PERSPECTIVA

Una ‘torcida’ que nunca calla

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abril 8, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Entrevista: Aírton Pavilhão-“É maravilhoso saber que eu fiz tanta gente feliz”



O ano é 1962. Os jogadores da Seleção Brasileira convocados para a Copa do Mundo do Chile estão treinando em Campos do Jordão, região serrana do Estado de São Paulo, escolhida a dedo para acostumar os jogadores do “escrete” ao clima e à altitude dos Andes. O zagueiro Aírton Pavilhão, do Grêmio (o único convocado de fora do eixo Rio-São Paulo)  recebe uma bola na frente da área e dirige-se até a bandeirinha de escanteio, no que é acompanhado pelo adversário do treino. Chegando lá, Aírton parecia encurralado: atrás de si, o atacante; à frente, o final do campo. De repente, para surpresa de todos, ele gira o imenso corpo de 1m89cm e posicionando a bola do lado de fora do pé esquerdo, chuta-a com o peito do pé direito fazendo um lançamento para o goleiro Gilmar, a alguns metros dali. A isto antigamente chamava-se “dar de Charles” (hoje, chamaríamos “dar de letra”), e era uma jogada muito utilizada por atacantes habilidosos. Eu disse atacantes – nunca um zagueiro comum faria uma coisa dessas. Eu disse um zagueiro comum – não Aírton Ferreira da Silva. Todos ficaram boquiabertos com o lance, inclusive o treinador, Aymoré Moreira, que nunca vira nada parecido. E como nunca vira nada parecido, achou melhor dispensar Aírton do grupo que iria ao Mundial, com medo que ele repetisse e errasse a jogada durante o torneio. A verdade é que o único errado nesta história era o próprio Aimoré Moreira: Aírton nunca errou aquela jogada. Com isso, o Brasil perdeu a chance de ter tido o primeiro zagueiro, desde Domingos da Guia, a rivalizar em talento com os nossos melhores atacantes e a chamar a atenção do resto do mundo. A seleção de 1962 ficou mais pobre sem ele.

 


Mas Aírton era muito mais do que uma jogada de efeito. Era, para dizer tudo de maneira simples e direta, um zagueiro tecnicamente perfeito: excelente na saída de jogo, sem rival na bola aérea, habilidoso como um ponta-direita, forte como um halterofilista e, ao mesmo tempo, absolutamente leal em todas as disputas de bola, a ponto de receber elogios públicos de Pelé numa época em que os zagueiros de todo o mundo apelavam para os safanões quando enfrentavam o Rei do Futebol.

Ao procurar Aírton para esta entrevista, não lidamos com assessores de imprensa, não precisamos marcar horário na agenda e não esperamos horas ao telefone para falar com um intermediário. Dirigimo-nos ao estádio Olímpico numa tarde de sexta-feira e, a alguns poucos metros dele, batemos palmas em frente a uma casa (não por acaso) azul e, após passarmos três longas e inesquecíveis horas na companhia de Aírton, o nosso Aírton, o maior zagueiro da História do Rio Grande do Sul,  ainda fomos convidados para, no dia do próximo jogo do Grêmio, passarmos ali para conversar um pouco mais. Enquanto isso, deixamos aos leitores o resultado da conversa daquela tarde.

 

 

O senhor começou no Força e Luz, um time que era conhecido por revelar jogadores para a dupla, e ali ficou de 1949 a 1954. Naqueles tempos, o clube chegava a complicar para a dupla Gre-Nal?

 

Não chegava a tanto. Quem complicava mesmo era o Cruzeiro, que tinha um excelente time.  Mas o Força e Luz revelava, sim, muitos jogadores bons, que atraíam a atenção da Dupla. Foi o que aconteceu comigo. Em 1954 eu fui para o Grêmio, em troca de um pavilhão do antigo estádio da Baixada, mais 50 mil cruzeiros.

 

E daí veio o apelido…

 

Exatamente. O Grêmio estava tentando montar um time forte para enfrentar o Inter, que ganhava tudo naquela época e tinha jogadores como Larry, Bodinho, Chinesinho, Oreco e outros. O nosso  treinador na época era o seu Osvaldo Rolla, o Foguinho, que  me tirou da posição de centromédio, onde eu comecei, e me pôs na de zagueiro. Esse meu período como centromédio do Força e Luz foi muito bom, porque quem joga nessa posição precisa desenvolver o passe, o posicionamento e a visão de jogo, e foi o que aconteceu comigo. Estes fundamentos foram muito úteis quando eu comecei a jogar de zagueiro. Na época, o titular era o Ênio Rodrigues, e o seu Rolla, pra eu entrar, pôs ele para o lado do campo.

 

Na época, quem eram as principais forças do futebol gaúcho?


Além de Grêmio e Inter, tínhamos o Renner, Cruzeiro, Aimoré, Pelotas, o Brasil de Pelotas e vários outros. Naquela época, o Campeonato gaúcho era muito forte. Se perdesse um ponto, perdia o campeonato. Não podia perder a linha de jeito nenhum. Para mim, era mais difícil que o campeonato brasileiro de hoje. Hoje todos os craques vão embora e antes não era assim, todos ficavam por aqui.

 

O senhor cresceu numa época em que o Inter era mais poderoso do que o Grêmio, não?

 

Sim, o Inter não perdia para ninguém. Era o time do Tesourinha! Mas eu, felizmente, nunca joguei contra ele. Quando ele estava no Inter eu ainda era muito guri, e quando ele veio para o Grêmio eu estava começando e ele prestes a encerrar a carreira, então nunca nos enfrentamos.

 

Antigamente, a diferenciação entre as duas torcidas era maior do que hoje, não?

 

Sim, era mais clara. O Inter era mais povão e o Grêmio era mais elitista.

 

Quando começou a disputar jogos contra equipes de fora?

 

Quando o Grêmio começou a ganhar títulos estaduais, começamos a jogar contra o Santos, o Botafogo e outros clubes do centro do país pela antiga Taça Brasil, que reunia os campeões estaduais. O Grêmio começou a jogar fora,  jogamos no Rio, São Paulo e em outros lugares. Depois, passamos a fazer excursões, que era uma coisa que os clubes brasileiros faziam muito na época. Fomos pra Europa e o time começou a plantar uma sementinha para ser famoso. Ganhamos de todo mundo na Grécia, jogamos na Rússia, Alemanha…..

 

Numa das excursões que o Grêmio fez pela Europa, jogou contra o Real Madrid. Como foi marcar Puskas?

Quando entrei em campo  e eu vi aquele baixinho pegar com o pé esquerdo de um jeito diferente e eu disse, “bah, esse canhoto é bom”. Não deu outra: ele acabou com o jogo e perdemos para eles. O Real Madrid naquela época era quase imbatível. Perdemos também para a seleção da Rússia lá e eu não me conformei. Solicitei que o Grêmio trouxesse os russos para cá, para a revanche, e aí ganhamos deles.

Em 1959, o Grêmio foi o primeiro clube estrangeiro a vencer o Boca em La Bombonera. O senhor estava lá. Como foi aquele jogo?

 

Bom, primeiro é importante falar que o Boca era uma equipe excepcional. Eles tinham o Rattin, um centromédio espetacular, um dos melhores jogadores do mundo na época. Na entrada do estádio era uma festa , papel picado, eles cantando “Boca, Boca”……..era a primeira vez que eu via uma festa daquelas. Eu saí do jogo surdo, o ouvido ficava zumbindo! Era um terror. Não estava acostumado com aquilo, porque o jogo aqui no Brasil era calmo. Quem venceu o jogo para nós foi o Gessi, que tinha passado no vestibular para odontologia e chegou para o jogo meio “alto” (risos). Mas ele jogava muito, muito!

 

Como se sente sendo reconhecido nas ruas?

O que me emociona é ver alguém dizer que o pai falava muito de mim, ou um homem, já adulto, me agradecendo por ter feito o pai dele tão feliz. A minha auto-estima vai lá em cima. É maravilhoso saber que eu fiz tanta gente feliz. Esses dias, eu estava sentado e de repente passa um guri de 10 anos e grita “E aí, Pavilhão?” (risos). Um guri de dez anos! Apesar disso, eu acho que o Rio Grande do Sul é um estado que não tem memória. O único jogador que entrevistam sou eu. Eu fico louco com isso.  Alcindo, Florindo, Alberto, onde estão? Não dão o devido valor pros jogadores antigos. Tu paras de jogar e pronto, morreu. O único que lembram sou eu e isso me faz sentir mal. O Alcindo jogou Copa do Mundo, o Alberto foi convocado para a seleção….foram tantos. Mas felizmente eu sempre sou reconhecido, o que gera também situações engraçadas.Às vezes o Grêmio perde e eles passam ali brabos, e eu estou ali quieto. Eles dizem “tu também és culpado” e eu digo “Eu? Eu parei há quarenta anos! (risos).

 

Como foi enfrentar o Pelé?

 

Olha, marcar o “negrão” no mano a mano era brabo. Mas ele nos respeitava muito. Agora, quando o Inter foi campeão da Libertadores, ele disse que eles conheciam mais o Grêmio, por causa dos jogos na Taça Brasil. Uma característica do Pelé é que ele era forte e objetivo, não era tipo  o Ronaldinho que fica driblando para lá e para cá. Ele pega a bola e partia para cima, não ficava dando driblezinho à toa. O Ronaldinho….(risos) Eu queria marcar o Ronaldinho!

 

Porque?

Porque ele dribla muito. É muito mais fácil de marcar o Ronaldinho que o Pelé.  Esses dribles para o lado que ele fica fazendo dão oportunidade do defensor tirar a bola dele. Só toma drible do Ronaldinho quem é bobo. Eu gostava de jogar com aquele jogador que driblava na minha frente, pois esse é mais fácil. O complicado é quem é forte e vai direto pro gol. Esses são os mais dificeis. Já o Garrincha era diferente, era driblador mas também era objetivo e, diga-se de passagem, muito gente fina, estive com ele na Seleção.Nunca joguei contra ele, mas era mais fácil que o Pelé, com certeza. É que nem a cobra e o sapo. A cobra não ataca. Quem tenta fugir é o sapo. Era isso que eu tentava fazer.

O senhor estudava seus adversários?

Sempre que podia, eu assistia a jogos para saber como é que os caras jogavam. Esse cara do Inter, D´Alessandro, por exemplo, ele é canhoto e entra pela direta. Se eu assistisse os jogos dele, saberia que o melhor era esperar ele tocar a bola. Assim, ele nunca passaria por mim.

Acha que os zagueiros cometem hoje erros que não cometiam na sua época?

 

Claro. Cometem erros bobos. Por exemplo, os gols de cabeça os zagueiros de hoje tomam a todo momento. E sabe porque? Porque ficam empurrando o cara. Quem entra pro gol? A bola. Eles não marcam a bola. Eu não quero saber do jogador, eu quero a bola. E eu fiz sempre isso. O Grêmio, na minha época, não tomava gol de cabeça. O segredo é olhar para a bola, é só seguir em direção a ela. Eu falo isso na TV e eles ficam loucos. Eu queria fazer uma entrevista assim: eu no meio e todos os ‘entendidos’ fazendo perguntas. Não precisa ser jogador para ser treinador, mas é como o pessoal fala, só manda quem sabe fazer. Se não teve a prática, não tem como. E eu tive. Sempre quis fazer o melhor e ser diferente dos outros. Uma vez joguei contra o Pelé e sem querer trombei nele –  ou melhor, ele trombou no meu corpo –  e aí quem ganhou fui eu, que era mais alto e forte. Ele caiu, e eu disse “tudo bem, negrão”?. E ele “tudo, Airton, não se preocupe porque eu sei que você não precisa disso”. Quase me arrepio quando lembro disso!

 

 

Que homenagem!

 

Uma senhora homenagem. Como eu disse,  sempre fiz questão de ser um jogador diferente dos outros. Os treinadores às vezes me  mandavam bater, mas eu sempre desobedecia. Tu, por exemplo, se fores ser advogado, não podes ser qualquer um, tens de ser o melhor advogado. Eu pensava: se eu tenho a chave da porta, porque vou arrombar? Se eu machucasse algum jogador eu ficava com vergonha, porque significava que eu não podia com ele. Eu sempre quis fazer o melhor de mim e ser o melhor de todos, e isso valia para o Grêmio também. Se na minha equipe um  amigo meu errasse eu dizia “sinto muito, gosto de ti, mas tu vai sair do time” e eu dizia pro treinador, esse aí não dá. Para teres uma idéia, eu fiz 125 gols na minha carreira. E olha que a gente jogava quase sempre só no domingo e muito pouco na quarta. Senão ia fazer muito mais gols. Todo ano eu era o melhor jogador do campeonato. Aí parei de disputar, porque era sempre o melhor.  Aí fui me convencendo que eu era realmente o melhor. E que era bom mesmo.

 

Depois de alguns confrontos com Pelé, chegou a ser pretendido pelo Santos, não é?

Sim. Joguei 3 meses emprestado para o Santos. Só que acabei querendo voltar, porque tinha medo de avião e o Santos viajava muito pelo mundo. A linha deles era Durval, Coutinho, Pelé e Pepe. Não tinha como perder com esses aí. E ainda tinha o resto do time, que também era excepcional.

 

Sem contar a famosa jogada que o senhor fazia, levando a bola para a linha de escanteio e, de “Charles”, atrasando-a para o goleiro…

 

Sim, e pior é que tinha centroavante que ficava brabo comigo por causa da jogada, queriam dar em mim! O centroavante Almir Pernambuquinho era um deles. Por isso, eu queria marcar o Edmundo, Ronaldinho e esses que são mais debochados. Esses aí, eu levava lá no cantinho e fazia a jogada! (risos)

 

Quem foi o maior treinador que o senhor teve ?

 

Osvaldo Rolla. Esse sabia de tudo. Ele foi fantástico. Conhecia muito de tática. O seu Rolla  gostava muito do time da Hungria em 1954 e aplicava o mesmo no Grêmio. Colocou só zagueiro grandão lá atrás e fez todos participarem do jogo. Mas eu também jogava o meu jogo independente dos treinadores. Se o treinador me dissesse para fazer isso ou aquilo, eu ouvia e dizia “sim senhor” – e não fazia. Ia jogar o meu jogo. Se ele dizia “ Airton , não vai cabecear”,  eu dizia “sim senhor”,e eu ia. E s e fizesse o gol, ele não tinha do que reclamar! (risos)

Como foi a sua passagem pela seleção?

 

A primeira foi no Panamericano de 1956, quando fomos campeões. Depois, cheguei a ser convocado para ir à Copa de 62.

Airton na Seleção Brasileira 1962- último à direita na fila de cima

 

Foi o único jogador de um clube de fora do eixo Rio-São Paulo a ser convocado.

 

Sim, isso mesmo. O problema é que, num treino, fiz a jogada de “Charles” e o Aimoré Moreira, treinador do Brasil naquele ano, ficou com medo, não gostou e eu fui cortado. Além disso, o jogador gaúcho nunca conseguia espaço. Muito raramente nos davam chance.

 

Acha que se tivesse jogado no centro do país teria tido mais visibilidade?

 

Sem duvida. Hoje eu penso que deveria ter ido para fora. Acho que comigo aconteceu como naquela história do barco, em que o cara está se afogando, pede ajuda para Deus, passam vários barcos, ele continua pedindo ajuda e, de repente, ele morre e Deus diz “rapaz, eu te ajudei, te mandei vários barcos e não aproveitaste nenhum!”. Foi o que aconteceu comigo. Ele me disse, vai lá para ser o melhor do mundo e eu fiquei no Rio Grande do Sul. Não por causa do dinheiro. O resto queria me ver e não me viu. Aí eu não posso culpar Deus, pois eu é que não aproveitei. Quando eu vejo um  jovem me agradecer por eu ter feito o pai dele tão feliz, eu penso sempre que eu tinha mais coisa para dar. Eu podia ter dado mais de mim. Eu poderia ter feito mais gente feliz.

 

O senhor acha que os centroavantes hoje são muito supervalorizados?

 

Acho, pelo menos os que jogam aqui. Antes, todos os bons jogavam aqui. Hoje, os jogos me enjoam. Assisto meio tempo e me enjoa. Eles só jogam para o lado, e eu quero jogo para a frente. Viu o jogo do Gremio ontem? O único que põe o time para a frente é o Rochemback. Eu fazia como ele, era o homem surpresa. O Grêmio é interessante, joga bem um jogo, joga mal um mês. Aquele time anos 60 jogava bem quase todo jogo. A gente quando errava ficava louco. Joãozinho, Volmir, Alcindo, era incrível o que aquele time fazia. E nós éramos bem balanceados, tínhamos um ataque muito bom e uma defesa muito bem organizada. É como se diz: um ataque ganha jogo, mas uma boa defesa ganha campeonato.

 

As condições eram piores na sua época?

 

Muito piores. A bola era mais pesada, o campo era pior, e a torcida queria te matar. Quando a gente jogava no interior,os torcedores rivais queriam acabar com a gente! A gente comia pó para chegar em Bagé, porque não era asfaltado. Tudo era mais difícil.

 

Como avalia os zagueiros de hoje?

 

Olha, o Lucio é o melhor, mas, como eu disse, os zagueiros de hoje não têm o mesmo nível da minha época. Hoje todos jogam com líbero, com volantes, com jogadores fazendo cobertura. Na minha época não era assim. Zagueiro que é bom para mim, é o bom no mano a mano. É raro encontrar um assim. Nunca gostei de jogar com libero. Era vergonha para mim. É uma maneira de eu dizer que eu não tenho condições.

 

 

Dos zagueiros que jogaram em sua época, com quem o senhor gostaria de ter feito dupla?

Ah, tem vários. No Inter tinha o Florindo, que era um jogador fora de série. O pessoal da  minha época era incrível. Nilton Santos era incrível, Djalma Santos era melhor ainda. O Bellini era diferente, era mais durão. Eram vários.

 

O senhor mora em frente ao Olímpico, jogou toda a vida no Grêmio, tornou-se um símbolo do clube……já pensou em como vai ser quando ele for destruído?

 

Olha, nem quero pensar (risos). Nem sei como vai ser. Vou ficar muito, mas muito triste. Todos os campos em que eu joguei acabaram.  Aquele campinho do Força e Luz, onde eu comecei,  foi desmanchado; o do Cruzeiro, a mesma coisa; o Eucaliptos, do Inter, onde joguei tantas vezes, também. O Olimpico era último estádio desses antigos que tinha sobrado. Todos foram embora. Todos terminaram. O seu Hélio Dourado não queria que o estádio fosse destruído. Aliás, eu mesmo, nos anos 70, ajudei o Sr. Dourado e fazer a campanha para buscar tijolo, para a torcida construir o estádio, porque a verdade é que o Olímpico foi construído pela torcida do Grêmio. E hoje querem construir um novo…..tanta coisa por um ou dois jogos da Copa……

 

Tinha boa relação com o pessoal do Inter?

