europeu de 1967, quando lhe perguntaram qual o sabor de vencer a poderosíssima Inter de Milão na final: “Foi inacreditável. Você deve lembrar que, na época, eles eram nada menos do que bicampeões mundiais de clubes”. Um argumento que, hoje, dificilmente seria invocado para atestar a qualidade de uma equipe européia.

Quanto as coisas começaram a mudar? Difícil precisar. O êxodo de jogadores sul-americanos para a Europa começou para valer nos anos 80 (no caso de argentinos e uruguaios, um pouco antes), com a crise econômica que atingiu a região e a crescente valorização da Liga dos Campeões da Europa, que passou a dar prêmios milionários para seus vencedores. Como explicar, porém, a falta de preparação do Liverpool para a final de 1981 (não tanto quanto alguns ingleses gostam de pensar e não tão pouco quanto alguns flamenguistas gostariam de achar) e a sua ausência em duas finais, em 1978 e 1979, por desistência? Seria simplesmente a já citada insularidade inglesa? Nem tanto. Uma rápida olhada para trás talvez nos aponte uma resposta. No meio da década de 60, o Santos, farto da violência nos estádios de países vizinhos, da baixa premiação e do calendário atribulado, decidiu não mais dar importância à Libertadores e participar – quando participava – somente com o time reserva , no que foi seguido por outros grandes clubes brasileiros de então. Isto abriu espaço para o surgimento de um determinado estilo de futebol, originário do Prata, cujas origens , por si só , mereceriam um post à parte e cujas características dispensam maiores apresentações. Pois bem: em 1967, o Glasgow Celtic, vencedor da Liga dos Campeões (primeiro clube britânico e norte-europeu a vencê-la), vai enfrentar o Racing argentino, campeão da Libertadores. No jogo de ida, vence por 1 a 0. No jogo de volta, perde por 2 a 1 e enfrenta uma batalha campal raramente registrada, que se repete no jogo-desempate disputado em Montevidéu. Os escoceses voltaram para casa contando toda sorte de barbaridades e a saga do Celtic na América do Sul chegou a inspirar uma música. No ano seguinte, o Manchester United de George Best, Bobby Charlton e Denis Law enfrenta o Estudiantes de la Plata. No jogo de ida, 1 a 0 para o Estudiantes, com muita catimba e violência. George Best é caçado em campo e após receber repetidos chutes nas canelas de seu marcador, pega a bola na mão e entrega-lhe, dizendo “Quer tanto essa bola? Tome-a, mas pare de dar pontapés!”. E isto tudo, lembremos, na sequência da Copa de 1966, da expulsão de Rattin contra a Inglaterra e da polêmica  declaração do treinador inglês, AlF Ramsey, de que os argentinos eram um bando de animais.  O jogo de volta ocorreria em Manchester, com recordes de público e renda, e o resultado foi um empate por um gol, dando o título ao Estudiantes. Um título que marcou a última partida de um clube inglês no antigo formato do Mundial Interclubes, devido – esta foi a explicação oficial – à violência dos clubes sul-americanos quando jogavam em casa. Isto é o que se conta. O que não se conta foi a violência dos jogadores do Manchester United no jogo de volta: o volante Paddy Crerand, legítimo exemplar de hardman do futebol britânico dos anos 60, distribuiu bordoadas durante o jogo todo e George Best foi expulso após dar um soco num jogador argentino. A torcida inglesa não ficou atrás: jogava objetos no banco de reservas dos argentinos e gritava “Animals! Animals!” como se comandada pelo treinador de sua seleção nacional. Os jogadores do Estudiantes ensaiaram uma volta olímpica, mas foram imediatamente interrompidos: a qualquer momento os ingleses poderiam invadir o gramado e trucidá-los.

Nos anos 70,  o argumento da violência afastou os europeus e a competição chegou a não se realizar em 1975 e 1978.  O torneio voltou em 1980, num jogo só, em Tóquio, longe das crises políticas, da violência e da selvageria dos latino-americanos. Resolveu-se um problema e na sequência veio outro: a retomada da Copa coincidiu com o início o êxodo sul-americano para a Europa, o consequente fortalecimento em massa dos clubes europeus e paulatino desequilíbrio de forças entre os dois campeões continentais, retirando o clima de disputa ferrenha (com vantagem para os sul-americanos) que caracterizaram as primeiras edições do torneio nos anos 60. O problema só cresceu com o tempo até chegarmos à situação que temos hoje.

