Pibe: o mascote da Copa América

Mascote da Copa América 2020 Pibe Pelúcia - Loja do Mascote Desde 2013

 

Quem está acompanhando a Copa América deve ter percebido a presença de um pequeno cãozinho nas transmissões. Trata-se de “Pibe”, o mascote oficial da competição realizada no Brasil.

“Pibe” é um vira-lata caramelo e tem pai argentino e mãe colombiana, representando a ideia original de realizar a Copa América nesses dois países. A ideia foi abortada – a Copa está sendo realizada no Brasil – mas a filiação do bichinho continua a mesma.

O nome do animalzinho faz referência à expressão espanhola para designar “menino”, comum a vários países vizinhos, e representa todos os cachorrinhos que invadem campos na América do Sul – uma marca registrada das competições em nosso continente.

Um exemplo famoso desses trepidantes eventos aconteceu durante a Copa do Mundo de 1962, no Chile. Na ocasião, um cachorro invadiu o campo durante a partida Inglaterra x Brasil, válida pelas quartas de final. Vários jogadores brasileiros e ingleses tentaram agarrar o bichinho, sem sucesso, até que o atacante inglês Jimmy Greaves teve uma ideia: resolveu imitar, ele próprio, um cachorro para atrair o invasor e tentar retira-lo de campo. Foi bem sucedido, como se pode ver no vídeo abaixo, e a encarnação “sixtie” de “Pibe” saiu da cancha:

 

Escócia x Inglaterra: o clássico de seleções mais antigo do mundo

SCOTLAND 2-0 ENGLAND / Archive 1974 // Official Scotland - YouTube

Escócia x Inglaterra no começo dos anos 1970: o escocês Jimmy Johnstone (em azul) tenta o drible diante do inglês Norman Hunter.

Uma das cenas mais famosas do filme “Trainspotting” é aquela em que Mark Renton, interpretado por Ewan McGregor, dirige-se a seu amigo Tommy enquanto os dois contemplam uma montanha das Highlands escocesas. Suas palavras são as seguintes:

“É uma merda ser escocês! Nós somos o que há de mais baixo, a escumalha da porcaria do planeta inteiro! O lixo mais desgraçado, miserável, servil, patético que já se viu na civilização. Alguns odeiam os ingleses. Eu não. Eles são só uns idiotas. Nós, por outro lado, somos colonizados por idiotas. Não conseguimos sequer achar uma cultura decente para nos colonizar. Nós somos governados por imbecis decadentes!”

O ex-abrupto de Mark Renton é divertido, mas impreciso: a Escócia nunca foi exatamente uma colônia inglesa, e os escoceses provaram, em vários momentos, que não são nenhum lixo servil. De todo modo, esse trecho do filme reflete algo do sentimento dos escoceses quando  Inglaterra e Escócia entram em confronto, seja na política, na economia ou no futebol. Sentimento que, certamente, estará presente no jogo do dia 18 de junho, quando as duas seleções perfilarem no estádio de Wembley para a disputa da segunda partida da fase de grupos da Eurocopa 2020.

De onde vem esse sentimento? Alguns fatos o explicam. Em primeiro lugar,  a União entre Inglaterra e Escócia, consolidada a partir do Ato de União de 1707, nunca foi um acordo entre iguais. Por mais que os escoceses tenham participado do Império Britânico em todos os níveis e setores, a condução de toda a empresa colonial e de todos os afazeres internos de governo foi, em última análise, dos ingleses, a parte mais populosa e poderosa do Reino Unido. E é assim até hoje: no recente referendo do Brexit, que sacramentou a saída dos britânicos da União Europeia, a Inglaterra votou maciçamente a favor da proposta – mas a Escócia votou contra. Só que os ingleses são 55 milhões, e os escoceses, pouco mais do que cinco milhões. O combustível para o movimento nacionalista escocês, que busca separar o país do Reino Unido, são situações de desigualdade como essa. A União não é tão “unida” assim.

Tudo isso entra em campo. Mas o campo é, sobretudo, o espaço do futebol, e a rivalidade entre ingleses e escoceses nessa área se dá, first and foremost, por motivos desportivos. Tudo começou no dia 30 de novembro de 1872 – dia de Santo André, padroeiro da Escócia – quando os selecionados de cada país se enfrentaram pela primeira vez. O jogo teve lugar no campo de críquete Hamilton Crescent, em Glasgow , na Escócia, sede do West of Scotland Cricket Ground. Quatro mil pessoas pagaram um shilling para assistir à partida, que terminou em 0 a 0.

International Football Match Scotland vs England 1872 large steel sign 400mm x 300mm ogu

A essa partida sucederam-se várias outras nos anos subsequentes, até o momento em que ingleses e escoceses decidiram fazer uma partida anual entre as duas seleções. Aos poucos, as federações dos outros constituintes do Reino Unido – País de Gales e Irlanda do Norte – também passaram a organizar jogos. Foi criado, assim, o Home Championship, torneio envolvendo os quatro países realizado anualmente até 1984.

Até hoje, o clássico conta 113 partidas, com 48 vitórias inglesas, 41 vitórias escocesas e 24 empates. A diferença de população entre os dois países sugeriria uma discrepância maior em favor dos ingleses. Seria o caminho natural não fosse a absoluta supremacia escocesa nas primeiras décadas da disputa, favorecida pelo desenvolvimento tático da Escócia em relação à Inglaterra: enquanto os ingleses disputavam um estilo de jogo semelhante ao do rugby, com muitos lançamentos e correria, os escoceses foram os primeiros a desenvolver um sistema com passes curtos, movimentação, dribles e organização por setores. Pode parecer estranho visto de hoje, mas a Escócia tinha, até pelo menos os anos 1980, a fama de celeiro de jogadores habilidosos, porém pouco disciplinados, semelhante à da antiga Iugoslávia. Bill Shankly, ex-treinador do Liverpool (e que era escocês) dizia que um time deveria ter até três escoceses para vencer um torneio; a partir do quarto, começavam os problemas.

Isso, repito, até os anos 1980. Hoje em dia, Inglaterra e Escócia pertencem a mundo separados no futebol mundial. Os ingleses são presença garantida em todas as grandes competições, enquanto a Escócia participa da Eurocopa após mais de duas décadas sem classificar-se para nenhum torneio importante. Os escoceses celebraram muito; mas a celebração durou pouco: logo na estreia, nesta segunda, perderam por 2 x 0 para os tchecos. Quanto aos ingleses, venceram os croatas por 1 x 0 com autoridade e firmeza. O enfrentamento do dia 18 trará esses dois velhos adversários para o mesmo campo, e os ingleses têm nítida vantagem. Mas irão enfrentar um adversário que, além de precisar vencer, entrará em campo decidido a provar que Mark Renton – e aqueles que concordam com ele – estão totalmente errados.