 

Tinha. E eles tinham uma relação de amor e ódio comigo. Vou lhe contar uma emoção que eu senti. Era um Grenal , jogo duro, e eu estou lá atrás como zagueiro e nós estamos atacando lá na frente, na área deles. De repente, olho para a torcida e eles começam a me vaiar, e eu disse “o jogo está lá, olhem para o jogo!”. Naquele momento, eu pensei, “deixaram de ver o jogo para prestar atenção em mim. Eles realmente me amam”.

 

A diferença de salário era muito grande do Santos para o Grêmio?

 

Ah, pagavam muito mais. O Santos pagava muito melhor. Mas não era pelo salário que eu quis ir para lá, e sim para me tornar mais conhecido, para me apresentar para mais gente, para que mais pessoas me vissem. Era muito difícil se tornar conhecido jogando aqui, naquela época. E o nosso jogador, aqui do Rio Grande do Sul,  para aparecer é brabo.O Gremio quando é campeão do mundo dizem que foi sem querer, e o Flamengo, quando ganha, fazem um carnaval. O Everaldo foi para a seleção para ser reserva. Era melhor que o Marco Antonio. Mas vou dizer: nenhum dos dois era melhor que o Ortunho.

A relação que os senhores tinham com o clube antigamente era diferente da que se vê hoje?

 

Eu acho que o jogador tem que ter dois amigos para entrar em campo, o juiz e torcida. Se ela gostar de ti, tudo bem. Hoje é tudo diferente, porque o salário é outro, os valores são outros……..e, como eu disse, eu pessoalmente nunca liguei tanto para dinheiro. Sabe do que eu tenho raiva? De homem velho, político, que quer cada vez mais dinheiro. O que dá depois? Briga de família. Tenho nojo de político ladrão. Se eu ganhar 5 mil, ganhar um bom carro, boa casa ,um bom emprego, já me chega. Se eu quiser mais, já me começa a incomodação. Nunca sabe se quem se aproxima, se aproxima por amizade ou por interesse. Então, eu vejo essa diferença, os jogadores de hoje ganham milhões e têm uma vida muito diferente da que a gente tinha, e isso reflete na relação com a torcida. Mas tem uma coisa que eu noto de diferente na torcida.  Hoje as pessoas saem do jogo e não estão rindo, estão apreensivas, nervosas, irritadas. Antes, as pessoas saíam rindo do jogo.

 

Entrevista publicada no jornal O Timoneiro

 

abril 8, 2011 Posted by | Esportes | 2 Comentários

Família McGhee do estado de Ohio,EUA

l Rozonno e Mia McGhee e seus seis filhos recém nascidos.

abril 5, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

Agente X-9

 

 

 

A gíria “X-9” tem,em certos círculos, o mesmo significado que “dedo duro” para a população em geral. Cabe perguntar: de onde veio a palavra? Ao contrário da sua homóloga mais conhecida, que traz logo à mente uma imagem bem clara de um delator fazendo um gesto característico, esta expressão aparentemente nada significa. Constituída apenas de uma letra e um número, parece ficar bem como codinome. E de fato fica – porque é, realmente, um codinome. Assim era chamado o agente Phil Corrigan entre os seus companheiros de trabalho nas tiras em quadrinhos Secret Agent X-9, publicada nos jornais americanos entre 1934 e 1996. Com tantos anos de divulgação e sucesso, fica fácil entender porque o nome pegou.

As tiras do agente X-9 também foram publicadas em jornais brasileiros e chegaram a ganhar revistas próprias. A estas vem se juntar a coletânea Agente Secreto X-9 , publicada pela Devir Livraria no fim do ano passado. Composta por 570 tiras, ela cobre um período entre janeiro de 1934 e novembro de 1935, mostrando o começo da história e a gênese do personagem. Nestes dois anos as tiras ainda eram responsabilidade de seus criadores originais, o famoso escritor policial Dashiel Hammet e o lendário desenhista Alex Raymond, autor de Flash Gordon. A dupla havia sido contratada pela King Features para criar um personagem capaz de fazer frente a Dick Tracy, que naquela época dominava o setor de quadrinhos policiais americanos. O resultado está aí: seis décadas de sucesso nos jornais, uma bela reedição e uma palavra incorporada à língua portuguesa.

 

Onde encontrar:

 

www.devir.com.br

(11) 2127 8787

 

 

 

abril 5, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Relendo Huntington

O Choque de Civilizações está completando 15 anos de sua primeira edição em livro. Publicado inicialmente como um artigo na prestigiada revista Foreign Affairs , o trabalho mais conhecido de Samuel Huntington causou imensa polêmica entre os estudiosos de relações internacionais e chegou a ser definido por ninguém menos do que Henry Kissinger como uma das obras mais importantes lançadas desde o fim da Guerra Fria.

Huntington é da opinião que no mundo pós-Guerra Fria, as distinções entre os povos já não são de ordem política ou ideológica, mas sim cultural, e são estas distinções que podem nos levar a conflitos étnicos e religiosos em escala mundial. A partir daí, Huntington faz um traçado das civilizações hoje existentes – oito ao todo – e aponta os principais pontos de conflito existentes entre elas, com especial destaque para a islâmica, a ocidental e a chinesa, os quais, segundo ele, representarão os maiores desafios para a política externa do século XXI.

Há muito que apontar em O Choque de Civilizações. A maneira como descreve as civilizações as faz parecer entidades monolíticas, Quando Huntington fala – e fala pouco – da América Latina mostra um desconhecimento da história cultural da região simplesmente inacreditável para quem quer fazer uma análise internacional séria. Isto posto (e muito mais poderia ser apontado), a leitura de O Choque de Civilizações é, por todas as mentes que influenciou, pelo impacto que causou e pela mirada corajosa em direção à cultura, ainda proveitosa e importante.

 

Onde encontrar:

 

www.objetiva.com.br

(11) 2199-7825

 

abril 5, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Espetáculo musical Berry – Canção Francesa Contemporânea



abril 1, 2011 Posted by | Música | Deixe um comentário

Ozzy – Atitude Rock’n Roll

Ozzy Osbourne mostrou que realmente tem compromisso com tudo que o Rock’n Roll representa.

Em plena casa do clube da Beira Rio, com jogo da Copa Libertadores acontecendo ao lado, desfralda uma bandeira do Grêmio.

Fonte

março 31, 2011 Posted by | Música | Deixe um comentário

SARAU EM LÍNGUA INGLESA NA LIVRARIA CULTURA- “Um tributo à amizade e aos livros!”


DATA: 9 DE ABRIL DE 2011 (SÁBADO)

LOCAL: AUDITÓRIO DA LIVRARIA CULTURA, SHOPPING BOURBON COUNTRY. Av. Túlio de Rose, nº 100.

HORÁRIO: 16 -17:30

ENTRADA FRANCA

COORDENAÇÃO: MARIA DA GRAÇA GOMES PAIVA (PROFA. APOSENTADA DA UFRGS) e KLEBER SCHENK (UFRGS)

ATIVIDADE DE EXTENSÃO (PROREXT/UFRGS)

Tema: Um tributo à amizade e aos livros!

 

O próximo Sarau em Língua Inglesa na Cultura, edição 2011, abordará um tema tão em voga quanto relevante desde o início da civilização: a amizade e sua importância nas nossas vidas; amigos que vão e vem, que se perdem e que se ganham; que estão perto e que estão longe; que estão conosco nos momentos de alegria e nos momentos de dificuldade e que deixam marcas em nossa trajetória de vida. Neste mês de abril relembraremos grandes personalidades do dia 23, que é o dia de São Jorge, padroeiro da Inglaterra, deus da guerra no Brasil e deus do amor na Catalunha; e também o Dia Internacional do Livro, celebrado nesta data em função do aniversário da morte de dois grandes autores: William Shakespeare e Miguel de Cervantes. Também trataremos, por meio de citações, vídeos, pequenos poemas e de um fórum interativo, os assuntos sugeridos pelo público, tais como: Ray Charles, Páscoa, Joseph Campbell, entre outros. O Sarau na Cultura sempre acontece em um clima descontraído e animado com o intuito de desenvolver aautoexpressão em língua inglesa, em um lugar extremamente agradável e aconchegante cujo nome já diz tudo: cultura. Traga seus amigos e venha compartilhar seus conhecimentos e experiências conosco!

 

março 30, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

The Animals tocando John Lee Hooker

The Animals em 1966

 

 

Como bem notou o amigo Carlos Vinicius Sá, baterista de várias bandas do cenário rock metropolitano, Eric Burdon cumprimenta o público com um ‘Good Morning’, mostrando que os festivais de rock naquela época começavam muito cedo, antes mesmo do meio-dia.


março 30, 2011 Posted by | Música | 2 Comentários

José Alencar e a falta de respeito da Globo

O ex-presidente José Alencar conseguiu conquistar a simpatia do povo brasileiro através de uma vida digna e pela sua luta heróica no enfrentamento da doença que o acometeu. Não conheço ninguém que não gostasse de José Alencar e a notícia do final de sua luta gerou uma onda de manifestações pesarosas nas redes sociais. Todos lamentamos e muitos de nós dedicamos alguns instantes para orar por ele. Esse foi o clima que o Brasil todo sentiu.

No entanto, as redes jornalísticas nem sempre têm a sensibilidade de perceber o que o povo sente. A Rede Globo, no portal Globo. com, noticiou a morte de José Alencar da maneira como está registrado abaixo. Convenhamos é até uma falta de respeito a notícia da morte do ex-vice-presidente da República estar acompanhada de fotos sobre brindes  festivos no Big Brother Brasil.

março 29, 2011 Posted by | Geral | 1 comentário

Comissão da Secretaria de Cultura de Canoas e o mau uso da língua pátria

 

“Saber escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos. A língua é a mais viva expressão da nacionalidade. Como havemos de querer que respeitem a nossa nacionalidade se somos os primeiros a descuidar daquilo que a exprime e representa, o idioma pátrio?”
(Napoleão Mendes de Almeida)

Como todos sabemos, o uso da língua portuguesa no dia-a-dia é variável. Varia de acordo com a classe social, com o nível de estudo, com a região, com o local, com o interlocutor. Há momentos em que os desvios à norma são toleráveis e há momentos em que estes mesmos desvios são, digamos, pouco recomendáveis. Há momentos para o uso da gíria e há momentos para um cuidado mais apurado no uso do idioma. E isto não ocorre apenas no Brasil: o inglês pode ser usado da maneira mais informal possível no East End londrino, terra natal do proverbial dialeto cockney e, a poucos quilômetros dali, receber o mais pomposo e cuidadoso tratamento da família real inglesa, no Palácio de Buckingham, de onde a expressão “king’s english” vem e é utilizada no sentido de conferir pureza e bom uso ao idioma de Shakespeare. As palavras do eminente gramático Evanildo Bechara não parecem deixar espaço para qualquer dúvida:

“Como, de manhã, a pessoa abre o seu guarda-roupa para escolher a roupa adequada aos momentos sociais que ela vai enfrentar durante o dia, assim também, deve existir, na educação lingüística, um guarda-roupa lingüístico, em que o aluno saiba escolher as modalidades adequadas a falar com gíria, a falar popularmente, a saber entender um colega que veio do Norte ou que veio do Sul, com os seus falares locais, e que saiba também, nos momentos solenes, usar essa língua exemplar (…).”

Poucas vezes as palavras dos renomados  gramáticos  fizeram tanto sentido quanto no caso que passaremos a relatar.

Um dos integrantes deste blog inscreveu-se junto à Secretaria Municipal de Cultura de Canoas no Programa de Incentivo a Cultura, visando publicação de obra literária. A obra em questão tratava-se de um livro com entrevistas de canoenses atuantes nas mais diversas áreas. A introdução da obra trazia a justificativa para sua publicação.

O nosso livro tem como objetivo dar a conhecer todos estes homens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer Canoas por inteiro, na sua totalidade, para além dos estereótipos das primeiras vistas. Canoas é, sim, a cidade das máquinas, do comércio pujante, do barulho dos trens, do andar apressado, do trabalhador duro e rude e do empresário ainda mais duro e rude. É tudo isso.

Mas é, também, a cidade onde foram tomadas importantes decisões para a consecução do movimento das Diretas Já; é a cidade de conjuntos musicais conhecidos em todo o país; é a cidade onde escritores, cineastas, músicos, artistas plásticos e muitos outros encontram seu pouso e sua inspiração; é a cidade de esportistas que fazem jus a seu apelido de outrora, “Capital do Esporte”; e é a cidade, também, do trabalhador duro e rude que, nos horários curtos e rápidos de folga do labor cansativo, consegue ainda arranjar forças para pensar na comunidade, no próximo, no amigo, no irmão, no conterrâneo, em todos, em nós.

Todos os nossos entrevistados são, sem exceção, figuras destacadas em suas respectivas atividades e tornaram-se conhecidas pela importância do trabalho que desenvolveram. Ocuparam espaço em jornais, no rádio, na televisão, em tribunas e em palcos. Mas nem por isso deixam aquela atitude do trabalhador diário da escultura, seja no uso dos músculos, do cérebro ou da voz. E esta atitude, transposta para as mais diferentes atividades, nos mais diversos campos, é o que há de mais bonito nesta nossa terra rude e bruta, de comércio, de indústria, de ferro, madeira e fuligem.  Terra de trabalhadores. De canoenses.

A eles dedicamos este livro.

Ao lado da introdução, foi entregue à Comissão encarregada da seleção  o teor completo da obra a ser publicada, isto é, o texto das entrevistas realizadas. Entrevistas que, repetimos, incluíam pessoas dos mais diversos segmentos da cidade, de atletas ao secretário municipal de educação, de vereadores a ex-deputado, de artistas a cineasta. Canoenses de todos os setores, enfim.

Passados alguns meses, o autor do projeto compareceu à Secretaria Municipal de Cultura  e foi informado de que a Comissão de Analise de Projetos Culturais havia opinado contrariamente à sua pretensão de ser contemplado com verba do PIC para publicação.  Recebeu três documentos com timbre da Secretaria Municipal de Cultura onde constam as razões expostas pelas integrantes da  Comissão. E o conteúdo destes documentos oficiais é de causar constrangimento a todo aquele que tenha um mínimo de apreço pela cidade de Canoas e pelo idioma nela falado. Nesses documentos oriundos da Secretaria de Cultura de Canoas,  o que se viu não foi o mau uso das “roupas” linguisticas de que falou Evanildo Bechara.  Foi muito pior: foi a ausência completa de trajes. Um verdadeiro atentado ao pudor idiomático. E pior, um atentado com consequências que vão muito além de muito simplesmente maltratar o idioma: eles chegam a maltratar a justiça.

A cópia dos documentos segue abaixo :


I

O proponente resolveu recorrer da decisão. As razões do recurso que foi protocolado no dia 10 de março de 2011 na Prefeitura Municipal de Canoas,a serão aqui reproduzidas com a  finalidade de levar a conhecimento público a maneira desrespeitosa com que é feita avaliação de projetos culturais em Canoas.

 


PRELIMINARES

I-Quanto à tempestividade


O signatário, acreditando no propósito do Município de Canoas de promover apoio a projetos culturais, inscreveu-se no PIC com obra expressamente destinada a registrar a  memória viva da cidade através de depoimentos de seus moradores.Este propósito consta da introdução da obra, que foi, juntamente com a totalidade do texto, anexada ao projeto, também expresso no formulário de apresentação. Após a inscrição, adotou o hábito de semanalmente realizar ligações telefônicas para a Secretaria da Cultura, a fim de inteirar-se da data da seleção dos trabalhos. Tal prática perdurou até o início do mês de fevereiro de  2011, quando lhe foi informado por funcionário da Secretaria de Cultura que não haveria decisão antes do mês de março e que tal se daria através de evento público amplamente divulgado, com  prévio aviso aos inscritos.

Tranquilizou-se, então, o atarefado signatário. Aguardaria o mês de março para então retomar a rotina de averiguar qual teria sido a decisão daquela que considerava, até então, como qualificada comissão julgadora.

Qual não foi sua surpresa quando, ao comparecer à Secretaria de Cultura no dia 4 de março, foi-lhe informado que o resultado havia sido noticiado no dia 22 de fevereiro do corrente ano.

A notícia, constante no site da Prefeitura, assim relata:

“A Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Diretoria de Economia da Cultura, divulgou no início desta semana os nomes dos contemplados no Programa de Incentivo a Cutlura 2010.(…)”

Ou seja, trata-se de uma notícia comunicando acerca da divulgação ocorrida no início daquela semana. Não se trata, absolutamente, da própria divulgação do resultado e sim de mera notícia, cuja única finalidade é, simplesmente, informar ao público que a divulgação já havia ocorrido. Logo, não há como a municipalidade pretender que a data da notícia seja o termo inicial para fluência de prazo recursal. Isso seria dizer que uma mera notícia, constante no rol de inúmeras notícias da página da prefeitura sem qualquer destaque especial, cumpriria a função de intimar os concorrentes, assumindo a função de tornar publicado o resultado no sentido do artigo 10.2 do edital 015/10, que assim dispõe:

“9.1. A Secretaria Municipal de Cultura, por meio de publicação no site da Prefeitura Municipal de Canoas (http://www.canoas.rs.gov.br) e no mural oficial no Gabinete do Prefeito de Canoas, disponibilizará a lista de todas as propostas ganhadoras, assim como a relação, por ordem alfabética, dos projetos suplentes.

9.3. O resultado final dos contemplados por este Edital será publicado no site da Prefeitura Municipal de Canoas (http://www.canoas.rs.gov.br) e no mural oficial no Gabinete do Prefeito de Canoas.

10.2 Da decisão da Comissão de Análise  de Projetos Culturais, caberá recurso administrativo em 05 (cinco) dias úteis,  a contar da publicação do resultado, no Protocolo Geral do Município, mesmo local das inscrições. O recurso apresentado será julgado no prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis, prorrogável por um mesmo período.”

Outrossim, a lei  8666/93 estabelece que :

Art. 109.  Dos atos da Administração decorrentes da aplicação desta Lei cabem:

I – recurso, no prazo de 5 (cinco) dias úteis a contar da intimação do ato ou da lavratura da ata, nos casos de:

(…)b) julgamento das propostas;

(…)

§ 1o A intimação dos atos referidos no inciso I, alíneas “a”, “b”, “c” e “e”, deste artigo, excluídos os relativos à advertência e multa de mora, e no inciso III, será feita mediante publicação na imprensa oficial, salvo para os casos previstos nas alíneas “a” e “b”, se presentes os prepostos dos licitantes no ato em que foi adotada a decisão, quando poderá ser feita por comunicação direta aos interessados e lavrada em ata.

A notícia veiculada no site, conforme já frisado, informa que já ocorreu a divulgação dos resultados. Assim, é inclusive desnecessário ressaltar ser inadmissível que se considere simples notícia como  publicação oficial,  considerando-se que existe no Brasil o império da lei. Publicação oficial não prescinde de divulgação em órgão oficial e mera notícia não substitui esta forma de publicação.

