Ucrânia, nazistas e o Batalhão Azov: o campo de treino militar para a extrema-direita mundial*

*Indicamos abaixo a leitura da reportagem do jornal português “Público”, de junho de 2020, relatando a presença de nazistas / neonazistas no exército ucraniano.

O link da matéria original é este.

O “Público”, vale ressaltar, é um jornal de linha pró-atlantista, simpatizante da OTAN e pró-União Europeia. 

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Ucrânia, o campo de treino militar para a extrema-direita mundial

A Ucrânia tornou-se para a extrema-direita o que a Síria foi para o Daesh. Militantes recebem treino, melhoram tácticas e técnicas e estabelecem redes internacionais, e depois regressam aos seus países. Milhares de estrangeiros combateram em milícias contra os separatistas pró-russos no Leste do país.

A Ucrânia é hoje um dos principais pólos de atracção para a extrema-direita internacional e quase quatro mil estrangeiros de mais 35 países já receberam treino e combateram nas fileiras de milícias na Guerra Civil Ucraniana. Uma delas, o Regimento Azov, transformou-se num alargado movimento, criou um Estado dentro do Estado ucraniano, estendeu tentáculos por toda a Europa e quer criar uma Legião Estrangeira ucraniana.

“Olho para a Ucrânia como o local onde a extrema-direita pode adquirir treino, capacidades militares e partilhar ideias. É, de muitas formas, para a extrema-direita o que o Daesh conseguiu na Síria”, disse ao PÚBLICO Jason Blazakis, investigador associado no Soufan Center e director do Centro sobre Terrorismo, Extremismo e Contraterrorismo, na Califórnia, Estados Unidos. “A Ucrânia é a porta das traseiras para a União Europeia no que à extrema-direita diz respeito, e a ameaça é muito grande. Os indivíduos recebem treino nos campos de batalha ucranianos e depois regressam aos seus países de origem”.

Uma situação que o relatório White Supremacy Extremism: The Transnational Rise of the Violent White Supremacist Movement, do Soufan Center e publicado em Setembro de 2019, classifica como preocupante. “Tal como os jihadistas usaram conflitos no Afeganistão, Tchetchénia, Balcãs, Iraque e Síria para melhorarem as tácticas, técnicas e procedimentos e solidificarem as suas redes internacionais, também os extremistas de direita estão a usar a Ucrânia como laboratório de campo de batalha”, lê-se no documento.

O terrorista responsável pelo massacre em duas mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia, em Março de 2019, estava bem integrado na extrema-direita mundial e o colete balístico que envergou no atentado tinha o símbolo do sol negro, popularizado pelo Regimento Azov. No manifesto, intitulado A Grande Substituição, que escreveu para justificar o massacre, o terrorista disse ter visitado a Ucrânia. Não tardaram a surgir suspeitas de que terá estado com o Azov pouco depois de ter sido criado, em 2014, apesar de a milícia ter negado ter tido qualquer contacto com ele.

Meses depois do massacre que matou 50 muçulmanos, o manifesto foi traduzido para ucraniano por militantes neonazis de uma organização com ligações ao Azov, a Wotanjugend, noticiou o site de investigação Bellingcat. Milhares de cópias foram impressas e houve milicianos, cuja filiação se desconhece, que posaram para fotografias com exemplares nas mãos.

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Foto: Jason Blazakis: “A Ucrânia é a porta das traseiras para a União Europeia no que à extrema-direita diz respeito, e a ameaça é muito grande” PIERRE CROM/GETTY IMAGES

O massacre de Christchurch chamou a atenção para os riscos que a extrema-direita na Ucrânia representa para a Europa e EUA, seja por causa de possíveis atentados terroristas cometidos por pequenas células ou “lobos solitários” ou por, ao regressarem aos seus países, criarem ou fortalecerem as suas organizações de origem – as organizações terroristas neonazis The Base e Attomwaffen Division queriam e já têm ligações estabelecidas com o Azov, respectivamente, para receber treino. No Ocidente, o terrorismo de extrema-direita é hoje mais significativo do que o jihadista.

A realidade é ainda mais preocupante se se tiver em conta o número de combatentes estrangeiros identificados no mesmo relatório que já lutaram na guerra que opõe o Estado ucraniano aos separatistas pró-russos: um total de 17.241. Destes, 3879 estrangeiros, dos quais 879 de 36 países — Suécia, Estados Unidos, Israel, Itália, Dinamarca, Alemanha, França e até Portugal — estiveram nas fileiras de milícias que combatem do lado ucraniano. A maior fatia (3000) provém da Rússia, uma vez que o movimento neonazi russo se dividiu entre apoiar ou combater o que dizem ser o imperialismo da Rússia.

