“O Senhor dos Anéis: a guerra dos Rohirrim”: o novo filme da série – em versão anime

A notícia do anúncio de “O Senhor dos Anéis: a Guerra dos Rohirrim” pegou os fãs da obra de J.R.R. Tolkien de surpresa. A ideia de se elaborar um filme baseado na obra imortal do escritor inglês, em formato anime, com uma narrativa que se passa antes da cronologia conhecida do livro, está gerando discussões acaloradas entre os fãs. Até aí, nada de anormal: todo fandom envolve esses debates. A questão é que muitos dos novos fãs de Tolkien – em particular, aqueles que não leram o livro ou não conhecem profundamente a mitologia da Terra Média – estão confusos. Do que se trata?

Os rohirrim são os habitantes de Rohan, reino da Terra Média governado pelo rei Théoden. Quem assistiu o filme lembrará da participação decisiva desse povo na batalha do Helm’s Deep. A guerra aludida no título do projeto se passa num período anterior, aproximadamente 200 anos antes do começo da narrativa de “O Senhor dos Anéis”. Muitos lembrarão do ressentimento entre os reinos de Gondor e Rohan, presente no filme. Em “A Guerra dos Rohirrim”, os reis de Gondor abandonam seus antigos aliados de Rohan à própria sorte.

Outra presença importante do anime será o Helm’s Deep, cenário importantíssimo do segundo filme da trilogia. Os roteiristas pretendem explorar a fundo os motivos pelos quais, séculos depois, o rei Théoden acredita piamente que o local os protegerá contra ataques das forças de Saruman.

É difícil saber o que esperar do novo filme. A narrativa promete: o cenário e as personagens de Rohan são uma fonte inesgotável de boas histórias. O formato anime pode servir bem a determinados tipos de adaptações, mas não necessariamente a uma história com fortes tinturas nórdicas e germânicas, como é o caso de “O Senhor dos Anéis”. Resta esperar e torcer.

 

 

“The English Game”: um jogo e seus vencedores

A Série “The English Game” - Coadjuvante - Medium

Um brasileiro que se depare com o título da série “The English Game”, exibida pelo Netflix desde fins de março, pode lembrar de um de nossos epítetos preferidos para designar o futebol: “o esporte bretão”. Salvo engano, a expressão apareceu pela primeira vez no hino do Corinthians, composto em 1954, – “teu passado é uma bandeira/ teu presente é uma lição/ figuras entre os primeiros / do nosso esporte bretão” – e, desde então, vem sendo fartamente utilizada na imprensa e na linguagem popular. Trata-se, é claro, de uma referência à origem do futebol, esporte britânico (ou bretão) de nascimento e mundial por vocação. Vale suspeitar, portanto, que “The English Game” trate do nosso esporte preferido. E a suspeita tem fundamento: a série de Julian Fellowes, idealizador da multipremiada “Downtown Abbey”, de fato retrata o jogo criado pelos ingleses. Mas uma coisa é um esporte, um sport; outra é um game, um jogo. Há diferentes tipos de jogos, e nem todos são esportivos. Mas deixemos, por ora, essa reflexão de lado. Vamos à série.

A narrativa de “The English Game” se passa na Inglaterra de 1879. O futebol, naquele momento, ainda é amador, e a única competição nacional existente – a F.A. Cup, também conhecida como Copa da Inglaterra – é dominada pelas equipes do sul do país, próximas a Londres, cujos jogadores são, em regra, membros da aristocracia. O football é, então, um jogo de gentlemen, que recusam vivamente qualquer recompensa financeira. Os operários, contudo, são aceitos: jogam nas equipes patrocinadas pelas fábricas do Norte da Inglaterra, onde trabalham durante o horário regulamentar e, nas folgas, treinam para os campeonatos. Têm, portanto, visível desvantagem na disputa com os riquíssimos filhos de banqueiros, latifundiários e altos funcionários da burocracia do Império, que podem treinar quando querem e como querem.

Um desses clubes de operários é o Darwen Football Club. Localizado na cidade homônima e ligado a uma fábrica local, não costuma ir longe na F.A. Cup, apesar do apaixonado apoio que recebe da população. Será essa a situação até o dia em que dois escoceses, Fergus Suter e Jimmy Love, apresentam-se à fábrica. Vindos do Partick, os dois são contratados como operários comuns, mas nunca se postam diante das máquinas. Seu verdadeiro papel é outro: jogar no Darwen e tentar ajudá-lo a chegar às finais da copa.

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Fergus Suter, o grande nome do novo time do Darwen

Com os dois craques em campo, o Darwen enfrenta os Old Etonians pelas quartas de final da F.A. Cup. O adversário é formado por ex-alunos do tradicionalíssimo Eton College, responsável pela formação escolar dos mais refinados membros da aristocracia britânica. Seu principal jogador é Arthur Kinnaird, tricampeão da F.A. Cup e considerado o primeiro grande craque do futebol. Os Etonians entram em campo com a certeza da vitória – e o transcorrer do jogo parece dar-lhes razão, pois o primeiro tempo termina em 5 x 1. No intervalo, os dois escoceses reúnem os demais jogadores e sugerem uma mudança tática baseada na experiência que trazem de seu país. Até então, o Darwen, como todos os times ingleses, faz um jogo compacto, de muita velocidade, lançamentos, espírito de luta e contato físico; na Escócia natal de Suter e Love, contudo, joga-se um futebol de passes curtos, movimentação, drible e espaçamento pelo campo. Sugestão aceita, o time volta a campo com outro ânimo – e, contrariando todas as expectativas, as suas e as do adversário, conseguem empatar a partida e levar a decisão para o segundo jogo. Tem início um novo momento para o Darwen – e para todo o futebol inglês. Pela primeira vez, um clube de operários complica a vida de um dos grandes da aristocracia.

Tribuna Expresso | O que hoje é futebol, antes era “The English ...

Kinnaird, dos Etonians, avança em direção ao gol do Darwen

Suter e Love são os responsáveis por esse momento. Mas não gozam de grande simpatia do resto do elenco: para os operários da fábrica de Darwen, é uma vergonha que se pague a alguém para jogar futebol – ao jogador, dizem, basta a honra de vestir a camiseta da equipe. A mesma reação têm os seus adversários do Old Etonians, que vêem o profissionalismo como uma burla às regras do jogo, atitude indigna de cavalheiros. Separados por um oceano em todos os aspectos, aristocratas e homens do povo concordam com esses valores fundamentais. Quem não concorda são os donos das fábricas do Norte industrial: após o sucesso da contratação de Suter e Love, começam o acosso a jogadores de outras equipes. Com a sabedoria simples e prática típica de sua classe, sabem de que o futuro é o profissionalismo.

O diretor e roteirista da série, Julian Fellowes, é um aficcionado pela aristocracia inglesa. Além de “Downton Abbey”, vários trabalhos seus retratam esse universo, como o elogiado filme “Young Victória”, sobre a Rainha Vitória. Universo que ele integra desde 2011, ano que recebeu o título de Barão e uma cadeira na Câmara dos Lordes. Ao que tudo indica, Fellowes não vê seu título apenas como um adorno: acredita que os nobres ingleses têm uma missão a cumprir. Em entrevista dada em 2014, lamentou que os poderosos do supercapitalismo do século XXI não possuem a mesma consciência social que os antigos aristocratas mantinham. Segundo ele, os lordes, barões e duques donos de terras no Reino Unido têm uma ligação essencial com o país onde vivem e uma consciência de suas responsabilidades, algo inexistente nos homens que, em suas palavras,  buscam apenas wealth and power. Falta a esses homens a ligação com o passado inglês, e por isso são tão impiedosos e tão egoístas. Já o povo e os aristocratas, com todas as diferenças que têm, estão unidos pelo pertencimento a um passado comum e pela convivência em um presente onde, apesar de tudo, ainda podem se comunicar. E não é gratuito que, em “The English Game”, um dos mais belos atos de generosidade venha do aristocrata Arthur Kinnaird, que testemunha, de maneira voluntária, em favor de um operário injustamente acusado da invasão da casa de um empresário. O gentleman é o aristocrata; o empresário, o explorador que só busca wealth and power.

The English Game' Cast: Who Stars in the Julian Fellowes Netflix Show?

Suter e James Walsh  dono da fábrica que o contratou como jogador

Não que Fellowes seja um saudosista ingênuo: grande diretor e roteirista que é, não aprecia as visões chapadas da realidade. Em “The English Game”, não deixa de apontar o dedo para a hipocrisia dos aristocratas, os tais gentlemen cheios de princípios morais inarredáveis que, contudo, não disfarçam a irritação esnobe quando um dos seus, Arthur Kinnaird, decide aproximar-se dos operários e compreender um pouco de seu modo de vida. Tampouco lhe escapam as injustiças das marcadíssimas diferenças de classe do capitalismo inglês do século XIX – tema, aliás, também já explorado em “Downtown Abbey”.  Mas ele é muito mais duro com os capitães de indústria que compram e vendem jogadores como quem compra e vende os produtos de suas fábricas. Não simpatiza nada com esses homens movidos pela cotação do algodão na bolsa, de humor grosseiro, moral discutível e modos rudes  – esses homens que, contudo, perfazem a burguesia mais poderosa do mundo.  Serão eles os reis e senhores do novo tempo, os campeões do jogo do wealth and power – o muito inglês jogo do capitalismo, que reduz todas as relações humanas à quantificação monetária e molda o mundo sob as suas regras não-escritas. E esse jogo moldará também o futebol – o esporte dos gentlemen que, anos depois de Kinneard, Suter e Love pendurarem as chuteiras, ganhará os corações dos operários de todo o mundo. 

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Funny Little Bunnies – os coelhinhos da Páscoa da Disney

  • Funny Little Bunnies ( ou Coelhinhos engraçados, em português) é um curta de animação lançado em 1934 , fazendo parte da série Silly Symphonies , composta por 75 curtas animados que a Disney lançou entre 1929 e 1939. Os desenhos das Silly Symphonies inovaram ao introduzir o technicolor aos desenhos animados. Outra  curiosidade é que a primeira aparição do patinho Donald Duck foi em um desenho das Silly Symphonies, em 1934.

 

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  • Em Funny Little Bunnies, somos levados a um passeio mágico pelo reino encantado dos coelhinhos da Páscoa, que trabalham incansavelmente na preparação dos ovinhos de chocolate . Cada um exerce um papel distinto na “linha de produção” dos ovinhos, por vezes ajudados por outros animais (como passarinhos), tudo isso ao som de uma trilha sonora motivacional para os trabalhadores da Páscoa. O curta animado dura por volta de 7 minutos e foi produzido pelo próprio Walt Disney, que chegou a dirigir algumas das Silly Symphonies.
  • Veja abaixo algumas imagens e o vídeo do filme:

 

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Calendário e programação: Onde assistir ao Oscar 2018?

 

CLIQUE E SAIBA QUEM FORAM OS GRANDES VENCEDORES DO OSCAR 2018

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Confira a programação do Oscar 2018, com data, horário e canais que transmitirão o evento.

Atualizações constantes, à medida que as informações vão sendo disponibilizadas pelos canais.

 



Quando ocorre o Oscar 2018? Em qual dia?

A cerimônia do Oscar se dará no dia 04 de março de 2018, um domingo.

 


Quem apresentará a cerimônia? 

O apresentador será o comediante Jimmy Kimmel.

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Onde ocorre o Oscar? Em qual local?

Ocorre no Teatro Dolby, em Los Angeles. O local, inaugurado em 2001,  tem capacidade para 3.400 pessoas sentadas e foi construído especialmente para as cerimônias de premiação do Oscar.


Qual filme é o campeão de indicações? 

O filme indicado a mais categorias em 2018 é “A forma d’água”. São 13 indicações, incluindo a de melhor filme.


Veja também: filmes estrangeiros a serem vistos em 2018

Veja quem foram os grandes vencedores do OSCAR 2017

Veja aqui pôsteres (em outras línguas) dos filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme 


Qual canal/Quais canais transmitem o Oscar 2018 no Brasil?

O canal TNT transmitirá a cerimônia ao vivo.

ATUALIZAÇÃO: A Globo informou que transmitirá a cerimônia. Segundo a grade de programação da emissora, a transmissão iniciará às 23:52 do dia 04/03, domingo, e será apresentada por Maria Beltrão, Artur Xexéo e Dira Paes .

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Que horas começa? Que horas começa o tapete vermelho? Que horário começa a cerimônia?

 A TNT confirmou transmissão ao vivo para o dia 04 de março, a partir das 20:30, quando transmite o tapete vermelho.

A cerimônia de premiação inicia, efetivamente, às 22h (todos os horários no horário de Brasília), e será transmitida pela TNT.

O canal E! Entertainmente Television transmite apenas o tapete vermelho, a partir das 19:30 do dia 04 de março.


 

Quem são os indicados? Você pode ver a lista com todos os indicados clicando aqui.

Se você gostou da forma como está estruturada essa programação, por favor, deixe um comentário.

20 filmes que fazem 20 anos em 2018

Veja também: 10 filmes que fazem 10 anos em 2018

Há 20 anos, víamos Central do Brasil iniciar sua trajetória rumo à indicação ao Oscar, em 1999 (e ser derrotado pelo italiano A vida é Bela). Fernanda Montenegro, Cate Blanchet e Gwyneth Paltrow protagonizavam os filmes que lhes dariam indicações ao Oscar de melhor atriz – vencido pela última. O lindo “A vida em preto e branco” era lançado, com Tobey Maguire, Reese Whiterspoon e o (então) desconhecido Paul Walker, assim como o  brilhante O show de Truman e o emocionante Encontro Marcado.

Veja, aqui, alguns filmes que completam 20 anos em 2018.

1) Central do Brasil

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Estreia: 16 de janeiro de 1998

Elenco: Fernanda MontenegroVinícius de OliveiraMarília Pêra


2) A vida em preto e branco

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Estreia: 17 de setembro de 1988

Elenco:  Tobey Maguire, Reese Whiterspoon, Jeff DanielsJoan Allen, Paul Walker


3) O show de Truman

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Estreia: 01 de junho de 1998

Elenco: Jim CarreyEd HarrisLaura Linney


4) Armageddon

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Estreia: 30 de junho de 1988

Elenco:  Bruce WillisBilly Bob ThorntonBen Affleck, Liv Tyler


5) O resgate do soldade Ryan

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Estreia: 21 de julho de 1998

Elenco: Tom Hanks; Matt Damon


6) Quem vai ficar com Mary?

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Estreia: 15 de julho de 1998

Elenco: Cameron Diaz; Matt Dilon; Ben Stiller


7) Encontro Marcado

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Estreia: 02 de novembro de 1998

Elenco: Brad PittAnthony HopkinsClaire Forlani


8) Velvet Goldmine

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Estreia: 22 de maio de 1998

Elenco:  Ewan McGregorJonathan Rhys MeyersChristian Bale


9) Cidade dos anjos

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Estreia: 10 DE ABRIL DE 1998

Elenco:  Nicolas Cage; Meg Ryan


10) Vida de Inseto 

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Estreia:14 de novembro de 1998

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11) Da Magia à Sedução

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Estreia:16 de outubro de 1998

Elenco:  Sandra Bullock; Nicole Kidman


12) Pi π

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Estreia: Janeiro de 1998

Elenco:   Sean GulletteMark MargolisBen Shenkman


13) Elizabeth

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Estreia: 08 de setembro de 1998

Elenco:    Cate BlanchettGeoffrey Rush


14) Operação Cupido

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Lançamento: 20 de julho de 1998

Elenco: Lindsay Lohan


15) Mulan

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Estreia:05 de junho de 1998


16) Corra, Lola, corra

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Estreia:20 de agosto de 1998

Elenco:  Franka Potente; Moritz Bleibtreu


17) Mens@gem Pra Você

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Estreia:18 de dezembro de 1998

Elenco:  Tom Hanks; Meg Ryan


18) O homem da máscara de ferro

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Estreia:02 de março de 1998

Elenco:  Leonardo Di Caprio; Jeremy Irons; John Malkovich


19) Shakespeare apaixonado

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Estreia: 03 de dezembro de 1998

Elenco:  Gwyneth Paltrow; Joseph Fiennes


20) A Outra História Americana

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Estreia: 30 de outubro de 1998

Elenco:  Edward Norton; Edward Furlong

10 filmes que fazem 10 anos em 2018

É surpreendente, mas todos os filmes da lista abaixo estão completando uma década esse ano. Optamos por compilar apenas 10. Além dos que aparecem abaixo, poderíamos ter mencionado, ainda, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Mamma Mia!, Gran Torino, Kung Fu Panda, O Leitor, O Lutador, entre outros que comemoram 10 primaveras em 2018.