O edital informa que os resultados seriam publicados no site da Prefeitura. Em que pese  tenham sido eles noticiados (sem qualquer destaque, frise-se), não se pode considerar, como acima dissemos, em hipótese alguma, que simples notícia cumpra a função de publicação mencionada tanto no edital quanto na Lei 8666/93.

O signatário foi, de fato, intimado do resultado de seu pedido de no dia 04 de março de 2011. Afinal, foi nesta data que tomou conhecimento de que, em algum lugar incerto e não sabido – pelo menos aos não aquinhoados com informações privilegiadas…. – , ocorreu a publicação dos resultados. Sim, pois é isso que informa a notícia veiculada no site da Prefeitura: que a Secretaria Municipal de Cultura divulgou a lista de aprovados. Em lugar algum há menção de onde ocorreu esta divulgação, o que leva a crer que ainda não foi publicada em órgão oficial.

Então, muito embora ainda espere a publicação oficial, considera-se o recorrente intimado a partir da ciência inequívoca, face recebimento dos documentos de avaliação em data de 04 de março de 2011. E, a partir dessa data inicia a fluir o prazo recursal de cinco dias,  sendo desnecessário salientar que 09 de março de 2011 é o primeiro dia útil após a ciência do ocorrido.


II-Quanto à comissão


Primeiramente, cumpre ressaltar a absurda falta de conhecimento básico da língua portuguesa por parte de membros da Comissão de Análise de Projetos Culturais – CAPC , composta por Leila da Silveira, Camila Mousquer Buralde e Lígia B. Fensterseifer. Tal desconhecimento inclui a incapacidade de formular frases compreensíveis, o que evidencia despreparo para julgar trabalho alheio.

Vejamos, apenas a título de exemplo, o resumo da avaliação da parecerista Leila da Silveira:

“Resumo da avaliação: O presente projeto apresenta um custo de acordo com a realidade, não clareza nos objetivos, tem que explorar mais este lado criativo, o porponente esta hábito a aplicar este projeto, será descentralizado.”grifo nosso

Ininteligível. O resumo da avaliação da parecerista trata-se de um acúmulo palavras (algumas sequer existentes na língua portuguesa), ali dispostas na  infrutífera intenção de construção de uma frase.

O que significaria a expressão”o porponente(sic)esta(sic) hábito(sic) a aplicar este projeto, será descentralizado”?.

Dificulta, inclusive, a tentativa de oposição ao que supostamente está sendo colocado. Para que haja oposição é preciso conhecer aquilo ao que se irá opor; isto, como se vê, afigura-se uma tarefa complicada, dada a extrema dificuldade para se entender o conteúdo da  frase final de um parecer que determina se irá o Município de Canoas patrocinar ou não um projeto literário. Defende-se o recorrente do que imagina seja uma crítica ao seu trabalho.

“Pessoa hábita a fazer este trabalho” – O que seria uma pessoa “hábita”, segundo Leila Silveira?

A palavra, inexistente na língua portuguesa com sentido diverso de habitar (e sem acento), está inserida na frase aparentemente com o sentido de substituir a palavra “apta”. Pois bem, se assim for o requerente seria pessoa APTA a realizar o trabalho. Sendo assim, porque recebeu nota  5? Se é apta, deveria forçosamente receber nota 10, como lhe foi atribuída pela integrante Camila Mousquer Buralde. Por outro lado, a parecerista Lígia B. Fensterseifer preferiu ignorar que o edital expressamente prevê a contrapartida obrigatória de 10% das obras e assim conferiu-lhe a nota 5.

Mas retornemos a Leila Silveira, que, considerando ser o proponente pessoa “habita”, sem restrições, conferiu-lhe nota 5. Por que? Seria a palavra habita um código que promove demérito à pessoa assim denonimada? Misteriosa forma de aquilatar trabalho alheio, utilizando palavra inexistente na língua portuguesa.

Mas vai além Leila Silveira em seu estranho afã em agredir sistematicamente a língua pátria. A parecerista, integrante de comissão ligada à Secretaria de Cultura de Canoas, formula frases como a que é reproduzida a seguir:

“Criatividade. O presente projeto apresenta não tem criatividade em seu trabalho.Apenas, entrevistas. A pergunta é: O que pretende com estas entrevistas.  Qual será os critérios para selecionar os entrevistados? Falta de titulo.”

A questão de mérito não será enfocada neste momento. Detenhamo-nos apenas na continuidade da agressão à língua portuguesa perpetrada por Leila da Silveira. A senhora avaliadora aparenta desconhecer a concordância do verbo “ser”: na frase em questão, estando o substantivo “critério” no plural seria imperativo que o verbo fosse conjugado no plural. A frase deveria ser assim formulada: “Quais serão os critérios”, ou se entendesse que o proponente deveria utilizar apenas um critério, aí então permaneceria o verbo ser no singular juntamente com critério. Nunca, jamais se utiliza “qual será os critérios” No entanto, o citado erro no uso do idioma, embora fira a gramática, não ataca a lógica elementar. Com algum esforço foi possível compreender o que a parecerista aparentemente pretendia dizer.

O mesmo lamentavelmente não se pode dizer da seguinte frase:

“O presente projeto apresenta não tem criatividade em seu trabalho.Apenas, entrevistas”.

Ou então esta:

“O presente projeto apresenta um custo de acordo com a realidade, não clareza nos objetivos, tem que explorar mais este lado criativo, o porponente esta hábito a aplicar este projeto, será descentralizado.”

A parecerista Camila afirma que “O projeto carece de criatividade, haja vista que não serão realizadas entrevistas para compor a obra, mas serão utilizadas  entrevistas já elaboradas e publicadas não apresentado nenhuma novidade, tão pouco criatividade”

No resumo de Camila:

“ O projeto não atende aos critérios de avaliação. Não foi apresentada contrapartida . As modificações que devem ser procedidas estão diretamente ligadas com o objeto, tal remendo não é aconselhável. Para tanto,não recomendo o projeto.”

Inicialmente detenhamo-nos no uso da expressão  “tão pouco criatividade“. Em vista das demais agressões ao idioma apontados anteriormente este poderia ser até considerado de menor potencial  ofensivo. Afinal, trata-se “apenas” da substituição da palavra tampouco pela expressão tão pouco. A falta de familiaridade com a língua gera esses problemas. Como existem semelhanças fonéticas, aqueles despreparados para o manuseio do português cometem esses erros.

Da mesma forma a substituição de “portanto” por “para tanto”, como fez a parecerista Camila no mesmo resumo.

O proponente é acadêmico de Letras. Está, portanto, habituado ao estudo das peculiaridades do uso da língua mãe, inclusive por parte de pessoas menos habituadas ao convívio com as letras. Mesmo assim, revelou-se incapaz de compreender o que a parecerista Leila pretendeu dizer nas frases supracitadas. Pensou, inclusive, em solicitar auxílio aos seus professores de lingüística e sintaxe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Lamentavelmente, as férias letivas impossibilitaram que pedisse  ajuda aos mestres. Tão logo inicie o ano letivo, entretanto, levará ao conhecimento dos mesmos os pareceres para que sejam alvo de cuidadosa análise por parte daqueles que prezam a língua e a literatura, como exemplo a não seguir.

Isto posto, cumpre ressaltar o seguinte: todos estamos sujeitos a cometer erros idiomáticos . O cidadão comum os comete diariamente, sem maiores prejuízos tanto a si quantos aos outros. Entretanto, em se tratando daqueles que exercem função pública de avaliação de projeto literário, é imperativo que tenham conhecimento esmerado da língua, pois suas responsabilidades são incomparavelmente mais pesadas.  Quem não maneja bem a língua talvez não a compreenda bem e assim não terá alcance para julgar obras. Mas em Canoas julgaram, e a análise da avaliação de mérito indicará que julgaram de forma inaceitável.

II – a

Descumprimento por parte da comissão do que prevê o edital 015-10

O artigo 8.1 do edital 015-10 estabelece que a comissão deverá pautar-se nos seguintes requisitos para análise e avaliação dos projetos culturais:

a) aspectos orçamentários do projeto, pela relação custo-benefício;

b) retorno de interesse público; – ignorado pela comissão

c) clareza e coerência nos objetivos;

d) criatividade;

e) Importância para o Município;    – ignorado pela comissão

f) descentralização cultural;

g) valorização da memória histórica da cidade;   – ignorado pela comissão

h) princípio de equidade entre as diversas áreas culturais possíveis de serem incentivadas; - ignorado pela comissão

i) princípio de não aceitação de pluralidade de projetos; – ignorado pela comissão

j) capacidade executiva do proponente  a ser aferido na análise de seu currículo.

O artigo 8.1, frise-se, é imperativo.

Desconhecemos as razões pelas quais um projeto que tem, como uma de suas maiores justificativas de realização, a valorização da memória histórica da cidade, como está bem expresso nos objetivos e na introdução da obra ,não tenha esse requisito sido avaliado, bem como outros ali presentes.


ANÁLISE DAS AVALIAÇÕES DE  MÉRITO


Vejamos, então, um a um, o constante nos pareceres de Leila da Silveira, Camila Mousquer Buralde e Lígia B. Fensterseifer, que integram a comissão de avaliação. Salientamos que os mesmos serão reproduzidos exatamente como foram escritos, sendo que as eventuais incorreções gramaticais são de responsabilidade de seus signatários.

a) ASPECTOS ORÇAMENTARIOS

-Leila Silveira

 

“O presente projeto custode  acordo com realidade do mercado. Nota 6”

Por que nota 6? A frase (extremamente mal elaborada) da avaliadora leva a supor que entendeu ter o projeto uma relação positiva de custo-benefício, estando de acordo com o valor praticado no mercado. Mas, apesar disso, confere a Celso Augusto Uequed Pitol a nota 6. Ou seja, entendeu que merecia desconto de 4 pontos na nota o projeto que, segundo entendimento da própria parecerista, estava de acordo com a realidade do mercado. O motivo do desconto é obscuro, o que leva a crer que foi realizado sem observância de nenhum critério objetivo, sendo expressa apenas a vontade livre e com oculta motivação da avaliadora.

 

-Camila Mousquer Buralde

“Analisando o valor unitário entende-se como plausíveis com os valores de mercado. Nota 10”

A avaliação de Camila Mousquer Buralde evidencia que os critérios não são objetivos. Para ela, estando o projeto de acordo com os valores de mercado, a nota é 10. Para Leila, isso leva a conferir nota 6. As notas não têm compromisso com a fundamentação.

 

-Lígia B. Fensterseifer

“O valor unitário dos livros está de acordo como valor praticado no mercado- – Nota 8”

Já a parecerista  Lígia, seguindo a linha de incoerência no critério de avaliação, muito embora tenha, assim como as duas pareceristas anteriormente mencionadas, considerado que o projeto está de acordo com o valor praticado no mercado, retirou dois pontos do signatário, deixando-o com nota 8. Por quê? O que motiva a discrepância de notas ante exatamente a mesma observância, qual seja, o projeto ter valores condizentes com a realidade de mercado? Gera a dúvida sobre o que seria necessário para que as pareceristas Leila e Lígia confiram a nota máxima nesse quesito. Motivações ocultas, eis que a nota conferida ao recorrente não condiz com o que está expresso.

 

b) CLAREZA E COERÊNCIA DOS OBJETIVOS

 

Leila Silveira

“O presente projeto não tem com clareza os seus objetivo.  Nota 1.”

Bastaria ler o projeto para que qualquer pessoa que conheça medianamente a língua portuguesa entendesse seus objetivos. Afinal, no formulário da inscrição firmado pelo recorrente consta:

“Como objetivos do projeto:

Traçar um perfil de uma cidade a partir da vivência de seus habitantes.

Como justificativa do projeto:

A importância de termos o registro da passagem  e da opinião dos entrevistados sobre a cidade, que são, a um tempo, testemunhas de seu desenvolvimento e importantes atores deste mesmo desenvolvimento.”

“Como resultado previsto do projeto:

Através do registro das entrevistas, compor um painel da cidade através das muitas vozes que dela fazem parte, representadas pelos entrevistados.“

E mais, no texto de introdução da obra, que acompanhou a seleção de entrevistas, lemos o seguinte:

“Para quem não é canoense, este trecho do romance “Clarissa”, de Érico Veríssimo talvez nem chame a atenção:

“Clarissa saia todas as manhãs às sete para tomar o ônibus que a levava a Canoas. Já começava a gostar dos alunos. Canoas era bonita, com suas vivendas no meio de jardins verdes e floridos. Ouvia-se o canto dos passarinhos. Um silêncio fresco envolvia as casas, árvores e as criaturas.”

Para nós, porém, não pode deixar de chamar. Ao lermos a bela descrição do maior romancista gaúcho, ainda mais num momento em que Canoas nem sequer poderia ser chamada de cidade – o livro data de 1932, e a emancipação de Canoas, de 1939 – temos bons motivos para sentir orgulho.

O orgulho vem, porém, acompanhado de uma indagação: que cidade é esta? Onde estão os prédios, as ruas, o asfalto, o trem, as máquinas, os trabalhadores apressados? Onde está a poluição? Onde está a cidade que vemos, sentimos e enfrentamos todos os dias,  quase como uma inimiga que nos encara  assim que pomos os pés para fora de casa? Fica difícil reconhece-la. Ao fecharmos o livro e irmos à janela de nossas casas, procuramos em vão as “vivendas no meio de jardins verdes e floridos” e dificilmente ouviremos “o canto dos passarinhos” no meio da buzina dos automóveis, dos gritos dos vendedores, do clangor do trem ao chegar à estação.

Nós não a reconhecemos. Ao contrário do Érico Veríssimo de 1932, não vemos Canoas como uma cidade bonita.

E não somos só nos. Todos os nossos visitantes parecem ter idéia semelhante. É freqüente ouvi-los opinar sobre a pujança econômica da cidade, a sua vocação empreendedora, a força industrial e comercial do segundo maior PIB do Estado. Fazem, ocasionalmente, algum comentário sobre a falta de certos serviços, certas, opções, mas nem isso é especialmente marcante : a verdade é que, via de regra, quando falam de Canoas, até que falam bem. Mas também é verdade que ninguém diz que é bonita ou agradável. Não falam das nossas praças, do nosso verde, das nossas águas, das “vivendas no meio de jardins verdes” e do “canto dos passarinhos”. E não falam de seus habitantes. Não falam de nós. Ninguém fala de nós. Não há poeta nem cantor para os canoenses. Existimos apenas para, dia a dia, mês a mês, ano a ano, trabalhar incessantemente em nossas fábricas, em nossas casas de comércio, em nossas repartições públicas, em nossos escritórios,  em nossas praças, ruas e avenidas, para o bem da economia municipal,estadual e nacional. Canoas merece, como poucas cidades neste mundo, o título de cidade de trabalho, com todos os prós e contras que este título traz consigo.

Quem passa pela Praça da Emancipação, no centro da cidade, encontra uma enorme escultura de concreto. Ali vemos uma canoa e três homens: um deles tem um remo nas mãos, é alto e robusto; o outro, de cabeça baixa, segura uma espécie de pergaminho; e outro, atrás dos dois, aponta para a frente. Não é difícil reconhecer, ali, o trabalhador braçal, o intelectual e o líder. São, todos eles, canoenses.

O nosso livro tem como objetivo dar a conhecer todos estes homens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer Canoas por inteiro, na sua totalidade, para além dos estereótipos das primeiras vistas. Canoas é, sim, a cidade das máquinas, do comércio pujante, do barulho dos trens, do andar apressado, do trabalhador duro e rude e do empresário ainda mais duro e rude. É tudo isso.

Mas é, também, a cidade onde foram tomadas importantes decisões para a consecução do movimento das Diretas Já; é a cidade de conjuntos musicais conhecidos em todo o país; é a cidade onde escritores, cineastas, músicos, artistas plásticos e muitos outros encontram seu pouso e sua inspiração; é a cidade de esportistas que fazem jus a seu apelido de outrora, “Capital do Esporte”; e é a cidade, também, do trabalhador duro e rude que, nos horários curtos e rápidos de folga do labor cansativo, consegue ainda arranjar forças para pensar na comunidade, no próximo, no amigo, no irmão, no conterrâneo, em todos, em nós.

Todos os nossos entrevistados são, sem exceção, figuras destacadas em suas respectivas atividades e tornaram-se conhecidas pela importância do trabalho que desenvolveram. Ocuparam espaço em jornais, no rádio, na televisão, em tribunas e em palcos. Mas nem por isso deixam aquela atitude do trabalhador diário da escultura, seja no uso dos músculos, do cérebro ou da voz. E esta atitude, transposta para as mais diferentes atividades, nos mais diversos campos, é o que há de mais bonito nesta nossa terra rude e bruta, de comércio, de indústria, de ferro, madeira e fuligem.  Terra de trabalhadores. De canoenses.

A eles dedicamos este livro.

Impossível maior clareza de objetivos. A afirmativa de expressar que o projeto não tem clareza em seus objetivos é quase ofensiva ao recorrente.

 

- Camila Mousquer Buralde

“Analisando o Plano de Trabalho verifica-se que o mesmo não é claro e apresenta incoerências, dentre elas: critérios de escolha das entrevistas que serão inseridas na obra; proporcionalidade entre as mesmas;pertinência do conteúdo.Nota:2”

O parecer supracitado causa revolta. Inicialmente, pelo que parece, busca implementar uma forma de censura prévia, uma vez que critica o critério de escolha das entrevistas. Voltamos a 1968 e este recorrente não percebeu?

Ora, o critério de escolha é claro: pessoas que auxiliaram e auxiliam na construção da história da cidade. Da mesma forma, a proporcionalidade, mencionada pela parecerista, deve ser enxergada de forma relativa. Afinal, o tamanho da entrevista é proporcional ao que o entrevistado tem para contar.As estradas da vida são diferentes e de diferentes tamanhos; logo, o que as pessoas têm para contar têm, também, diferentes tamanhos.Mas os censores sempre foram assim. Vilipendiam obras com critérios obscuros e suprema arrogância.

Ao final, conclui a parecerista que as histórias de uma cidade, narradas por seu próprio povo quando conta sua própria história , não formam um conteúdo pertinente. Questiona, portanto, o recorrente:  o que seria um conteúdo pertinente?

Mesmo que eventualmente não compartilhasse a parecerista da escolha de algum dos entrevistados, mesmo que preferisse que alguns deles fossem relegados ao esquecimento, como muitas vezes os autoritários de plantão costumam fazer, isso não tira a pertinência do conteúdo. A história, meus amigos, se conta não apenas pela facção que eventualmente detém o poder. Ela ocorre com todos e deve ser registrada. A parecerista detém o poder  de barrar patrocínio a uma obra, e o exerce pretendendo promover a volta da censura.