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Foto: Voluntário da milícia Azov durante um acção de treino em Urzuf, arredores de Mariupol, em 2015 MARKO DJURICA/REUTERS

E, no que a Portugal diz respeito, pelo menos um português combateu num dos batalhões do Corpo de Voluntários Ucranianos, da organização de extrema-direita Sector Direito. “Há dois anos [2018], descobri um cidadão português que participou em combates, por dois a três meses, nas fileiras do Corpo de Voluntários Ucranianos”, disse ao PÚBLICO o investigador que recolheu os dados do relatório, sem conseguir, no entanto, dar mais pormenores sobre a sua identidade.
Porém, a grande maioria de combatentes europeus de extrema-direita juntou-se aos separatistas pró-russos contra os militares e milicianos ucranianos (13.372, dos quais 1372 russos).

A estimativa de combatentes que já passaram pelas milícias ucranianas foi feita através de fontes abertas, ou seja, fotografias e comentários em fóruns e redes sociais, não se descartando a possibilidade de os números serem bem maiores, como ressalva o documento. Mas como se chegou a esta situação?

A extrema-direita ucraniana já tinha saído das margens da política quando a Revolução EuroMaidan, contra o Presidente ucraniano Viktor Ianukovich, tomou as ruas de Kiev em 2013. Ianukovich, aliado do Presidente russo, Vladimir Putin, foi deposto e, pouco depois, em Março de 2014, Moscovo anexou a Crimeia e apoiou os separatistas de Donetsk e Lugansk, dando início a uma guerra que ainda hoje se arrasta e que já causou mais de 13 mil mortos, entre os quais muitos civis, e milhares de deslocados.

Com o Exército ucraniano sem capacidade para combater os separatistas, o então recém-eleito Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, apelou a voluntários que pegassem em armas contra a ameaça russa. Assim o fizeram, e em massa: foram formados entre 30 e 40 batalhões de voluntários para combater os separatistas.

Um dos homens por trás deste esforço foi o oligarca Ilhor Kolomoiski, um dos dois homens mais ricos da Ucrânia e a sombra do Governo de Poroshenko e, agora, do de Zelenskii. Em 2014, rompeu com a discrição que o caracterizava e saiu em defesa da Ucrânia, dando entrevistas e financiando vários batalhões, entre os quais o Azov, o Dnipro 2, o Shakhtarsk e o Poltava. E, em Abril do mesmo ano, prometeu uma recompensa de dez mil dólares (nove mil euros) a quem capturasse um mercenário russo.

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Foto Ilhor Kolomoiski VALENTYN OGIRENKO/REUTERS

Com o arrastar da guerra, Kolomoiski passou a usar os paramilitares que financia quase como exército privado, para obter dividendos políticos, entrando em choque com o actual Presidente ucraniano. “Os empresários precisam destes grupos como apoio físico, por ser muito mais fácil controlarem as suas estruturas empresariais. Os grupos de extrema-direita são parte deste mercado a favor dos grandes empresários”, disse ao PÚBLICO Viacheslav Likhachev, politólogo ucraniano especialista na extrema-direita do país.

Uma das pessoas que responderam ao apelo de Poroshenko e recebeu dinheiro do oligarca Kolomoiski foi Andrii Biletski, líder do antigo partido neonazi Patriotas da Ucrânia, com a criação do então Batalhão Azov a 5 de Maio de 2014 — transformou-se depois em regimento e está em vias de se tornar divisão, apesar de ainda não ter militares suficientes (10 mil). A proeminência de Bilitski foi tanta que chegou a ser deputado entre 2014 e 2019, primeiro como independente e depois pelo braço político do Azov, o Corpo Nacional.

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Foto Andriy Biletsky, ex-deputado e líder do partido de extrema-direita Corpo Nacional durante uma manifestação em Kiev contra a corrupção, em Março 2019 SERGEI CHUZAVKOV/SOPA IMAGES/LIGHTROCKET VIA GETTY IMAGES

Os milicianos, com pouco treino, foram para as linhas da frente e as baixas tornaram-se incomportáveis, ao enfrentarem separatistas bem treinados e apoiados por Moscovo. A unidade paramilitar foi então integrada por Poroshenko na Guarda Nacional ucraniana a 12 de Novembro de 2014, no que foi visto como tentativa de a manter sob controlo e meio para lhe fornecer armamento militar topo de gama, fornecido pelos Estados Unidos (em 2018, o Congresso aprovou uma lei a proibir que material militar chegasse ao Azov, sem se saber como é aplicada na prática), União Europeia (não-letal, como coletes balísticos) e Canadá. Até Israel permitiu a produção da sua arma padrão, a Tavor-21, em fábricas ucranianas, acabando por chegar às mãos dos neonazis — o Azov tinha no seu site, na parte dos apoios, o logótipo da empresa israelita que detém a patente da espingarda de assalto.