 

Gary Neville e a Superliga Europeia

Sempre gostei de Gary Neville. Acompanhei boa parte dos quase 20 anos – entre as décadas de 1990 e 2000 – em que defendeu a lateral-direita do Manchester United e da seleção inglesa.

Foi a época da ascensão dos laterais ofensivos – os alas, na nova terminologia – aos quais foi dada a tarefa de municiar os atacantes com cruzamentos e investidas no campo do adversário. Neville não era assim: à maneira dos antigos homens de lado de campo – para citar brasileiros: um Zé Maria, um Everaldo, um Wladimir – sua principal função era a de compor a linha de quatro defensiva e dar cobertura para os avanços dos meio-campistas. Na memória dos torcedores do United, ele sempre figurará pela sua capacidade de marcação, sua noção perfeita de posicionamento e sua dedicação total à equipe. Na era de Cafu, Zanetti, Brehme, Roberto Carlos, Ashley Cole e tantos outros, Neville parecia um resquício de outro tempo.

O camisa 4 dos Reds aposentou-se em 2011. Desde então, empunha o microfone da Sky Sports no Reino Unido, onde comenta jogos e comanda entrevistas. Às vezes, lança opiniões políticas: já se posicionou contra o racismo no futebol, criticou o primeiro-ministro conservador Boris Johnson pela má gestão da pandemia e comemorou o impeachment de Donald Trump.

Sua última opinião polêmica foi dada ontem. Trata da nova Super Liga de clubes europeus. As palavras de Gary Neville acerca dessa insanidade provam que, também fora dos campos, ele parece ser um homem de outro tempo. O que , pelo menos nesse caso, é sem dúvida um elogio.

A noite em que Renato Portaluppi conheceu Maradona

Fazia muito frio em Porto Alegre naquela noite de 26 de junho de 1980. Apenas 11.001 gremistas compareceram ao Estádio Olímpico para assistir a um amistoso, contra o Argentinos Juniors, que comemorava a reinauguração da velha casa tricolor. Foram dois anos de reformas gerais, culminando na conclusão do anel superior, velho sonho dos torcedores. Muito pouco para uma noite histórica. E histórica não só pela reabertura do estádio, mas também pela presença em campo de um dos maiores jogadores de todos os tempos – um jogador que decididamente merecia um público muito maior para acompanha-lo: o argentino Diego Armando Maradona. 

Na época, Maradona era ainda uma grande promessa – mas uma promessa que atraía olhares: onde ponteava a camiseta alvi-rubra do Juniors – apelidado “El Bicho” pelos seus torcedores -, corriam atrás as câmeras, os microfones e os olhares atentos dos torcedores, que brilhavam com a mágica habilidade do menino pobre de Villa Fiorito, no conurbano de Buenos Aires. Não foi diferente em Porto Alegre: a imprensa local noticiou extensamente  a presença de Maradona e o quanto os argentinos esperavam dele para a próxima Copa do Mundo, em 1982.

O Grêmio, por sua vez, trazia uma equipe mista. Alguns titulares, como Leão, Newmar, Vítor Hugo e Baltazar, dividiam espaço com jovens promessas como o meio-campista Jorge Leandro, que vinha sendo muitíssimo elogiado pela imprensa. Outra promessa acabara de desembarcar do Esportivo de Bento Gonçalves, trazido pela mão do treinador Valdir Espinosa, responsável pela casamata naquela noite. Como se pode imaginar, falamos de Renato Portaluppi. 

Renato havia estreado pelo Tricolor onze dias antes, em um jogo contra o Comercial, no Mato Grosso do Sul. Aos 17 anos, já chamava a atenção pela velocidade, pela força física e pela habilidade, características que viriam a marcar sua trajetória como jogador. Na partida daquela noite, foi escalado como ponta-direita do ataque comandado pelo grande Baltazar e pelo excelente ponta-esquerda baiano Jésum. Atrás deste trio ofensivo, vinha Jorge Leandro, responsável pela armação, devidamente protegido pelos volantes Vítor Hugo e Kiese. 

Os relatos da partida dão conta de uma excelente atuação de Jorge Leandro, autor do único gol da partida aos 82 minutos, e de uma destacada participação de Renato, puxando contra-ataques nas costas dos laterais argentinos. Quanto a Maradona, alternou lampejos de jogadas brilhantes com momentos de timidez, provavelmente receoso da marcação implacável de Vítor Hugo, destacado para anulá-lo. 

Ao final do jogo, após a troca de camisetas, o então jovem Maradona vestiu o manto tricolor e posou para a foto que ilustra esse texto. Quarenta anos depois, o outro jovem presente naquela noite, Renato Portaluppi, vestiria a camiseta 10 da seleção argentina, que aquele menino de Villa Fiorito viria a consagrar. De certa forma, retribuiu a gentileza. 

Luiz Ávila / Agencia RBS

 

Grêmio Imortal: Pequenas Histórias
Maradona cercado por jogadores do Grêmio – incluindo Renato à direita.

 

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História do escudo do Botafogo

Conhecido como o Clube da Estrela Solitária, o Botafogo de Futebol e Regatas começou sua vida esportiva com escudos que enfatizavam a primeira atividade do clube – os esportes aquáticos – e faziam alguma referência pontual ao principal símbolo que ficaria associado ao clube. 

Isso fica claro no primeiro escudo do clube, datado de 1894, quando ainda era chamado Clube de Regatas Botafogo. O escudo faz referência ao remo, à sigla do nome do clube e à estrela, representando a Estrela D’Alva, visível no céu nas madrugadas cariocas, hora em que os remadores acordavam para treinar. 

Esse escudo foi utilizado até 1904, sendo substituído por outro, contendo apenas as letras entrelaçadas, representando a sigla do nome do clube.

Em 1919, o Botafogo lança um novo escudo, reabilitando a estrela de uma maneira diferente: o contorno do escudo ganha a forma dela, com a sigla no seu interior. 

 

Esse escudo foi utilizado até 1942, quando o clube finalmente assumiu-se como o clube da Estrela Solitária. Em vez de combinações de letras, apenas a Estrela D’Alva em um fundo escuro representando o céu. Esse distintivo é utilizado até hoje.