 

- Lígia B. Fensterseifer

“Traçar o perfil da cidade, proposto no objetivo do projeto, é duvidoso, pois a escolha dos entrevistados e suas opiniões representa que parcela da população? As perguntas aos entrevistados não são direcionadas a questões específicas do município de Canoas”      -Nota 2

O parecer acima transcrito evidencia que faltou à parecerista alcance de análise da proposta do recorrente. Ao que tudo indica, imaginou, ao ler que um dos objetivos do projeto seria “traçar o perfil da cidade”, que o recorrente faria algo similar a uma pesquisa, para fins de estatística. Isso resta claro na observação acerca da parcela da população correspondente aos entrevistados, bem como no que diz respeito às perguntas que, segundo a  parecerista, não são direcionadas a questões específicas do Município.

Trata-se, claramente, de falha de interpretação. Nunca foi objetivo do projeto fazer pesquisa com a população, para fins estatísticos, acerca de questões do Município.

Não ousa o recorrente imaginar quer a parecerista pretendesse que o livro retratasse “guetos”, o que um desavisado leitor de seu parecer poderia imaginar. A população não está dividida em “parcelas” na obra. Os canoenses foram  entrevistados sem esse critério discriminatório. Na apresentação do projeto, o recorrente deixou claro que seriam entrevistadas pessoas de diversas áreas de atuação, o que significa dizer-se que não haveria exclusão por diferenças ideológicas, classe social, raça, sexo,ou qualquer outra. Apenas canoenses, contando através de suas histórias, a História de sua cidade, sem que alguns sejam considerados “mais iguais do que os outros”.

Mesmo que eventualmente não compartilhasse da escolha de algum dos entrevistados, mesmo que preferisse que alguns deles fossem relegados ao esquecimento, como muita vezes os autoritários de plantão costumam fazer, isso não é aceito no Brasil de hoje, com a  democracia que este recorrente tem a sorte de usufruir pela luta dos que a conquistaram.  Como dissemos antes: a História se conta não apenas pela facção que eventualmente detém o poder. Ela ocorre com todos e deve ser registrada. A parecerista detém  o poder  de barrar patrocínio a uma obra e exerce este poder pretendendo promover a volta da censura.

 

c) CRIATIVIDADE

 

Leila da Silveira

“O presente projeto apresenta não tem criatividade em seu trabalho. Apenas, entrevistas. A pergunta é: O que pretende com estas entrevistas? Qual será os critérios para selecionar os entrevistados? Falta de título.”

Foi com esforço hercúleo que o recorrente leu o parecer.

A vontade de que a volta da censura ocorra no Brasil é manifesta novamente. Além disso, cumpre indagar-se o que entende a parecerista por criatividade. Escolher entrevistados, elaborar perguntas pertinentes para cada um deles e fazer a relação deles com a cidade implica em criatividade. Importante ressaltar que o edital não exigia dos participantes que apresentassem obra de ficção. Se o fato de o  projeto conter “apenas, entrevistas” lhe tira a criatividade, isso leva a crer que, para que ela exista,  no mesmo deveria conter relatos ficcionais, restringindo enormemente o cabedal de projetos a serem estimulados pelo Município de Canoas. Ficariam de fora na análise da Comissão, apenas para exemplificar, obras como o “Poder do Mito”, de Joseph Campbell , eis que ali constam “apenas” entrevistas.

O que pretende está claramente expresso nos objetivos como explicado acima, mas repetido novamente neste momento:

Anexo I do formulário de inscrição:

“Como objetivos do projeto:

Traçar um perfil de uma cidade a partir da vivência de seus habitantes.

Como justificativa do projeto:

A importância de termos o registro da passagem  e da opinião dos entrevistados sobre a cidade, que são, a um tempo, testemunhas de seu desenvolvimento e importantes atores deste mesmo desenvolvimento.

Como resultado previsto do projeto:

Através do registro das entrevistas, compor um painel da cidade através das muitas vozes que dela fazem parte, representadas pelos entrevistados.  “

E mais, no texto de introdução que acompanhou a seleção de entrevistas é afirmado:

O nosso livro tem como objetivo dar a conhecer todos estes homens e, ao mesmo tempo, dar a conhecer Canoas por inteiro, na sua totalidade, para além dos estereótipos das primeiras vistas. Canoas é, sim, a cidade das máquinas, do comércio pujante, do barulho dos trens, do andar apressado, do trabalhador duro e rude e do empresário ainda mais duro e rude. É tudo isso.

Mas é, também, a cidade onde foram tomadas importantes decisões para a consecução do movimento das Diretas Já; é a cidade de conjuntos musicais conhecidos em todo o país; é a cidade onde escritores, cineastas, músicos, artistas plásticos e muitos outros encontram seu pouso e sua inspiração; é a cidade de esportistas que fazem jus a seu apelido de outrora, “Capital do Esporte”; e é a cidade, também, do trabalhador duro e rude que, nos horários curtos e rápidos de folga do labor cansativo, consegue ainda arranjar forças para pensar na comunidade, no próximo, no amigo, no irmão, no conterrâneo, em todos, em nós.

Todos os nossos entrevistados são, sem exceção, figuras destacadas em suas respectivas atividades e tornaram-se conhecidas pela importância do trabalho que desenvolveram. Ocuparam espaço em jornais, no rádio, na televisão, em tribunas e em palcos. Mas nem por isso deixam aquela atitude do trabalhador diário da escultura, seja no uso dos músculos, do cérebro ou da voz. E esta atitude, transposta para as mais diferentes atividades, nos mais diversos campos, é o que há de mais bonito nesta nossa terra rude e bruta, de comércio, de indústria, de ferro, madeira e fuligem.  Terra de trabalhadores. De canoenses.

A eles dedicamos este livro.”

O esquecimento da  falta de título seria facilmente sanável.

 

-Camila Mousquer Buralde- nota zero

“O projeto carece de criatividade, haja vista que  não serão realizada entrevistas para compor a obra,mas serão utilizadas entrevistas já elaboradas e publicadas, não apresentando nenhuma novidade, tão pouco criatividade.Nota:zero”

O que entende a parecerista por criatividade? Busquemos um conceito no mestre Aurélio Buarque de Holanda, de um dos ramos mais estreitamente ligados á cultura nesse país e parente da atual ministra da Cultura, figura, portanto, altamente qualificada para nos auxiliar na busca do sentido da palavra:

Segundo o mestre, “criatividade”, significa capacidade criadora; engenho, inventividade.

Justifica Camila Mousquer Buralde que o fato das entrevistas constantes do projeto terem sido anteriormente publicadas, como de fato foram, no semanário O Timoneiro, tira caráter de criatividade do projeto. Não é demais ressaltar que as entrevistas foram realizadas pelo recorrente e não por outra pessoa, como a afirmativa constante da decisão de Camila pode levar a crer. As entrevistas são elaboradas pelo recorrente e foram selecionadas dentre as publicadas no espaço que o jornal O Timoneiro lhe disponibilizou.

Talvez Camila confunda ineditismo com criatividade. No entanto o edital não impede que entrevistas sejam objeto de um livro. E o fato de terem sido publicadas anteriormente não torna o projeto menos criativo.

 

- Lígia B. Fensterseifer

“O proponente atua como entrevistador no jornal onde trabalha, não diferenciando seu trabalho da proposta do livro, que busca fazer uma coletânea de entrevistas. Nota 4”

Talvez a parecerista devesse explicar de que maneira o fato de o recorrente exercer a função de entrevistador no jornal O Timoneiro retira de seu trabalho o caráter de criatividade. Ignora ou demonstra ignorar que a realização de uma entrevista exige prévia escolha de temas, habilidade na condução, timing, capacidade de extrair o máximo do entrevistado e outras características que poderiam perfeitamente entrar no conceito de criatividade.

Também deveria explicar o que há de desabonatório no trabalho do proponente, que macula de maneira indelével seu projeto. O que importa que publique entrevistas em O Timoneiro e pretenda fazer uma coletânea?

 

d) CAPACIDADE EXECUTIVA DO PROPONENTE

 

-Leila Silveira

“O presente projeto apresenta o proponente sendo uma pessoa hábita a fazer este trabalho. Nota 5

A inquiração do sentido da palavra “habita” foi realizada em tópico anterior. Não voltaremos ao  assunto, verdadeiramente constrangedor para a cultura da cidade. Porém, não resistimos a  indagar se a palavra “habita” tem mesmo algum significado negativo, pois somente isso justificaria a nota cinco atribuída ao ora proponente pela parecerista. Afinal se “habita” significa “apta” a nota deveria ser 10. No entanto, como lhe foi conferida nota 5, imagina que talvez “habita” tenha outro significado e, diante disso, solicita que lhe seja elucidada a dúvida.

 

-Camila Mousquer Buralde

“Pelas informações prestadas, o proponente apresenta capacidade executiva.Nota 10”

Afirmativa positiva leva a nota máxima. Tem capacidade, recebe nota 10.Talvez hábita realmente tenha um significado negativo que este reles formando em Letras não conheça.

 

-Lígia B. Fensterseifer

“O proponente apresenta condições de executar o projeto, caso seja contemplado, embora não tenha nenhuma proposta de contrapartida prevista em seu projeto.”Nota 5

Não é demais ressaltar que o item 8.1 do edital 015/10 em sua alínea “j” preceitua que “A Comissão de Análise de Projetos Culturais – CAPC observará as condições estipuladas neste Edital devendo pautar-se, para análise e avaliação dos projetos culturais, nos seguintes requisitos:

j) capacidade executiva do proponente  a ser aferido na análise de seu currículo.  “

Se o currículo do proponente indica que ele tem capacidade executiva, e isto é expresso pela parecerista, a nota terá de ser 10. Qualquer outra nota indicaria intenção de afetar a reputação do proponente. Esse requisito não prevê análise de contrapartida e sim aferição do currículo do proponente. Quem recebe nota cinco pelo seu currículo tem abalo em sua reputação.

No entanto, não evitará enfrentar o tema da contrapartida. O edital 015/10 expressa em seu artigo 13.1

A contrapartida referida na Lei 5012/005 deverá ser realizada através de cota social. No caso do projeto de incentivo resultar em obra de arte de caráter permanente, como CD’s, livros, filmes,  vídeos ou outros, o retorno mencionado consistirá em doação de parcela de edição de um percentual  de 10% ao acervo municipal para uso público.

Ora, ao firmar o requerimento, o proponente aceitou os termos do edital e, portanto, comprometeu-se a entregar 10% da obra ao  acervo municipal. Por isso, desnecessário que reiterasse o compromisso ao preencher o formulário. A contrapartida já estava assegurada quando firmou sua inscrição. Não era questão de proposta, como colocado pela parecerista, e sim obrigação derivada da aceitação dos termos do edital 015/10, conforme o previsto em seu artigo 14.2.

A inscrição do candidato implicará na aceitação das normas e condições estabelecidas neste Edital, em relação às quais não  poderá alegar desconhecimento.

 

e) DESCENTRALIZAÇÃO CULTURAL

 

-Leila Silveira

“O presente projeto terá como foco público alvo geral”. Nota 6

Não focaremos a evidente falta de sentido da frase.

Tentaremos interpretar o parecer. Parece-nos que a senhora Leila entende, ao fazer uma constatação não valorativa, que isso deprecia o projeto. Constata que o projeto terá como foco o público em geral e atribui a nota 6. Significa dizer que ousar apresentar um projeto tendo como foco a população como um todo é um demérito para a comissão da Secretaria de Cultura do Município de Canoas. Devemos entender que o projeto deveria ser direcionado a guetos culturais ou de outra natureza?

 

-Camila Mousquer Buralde

“Este tópico não é contemplado pelo projeto apresentado.”. Nota zero

 

- Lígia Fensterseifer

“Não contempla este critério” – nota zero

Tendo em vista o zero retumbante, escrito em gordas letras, que segue uma seca e direta afirmativa de que o tópico simplesmente não é contemplado no projeto, não podemos nos esquivar a indagar o que seria, ao fim e ao cabo, a descentralização cultural. Afinal, este tópico, segundo Camila Mousquer Buralde não está presente no projeto apresentado. Por outro lado, como vimos acima, Leila da Silveira entendeu que o projeto é descentralizado, enfatizando este dado no resumo da avaliação (“será descentralizado”).

Se por descentralização cultural entendem as avaliadoras Camila e Lígia como sendo a presença, dentro do projeto, dos mais diferentes estratos da sociedade canoense, não podemos ver como não esteja este tópico contemplado . Afinal de contas, estão ali pessoas de todas as classes sociais da cidade e de todos os cantos do município. Estão ali desde esportistas, estudantes, músicos até políticos, escritores, jornalistas, enfim, todos os estratos da sociedade canoense. Não é, de modo algum, um projeto “centralizado” no que quer que seja. Aliás, poderíamos dizer que é difícil imaginar um projeto tão descentralizado quanto este.

Assim sendo requer REVISÃO da avaliação de mérito, que decidiu pela não-contemplação de seu projeto no Programa de Incentivo a Cultura 2010, eis que as razões expostas evidenciam de forma cabal o equívoco da decisão.

Termos em que,

Pede e espera deferimento

Canoas, 10 de março de 2011

Celso Augusto Uequed Pitol

Não termina aí a história

. Esperou pacientemente o julgamento de seu recurso. No dia 21 de março,  através de contato telefônico para a Secretaria Municipal de Cultura  foi informado de que a Comissão  mantivera sua posição contrária ao seu projeto sob fundamento em que o recurso fora intempestivo. Para cientificar-lhe da decisão, foi-lhe entregue uma folha de papel A4, sem timbre,  com um texto digitado e três rubricas.

 

 

O título do texto é significativo do descaso para com o cidadão que ousou apresentar um projeto literário.

“Parecer da Comissão sobre o recurso apresentado…………..”

Qual Comissão? Sequer constam os nomes de seus integrantes naquele pedaço de papel, que também não identifica sua procedência. Poderia ter sido digitado em qualquer lugar, por qualquer pessoa, pois nada o vincula com a Secretaria de Cultura de Canoas.

E prossegue nos seguintes termos:

“Esta Comissão deixa de analisar o mérito do presente recurso, haja vista o mesmo ser intempestivo, pois a publicação do resultado final dos contemplados, conforme estabelecido no item 9.3 do referido Edital, foi publicado no site eletrônico da Prefeitura Municipal (www.canoas.rs.gov.br)”

Ignoremos o óbvio problema de concordância (irrelevante, diante da torrente de outros problemas gramaticais existentes) e sigamos em frente.

O recurso já havia tratado longamente do tema “tempestividade”, invocado como argumento central para a “Comissão” não recebê-lo. Não trataremos disso agora porque não é foco desta postagem discutir interpretação de texto legal. O foco dessa postagem é tratar do absurdo que é uma comissão para avaliar projetos culturais ser  constituída por pessoas com pouco ou nenhum domínio daquilo que mais identifica uma cultura, isto é, o idioma. Não se concebe, em hipótese alguma, que alguém possa se dizer habilitado a julgar uma produção literária, por exemplo, sem conhecer, e bem, o idioma em que ela foi escrita. Não se exige, naturalmente, que a comissão seja constituída de filólogos renomados, estudiosos profundos da língua e de seu uso. O que se exige aqui é simplesmente o básico: que as pessoas saibam escrever minimamente bem. Não como um grande estilista do idioma ou como um candidato ao Nobel: minimamente bem. Com capacidades mínimas de organização mental e respeito à normas gramaticais. E a resposta ao recurso, sem nenhuma observância de requisitos mínimos que deve conter um documento oficial é apenas consequência da falta de respeito já demonstrada quando da análise do trabalho.

O cidadão é desrespeitado duas vezes: em primeiro lugar, vê um trabalho realizado com esmero ser avaliado por quem visivelmente não está apto a fazê-lo. Em segundo lugar, quando, inconformado com esta decisão, elabora cuidadosamente recurso bem fundamentado e recebe como resposta um parecer a rigor anônimo, de uma vaga “Comissão” que parece não querer ousar dizer seu nome.

Foi, e continua sendo, uma tarefa hercúlea trabalhar com cultura em Canoas. Torna-se difícil tentar apagar um estereótipo  quando o próprio poder público, através dos órgãos aos quais delega a função de cuidar da cultura, faz de tudo para que se perpetue.

 

 

março 29, 2011 Posted by | Geral | 4 Comentários

Post privativo para elurófilos

Fonte

março 27, 2011 Posted by | Geral | 1 comentário

Hora do planeta – 26/03/2011, 20:30 às 21: 30

 

No sábado, 26 de março, entre 20h30 e 21h30 (hora de Brasília), o Brasil participa oficialmente da Hora do Planeta.  O objetivo é mostrar aos líderes mundiais a preocupação com o aquecimento global.

A Hora do Planeta começou em 2007, em Sidney, na Austrália. Em 2008, 371 cidades aderiram. No ano passado, quando o Brasil participou pela primeira vez, centenas de milhões de pessoas em mais de 4 mil cidades de 88 países apagaram as luzes. Monumentos e locais simbólicos, como a Torre Eiffel, em Paris, o Coliseu, em Roma, a Times Square, em Nova York, o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e o Congresso Nacional, em Brasília, ficaram uma hora no escuro.

Porto Alegre irá comemorar seus 239 anos integrando-se a uma ação ambiental de repercussão mundial. Às 20h30 do próximo sábado, 26, dia do Baile da Cidade, as luzes do Monumento ao Expedicionário, no Parque Farroupilha, serão desligadas.

Comojá se sabe, a Hora do Planeta é um ato simbólico, promovido no mundo todo pela Rede WWF, no qual governos, empresas e a população demonstram a sua preocupação com o aquecimento global, apagando as suas luzes durante sessenta minutos.

O próximo passo é espalhar a mensagem da Hora do Planeta para o maior número possível de pessoas. Convide familiares, amigos, colegas e membros da sua comunidade para participarem também!

 

 

http://www.horadoplaneta.org.br/

março 26, 2011 Posted by | Ecologia | Deixe um comentário

Parabéns Porto Alegre! 239 anos!

O vídeo abaixo, mais uma bem sucedida campanha publicitária da Companhia Zaffari de Supermercados, expressa com perfeição o amor que os componentes deste blog têm pela nossa Capital.

Porto Alegre realmente é demais  e com certeza é a cidade que tem a música mais bonita em sua homenagem.

março 26, 2011 Posted by | Geral | 2 Comentários

Descanse em paz, Liz Taylor

Faleceu hoje, 23/03/2011, a lendária atriz Elizabeth Taylor. A estrela estava internada há 6 semanas no hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, e a causa do falecimento ainda não foi divulgada.

Seria repetitivo fazer um breve relato bibliográfico de Liz Taylor, falando de seus casamentos e sua vida pessoal. Nós do blog Perspectiva, fãs ardorosos da atriz, preferimos prestar aqui nossa homenagem, montando, para tanto, nosso Top 3 Liz Taylor:

3. Um lugar ao sol -


O filme engana no início, parece que se transformará em um romance comum. Porém, a medida em que evolui, ganha em tensão e dramaticidade. Montgomery Clift, no auge, contracenou com Liz Taylor nesta obra prima.
2.Gata em teto de zinco quente -


Paul Newman e Elizabeth Taylor, cada um em sua melhor forma, nesse filme fantástico baseado em peça de Tennessee Williams.
1. Assim caminha a humanidade -


O nosso favorito. O filme conta com mais de três horas de duração e nunca se torna cansativo, o que não é surpresa a partir do momento em que o elenco contava com  Elizabeth Taylor, James Dean e Rock Hudson.