Hoje, o Azov dispõe de artilharia, blindados e infantaria, e até de campos de treino. O principal está localizado em Mariupol, no Sul da Ucrânia, na costa do mar de Azov, e lá são treinados os combatentes estrangeiros que respondem ao apelo para pegarem em armas em seu nome — a milícia fê-lo pouco depois de ser criada. Em 2015, os estrangeiros tinham um responsável que os seleccionava: Gaston Besson, mercenário francês que combateu no Camboja, Laos, Birmânia, Suriname e Croácia. Disse, na altura, que recebia centenas de contactos todos os dias.

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Foto: O mercenário francês Gaston Besson

O regimento evoluiu de simples unidade paramilitar para movimento em larga escala, ganhando espaço e legitimando-se junto da sociedade, por os seus combatentes serem apresentados como heróis que enfrentam o expansionismo russo. O Azov é uma grande organização de extrema-direita que se descreve como Movimento Azov e responde a um único líder: Andrii Biletski. O movimento inclui várias organizações: o Regimento Azov, o partido Corpo Nacional, o movimento de rua Milícia Nacional, a Irmandade dos Veteranos, etc.. E tem outras na sua órbita de influências, muitas das quais neonazis, como a WotanJugend.

Os paramilitares têm uma forte presença nas redes sociais, várias revistas e uma rádio e, sempre que um camarada de armas é morto em combate, organizam cerimónias com tochas e parada militar.

Infiltração no aparelho de Estado

O Movimento Azov infiltrou-se no Estado ucraniano e é hoje indissociável dele. Recebe milhares de euros em financiamento para programas de incentivo ao patriotismo direccionado à juventude (crianças com nove anos recebem treino militar, por exemplo), apoio político e militar. E essa infiltração é mesmo reconhecida pela secretária do Departamento Internacional do Corpo Nacional, Olena Semeniaka. “Em apenas quatro anos, o Movimento Azov tornou-se um pequeno Estado dentro do Estado”, escreveu a dirigente no Facebook a 29 de Outubro de 2018.

O ministro do Interior de Poroshenko e do actual Presidente é acusado de ser um dos responsáveis pela crescente influência neonazi no aparelho de Estado ucraniano. Arsen Avakov tem beneficiado da unidade paramilitar para defender os seus interesses — apresenta-se como indispensável para a controlar e fez recentemente uma aliança com o multimilionário Ilhor Kolomoisky, que tem tido fricções com Zelenskii — e sai em defesa dos milicianos sempre que são alvo de críticas pelo seu cariz neonazi. Zelenskii também o faz, ainda que mais timidamente, e chegou até a condecorar os paramilitares do Azov por actos de bravura na linha da frente, ao mesmo tempo que se reúne com as suas altas patentes.

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Foto Activistas do partido Corpo Nacional durante uma manifestação a que chamaram “Marcha dos Esquadrões Nacional”, em Março de 2019 PAVLO CONCHAR/SOPA IMAGES/LIGHTROCKET VIA GETTY IMAGES

 O Azov tem neste momento tanto poder que chega a rejeitar as ordens do chefe de Estado quando não concorda com elas, no que já é visto por analistas como uma ameaça ao próprio Estado ucraniano. No final de Outubro, o comandante supremo das Forças Armadas ordenou o recuo das tropas ucranianas de Zolote e de duas outras cidades para aumentar a distância entre as linhas da frente — eram de 30 metros, distância de arremesso de uma granada de mão — e evitar as constantes escaramuças e violações de cessar-fogo. O líder do Azov não gostou e ameaçou enviar dez mil voluntários para Zolote, para “defender as posições conquistadas com sangue”.

Publicamente desafiado, Zelenskii foi à linha da frente para convencer os milicianos, mas acabou por os acusar de o considerarem um “tolo” e de lhe estarem a fazer um “ultimato”. Os milicianos mantiveram-se firmes e acabaram por ser desarmados por militares ucranianos e retirados da linha da frente, com a imprensa ucraniana a referir que se temia que a explosiva situação levasse ao derramamento de sangue.

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Foto Olena Semeniaka:

“Em apenas quatro anos, o Movimento Azov tornou-se um pequeno Estado dentro do Estado”Avakov teve um papel fundamental no desarmar da crise e, dentro do Governo, conquistou pontos, mostrando mais uma vez ser indispensável para a ordem interna. O seu poder depende daquilo a que a imprensa ucraniana diz ser um jogo duplo: apoiar as forças de segurança e militares e, ao mesmo tempo, os milicianos.

A 28 de Outubro de 2019, Avakov visitou o campo de treino da unidade em Mariopol para lhe mostrar apoio público e, dias antes, deixou claro que “a força especial Azov é uma unidade legal da Guarda Nacional ucraniana e os seus militares têm sido exemplares nas tarefas de combate desempenhadas na defesa da pátria”. “A campanha de informação sobre a alegada propagação de ideologia nazi entre os militares é uma tentativa deliberada para descredibilizar a unidade, principalmente entre os parceiros internacionais da Ucrânia, e provocar uma crise na relação com os nossos aliados”, continuou o ministro. Ao nível da comunicação visual, o Regimento Azov tem demonstrado recentemente um cuidado particular para não ser conotado politicamente.