Veja a lista abaixo.

VEJA TAMBÉM: 30 clipes que fazem 30 anos em 2018

VEJA TAMBÉM: 20 Clipes que fazem 20 anos em 2018

Veja também: 10 clipes que fazem 10 anos em 2018

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1. Batman – O Cavaleiro das Trevas

Lançamento: 14 de julho de 2008

Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman
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2. Ensaio sobre a Cegueira

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Lançamento: 14 de maio de 2008

Elenco: Julianne MooreMark RuffaloGael García Bernal


3. Vicky Cristina Barcelona

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Lançamento: 17 de maio de 2008

Elenco:  Rebecca HallScarlett JohanssonJavier Bardem, Penelope Cruz


4. Marley e eu

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Lançamento: 25 de dezembro de 2008

Elenco:Owen WilsonJennifer AnistonEric Dane


5. Crepúsculo

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Lançamento: 17 de novembro de 2008

Elenco: Kristen StewartRobert Pattinson, Taylor Lautner


6. Meu Nome Não É Johnny

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Lançamento: 04 de janeiro de 2008

Elenco:Selton Mello, Júlia Lemmertz, Cleo Pires

 


7.  O curioso caso de Benjamin Button

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Lançamento: 10 de dezembro de 2008

Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett


8. Wall-E

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Lançamento: 21 de junho de 2008


9. Homem de Ferro

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Lançamento: 14 de abril de 2008

Elenco: Robert Downey Jr.Gwyneth PaltrowTerrence Howard


10. Quem quer ser um milionário

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Lançamento: 30 de agosto de 2008

Elenco: Dev PatelFreida Pinto

10 anos sem Heath Ledger

No dia 22 de janeiro de 2008 – há dez anos, portanto,o ator australiano Heath Leadger era encontrado morto no seu apartamento, em Nova York. O laudo viria depois: intoxicação acidental por medicamentos prescritos.

Ledger morreu no auge. Aos 28 anos, havia participado do excelente “Batman – O Cavaleiro das Trevas” no papel de Coringa, de longe a melhor atuação dedicada ao sombrio personagem das HQs. Por ela, Ledger receberia um Oscar póstumo em 2008 – um dos raros casos de premiação post mortem concedidos pela Academia.

Sua carreira profissional durou doze anos, incluiu quase vinte filmes e teve  momentos marcantes, como a elogiada interpretação de Ennis em “Brokeback Mountain”. Nenhum deles, no entanto, como este aqui abaixo:

 

 

Filmes estrangeiros a serem vistos em 2018 – Parte I

  • Clique e veja os indicados ao OSCAR 2018
  • Uma seleção de filmes estrangeiros que me parecem ser interessantes de serem vistos em 2018 (ainda não assisti a nenhum) . Começando com os 9 pré-indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro – dentre os quais , 5 serão os finalistas para concorrer ao prêmio (a seleção final sai no dia 23/01).

 

  • Una Mujer FantásticaUma Mulher Fantástica – Chile

     – Lançado no Brasil dia 07 de setembro de 2017.

 

 

O filme conta a história de Marina, uma mulher que se apaixona por Orlando, um homem muito mais velho que ela. Após a morte repentina dele, Marina tem de lidar com os familiares pouco amistosos de Orlando , que a culpam pela inesperada morte do parente e ,também, a tratam com preconceito , por ela ser transgênero. Daniela Vega, que interpreta a personagem Marina é a primeira atriz transgênero do Chile. 

 

 

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  • Inxeba – Os Iniciados –  África do Sul

       – Lançado no Brasil dia 18 de janeiro de 2018.

 

 

Inxeba (Os Iniciados, em português)  se passa na África do Sul e conta a história de Xolani, um operário que se junta a outros homens de sua comunidade para participar de um antigo ritual de iniciação de adolescentes que estão prestes a entrar para a vida adulta, atuando em um papel parecido com o de um “monitor” dos mais jovens. E o que seria um simples desafio para os mais jovens, toma contornos inesperados para Xolani. 

 

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  • Aus dem Nichts – Em pedaços – Alemanha

     –  Lançamento dia 8 de fevereiro de 2018 , no Brasil

 

 

A personagem da atriz Diane Kruger , Katja, perde o filho e o marido em uma explosão de origem criminosa . Pelo fato de seu marido ser turco, ela acredita que a explosão foi causada por algum grupo neonazista. Após a tragédia, Katja se vê em crise , em luto e em busca de justiça.

 

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  • Testről és lélekről – Corpo e Alma – Hungria

   – Lançado no Brasil em 21 de dezembro de 2017.

 

 

  “Corpo e Alma” foi o filme indicado pela Hungria ao Oscar de Melhor filme estrangeiro. A história se passa em um abatedouro, em Budapeste, onde dois funcionários solitários descobrem que partilham em todas as noites o mesmo sonho: ambos são veados , se encontram em uma floresta e se apaixonam. Mas na vida real tudo isso se torna muito complicado.

 

 

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  • Undir trénu – À sombra da árvore – Islândia

      – Ainda sem data de estréia no Brasil. Estréia dia 8 de junho de 2018 nos Estados     Unidos.

 

 

A história de “Undir Trénu” (ainda sem nome em português) se desenvolve a partir de um aparentemente trivial desentendimento entre vizinhos : uma árvore de grande porte faz sombra no terreno vizinho. A partir daí , eventos inesperados acontecem.

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  • Foxtrot  – Israel 

      – Ainda sem data de estréia no Brasil.

 

 

  Foxtrot tem, em um primeiro momento, um casal de Tel Aviv recebendo a notícia da morte do filho, um soldado israelense que morreu em serviço. Em um segundo momento, o filme mostra as experiências do filho do casal enquanto ainda estava vivo e no serviço militar. Após essas memórias póstumas, o filme segue os pais do soldado morto nos seis meses que se passam da morte dele.

 

 

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  • L’insulte –  O insulto – Líbano

        – Será lançado no Brasil no dia 1º de fevereiro de 2018.

 

 

Em Beirute, Tony, um libanês cristão, e Yasser, um refugiado palestino, se desentendem por um motivo banal. O atrito entre os dois toma proporções gigantescas, gerando cobertura midiática nacional e causando conflitos violentos pelo país. O filme é uma co-produção Líbano-França e é falando nos idiomas de ambos os países ( árabe e francês).

 

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  • Fixeur – O Intermediário – Romênia

      – Lançado no Brasil dia 7 de outubro de 2016.

 

Fixeur ( “O Intermediário“, em português) é o indicado pela Romênia ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2018, mas o filme foi lançado em 2016, primeiramente no Festival Tribeca. A história segue um jovem jornalista que viaja para a Transilvânia atrás de informações acerca de uma prostituta romena menor de idade, repatriada da França.

 

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  • Félicité – Senegal 

 

 

Felicité conta a história de Felicité , personagem que dá nome ao filme e significa “felicidade” , em francês. Trabalhando como cantora em um bar , em Kinshasa, na República Democrática do Congo, Felicité passa por muitas dificuldades após seu filho de 14 anos sofrer um acidente de moto.

 

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  • Nelyubov – Desamor – Rússia

   – Lançamento dia 1º de fevereiro de 2018.

 

Nelyubov (Desamor , em português) , é o segundo filme do diretor Andrei Zvyagintsev a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (em 2014, o melancólico Leviatã foi indicado).  Nesse novo drama , que dessa vez se passa em Moscou, seguimos a história de um casal separado, que se reúne novamente após o desaparecimento do filho de 12 anos, que ao sair da escola resolve usar um caminho alternativo para voltar para casa. O menino escolhe o caminho que margeia o rio, sem ter pressa alguma para voltar ao lar. Esse drama une novamente Bóris e Zhenia, que após uma separação não amigável, não nutrem nenhum carinho um pelo outro.

 

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  • Rutan –  A Arte da Discórdia – Suécia  

Lançado no Brasil em 4 de janeiro de 2018

 

 

 Apesar de ser dirigido pelo diretor sueco Ruben Östlund e ser o indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Suécia, “Rutan” (A Arte da Discórdia, título em português) foi filmado em Berlim , nas cidades suecas de Estocolmo e Gotemburbo, e tem um elenco internacional. Estrelam o filme a atriz americana Elisabeth Moss , que atualmente faz o papel principal na série “The Handmaid Tales”, o ator dinamarquês Claes Bang e o ator inglês Dominic West – que será visto também na nova versão de Tomb Raider, no papel de pai da Lara Croft.

  O filme gira em torno da instalação de uma controversa exposição de arte e na crise , tanto pessoal quanto profissional , em que se encontra o curador-chefe de um museu de Estocolmo.

 

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90 anos da estreia de “Metropolis”, de Fritz Lang

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Estreia de “Metropolis” no Ufa-Pavillon am Nollendorplatz, em Berlim

Há 90 anos estreava “Metropolis”, de Fritz Lang.

Dois cinemas alemães receberam o filme: o Ufa-Palast am Zoo e Ufa-Pavillon am Nollendorplatz. O primeiro era o maior cinema do país, com 2,165 lugares, totalmente ocupados para a sessão daquela noite; o segundo abrigou “Metropolis” por quatro meses.

Depois da premiére,  o Ufa Pavillon foi o único lugar em toda a Alemanha onde “Metropolis” pôde ser assistido naquele ano.

O cartaz de exibição do filme era este aqui:

Cartaz de lançamento do filme

Filmes europeus a serem assistidos em 2017


É Apenas o Fim do Mundo – “Juste la fin du monde” (França/Canadá)

Estréia 24/11/2016 no Brasil

  • Dirigido pelo jovem(porém ,já bem conhecido) diretor canadense  Xavier Dolan, esse drama conta com a “crème de la crème” do cinema francês : Marion Cotillard, Vincent Cassel , Léa Seidoux , Nathalie Bayet e Gaspard Ulliel. 
  • Gaspard Ulliel  é Louis, um escritor que volta à casa da família após 12 anos, para anunciar que está doente e em estágio terminal. Essa reunião será cercada de tensões familiares e dúvidas que pairam no ar.

Quando o Dia Chegar – “Der kommer en dag”

(Dinamarca)

Estréia dia 10/11/2016

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  • Filme dinamarquês , ambientado no final da década de 1960, que conta a história de dois irmãos que vão para um orfanato, após a mãe ter sido internada em um centro de saúde. Lá, tentam sobreviver à dura realidade desse abrigo, como abusos físicos e psicológicos.
  • Esse drama conta com a presença de dois ótimos atores dinamarqueses que também estiveram na série “Forbrydelsen” ( The Killing, na versão amerciana) : Sofie Gråbøl e Lars Mikkelsen.


Os Guardiões – “Zashchitniki”

    (Rússia)

Estréia em fevereiro/2017, na Rússia e em meados de 2017, no Brasil

  • Filme russo de neo noir,  no estilo de “Avengers” (ou “Vingadores”, aqui no Brasil), porém com super heróis soviéticos.

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  • Durante a Guerra Fria, uma organização secreta chamada de “Patriotas” decide criar um time de super heróis soviéticos, com intuito de defender a “Terra Mãe” de ameaças sobrenaturais. Para isso modifica o DNA de 4 indivíduos , formando um time de super heróis que representa , cada um deles, a força e as tradições do povo soviético.

 


FALE – (ainda sem título em português)

(Polônia)

Ainda sem data de estréia no Brasil.

  • O filme conta a história de duas jovens polonesas, Ania e Kasia, que estudam para serem cabeleireiras em uma pequena cidadezinha nos arredores de Cracóvia. Como pano de fundo dessa história de amizade entre as duas, a recessão econômica e o conservadorismo do país do leste europeu. Enquanto muitos jovens poloneses sonham em buscar emprego em outros países europeus, Ania e Kasia se encontram “presas” na pequena cidade, seja por dificuldades domésticas ou por outros fatores.

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  • O filme conta com a presença de Katarzyna Kopeć e Ania Kąsek, as duas jovens que serviram de inspiração para o filme.

Andrzej Wajda (1916-2016)

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O mundo do cinema acaba de perder Andrzej Wajda.

O grande diretor polonês, realizador de obras-primas como “Uma geração” e “Cinzas e diamantes”, foi agraciado com um Oscar honorário em 2000 – e com muitos outros prêmios.

Grande parte de sua vasta obra versou sobre a sua Polônia natal, país mil vezes invadido, repartido e maltratado pelos vizinhos.

Deixamos aqui um de seus filmes mais conhecidos, “Danton”, sobre a vida do revolucionário francês.

Análise: o seriado “Marvel’s Agent Carter”

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Criada para atender aos anseios dos fãs após o sucesso das aparições da personagem nos filmes do Capitão América e no curta-metragem lançado nos conteúdos extras de Homem de Ferro 3, o seriado Marvel’s Agent Carter conta um pouco da história de ‘Peggy’ Carter no pós-guerra lutando contra duas grandes adversidades: a dor pela morte presumida do Capitão América e o gigantesco sexismo presente na sociedade americana dos anos 40. Carter, que foi figura proeminente no combate ao nazismo, passa a exercer função subalterna na agência de inteligência secreta do Governo Norte-Americano, sendo alvo de desdém e comentários desairosos por parte de seus colegas.

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Com os horrores do período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e o imenso contingente militar enviado pelos Estados Unidos à Europa – em sua maior parte, homens – as mulheres saíram do lar e passaram a desempenhar papéis maiores dentro da sociedade americana com mais autonomia, confiança e determinação. Com o conflito encerrado, os homens retornaram para uma América diferente, e Peggy Carter representa o perfil da “nova mulher” na sociedade: altiva, independente e segura.

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A história principal se desenrola com a aparição de um personagem bastante querido pelos fãs do universo Marvel: Howard Stark, pai do “Homem de Ferro”, fundador do grupo Stark e principal fornecedor de armamentos e tecnologia dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, é suspeito de ceder material bélico de alto poder destrutivo a inimigos dos Estados Unidos. Os investigadores da Strategic Scientific Reserve, precursora do que se tornaria a S.H.I.E.L.D., consideram Stark o alvo principal da investigação, e cabe a Carter lutar pela inocência de seu antigo companheiro de guerra.

Carter só consegue realizar as investigações escondidas de seu departamento por uma singela razão: o machismo de seus companheiros. Carter é vista como uma secretária de pouca serventia para a repartição, invisível a seus companheiros a não ser por sua beleza. A agente passa incólume mesmo realizando atividades praticamente debaixo dos olhos de seus colegas – simbólico da atuação e posição da mulher.

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Com visual de época, estabelecendo ligações e enriquecendo outras produções do Universo Marvel, “Agent Carter” agrada e dá espaço a uma personagem que era prevista para ser apenas coadjuvante no universo da Marvel. A aparição de “Peggy” só ocorreu pelo apelo de fãs, que viram na personagem potencial e carisma para ter seu próprio protagonismo – e o mesmo ocorreu para a renovação do seriado, que teve duas temporadas a pedido dos telespectadores e já cogita-se a terceira. No filme, no curta-metragem ou estrelando sua própria série, Margaret Carter garante seu espaço no mundo da fantasia e no coração dos fãs.

 

Karl Marx chega às telas

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Teve início a pós-produção do filme “O Jovem Marx”, de Raoul Peck.

A produção se passa em 1844, quando o jovem alemão Karl Marx , acompanhado de sua esposa, Jenny, encontra Friedrich Engels, filho de um industrial e autor de um estudo sobre as péssimas condições de trabalho dos operários britânicos. Os dois começam uma parceria intelectual e política, que inclui fugas espetaculares, repressão da polícia e manifestações populares.

O filme é estrelado por Auguste Diehl (Karl Marx) – que já atuou em filmes como “Bastardos Inglórios” e “Trem Noturno para Lisboa” –  Stefan Konarske (Engels) e Vicky Krieps (Jenny) e traz vários personagens da época e do lugar,  como Moses Hess e Karl Grun. As filmagens se deram entre a França, a Bélgica e a Alemanha.

O diretor do filme é o cineasta haitiano Raoul Peck, diretor de “Abril Sangrento”, filme que retrata o genocídio em Ruanda.

*Atualização: A estréia do filme está com data prevista para 15 de Junho de 2017.