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A história do escudo do Fluminense

O Fluminense leva em seu hino a referência às “três cores que traduzem tradição”, marca registrada do clube. Mas não desde sempre: poucos sabem, mas a primeira camiseta do cariocas eram bem diferente da atual – e isso se reflete no escudo adotado nela. 

A primeira camiseta não era tricolor, e sim bicolor: uma metade branca e a outra, acinzentada. O primeiro escudo do clube – utilizado em 1902 – reflete essas cores. 

Em 1905, o Fluminense mudou a camiseta para o modelo que hoje conhecemos e, com essa mudança, veio a do escudo: três letras referindo-se ao nome do clube entrelaçadas, com as três cores do clube no interior do distintivo. 

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O escudo durou até 1950, quando o Fluminense mudou alguns detalhes referentes ao desenho das letras:

E, por fim, em 2002 surgiu a nova versão do escudo, com linhas mais bem definidas. O Fluminense é um dos grandes clubes brasileiros com menos mudanças no desenho de seu distintivo ao longo do tempo.

 

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A história do escudo do Vasco da Gama

Clube ligado para sempre à comunidade portuguesa no Rio de Janeiro, o Vasco da Gama foi – como seu rival,o  Flamengo – fundado como clube de esportes náuticos, em 1898. Anos depois, incorporou o futebol ao seu rol de atividades.

O primeiro escudo do Vasco da Gama data de 1898, ano da fundação. A belíssima imagem da nau lusitana inscrita em um círculo com cruzes durou até 1903.

Conheça o mais antigo brasão do Vasco, que já era utilizado em 1899 - NETVASCO

Em 1903, uma variação: um círculo com bordas pretas, onde está escrito o nome do clube, e, dentro dela, a imagem da nau vascaína.

Vasco da Gama - BRA: 1903 | Vasco da gama, Imagens do vasco, Vasco da gama futebol

Em 1920, o Vasco da Gama lançou um escudo semelhante ao que conhecemos hoje: um escudo em preto, com as iniciais do clube nos dois lados da imagem e uma faixa branca atravessando-a. A imagem foi utilizada até 1980.

 

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Em 1980, uma variação mais moderna da imagem foi lançada. A cruz de Malta ganhou um colorido vermelho por dentro, e o navio ocupa um espaço maior dentro do emblema.

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Por fim, em 2012, o escudo que os vascaínos usam até hoje. O casco da nau foi colorido , a cruz de Malta reduzida e as letras foram ligeiramente modificadas

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A história do escudo do Palmeiras

Fundado em 1914, o Palmeiras mudou várias vezes ao longo de sua história – inclusive no nome: até 1942, chamava-se Palestra Itália. As mudanças de escudo refletem as muitas fases pelas quais o clube passou em sua história.

O primeiro escudo foi utilizado logo no ano da fundação. As cores eram as mesmas da bandeira da Itália. As referências à Península estão explícitas no nome de maior relevo no escudo – a palavra “Itália”, embaixo.

O clube foi obrigado a mudar de nome em 1942, graças à campanha de nacionalização do governo Vargas. A simbólica italiana desapareceu e foi substituída por um escudo com as cores do Brasil, que durou alguns meses:

 

No fim de 1942, veio o terceiro escudo com o novo nome do clube: Palmeiras.

 

Mas as camisetas do Palmeiras nem sempre estamparam o escudo oficial do clube. Em vários momentos, apenas um pequeno símbolo foi impresso em um dos lados do peito dos jogadores.

O primeiro deles, de 1915, era apenas um “P” de Palestra:

 

Em 1916, foi escolhida um Cruz de Savoia, símbolo da Realeza Italiana, para adornar a camiseta:

Em 1917, voltou a referência ao nome do clube, com as letras P e I entrelaçadas. Esse modelo seguiria, com algumas alterações, nos anos posteriores.

1918

 

1919

1928

1937

A campanha de nacionalização de 1942 forçou a mudança de nome do clube para “Palmeiras”. Assim, o I entrelaçado ao P desapareceu.

A história do escudo do Corinthians

Fundado em 1 de setembro de 1910 – há 110 anos, portanto – o Corinthians teve, ao longo de sua existência diversos escudos e camisetas. Seu nome deriva do clube inglês Corinthian-Casuals, um dos principais times britânicos da era do amadorismo, que, durante visita ao Brasil nos anos 1900, venceu todas as partidas e motivou um grupo de jovens paulistanos a formar uma equipe local. 

O primeiro escudo corintiano data de 1913, época do primeiro jogo oficial do clube.

 

 

Em 1914, o Corinthians criou outro escudo, para disputar a liga paulista (abaixo).

Em 1915, o Corinthians voltou a disputar competições após um ano parado e, assim, o clube criou um novo escudo, desenhado por Hermógenes Barbuy.

Um ano depois,o mesmo Hermógenes Barbuy criou outro escudo, usado no Paulista daquele ano.

E, em 1917, Barbuy desenharia ainda outro:

Em 1919, um novo distintivo trazia a bandeira do Estado de São Paulo. Esse distintivo foi utilizado pelos corintianos durante muitos anos.

Em 1940, o artista e ex-atleta do Corinthians, Francisco Rebolo, elaborou  mais um escudo do clube, desta vez com referência à equipe de remo

Em 1980, o velho escudo desenhado por Rebelo foi remodelado, substituindo a boia do distintivo anterior por uma corda de remo. Este é o escuto utilizado até hoje. 

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História do escudo do Flamengo

Fundado em 1895, o Clube de Regatas do Flamengo não era, inicialmente, um clube de futebol: suas primeiras atividades, como o nome já sugere, foram os esportes aquáticos, e

Essa história se reflete na adoção dos escudos do clube. O primeiro, datado do ano de fundação, é este abaixo, e revela a vinculação náutica do clube: pás de remo e uma âncora compõem a formação do emblema.

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Logo no ano posterior, 1896, o escudo do Flamengo ganhou detalhes em dourado e um design um pouco diferente. Este escudo foi reutilizado em algumas camisetas retrô do clube, lançadas ao longo dos últimos anos:

Escudos Do Flamengo | SÓ FUTEBOL™ Amino

 

Em 1912, o Flamengo já tinha um time de futebol e a camiseta com as listras em preto e vermelho que hoje conhemos. Foi preciso lançar um novo escudo.