Não resta dúvida de que a única maneira de a competição voltar a ganhar interesse é o fortalecimento dos clubes sul-americanos. Foi isso que transformou um campeonato de baixo nível técnico, sem nenhuma divulgação no exterior e exportador de seus melhores craques, o inglês, na liga mais rica do mundo, suplantando os tradicionalíssimos campeonatos italiano e espanhol e atraindo alguns dos melhores jogadores de todas as partes. E é isso que fará os clubes sul-americanos – e brasileiros, principalmente – voltarem a ser respeitados na cena internacional, não só pelos europeus como pelo resto do mundo. Todas as outras medidas- mudanças na fórmula de disputa, de sede, de clubes participantes – são paliativos de curto alcance.

O caminho a percorrer é longo: é  um caminho, basicamente, de retorno a um patamar onde estávamos meio século atrás. E não há caminho mais duro de se trilhar do que o de retorno ao topo. Tentar voltar a ser grande após tê-lo sido é uma tarefa tão difícil que o simples fato de tentar realizá-la já é sinal de grande coragem. E é isso o que os clubes brasileiros vêm buscando fazer  nos últimos tempos, mais propriamente há uns 3 anos. Driblando as dificuldades inerentes à nossa condição periférica e aproveitando como podem a recente e, espera-se, sólida ascensão econômica do Brasil no cenário econômico internacional (acompanhada da decadência econômica do Velho Continente), os clubes brasileiros vêm tentando de todas as formas – com patrocínios especiais, contratos especiais, acordos especiais – atrair alguns jogadores brasileiros que estavam na Europa e segurar algumas das nossas melhores revelações. O retorno de um Elano ou um Fred, o empréstimo recente de um Robinho, a manutenção de um Neymar ou de um Giuliano entre nós, a chegada de bons vizinhos hispanos como D’Alessandro, Dario Conca, Loco Abreu e outros poderiam ser o sinal de um bom e alvissareiro recomeço para o futebol sul-americano. Se tentar voltar aos píncaros de uma glória é uma tarefa complicadíssima, tão complicado quanto isso é recomeçar de fato a trajetória que nos leva até lá. O futebol brasileiro e, em menor medida, o sul-americano estava retomando o caminho. E o mundo já dava mostras, tímidas ainda, de que reconhecia esta retomada, através de uma citação de pé de página aqui, uma menção ali, uma pequena reportagem acolá.

Eu disse estava. Já não está mais.

Desde o dia 14 de dezembro de 2010, todo o trabalho realizado por dirigentes, torcedores, jogadores e todos os envolvidos com o futebol da América do Sul foi por água abaixo. Quando a bola do segundo gol do Mazembe morreu no fundo do gol do Internacional, morria também, no nascedouro, todo osesforço concentrado desde pelo menos 2008 para dar renome internacional ao futebol deste lado do mundo.  O Internacional não era, neste ano, apenas o favorito contra o Mazembe. Não era o time sul-americano que passaria à final com os italianos para servir de saco de pancadas ou para, se armasse uma retranca, talvez vencer com um golzinho salvador. O Internacional era, neste momento histórico, a equipe brasileira e sul-americana que poderia, pela primeira vez em muitos anos, fazer um jogo franco e aberto com o campeão europeu e vencê-lo jogando apropriadamente e não como clube pequeno. Talvez até perdesse. Mas perderia jogando de maneira frontal e franca e não como um rato acuado por um leão, como o São Paulo contra o Liverpool ou o próprio Internacional contra o Barcelona, em 2006, que acabaram vencendo por lances casuais. Quem duvida da percepção européia do que era o Inter e de como poderia se comportar deveria ler esta matéria do prestigiado jornal Gazzeta Dello Sport sobre os colorados. O Internacional é aqui descrito como um clube com excelente estrutura, uma equipe organizada, “a mais européia das equipes brasileiras”, com vários jogadores de experiência internacional e convocações para seleções, organizado taticamente e sem nenhum dos estereótipos normalmente associados ao futebol do Brasil e da América do Sul e ao próprio Brasil e à América do Sul como um todo. Era, em suma, um adversário de verdade para a Internazionale , capaz de fazer da final do Mundial um jogo que valeria a pena ver. Sem condescendência européia para não ofender seu potencial mercado consumidor do Hemisfério Sul, sem esgoelar-se tresloucado sul-americano para garantir uma vitória por meio a zero: um jogo de verdade. Pela primeira vez em muito tempo. O primeiro de muitos nos anos que viriam. O primeiro verdadeiro passo do turning point do futebol sul-americano.