Vídeo das filmagens – em francês

 TRAILER  


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Começam as filmagens de “Trainspotting II”

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Agora é oficial: um dos filmes mais icônicos dos anos 90 terá a sua tão esperada continuação. “Trainspotting 2” começou a ser filmado na Escócia nesta semana, contando com o elenco original e o mesmo diretor, Danny Boyle, que fez a seguinte declaração à imprensa:

“Estamos na Escócia filmando Trainspotting 2 neste momento. Acho que o que mais amo no que faço é a variedade e ser capaz de fazer algo novo todos os dias. Eu conheço pessoas maravilhosas o tempo todo. Sinto que o medo de muitas pessoas é fazer algo que um robô poderia fazer e ficar preso em algo repetitivo. Me sinto muito sortudo e grato de poder fazer filmes e sempre ter uma escolha no que faço. Voltar para Edimburgo é realmente fascinante, desde que filmamos o primeiro Trainspotting, tudo mudou drasticamente. Você consegue ver um desenvolvimento massivo na cidade”.

Lançado em 1996 – há vinte anos, portanto – “Trainspotting” fez história com a sua narrativa crua da trajetória de cinco jovens escoceses pelo submundo de Edimburgo, onde drogas, criminalidade e falta de perspectiva cercam suas vidas. O sucesso do filme fez com que, do elenco principal, pelo menos três atores frequentassem o estrelato: Ewan MacGregor, Robert Carlyle e Johnny Lee Miller. Todos eles retornarão nesta continuação.

A volta de Ducktales

Um dos desenhos animados mais influentes dos anos 80 e símbolo de uma geração, a animação Ducktales estará de volta às telas no ano de 2017 no que a Disney chama de “reboot” – a reinicialização, em tradução livre. A volta se fará 27 anos depois do último episódio exibido, que foi ao ar em 1990 nos Estados Unidos.

Ducktales contava histórias interessantes ligadas à cultura histórica e pop, exercendo e recebendo forte influência do cinema e livros: o lado investigativo e dedutivo de Sherlock Holmes e a exploração de Indiana Jones são claras na animação. Em tempo: o primeiro filme de Indiana Jones recebeu inspiração clara e assumida das histórias de Carl Barks, o criador de Donald, Tio Patinhas e todo o universo de Patópolis.

A arte dos desenhos mudará um pouco, buscando atender ao público do século XXI e às inovações tecnológicas dos últimos anos. Confira antigo desenho e a imagem do novo Ducktales liberada pela Disney logo abaixo.

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A influência do Pato Donald no filme “A Origem”

A influência do Pato Donald no filme “A Origem”

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O filme “A Origem” (em inglês, Inception), de Christopher Nolan e estrelado por Leonardo Di Caprio, foi lançado em 2010 e causou comoção no cinema mundial. Seu roteiro inovador abordando o subconsciente humano nos sonhos abriu espaço para diversas discussões a respeito do quão profundo a mente pode ir nos momentos de repouso. O filme é intrigante. As cenas iniciais mostram o personagem de Leonardo Di Caprio em um ambiente hostil procurando o segredo de um cofre para poder roubá-lo. Não haveria nada de tão original nesta história, não fosse uma peculiaridade: Di Caprio, por meio de uma tecnologia desenvolvida, está dentro dos sonhos do dono do cofre para que possa descobrir o código de acesso da caixa secreta sem um embate físico na realidade. Ou seja, há uma invasão ao subconsciente humano – e é por meio desta temática que o longa-metragem se desenvolve.

Questionado a respeito da inspiração para seu roteiro, Nolan afirmou ter sido fruto de um trabalho que escreveu ao longo de quase dez anos, sem saber definir precisamente a origem da idéia que move o filme. A temática do filme é tratada como genial e uma legião de fãs debate até hoje a respeito dos temas e teses da produção – em especial, em relação ao seu final.

Há, no entanto, uma discussão a respeito da criação do roteiro do filme: em 2002, 8 anos antes do lançamento de “A Origem”, foi lançada nos Estados Unidos a história em quadrinhos “The Dream of a Lifetime” por parte da Disney e criada por Don Rosa, o grande sucessor de Carl Barks nas publicações do Pato Donald, Tio Patinhas e todo universo de Patópolis. A história narrada em “The Dream of a Lifetime” é a seguinte: Os Irmãos Metralha, munidos de um equipamento que os permite invadir os sonhos das pessoas, seqüestram o Tio Patinhas para que, dentro do subconsciente dele, possam descobrir o segredo do grande cofre da famosa Caixa-Forte. “O velho avarento está sempre pensando em seu dinheiro”, dizem os criminosos da raça Beagle em determinado momento.

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Uma das primeiras páginas da história “The Dream Of a Lifetime”

As semelhanças não param por aí. No filme, a maneira encontrada pelos invasores de sonhos para saírem do subconsciente alheio é chamada de “O chute”. A pessoa que está sonhando recebe um estímulo físico para o corpo receber a sensação de que está caindo e acordar naturalmente. “A sensação de queda sempre faz o corpo acordar”,  é dito em determinado momento da produção. Na história em quadrinhos, acontece a mesma coisa. Quando Donald acorda de maneira abrupta, afirma ter caído. O Professor Pardal, clássico inventor e cientista das histórias, então responde: “Esta é a resposta. Quando você cai em um sonho, você sempre acorda”. 

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A referência ao “chute”, de “A Origem” na história de Don Rosa

Um dos maiores perigos em invadir os sonhos mostrados no filme “A Origem” é o invasor cair na chamada zona de “limbo”. Este seria um local muito profundo da mente humana e que impediria a volta à realidade. Na zona de limbo, os conceitos de tempo, espaço e física humana são desprezíveis, sendo razoável a probabilidade da insanidade acometer a quem por lá permanecer. Na história Disney, o fato também é abordado. Se Tio Patinhas acordar antes dos invasores saírem de sua cabeça, as mentes deles ficarão lá para sempre – os Irmãos Metralha perderiam sua consciência na vida real e a confusão que causariam ao velho pato o enlouqueceria.

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As referências ao “limbo”, na história em quadrinhos

Questionado a respeito das semelhanças de seu filme com a história em quadrinhos de Don Rosa, Nolan desconversou: “venho trabalhando há anos neste roteiro, desde antes do lançamento da história. É apenas uma coincidência”. Os estúdios Warner, que produziram o filme, afirmam terem recebido a cópia do roteiro em 2001, um ano antes do lançamento de “A Origem”.  Don Rosa, criador da história em quadrinhos, nunca se manifestou a respeito. As semelhanças nas histórias são muito grandes e fica difícil acreditar ser apenas uma casualidade. Não seria a primeira vez que uma história Disney e do Pato Donald daria origem – com o perdão do trocadilho – a uma grande produção de sucesso: o ídolo roubado por Indiana Jones em “Os caçadores da arca perdida” é inspirado em uma história em quadrinhos criada por Carl Barks. Na ocasião, George Lucas e Steven Spielberg admitiram a referência. A criatividade e o rico mundo criado nas HQs Disney, originalmente concebidas para atrair o público infantil à leitura, são também fonte de inspiração ao cinema.

Análise: MARVEL: Agents of S.H.I.E.L.D., “spinoff” de Os Vingadores

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Interligado às histórias dos cinemas de “Os Vingadores”, Marvel: Agents of S.H.I.E.L.D. caminha em paralelo ao universo dos filmes e segue fórmula muito parecida com a das produções cinematográficas. No lugar de um único e imbatível protagonista, um time: os agentes da S.H.I.E.L.D. (que significa Strategic Hazard Intervention, Espionage and Logistics Directorate – em português: Quartel General de Divisão e Intervensão e Espionagem Internacional), liderados por Phil Coulson (o mesmo personagem que aparece nos filmes da primeira fase dos Vingadores), são escalados para investigar e lidar com casos incomuns e de perigo à humanidade.

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Os personagens da série fogem do rótulo de super-heróis e não apresentam poderes sobrenaturais. A organização da S.H.I.E.L.D. apresenta uma academia de agentes especializados e treinados em contra-espionagem e cumprimento de ações governamentais de segurança. Lições de combate, ciência e estratégia são lecionadas aos alunos cooptados pela organização. Dentro desse contexto aparecem os protagonistas da série. Uma equipe de agentes liderada por Coulson investiga a operação “Centopéia”, liderada pelo Clarividente e que ameaça a estrutura e os planos de segurança da S.H.I.E.L.D. Os agentes se complementam: cada um tem sua habilidade específica adquirida pelo treino e pela técnica da organização.

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Todos acontecimentos do seriado guardam coerência com a ambientação apresentada nos filmes – o seriado faz referência em diversos momentos às produções do cinema, com o decorrer da temporada acompanhando a ordem cronológica dos personagens de “Os Vingadores”, até a chegada do grande momento da história apresentado em “Capitão América 2: O Soldado Invernal”. Atores que fizeram parte dos filmes também se fazem presentes na série: até mesmo Sif, a asgardiana guerreira apaixonada por Thor, aparece na primeira temporada.

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A série cumpre o papel de “spinoff” e apresenta uma história interessante por si só e que agrega ao universo apresentado nos cinemas – por sinal, amplia a riqueza por trás do Universo Marvel criado por Stan Lee no longínquo 1963. Lee participa ativamente do processo cinematográfico fazendo participações nos filmes e algumas pontas no seriado também. “O Mestre dos Quadrinhos”, como é conhecido, se recusa a envelhecer. Aos 93 anos, continua interessado e animado com a grande obra de sua vida como desenhista. “Não vejo necessidade de me aposentar se ainda me divirto com o que faço”, disse ele uma vez. Tem toda razão. Marvel: Agents of S.H.I.E.L.D. é mais um desdobramento da divertida e instigante criação da alma eternamente jovem de Stan Lee.

 

Análise: MARVEL: Agents of S.H.I.E.L.D., “spinoff” de Os Vingadores / Resenha de MARVEL: Agents of S.H.I.E.L.D., “spinoff” de Os Vingadores / Crítica de MARVEL: Agents of S.H.I.E.L.D., “spinoff” de Os Vingadores / Review de MARVEL: Agents of S.H.I.E.L.D., “spinoff” de Os Vingadores

 

120 anos da primeira sessão de cinema

No dia 28 de dezembro de 1895, no Grand Café de Paris, uma multidão reuniu-se para assistir ao filme “A saída da fábrica”, de autoria dos  irmãos Lumiére.

Seria a primeira sessão pública de sua invenção, o cinematógrafo.

Análise: Jessica Jones, mais uma produção entre Marvel e Netflix

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Mais um fruto da parceria entre Marvel e Netflix, Jessica Jones expande o universo cartunesco para os seriados com uma temática adulta e expressiva um tanto parecida com a vista em Daredevil, também lançada este ano. Assim como o que foi visto no mundo de Demolidor, o bairro de Hell’s Kitchen é o palco principal da produção – o bairro, quando criado o personagem do Demolidor, era sinônimo de uma Nova York pobre e degradada.

Degradada é também Jessica Jones, a protagonista da série. Jessica é dotada de habilidades especiais que lhe conferem capacidades físicas impressionantes e vive em um apartamento absolutamente impróprio para as melhores condições sanitárias. Jones é uma detetive particular que vive, basicamente, dos contratos para investigar possíveis infidelidades conjugais. A origem da personagem é um mistério, e a narrativa a explora de maneira interessante. Episódio por episódio são contadas reminiscências da vida da protagonista, que vão se encaixando como um quebra-cabeças em seu cenário atual.

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No primeiro episódio Jessica é contratada por pais desesperados com o desaparecimento de sua filha, uma aluna premiada e com expectativa de um futuro brilhante no esporte. Os vestígios que levam à localização da filha revelam uma parte obscura e dramática do passado de Jessica: o “sequestrador” conduz Jessica a percorrer caminhos que a fazem lembrar de traumas e horrores vividos. Mas quem é este sequestrador? Por que ele causa tanto medo em uma personagem com capacidades físicas inigualáveis? O terror psicológico pauta a série até a apresentação do tão temido vilão. Esqueça a cartunização ou a apresentação estereotipada de um antagonista de uma história em quadrinhos – Kilgrave, o adversário, é um britânico elegante e aparentemente inofensivo, não fosse um pequeno detalhe: sua habilidade de persuasão mental impõe, a todos que o cercam, a obediência às suas ordens. Dentro deste contexto se insere a história de Jessica e a história do seriado. A protagonista já foi subjugada mentalmente por Kilgrave e seu passado ainda a assombra.

Hope – esperança, em inglês – é o nome da personagem capturada por Kilgrave e o grande fator motivacional para que Jessica derrote seu antigo “dominador” e salve a jovem. Não perder Hope é não perder a esperança, para Jessica.

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Jessica Jones é um seriado mais cru do que o usual nas produções com temáticas de super-heróis. Apesar de se passar em um ambiente aonde a “Guerra de Nova York” é citada como um acontecimento legítimo (a batalha vista no filme “Os Vingadores”), a série busca situar o espectador em um ambiente fantasioso, mas real: Jessica não exibe suas habilidades de maneira tão ostensiva e cenas de violência chocam em alguns momentos. Até a temática sexual, evitada em quase todas as filmagens sobre heróis, serve como pano de fundo para o seriado com algumas cenas tórridas. Não é, definitivamente, uma produção para o público infantil: do terror psicológico à exposição do corpo, Jessica Jones tem claro objetivo de atrair os adultos para assistirem a uma história de suspense e tensão. Jessica Jones é ótima escolha e está disponível para os assinantes Netflix com toda sua primeira temporada.

 

 

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Do alto dos arranha-céus nova-iorquinos se passa Suits, série americana que tem como pano de fundo um grande escritório de advocacia de Nova York. Muito do que é cultuado na cidade de Nova York está em Suits: o glamour, o charme, a riqueza e o desenvolvimento de um dos mais importantes centros comerciais do mundo estão presentes no cotidiano e no trabalho dos personagens do seriado. Harvey Specter é um brilhante advogado formado em Harvard e extremamente competitivo – um estereótipo do profissional de alto nível norte-americano – que precisa contratar um novo profissional para o escritório que atenda requisitos próprios da empresa – ser graduado em Harvard. Nisso entra Michael Ross, um jovem brilhante, com memória fotográfica e sem formação acadêmica alguma que aparece por acaso na entrevista de emprego. Specter se impressiona com as qualidades de Mike e o contrata: uma farsa no coração de um dos mais importantes escritórios de direito da Big Apple.

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A série trabalha no bom relacionamento entre os dois protagonistas e sua relação de confiança e cumplicidade. Suits não é e nem procura ser extremamente realista e com profundidade dentro da série. Há momentos de reflexão e raciocínio que evidenciam o brilhantismo dos personagens e suas posições de destaque na sociedade – Harvey Specter é apresentado como um jovem e multimilionário advogado que não aceita nada menos do que o topo do mundo -, mas também há situações cômicas e surreais, que dão um tom mais divertido ao seriado.

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Personagens secundários na trama roubam a cena por alguns momentos, especialmente nos de alívio cômico: Louis Litt, contemporâneo de Harvey e tão competitivo quanto mostra o quão difícil e inseguro pode ser o ambiente profissional de um local em que a ascensão e busca de espaço é, por vezes, mais importante que ganhar dinheiro.

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A cidade de Nova York é retratada com orgulho no seriado. Das ruas limpas e organizadas até as coberturas dos mais luxuosos prédios da cidade, a cidade é vista como o pólo comercial e econômico pujante que é.

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O seriado já tem seis temporadas confirmadas, e agrada pelos momentos divertidos e pelos ambientes dos escritórios de advocacias americanos retratados – ainda que caricatos – das maneiras competitivas e exigentes que realmente são. Suits diverte e entretém o tele-espectador e é boa opção para assistir.

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Análise: “Master of None”, série original da Netflix

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O começo de Master of None é esquisito. A série abre com uma cena supostamente romântica entre os dois que virão a ser os principais protagonistas do seriado que é subitamente interrompida por um momento inusitado, em que os personagens começam a discutir de forma cômica a respeito da possibilidade do envolvimento entre os dois ter acarretado em uma gravidez indesejada. Esta discussão é a síntese do humor da série: o roteiro busca em situações que beiram às vezes o absurdo introduzir cenas e temas do cotidiano real da sociedade contemporânea, como constantes pesquisas no Google por qualquer assunto ou discussões longas a respeito de temas irrelevantes.

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Os protagonistas do seriado são jovens adultos na casa dos 30 anos de idade em um segmento da sociedade de Nova York em que desfrutam das ótimas condições de vida possibilitadas por seus pais. Basicamente, são pessoas que podem tudo: a despreocupação financeira dos personagens os coloca em situações hilárias em que consideram que seus problemas pessoais, muitas vezes bobos, representam os maiores dramas do mundo. O personagem principal é Dev, um descendente de indianos que buscaram melhorar a vida nos Estados Unidos – e conseguiram. Assim como Dev, todos os personagens são solteiros, despreocupados e vivem a vida em uma Nova York dos sonhos para qualquer jovem do mundo, e é dessa forma que a primeira metade da temporada é filmada: os primeiros cinco episódios tratam de humor, paixões efêmeras, lazer a qualquer tempo e situações inusitadas.