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O Flamengo utilizou o escudo anterior até 1981, ano em que foi campeão mundial. Naquele ano, colocou uma estrela em cima do emblema e modificou um pouco o posicionamento das letras, aproximando-as. O resultado foi este:

Escudo usado até 2018

Até hoje, este é o escudo utilizado pelo clube. No entanto, as camisetas do Flamengo estamparam, em vários momentos, apenas a combinação de letras que aparece no canto superior esquerdo do emblema. Em muitos jogos do período entre 1895 e 1944, foi esta imagem que apareceu nas camisetas rubro-negra:

Escudo flamengo

No ano de 1981, a combinação foi esta:

Escudo do ano mágico

Após a final contra o Liverpool, em 1981, o escudo ficou assim:

Escudo com a estrela do campeonato mundial

 

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Fotos inéditas da final do Mundial Interclubes de 1983 – Grêmio x Hamburgo

No aniversário de 35 anos da decisão do Mundial Interclubes entre Grêmio x Hamburgo, o torcedor gremista acaba de ganhar um presente: uma série de fotos inéditas da partida.

O responsável pelo presente é o japonês Masahide Tomikoshi. Lenda viva da fotografia em seu país, Tomikoshi foi, entre 1981 e 2016, o fotógrafo oficial das finais do Mundial Interclubes disputadas em Tóquio, época em que a capital japonesa recebeu o certame. Há alguns meses, ele abriu o baú de velhos negativos das partidas que cobriu e vem publicando as revelações em suas contas no twitter e no Instagram, para deleite dos torcedores do mundo todo.

Nessa semana, foi a vez do Grêmio. As fotos mostram disputas de bola, os momentos antes e depois do jogo, os gols e a consagração do ponta-direita Renato, o principal nome da partida. A frequência com que alguns jogadores aparecem nas fotos mostram a leitura que Tomikoshi fez da partida: do lado tricolor, os mais fotografados foram Renato, autor dos dois gols, e Mário Sérgio, que dominou as ações no meio-campo gremista. Do lado alemão, receberam destaque o meia Félix Magath, craque da equipe, e o líbero Ditmar Jakobs – ambos titulares da seleção alemã.

As fotos abaixo foram publicadas no twitter oficial de Tomikoshi, que traz também registros de Copas do Mundo e torneios amistosos envolvendo clubes sul-americanos, europeus e norte-americanos em território nipônico.

 

 

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Disputa de bola entre Renato, do Grêmio, e Ditmar Jakobs, do Hamburgo.

Mário Sérgio

Comemoração do gol de Renato

Gol do Hamburgo aos 44 minutos do segundo tempo, marcado pelo lateral-esquerdo Schröder

Ditmar Jakobs e Paulo Cézar Magalhães

Félix Magath, do Hamburgo, e Osvaldo, do Grêmio. Craque da seleção alemã, duas vezes vice-campeão do mundo (1982 e 1986), Magath é considerado por muitos o maior jogador da história do Hamburgo.

O capitão do Hamburgo, Félix Magath, ao lado do treinador Ernst Happel. Vice-campeão do mundo com a “Laranja Mecânica” holandesa em 1978, o vienense Happel é uma lenda do futebol europeu, duas vezes vencedor da Liga dos Campeões: em 1983, com o Hamburgo, e em 1970 com os holandeses do Feyenoord.

Momento do segundo gol de Renato. No seu encalço, o lateral-esquerdo Schröder, autor do gol do Hamburgo.

Ditmar Jakobs, do Hamburgo, após o jogo e a troca de camisetas. Líbero da seleção alemã, Jakobs era um dos melhores zagueiros do mundo nos anos 1980. Três anos depois, em 1986, faria uma partida memorável na história semi-final Alemanha x França na copa do México, anulando o poderoso ataque francês. Pela sua dedicação em campo, ganhou dos jornais alemães o título de “último guerreiro da Bundesliga”.

Renato

Da esquerda para a direita: Mário Sérgio, Paulo Roberto e De León

Comemoração ao fim do jogo. Note-se a presença de bandeiras do Grêmio ao fundo.

Comemoração dos gremistas, com o presidente do clube, Fábio Koff, levantando a taça. Destaque para o jornalista Paulo Sant’anna, sentado na pista ao lado do presidente. Ao fundo, à direita, os jogadores do Hamburgo vestindo as camisetas tricolores que ganharam após a troca de uniformes.

Osvaldo, De León e Tarciso

A história da camiseta da seleção uruguaia em Copas do Mundo

A camiseta da “Celeste Olímpica” pertence ao restrito grupo de uniformes que nunca mudaram desde o começo das copas. O formato celeste foi criado em 1910 e utilizado desde então em todas as competições – incluindo as Olimpíadas de 1924 e 1928, que a seleção charrua venceu e às quais deve a sua famosa alcunha.

A seguir, a lista dos modelos utilizados pelos charruas nas copas do mundo:

 

1930

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A primeira camiseta da seleção uruguaia em copas do mundo tinha, à maneira da época, um cordão de amarrar e golas polo. Foi bem sucedida, como havia sendo até então, com os dois títulos olímpicos: venceu a final em Montevideo contra a Argentina por 4 x 2.

 

1950-1954

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A Celeste ficou duas copas do mundo – 1934 e 1938 – sem participar do torneio. Retornou em 1950, com um uniforme renovado, mostrando as golas em V típicas daquele período e listras brancas nos braços. Mais uma vez, o uniforme deu sorte: venceram o Brasil no Maracanã por 2 x 1. A camiseta se repetiu, sem alterações, na copa seguinte – a de 1954 – , quando a celeste alcançou as semifinais. Um resultado bastante positivo.

1962-1966-1970

Imagem relacionada

Após disputar as eliminatórias com um time envelhecido – eram praticamente os mesmos de 1950 -, o Uruguai não se classificou para a copa de 1958. Voltou às copas em 1962, com uma geração renovada cheia de craques: o goleiro Mazurkiewicz, o zagueiro Ancheta, o meia Pedro Rocha e o ataque Cubillas. E trouxe um uniforme levemente diferente: a gola em “v” aumentou de tamanho e as listras brancas ficaram mais grossas. O mesmo uniforme repetiu-se em 1966, quando a celeste chegou às quartas de final, e em 1970, quando chegou à semifinal, perdendo para o Brasil.

 

1974

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A Celeste classificou-se para a copa seguinte, mas não fez boa figura: caiu na primeira fase. Seria o início de um longo inverno para os uruguaios, que não se classificariam para uma copa. Na camiseta desta copa, um destaque: a presença, pela primeira vez, da fabricante – a Adidas – com a sua logomarca no lado direito do peito.