Azov estende tentáculos à Europa

A anexação da Crimeia e o apoio ao separatismo no Leste da Ucrânia dividiu a extrema-direita europeia a favor de Moscovo. A maior parte dos grupos viu nas acções militares de Putin, promovidas por um dos seus mais próximos conselheiros e ideólogo de extrema-direita, Aleksandr Dugin, uma oposição ao atlanticismo ocidental, isto é, aos Estados Unidos, à NATO e à União Europeia. A francesa União Nacional e a italiana Liga continuaram a apoiar a Rússia – por seu lado, o Chega já assumiu no Parlamento a defesa da Ucrânia com um voto de condenação da agressão russa, e foi por isso elogiado pelo Movimento Azov.

Com a frente de batalha a ser-lhe desfavorável, a extrema-direita ucraniana viu-se isolada no palco internacional e o Azov não perdeu tempo a tentar inverter a situação, conseguindo-o com relativo sucesso. Em 2013, três militantes ucranianos de extrema-direita criaram a Misanthropic Division (MD), uma rede internacional neonazi, com o objectivo de estabelecer um Estado etnonacionalista no país da Europa de Leste. No entanto, a partir de 2015, por causa da guerra com a Rússia, a rede passou a promover a causa ucraniana e a recrutar combatentes internacionais para as fileiras do Azov — a MD ainda hoje se mantém activa, principalmente na Ucrânia.

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Foto Membros da Misanthropic Division

 Por outro lado, o braço político do Azov, o Corpo Nacional (antes Corpo Cívico), montou uma campanha internacional de sensibilização sobre a ameaça russa e uma rede internacional cuja responsabilidade coube a Olena Semeniaka, seguidora de Dugin até à anexação da Crimeia e que viaja recorrentemente pela Europa participando em conferências — esteve em Portugal em 2018 a convite do Escudo Identitário, organização neofascista portuguesa inspirada no italiano CasaPound.

As acções de propaganda e o estreitar de ligações protagonizados por Semeniaka começaram na Europa Central e de Leste e, depois, foram alargados a países europeus mais distantes: Itália, Portugal, Noruega, Suécia e Reino Unido.

E, ao mesmo tempo, organizou eventos políticos na capital ucraniana: as conferências PanEuropa, em 2017 e 2018 em Kiev, e o projecto político Intermarium Support Group, um grupo de apoio fundado em 2016 por Biletskii que se baseia num conceito geopolítico alternativo ao atlanticismo e cujas raízes históricas vêm do pensamento do polaco Jósef Pilsudski, do período entre guerras mundiais. O conceito, apropriado pela extrema-direita, defende uma estratégia de segurança focada no “etnofuturismo” e visa integrar países do Báltico ao mar Negro numa aliança regional — foi a resposta do Azov ao sentimento de abandono da Ucrânia pelo Ocidente.

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Foto Voluntários da Batalhão Azov numa manifestação em Kiev VLADIK MUSIENKO/NURPHOTO VIA GETTY IMAGES

 O Azov convida para estas palestras teóricos da extrema-direita, entre os quais o norte-americano Greg Johnson (deportado da Noruega em Novembro de 2019, por elogiar o terrorista Anders Breivik, falhando um voo para Portugal, onde vinha assistir a uma conferência no Iscte-IUL sobre imigração e extrema-direita) e líderes políticos, focando-se, no caso do Intermarium, nos países que fariam parte da desejada aliança.

Esses contactos internacionais têm também como objectivo a formação de uma Legião Estrangeira Ucraniana. “Os voluntários estrangeiros começaram a juntar-se ao Batalhão Azov em 2014-2015. Assim, quando o Partido Corpo Nacional foi fundado, a orientação política sobre a criação de uma Legião Estrangeira Ucraniana – o nosso sonho em comum – foi inserida no nosso programa político”, lê-se numa publicação de Facebook do Intermarium Support Group em que anunciou que a IV conferência da organização, em Zagreb, na Croácia, “promete levar a cooperação a outro nível”.

O Regimento Azov já é membro honorário da organização de veteranos Francopan, que coopera com a Legião Estrangeira Francesa. “Para esta organização [o Azov], a cooperação sinergética comforças armadas estrangeiras não tem precedente”, continua a mesma publicação de 23 de Junho de 2019.

Artes marciais para recrutar

A violência sempre foi uma característica da extrema-direita e o militarismo e as artes marciais os escapes. Com o sucesso das artes marciais mistas (MMA), os seus militantes viram um novo terreno onde se podiam implantar, prosperar e, mais importante, recrutar. E, pelo meio, tecem ligações internacionais através de torneios em que participam lutadores dos Estados Unidos e Europa.