Descanse em paz, Liz Taylor.

março 23, 2011 Posted by | Arte, Cinema | Deixe um comentário

Projeto de vereador de Porto Alegre visa evitar constrangimento a clientes de bancos

O vereador Bernardino Vendruscolo  ingressou com projeto de lei a fim de obrigar as instituições bancárias de Porto Alegre a destinarem armários guarda-volumes com chaves individualizadas para utilização do público, antes da porta giratória detectora de metal.

Pela relevância da iniciativa, visto ser altamente constrangedor ter de submeter-se a revista de bolsas nas portas giratórias , reproduzimos aqui o texto do projeto.

EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS

O presente projeto de lei tem como objeto disponibilizar armários guarda-volumes com chaves individualizadas para os usuários de serviços bancários nas agências localizadas no município de Porto Alegre.

Esta é uma matéria de relevante interesse da coletividade, pois no dia-a-dia observa-se que as portas detectoras de metais localizadas nas agências bancárias, as quais foram ali colocadas para garantir a segurança dos funcionários, dos usuários e do patrimônio, seguidamente são causas de inconvenientes e constrangimentos às pessoas que são obrigadas a esvaziar bolsos, bolsas e sacolas de todo o seu conteúdo. Motivo pelo qual é comum presenciarmos discussões entre clientes e seguranças, decorrentes dos tais incidentes.

Para evitar a ocorrência cotidiana de cenas que constrangem os usuários de serviços bancários, estamos propondo o presente projeto de lei para obrigar as agências bancárias a colocarem a disposição do público freqüentador armários guarda-volumes com chaves individualizadas de modo a permitir que o cliente possa adentrar a agência, sem os transtornos provocados pelos sensores da porta eletrônica e também para garantir a privacidade de cidadãos e cidadãs, os quais, querendo, não precisarão mais depositar seus pertences pessoais em caixas coletoras coletivas.

Esses equipamentos deverão estar instalados antes da porta giratória para que possam acomodar valises de toda espécie e outros volumes, como por exemplo, o capacete dos motoqueiros, antes de passar pela porta giratória e detectora de metais, bem como a mulher que, especialmente tem o incomodo de ter que esvaziar suas bolsas por carregarem um grande numero de objetos.

O projeto de lei em tela não pretende abolir as portas detectoras de metais, bem ao contrário, reconhecemos sua importância para a segurança de funcionários e usuários. Todavia, não se pode deixar de reconhecer que as mesmas são causadoras de constrangimento aos usuários das agências e, por conseguinte aos agentes de segurança. Nesse sentido, o presente projeto de lei oportunizará ao usuário a opção de adentrar a agência bancária sem precisar expor seus objetos pessoais.


março 21, 2011 Posted by | Política | Deixe um comentário

Déjà vu

2011


O Brasil era o país do futuro. Agora, o futuro chegou.

 

Anos 60

 

 

Propaganda do governo militar na década de 60

Fonte: Nosso Século

 

 

março 21, 2011 Posted by | Política | Deixe um comentário

Weber economista

 

 

A série de conferências “Linhas gerais de História Social e Econômica do Mundo foi o último curso que Max Weber pôde ministrar do início ao fim. A Gripe Espanhola, o grande flagelo daqueles dias, viria a matá-lo pouco tempo depois do fim das aulas, em 1920, interrompendo aos 56 anos uma brilhante carreira de intelectual e líder político. Segundo dizem, Weber deu aquele curso sob insistência de seus estudantes: não se considerava um especialista em história econômica e teria até mesmo proibido sua esposa, Marianne, de publicar qualquer trabalho seu sobre o tema, pois os julgava cheios de erros e carentes do devido rigor científico. Se esta história é verdadeira, então podemos agradecer a Marianne por ter desobedecido ao marido e coligido as notas de aula dos alunos de Weber, as quais, organizadas e acrescidas de algumas anotações do próprio Weber, deram origem a História Geral da Economia (Centauro Editora, 336 páginas, tradução de Klaus Von Puschen).

Se analisarmos a obra com o rigor que Weber gostaria de ver empregue, seremos obrigados a dar-lhe certa razão. Há mesmo um ou outro ponto em História Geral da Economia que chamará a atenção de especialistas, como o uso do termo “feudal” para definir o processo de colonização da América Latina, algo sobremaneira discutível quando se tem em mente que mundo ibérico não conheceu o feudalismo. Contudo, a grandeza deste pequeno livro não está nos detalhes, e sim na abordagem generalista que o próprio titulo sugere: como bom representante do historicismo alemão, Weber vê a economia dentro do quadro geral da cultura, não como um “eflúvio, uma simples função daquela”, mas sim como “uma subestrutura, sem cujo conhecimento não se pode imaginar, certamente, uma investigação fecunda de qualquer dos grandes ramos da cultura”. Evita, assim, o determinismo e o monocausalismo, verdadeiras doenças intelectuais que já existiam em sua época e contra as quais sempre se opôs.

 

Onde encontrar:

www.centauroeditora.com.br

(11) 39762399

 

 

março 20, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Até quando, Renato?

- Até quando a escalação de Gílson (mais conhecido como HORROR)?
– Até quando a crença de que Jr. Viçosa e Clementino têm condições de vestir a camiseta do Grêmio?
– Até quando a substituição de “qualquer um menos Gílson” por Bruno Collaço, com a única finalidade de ajudar o furo do time (Gílson)? Sim, o Grêmio é a única equipe no mundo que, ao invés de tirar o furo do time de campo, substitui outro, para colocar alguém que ajude o furo do time.

Ontem o Grêmio contou com nada menos do que TRÊS laterais-esquerdo de origem durante a partida e, pasmem, mesmo assim os ataques do perigosíssimo León ocorriam, ora vejam, pelo lado esquerdo da defesa do Grêmio, curiosamente o lado de Gílson, o lateral que não ataca e nem defende, que chega na linha de fundo e cruza para as arquibancadas, que não consegue ganhar uma sequer contra o ataque adversário.

E digo mais, não é louvável coisa nenhuma fazer substituições aos 15, aos 20 minutos de jogo em todas as partidas, sob a desculpa do “estou sendo corajoso e mudo mesmo, não espero o intervalo”. Quem, todo jogo, muda antes mesmo da metade da etapa inicial, o faz porque vem escalando mal, e só por isso.

Está beirando ao insuportável assistir aos jogos do Grêmio.

março 18, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

BBC anuncia a morte de Hitler

Destaque para o badalar dos sinos de Westminster no início do programa e a chamada “This is London Calling”, que abria os programas da BBC para fora do Reino Unido.

março 18, 2011 Posted by | Mundo pop | Deixe um comentário

Carnaval em Artigas/Uruguai

 


Rafael Cardozo  nasceu  no Uruguai, mais especificamente em Artigas, mora em Canoas/RS  e contribui por sua vinculação com  ações que visem o bem comum com a amizade entre os dois povos vizinhos. Este Uruguaio/brasileiro nos enviou uma notícia sobre a presença de um grupo de brasileiros no carnaval de Artigas que temos imenso prazer em  disponibilizar aos nossos leitores. 

*O texto é de autoria de sua filha Valéria Cardozo França.

Para quem pensa que carnaval é coisa de brasileiro está enganado. As cidades vizinhas ao nosso país com o passar dos anos estão aprendendo um pouco mais do nosso samba no pé. O que é o caso de Artigas, cidade uruguaia que faz fronteira com Quaraí. O carnaval de lá começa com a tradicional festa a fantasia e termina com o desfile das quatro melhores escolas de samba na Avenida principal.

O sucesso do carnaval da cidade de Artigas é tão grande que alguns canoenses aproveitaram os dias de folias no carnaval deste ano.




Bruno Barcelos, Diego Fernandes, Lilián França, Luciano Klein, Rafael Cardozo e Valeria Cardozo França garantem que voltam no próximo ano porque lá a folia é garantida.

 

 

março 16, 2011 Posted by | Sem categoria | 3 Comentários

A obra de Max Weber, por Otto Maria Carpeaux

No Instituto de Sociologia da Universidade de Munique acaba de ser inaugurado o Arquivo Max Weber, em que, além de documentos e manuscritos, serão conservados os livros e estudos que se escreveram sobre o grande erudito: até agora, aproximadamente, 3.500. Um orgão tão responsavel e tão insular como o “Times Literary Supplement” chamou-o, há pouco, de “a maior figura da sociologia do seculo XX”. Raymond Aron e Lorenzo Giusso dedicaram-lhe livros. O Fundo de Cultura Economica divulgou-lhe as obras no mundo de linguas ibericas. No Brasil, toda pessoa medianamente culta conhece o nome de Max Weber, pelo menos aqueles estudos que fundaram uma nova disciplina cientifica: estudando a influencia da ética protestante ou, mais exatamente, da ética calvinista sobre a formação da mentalidade capitalista, essa tese, embora muito discutida, é sua maior gloria e é o grande desmentido contra a idolatria da especialização: pois nunca teria nascido, se o economista e sociologo Weber, no ambiente estreito de uma cidadezinha universitaria alemã, não tivesse frequentado seus colegas da Faculdade de Teologia que ensinavam e estudavam a historia moderna da Igreja.

Mas tudo que Weber escreveu, continha germes e sugestões para outros estudos, de importancia muito grande, sempre maior do que aparentavam ser os assuntos. Seu primeiro trabalho, de 1891, sobre a historia da estrutura agraria do antigo Imperio Romano, esclareceu o papel historico do latifundio. Conquistou a catedra em Friburg com um estudo sobre a situação dos trabalhadores rurais na Alemanha oriental, então dominada pelos “junkers” prussianos. Combinou, em 1903, os dois assuntos, escrevendo um famoso verbete de enciclopedia sobre “Estrutura agraria na Antiguidade”, responsabilizando o latifundio pelo declinio e pela catastrofe da civilização antiga, terminando com uma sombria perspectiva para o futuro da Prussia latifundiaria de 1908. Também foi Weber o unico sociologo ocidental que se dignou de estudar a revolução russa de 1905: todo o mundo considerava-a então como a derrota de uma revolução socialista; mas o professor de Freiburg explicou-a como o fracasso de uma revolução burguesa, acreditando que esse fracasso causaria a transição direta da Russia, do feudalismo ao socialismo, sem fase burguesa.

Durante a primeira guerra mundial, entre 1914 e 1918, estendeu Weber seus estudos sobre sociologia da religião ao mundo não-cristão. Escreveu sobre religião e sociologia do Islão, da China e do judaismo; mas, sobretudo, os famosos artigos sobre Amos, Hosea, Isaías, Jeremias, os profetas do judaismo antigo. Até então, esses profetas eram considerados como individualistas religiosos, que libertaram o judaismo do monopolio dos sacerdotes do Templo, preparando a transformação da religião nacional dos hebreus em religião nacional dos hebreus em religião universal. Mas Weber demonstrou que os profetas não pensavam na salvação individual das almas, e, sim, na salvação da nação ameaçada. Lutaram contra a burocracia do templo e contra a monarquia, já de prestigio decadente, para que a nação sobrevivesse às suas instituições obsoletas. – Foram estas as ultimas pedras para o grandioso monumento científico que Weber deixou. Depois da catastrofe de 1918, já professor em Munique, dedicou-se, episodicamente, a atividades politicas, contribuindo para o estabelecimento do parlamentarismo na Republica de Weimar. A morte prematura, em 1920, poupou-lhe amargas decepções.

Ainda não se aludiu, nestas linhas, à idéia determinante de Weber, quase um princípio de filosofia da história moderna: esta é caracterizada pela progressiva racionalização de todos os setores da vida. O Estado e o pensamento politico, a Administração e a Justiça, o Direito e as teorias e praticas economicas libertam-se, há 5 ou mesmo 6 seculos, cada vez mais, de mitologias, filosofemas, tabus de toda a especie, para reconhecer como supremo criterio só a eficiencia: é a racionalização da vida ocidental. O mesmo “trend” verifica-se na evolução das ciencias, pela exclusão gradual dos julgamentos de valor, oriundos de preconceitos tradicionais ou de fonte emocional. O testamento de Weber são as duas grandes conferencias muniquenses de 1920, “Politica e profissão” e “Ciencia como profissão”, nas quais proclamou a objetividade total da ciencia e, portanto, sua independencia da politica que, por difinição, nunca pôde ser objetiva. Os valores, sendo elementos subjetivos, não devem entrar no estudo cientifico de problemas nem nos seus resultados. Mas Weber sabe que os valores subjetivos aceitos pelo estudioso têm determinada função psicologica: são eles que inspiram ao pesquisador a escolha dos seus temas. Têm função seletiva. Essa tese autoriza a pergunta seguinte: – quais foram os valores subjetivos que determinaram, para Max Weber, a seleção dos seus temas de estudo? Em toda a imensa bibliografia sobre o sociologo, só duas vezes – por Christoph Steding (1832) e por Wolfgang Mommsen (1959) – foi levantada aquela pergunta. Responderam, partindo de pontos de vista muito diferentes, chegando no entanto ao mesmo resultado: foram valores da vida politica; daquela politica que Weber quis tão radicalmente excluir da ciencia objetiva.

Filho da burguesia capitalista e industrial da Renania, e dedicando-se, como especialista, ao estado de problemas economicos, seria de supor-se que estes monopolizassem a atenção de Weber. Mas não aconteceu assim. Na mocidade recusou os mais vantajosos convites para entrar na direção de grandes trustes; mais, dos estudos especificamente economicos.

A inedita relação que Weber conseguiu estabelecer entre os ensinamentos morais do protestantismo calvinista e o estilo de vida do capitalismo, manda pensar em inspiração religiosa, talvez subconsciente; pois Weber era livre-pensador, descrente, mas filho de gerações de burgueses calvinistas. Mas a analise das suas reações revela logo que a inspiração não era de natureza religiosa e, sim, politica.

A burguesia calvinista renana, que tinha construido a grande industria da Alemanha ocidental é pequena minoria num país meio luterano e meio catolico. Seu destino foi o caso extremo do destino da burguesia alemã do seculo XIX em geral: ficou com liberdade para fazer seus grandes negocios, mas também ficou excluida da direção politica do país, confiada no rei da Prussia, quase absoluto, aos seus aristocratas prussianos, aos seus oficiais aristocraticos, à sua burocracia de juristas. Não foi possível organizar uma oposição eficiente. Os catolicos alemães, no seculo XIX, fecharam-se num “ghetto”, não querendo participar de uma civilização predominantemente protestante. O luteranismo retirou-se para a pequena burguesia e para o Leste agrario, pois a etica luterana paternalista, é incompativel com a grande industria e com a comercialização; o estudo da diferença essencial entre essa etica e a do calvinismo é mesmo um dos meritos de Weber e do seu amigo Troeltsch. O proletariado? Como filho da grande burguesia industrial, Weber se preocupa mais com os sofrimentos dos trabalhadores rurais do que com as esperanças dos trabalhadores urbanos. Seu grande trabalho sobre a influencia da etica calvinista na mentalidade capitalista é vigoroso desmentido ao materialismo historico que explicara, ao contrario, pelo capitalismo as mudanças da mentalidade religiosa; o proprio Weber definiu esse seu trabalho como exemplo de “antimarxismo positivo”; naturalmente num outro nivel do que a antimarxismo barato e ignorante dos maccarthystas de hoje. Weber só quis demonstrar que “o espirito é mais poderoso que a natureza” (inclusive as forças inconscientes da economia). Nesse sentido, o trabalho de Weber sobre etica calvinista e mentalidade capitalista é o ato pelo qual a burguesia alemã conquistou a consciencia das suas origens e do seu destino. Mas essa classe, rica, culta e consciente, estava excluida do poder pelo imperador Guilherme II e seus aristocratas e burocratas e os latifundiarios da Alemanha oriental.

Eis os “valores seletivos” que inspiraram a Max Weber seus temas de estudo. Seus trabalhos sobre o operariado rural da Alemanha oriental atingem diretamente o inimigo agrario, o “junker” prussiano. Os estudos, aparentemente historicos, sobre o declinio da civilização antiga e a derrota do Imperio Romano pela força autodestruidora do latifundio predizem desastre semelhante ao Imperio da aristocracia latifundiaria prussiana; são de natureza complementar os artigos sobre o fracasso da revolução russa de 1905. Enfim, a guerra de 1914 e a direção incompetente dessa guerra pelas classes dominantes da Alemanha confirmaram as previsões do sociologo.

Fiel à sua convicção de que “a ciencia (social) tem a função de fazer compreender fatos incomodos”, Weber começou a fazer oposição ao Kaiser. A censura não conseguiu impedir essa oposição. Nenhum evasionismo obrigou o sociologo a entrincheirar-se atrás de estudos historicos, cheios de alusões à atualidade. De sua livre vontade escolheu, durante os anos de guerra, o estudo dos profetas do judaismo antigo. Esses profetas lutaram contra uma monarquia impotente e contra os sacerdotes profissionais, especie de burocracia do Templo; assim como Weber lutou contra o imperador Guilherme II e sua burocracia administrativa e militar. Os profetas, conforme Weber, não se preocupavam com a salvação das almas individuais, mas da nação ameaçada. O sociologo também se preocupou, naqueles anos, só com o futuro da nação alemã em face da derrota iminente. Ao monarquismo decadente opôs a perspectiva de lideres saidos do povo e legitimados pela sua vocação, o “charisma”; e à burocracia opôs a reivindicação do regime parlamentarista, o regime proprio da burguesia, o triunfo da racionalização enfim também na politica.

Pela derrota de 1918, a monarquia foi abolida. A Republica de Weimar iniciou a experiencia parlamentarista. Weber morreu logo depois, em 1920. Não viveu, para assistir ao espectaculo de forças irracionalistas se apoderarem das suas esperanças. A preocupação exclusiva pelo futuro da nação virou nacionalismo fanatico. A substituição da monarquia pela liderança, “charismatica” degenerou em culto ao “Fuehrer”. O fim eram as ruinas da Alemanha destruida e depois, sua reconstrução meramente economica.

Mas – “o espirito é mais poderoso que a natureza”. Depois de tudo, a lição de Weber sobre a objetividade da ciencia venceu. Em meio das ruinas materiais do nazismo e das ruinas espirituais do “milagre economico” fica em pé o monumento de Max Weber: sua Obra.

 

Artigo publicado no “Suplemento Literário” em 14 de Abril de 1962 e reproduzido a partir daqui.

março 15, 2011 Posted by | Ciências Humanas | Deixe um comentário

O sistema jurídico inglês

 

Qualquer estudante de Direito sabe a distinção entre os sistemas jurídicos romano-germânico e anglo-saxônico (ou civil law e common law, segundo outra classificação): o primeiro baseia-se no corpo codificando das leis, enquanto que o segundo centra-se no conjunto das decisões judiciais, isto é, na precedência. O esquema  é simplificador e não dá conta das influências de um no outro, fenômeno que se tem dado nas últimas décadas. Isto posto, podemos dizer que, grosso modo, ele vale. O problema é que o estudo do “outro” sistema – no nosso caso, o anglo-saxão – costuma acabar aí. Decora-se o esquema e pronto.