 

1986

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O Uruguai só voltaria a se classificar para uma copa do mundo em 1986, com uma nova e muito boa geração de jogadores – Rodolfo Rodríguez, Hugo De León e Enzo Francescoli – e uma camiseta com frisos azuis nos braços, ao contrário de todas as anteriores. E um novo fabricante: a Lecoqsportif, marca francesa.

1990

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Nesta copa, mudou o fabricante – a Puma substituiu a Lecoqsportif – e o modelo ganhou listras verticais à maneira de uma marca d’água, como era comum nos uniformes dos anos 90. O desempenho da Celeste naquela copa foi razoável – chegou às oitavas de final – mas os anos 90 não foram bons para os uruguaios: ficaram fora das copas de 1994 e 1998, mesmo tendo uma geração razoavelmente boa de jogadores.

2002

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A camiseta do retorno uruguaio às copas do mundo é uma ode à tradição: golas em formato polo e um laço para uni-las, como a utilizada na copa de 1930. A referência ao passado, contudo, não se refletiu em bons resultados em campo: o Uruguai caiu na primeira fase, após uma épica partida contra o Senegal, empatando em 3-3 após estar perdendo por 3 x 0. Não fosse um gol perdido por Morales no último minuto, essa camiseta poderia ter ido mais longe.

2010

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A Celeste foi para a copa de 2010 totalmente desacreditada: quase ficou de fora nas eliminatórias. Contrariando as melhores expectativas dos charruas, a seleção uruguaia ficou em primeiro lugar no seu grupo e chegou à semifinal disputando uma epopeia nas quartas-de-final contra Gana, quando venceu nos pênaltis. A camiseta da Celeste, a nosso juízo, não fez jus ao tamanho daquele feito: um modelo com detalhes em branco ao lado e sóis como fundo no peito não foi a escolha mais adequada para uma belíssima combinação de cores.

2014

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Em 2014, a Celeste retornava, 64 anos depois, ao Brasil. Dessa vez, a camiseta não fazia referência ao passado: a Puma escolheu um modelo parecido com o das demais seleções que patrocinou. Uma gola com listras douradas e brancas levemente aberta no meio foi a marca distintiva. Assim como em 1950, a copa terminou para os uruguaios no Maracanã – mas, desta vez, sem vitória: foram eliminados pelos colombianos após perderem por 2 x 0.

 

A história da camisa do Corinthians

O clube inglês Corinthian Football Club ostentava, no começo do século XX, um curioso título: o de “maior clube amador do mundo”. Na época, o futebol já se profissionalizara na Inglaterra e as antigas agremiações nascidas sob o amadorismo buscavam maneiras de manter-se no novo sistema. No entanto, o estatuto do clube impedia expressamente a participação de qualquer tipo de copa ou competição que envolvesse prêmios financeiros; a razão, diziam os fundadores, era evitar o estímulo à financeirização do futebol e a perda dos antigos ideais esportivos – presentes, aliás, no próprio nome do clube, uma referência expressa à cidade grega de Corinto, conhecida pelo seu estímulo ao esporte.

A profissionalização do futebol nas Ilhas Britânicas empurrou o Corinthian para longe: o clube passava boa parte do ano em excursos pelo mundo, difundindo o esporte em novos locais. Um desses locais foi a cidade de São Paulo, onde, em 1910, o clube enfrentaria alguns combinados locais, obtendo estrondosas vitórias e chamando a atenção dos então raros praticantes do esporte. Um desses praticantes era um grupo de jovens paulistanos que, em homenagem aos visitantes, fundaria, em 1913, o Sport Club Corinthians Paulista.

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Foto da excursão do Corinthian em São Paulo, em 1910

O Corinthian inglês jogava com calções pretos e camiseta branca, uniforme que, mais tarde, inspiraria o kit da própria seleção inglesa – e, segundo algumas hipóteses, nada menos do que o Real Madrid, após uma série de vitoriosos amistosos na Espanha. Ao fundar a versão brasileira, os corinthianos de São Paulo tentaram reproduzir o uniforme dos seus inspiradores.  No entanto, devido à dificuldade de encontrar tecido preto em São Paulo por preços razoáveis, a solução foi fazer um kit todo branco. É o que se vê, por exemplo, nesta foto, logo abaixo, do time do Corinthians de 1914.

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O uso dos calções brancos era uma imposição da necessidade: o objetivo era mesmo homenagear o Corinthian inglês em tudo, literalmente dos pés à cabeça. Assim, quando o preço do tecido preto começou a cair no Brasil, por volta da virada da década de 1910 para 1920, o Corinthians Paulista passou a fabricar calções pretos, como seus mestres ingleses. É o que se vê nesta foto, de 1924:

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A partir daí, a combinação corintiana nunca mais mudaria. O mesmo não pode-se dizer do seu inspirador:  o Corinthian inglês unir-se-ia, em 1939, ao Casuals Football Club, outro time amador e formaria o Corinthian-Casuals Football Club – que até hoje existe. A camiseta do Casuals, rosada, foi a escolhida pelo novo clube, que ainda a utiliza em seus jogos. Por ironia do destino, aquele uniforme branco e preto, que tanto impacto teve no mundo do futebol, e que foi sinônimo de espírito desportivo desinteressado, permaneceu vivo somente nos discípulos do velho Corinthian – em particular, no único discípulo que levou seu nome. Talvez seja isso que o Hino do Corinthians queira dizer quando diz que seu “passado é uma bandeira”.

 

Os mascotes dos clubes da série A do Brasileirão

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Os mascotes de clubes de futebol são quase tão antigos quanto o próprio futebol: há registros que, já nos anos 1880, os clubes ingleses eram representados por bichinhos e personagens que traziam alguma característica que lhes distingua – uma cor, um aspecto cultural ou da “personalidade” de seus torcedores. E assim tem sido desde então: os mascotes são a representação – em forma humana, animal ou qualquer outra – da alma de um clube. Sua escolha, no entanto, às vezes obedece critérios estranhos: um fato fortuito vivido pelo clube, uma pessoa em particular ligada a ele ou simplesmente uma brincadeira entre rivais.

A seguir, apresentamos uma lista dos mascotes dos clubes brasileiros da série A.