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A segunda metade da temporada é diferente. No lugar do humor a todo tempo, Dev passa a viver alguns dramas amorosos que o fazem refletir a respeito dos rumos de sua própria vida, o que acaba por dar o tom da série: Master of None é uma comédia romântica que aborda os dramas e os estilos de vida de uma geração de pessoas que viveram em uma era de sucesso das comédias românticas na TV, com suas neuras, indecisões e questionamentos criados pela imagem que supõem que o mundo tenha delas.

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Master of None (O mestre de nada, em uma tradução literal) é uma comédia romântica dramática divertidíssima que cativa do início ao fim, por razões distintas e ótimas. A trilha sonora é excelente, a fotografia encanta e situações do cotidiano abordadas de forma hilária abrilhantam o espetáculo. Não é de humor escrachado, como as famosas “sitcoms”, e nem com dramas exagerados: o seriado guarda em suas próprias características um estilo moderno e interessante, que lida com os dois temas com competência e qualidade.

 

 

Análise de “Masters of None”, série original da Netflix/ Crítica de “Masters of None”, série original da Netflix/ Review de“Masters of None”, série original da Netflix

Análise: “The Americans”, série de Joe Weisberg

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Ambientada no conturbado cenário político e econômico vivido entre os anos 70 e 80, The Americans retrata a vida de dois cidadãos russos da antiga União Soviética escolhidos para viverem nos Estados Unidos da América como se americanos fossem no período da Guerra Fria. Philip e Elizabeth Jenning vivem como o perfeito casal americano no American Way of Life, ao mesmo tempo que alimentam as informações de seu país com serviços de espionagem.  A série foi criada por Joe Weisber, agente da CIA aposentado, que contribuiu com pesquisas históricas e envolvimento dos personagens com acontecimentos reais durante o período.

This TV publicity image released by FX shows Keri Russell as Elizabeth Jennings, left, and Matthew Rhys as Philip Jennings in a scene from the spy drama

A série tem um dom dramático acentuado. Escolhidos dentre os alistados para o serviço de inteligência soviético, os dois protagonistas aceitam viver um relacionamento falso para servir como pano de fundo do verdadeiro propósito de suas vidas – a espionagem. Philip e Elizabeth precisam conviver com o drama de um casamento, seus sentimentos humanos e os problemas inerentes à vida conjugal, ao mesmo tempo em que não podem abrir mão da frieza exigida para realizar o trabalho clandestino para o qual foram escalados. Aí reside a principal característica dos personagens: a força mental e emocional para superar as adversidades impostas pela vida que escolheram. “Servimos a um propósito maior”, diz Elizabeth a um já confuso Philip nos primeiros episódios.

for tv week - do not purge - THE AMERICANS -- Pictured: (L-R) Keri Russell as Elizabeth Jennings, Matthew Rhys as Philip Jennings -- CR: Frank Ockenfels/FX

O primeiro episódio abre já diretamente com a ação espiã dos dois protagonistas. Elizabeth relaciona-se com outro homem a fim de coletar informações sigilosas para Moscou (como é chamado o quartel principal destinatário e chefe das operações) aos olhos de um incomodado Philip, que nutre sentimentos reais por sua esposa e parceira criada pelo governo soviético.  “Você está ficando americano demais. Gosta demais daqui”, fala Elizabeth, em tom crítico a Philip. O descontentamento do russo com a vida dupla que levam gera confusão e problemas na vida pessoal e profissional do “casal”.

Quando um dos líderes no combate aos “Ilegais” (como são tratados os espiões russos infiltrados em território americano) se muda para a casa em frente a dos Jennings as preocupações do casal-espião aumentam: terá sido coincidência um oficial da CIA escolher o local como residência ou seus disfarces foram descobertos? O nervosismo demonstrado pelos personagens mostrar que na espionagem não é permitido acreditar em meras coincidências.

A trama se passa durante o mandato de Ronald Reagan na Casa Branca, com todos os efeitos do combate ao comunismo e promoção do capitalismo gerados pela famosa Doutrina Reagan. “Vale tudo no amor e na Guerra Fria”, diz o slogan do seriado. É verdade. Seja no drama de seu conturbado casamento ou no duelo nada secreto vivido pela União Soviética e os Estados Unidos da América, as táticas adotadas nem sempre foram as mais limpas.

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Análise de “The Americans”, série de Joe Weisberg / Resenha de Demolidor, “The Americans”, série de Joe Weisberg/ Crítica de “The Americans”, série de Joe Weisberg/ Review de “The Americans”, série de Joe Weisberg

O futuro de 1985

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“Para onde vamos, não precisamos de estradas”: com esta frase, dirigida ao seu companheiro Marty McFly no momento de embarcar no De Lorean, o cientista Doc Brown encerrou o primeiro filme da trilogia “De volta para o futuro”. Faz isso com um sorriso no rosto, ante a surpresa óbvia do personagem de Michael J. Fox. Seu destino era o dia 21 de outubro de 2015, às 16h29 – ou seja, agora mesmo.

O entusiasmo de Brown antevê um futuro que impressionará McFly, que já conheceu o passado em 1955 no decorrer daquele filme. E está certo: McFly está mesmo impressionado ao chegar a 2015. Uma impressão que é característica de sua época, ou melhor, de uma época que estava chegando ao fim naquele exato momento.

Em 1985, época em que “De volta para o futuro” começava a ser feito, a história avançava para um algum lugar hipotético no futuro – e um lugar melhor. De um lado, os que acreditavam num futuro socialista da humanidade, onde a pobreza seria extirpada e toda a técnica estaria a serviço do homem; de outro, um futuro de liberdade de mercado, onde todos teriam oportunidade para vencer na vida. E cada um dos lados trabalhou incansavelmente para que o futuro que sonhavam se tornasse realidade. Do lado capitalista, onde McFly e Brown se movimentam, o medo do bolchevismo e da guerra atômica que atormentou as gerações dos anos 60 e 70 já parecia haver passado – a URSS já não parecia tão aterrorizante e com Gorbachev no poder, já se podia imaginar algum espaço para diálogo. Não havia, então, ainda muito espaço para pessimismo ou desencantamento. O mundo evoluía – o futuro seria melhor do que o presente. Mais moderno, mais avançado, com menos doenças e tecnologia superior. Só estaríamos mais velhos. De resto, tudo seria melhor.

O 2015 que McFly e Brown conhecem está ainda inscrito neste mesmo esquema. Os carros voam, os skates não precisam de rodas, hologramas anunciam os lançamentos cinematográficos, as casas têm todas as comodidades possíveis e imagináveis – tudo o que há não passa de um melhoramento do que existia em 1985. A Internet, então, não era sequer cogitada – logo, não aparece no filme. Também não aparece nenhum dos problemas típicos do novo milênio. Tudo é, simplesmente, melhor – exceto, talvez, as roupas das pessoas.

Quanto mais recuamos no tempo, mais encontramos obras de arte com visões ingenuamente positivas sobre o que seria o futuro da humanidade. À medida que o século XX avançava, começam a aparecer as primeiras visões distópicas e aterrorizantes de sociedades dominadas pelo medo, pelo totalitarismo e pela opressão. É certo que a visão de “De volta para o futuro” não era, então, a dominante. Dois anos antes de “De volta para o futuro”, havia sido lançado “Blade Runner”, que mostrava um futuro com um aspecto bem distinto. É também certo que é um filme de entretenimento, leve e divertido, onde uma imagem apocalíptica não fica bem. Mas quem, hoje, faria um filme sobre as maravilhas que pretendemos encontrar em 2045?  Ou depois? Ninguém, excetuando, talvez, numa comédia de gozação explícita – o que já diz muito sobre o lugar que essa ideia ocupa na cabeça das pessoas de hoje. Não podemos imaginar um 2045 bonito, agradável e colorido. Ninguém pensa hoje em contar uma boa história passada no futuro.

Creio que parte do encanto que temos ao rever “De volta para o futuro” é o contato com essa confiança que parece perdida. Foi o último filme em que era ainda possível olhar para frente com genuíno otimismo e plena confiança – a mesma confiança do dr. Brown ao sorrir para o jovem McFly que acaba de entrar no De Lorean.

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Suburra, 1ª série original do Netflix feita na Itália.

Suburra, 1ª série original do Netflix produzida na Itália.

  • O Netflix, juntamente com o canal italiano RAI, irá produzir 10 episódios de “Suburra” , sua primeira produção feita na Itália. A  série  dará continuidade à história do filme de mesmo nome , lançado ontem no catálogo do Netflix  Brasil.

A atriz italiana Greta Scarano

O ator Pierfrancesco Favinio, como “Filippo Malgradi”

  • Suburra é um vale localizado em Roma, na Itália e é atravessado pelas modernas Via Cavour e Via do Estatuto. Na antigüidade, a Suburra era um bairro de classe baixa, frequentado por prostitutas e vendedores ambulantes. Dizem que Júlio César viveu em Suburra, em um “domus” , residência das famílias abastadas.

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Muro da Suburra

Arco da Suburra, 1880

  • O filme , que entrou ontem no catálogo do Netflix brasileiro , é baseado no romance Suburra, de Giancarlo De Cataldo e Carlo Bonini. A história envolve uma miscelânea de temas , como a criminalidade, a máfia, o Vaticano, lavagem de dinheiro, prostituição e tráfico de drogas, numa disputa entre grupos por uma área que pretendem transformar em um “paraíso de jogos”.
  • A trilha sonora do seriado é um espetáculo à parte, com músicas do ótimo M83, um grupo francês que se dedica principalmente a música eletrônica.

O trailer do filme, em italiano

WINTER ON FIRE – Novo documentário original do Netflix

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 SUBURRA – Série italiana original do netlix

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Foi lançado ontem o trailer legendado do novo documentário original Netflix, “Winter On Fire”,  que retrata o período de 2013 a 2014 , em que a Ucrânia se viu imersa em manifestações por direitos civis , pancadaria generalizada e a destituição do então presidente ucraniano, Viktor Yanukovich – que caiu ,mas levou o país junto, quando desistiu de assinar um acordo de livre-comércio e associação política com a União Europeia ,alegando que preferia estreitar relações comerciais com a Rússia.

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Desde então, o país encontra-se em uma crise econômica e interna – com direito a conflito armado, morte de civis, crescimento de movimentos neonazistas e sendo destino de mercenários de todos tipos e lugares   – além de um sério conflito geopolítico com a Rússia, país vizinho ao leste, que apesar da contrariedade da comunidade internacional , apoiou separatistas da região da Criméia e anexou a região em 2014.

O documentário foi selecionado para ser exibido no Festival de Toronto, Festival de Veneza e Festival de Telluride desse ano.

O trailer mostra que o documentário trará depoimentos de participantes das manifestações e  filmagens no meio dos conflitos com a polícia . O lançamento será no Netflix  , dia 9 de outubro.

Trainspotting II

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A tão esperada sequência de um dos filmes mais marcantes da década de 90 pode estar mais perto de se tornar realidade. O diretor Danny Boyle esteve em Veneza , onde ocorre o famoso Festival Internacional de Cinema de Veneza, promovendo seu mais novo filme ” Steve Jobs”, uma cinebiografia do conhecido fundador da Apple. Em uma das entrevistas que concedeu já adiantou que seu próximo projeto será a sequência de Trainspotting, lançado em 1996.

Na verdade, a sequência da história de Renton e seus amigos já foi lançada em livro, em 2002, sob o título de “Pornô”. A história de Pornô (ou Trainspotting II 🙂 ) se passa dez anos após os acontecimentos da história de Trainspotting.

Danny Boyle revelou que os principais atores do primeiro filme ( Ewan McGregor , Jonny Lee Miller e Robert Carlyle) estão dispostos e animados com a idéia de dar continuidade à história e que é só uma questão de conciliar as agendas dos atores para que o projeto se encaminhe. Lembrando que Jonny Lee Miller  – Sick Boy – e Robert Carlyle – Begbie – atuam em séries de sucesso nos Estados Unidos,  Elementary e Once Upon a Time , respectivamente.

Outra boa notícia para os fãs da franquia é que o roteiro já foi escrito e ficou a cargo do mesmo roteirista do primeiro filme, o premiado John Hodge, juntamente com o autor dos livros , o escocês Irvine Welsh.

Análise: “Narcos”, a série que conta a história de Pablo Escobar

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Os primeiros sete minutos de Narcos, série exclusiva Netflix, dão ao espectador a tônica do que será apresentado: com uma narrativa que se inicia suave até o choque da intensa violência que assolou o país, Narcos apresenta a história do maior traficante da história colombiana desde sua apresentação ao comércio ilegal de drogas até sua ascensão como “El Patrón del Mal”. Wagner Moura interpreta o temido “Robin Hood del paisa”, e a despeito de críticas a respeito da qualidade de seu espanhol, convence e agrada ao incorporar a personalidade de Escobar.

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Pablo e Gustavo: “Somos bandidos”

Pablo Emilio Escobar Gaviria começa a série como um já poderoso criminoso na Colômbia, e o seriado faz questão de deixar isto bem claro logo em suas primeiras cenas. Escobar inicia sua aparição em Narcos corrompendo toda uma equipe policial que lhe aborda ao cruzar o país com produtos contrabandeados. Logo em seguida, adentra um bar e, com a naturalidade de quem detém o poder absoluto, ordena ao artista que se apresenta no palco que toque novamente a canção que recém havia apresentado. “Plata o plomo”, “dinheiro para propina ou chumbo”, é o discurso de Pablo a toda força policial ou política que ouse desafiar ou interromper seu caminho rumo ao sucesso de seus negócios.

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A forma com que é contada a história em Narcos apresenta a marca de José Padilha, diretor dos dois primeiros episódios e produtor executivo da série. Com uma narrativa que lembra em alguns momentos a de Tropa de Elite, o agente da DEA Steve Murphy, que representa a força empreendida pelos Estados Unidos para capturar o traficante, se mostra como o protagonista de uma história que tem como centro das atenções as ações e decisões de Pablo Escobar.  Murphy é apresentado como um simples agente americano no início da série e tem sua personalidade e mentalidade modificada conforme a história se desenrola. Para capturar Escobar seria preciso mais do que as regras lhe permitiam.

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O detetive Murphy, da DEA: interesse dos Estados Unidos na captura de Escobar não é glamourizado

O seriado mistura com brilhantismo elementos de documentário com filmagens cinematográficas. Da narração de fatos históricos à interpretação dos personagens acerca dos acontecimentos, há demonstração de imagens da época vista pelos personagens da série. É isto que mais choca em Narcos: seu realismo e sua fidelidade a respeito de fatos reais ocorridos no auge do Cartel de Medellín surpreendem até mesmo o espectador que viveu o período de horror em que Pablo Escobar dominou o cenário mundial. “Pablo faturava mais de US$ 60 milhões por dia. Era maior que a General Motors.” diz Murphy em determinado momentoA vida de luxo, poder e terror de um dos mais temidos criminosos de todos os tempos é contada em Narcos, série exclusiva Netflix.

Análise de “Narcos”, a série que conta a história de Pablo Escobar / Resenha de “Narcos”, a série que conta a história de Pablo Escobar / Crítica de “Narcos”, a série que conta a história de Pablo Escobar / Review de “Narcos”, a série que conta a história de Pablo Escobar

Perspectiva Online participa do projeto Plano a Plano, da Savian Filmes

Com apoio da Prefeitura de Canoas, a Savian Filmes, comandada pela diretora Cristina Savian, promoveu a Oficina Plano a Plano na Casa das Artes Villa Mimosa no último mês de julho. A iniciativa permite que jovens tenham a oportunidade de vivenciar a criação de um filme, tendo contato com os meios técnicos e artísticos.

É a segunda vez que a Casa das Artes Villa Mimosa recebe a oficina de cinema comandada pela Savian Filmes. Em 2013, com o CineGuri, os alunos tiveram a experiência de dirigir as filmagens de dois curta-metragens, que foram exibidos no cinema de Canoas. Desta vez, o projeto ofereceu uma nova perspectiva: os inscritos receberam aulas, exercícios e tiveram a oportunidade de vivenciar a interpretação de personagens.

A oficina possibilitando aos jovens ter contato com a criação do cinema, algo incomum para a população em geral, possibilita o desenvolvimento de potenciais artísticos.