 

Isto ocorre, em grande parte, devido à falta de bibliografia. Raras são as obras sobre o Direito inglês publicadas em português, e mais raras ainda são as que possuem amplidão necessária para servirem às exigências de um estudo sério do Direito Comparado. Por essa razão, a publicação de O Sistema Jurídico Inglês (Editora Forense, 606 páginas), de Gary Slapper e David Kelly, se faz tão importante. Neste pesado volume, os autores exploram os principais pontos do sistema jurídico de seu país de forma didática porém aprofundada, dando especial destaque às recentes mudanças ocorridas no Direito inglês. Como não é escrito tendo em vista o leitor brasileiro e sim o inglês, o livro traz uma introdução geral que inclui vários conceitos comuns ao estudo do Direito em qualquer parte do mundo.

 

Onde encontrar:

 

www.grupogen.com.br

(21) 3543-0770

 

 

fevereiro 26, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

O cronista dos subúrbios

O escritor americano John Updike foi descrito certa vez por um crítico de seu país como o cronista dos adultérios dos subúrbios dos EUA. Esta preferência temática do autor não decorre de algum tipo de obsessão,  . O adultério, quando ocorrido no tradicionalíssimo Nordeste dos EUA, é o símbolo da transgressão, de quebra de valores consagrados e das mudanças que acompanham as revoluções estruturais do próprio país com o passar do tempo. Por isso, Updike não se via como um mero narrador de mexericos extraconjugais. Seu tema era a classe média protestante das pequenas cidades americanas – isto é, a América propriamente dita, longe de Hollywood, do cosmopolitismo das metrópoles e da Casa Branca.

Cidadezinhas (368 páginas, tradução de Paulo Henriques Brito) foi o último livro escrito por Updike antes de morrer. O protagonista, Owen Mackenzie, passa por várias pequenas cidades do Nordeste americano durante uma vida transcorrida entre um dos momentos cruciais da História dos EUA, aquele que vai do otimismo do pós-guerra até a decadência pré-era Reagan. Esta contextualização histórica acompanha e reflete as ações de Mackenzie, principalmente no que diz respeito aos seus envolvimentos amorosos, altamente discutíveis segundo os padrões estabelecidos. O foco da mirada do autor direciona-se, porém, sobretudo para seu país, visto aqui com um olhar que mistura crítica, acidez e ternura.

 

Onde encontrar:

http://www.companhiadasletras.com.br

(11) 3707.3500

 

fevereiro 26, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Além das ideologias

 

 

 

Em 1999, a prestigiada Faculdade de Jornalismo da Universidade de Nova York elaborou uma lista das 100 melhores livros de jornalismo de todos os tempos. Na sétima posição, à frente de Truman Capote, Hannah Arendt, Tom Wolfe, H.L. Mencken e Norman Mailer, estava John Reed e seu Dez dias que abalaram o mundo. Sua escolha foi cercada por controvérsias: no meio de vários conservadores, centro-esquerdistas, liberais e apolíticos – isto é, tudo o que é aceitável dentro do espectro político das democracias ocidentais -, Reed era o único abertamente comunista. Houve quem sugerisse que a colocação de Reed em posição tão elevada fosse uma manobra da propaganda esquerdista: ele só estaria lá por causa de suas posições políticas, e não de sua excelência literária e jornalística.Respeitosamente, somos obrigados a discordar. E discordamos com a tranqüilidade de quem não está de acordo com as posições políticas de Reed. Não é preciso fechar os olhos para o que foi a Revolução Russa e para as atrocidades do comunismo dentro e fora do Leste Europeu para admirarmos seu trabalho. Não é preciso ser comunista para ler Dez dias que abalaram o mundo. Mas, para escrevê-lo, foi preciso que Reed tivesse sido o comunista que foi. Seu grande mérito foi ter usado a sua proximidade com a causa socialista como instrumento para conseguir pintar um quadro mais elaborado e profundo do que o jornalista comum poderia fazer. E se há alguma dúvida sobre o valor de sua obra podemos lembrar que o diplomata americano George Kennan, um dos maiores adversários do comunismo durante a Guerra Fria, considerava a obra de Reed o maior relato sobre a Revolução Russa já escrito; e podemos, também, lembrar que Josef Stalin, presidente da URSS, proibiu-a de circular. O que é mais um atestado de como a análise de John Reed sobrevive às disputas ideológicas.

 

Onde encontrar:

 

www.companhiadasletras.com.br

(11) 37073500

 

 

fevereiro 21, 2011 Posted by | Literatura | 1 comentário

Lançamento das novas camisas do Grêmio – Perspectiva dos sócios

 

A festa de lançamento das novas camisas do Grêmio mereceu realmente este nome. Os sócios foram brindados com um evento que dignifica as tradições do clube. Já na entrada do Portão 1 fomos recebidos da forma como gostaríamos de ser em dias de jogos, isto é, com respeito e consideração. Ao entrarmos no estádio nos deparamos com um visual diferente daquele com o qual estamos acostumados, e o entardecer de um dia com temperatura amena e com a leve brisa que soprava contribuíram para que o efeito fosse muito agradável.

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A animação comandada por  Mr. Pi, Cagê e Jeiso  e as  bandas Nacional Kid, Vera Loca, Charles Máster e Chimarruts foi perfeita, com direito a em coro ser entoado Querência Amada, Hino do Rio Grande  e de forma emocionante Bebendo Vinho na versão Geral do Grêmio. A interação com a torcida continuou com  Sou borracho sim  senhor, Pingos de Amor e o Hino do Imortal.

Fonte: Grêmio Net

O presidente do Grêmio, Paulo Odone foi recebido com grande carinho pela torcida quando acompanhando o presidente da SP Alpargatas, Márcio Utsch e o diretor da Topper, Fernando Beer falaram aos presentes sobre a nova parceria.

E, após, começou o desfile, primeiramente com os uniformes destinados aos treinos e às viagens. Obviamente, ninguém estava muito interessado nestes modelos. Os sócios presentes queriam, basicamente, ver o novo uniforme de jogo, com uma ansiedade fruto tanto do marketing construído para o lançamento quanto do desgosto ocasionado pelos últimos modelos lançados pela Puma.

Felizmente, a Topper não decepcionou.

Fonte: Grêmio Net

Fonte: Grêmio Net

A satisfação dos torcedores que o modelo desenvolvido pela Topper era evidente. O bom humor e a alegria tomavam conta das sociais do Olímpico. Aliado a isso, os que compareceram puderam presenciar a participação dos campeões da américa Roger e Tarciso, que tiveram seu dia de modelo na passarela, cumprindo muito bem este papel. Foram recebidos com o carinho que merecem ídolos de seu porte.

Fonte: Grêmio Net

 

 

Ao final da apresentação, a social aplaudia de pé o desfile. Porém, como todo espetáculo, o ‘gran finale’ estava por vir. Sem qualquer prévio anúncio surgiram, da pista atlética do Olímpico, todo o plantel gremista, trajando os modelos que utilizarão ao longo do ano. Simplesmente fantástico. A torcida, ao avistar os atletas, imediatamente iniciou  a cantar a música ‘queremos a copa’, tradicionalmente entoada em jogos da Libertadores. O último a subir na passarela foi  Renato Portaluppi, e acredito ser até desnecessário mencionar que foi ele o mais ovacionado (seguido de perto pelo goleiro Victor). Emoção total quando cantamos ” Lá vem Renato…”

 

Fonte: Grêmio Net
Foto da Social com felizes integrantes do Perspectiva em meio aos felizes gremistas que ali compareceram

Ao fundo, ouvia-se o hino do Grêmio, numa linda e emocionante versão do pianista Geraldo Flach. Era a chave de ouro de um evento perfeito, iniciado no  entardecer de um atípico dia ameno de verão, e finalizado já à noite, em um clima inexplicável que só o Grêmio e sua torcida conseguem criar.

O Grêmio, que transforma jogos aparentemente normais em batalhas épicas. O Grêmio, que vence quando ninguém acredita. O Grêmio, capaz de fazer um simples desfile de apresentação de camisetas gerar a sensação de que é, justamente, essa camiseta que será eternizada na história do clube com o tricampeonato da América.

fevereiro 16, 2011 Posted by | Esportes | 2 Comentários

Estudando a vanguarda


O Brasil é um país em que a expressão “artista engajado” não tem o menor sentido. Aqui, todo artista, com a exceção provável dos cantores de axé e dos pagodeiros, é engajado em alguma coisa: luta contra ou a favor de algo, promove e assina abaixo-assinados, lidera manifestações, movimentos, ONGs, institutos e isto quando não lidera Ministérios de Estado. Ao mesmo tempo, todo artista brasileiro tem uma proposta artística inovadora, criativa, única, diferente de tudo o que já existiu antes. Isso vem desde a Semana da Arte Moderna, de 1922, que praticamente autorizou os brasileiros a pisotear qualquer tipo de tradição a que estavam até então vinculados e consagrou o uso dos termos “vanguarda” e “modernismo” como sinônimo daquilo que estavam fazendo. Mas será que são realmente a mesma coisa?

Teoria da Vanguarda, de Peter Burger (Cosac e Naify, 268 páginas) distingue bem estes dois termos. Segundo Burger, o modernismo está ligado tão-somente à evolução estilística dentro da arte, seja da literatura, do cinema ou de qualquer outra, como, por exemplo, o cubismo, o abstracionismo e o concretismo. Por outro lado, a vanguarda é uma postura crítica ao que Burger chama de “instituição arte”, isto é, as ideias artísticas de um determinado período e às formas de distribuição e produção da arte. Acima de tudo, a vanguarda é uma postura crítica e revolucionária do artista em relação à cultura em que está inserido e, em último caso, à própria vida. Fica claro, portanto, que os nosso modernistas eram, antes de tudo, vanguardistas – e nem sempre da melhor espécie, é bom que se diga.

 

Onde encontrar:

http://www.cosacnaify.com.br

(11) 3218.473

fevereiro 12, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Abrigo João Paulo II/Porto Alegre faz campanha para arrecadar material escolar

Rosa Albuquerque, agente de atendimento da presidência da EPTC-Porto Alegre é uma cidadã no sentido mais amplo do termo. Este blog  tem sido obsequiado com colaborações suas que sempre visam divulgação de ações em prol do bem comum. Dessa vez nos envia mensagem em que o Abrigo João Paulo II  situado na Av. Bento Gonçalves, 1701 – Partenon – 90650-002 – Porto Alegre/RS, – Certificados de Fins Filantrópicos do CNAS 28992.000902/94-96
Fone: (51) 3384 2540 – 3336 3754  que atende  diariamente nos dezessete núcleos, denominados Casas Lares, 162 crianças e adolescentes, na faixa etária de um aos dezoito anos, na grande maioria moradores de rua,  está realizando campanha para arrecadação de material escolar.

Os encarregados sugerem doação de dois tipos de kits:

Kit 1: caderno grande, lápis, caneta, régua e borracha.
Kit 2: caderno pequeno, lápis, lápis de cor, régua e borracha

No entanto salientam que :

“Mas se você preferir doar os materiais avulsos, o que mais estamos precisando no momento são: cadernos, cadernos de desenho, lápis de cor e canetinha hidrocor.”

Achamos que vale a pena colaborar com quem tem gestos concretos no enfrentamento do problema  que representam os jovens desamparados.

A página do Abrigo para quem quiser conferir o belo trabalho que desenvolve:

www.abrigojoaopauloii.org.br

fevereiro 10, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Cezar Busatto no Forum Social Mundial

 

Cezar Busatto, da Secretaria de Governança de Porto Alegre, disponibiliza fotos sobre sua  marcante participação no Fórum Social Mundial em Dacar/Senegal.Compartilhamos com nossos leitores.

 

Comissão de frente da passeata de abertura do FSM, com Cezar Busatto ao centro.

A passeata reuniu milhares de pessoas, percorrendo o trecho desde a Grande Mesquita de Dacar até a Universidade Cheikh Anta Diop, sede das atividades do FSM.
Segundo Busatto, o que mais o impressionou foi  o ambiente de pobreza ao longo do trajeto, combinado com infra-estrutura de transporte público precária, prédios de serviços públicos depredados, pouquíssima arborização e muita sujeira.

Debate sobre democracia participativa e poder local, durante o Forum de Autoridades Locais, no ambito do FSM de Dacar. O  Prefeito de Canoas, Jairo Jorge coordenou a mesa. Busatto defendeu as as inovações que POA está fazendo na prática do Orçamento Participativo, como o ObservaPoa, o CapacitaPoa, o fortalecimento dos CARs e o V Congresso da Cidade, que deverá ocorrer em março/2011. Ele entende que dessa forma haverá avanço no que diz respeito ao planejamento e o desenvolvimento participativos de cada território e da cidade como um todo.

 

Bachir Kenoute, senegalês, coordenador regionalda  ONG chamada ENDA, voltada para a capacitação em desenvolvimento sustentável, Busatto e Jairo Jorge, prefeito de Canoas/RS.

As cidades e a região certamente se beneficiarão com a participação doas encarregados de gerir seus destinos em eventos como o Forum.

fevereiro 9, 2011 Posted by | Política | 2 Comentários

SMMA/Canoas e e os animais abandonados

O site da Prefeitura de Canoas/RS noticiou no dia 03 do corrente que a SMMA notificou e multou uma loja de animais situada no Shopping Canoas pelo fato da mesma abrigar animais sem procedência, bem como determinou imediata retirada dos mesmos.

A notícia está aqui.

Á primeira vista parece que a SMMA está realizando bem sua missão, zelando pelo bem estar dos animais. No entanto, quem tem um mínimo de interesse pelo destino dos animais chamados “de rua” em Canoas/RS sabe que não é bem assim.

Minha experiência com animais abandonados me faz testemunha da omissão da SSMA em relação aos mesmos. E não sou nenhuma especialista no assunto, apenas percebo o sofrimento dos animaizinhos nas ruas.  Na primeira vez que encontrei um gatinho abandonado na rua e me vi compelida a recolhê-lo face ser um filhotinho, busquei informações sobre onde poderia entregá-lo, eis que meus cachorros não são propriamente amigos de gatos. Tomei conhecimento de que não encontraria local para abrigo do animalzinho ou encaminhamento para adoção por parte da municipalidade e que, na loja de animais do shopping, poderia ser entregue com vista a futura adoção. Ligando para a mesma me informaram que face a gatinha ser pretinha era mais difícil ser adotada, mas a receberiam assim mesmo. Resolvi eu mesma adotar a Michelle, pela qual já me afeiçoara passados dois dias de nosso encontro na rua. Conversando com amigos, vários me relataram a experiência de encontrar gatinhos nas ruas e levar ao shopping para adoção.

No mês passado presenciei um ataque de cães a uma gatinha na praça perto de minha casa. Recolhi o animalzinho e busquei informações sobre atendimento do mesmo por parte da SMMA. Não atendem, e eu tive que arcar com custo de tentativa de salvamento por parte do Hospital da Ulbra. O animalzinho morreu, mas pelo menos foi sedado, o que não ocorreria se dependesse daqueles que detém o poder  de gerir o meio ambiente.

A atitude da SMMA em relação a loja de animais é hipócrita. A loja recebia animaizinhos que estariam circulando pelas ruas e os expunha para adoção. Não é o ideal isso, talvez os bichinhos não ficassem tão comodamente instalados, mas estavam recebendo alimentação e protegidos dos ataques  de humanos e outros animais. A Secretaria que nada faz para proteger os animais ainda alardeia o fato de haver determinado sua retirada de onde estavam abrigados.

Fica a pergunta:  para onde foram levados os animais? E agora, para onde serão levados os que a população encontrar, porque a loja não recebe mais, face ter sido multada.

Saliento que não sou amiga do(a) proprietário(a) da loja de animais, sequer sua freguesa, eis que compro o alimento de meus 4 gatos ( todos encontrados nas ruas) em outro estabelecimento que atende melhor minhas exigências, mas era muito bom saber que havia um lugar onde as pessoas poderiam  entregar bichinhos que encontrassem.

A SMMA deve fiscalizar as lojas de animais, deve autuar e punir o que estiver irregular, mas isso é o mais fácil. Espera-se de uma Secretaria com a estrutura de que dispõe a SMMA uma política de enfrentamernto do problema que representam os animais abandonados, sem que isso implique em sua pura e simples eliminação. Se uma lojinha de animais podia acolher e disponibilizar para adoção dezenas de animais a cada mês, o ente público também poderia fazê-lo. Talvez falte a chamada ” vontade política”.

 

fevereiro 8, 2011 Posted by | Ecologia | 4 Comentários

Carlos Alberto e o Imortal

Carlos Alberto ingressou no Grêmio proclamando a imortalidade tricolor.

Seja bem-vindo!

 

fevereiro 5, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

André Rizek contra o privilégio ao Flamengo

Em época de “babação” pelo Flamengo é altamente gratificante constatar que ainda existem jornalistas com senso do que significa sua função. André Rizek da Sportv não é o típico “bonzinho” que segue a horda e sim um jornalista que tem a capacidade de analisar os fatos e situações.

No programa Redação Spotv exibido hoje pela manhã  provocou a ira de  seus colegas quando ousou afirmar, ora vejam, que a imprensa privilegia o Flamengo. Rizek externou o que o Brasil inteiro sente, isto é, que um clube de futebol que sequer foi classificado para a Libertadores  está sendo tratado pela imprensa como fosse o maior do país.

Não é , e a imensa dificuldade que enfrentou para vencer o “poderoso” Iguaçu mostra que a divulgação de seus jogos é desproporcional ao desempenho em campo.

Ainda bem que existem jornalistas como André Rizek, caso contrário seria melhor suspender assinatura dos canais de esporte do eixo.

fevereiro 3, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

ESPN Brasil deveria mudar para ESPN Sudeste

 

 

Inacreditável ouvir o apresentador “Amigão” na abertura do programa Sportcenter, transmitido pela ESPN Brasil, afirmar que “hoje o torcedor teve que se dividir entre a estreia de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo e o jogo do Corinthians na Libertadores contra o Tolima.”