Pois bem. Quem lê em inglês pode acessar os textos do britânico Tim Vickery ,jornalista da BBC inglesa e da Sports Illustrated . Mister Vickery vive no Rio de Janeiro desde 1994 e abastece seus conterrâneos com informações sobre o futebol sul-americano. No mundo de língua inglesa, ele é tido como uma grande autoridade no assunto, recebendo, por isso, o apelido de “Legendinho” (“Legend”, lenda em inglês, mais o “inho” que o mundo associa aos brasileiros) e é ele, basicamente ele, quem orienta os europeus pretensamente mais informados sobre o nosso futebol. Se você, leitor, encontrar por este mundo afora algum europeu e, especialmente, algum inglês que fale do futebol sul-americano como se soubesse alguma coisa, pode ter certeza de que ele acompanha o blog de Mr. Vickery. O trabalho do jornalista inglês pode ser considerado relativamente bem feito: traz muita informação sobre os clubes e os jogadores daqui e neste aspecto, o da informação pura, ele é bastante satisfatório;  o mesmo nem sempre se pode dizer de suas opiniões e avaliações, que são, e com alguma frequência, baseadas em erros mais ou menos graves, histórias contadas pela metade ou sem qualquer comprovação, omissões (deliberadas ou não) de certas informações e uma tendência, embora não muito forte mas presente, de dizer aquilo que sua platéia – no caso o leitor europeu e, sobretudo, o britânico – deseja ouvir. Mas é ele, e não outro, quem os inforna e saber sua opinião é, portanto, importante para quem quer avaliar o impacto de uma derrota como a do Inter. E sua opinião está aqui. É esta opinião que correrá o mundo. Está correta sua na maior parte – equivocada num ou noutro ponto, quando avalia alguns jogadores (um dos mais sensíveis calcanhares de Aquiles do trabalho de Mr. Vickery) – e, embora ressalte, no final, o princípio de fortalecimento econômico de nossos clubes (e países), ressalta ainda mais a situação de inferioridade dos mesmos em relação aos europeus. A derrota do Internacional apenas reforçou esta idéia. Se era possível falar de algo como o começo do renascer do futebol sul americano – e nada além disso, um começo de um renascer – ele morreu antes de chegar a acontecer. Todo o caminho até agora trilhado de nada valeu. Todo o esforço foi inútil. Voltamos à estaca zero. Se há uma palavra certa para caracterizar o impacto desta derrota, esta palavra é tragédia.

Está tudo perdido? Creio que não. Ainda podemos, sim, trilhar a mesma estrada de novo, the long way to the top. Mas agora, diante de um mal já feito, diante de um estrondoso fracasso, a nossa resposta à altura precisa ser nada menos do que um estrondoso sucesso. E este estrondoso sucesso precisa ser nada mais, nada menos, do que uma vitória incontestável, ressoante e firme de um clube sul-americano sobre um europeu no próximo Mundial de Clubes. Isto, e somente isto, poderá retomar o caminho que, a duríssimas penas, tentamos iniciar nos últimos anos. Isto, e somente isto, poderá anular o grande salto para trás que o Sport Club Internacional deu neste último Mundial de Clubes e levou a todos nós, sul-americanos, junto com ele. Isto, somente isto, poderá colocar um clube brasileiro, de novo, entre “the biggest and the best clubs in the world”.

dezembro 20, 2010 Posted by | Esportes | 7 Comentários

Record ” sem noção”

Se fossemos procurar um exemplo do que significa a expressão’ sem noção” poderíamos utilizar o programa do Gugu com   o bloco “Saindo dos trilhos”  que a  Rede Record teve o descaramento de transmitir . A apresentadora, com um tom de voz semelhante ao de  Lilian Celiberti quando faz referência a lances esportivo  empolgantes ,  narra para quem  teve o mau gosto de sintonizar o canal, acidentes de trens. Isso mesmo, narra empolgadamente acidentes de trens.

 

dezembro 19, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Eleição de Final de Ano do Redação SporTv contempla clubes gaúchos

O programa Redação SpotTv promoveu hoje sua eleição de final de ano. Diversas categorias foram objeto de votação pelos  abalizados comentaristas do conceituado canal de esportes , André Rizek, Lédio Carmona, Renato Maurício Prado e Luiz Carlos Junior. Nos ocuparemos aqui apenas dos títulos vencidos pelos clubes gaúchos. O Internacional saiu vencedor na categoria Mico do ano, pela performance no Mundial de Clubes da FIFA. Já o Grêmio foi lembrado por seu jogo diante do Santos na Copa do Brasil ( 4×3)  e venceu como  a torcida mais feliz do Brasil em 2010.

O Perspectiva cumprimenta os vencedores.

 

 

dezembro 17, 2010 Posted by | Esportes | Deixe um comentário

Recordando Gabiru ou A bola pune?

Leia aqui o que publicamos em 14 de dezembro de 2007

dezembro 14, 2010 Posted by | Esportes | 1 comentário

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