O Perspectiva Online, dentro de sua filosofia de apoio à cultura, teve o prazer de colaborar na iniciativa nas duas oportunidades. Nosso integrante Fábio Uequed Pitol atuou em duas das produções do projeto, cedendo sua imagem e disponibilidade sem custos para a produção.

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Cena do primeiro projeto, de 2013: “O Próximo”, com Fábio Uequed Pitol e Gabriela Penha de Moura

Filme “O Próximo”, de 2013, da Savian Filmes no projeto Cine Guri

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Imagem da edição do projeto Plano a Plano, de 2015

Guerra das TVs por assinatura contra Netflix é guerra contra o consumidor

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Com o crescimento assombroso da Netflix, as grandes empresas de TVs por assinatura vêm apresentando quedas no seu número de assinantes. A rede americana, alicerçada pelo sucesso de séries de produção própria como House of Cards, Orange is The New Black, Daredevil, Sense 8 e Hemlock Grove cresceu no mercado brasileiro e vem apresentando resultados superiores aos de grandes emissoras de TV aberta e é o pesadelo dos empresários do setor televisivo pago. Afinal, qual a receita da Netflix?

Em frente de discussão proposta pelas TVs por assinatura, os executivos afirmam que a Netflix não é tributada de maneira isonômica em relação à televisão paga. O aplicativo é enquadrado de forma diferente, por sua natureza, do que a TV paga. Ou seja: reclamam os  executivos da rede de TV por assinatura, de arcarem com tributos maiores e mais numerosos do que o aplicativo americano, sendo esta a razão de seus preços em muito superiores ao serviço de streaming. Mas será só isso mesmo?

É até natural: a Netflix oferece milhares de filmes, séries, shows e documentários por um valor baixo de mensalidade enquanto empresas como NET e Sky oferecem pacotes caríssimos, com atendimentos horrorosos e, quase sempre, informações desencontradas a respeito dos serviços que estão sendo adquiridos. A prática de venda casada é outra tônica em diversos planos oferecidos pelas operadoras de TV: o assinante que deseja optar por apenas um tipo de segmento de canais é obrigado a contratar dezenas de outros, sob a justificativa de ser impossível alterar os “combos” oferecidos. Não é só o preço que assusta o consumidor. O serviço oferecido pelas assinaturas de TV que está distante de um bom custo/benefício.

Acostumadas ao império da incompetência e beneficiadas pela inexistência de concorrentes (ou falsos concorrentes), as redes de TVs por assinatura abrem guerra contra a Netflix no desespero de verem suas fórmulas (péssimos serviços + atendimentos tenebrosos + altos preços) ruirem com a chegada de um concorrente que oferece um serviço diferenciado, de alta qualidade com um preço justo. Na Netflix, todas as programações são reproduzidas com alto padrão de imagem. As TVs por assinatura oferecem um serviço “HD com asterisco”: o número de canais exibidos com péssima resolução é grande e se torna ainda maior quando contratado o famigerado “pay-per-view” do futebol, em que as operadoras decidem se o jogo do seu time será, ou não, transmitido em alta resolução no serviço HD contratado.

Verifica-se, portanto, que um melhor serviço prestado por um preço razoável é a receita de sucesso da Netflix. Para as TVs por assinatura, não é assim. É mais cômodo aos grandes grupos lutarem politicamente para vencerem a concorrência do que adaptarem-se e oferecerem serviços mais atraentes e com preços mais competitivos. O crescimento de serviços como Netflix refletem os anseios de consumidores historicamente maltratados no Brasil.

Omar Sharif (1932-2015)

Omar Sharif - Zhivago - 1965.jpgSe não tivesse seguido a carreira de ator, Omar Sharif provavelmente teria sido linguista ou filólogo. Seu talento para aprender línguas era tão grande que, além de fala-las com perfeição, sem sotaque, conseguia também imitar a pronúncia um estrangeiro de qualquer nacionalidade. Sendo egípcio e falante nativo de árabe, Sharif podia falar em inglês com sotaque de russo, espanhol ou alemão – e, claro, falar em inglês como um britânico ou um americano. Podia, também, falar em grego, francês, italiano, espanhol da mesma maneira.

Por essa e outras razões, Sharif não se limitou a fazer o papel de árabe estereotipado nos muitos filmes que encenou. Em sua vida, fez todo tipo de papel, de todas as etnias possíveis: foi russo em “Doutor Jivago”, argentino em “Che!” e até mesmo, ora veja, um árabe em “Lawrence da Arábia” e “Amizade sem fronteiras”. E foi, em todos eles, perfeito.

30 anos de “De volta para o futuro”

Parte do elenco se reúne: Christopher Lloyd, Lea Thompson, Donald Fullilove e Claudia Wells

Christopher Lloyd (Emmett Brown), Lea Thompson (Lorraine Baines ,mãe de Marty McFly), Donald Fullilove (Goldie Wilson, prefeito de Hill Valley), e Claudia Wells (Jennifer Parker, a namorada de McFly no primeiro filme. Ela viria a ser substituída por Elisabeth Shue nos dois posteriores).

Há 30 anos, no dia 3 de julho de 1985, um jovem norte-americano chamado Martin McFly acelerou o seu De Lorean DMC num pátio de estacionamento em Hill Valley, nos EUA para fugir de um grupo de terroristas interessados numa descoberta feita pelo seu amigo, o físico nuclear Emmet Brown. Minutos depois, McFly estava longe deles. Bem longe: parou seu De Lorean a que 30 anos de distância, no dia 3 de julho de 1955.

Acho que não é preciso falar muito de “De volta para o Futuro”.  Quem nasceu nos últimos 40 anos sabe perfeitamente da história do filme, cujo elenco reuniu-se ontem para uma exibição pública no Hollywood Bowl em Los Angeles. Michael J. Fox, o ator que interpretou McFly, não pôde comparecer devido a complicações decorrentes do Mal de Parkinson. Espera-se, contudo, que ele esteja presente na próxima comemoração, em outubro, quando será lembrada a data da viagem para o futuro – isto é, 2015.

Deixamos aqui apenas uma das muitas referências culturais de “De volta para o futuro”. Já que é para celebrar o passado, então celebremos:

…E o vento levou (…Gone with the wind)

Como parte das homenagens à incrível atriz Olívia de Havilland, que completou 99 anos ontem, dia 01/07/2015, publicamos resenha sobre um dos maiores filmes da história do cinema e de sua carreira.

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Quadro de cena do filme (obra de Yassmine Uequed Pitol)

Filmes que são vistos e revistos. Filmes que inspiram comportamentos. Filmes cujas cenas são repetidas, muitas vezes praticamente sem variantes em outros filmes. Filmes cujas trilhas sonoras são imediatamente reconhecidas. Enfim, filmes inesquecíveis. Esta a proposta destes amantes de cinema para uma nova Série neste blog. E começamos com “…E o vento levou”, o típico filme para o qual é válido o epíteto “eterno”. O início do filme, o som, a música e as cores já seduzem o espectador. Legítimo caso de amor à primeira vista.

O diretor Victor Fleming estava em um momento de grande inspiração naquele ano de 1939, já que , além de “…E o vento levou” dirigiu “O mágico de Oz”. Não foi por acaso que a Academia de Hollywood distinguiu o filme com dez Oscars, um deles para Hattie McDaniel, a inesquecível Mammy e a primeira atriz negra a receber o prêmio. Além disso, ganhou de melhor filme, sendo o primeiro feito originalmente a cores – e convenhamos que cores – melhor diretor, melhor atriz (Vivien Leight), melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor edição e melhor roteiro. Tudo isso quer dizer alguma coisa.A abertura já nos coloca no clima proposto. Impossível não se emocionar com a frase inicial, uma prévia do que estava por vir: a destruição do mundo de cavalheiros e damas apresentado no início do filme.

There was a land of Cavaliers and Cotton Fields called the Old South. Here in this pretty world, Gallantry took its last bow. Here was the last ever to be seen of Knights and their Ladies Fair, of Master and of Slave. Look for it only in books, for it is no more than a dream remembered, a Civilization Gone with the Wind…”

Curiosamente, foi a destruição deste mundo que proporcionou a Scarlett se tornar a mulher forte e decidida, que inspirou gerações mundo afora. Antes da guerra, era uma menina sulista mimada, infantil e irresponsável, cujo único interesse era flertar com os rapazes da região e tentar conquistar o coração de Ashley Wilkes. A partir do momento em que o mundo a sua volta começa a ruir, Scarlett se vê forçada a abandonar  seus antigos hábitos em nome de sua sobrevivência e daqueles ao seu redor, que mesmo a criticando dependem de sua força e determinação. Assume a responsabilidade de gerenciar o que restou de sua família. Gradativamente, a menina mimada vai dando lugar à Scharlett O’Hara, que não se abate em momentos de dificuldade e que sempre encontra solução para os ( muitos) problemas que surgem.

Seu novo padrão comportamental se faz notar em cenas como a que ela confeciona um vestido a partir de uma cortina. Ouquando ela atira, sem dó, no ianque que invade Tara.Fria, inconformada e destemida: esta é Scarlett O’ Hara.A cena na qual afirma que jamais passará fome novamente é uma das mais impactantes do filme. Passa a assumir a postura que vinha sendo moldada desde o início da guerra: o abandono das atitude da mimada sulista e aceitação de sua verdadeira personalidade.

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Comovente também o relacionamento de Scarlett com Melanie. Inicialmente, a personagem de Olívia de Havilland era, por assim dizer, a rival de Scarlett, pois era noiva de Ashley Wilkes.  Todavia, Melanie não tinha noção de que Scarlett a via desta maneira, pelo contrário: a futura Sra. Wilkes gostava do jeito de Scarlett, tão diferente do seu. Scarlett, por outro lado, tinha desprezo pelo jeito calmo e pacífico de Melanie. No desenrolar da trama, Melanie, já casada com Ashley, passa a ter problemas de saúde, devido à gravidez e Scarlett passa, gradualmente, a se tornar sua companheira. Começa a cuidar de Melanie, a zelar por sua segurança e saúde, colocando, muitas vezes, sua própria vida em risco. Mas engana-se quem pensa que Scarlett passou a gostar de Melanie: muito pelo contrário. Apesar do companheirismo, a filha do Sr. O’hara seguia desprezando a fraqueza da “rival”, apenas se dando conta do valor de sua amizade quando Melanie estava prestes a falecer.

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Rhett Butler, personagem de Clark Gable, era compatível com Scarlett, seu parceiro, companheiro de trapaças e de idéias. Não tinha vergonha de fazer o que fosse necessário  para sobreviver em tempos como aqueles. Scarlett o  criticava por ser desta maneira. O criticava hipocritamente, visto que ela, em condições semelhantes, agiria da mesma forma que ele.  Rhett era apaixonado por Scarlett e conseguiu casar-se com ela através de uma proposta que seria, financeiramente, vantajosa para ambos. Entretanto, Scarlett negava-se a aceitar que aquela vida com Rhett poderia vir a lhe proporcionar felicidade (felicidade esta que, que de fato, estava acontecendo). Não se deixava libertar da figura presente de Ashley Wilkes, que ela conservava em mente como símbolo de perfeição. O relacionamento de Scarlett e Rhett é arrebatador, o amor negado, do permanente desencontro, que acaba por desaguar em ressentimento e mágoa.

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Ao longo do filme Scarlett seguia acreditando que seu lugar era ao lado de Ashley. Rhett Butler, o canalha encantador vivido por Clark Gable, tentava, de todas as formas, abrir os seus olhos. Ashley jamais seria o que ela precisava: ela estava apaixonada por uma idéia, por um sonho, não pelo homem de verdade. Ashley também sabia que Scarlett nunca seria a mulher certa para ela. Ashley assevera, no início do filme:

 ” How could help loving you- you who have all the passion for life that I lack? But that kind of love   isn´t enought to make a successful marriage for two people who are as different as we are”.

Ashley sabia que incompatibilidade não gera felicidade. Talvez este tenha sido o grande erro de Scarlett ao longo do filme: idealizar a felicidade em um homem que não existia, em um personagem perfeito que ela mesma criara, personificado na figura de Ashley Wilkes. Apenas ao vislumbrar um momento de fraqueza de Ashely (já no final do filme) é que Scarlett parece se dar conta de que jamais o conhecera de verdade. Parece perceber que, esse tempo todo, endeusava um homem que, de fato, não existia. 

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O relacionamento dos personagens tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana, retratada com maestria. É difícil acreditar que tenha sido possível tamanha perfeição de cenário em 1939, quando nem se imaginava a existência dos recursos digitais que tanto auxiliam o cinema atual. 

“E o Vento Levou…” segue influenciando os cineastas. Basta prestar um pouco de atenção para visualizar cenas claramente inspiradas no clássico em diversos filmes. Até mesmo em filmes infantis. Como exemplo, a cena de Aristogatas, em que o cachorro Napoleão orgulhosamente afirma ser o chefe e determinar o momento em que ele e seu companheiro deveriam atacar com a que o feitor Big Sam diz para outro escravo que havia mandado o serviço parar: “Eu sou o feitor, eu digo quando é hora de parar”. 

Inspirado no romance homônimo de Margarethe Mitchel, “…E o vento levou” é uma experiência cinematográfica inesquecível. Embalado pelo som maravilhoso de “Tara`s Theme” o filme que parou o mundo em 1939 permanece sendo referência quando o assunto gira em torno da magia do cinema. Passam os anos, mudam os costumes e os valores e a história de Scarlett O’Hara e Rhett Butler segue atual, encantando e influenciando.

99 anos de Olivia de Havilland

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Impossível deixar passar em branco a  data em que uma lenda viva, estrela de um dos filmes mais inesquecíveis de todos os tempos, completa 99 anos.

Olivia de Havilland, atriz que deu vida à doce Melanie Hamilton, de “…E o vento levou”, nasceu em Tóquio, no Japão, em 1º de julho de 1916, onde seu pai trabalhava como advogado. A veia artística provém da mãe de Olivia, que era atriz de teatro, e usava o nome artístico de Lillian Fontaine, sobrenome posteriormente usado pela irmã de Olivia, a também atriz (e musa de Hitchcock) Joan Fontaine.

Sua carreira teve início no teatro, trabalhando com o diretor austríaco Max Reinhardt, que a oportunizou a chance de interpretar a personagem  Hermia, de Sonho de uma noite de verão. Foi ele quem a levou a Hollywood quando, convidado pela Warner Bros para dirigir a versão cinematográfica da peça, convidou a Olivia para viver nos cinemas a personagem que até então havia interpretado no teatro.

Olivia chamou a atenção por sua delicadeza natural, e sua atuação neste filme ensejou a celebração de um contrato de sete anos com a Warner Bros. Nestes primeiros anos, atuou em filmes ao lado do então jovem Errol Flyin, formando um dos casais mais queridos da história do cinema. Fizeram oito filmes juntos, quais sejam:  Capitão Blood, A carga da brigada ligeira (“The Charge of the Light Brigade”, 1936), As aventuras de Robin Hood (“The Adventures of Robin Hood”, 1938), Amando sem saber (“Four’s a Crowd”, 1938), Uma cidade que surge (“Dodge City”, 1939), Meu reino por um amor (“The Private Lives of Elizabeth and Essex”, 1939), A estrada de Santa Fé (“Santa Fe Trail”, 1940) e O intrépido general Custer (“They died with their boots on”, 1941).

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Olivia e Errol em “Dodge City”

I was called for a test, simply a silent test, just to see how the two of us in costume would look together, and that’s when I first met him. And I walked onto the set, and they said, “Would you please stand next to Mr. Flynn?” and I saw him. Oh my! Oh my! Struck dumb. I knew it was what the French call acoup de foudre. So I took my position next to him, and I was very, very formal with him because that is the way you were in those days. We had never met. We had never met, and we just stood there next to each other. Oh! (Olívia, sobre seu primeiro encontro com Errol)

 Jack Warner não gostou muito da ideia de permitir que Olivia atuasse pela “Selznick International Pictures” na versão cinematográfica do best seller de Margaret Mitchell (para quem não sabe, autora do livro “Gone with the Wind). Reza a lenda que Olivia precisou socorrer-se junto à esposa de Jack para conseguir o consentimento. Aliás, esse foi o primeiro de muitos embates travados entre Olivia e a Warner Bros.

Desnecessário dizer o impacto causado por “…E o vento levou” na carreira – e vida – de Olivia. Quem leu o livro pode atestar o quão perfeita foi a escolha da atriz para interpretar o papel de Melanie. Como uma luva.