O Azov percebeu-o e agarrou essa oportunidade aliando-se a Denis Kapustin (conhecido por Denis Nikitin), um dos mais influentes militantes da extrema-direita europeia, cidadão russo-alemão e dono da marca desportiva White Rex. Nikitin dedicou-se em tempos a treinar militantes do britânico Acção Nacional, grupo neonazi banido pelas autoridades, e é o verdadeiro responsável pelo Reconquista Club, local onde o Azov organiza torneios em Kiev.

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Foto Denis Kapustin

 “Se matarmos um imigrante por dia, são 365 imigrantes por ano. Mas dezenas de milhares chegarão de qualquer forma. Percebi que estamos a combater as consequências, não as causas. Agora combatemos pelas mentes; não nas ruas, mas nas redes sociais”, disse Nikitin ao The Guardian, em Abril de 2018.

Nikitin é o responsável por trazer lutadores dos EUA e da Europa para os torneios que organiza através de uma rede de ginásios em todo o continente europeu. Em França, organiza o Pride France desde 2013 em Paris, e o Day of Glory em Lyon, em parceria com o Blood and Honor, considerado grupo terrorista pela Europol. E desde 2015 que organiza o festival alemão Kampf der Nibelungen (entretanto banido pelas autoridades alemãs) e o grego Pro Patria, em parceria com antigos e actuais elementos do neonazi Aurora Dourada. Já em 2018 fundou o Shield and Sword, um festival de extrema-direita com um torneio de MMA.

As ligações de Nikitin estendem-se a todo o continente e chegam até aos russos do Fathers Frost Mode (FFM), que também organiza torneios de MMA — o Hammer of the Will, por exemplo. Nikitin e o líder do FFM, Max Savelev, são próximos — o segundo esteve em Portugal em 2018.

Mas há quem não tenha pudor em dizer que a Ucrânia pode ser uma base para os militantes de extrema-direita. No início de Maio, Bogdan Khodakovski, líder do grupo neonazi ucraniano Tradição e Ordem, próximo do Azov, apareceu num vídeo em directo no Instagram, em que Nikitin fez de tradutor, e disse que a “União Europeia tem de ser destruída”.

Uma lição das eleições francesas

Macron x Le Pen: França vota segundo turno das eleições neste domingo (24) – Money Times

As eleições presidenciais francesas realizadas ontem deram a vitória a Emmanuel Macron sobre a candidata de direita radical Marine Le Pen. Seu governo prossegue até 2026, mas inicia sob o signo da contestação: manifestações espocaram nas ruas de Paris e outras cidades francesas pedindo uma França “sem Marine, nem Macron”. 

Não é o que se espera de um governo recém-eleito – afinal, não foi o povo francês, através de sua livre escolha democrática, quem conferiu a Macron a honra de liderar o país por mais quatro anos? De onde vem a insatisfação com o homem que acabaram de eleger?

Os números fornecem algumas pistas. A vitória de Macron veio com 58,2% dos votos. A segunda colocada, Marine Le Pen, somou 41,8%. No primeiro turno, as urnas deram a Macron 27,84% dos votos. Le Pen ficou com 23,15% e a candidatura de esquerda de Jean Luc Mélenchon, do partido “França Insubmissa”, ficou com 21,95%. Em outras palavras, Macron nunca foi o rei da preferência popular: seus dois adversários no primeiro turno obtiveram expressivas votações, próximas às dele, e com pautas muitíssimo distintas das dele. Mais: Le Pen e Mélenchon têm com vários pontos em comum, como a proposta para a França sair da OTAN,  o estímulo à industrialização e a nacionalização de setores da economia.

Há, contudo, diferenças óbvias. Jean Luc Mélenchon é um homem de esquerda e não apoiaria jamais – por exemplo – a pauta anti-imigratória de Le Pen. No segundo turno, não abriu apoio a Macron: disse apenas que não votaria em Le Pen. Sequer chegou a ensaiar o famoso “apoio crítico”, posição típica da extrema-esquerda brasileira quando decide somar forças com a esquerda “burguesa” contra um candidato explicitamente extremista. Le Pen pode ser uma péssima ideia para ele, mas não tão má a ponto de fazê-lo dividir palanque com um liberal atlantista pró-OTAN, pró-UE e pró- Ucrânia. Por outro lado, Macron não contrapôs a pauta protecionista e industrialista de Le Pen, de grande apelo entre os trabalhadores franceses. Precisou apoiar-se no discurso de combate ao populismo autoritário – evita-se, por alguma razão, o termo “fascismo” – para fazer-se eleger com o apoio da esquerda. Parte do eleitorado, horrorizado com a perspectiva de ser governado por Le Pen, votou nele a contragosto; outra parte não votou; e outra não votou em ninguém.

Se há uma lição que o cenário francês nos mostra é que esse discurso não é suficiente para quem quer combater extremistas. Quem enfrentará eleições nos próximos meses deveria tomar nota.

A filha de Harry e Meghan – e o seu significado para a Casa Real Britânica

Lilibet Diana Mountbatten-Windsor: eis o nome da nova integrante da Casa Real Britânica.