América (MG) – Coelho

COELHO AM MG

O coelho do América Mineiro surgiu do trabalho do cartunista Mangabeira, criador dos mascotes dos principais clubes de Minas Gerais. Segundo o desenhista, o América era “um clube aceso, sempre pronto para o que desse e viesse. Ao mesmo tempo, era um clube delicado, de torcida fina. Um coelho, não é?”.

Atlético Goianiense-Dragão

.O Mascote do Atlético é um Dragão. Sua origem está relacionada à figura mitológica do Dragão Chinês, como símbolo de poder e sorte na luta contra seus inimigos.

Os dirigentes do Atlético escolheram o Dragão como Mascote pois esse símbolo foi popularizado e tinha grande apelo junto aos moradores do bairro de Campinas nos anos 30 com os filmes de Kung Fu exibidos nas sessões do Cine Teatro Campinas.

Atlético Mineiro – Galo

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Assim como seu conterrâneo alviverde, o Galo Mineiro surgiu das mãos do cartunista Mangabeira. A escolha se deu a partir da auto-imagem dos atleticanos como atletas que nunca desistem em campo; segundo o cartunista, “o Atlético sempre foi um time de raça. Mais parece um galo de briga, que nunca se entrega e luta até morrer!”. Numa época em que as rinhas de galo ainda eram uma diversão popular, a associação foi imediata.

Athletico Paranaense – Cartola

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O atual Cartola atleticano surgiu de uma escolha genuinamente popular: foi votado pela Internet em 2010. A vinculação do clube do Paraná com a elite paranaense – que ia de fraque e cartola para o estádio no começo do século XX – é o motivo da escolha. O Atlético-PR também é conhecido como Furacão – e, por essa razão, a eleição de 2010 consagrou o Furacãozinho como mascote infantil.

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Bahia – Super-homem Tricolor

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Conhecido como “Esquadrão de Aço”, o Bahia escolheu o Homem de Aço para representá-lo: o Super-Homem Tricolor foi desenhado em 1979 pelo cartunista Ziraldo e ganhou, em 2014, a sua companheira feminista, a Lindona do Bahêa, uma releitura da Mulher Maravilha.

Bragantino-Leão de Bragança e Toro Loko

Em 1944, o Bragantino venceu o AA América pelo Campeonato Municipal. Em homenagem à conquista, o presidente do clube naquele ano, Cícero Marques, mandou fazer um quadro com a figura do Leão, que se tornaria o mascote do time. Desde 2020, o velho Leão ganhou a companhia do Toro Loko o  jovem e novo mascote do Massa Bruta.

Cuiabá- Peixe Dourado

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O Dourado é um peixe típico de água doce da região mato-grossense. Por ser considerado valente e brigador foi escolhido para ser o mascote do clube.

Ceará – Vovô

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““Vamos, meus netinhos, vamos aprender bem para açoitar o Fortaleza. Mas respeitem o Vovô aqui”. Assim o dirigente do Ceará, Meton de Alencar Pinto, dirigia-se para os jogadores do América local que treinavam no estádio do Ceará – o mais antigo clube daquele Estado, fundado em 1914. O paternalismo do “Vovô” cearense virou mascote com o passar do tempo e, hoje, os torcedores do clube cantam em homenagem ao “Vozão”.

 Chapecoense – Índio condá

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Antes da chegada dos europeus ao Oeste catarinense, a região era habitada pelos índios kaingang. Liderados pelo chefe Condá, os índios conseguiram, após anos de lutas, que o governo brasileiro reconhecesse suas terras e impedisse que os colonizadores as tomassem à força. A Chapecoense homenageia a garra do índio local, que ganhou ainda mais popularidade entre os torcedores após o trágico acidente sofrido pela equipe, em 2016.

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Corinthians – Mosqueteiro

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Uma briga de cartolas levou o campeonato paulista de 1913 ser disputado apenas por 3 clubes: Americano, Germânia e Inter de Limeira – apelidados de “Três Mosqueteiros” pela imprensa da época. O então recém-fundado Corinthians entrou como a quarta equipe – o “Quarto mosqueteiro”, como o “Dartagnan” da história original de Alexandre Dumas.

 Flamengo – Urubu

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Estamos em 1969. É dia de Flamengo e Botafogo, então os dois melhores times do Rio de Janeiro. Como de costume, os torcedores do Fogão chamam os flamenguistas de “urubus” nas arquibancadas- uma referência explícita à grande presença de afro-descendentes entre os flamenguistas. Eis que, antes do jogo, um imenso urubu voa pelo campo com uma bandeira do Flamengo presa nas asas. Provocação botafoguense? Nada disso: um grupo de flamenguistas resolveu assumir o animal como mascote a partir daquele dia, como forma de esvaziar o insulto dos rivais. Resultado: o Flamengo venceu por 2 x 1 e o urubu virou o mascote oficial do clube.

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Fluminense – Guerreirinho

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Identificado com a classe alta carioca, o Fluminense tinha, até recentemente, o Cartola como seu mascote tradicional. O uso da expressão para designar pejorativamente os dirigentes de clubes fez o Tricolor carioca abrir votação para a escolha de um novo mascote. O vitorioso foi o Guerreirinho – um cavaleiro medieval envergando as cores do Fluminense.

Fortaleza- Rei Leão do Brasil

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O mascote do Fortaleza Esporte Clube foi criado no final da década de 1960. Escolhido pela garra que remete ao leao no sentido de representar a força e tradição do clube.

Grêmio – Mosqueteiro

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Criado em 1946 pelo chargista Pompeu, da “Folha da Tarde”, o mascote apareceu pela primeira vez em um desenho sobre o Campeonato Gaúcho de 1946, onde cada clube foi representado por um personagem a cortejar a moça Rosinha, que representava a taça. Uma das explicações para a escolha está na cor do uniforme dos mosqueteiros franceses, azul com frisos em preto e branco. O Grêmio logo adotou o personagem e, já em 1946, lançou a revista do clube, a “Mosqueteiro”.

Internacional – Saci Pererê

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O mascote colorado é uma figura do folclore sul-brasileiro. A lenda do Saci-Pererê surgiu entre os índios guaranis, habitantes da região noroeste do Rio Grande do Sul, e conta a história de uma entidade de uma perna só, brincalhona e travessa, que se diverte aprontando para os humanos. O Internacional adotou o mascote nos anos 50 para representar sua origem popular e, assim como o rival Grêmio, escolheu-o para nomear a sua revista oficial: “O Sacy”, publicada a partir dos anos 1960.