“Vivien was just a marvel. She was a hard worker, highly professional, a marvel, and between scenes, she had this other capacity. It took a long time to light up the sets as you can well imagine Technicolor in those days. Three cameras, all of these strips of film, three-strip cameras, and all of that required quite special lighting and a lot of time to set the scenes in that way. So Vivien, in between, would find a little quiet place on the set, and she and [Clark] Gable would play a game called Battleship, and occasionally, they would invite me to join them, and I would play. The assistant director would come and give us warning. He would say, “Ten minutes,” something like that, and I would excuse myself to go back to my dressing room, not only to check the makeup, but also try to recapture the character of Melanie, which often, just looking in the mirror — because the costumes, and the hair and all of that did express her so well — I would need that time. Not Vivien. She would leave. They would say, “We’re ready to shoot or ready to rehearse,” and she would get up from the game of Battleship, go straight into the scene, and play it brilliantly. She was fabulous, fabulous.” (Olívia, sobre Vivien Leigh).

Entrevista com ela .

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Foi indicada ao Oscar por “…E o vento levou”, disputando o prêmio de melhor atriz coadjuvante, o qual foi vencido por Hattie McDaniel, a memorável Mammy, do filme.

Após o sucesso de …E o vento levou, Olivia retornou à Warner. Os desentendimentos continuaram, sendo conferido à Olivia papeis não condizentes com o seu novo status de estrela. Em um destes papeis (um papel secundário em Meu reino por um amor), conheceu Bette Davis, de quem se tornou amiga, e com a qual estrelou outros filmes, dentre eles Com a maldade na alma (“Hush… Hush, Sweet Charlotte”, 1964).

Em 1941 atuou no filme “Hold Back the Dawn”, pelo qual recebeu sua segunda indicação ao Oscar, na categoria de Melhor atriz principal, sendo derrotada por sua irmã (e desafeta), Joan Fontaine, premiada por”Suspicion”, de Alfred Hitchcock.

Com sua ascensão, seja em popularidade, seja em termos de crítica, Olivia começou a se insubordinar contra o tratamento de certa forma tirânico conferido pelas produtoras a seus atores. Isso porque, à época, os atores não detinham muita autonomia em suas escolhas. Cumpria-lhes, apenas, submeterem-se às decisões profissionais do estúdio ao qual estavam vinculados.

Nesse contexto – e dado o sucesso de Olívia no papel da doce Melanie – para ela, por óbvio, eram escolhidos os papeis de moças indefesas e ingênuas. Irritada com esse tratamento que, a seu ver, ceifava-lhe a possibilidade de desenvolver todo o seu potencial, Olivia se rebelou. Revelando uma personalidade rebelde, passou a recusar papeis que não lhe interessavam, o que lhe acarretou uma suspensão em seu contrato.

 Quando seu vínculo com a Warner findou, em 1943, a produtora ainda pretendia que Olivia trabalhasse por seis meses, sem receber, em virtude do período em que esteve suspensa. Foi a gota d’água: Olivia ajuizou uma ação contra a Warner, litígio que durou durante dois anos, durante os quais a atriz esteve afastada do cinema. A decisão que sobreveio neste processo foi revolucionária: o poder dos estúdios sobre os atores foi reduzido e Olivia pôde, enfim, encerrar seu vínculo junto a Warner. A decisão ficou conhecida como  “Decisão De Havilland”. Olivia passou a ser conhecida como grande defensora dos direitos dos atores, o que lhe rendeu elogios inclusive de sua irmã, Joan Fontaine.

A partir de então, passou a ser destinatária de uma série de papeis mais variados. Fez três filmes com a Paramount, dentre eles o famoso  Tarde demais (“The Heiress”, 1949), pelo qual recebeu seu segundo Oscar e célebre elogio da maior vencedora da história da premiação: Katherine Hepburn: “Não exagere; observe Spencer Tracy, Humphrey Bogart… ou melhor, observe Olivia de Havilland em Tarde demais, e verá o que é uma atuação superior a tudo.”

Aliás, os elogios eram uma constante na carreira de Olivia. Em “A cova da serpente” interpretou uma pessoa com problemas mentais, papel para o qual estudou com afinco, com o fito de alcançar a excelência na interpretação. E teve sucesso, sendo indicada novamente ao Oscar.

Nos anos 50, cabe destacar o convite recebido para interpretar Blanche Dubois em “Uma rua chamada pecado”. A recusa de Olivia ao papel ensejou o convite à Vivien Leigh, que recebeu o seu segundo Oscar pelo papel.

Já nos anos 60, contracenou pela última vez com a amiga Bette Davis. Bette havia filmado, anos antes, “O que terá acontecido com Baby Jane”, filme no qual atuou com sua histórica desafeta, Joan Crawford. O sucesso foi gigantesco, e trouxe novamente para os holofotes algumas das gloriosas atrizes dos anos 30/40, dentre elas,Olivia. A ideia inicial era que, novamente, Bette e Joan contracenassem em Com a maldade na alma. Joan recusou o papel. A saída foi chamar Olivia de Havilland, amiga de Bette. As filmagens foram tranquilas, e o filme, um sucesso de bilheteria, com sete indicações ao Oscar.

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Bette Davis, Leslie Howard (o Ashley Wilkes, de …E o vento levou) e Olivia de Havilland

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Olívia de Havilland com sua filha Gisele Broida

Olivia seguiu atuando até a década de 80, em filmes e séries de televisão. Hoje, reside em Paris e segue participando de eventos, sendo constantemente homenageada – justamente – por sua inestimável contribuição ao cinema. Em 1962,publicou livro de memórias intitulado “Every Frenchman has one” sobre sua experiência em Paris após o casamento com o editor da revista francesa “Paris Match”, Pierre Galante.

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Olivia e Angelina Jolie, em 2004, no Premiere Women in Hollywood Awards.Olivia venceu o Premiere Legend Award.

Para nós, amantes da sétime arte, cumpre celebrar a vida, a rica e fantástica vida de Olivia, tão fantástica quanto suas atuações inesquecíveis. Uma vida que, até hoje – assim com a interpretação da eterna Melanie Hamilton – é marcada por um misto de força e doçura. Feliz aniversário, Miss De Havilland!

Análise: Demolidor, o seriado produzido por Marvel e Netflix

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Com o desafio de superar a péssima impressão deixada por O Homem sem Medo, filme de 2003 estrelado por Ben Affleck, a Netflix lançou a série Demolidor, produção assinada pela própria empresa em parceria com a Marvel, histórica e tradicional editora norte-americana responsável pela criação de diversos super-heróis. O resultado foi positivo, como costumam ser as produções do serviço de streaming.

O Demolidor começa com a apresentação de como o protagonista perdeu sua visão ainda quando criança em uma cena bastante emblemática a respeito da personalidade de Matt Murdock: em um terrível acidente de veículos envolvendo produtos químicos perigosíssimos, Matt, ainda criança, se coloca entre a carga perigosa e um senhor idoso, salvando-o do acidente e sendo atingido pelo composto radioativo nos olhos. Logo de início se observa um personagem com senso de determinação e heroísmo, características que acabariam por moldar o futuro super-herói.

O seriado busca construir a imagem do Demolidor no decorrer da temporada, no lugar de uma construção cronológica e contínua, comum das produções cinematográficas, seja sob a forma que adquiriu suas habilidades de combate, seja em como optou por sua, digamos, irônica atuação: Matt é advogado criminalista.

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O advogado Matt Murdock: o herói é também estudioso criminalista

O principal antagonista da temporada é Wilson Fisk, com espetacular atuação de Vincent D’Onofrio no papel do “Rei do Crime”. Fisk lidera uma organização criminosa que chama a atenção do justiceiro Murdock, com confrontos éticos e morais latentes por toda a temporada.

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Vincent D’Onofrio, em grande atuação como Wilson Fisk

Um dos fatos que mais chama a atenção na construção do protagonista é sua devoção ao catolicismo. Com cenas emblemáticas de Murdock dialogando com o pároco da igreja na qual é devoto, o Daredevil busca lidar incessantemente com seus anjos e demônios para que não se perca do caminho da batalha pela justiça que desde sempre advogou.

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Murdock, com suas lutas internas, busca apoio eclesiástico

Com escolha de ambientar o herói em um cenário fantasioso, mas factível, O Demolidor cativa do início ao fim, até mesmo quem não era entusiasta do personagem. O seriado está disponível no canal online Netflix, e já teve segunda temporada confirmada. Que a seqüência mantenha o mesmo nível: o seriado é bom e merece continuidade.

Análise de Demolidor, produção Marvel e Netflix / Resenha de Demolidor, produção Marvel e Netflix  / Crítica de Demolidor, produção Marvel e Netflix  / Review de Demolidor, produção Marvel e Netflix

Christopher Lee (1922-2015)

Nesta manhã o mundo recebeu a notícia do falecimento de ator britânico Christopher Lee, aos 93 anos, ocorrida dia 7, no Hospital Westminster, em Londres.

Sua carreira estendeu-se por quase setenta anos e somou mais de 200 filmes, incluindo sucessos como “Star Wars”, “Gremlins” e várias obras com temática vampírica, onde interpretou o Conde Drácula de maneira inesquecível.

Nenhum deles, no entanto, com a força e a relevância de sua participação em “O Senhor dos Anéis”, quando interpretou o mago Saruman.

Lee ainda participaria de”O Hobbit” entre 2012 e 2014, mesmo com dificuldades de locomoção devido à idade. A equipe do filme teve de deslocar-se até sua casa para filmar suas cenas, pois o ator não conseguia mais percorrer grandes distâncias.

Nos últimos meses, trabalhava num filme sobre a queda das Torres Gêmeas.

Lee como Conde Drácula 

Lee como Saruman

Lee em Star Wars

Salma Hayek lança animação de obra de Gibran Khalil Gibran no Líbano

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A multipremiada atriz e produtora Salma Hayek, nascida no México e naturalizada norte-americana, acaba de produzir uma versão animada do best seller “O Profeta”, de Gibran Khalil Gibran. Para os milhões de fãs do escritor em todo o mundo é uma grande notícia. Para a própria Salma Hayek foi uma experiência mais do que especial: neta de libaneses, “O Profeta” era o livro de cabeceira do seu avô, nascido em Baabdat, aldeia localizada em meio às elevações do Monte Líbano.

No final do mês de abril, Hayek esteve no Líbano para o lançamento da obra e mergulhou em uma viagem familiar para a terra de seus ancestrais: conheceu a terra natal de Gibran, Bsharre, visitou o Vale do Bekaa e avistou, de longe, as montanhas do país, ainda cobertas de neve neste fim de abril. Homenageou Kamilé, mãe de Gibran, que, como seus próprios avós, teve a coragem de emigrar com a família em busca de melhores alternativas para seus filhos e confessou amar o Líbano, sua gente e sua cultura. Admitiu até preferir comer quibe aos mexicaníssimos “tacos”.

“A beleza natural (do Líbano) é como a de um poema”, disse ela. “Nunca vi nada parecido e estou feliz de ter feito a viagem, e agradeço particularmente ao comitê Gibran que me deu essa maravilhosa oportunidade. Foi algo extraordinário visitar o museu de Khalil Gibran, ver suas pinturas e me inclinar diante de seu túmulo. Senti em mim uma grande força”. 

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Visitou o centro de refugiados sírios em Beka

Em Becharra visitou o Museu dedicado a Gibran

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http://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-3057539/Salma-Hayek-looks-chic-blue-white-black-floral-print-dress-promote-Prophet-Beirut.html

Entrevista com Antonio Jesus Pfeil


Quem tem o prazer de encontrar Antonio Jesus Pfeil caminhando por Canoas nota logo de cara um contraste. Literalmente, logo de cara – no meio de centenas ou milhares de faces preocupadas, amarradas, com os olhos saltados e a testa franzida, Pfeil nos apresenta uma cara tranqüila, um ar bem disposto, um caminhar desapressado e, não raro, uma trilha sonora composta por grandes músicos das décadas de 40, 50 e 60 e executada por ele mesmo, ali, à nossa frente, no meio do coro de buzinas, freadas, motores e gritos de comerciantes que caracterizam o centro de Canoas. Jesus Pfeil parece um legítimo outsider, um estranho numa terra estranha, destino bastante provável para quem, como ele, resolveu viver da arte e da cultura num lugar em que estas duas palavrinhas são muito pouco cultivadas. Cineasta há quase cinco décadas, três Kikitos na bagagem (pelos curtas “Cinema gaúcho dos anos 20”, “Leão do caverá” e “Porto alegre, adeus”) um sem-número de publicações sobre a história do cinema gaúcho (assunto no qual é pioneiro e eterna referência) e a de nossa cidade (os dois volumes de Canoas – Anatomia de uma cidade, constituem obra obrigatória para quem quer estudar a fundo a formação do município), Jesus Pfeil é um outsider até que bem sucedido. Ele provavelmente concordaria com isso não fosse o termo utilizado: ao ouvir que é um outsider, ele provavelmente apontaria o dedo e, sem abandonar a sua inata bonomia, diria: “deixa de ser colonizado, guri!”.

Entrevista realizada em 2010

* *          *          *

Nasceste em Canoas?

Antônio Jesus Pfeil: Em Santa Rita, quando ainda era parte em Canoas. Canoas nasceu em 27 de junho de 1939 e eu nasci em 7 de outubro de 1939 e vim com 1 ano de idade para cá, ou seja, sou um pouco mais novo que a cidade (risos). Com 7 anos entrei para o La Salle e fiquei até a 1ª série ginasial. Mas estudei numa época em que se ensinava Latim e Francês, o ensino era muito melhor do que o de hoje. Até que um dia eu pensei “não quero ser médico nem advogado, nada do que exija diploma”. Eu quero cultura. E fui atrás de cultura.

Como surgiu a vocação cinematográfica?

AJP: Eu ia ao cinema do velho Matos, assistia aos filmes e dizia “quero conhecer o Rio, quero fazer cinema”. Foi despertando em mim esse meu lado e descobri que nada me interessava, apenas a arte, o que me dava prazer. E fui levando a vida assim, atrás de coisas que me dessem prazer. Depois fui fazer o serviço militar

Depois do serviço militar, trabalhou com o que?

AJP: Teatro. O TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) veio a Porto Alegre, com Leonardo Vilar precisavam de gente pra fazer uma figuração e eu fui. Foi pra morar com meu padrinho que morava no Rio e ali fiquei, ali na Cinelândia. Isso era 1962.

Morou no Rio na época em que ele merecia o titulo de cidade maravilhosa, não é?

AJP: Era muito bom. Tinha bares que a gente freqüentava, como o Beco das Garrafas, onde a Elis cantou. Fiquei dois anos lá para fazer cinema. Ficava na Cinelândia vagabundeando com os amigos no bar amarelinho. Fui para lá com 23 anos. Nunca tinha saído de Canoas.

Para ti esse período da Cinelândia deve ter sido impactante, não é? Ainda mais vindo duma cidade como Canoas que tinha uns 100 mil habitantes na época…..

AJP: E como! E foi ótimo. Conheci escritores, Otto Maria Carpeaux conheci pessoalmente, conheci o Walmir Ayala, Lucio Cardoso, enfim, vários. Depois fui trabalhar na Herbert Ritchers, ficava na produção, fazia uma ponta num filme e noutro. Depois comecei a trabalhar como assistente de direção em filmes como “O Tropeiro”, fui assistente também em “Um certo capitão Rodrigo”, do Anselmo Duarte. Aqui quando filmamos “Um certo capitão Rodrigo” do Anselmo Duarte, eu fui assistente de direção e fiz uma ponta. E estava no centro dos acontecimentos. Eu saí, na verdade, por causa da revolução de 1964. Fui para Minas entregar uns filmes quando recebi a noticia de que havia estourado o golpe militar. Aí me vim embora pra Canoas. Aqui, 1969 eu fiz um filme em Super 8, o câmera foi o Claudio Martini, que hoje é médico, o filme era “O Sonho do Pedreiro”. E a partir de 1966, três anos, eu comecei a estudar a fundo o cinema do RS.

O que te motivou?