Lembramos a ESPN que existem alguns torcedores que estavam interessados em assistir ao Grêmio vencer o Liverpool e prosseguir na Libertadores.

fevereiro 3, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Broadway – The Clash

 

Faixa de “Sandinista”, um dos discos mais corajosos da história do rock’n roll.

janeiro 31, 2011 Posted by | Música | Deixe um comentário

Max Weber e o jornalismo

“O jornalista pertence a uma espécie de casta de párias, que é sempre estimada pela `sociedade’ em termos de seu representante eticamente mais baixo. Daí as estranhas noções sobre o jornalista e seu trabalho. Nem todos compreendem que a realização jornalística exige pelo menos tanto `gênio’ quanto a realização erudita, especialmente devido à necessidade de produzir imediatamente, e de `encomenda’, devido à necessidade de ser eficiente, apesar de suas condições de produção serem totalmente diferentes.Raramente as pessoas dão-se conta que a responsabilidade dos jornalistas é, na verdade, muito maior do que a dos intelectuais”.

janeiro 31, 2011 Posted by | Ciências Humanas | 2 Comentários

Conhecendo o Trivium

Um dos preconceitos mais praticados e menos combatidos é o preconceito temporal. A maior parte das pessoas tem a superioridade do mundo de hoje perante o antigo como um fato indiscutível. Nota-se tal postura de maneira mais clara quando o assunto é a Idade Média: para muitos, trata-se da Idade das Trevas, onde a Europa foi jogada, inteira, na fossa da ignorância construída pela Igreja e pelas elites a fim de se manterem no poder. Neste período, o legado clássico erguido a duras penas por gregos e romanos ficou soterrado até as luzes do Renascimento voltarem a iluminar o Ocidente. Esta é a versão da história que aprendemos no colégio e repetimos a torto e a direito, condicionando a nossa compreensão daquele período da História e tudo o que a ele está relacionado.

 

É curioso constatar, portanto, que os leitores – e, em especial, os leitores brasileiros – do século XXI sofram horrores para ler um livro como o Trivium (É Realizações, 320 páginas, tradução de Henrique Leal Dmyterko). Para os refinados leitores de hoje, as lições da irmã Miriam Joseph, religiosa americana preocupada com a degradação do ensino dos jovens, talvez pareçam praticamente ilegíveis. Explica-se: o “Trivium” era o termo que os educadores medievais utilizavam para designar as artes liberais da lógica, gramática e retórica, essenciais para todo homem que se quisesse dizer culto. São, ou seriam, a base do ensino de hoje, se o que tivéssemos nas escolas fosse de fato ensino. E talvez por ser educação no sentido verdadeiro do termo, o Trivium é ilegível para muitos – e, justamente por isso, muito necessário.

 

Onde encontrar:

 

http://www.erealizacoes.com.br

(11) 5572.5363

janeiro 28, 2011 Posted by | Ciências Humanas, Livros | 3 Comentários

Parque Getúlio Vargas – descaso II

Clique aqui aqui

Os administadores do Parque Getúlio Vargas aparentemente consideram que descumprir lei municipal não tem importância e, por isso, enaltecem o fato de mais de dez cães permanecerem soltos em local de livre acesso ao público. Consideram como “comportamento maroto” dos animais atacarem pessoas e outros animais. Eu tive a desventura de assistir três destes cães atacarem uma gatinha. Na oportunidade, mesmo ante minha intervenção, permaneceram atacando a gatinha, somente desistindo do seu intento quando lhes arremessei as chaves que portava. O animalzinho (cujo dono desconheço) foi por mim conduzido ao Hospital Veterinário da Ulbra, e mesmo com o imediato e pronto atendimento da veterinária Renata, não resistiu ante as violentas lesões internas sofridas.

Os patinhos do parque foram dizimados, o que demonstra o padrão de comportamento dos cães: acostumaram-se a atacar e matar os outros animais, sem restrições. E isso, para os responsáveis pelo parque, é um “comportamento maroto”.

Comportamento maroto? Não. Apenas cães sendo cães e, justamente pelo fato de que esta espécie tem este padrão de comportamento é que não podem permanecer soltos nas dependências do parque, sem que ninguém se responsabilize pelos danos causados. Quem deseja manter animais deve cuidá-los, respeitar seus direitos e evitar que causem dano a outrem. Isso é posse responsável, e não pode o poder público dar o  mau exemplo à população.

janeiro 21, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Parque Getúlio Vargas – descaso

Impressionante como há coisas que não mudam. A postura da  SEMPA reforça esse pensamento. A Secretaria está localizada dentro do Parque Municipal Getúlio Vargas em Canoas/RS. Dessa maneira, seria de esperar-se que ocorrências atentatórias à fauna e flora do local fossem prontamernte resolvidas, inclusive sem necessidade de apelos dos frequentadores/defensores do parkque. Mas nunca foi assim e continua não sendo.

Recebemos notícias de que os patos que habitavam o lago do parque foram dizimados pelos cachorros que transitam livremente no local sem presença de responsáveis.  Frise-se que existe lei municipal vedando a presença de animais em locais públicos.

Art. 6º da Lei4266/98 – É proibida a permanência, manutenção e o trânsito de animais nos logradouros públicos ou locais de livre acesso ao público.


Um cidadão tentou evitar a matança comunicando o fato ao ente público.

Excertos do e-mail que enviou para diversas secretarias municipais:

Não queremos mais presenciar cachorros matando patos e animais silvestres do parque! Já reclamamos diversas vezes e não temos soluções para o problema! Achamos que o parque não local adequado para se criar cachorros! É uma insistência de uma veterinária do parque, que está trazendo estes transtornos para nós freqüentadores!São muitas reclamações das pessoas que vão diariamente no parque! Já presenciamos os cachorros perseguindo os patos e outros animais e os guardas não tomam atitude nenhuma, porque eles estão acompanhados pelos cachorros, agravando o problema! O problema está se tornando grave, só resta um pato de uns vinte que habitavam o parque! Já houve atrito com freqüentadores que soltam seus animais da corrente, dentro das dependências do parque, alegam que tem cachorros soltos no parque, e se acham com o direito de soltarem os deles. Existe uma lei Municipal que proíbe animais soltos no parque! É só cumprir a lei! Inclusive é inseguro para as pessoas e crianças transitarem com animais soltos no parque!

Como é comum nesses casos( e , justiça seja feita, não apenas em Canoas) um funcionário público transfere o problema para outro, alegando não ser de sua competência o encaminhamento da questão. Tomando conhecimento do fato não seria o caso de cientificar a secretaria responsável , sabedores de que a comunicação interna é bem mais fácil? Não, e o cidadão fica sendo “chutado” de um lado para outro  como se estivesse gestionando para solução de um problema seu e do qual os servidores contatados não tem interesse na solução.

Lamentável isso.

janeiro 17, 2011 Posted by | Ecologia | 2 Comentários

Entrevista: Marcus Paulo Rycembel Boeira – ““O ensino brasileiro idiotiza os estudantes”

Entrevista: Marcus Paulo Rycembell Boeira, professor universitário




Por Celso Augusto Uequed Pitol

A entrevista com Marcus Paulo Rycembell Boeira foi realizada sem a presença física do entrevistado. Para contatarmos nosso conterrâneo de 31 anos – “canoense desde o primeiro dia de vida”, segundo ele – foi preciso apelar para o Skype: Marcus mora em Curitiba, onde é professor universitário, e vive em trânsito entre a capital paranaense, São Paulo – onde termina a tese de doutorado sobre o Poder Moderador na Constituição do Império (a tese de mestrado, sobre a natureza da democracia constitucional brasileira, está em processo de publicação) – e a sua Canoas natal. Além disso, seu tempo é contado: dá aula em várias instituições e dedica pelo menos duas horas diárias para o estudo. O momento para conversas é, portanto, reduzido. Mesmo assim, quando se anima a discorrer sobre os seus assuntos preferidos – filosofia do Direito, ciência política, o estado da educação e do ensino no Brasil, a religião e muitos outros – o professor Marcus estende-se por horas e horas, sem economizar palavras e olhar para o relógio. Suas referências intelectuais o distanciam um pouco de seus colegas de profissão: em vez de Habermas, Ferraioli e Laclau, cita São Tomás, Francisco de Vitória, Suárez e Domingo de Soto. São essas referências, que denunciam uma sólida formação clássica, o fundamento de suas opiniões corajosas e contundentes que apresentamos ao leitor nesta entrevista.

O Timoneiro: Primeiramente, gostaria que falasses um pouco da tua formação intelectual.

Marcus Boeira:A minha formação eu devo primeiramente ao meu avô, Victor Rycembel. Na minha infância, ele me tomava lições de matemática e lógica, o que me permitiu ter uma certa base nessa área. No ensino formal, eu estudei no Rondon até a quarta série e depois me transferi para o La Salle, onde estudei até o terceiro ano do segundo grau. Mas a minha educação de verdade nunca dependeu das instituições formais e oficiais. A minha educação eu fiz em casa, sozinho, estudando e tendo aconselhamentos primeiro do meu avô e depois de pessoas que foram se incorporando à minha adolescência. Isso tudo me permitiu a poder articular discursos e linguagem de uma forma mais rebuscada. Quando meu avô faleceu, eu perdi muito nesse sentido, porque eu via nele uma autoridade nestes aspectos. Durante o segundo grau, eu dei um salto da literatura para outras áreas do conhecimento, a Sociologia, a Ciência Política e outras áreas.

OT: Isto foi quando?

MB: Em 1994, 1995. Também comecei a me interessar por política. Este contato deu-se, em primeiro lugar, quando observei meu avô na infância relacionar-se com pessoas da sociedade canoense. Na casa de meu avô, comentava-se muito acerca do prefeito Hugo Lagranha, do teu pai (Celso Pitol, ex-vereador canoense), o teu tio (Jorge Uequed) , Jurandir Bonacina, Carlos Giacomazzi e muitos outros. Lembro quando tinha 9, 10 anos de idade e visitei a Câmara de Vereadores de Canoas, que ficava ao lado do fórum onde meu pai trabalhava. Eu tinha a impressão de que a política era algo muito superior a ela mesma e isso permaneceu dentro de mim, como uma chama apagada, até os 16, 17 anos de idade. Já com 18 anos de idade eu ingresso na Faculdade de Direito da PUCRS.

OT: Porque escolheste o Direito?

MB: É uma questão complicada. Na adolescência eu sempre quis fazer filosofia ou história. Só que, como todo adolescente, eu fui suscetível às pressões do momento, à família e a outros personagens da minha vida. Havia uma verdadeira pressão social. Quando entrei, eu percebi que o que era tratado na universidade era muito complexo mas carecia de uma substância de realidade que desse às teorias ali ensinadas uma base moral sustentável.

OT: Falas especificamente da faculdade de Direito?

MB: Não só dela. Em contato com outros cursos, eu percebia isso também. Percebia que havia entre os professores uma falta de conhecimento da tradição, da base da civilização ocidental, que pudesse colocar suas próprias teses em cheque.

OT: Não te parece que a faculdade de Direito , da maneira como está hoje estruturada hoje, é um campo mais fértil que o do resto das ciências humanas para que isto que tu acabaste de descrever ocorra? Não te parece que o ensino jurídico negligencia, ao menos no Brasil, o estudo das humanidades clássicas e da tradição ocidental?

MB: Parece-me que tudo começa com a falta de formação básica dos próprios professores. Se os professores não foram educados de uma maneira capaz de articular as suas próprias disciplinas, eles tecnicizam e burocratizam o ensino de forma a estupidificar ou passam a ser massa de manobra para movimentos ideológicos de massa. Ou é uma coisa, ou é outra. Ou é tecnicização irresponsável frente ao universo do real, ou por outro lado passam a ser massa de manobra para ideologias de massa que se introjetam na cultura jurídica e passam a dominá-la a partir de idiotas úteis.

OT: Quando te deste conta que este é o processo em que as universidades estão inseridas?

MB: Em 1998. Eu tinha 19 anos e tive um professor universitário, o professor Diego Pérez – que hoje é meu padrinho de casamento – que me introduziu num universo absolutamente novo para mim. O Diego e a Sofia, sua esposa, eram liberais – hoje são liberais conservadores – e me convidaram para integrar um grupo de estudos que eles tinham e eu, que estava no segundo ano da faculdade, fiquei todo entusiasmado. Sendo que, à época, já tinha tido uma passagem pelo marxismo.

OT: Quando tiveste essa passagem?

MB: Com 16, 17 anos. Fui seduzido a partir do final do colégio e início do cursinho. Eu conheci algumas pessoas que pertenciam ao PT e essas pessoas me forneceram  a “Ideologia Alemã”, do Marx. Eu li aquilo e achei coerente com as minhas aspirações revolucionárias de jovem que queria mudar o mundo. A partir daí, fui seduzido por todo o resto: pelo “Manifesto”, pelo “Capital” e por toda a economia política marxista. Fui seduzido pelo marxismo clássico, da luta de classes, etapas revolucionárias da História.

OT: Isso foi no colégio?

MB: Não. Eu, na minha vida intelectual, não recebi nada do colégio. Posso dizer que tudo o que eu aprendi na minha vida foi fora do colégio. Passei um tempo como marxista até que conheci esse professor universitário e ele abriu um flanco na minha formação, me apresentando as pessoas que mais contribuíram para a minha formação intelectual: Cezar Saldanha e Olavo de Carvalho. Após conhecer a obra desses dois, tomei um soco na cara e depois um impulso de conhecimento, pois estamos falando provavelmente dos dois maiores gênios brasileiros vivos, ao menos dos que eu conheci. Eu, conhecendo o prof. Cezar, comecei a integrar o grupo de estudos do prof. Cezar, que me deu uma formação muito boa em termos de ciência política e filosofia do Direito. Naquele ano, tive contato com a obra “Aristóteles em Nova Perspectiva” e “O Imbecil Coletivo”, de Olavo de Carvalho. Com essas obras, posso dizer que a minha casa caiu e o que eu tinha aprendido até ali, salvo a educação clássica que eu havia recebido do meu avô, tinha de ser revisto. E isso me fez abandonar o marxismo completamente. Passei boa parte da minha vida acadêmica estudando Aristóteles, São Tomás e a tradição clássica e escolástica. A partir daí, cheguei aos autores da segunda Escolástica espanhola, Domingo de Soto, Francisco de Vitória, Francisco Suárez e outros. Mas, antes de chegar a esses autores, ter tido essa formação básica foi decisivo. E hoje eu devo muito a essas pessoas e essas fontes intelectuais, que permitiram não apenas a formação que eu tive, mas também definir o curso intelectual da minha vida.

OT: Gostaria que falasses um pouco deste momento de mudança de eixos, deste momento axial, tão importante para a trajetória intelectual de muitos.

MB: Na verdade, a minha experiência “axial” já estava dada no momento em que eu estava imerso do marxismo. Houve, porém, um evento importante envolvendo o teu tio e vou contá-lo, ainda que ele provavelmente não lembre. Foi em abril de 1998. Eu estagiava com meu pai (Paulo Boeira, funcionário do fórum de Canoas) no fórum de Canoas e estava saindo para almoçar quando encontrei o seu Jorge na rua. E eu disse: “seu Jorge, o seu jornal não tem espaço para idéias marxistas”. Ele então respondeu que o jornal tinha espaço para todo tipo de idéias, que era um jornal democrático. Aí continuei a conversar, a falar das minhas preferências políticas e ele me disse assim: “tu tens certeza disso que tu estás fazendo?”. Aí eu fiquei sem saída. Naquele momento as palavras do dr. Jorge Uequed me atingiram como uma flecha. Era um momento em que eu estava deixando totalmente o marxismo para trás. Eu tinha, por um lado, a carga de perder os amigos, os colegas, as amizades na esquerda, de perder a possibilidade de crescer em certos organismos e instituições, e por outro lado eu tinha o trivium, o quatrivium e tinha o professor Cezar Saldanha, o Diego, o Olavo e as fontes intelectuais destes três. Então tudo isso pesava do outro lado. Hoje, vejo que fiz a escolha acertada. Fiz amigos como o Carlos Reverbel, Gustavo Sander, Ronaldo Laux e muitos outros que hoje são professores. Um autor que me influenciou decisivamente foi o Giovanni Sartori, a ponto de eu ter ido visita-lo na Itália. Mas estudei também o lado oposto: Habermas, Horkheimer, Adorno. Pouco depois, comecei a dar aula. Casei-me – o que foi um momento importantíssimo para que eu tivesse a aspiração de ser um homem de verdade, de tocar a própria vida. Acabei por ir morar em Curitiba e é onde estou até hoje. E veio também a religião. Comecei a partir de 2006 a ter uma experiência espiritual cada vez mais intensa. Eu posso dizer que em 2008 eu verdadeiramente me converti à fé cristã. O meu entendimento do cristianismo era até então mais filosófico, não o entendimento com os olhos da alma. Comecei a compreender o crisitanismo não de um ponto de vista externo, mas sim dentro de mim mesmo. O meu casamento na Igreja foi a porta de entrada para aquilo que se tornou pleno em 2008.

OT: Qual a tua opinião sobre o atual ensino universitário brasileiro, de modo geral?

MB: Péssima. A verdadeira educação é apenas a das 7 artes liberais: o trivium – o conhecimento da mente, a lógica, a gramática e a retórica; e o quatrivium – o conhecimento da matéria,  aritmética, geometria, astronomia e a música. Nem as universidades nem os colégios ensinam isso. O ensino brasileiro idiotiza os estudantes. Só ensina-se aparências, questões sensitivas e teorias radicadas em movimentos ideológicos de massa que em nenhum, ou em quase nenhum momento correspondem ao que um estudante das artes liberais estuda. Temos hoje uma cultura de estereótipo, a baixa cultura. Um estudante que se formou na lógica do ensino médio brasileiro está estupidificado. É a pedagogia da estupidez. O sujeito entra no colégio sem o desenvolvimento das artes liberais e não tem faculdades congnitivas capazes de compreender as imbecilidades do que que lhe estão sendo ensinadas. E os professores também não tem o conhecimento necessário. Quem não é pedagogo de si mesmo não pode ser pedagogo dos outros. Lendo Ortega y Gasset, ao analisar a obra do toynbee, ele diz que o lado prático dos ingleses é baseado na educação à moda grega que eles tem nos colleges – Oxford, Cambridge e outros. Ortega y Gasset viu então uma dissonância profunda entre essa educação e a educação dada no continente. Posso dizer que não há remédio para a nossa educação a não ser retomar as sete artes liberais.

OT: Vê um componente ideológico nisso tudo?

MB: Claro. Há uma hegemonia esquerdista no meio universitário mundial. Não é só no Brasil. Esse discurso do politicamente correto, da crítica ao capitalismo, passou a tomar conta e conquistaram artificialmente o que se chama de senso comum. Eles conquistaram artificialmente aquilo que as pessoas chamavam de opinião pública. É o que o professor Giovanni Sartori diz: a “Vox populi” na atualidade não é formada no publico, e sim para o público. São certos atores assumem a condição dessa hegemonia cultural. É claro que esses agentes conhecem profundamente a obra do Gramsci, do marxismo cultural e de outros. Nunca na história humana tivemos isso: a opinião pública formada não a partir da cultura tradicional e sim por agentes culturais marxistas.

OT: Falas em escala global. Gostaria que falasses da ação desses movimentos na tua atividade profissional como professor. Como a percebes?

MB: Eu percebo com o próprio lombo, como se diz no interior (risos). Eu percebo na porrada. Eu posso dizer que tive muitas portas fechadas e sofri alguma perseguição por conta de não pertencer ao establishment marxista existente.

OT: Sendo tu professor Direito, não posso deixar de perguntar sobre um tema candente da atualidade, que é o da obrigatoriedade do exame de ordem, que está sendo posto em xeque. Que pensas dele?