Trata-se da filha do príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth, e sua esposa Meghan, nascida na última sexta-feira, dia 4 de junho, em um hospital na Califórnia, onde o casal vive desde o ano passado.

A recém-nascida homenageia duas figuras da realeza:  a princesa Diana e a rainha Elizabeth (Lilibeth é uma variação de “Elisabeth” tem alguns idiomas europeus).

Seu nascimento ocorre em meio a uma grande crise entre Harry, Meghan e outros membros da realeza. Segundo entrevista recente do casal, a presença da nova princesa na família de Harry vem causando uma série de desconfortos: houve suspeitas de racismo (Meghan é mestiça, com avós negros), classismo (Meghan é americana e não tem origem nobre) e outras oposições.

Difícil imaginar que a escolha do nome do bebê não seja um acordo de paz entre o casal e os familiares mais conservadores – é o que vem especulando a imprensa britânica, sempre atenta às movimentações das celebridades locais. Afinal, goste-se ou não, o bebê tem um par de sobrenomes – Windsor e Moutbatten – mais do que reluzente. Lilibeth, a bisneta de Elizabeth, a neta de Diana, a filha de Harry, poderá herdar o trono ( é a oitava na linha de sucessao, após Charles, seu filho William, George, Charlotte, Louis(filhos de William), seu pai Harry e seu irmão Archie). E, diante disso, pouco importam os preconceitos acerca de seu pai ou sua mãe.

O líder da oposição britânica

Hoje, 15 de maio, foi dia de protestos em toda a Europa contra os ataques israelenses à cidade palestina de Gaza.

Em Londres, mais de 100 mil pessoas tomaram as ruas locais para promover a mais dura manifestação contra Israel em anos. Foi, também, o momento para que uma figura recentemente vilificada na Inglaterra reaparecesse para o grande público em grande estilo: o ex-líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn.

Desde a saída de Corbyn, o Labour vem perdendo apoio entre o eleitorado, especialmente as classe trabalhadoras britanicas, que apoiaram o Brexit e estão cada vez mais inclinadas para o partido Conservador. O fracasso do governo Boris Johnson em vários setores não alterou esse quadro. Keir Starmer o atual líder do Labour, não foi e não está sendo capaz de capitalizar em cima do fracasso do governo.  A oposição não tem, de fato, um líder.

Ou melhor – na opinião das massas reunidas em Londres hoje, não tinha: já tem.

A união das duas Irlandas

No último dia 22, a televisão irlandesa organizou um debate com os mais importantes líderes políticos do país. O tema: a unificação da Irlanda.

A questão é antiga. A ilha da Irlanda, como se sabe, é dividida em dois países: um deles, a República da Irlanda, compreende a maior parte do território e é uma nação independente; a outra, a Irlanda do Norte, faz parte do Reino Unido e está ligada a Londres. A partição do país ocorreu após a Guerra de Independência, em 1921, quando as tropas britânicas abandonaram a parte sul de sua ex-colônia e mantiveram o controle sobre o Norte. Desde então, a independente República da Irlanda busca retomar o território que, por direito natural, sempre considerou como seu.

As duas “Irlandas” possuem algumas diferenças. A República é majoritariamente católica e sua população é, em grande medida, descendentes de celtas; o Norte, por sua vez, é majoritariamente protestante, e a maioria de sua população descende de colonos ingleses e escoceses levados para lá a partir do século XVII. Há, ali, uma minoria não-protestante, católica, descendente dos irlandeses “nativos” – e esta minoria é tradicionalmente discriminada pelos protestantes, que têm acesso às melhores terras e melhores empregos. O histórico de humilhações fomentou a criação de grupos paramilitares, dentre os quais se destaca o famoso IRA (Irish Republican Army, ou Exército Republicano Irlandês), cujo objetivo era, e é, a retirada definitiva das tropas britânicas do país.

Unir dois países com tantas diferenças, fruto de séculos de divisões fomentadas pelo colonialismo, é uma tarefa duríssima. A Irlanda do Norte é uma sociedade profundamente segregada: a capital, Belfast, é dividida por um gigantesco muro, que separa os bairros católicos dos protestantes. O muro, guarnecido por soldados britânicos e pela polícia local, fecha-se às 21 horas e reabre às 7 horas do dia seguinte. Nem todos os habitantes da República da Irlanda estão cientes disso. Quererão eles a tão sonhada união com um país tão dividido e marcado por décadas de conflito?

No decorrer do debate, a deputada da Irlanda do Norte, Naomi Long, declarou: “como podemos falar sobre união se, aqui na Irlanda do Norte, nós ainda somos uma sociedade profundamente dividida e segregada? Quando nós não podemos nos mover de um lugar para o outro livremente? Quando temos barreiras entre pessoas vivendo em ruas vizinhas?”.