AJP: Após ler livros, como “70 anos de história do cinema brasileiro”, que só citava dois filmes gaúchos, eu pensei “só isso? Não pode ser”. Então fui a museus, comecei a estudar jornais antigos, descobri quando vieram os primeiros filmes. Ajudei a fundar o centro de pesquisadores do Cinema Brasileiro e a fazer a primeira mostra de cinema brasileiro em Gramado. E em 1973, no primeiro festival de Gramado, fiz parte do 1º. júri. Depois mais tarde descobri vivo o Eduardo Abelim, que filmou na década de 20, foi um dos pioneiros do cinema gaúcho, lá em Niterói, estado do Rio. Trouxe-o para cá. Escrevi um livro chamado “Os caminhos que levaram Eduardo Abelim a um sonho sem fim”. Depois criaram o premio Eduardo Abelim e eu fui o primeiro a dar o prêmio. No discurso, um amigo meu, o Carlão, começou a falar de trabalho, da importância do trabalho de quem encontrou os filmes e o próprio Abelim. Eu disse “Carlão, pára de falar de trabalho, tem que falar sobre a importância do ócio, sem isso eu não tinha descoberto o Abelim, foi vagabundeando que eu descobri o Abelim” (risos). O cinema todo riu.

Eu noto que boa parte da tua obra é feita de obras de história, recuperação do passado, mais até do que obras de ficção.

AJP: Sim, o meu trabalho é história. Eu tenho filmagens da posse do 1º prefeito, em 1939, a construção da Praça da Bandeira. Está tudo comigo. Tenho filmagens do Capão do Corvo da década de 40. Tenho mais de 2 horas de imagens antigas de Canoas filmadas. Tenho coisas dos anos 60, 70. Tenho filmes de 1912 de Porto Alegre. Enfim, gosto de recuperar essas coisas todas. Depois comecei a me interessar pela história de Canoas e passei a escrever também. Escrevi o “Canoas – anatomia duma cidade” e estou juntando material para o 3º. Volume, que cobre de 1965 pra cá.

Tu fizeste algumas críticas sobre o uso do Super Oito, que era muito utilizado naquela época por ser mais barato, não é?

AJP: Sim, eu dizia pro Walmor Chagas que a ditadura tava perdendo um grande instrumento de tortura, o cara podia escolher entre 30 minutos de porrada ou 5 minutos de super oito (risos).

Por conta disso e de outras coisas, tiveste algumas dissensões de opinião com o Gerbase, Assis Brasil e outros que estavam começando na época, não?

AJP: Sim, eu fiz algumas criticas a eles. Mas eles me conhecem, hoje nos damos bem. Discordar é natural. Eu sempre fui fã do cinema nacional, mas sempre critiquei coisas tipo Teixeirinha e tal. Ate que o Paulo Emilio Sales Gomes me disse que o pior filme brasileiro nos diz muito mais do que o melhor filme estrangeiro. O Teixeirinha representa um pouco do que nos somos. Não adianta assistir a filmes estrangeiros, conhecer a cultura deles, saber tudo das cidades deles e não conhecer a rua que fica atrás da tua casa. O colonizado é um capacho, um traidor. Eu tenho horror de colonizado.

Sempre tiveste essa preocupação com a dominação cultural?

AJP: Sim. Os caras falam, “ah, a cultura é universal”. Eu concordo, a cultura é universal. O cara pode saber tudo dos EUA, mas tem que saber da Alemanha, da França, etc, etc. Ser colonizado é valorizar apenas o que os americanos fazem.

E dentro dos filmes americanos, quais tu destacas?

AJP: O que acontece é que a maioria dos filmes americanos bons não foram feitos por americanos e sim por diretores estrangeiros que iam para lá, italianos, franceses, alemães, russos. Isso durou até os anos 50, a partir dos 60 só veio filme com efeitos especiais que se repetem. Eu assisti a todos os filmes clássicos americanos. Orson Welles, por exemplo, é um grande diretor, na época dele se fazia cinema com qualidade e o principal, criatividade. Chaplin, o velho Hitchcock, eram ingleses, mas trabalharam lá. Depois deles vieram os efeitos especiais e as historias passaram a se repetir. Atrizes como Marlene Dietrich, Greta Garbo, eram bonitas e faziam filmes bons. “E o vento levou” é um grande filme…..os filmes mudos…..enfim, havia muita coisa boa.

E o cinema europeu?

AJP: Eu gosto, mas não passa em lugar algum. É mais um sintoma da dominação cultural.

E o cinema brasileiro?

AJP: Já fomos o terceiro maior produtor de cinema do mundo. Primeiro a Índia, depois os EUA e depois nós, fazíamos uns 300 filmes por ano. Isso em 1974. Depois que o Collor entrou acabou com a EMBRAFILME e aí acabou também o nosso cinema.

Qual a tua opinião sobre o fim dela?

AJP: Mas foi o fim da picada. Esse país não tem macho. Tirando eu, todos morreram em 30. A EMBRAFILME tinha produtora, distribuidora, tinha uma lei que exigia que cada Cinema tinha que passar 174 dias de cinema brasileiro. E tinha fiscais. Todo cinema tinha fiscais da Embrafilme.

Mas hoje o cinema brasileiro está retomando espaço, não?

AJP: Não é bem assim. Tem essas leis de incentivo a cultura, essas coisas, que ajudam a fazer o filme. Mas só passa filme brasileiro na TV se a Globo estiver produzindo, senão não passa. Com incentivos fiscais o cara só ganha dinheiro se fazer o filme e não exibir. E depois tenta exibir, sem grandes espaços, raramente se vê um filme brasileiro exibido nos grandes cinemas. Por isso eu não dou mole para americano. As vezes querem que eu vá pros EUA e eu não vou.

Alguns filmes brasileiros já são exibidos no exterior…..

AJP: Mas sabe como é lá nos festivais lá? No Oscar de melhor filme estrangeiro? Não pode ter cartaz do filme, fotos, nada. Só o nomezinho do filme na bilheteria e bem pequeno. Não pode ter cartaz. Eles só são democratas quando concordam contigo. Eu sempre digo que a democracia é lado cínico da liberdade. A ditadura não engana ninguém, se tu queres brigar com eles, tu sabes que vai ser torturado e morto. Na democracia tu vais contra eles e eles se juntam e armam algo contra ti, eles soltam algo contra ti na imprensa, até tu provares que és inocente estás desmoralizado.

Mas e filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite, que conseguiram um bom espaço internacional?

AJP: O Cidade de Deus é bom, Tropa de Elite também, eles mostram o aspecto social. Mas o importante é invadir o mercado. Eu noto, sim, que estamos recuperando aos poucos. Eu que eu acho é que deveria retomar a EMBRAFILME, com todos aqueles incentivos, aí sim o cinema brasileiro vai retomar o espaço que tinha antes. E claro que melhorou tecnicamente. Mas, do ponto de vista criativo, eu tenho minhas duvidas.

E o cinema dos nossos países vizinhos, chega a acompanhar?

AJP: Mas, guri, teve época que passava filmes mexicanos, argentinos, tudo isso passava. O Cantinflas era um ídolo aqui e era mexicano. Hoje nada entra. O cinema europeu também, a não ser numa Casa de Cultura ou algo parecido. No mercado, não. A Índia que é o maior mercado mundial de cinema, é totalmente desconhecida aqui. O Glauber dizia que o cinema era uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. Hoje eu digo que o cinema atual é feito de muitas câmeras na mão e nenhuma idéia na cabeça (risos).

Nunca pensaste em sair de Canoas?

AJP: É a minha terra. Eu não tenho vontade de ir para algum lugar. Tenho vontade de passear, de ir a Paris, que eu planejo ir. Mas lá o futebol já domina, até lá já chegou (risos). Eu queria ter nascido burro para me contentar com cervejinha e futebol.

Descanse em paz, Liz Taylor

Faleceu hoje, 23/03/2011, a lendária atriz Elizabeth Taylor. A estrela estava internada há 6 semanas no hospital Cedars-Sinai, em Los Angeles, e a causa do falecimento ainda não foi divulgada.

Seria repetitivo fazer um breve relato bibliográfico de Liz Taylor, falando de seus casamentos e sua vida pessoal. Nós do blog Perspectiva, fãs ardorosos da atriz, preferimos prestar aqui nossa homenagem, montando, para tanto, nosso Top 3 Liz Taylor:

3. Um lugar ao sol –


O filme engana no início, parece que se transformará em um romance comum. Porém, a medida em que evolui, ganha em tensão e dramaticidade. Montgomery Clift, no auge, contracenou com Liz Taylor nesta obra prima.
2.Gata em teto de zinco quente –


Paul Newman e Elizabeth Taylor, cada um em sua melhor forma, nesse filme fantástico baseado em peça de Tennessee Williams.
1. Assim caminha a humanidade


O nosso favorito. O filme conta com mais de três horas de duração e nunca se torna cansativo, o que não é surpresa a partir do momento em que o elenco contava com  Elizabeth Taylor, James Dean e Rock Hudson.

Descanse em paz, Liz Taylor.

Filmes para (re)ver neste Natal I

*O conto de Natal do Mickey (Mickey’s Christmas Carol)

É a versão em desenho animado para “Um conto de Natal” de Charles Dickens. Aqui, temos a versão “Tio Patinhas” de Ebenezer Scrooge, o milionário egoísta que recebe os espíritos do Natal Passado, Presente e Futuro.

* A Felicidade Não se Compra

É o clássico filme Natalino. Traz mensagens de solidariedade e esperança.

*Rudolph and Frosty’s – Christmas in july (1979)

Eu não sei o nome deste filme em português! Assisti a ele diversas vezes quando era criança. Se algum leitor souber o nome em português, favor postar nos comentários 🙂


Miracle on 34th Street

Um Holmes real

A resposta da crítica ao mais recente Sherlock Holmes foi irregular. O diretor, Guy Ritchie, foi acusado por alguns de ter produzido um Holmes que pouco tem a ver com o original de Conan Doyle. Para essas pessoas, o personagem interpretado por Robert Downey Jr. (que vem retornando em excelente forma ao primeiro time do cinema) é excessivamente “físico”: gosta de artes marciais (ou do que assim se chamava naquela época), envolve-se em combates (seja por esporte, seja por pura necessidade), é ágil e bem formado fisicamente. É, também, triste e deprimido, usuário frequente de drogas e apresenta, segundo algumas leituras (não a minha) um certo homossexualismo escondido. Alguns críticos chegaram mesmo a ver neste Sherlock Holmes de Guy Ritchie uma tentativa de desconstruir o mito em torno do personagem de Conan Doyle, aproximando-o de outras obras do diretor, como Snatch e Jogos, trapaças e dois canos fumegantes. O crítico australiano David Stratton foi definitivo sobre a história: “não é, de modo algum, o terreno de Sherlock Holmes”. Queria com isso dizer que Sherlock Holmes – o personagem, o cenário, o mito – não é terreno para Guy Ritchie. Este senhor deveria manter-se longe de um dos grandes personagens da literatura policial e tratar de ir fazer seus filmezinhos sobre bandidos, gângsters e gente violenta.

Será mesmo? Vejamos. Um estudo em vermelho foi a primeira história de Sherlock Holmes escrita por Conan Doyle. Nela, o doutor John Watson, recém retornado do Afeganistão, procura um apartamento para alugar e, por acaso,  encontra o famoso detetive através de um conhecido em comum. Combinam então de ir morar juntos, dividindo o aluguel. A convivência entre os dois é tranquila. Holmes vive entretido com seus tubos de ensaio, seu violino, seus relatos de casos escabrosos e seus encontros com clientes. Watson, por sua vez, vive observando o seu excêntrico colega de quarto com um misto de surpresa e admiração. Admira-o por a sua dedicação de trabalho, sua prodigiosa capacidade dedutiva e o absoluto domínio dos temas concernentes à sua profissão. Não deixa de ficar surpreso, porém, com a sua tendência a ficar deprimido (passa dias sentado em seu quarto sem dizer palavra, mirando o vazio) e a suspeita de uso de drogas (que será posteriormente confirmada), além da total ignorância que o detetive demonstra ter sobre coisas como a teoria heliocêntrica: o mesmo homem que conhece química como um especialista não sabe que a Terra gira em torno do Sol. Watson tenta avisá-lo da novidade; ele agradece e diz que fará o possível para esquecer, pois não quer ocupar espaço do seu prodigioso cérebro com tais frivolidades.

O espanto causado no velho médico do Exército Britânico leva-o a elaborar uma lista com aquilo que Sherlock Holmes conhece. Ei-la:

Sherlock Holmes – seus limites

l. Conhecimento de literatura: nulo.

2. Conhecimento de filosofia: nulo.

3. Conhecimento de astronomia: nulo.

4. Conhecimento de política: fraco.

5. Conhecimento de botânica: variável. Entende de beladona, ópio e venenos em geral. Não sabe nada sobre plantas úteis.

6. Conhecimento de geologia: prático, mas limitado. Distingue, à primeira vista, diferentes tipos de solos. Depois de suas caminhadas, mostra-me manchas em suas calças e diz, a partir da cor e da consistência, de que parte de Londres são.

7. Conhecimento de química: profundo.

8. Conhecimento de anatomia: acurado, mas assistemático.

9. Conhecimento de publicações sensacionalistas: imenso. Parece conhecer cada detalhe de todos os horrores perpetrados neste século.

10. Toca violino bem.

11. Perito em esgrima e boxe. Um espadachim.

12. Bom conhecimento prático das leis inglesas

A lista do doutor Watson apresenta-nos, em resumo, o Sherlock Holmes que aparece nos livros de Conan Doyle. Um sujeito ágil, forte, bom lutador e com espírito prático, mas também cerebral, excepcionalmente competente e com dotes artísticos inegáveis. Por um lado, um compenetradíssimo profissional, com inabalável senso de dever. Por outro, um viciado em drogas  que se afunda em crises depressivas. E é este, exatamente este, o Holmes que aparece em Sherlock Holmes, de Guy Ritchie. Sem tirar, nem pôr. Parece que o diretor inglês tirou um xerox da lista do Dr. Watson, pregou-a na parede e passou os dias a recitá-la antes de iniciar as filmagens.Poder-se-ia, inclusive, acusar o diretor inglês de alguma falta de imaginação e de coragem ao transpor Holmes para as telas. Sim, senhores: ao contrário do que muitos dizem (provavelmente aqueles que nunca pegaram um livro de Conan Doyle para ler), Guy Ritchie é um sherlockiano ortodoxo.

Deixemos claro: por “ortodoxo” entendemos “fiel ao livro”. Não há nada no filme que não haja nos livros de Conan Doyle.  O Sherlock Holmes de Ritchie não se parece, isso sim, com o Holmes do cinema, aquela figura clássica consagrada por Basil Rathbone e imitada à exaustão por todos os diretores posteriores. Este é um Holmes não suja os pés de barro, não luta com ninguém, não tem amigos no submundo (os famosos irregulars, que tanto lhe auxiliam, são figuras absolutamente inverossímeis nestes filmes) e só se mete com bandidos porque, sem isso, não há história. Está bem longe do Holmes de Conan Doyle e de Ritchie, que bem pode ter caminhado pelas dark streets of London do fim do século XIX e só não teria ocupado o 221B da Baker Street porque este não existia à época (à época, a Baker só ia até o número 100).

E não só porque tem a ver com os livros. Robert Downey Jr. encarnou com perfeição um típico cidadão inglês do fin de siécle, uma mistura de dândi e gentleman, um cidadão do Império e um europeu culto, apreciador de novidades e disposto a experimentar tudo. A Londres de Holmes é a do fim do século XIX. Após as reformas sociais de Gladstone e Disraeli, as cidades inglesas não se parecem tanto assim com aquele amontado de casas de tijolos à vista envoltas em fumaça e cheias de miseráveis que aparece nos romances de Dickens e na obra de juventude de Engels, A Situação das classes trabalhadoras da Inglaterra, que hoje pode ser lido como um excelente livro-reportagem. Quem o reconhece é o próprio Engels no prefácio da edição inglesa de 1892:  “Again, the repeated visitations of cholera, typhus, small-pox, and other epidemics have shown the British bourgeois the urgent necessity of sanitation in his towns and cities, if he wishes to save himself and family from falling victims to such diseases. Accordingly, the most crying abuses described in this book have either disappeared or have been made less conspicuous.” Ainda há pobreza, claro, mas nada que passe dos limites.

Além disso, Londres já começa a ter a feição multicultural que hoje a ela associamos. O Império Britânico está no seu auge, os ingleses exportam de tudo para o mundo todo e começam a importar, pela primeira vez, o que vem das suas colônias. Bem fiel ao gosto pelo exótico que caracterizou o fim do século XIX, fazem sucesso na cidade as tapeçarias árabes e aromas indianos e sociedades secretas divulgam entre iniciados os conhecimentos esotéricos aprendidos em terras distantes. Quem passeia pelas suas ruas  vê indianos, chineses, alguns negros e, ao dobrar uma esquina, escuta-se o fiddle irlandês. Já não é, seguramente, a cidade imunda e desagradável das primeiras décadas do século XIX. Esta Londres é a capital do mundo, e, seu cidadão é um cidadão do mundo.