Juventude -Periquito  Jaconero

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Palmeiras – Periquito e porco

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O Palmeiras tem, oficialmente, dois mascotes: o primeiro é o Periquito,adotado já em 1917 pela torcida palmeirense, fazia referência à grande quantidade de periquitos que habitavam os bosques no entorno do estádio Palestra Itália. O segundo é o porco, que tem origem mais recente: surgiu no contexto da Segunda Guerra Mundial como termo pejorativo para designar os imigrantes italianos, fundadores do clube e vindos de um país inimigo do Brasil naquele momento. Durante muito tempo, foi considerado um apelido ofensivo pelos palmeirenses, até que, nos anos 80, as torcidas organizadas do clube o adotaram como mascote, neutralizando assim a ofensa xenófoba.

Santos – Baleia

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A origem do mascote do Santos é óbvia: sendo uma cidade portuária, a cidade de Santos é frequentemente visitada por esses imponentes mamíferos. O Santos FC adotou a baleia nos anos 40 e o mascote ganhou novas versões, como a dupla Baleião e Baleinha, que anima dos jogos da Vila Belmiro e é responsável por momentos engraçadíssimos. 

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São Paulo – Santo Paulo

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O mascote do São Paulo surgiu na década de 40, criado por um cartunista do jornal “Gazeta Esportiva”, de São Paulo, e representa o santo cristão original como um velhinho, pois teria morrido com 60 anos de idade. Chamado de “Santo Paulo” para não confundir com o nome do clube, o mascote é representado em todos os jogos do Tricolor pelo funcionário Severino Bianchi há mais de 15 anos.

Sport Recife – Leão

Resultado de imagem para sport recife mascoteO mascote do Sport Recife é um dos mais antigos do futebol brasileiro: foi adotado em 1919 após a disputa do troféu Leão do Norte, em Belém do Pará, então considerado um centro futebolístico muito mais desenvolvido do que Pernambuco. O adversário foi um combinado de Remo e Paysandu e o Sport, contra todas as expectativas, sagrou-se vencedor daquele torneio, levando para casa o troféu e o mascote.

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Todas as bolas das Copas do Mundo

Sem título


 

 

COPA DE 1930

Local: Uruguai

Bola: Modelo T e Tiento

 


COPA DE 1934

Local: Itália

Bola: Federale

1934

Federale


COPA DE 1938

Local: França

Bola: Allen

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Allen


COPA DE 1950

Local: Brasil

Bola: Duplo T

1950

Super Duplo T


COPA DE 1954

Local: Suíça

Bola: Swiss WC Match Ball

1954

Swiss WC Match Ball


COPA DE 1958

Local: Suécia

Bola: Top Star

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Top Star


COPA DE 1962

Local: Chile

Bola: Mr. Crack

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Mr. Crack


COPA DE 1966

Local: Inglaterra

Bola: Challenge 4-Star

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Challenge 4-Star

 


COPA DE 1970

Local: México

Bola: Telstar

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Telstar


COPA DE 1974

Local: Alemanha Ocidental

Bola: Telstar Durlast

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Telstar Durlast


COPA DE 1978

Local: Argentina

Bola: Tango

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Tango


COPA DE 1982

Local: Espanha

Bola: Tango España

1982

Tango España


COPA DE 1986

Local: México

Bola: Azteca

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Azteca


COPA DE 1990

Local: Itália

Bola: Etrusco Unico

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Etrusco Unico


COPA DE 1994

Local: Estados Unidos

Bola: Questra

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Questra

 


COPA DE 1998

Local: França

Bola: Tricolore

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Tricolore


COPA DE 2002

Local: Coréia do Sul/Japão

Bola: Fevernova

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Fevernova

 


COPA DE 2006

Local: Alemanha

Bola: Teamgeist

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Teamgeist


COPA DE 2010

Local: África do Sul

Bola: Jabulani

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Jabulani


COPA DE 2014

Local: Brasil

Bola: Brazuca

2014

Brazuca


COPA DE 2018

Local:Rússia

Bola: Telstar 18

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Telstar 18

 

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O espírito de 1967: há 50 anos, o Celtic sagrava-se campeão da Europa

Celtic players show off the European Cup on their return to Glasgow

Jogadores do Celtic erguem a Copa dos Campeões. Da esquerda para a direita: Gemmell, Johnstone (embaixo da taça), Auld e McNeil.

Quem entra no estádio Celtic Park, em Glasgow, na Escócia, para assistir a um jogo do Celtic depara-se com uma longa faixa estendida na arquibancada inferior.  “The Spirit of 67”.

Mesmo quem não conheça a história do clube pode intuir que se trata de um ano especial, onde uma vitória ou um título marcaram um grande momento. E terá razão. Trata-se do ano de 1967 – o ano em que o clube de Glasgow sagrou-se campeão europeu daquele ano numa final eletrizante em cima da poderosíssima Internazionale de Milão Foi a maior glória da história do Celtic. Uma glória que hoje, 25 de maio de 2017, completa cinquenta anos.

Como qualquer fã de futebol sabe, o Celtic é, hoje, pouco mais do que um participante ocasional da Liga dos Campeões: chama a atenção pela sua torcida apaixonada e simpática (nesses dois quesitos, a melhor do Reino Unido) e pelas particularidades do seu duríssimo clássico com os rivais do Glasgow Rangers, que envolve religião (o Celtic foi fundado por católicos, e o Rangers, por protestantes) e política (os torcedores do Celtic tendem a apoiar o lado católico do conflito na Irlanda do Norte, e os do Rangers, o lado britânico e protestante). No jogo propriamente dito, faz aquilo que se espera de uma equipe escocesa.

Em 1967, contudo, as coisas eram bem diferentes. No 4-2-4 comandado pelo treinador Jock Stein, os dois laterais, Jim Craig e Tommy Gemmell, avançavam todo o tempo e não havia um volante de contenção preso à defesa: Bobby Murdoch era o responsável pela armação das jogadas a partir do meio enquanto Bertie Auld comandava a movimentação em direção ao ataque. Nas pontas, Bobby Lennox e Jimmy Johnstone (este último, o craque do time) não paravam um segundo: trocavam de posição, iam da defesa para o ataque e do ataque para a defesa, acompanhavam as investidas dos laterais e guardavam posição quando estes avançavam. O Celtic jogava o tempo inteiro no campo do adversário, marcava sob pressão e mobilizava todo o time quando perdia a bola.