São dúvidas pertinentes. Uma nova Irlanda, para surgir, deverá ter, em primeiro lugar, honestidade – para encarar o presente, para avaliar o passado e para poder, por fim, construir o futuro.

 

O fim do Reino Unido?

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A imagem acima reproduz a capa da edição dominical do “The Times”, de Londres, do último dia 24.

Não é fácil para um jornal conservador, tradicionalmente ligado aos interesses da Coroa, pôr em dúvida a unidade da Grã-Bretanha em sua chamada de capa. O “Times” fala de um “Reino Desunido” para o seu leitor – que é, em grande parte, um ardoroso defensor da ultra-nacionalista aventura do Brexit, o processo de auto-exclusão da União Europeia que o governo Boris Johnson encampou há alguns anos e completou no começo deste ano. O “Times” é um espaço de patriotas britânicos, orgulhosos do Império e inimigos da maioria das modas politicamente corretas e internacionalistas; é, portanto, um espaço para quem acredita na União.

Mas o título não fala de união, e sim de desunião. O que tem ocorrido na Grã-Bretanha, para que até o “Times” venha com essa chamada de capa tão amarga?

O Reino Unido é composto por quatro nações: a Inglaterra, a Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte. Seus começos datam de 1707, quando a Escócia integra-se à Inglaterra e ao País de Gales – já unidos desde o século XIV – e cria a Grã-Bretanha.  Sua formação definitiva se deu em 1801, com o Ato de União, em que a Irlanda, então possessão colonial, passa a integrar de jure o governo de Londres.

Não se diz “governo de Londres” gratuitamente aqui: a Inglaterra, ao fim e ao cabo, é o centro nervoso do Império. E os demais países integrantes sabem perfeitamente disso: com 56 milhões de habitantes, os votos dos ingleses são mais do que suficientes para superar quaisquer decisões de escoceses, galeses e norte-irlandeses. A insatisfação, que sempre existiu, vem aumentando com o Brexit. O resultado é o aumento do número de galeses, escoceses e norte-irlandeses que buscam a separação. Pesquisas recentes informam que 55% dos escoceses, por exemplo, deseja ser um Estado  independente , percentual que se repete nos outros países constituintes da União. Pela primeira vez desde que foi formado, o Reino Unido enfrenta uma séria ameaça interna.

O alerta está dado. E é um alerta que vem de um jornal que apoia o Império. Boris Johnson faria bem em escutá-lo.

Por que a Macedônia do Norte tem esse nome?

After Greece, North Macedonia faces new challenge on EU path: Bulgaria - Emerging Europe | Intelligence, Community, News

Rua em Skopkje, capital da Macedônia do Norte

A Liga das Nações da UEFA começa hoje. Quem passou os olhos pela tabela dos jogos, deve ter percebido a presença de uma seleção que, normalmente, não está entre as disputantes:  a Macedônia do Norte.

O nome não será estranho para muitos. Quem prestou atenção nas aulas de História lembrará que o maior de todos os imperadores gregos, Alexandre, o Grande, nasceu na Macedônia, de onde saiu para dominar toda a Grécia e criar, a partir de várias colônias no Mediterrâneo, o primeiro grande Império do Ocidente. Essa referência histórica confere alguma grandiosidade ao nome do país. Será a mesma coisa? Vejamos.

Situada num enclave entre o Kosovo, a Sérvia, a Bulgária e a Grécia, a Macedônia do Norte é um país novo: fez parte da antiga Federação Iugoslava, que se dissolveu nos anos 1990, e ganhou o nome de República da Macedônia. Depois de se tornar uma nação independente, iniciou-se uma batalha com a Grécia pelo uso do nome Macedônia, pois a maior parte da Macedônia história – aquela em que Alexandre viveu – está em território grego, sob o nome de Província da Macedônia.

O mapa abaixo ajuda e entender as diferenças.

Macedónia grega (azul) e Macedónia do Norte (vermelho)

 

A disputa se resolveu em 2018, quando o país aceitou denominar-se Macedônia do Norte, de modo a não atrapalhar  os esforços gregos para promover a sua região turisticamente. Ao mesmo tempo, também macedônios do Norte ganham algum eventual benefício para o seu próprio país, que também tem interesse em promover-se com o nome da Macedônia histórica.

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O Líbano abraça o laicismo

Secularism in Lebanon - Wikipedia

O Líbano ganhou as manchetes nos últimos dias pelas explosões ocorridas em Beirute, resultando em mais de cem vítimas e mais de mil feridos. Desde a explosão, a bandeira libanesa está a meio mastro no Palácio do Governo de Beiture. Além disso, há uma convulsão social em curso, com protestos espocando em todas as regiões do país. Não é momento para celebrar nada, portanto. No entanto, os próximos dias marcarão os 100 anos da Independência do país. Como conjugar a necessidade de lembrar a data com o estado geral de luto do país?