É o caso de Holmes. Os filmes feitos até agora mostram apenas o seu lado ascético e compenetrado, deixando de lado as suas incursões – bem descritas no livro e muito presentes na personagem – pelo lado, digamos assim, dionisíaco da vida. O Holmes que Conan Doyle criou é este aqui – e, se de fato tivesse existido, provavelmente também seria mais ou menos como ele.

Entrevista com Antonio Jesus Pfeil


“Não adianta assistir a filmes estrangeiros, conhecer a cultura deles, saber tudo das cidades deles e não conhecer a rua que fica atrás da tua casa”


Quem tem o prazer de encontrar Antonio Jesus Pfeil caminhando por Canoas nota logo de cara um contraste. Literalmente, logo de cara – no meio de centenas ou milhares de faces preocupadas, amarradas, com os olhos saltados e a testa franzida, Pfeil nos apresenta uma cara tranqüila, um ar bem disposto, um caminhar desapressado e, não raro, uma trilha sonora composta por grandes músicos das décadas de 40, 50 e 60 e executada por ele mesmo, ali, à nossa frente, no meio do coro de buzinas, freadas, motores e gritos de comerciantes que caracterizam o centro de Canoas. Jesus Pfeil parece um legítimo outsider, um estranho numa terra estranha, destino bastante provável para quem, como ele, resolveu viver da arte e da cultura num lugar em que estas duas palavrinhas são muito pouco cultivadas. Cineasta há quase cinco décadas, três Kikitos na bagagem (pelos curtas “Cinema gaúcho dos anos 20”, “Leão do caverá” e “Porto alegre, adeus”) um sem-número de publicações sobre a história do cinema gaúcho (assunto no qual é pioneiro e eterna referência) e a de nossa cidade (os dois volumes de Canoas – Anatomia de uma cidade, constituem obra obrigatória para quem quer estudar a fundo a formação do município), Jesus Pfeil é um outsider até que bem sucedido. Ele provavelmente concordaria com isso não fosse o termo utilizado: ao ouvir que é um outsider, ele provavelmente apontaria o dedo e, sem abandonar a sua inata bonomia, diria: “deixa de ser colonizado, guri!”.

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Nasceste em Canoas?

Antônio Jesus Pfeil: Em Santa Rita, quando ainda era parte em Canoas. Canoas nasceu em 27 de junho de 1939 e eu nasci em 7 de outubro de 1939 e vim com 1 ano de idade para cá, ou seja, sou um pouco mais novo que a cidade (risos). Com 7 anos entrei para o La Salle e fiquei até a 1ª série ginasial. Mas estudei numa época em que se ensinava Latim e Francês, o ensino era muito melhor do que o de hoje. Até que um dia eu pensei “não quero ser médico nem advogado, nada do que exija diploma”. Eu quero cultura. E fui atrás de cultura.

Como surgiu a vocação cinematográfica?

AJP: Eu ia ao cinema do velho Matos, assistia aos filmes e dizia “quero conhecer o Rio, quero fazer cinema”. Foi despertando em mim esse meu lado e descobri que nada me interessava, apenas a arte, o que me dava prazer. E fui levando a vida assim, atrás de coisas que me dessem prazer. Depois fui fazer o serviço militar

Depois do serviço militar, trabalhou com o que?

AJP: Teatro. O TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) veio a Porto Alegre, com Leonardo Vilar precisavam de gente pra fazer uma figuração e eu fui. Foi pra morar com meu padrinho que morava no Rio e ali fiquei, ali na Cinelândia. Isso era 1962.

 Morou no Rio na época em que ele merecia o titulo de cidade maravilhosa, não é?

AJP: Era muito bom. Tinha bares que a gente freqüentava, como o Beco das Garrafas, onde a Elis cantou. Fiquei dois anos lá para fazer cinema. Ficava na Cinelândia vagabundeando com os amigos no bar amarelinho. Fui para lá com 23 anos. Nunca tinha saído de Canoas.

Para ti esse período da Cinelândia deve ter sido impactante, não é? Ainda mais vindo duma cidade como Canoas que tinha uns 100 mil habitantes na época…..

AJP: E como! E foi ótimo. Conheci escritores, o Otto Maria Carpeaux, conheci o Walmir Ayala, Lucio Cardoso, enfim, vários. Depois fui trabalhar na Herbert Ritchers, ficava na produção, fazia uma ponta num filme e noutro. Depois comecei a trabalhar como assistente de direção em filmes como “O Tropeiro”, fui assistente também em “Um certo capitão Rodrigo”, do Anselmo Duarte. Aqui quando filmamos “Um certo capitão Rodrigo” do Anselmo Duarte, eu fui assistente de direção e fiz uma ponta. E estava no centro dos acontecimentos. Eu saí, na verdade, por causa da revolução de 1964. Fui para Minas entregar uns filmes quando recebi a noticia de que havia estourado o golpe militar. Aí me vim embora pra Canoas. Aqui, 1969 eu fiz um filme em Super 8, o câmera foi o Claudio Martini, que hoje é médico, o filme era “O Sonho do Pedreiro”. E a partir de 1966, três anos, eu comecei a estudar a fundo o cinema do RS.

O que te motivou?

AJP: Após ler livros, como “70 anos de história do cinema brasileiro”, que só citava dois filmes gaúchos, eu pensei “só isso? Não pode ser”. Então fui a museus, comecei a estudar jornais antigos, descobri quando vieram os primeiros filmes. Ajudei a fundar o centro de pesquisadores do Cinema Brasileiro e a fazer a primeira mostra de cinema brasileiro em Gramado. E em 1973, no primeiro festival de Gramado, fiz parte do 1º. júri. Depois mais tarde descobri vivo o Eduardo Abelim, que filmou na década de 20, foi um dos pioneiros do cinema gaúcho, lá em Niterói, estado do Rio. Trouxe-o para cá. Escrevi um livro chamado “Os caminhos que levaram Eduardo Abelim a um sonho sem fim”. Depois criaram o premio Eduardo Abelim e eu fui o primeiro a dar o prêmio. No discurso, um amigo meu, o Carlão, começou a falar de trabalho, da importância do trabalho de quem encontrou os filmes e o próprio Abelim. Eu disse “Carlão, pára de falar de trabalho, tem que falar sobre a importância do ócio, sem isso eu não tinha descoberto o Abelim, foi vagabundeando que eu descobri o Abelim” (risos). O cinema todo riu.

Eu noto que boa parte da tua obra é feita de obras de história, recuperação do passado, mais até do que obras de ficção.

AJP: Sim, o meu trabalho é história. Eu tenho filmagens da posse do 1º prefeito, em 1939, a construção da Praça da Bandeira. Está tudo comigo. Tenho filmagens do Capão do Corvo da década de 40. Tenho mais de 2 horas de imagens antigas de Canoas filmadas. Tenho coisas dos anos 60, 70. Tenho filmes de 1912 de Porto Alegre. Enfim, gosto de recuperar essas coisas todas. Depois comecei a me interessar pela história de Canoas e passei a escrever também. Escrevi o “Canoas – anatomia duma cidade” e estou juntando material para o 3º. Volume, que cobre de 1965 pra cá.

Tu fizeste algumas críticas sobre o uso do Super Oito, que era muito utilizado naquela época por ser mais barato, não é?

AJP: Sim, eu dizia pro Walmor Chagas que a ditadura tava perdendo um grande instrumento de tortura, o cara podia escolher entre 30 minutos de porrada ou 5 minutos de super oito (risos).

Por conta disso e de outras coisas, tiveste algumas dissensões de opinião com o Gerbase, Assis Brasil e outros que estavam começando na época, não?

AJP: Sim, eu fiz algumas criticas a eles. Mas eles me conhecem, hoje nos damos bem. Discordar é natural. Eu sempre fui fã do cinema nacional, mas sempre critiquei coisas tipo Teixeirinha e tal. Ate que o Paulo Emilio Sales Gomes me disse que o pior filme brasileiro nos diz muito mais do que o melhor filme estrangeiro. O Teixeirinha representa um pouco do que nos somos. Não adianta assistir a filmes estrangeiros, conhecer a cultura deles, saber tudo das cidades deles e não conhecer a rua que fica atrás da tua casa. O colonizado é um capacho, um traidor. Eu tenho horror de colonizado.

Sempre tiveste essa preocupação com a dominação cultural?

AJP: Sim. Os caras falam, “ah, a cultura é universal”. Eu concordo, a cultura é universal. O cara pode saber tudo dos EUA, mas tem que saber da Alemanha, da França, etc, etc. Ser colonizado é valorizar apenas o que os americanos fazem.

E dentro dos filmes americanos, quais tu destacas?

AJP: O que acontece é que a maioria dos filmes americanos bons não foram feitos por americanos e sim por diretores estrangeiros que iam para lá, italianos, franceses, alemães, russos. Isso durou até os anos 50, a partir dos 60 só veio filme com efeitos especiais que se repetem. Eu assisti a todos os filmes clássicos americanos. Orson Welles, por exemplo, é um grande diretor, na época dele se fazia cinema com qualidade e o principal, criatividade. Chaplin, o velho Hitchcock, eram ingleses, mas trabalharam lá. Depois deles vieram os efeitos especiais e as historias passaram a se repetir. Atrizes como Marlene Dietrich, Greta Garbo, eram bonitas e faziam filmes bons. “E o vento levou” é um grande filme…..os filmes mudos…..enfim, havia muita coisa boa.

E o cinema europeu?

AJP: Eu gosto, mas não passa em lugar algum. É mais um sintoma da dominação cultural.

E o cinema brasileiro?

AJP: Já fomos o terceiro maior produtor de cinema do mundo. Primeiro a Índia, depois os EUA e depois nós, fazíamos uns 300 filmes por ano. Isso em 1974. Depois que o Collor entrou acabou com a EMBRAFILME e aí acabou também o nosso cinema.

Qual a tua opinião sobre o fim dela?

AJP: Mas foi o fim da picada. Esse país não tem macho. Tirando eu, todos morreram em 30. A EMBRAFILME tinha produtora, distribuidora, tinha uma lei que exigia que cada Cinema tinha que passar 174 dias de cinema brasileiro. E tinha fiscais. Todo cinema tinha fiscais da Embrafilme.

Mas hoje o cinema brasileiro está retomando espaço, não?

AJP: Não é bem assim. Tem essas leis de incentivo a cultura, essas coisas, que ajudam a fazer o filme. Mas só passa filme brasileiro na TV se a Globo estiver produzindo, senão não passa. Com incentivos fiscais o cara só ganha dinheiro se fazer o filme e não exibir. E depois tenta exibir, sem grandes espaços, raramente se vê um filme brasileiro exibido nos grandes cinemas. Por isso eu não dou mole para americano. As vezes querem que eu vá pros EUA e eu não vou.

OT: Alguns filmes brasileiros já são exibidos no exterior…..

AJP: Mas sabe como é lá nos festivais lá? No Oscar de melhor filme estrangeiro? Não pode ter cartaz do filme, fotos, nada. Só o nomezinho do filme na bilheteria e bem pequeno. Não pode ter cartaz. Eles só são democratas quando concordam contigo. Eu sempre digo que a democracia é lado cínico da liberdade. A ditadura não engana ninguém, se tu queres brigar com eles, tu sabes que vai ser torturado e morto. Na democracia tu vais contra eles e eles se juntam e armam algo contra ti, eles soltam algo contra ti na imprensa, até tu provares que és inocente estás desmoralizado.

Mas e filmes como Cidade de Deus, Tropa de Elite, que conseguiram um bom espaço internacional?

AJP: O Cidade de Deus é bom, Tropa de Elite também, eles mostram o aspecto social. Mas o importante é invadir o mercado. Eu noto, sim, que estamos recuperando aos poucos. Eu que eu acho é que deveria retomar a EMBRAFILME, com todos aqueles incentivos, aí sim o cinema brasileiro vai retomar o espaço que tinha antes. E claro que melhorou tecnicamente. Mas, do ponto de vista criativo, eu tenho minhas duvidas.

E o cinema dos nossos países vizinhos, chega a acompanhar?

AJP: Mas, guri, teve época que passava filmes mexicanos, argentinos, tudo isso passava. O Cantinflas era um ídolo aqui e era mexicano. Hoje nada entra. O cinema europeu também, a não ser numa Casa de Cultura ou algo parecido. No mercado, não. A Índia que é o maior mercado mundial de cinema, é totalmente desconhecida aqui. O Glauber dizia que o cinema era uma câmera na mão e uma idéia na cabeça. Hoje eu digo que o cinema atual é feito de muitas câmeras na mão e nenhuma idéia na cabeça (risos).

 Nunca pensaste em sair de Canoas?

AJP: É a minha terra. Eu não tenho vontade de ir para algum lugar. Tenho vontade de passear, de ir a Paris, que eu planejo ir. Mas lá o futebol já domina, até lá já chegou (risos). Eu queria ter nascido burro para me contentar com cervejinha e futebol.

Chuck voltou!

http://www.nbc.com/chuck/

Iniciou nos EUA a 3ª temporada do seriado Chuck. Por aqui, recomendo assistir as duas temporadas anteriores até que a Warner digne-se a iniciar apresentação da nova temporada no Brasil. Diversão garantida.

Vídeo promo da 3ª temporada

Lost, antes e depois

O site Betty Confidential publica uma comparação entre os personagens do seriado Lost cuja 6ª temporada recém iniciou. Na primeira foto como eram em 2004 e na segunda como estão agora. Os aficcionados entenderão claramente que as cenas são relativas ao dia em que os personagens embarcaram no voo 815 aind,a que em em realidades  aparentemente alternativas.


Os 6 maiores (ou melhores) detetives da história

Olá, amigos do Blog Perspectiva. Chegamos com um Top 6 detetives de todos os tempos. A lista é absolutamente definitiva: Não há erros, como poderão perceber.

Confiram abaixo:

6) Velma

Velma

Os outros personagens de Scooby Doo só servem para trapalhadas e alívios cômicos. O verdadeiro cérebro da “Mystery Machine” está com Velma, esta detetive de faro apurado. Desde jovem (podemos ver em “o Pequeno Scooby Doo) ela sempre achava uma pista.

Daphne levava a imagem, Fred a liderança, Scooby Doo o nome e Salsicha….bem, Salsicha era uma boa pessoa. Mas quem pensava mesmo nesta genial equipe era Velma, nossa 6ª colocada!

5) Ed Mort


O caricato personagem de Luís Fernando Veríssimo dos detetives de filmes hollywoodianos, Ed Mort, não poderia deixar de figurar em nossa lista. Mort trabalha em um escritório de quinta categoria, mora com baratas e um rato (chamado Voltaire, ele sempre volta!) e como pastel fiado todos os dias. Um verdadeiro lutador. E merecedor de nossa quinta colocação.

4) Dick Tracy


Ele usa roupa amarela. Ele é um jogo de Master System. Ele fez um filme – e a Madonna participa! Ele tem um relógio chamativo. Ele atira rápido e desvia dos tiros!

Só por isso Dick Tracy já é o quarto maior detetive de todos os tempos.

3) Hercule Poirot

 

poirot-suchet

 

Poirot foi estrela de dezenas de livros. Nem um pouco modesto e dono de um bigode de Leão Marinho, soluciona os mistérios com inteligência só comparável ….aos dois primeiros de nossa lista.

2) Sherlock Holmes

Holmes, ao longo de sua história, já teve várias personalidades. Já foi ponderado e pensativo. Já foi apenas cerebral. E já foi um lutador-cerebral. Com intuição apurada e o auxílio de seu fiel aliado Dr. Watson, desvenda qualquer mistério.

Não ganhou o primeiro lugar da nossa lista por pouco.

E O PRIMEIRO LUGAR VAI PARA….

1)    Mickey

Exatamente! Ninguém supera Mickey como detetive em todas as histórias já contadas. Pra começo de conversa, Mickey é um camundongo gordinho e tem uma vida pacata. Consegue conciliar seus problemas pessoais – a insistência de Ranulfo em roubar sua namorada, a fácil Minnie – com sua grande capacidade profissional de investigação. O forte João Bafo-de-Onça e o enigmático Mancha Negra jamais conseguem passar incólumes por Mickey Mouse!

Sherlock Holmes tem Watson e o ópio. Poirot tem Hastings e sua pouca modéstia. Mickey não! Trabalha quase sempre sozinho: no máximo Pateta o ajuda. E, bem, Pateta é o Pateta.

E fechamos por aqui nosso Top Detetives definitivo!