Jogadores do Celtic comemoram após o apito final

Foi essa equipe que entrou em campo na tarde do dia 25 de maio, em Lisboa, para disputar a final da Copa dos Campeões da Europa (antecessora da atual Liga dos Campeões) com a Internazionale. E não qualquer esquadra da equipe milanesa: era a Inter comandada por Heleno Herrera, já bicampeã do torneio e contando jogadores do nível de Mazzola, Fachetti e muitas outras lendas do futebol italiano. O Celtic, por outro lado, era formado por completos desconhecidos: todos os seus jogadores haviam nascido nos arredores de Glasgow, a menos de 50km da sede do clube. Uma simples vitoria, nestas condições, já seria um feito digno de virar história. O Celtic, desnecessário dizer, era o pequeno da disputa, e os pequenos, às vezes, vencem. Mas vencem em situações específicas: com um gol circunstancial, com uma jogada de contra-ataque, com uma golpe de sorte.

A questão é que Celtic não apenas venceu a Internazionale da forma que os pequenos vencem os grandes. Venceu-a após levar 1 a 0 nos primeiros minutos de jogo, empatar no segundo tempo e virar  faltando cinco minutos para o fim de uma partida onde só os escoceses atacaram, somando mais de trinta chutes ao gol italiano e duas bolas na trave. Em outras palavras, venceu-a como um grande, dando àquela geração de jogadores o título de “Lisbon Lions” – ou Leões de Lisboa, em referência ao local da hoje cinquentenária final.

O impulso da grande vitória de 1967 duraria um bom tempo. Em 1968, o Celtic alcançaria as semifinais do torneio; em 1969, seria o vice-campeão europeu, perdendo para os holandeses do Feyenoord. Depois daqueles três ou quatro anos de sucesso, o clube voltou, aos poucos, à condição anterior de clube regional sem condições de disputar algo maior, praticante de um futebol estereotipadamente escocês com alguns lampejos, aqui ou ali, de qualidade técnica e de relevância internacional. Nunca mais conseguiriam repetir façanha semelhante.

Restou a inspiração do passado. E é a partir dessa inspiração que os apaixonados torcedores do Celtic buscam reviver os tempos de glória.

Aniversário do Grêmio – Eu e o Tricolor

Minha história de amor com o Grêmio Foot Ball Porto Alegrense começou há aproximadamente cinqüenta anos. Não guardo na memória razão objetiva que tenha feito a menina que eu era ter se apaixonado pelo inimigo mortal do time cultuado pelos meus irmãos mais velhos. Ser a única gremista em uma família com quatro colorados e um “neutro” não tem explicação racional. E , pelo que lembro , a maior parte dos pais daquela época não tinha time, ao menos no mundo onde fui criada. Acredito que pelo fato de terem nascido pouco depois da criação dos clubes ainda não havia aquela identidade que a geração posterior criou. O fato é que não tive estímulos externos para ser gremista. Mas eu fui e sou a única gremista naquela família. Gremista que nunca foi ao Olímpico em criança e adolescente, apenas sonhava com isso. Gremista que passava os domingos ouvindo Pedro Carneiro Pereira (que, acho, era gremista também) narrar os jogos pelo rádio. Gremista que fazia promessas a São Brito pela ajudinha em jogos difíceis. Gremista que tinha de suportar os irmãos colorados secando o Grêmio. A gremista que nunca entrou no Olímpico antes dos vinte e poucos anos freqüentava a Social do Beira-Rio levada pelo colorado irmão mais velho. Estamos falando de tempos em que uma menina de 15 anos nunca iria sozinha a um estádio. E foi em um Gre-Nal no mesmo Beira- Rio que protagonizou uma cena que encerrou todos os próximos convites para o passeio dominical. Em 1971 jogavam Inter e Grêmio. A gremista adolescente acompanhou o irmão colorado na torcida do Inter, com direito a casacão vermelho para despistar – queria sair de casa e ainda mais com a chance de ver o Grêmio. Durante a partida, com o Beira- Rio lotado, o tricolor marcou um gol. Ouviu-se uma única voz vibrando na Social: a minha. Viu-se apenas uma pessoa levantando com as mãos para cima: eu.

As reações foram imediatas: ” tem gremista aqui” dizia um senhor alto e forte atrás de nós.’Vamos jogar no fosso” dizia outro. Mas, justiça seja feita aos colorados da época: ficaram apenas nas ameaças e a palavra que consideravam mais ofensiva para ser a  mim dirigida foi precisamente chamar-me de gremista. Logicamente, a gremista adolescente recolheu-se. Não lembro como terminou o jogo, mas saí de lá incólume para nunca mais voltar. Aliás, minto: voltei para assistir Grêmio x S. Paulo, milhares de anos depois (1993).

O passar dos anos não diminuiu meu amor e a gremista que colecionava fotos da Folha da Tarde em que Alberto, Airton, Ortunho e seus companheiros protagonizavam batalhas do Imortal Tricolor continua hoje a fazer a mesma coisa em relação aos feitos de Tcheco, Pereira e seus companheiros. Hoje tenho orgulho em poder proclamar que meu amor ao Grêmio é compartilhado por quatro jovens companheiros, dos quais, parafraseando Mercedes Sosa, eu afirmo serem tricolores e sócios com a graça de Deus, a ponto de um deles afirmar que nunca deixará o Rio Grande do Sul porque não consegue imaginar-se em um lugar sem que haja possibilidade de assistir jogos do Grêmio. Os mesmos companheiros que nos compeliram a custear quatro títulos de sócio estudante com o fundamento de que o Grêmio precisava de todos naquele 2005. Realmente precisava e agradeço por termos tido a oportunidade de seguir o ritmo dos bumbos da maravilhosa Geral do Grêmio, a “Banda de Paulão” cantando ” Voltaremos”. E, todos juntos , voltamos com muita força para após o primeiro ano de série A sermos vice da Libertadores.

Enfim, nosso tricolor está aniversariando e nosso presente é este post de escancarado amor, sem pejo e sem reservas. Espero que daqui a alguns anos alguém diga, pensando em mim o que ouvi um menino do interior do Rio Grande falar na televisão o ano passado, ao lado da avó vestida com as cores do Grêmio : “Eu sou como a minha vó, EU AMO O GRÊMIO!”

Algumas das camisas adquiridas ao longo dos anos:

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Lenço distribuído pela RBS na entrada do Olimpico, na final da Libertadores de 1995:

O hábito de guardar jornais com matéria do Grêmio se transmite por gerações:

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