MB: As faculdades formam robôs técnicos e quando alguém tem uma vocação propedêutica ele sai contaminado pelo marxismo cultural. Nesse sentido, se o exame de ordem é avaliação técnica, e a faculdade só forma técnicos, me parece justo. O problema é usar desse recurso técnico como maneira de impedir verdadeiras vocações jurídicas que, embora não tenham esse conhecimento técnico talhado, têm a amplitude da cosmovisão jurídica necessária para trabalhar os problemas técnicos diante de uma unidade de conhecimento. Nesse sentido, o exame de ordem facilita a entrada de pessoas altamente especializadas e impede que haja a entrada de pessoas mais abertas no campo da ciência.

OT: O que tu podes aconselhar para um jovem que está se iniciando no estudo do Direito?

MB: Antes de tudo, o trivium e o quatrivium. Depois, estude por si mesmo. Procure mestres e pessoas mais experientes que lhe possam fornecer bases de estudo não só de autores contemporâneos, mas de autores clássicos em primeiríssimo lugar. Não confie em tudo o que escutam dentro da universidade. Se o professor deu uma fonte, procurem também o contraponto. Numa cadeira de direito constitucional, se derem o Paulo Bonavides, procure também o Sampaio Dória, ou o Manoel Gonçalves Ferreira Filho.

 

Entrevista publicada no jornal O Timoneiro.

janeiro 17, 2011 Posted by | Entrevistas | 4 Comentários

Golden Globe 2011

Angelina Jolie, linda como sempre acompanhada do marido Brad Pitt já não tão bonito.

Leighton Meester, a Blair de Gossip Girl

Sandra Bullock e seu horroroso cabelo


Olívia Wilde de House. Talvez o cabelo pudesse estar melhor para combinar com o vestido lindíssimo.

 

 

Jim Parsons- The Big Bang Theory

 

Se tem algo que não combina é Kelly Osbourne e um vestido de festa

 

 

 

 

Natalie Portman, grávida e linda

 

Fonte:Just Jarred

janeiro 16, 2011 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

A entrevista de Julian Assange: alguns comentários

A entrevista de Julian Assange publicada no Estado de São Paulo em 23 de dezembro chama a atenção por alguns motivos.

O primeiro deles é o conhecimento que Assange demonstra ter do país. Não se esquivou de nenhuma pergunta que envolvia o nome do Brasil e até mesmo citou um blog anti-Folha de São Paulo – o Falha de S. Paulo – desconhecido até mesmo da grande maioria dos brasileiros – e falo da minoria supostamente bem informada. Assange também aparenta conhecer bem a política brasileira e a posição atual do Brasil no mundo.

O segundo é a definição do objetivo do Wikileaks. Se alguém tinha dúvida sobre o que ele e seus companheiros estão fazendo, esta declaração não deixa mais dúvidas:

“O que eu espero é que nosso trabalho mostre às pessoas em todo o mundo como é que o mundo de fato funciona”.

Um propósito messiânico. Assange pretende rasgar o véu que encobre a política mundial desde que a diplomacia e a espionagem foram instituídas (ou seja, desde quase sempre) e pôr a nu tudo o que os políticos querem esconder sobre a condução do mundo. A famosa frase atribuída a Benjamin Disraeli – o mundo é regido por personagens muito do que imaginam aqueles que não estão nos bastidores –  deixará de fazer sentido quando Assange terminar seu intento: ele quer abrir as cortinas do teatro até escancarar o que acontece nos bastidores. Quer acabar com o segredo e a ocultação. Quer mostrar quem é que manda. Ainda não mostrou grande coisa. Mas promete que vai mostrar.

Resta-nos aguardar. O problema todo é que a história já nos mostrou o que acontece com os Messias imanentes e os autoproclamados salvadores da humanidade. Esperamos – todos – que Assange não seja um deles.

Adiante:

“O sr. já pensou em pedir asilo no Brasil?
Seria ótimo ter isso oferecido. Há alguma reflexão sendo feita de que o Brasil seria um bom lugar para instalar algumas de nossas operações. É um país grande o suficiente para ser independente da pressão dos EUA, tem força econômica e militar suficiente para fazer isso. E não é um país como China e Rússia que não são tão tolerantes com a liberdade de imprensa. Talvez o Brasil seria um bom país para que coloquemos parte de nossas operações.”

Como se sabe, o governo dos EUA está em guerra aberta com Assange e há quem fale até mesmo em perseguição política. Ele se defende e apela para um argumento curioso:  “Os valores americanos estão sendo jogados no lixo”.

Diante disso, pode-se dizer que Assange não é um anti-americano, ao menos não no discurso. Aliás, sua própria existência depende, aliás, destes valores, e seu discurso de oposição aos EUA é, em boa medida, um discurso de oposição ao governo americano que não respeita o próprio país e as bases sobre as quais ele foi fundado. Por isso o Brasil é interessante para o Wikileaks. Para Assange, o Brasil não está com os EUA, mas não é um anti-EUA. Não é, segundo ele, um inimigo dos tais valores americanos que ele diz querer resgatar. Por outro lado, a China e a Rússia são, em vários aspectos, países anti-EUA, e lá não é possível sequer imaginar a existência de um grupo de trabalho como o dele. Só numa democracia ocidental um tipo como Assange pode surgir e sobreviver. Só num país onde os “valores americanos” – leia-se: valores do Ocidente – sejam conhecidos e respeitados.

Fica, portanto, um alerta para aqueles que aplaudem a aproximação do Brasil com certas tendências – por assim dizer – anti-ocidentais e anti-liberais em nome de um suposto não-alinhamento, garantidor de uma suposta independência. Assange está do lado de um Brasil pelo que ele imagina que o Brasil defenda, e não de um Brasil que aplaude espancamento de mulheres, que quer cercear a mídia e que se aproxima de ditadores.

Por fim: o repórter responsável pela entrevista, Jamil Chade, diz que Assange escolhe muito bem os jornais para os quais vai dar entrevista. Tendo em vista o que conhece do Brasil, seria estranho que ele não soubesse qual a orientação de O Estado de São Paulo. Coordenemos a sua escolha com o restante do que foi dito até agora. A conclusão é interessante, ainda que nem um pouco estranha.

Quem quer saber mais como funciona o Wikileaks acessa aqui.

janeiro 14, 2011 Posted by | Política | Deixe um comentário

Maldade sem limites

 

 

Em frente ao hospital veterinário da Ulbra-Canoas/RS encontrei uma senhora recebendo um gatinho que havia sido operado. Sequer condições tive de perguntar algo. Por acaso, encontrei na Internet notícias sobre o caso e pude contribuir com as bondosas pessoas que o acolheram. Peço a quem ler essa postagem que faça o mesmo. O ato de maldade de um “ser humano” deve ser minimizado por atos de bondade de outros seres humanos. Vamos juntos tentar diminuir o efeito do mal.

O site onde estão os dados é o esse.

Banrisul-agência 0871-CC 3514802704-Liliana Souza Lima
Caixa Econômica Federal-agência 0463-conta poupança -19707-6-operação 013-Camila Lima da Silva

Itaú-agência- 7219-conta poupança 09009-4/500-Liliana Souza Lima

janeiro 14, 2011 Posted by | Geral | 2 Comentários

Signos na Vogue – Capricórnio

22/12 – 21/01

“A garota abraça seu signo regente com toda a delicadeza e serenidade de uma estátua de porcelana.”

 

 

Fonte: Sepha blog

janeiro 13, 2011 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

Gogol relançado

 

 

 

A seleção de contos O Capote e outras histórias, de Nicolai Gogol (224 páginas) é mais um lançamento da Editora 34, que, através de sua coleção Leste, vem brindando o público leitor com novas traduções de escritores russos como Dostoievski, Maiakovski, Puchkin, Tchekhov, Tolstói e muitos outros. Neste caso trata-se de um relançamento, pois a seleção foi originalmente publicada em 1990, pela editora Civilização Brasileira. Para a edição atual, a obra recebeu uma revisão completa do tradutor, Paulo Bezerra, já um nome consagrado entre nós quando o assunto é literatura russa. E não é para menos, afinal, é ele o responsável pela tradução de boa parte da obra de Dostoievski publicada pela 34.

A seleção de Bezerra contém apenas cinco contos, três dos quais estão entre as narrativas mais conhecidas e influentes de Gogol: “O Nariz”, “O Diário de um Louco” e “O Capote”. São, também, o que há de melhor no livro e só elas já valeriam o volume. As outras duas narrativas, “Viy” e “Noite de Natal”, são baseadas no folclore da terra natal do escritor, a Ucrânia, então província do Império Russo. São um excelente complemento para os três contos escolhidos e, juntos, os cinco perfazem uma obra obrigatória para o leitor da incomparável novelística russa do século XIX e princípios do XX. Isto é, para qualquer leitor de bom gosto.

 

Onde encontrar:

www.editora34.com.br

(11) 3816 6777

janeiro 11, 2011 Posted by | Literatura | Deixe um comentário

Algumas palavras sobre Bill Shankly

Este ano de 2011  marcará os trinta anos da morte de Bill Shankly.

O torcedor brasileiro provavelmente nunca ouviu falar dele.  Para a torcida do Liverpool, porém, este escocês nascido em 1913 é o maior nome da história de um clube cheio de grandes nomes e dono de uma mitologia própria comparável à Imortalidade gremista.

William Shankly nasceu numa paupérrima família operária em Glenbuck, interior da Escócia. Durante a infância, passou por todas as dificuldades que um operário nascido nas ilhas Britânicas no início do século XX poderia passar. Shankly costumava brincar que nunca havia tomado banho até os quinze anos e que a única oportunidade de ganhar a vida naquele lugar era trabalhar nas minas ou jogar futebol.

O menino Shankly escolheu o futebol. Tornou-se um bom jogador do Preston North End, então um poderoso time de Londres, e chegou a disputar algumas partidas pela seleção escocesa. Mas destacou-se mesmo foi como treinador. Após experiências relativamente bem sucedidas em times ingleses menores, foi contratado em 1959 para assumir o Liverpool.

É importante contextualizarmos:  o  Liverpool que Shankly encontrou em 1959 estava mais próximo do tamanho do seu homônimo uruguaio do que do mega-clube que é hoje. Era um clube local, que vivia num vai e vem entre a primeira e a segunda divisão, jogando num Anfield Road precariamente construído e frequentado por um pequeno e desanimado público. Em 1974, quando saiu, deixou uma equipe consolidada entre os melhores do seu país e do futebol europeu,  vencedor de três campeonatos ingleses, duas copas da Inglaterra e uma copa da UEFA. Deixou, principalmente, um verdadeiro exército de torcedores, que se apinhavam em pé no Estádio de Anfield para ver sua equipe e seu treinador.

Como Shankly fez isso? Primeiro, moldou uma nova cara para o Liverpool. Substituiu os calções e meias brancos do kitoriginal por equivalentes vermelhos e criou o uniforme atual, totalmente vermelho. Depois, aproximou-se da massa trabalhadora daquela cidade definida pelo seu filho mais ilustre, John Lennon, como “gente dura vivendo vidas duras em uma cidade dura” e trouxe-a para dentro do clube através de convocatórias, discursos inflamados como este e uma dedicação integral aos fãs, a quem nunca negou um minuto de sua atenção: fazia questão de responder a todas as cartas que lhe enviavam e não foram poucos os scousers que privaram da companhia do mestre em sua casa, na sala de estar, onde discutiam – fãs e treinador – sobre os jogos do Liverpool e as melhores táticas e jogadores a serem utilizados em campo.

A partir desta interação entre clube e torcida intermediada por Shakly nasceu a “Red Army”, um verdadeiro exército da classe trabalhadora comandado por Shankly que sacudia Anfield Road e apavorava adversários numa época em que os estádios ingleses eram verdadeiros caldeirões sul-americanos em pleno Norte europeu.

Por fim, criou uma maneira de jogar. Os torcedores nunca exigiram do Liverpool que desse show técnico em campo: ao contrário dos seus quase vizinhos do Manchester United, que sempre gostaram mais do toque refinado de um George Best, um Denis Law ou um Bobby Charlton, o que importava para os scousers e para Shankly era a dedicação e a garra demonstrada em campo. Durante os 15 anos de Shankly no comando, o Liverpool teve apenas um craque de verdade: Kevin Keegan. Os demais eram, como Shankly e seus torcedores, nada mais do que operários no velho 4-4-2 britânico de duas linhas que Shankly adaptou e que seria a marca registrada do grande Liverpool dos anos 70 e 80, tetra-campeão europeu, e mesmo do Liverpool vencedor em 2005. A fórmula – 4-4-2, garra, espírito de luta, companheirismo, senso coletivo – foi toda criação de Shankly.

“Sou apenas uma dessas pessoas que ficam ali, no estádio. Eles pensam da mesma maneira que eu e eu penso da mesma maneira deles. É o tipo de casamento entre pessoas que gostam uma da outra”. Assim resumiu Shankly a sua relação com a torcida. Do futebol, disse (e esta é, creio, a sua frase mais conhecida): “Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Posso garantir que futebol é muito, muito mais importante.” Era ótimo com as palavras e ainda melhor ao lidar com as pessoas. Digo sem medo de errar: ninguém, na história do futebol, foi mais amado pelos torcedores do que ele.

Ou, como ele mesmo dizia:

Acredito que a única maneira de se viver e ter sucesso é através do esforço coletivo, com todos trabalhando por todos, todo mundo se ajudando e cada um colhendo a sua parte da recompensa no final. Pode ser pedir demais, mas é assim que eu vejo o futebol e é assim que eu vejo a vida.”

Nestes trinta anos de seu falecimento, assistimos neste início de ano a certos espetáculos tristes que provavelmente deixariam o velho Shankly um tanto decepcionado com o jogo que tanto amava. E justamente por isso é que torna-se tão importante lembrarmo-nos dele neste momento.

Torcida do Liverpool saudando o treinador.

 

Torcedores invadem o campo para prestar reverência a Shankly:

 

janeiro 9, 2011 Posted by | Esportes | 1 comentário

Nem Judas traiu duas vezes

janeiro 8, 2011 Posted by | Esportes | 2 Comentários

Feliz 2011!

Greta e Marlene  foram encontradas juntas no meio da rua, em novembro de 2009.

As irmãs permanecem juntas até hoje, dando e recebendo amor entre si e dos humanos.

Este amor se reflete na postura de Marlene,à esquerda, auxiliando sua irmã Greta , à direita, nos cuidados com os filhotes desta.

 

Os filhotes nasceram dia 01/12 através de uma cesariana de emergência  realizada em um hospital que merece ser exaltado por todos aqueles que utilizam seus serviços. O Hospital Veterinário Lorenzoni (rua   Getúlio Vargas 217- Porto Alegre) tem uma equipe que dignifica a nobre  profissão de veterinários.  Respeito pelos animais e pelos seus donos é a tônica no Lorenzoni nas 24 horas em que ficam à disposição para auxiliar naqueles momentos difíceis em que um atendimento médico faz toda diferença.Agradecemos a toda equipe especialmente às dras. Joseane Salvi e às querida dra. Simone e recepcionista  Sônia.

 

Jorge, o pai

 

O Perspectiva deseja que em 2011 o exemplo de paz e harmonia que Marlene e Greta simbolizam seja uma constante para todos nós.

dezembro 30, 2010 Posted by | Geral | 4 Comentários

Uma triste profecia

 

Jorge da Cunha Dutra*

Estamos chegando a mais um final de ano. Junto com essa transição anual vem o feriado do dia primeiro de janeiro. Nesses dias, como geralmente acontece nos demais feriados do ano (ainda mais, quando é próximo do fim de semana), existe um grande deslocamento de pessoas para os mais diversos cantos do país em função das comemorações, encontro com familiares, amigos e etc. Em contraposição a esta alegria, nessas épocas de feriado, nosso país vem sendo marcado por uma profecia que não costuma falhar. Eu gostaria de não mencioná-la, mas, por mais triste que seja, sinto que é o momento de anunciá-la: “Ao fim do feriado de Ano-novo, muitas pessoas terão perdido suas vidas em algum acidente de trânsito”.

É triste, eu sei! E não pensem que estou livre desta profecia. Ela vale para todos nós. Tenho reparado que a cada feriadão que passa, os meios de comunicação anunciam o número de mortes que ocorreram no trânsito. Não recordo de ter acontecido algum feriadão em que não fosse pronunciada essa notícia.

Percebo, também, que algumas pessoas atribuem a responsabilidade, pelas fatalidades do trânsito, ao destino: “Ah… aquele jovem morreu porque já era a sua hora”. Não! Não acredito nisso! O que pode ter ocorrido foi o fato de que o respectivo jovem foi imprudente, ou o outro condutor cometeu a imprudência, ou até alguma falha mecânica de alguma das partes. Mas morrer porque já está na hora, isso não. A morte não se preocupa com o “relógio”; ela chega como um ladrão. Está sempre à espreita, esperando que algo aconteça para levar alguém. Portanto, qualquer hora pode ser “a hora” da morte chegar.

Escrevo esta reflexão para que possamos pensar em conjunto. Trago este pensamento para que possamos evitar que esta profecia se concretize neste Réveillon que se aproxima. Que cada pessoa possa parar por um momento e refletir sobre a sua vida: que pense na sua família, nos seus amigos, que pense em si mesmo. Será que desejamos, no dia 2 de janeiro, estar em um cemitério velando o corpo de alguém que amamos, ou sendo velado por nossos amigos? E avançando um pouco mais na reflexão: será que gostaríamos que alguma família estivesse sofrendo a dor da morte de alguém que ama por imprudência nossa?

Vou deixando aqui esta reflexão. Peço desculpas se fui muito duro nas palavras, mas acredito que estou transmitindo-as a tempo de evitar alguma tragédia. A morte no trânsito, por mais que esteja anunciada, pode muito bem ser evitada se agirmos no coletivo. Não acredito no destino pré-determinado, pois vejo que o destino refere-se àquilo que fazemos com a nossa vida, ou o que algumas pessoas acabam fazendo com ela. Mas, se cada um agir com prudência, seguindo as leis do trânsito, tenho a esperança de que poderemos ter o primeiro Réveillon da história do Brasil, sem mortes no trânsito. Se isto realmente acontecer, aí sim, acredito que todos poderemos comemorar um Feliz 2011!

Publicado no jornal Agora- Rio Grande/RS

 

*Aqui tudo que  Jorge da Cunha Dutra publicou no Perspectiva

dezembro 30, 2010 Posted by | Sem categoria | 1 comentário

Ajudando bichinhos

O blog   querserfelizadoteumbichinho.blogspot.com divulga a situação de animais que necessitam de auxílio na região metropolitana de Porto Alegre.

Algumas pessoas não tem como adotar um animal mas sentem vontade de ajudar. O blog relata diversos casos em que os animais necessitam de doações.

dezembro 27, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

Feliz Natal!

dezembro 25, 2010 Posted by | Sem categoria | Deixe um comentário

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