O presidente Michel Aoun, em discurso recente, atentou para a questão e aproveitou o momento para lançar uma ideia revolucionária: transformar, por fim e para sempre, o Líbano em um Estado laico. Hoje, o presidente do país tem de ser, obrigatoriamente, cristão – ao passo que o primeiro ministro tem de ser, obrigatoriamente, muçulmano.

“Buscaremos uma fórmula que será aceita por todos e que será incorporada à Constituição”, disse ele. 

Não será tarefa fácil. O quadro político libanês é fortemente influenciado pelas divisões religiosas que, desde há décadas, separam a sociedade daquele país. Basta dizer que o Hezbollah, organização muçulmana xiita considerada terrorista pela maior parte do Ocidente, tem assento no parlamento – sentado lado a lado com partidos oriundos de milícias cristãs. Esse modelo parece ter se esgotado.

“Convoco a todos pela proclamação do Líbano como um estado secular. Só ele nos preservará a pluralidade e criará uma real unidade nacional”, disse Aoun. Resta saber se os ideais dos líderes libaneses serão suficientes para confrontar a conturbada história daquele país.

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Drops – Dua Lipa na Final da Champions League 2018

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  • A cantora inglesa Dua Lipa foi escolhida como a atração musical da final da Champions League desse ano – em anos anteriores, nomes como Alicia Keys e Black Eyed Peas fizeram shows na grande final do maior torneio de futebol da Europa.

FIFA World Cup 2018 Russia - Kazan poster

Conheça o significado dos pôsteres das figurinhas da Copa da Rússia

  • Dua Lipa é uma das grandes revelações da música pop do último ano, tendo tido muito sucesso com os singles “New Rules” – o clipe dessa música é demais ❤ –“IDGAF” e “One Kiss” (parceria com o DJ Calvin Harris).

  • Dua Lipa nasceu em Londres , mas é de origem albanesa (seus pais são albaneses e deixaram o Kosovo nos anos 90 em busca de uma vida melhor para a família) tendo inclusive morado no Kosovo durante alguns anos de sua adolescência. Curiosamente, o Kosovo foi admitido como membro da UEFA em 2016 e um clube do país fez estréia no torneio na edição desse ano, o Trepça ’89.
  • Abaixo , o videozinho promocional que anuncia a cantora como a atração musical da final que será disputada entre Real Madrid e Liverpool, dia 26 de maio, na cidade de Kyiv , na Ucrânia.

Sedes da Copa do Mundo FIFA 2018: – Ekaterimburgo

 

 

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Vista da Igreja do Sangue Derramado e de Todos os Santos Resplandecentes na Terra Russa, construída onde era a Casa Ipatiev (demolida em 1977), local onde Nicolau II (último Imperador da Rússia) e sua família foram mortos. A Igreja começou a ser construída no início dos anos 2000 e foi concluída no ano de 2003.

 

  • Ekaterimburgo  é a cidade-sede mais ao leste da Copa da Rússia, distante 1,667 km de Moscou e  no limite entre o continente europeu e o asiático. Inclusive , nos arredores de Ekaterimburgo, há um “marco” que traça o limite entre os dois continentes, onde se pode ficar com um pé na Europa e com o outro na Ásia.

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Monumento que marca a divisão entre o continente europeu e o continente asiático

 

  • Fundada em 1723 ( período em que Pedro II era Imperador da Rússia) com intuito de ser um local estratégico de conexão entre a Ásia e a Europa e também como principal região mineradora da Rússia , a cidade é atualmente a quarta maior cidade em população do país, com mais de 1.400.000 habitantes e , se São Petersburgo é considerada a “janela para a Europa”,  Ekaterimburgo é a “janela para a Ásia”. 

 

  • O nome “Ekaterimburgo”  foi dado em homenagem à esposa de Pedro II ,  Ekaterina ,que após a morte do mesmo se tornou a Imperatriz Ekaterina I da Rússia. Entretanto, em 1924, após a Rússia ter se tornado um Estado Socialista, a cidade teve seu nome alterado para Sverdlovsk , fazendo reverência a Yakov Sverdlov , um dos líderes do Partido Comunista russo. Esse nome durou até a dissolução da União Soviética , quando então houve um retorno ao nome pré-soviético  de “Ekaterimburgo”. Curiosamente , o Oblast (espécie de subdivisão administrativa e territorial na Rússia) no qual Ekaterimburgo é o centro cdministrativo permanece usando o nome Sverdlosvk.

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Estátua de Yakov Sverdlov , em Ekaterimburgo. É atribuída a Sverdlov a ordem para a execução da família Romanov.

 

  • Outro lugar icônico (e com muito valor histórico) localizado em Ekaterimburgo é conhecido como Ganina Yama, dedicado à memória da família Romanov. Há uma razão para isso: os membros da família foram mortos na cidade e tiveram seus corpos jogados em um poço profundo onde agora é Ganina Yama. Posteriormente, a Igreja Ortodoxa Russa considerou o local sagrado, canonizou a família e construiu 7 capelas, cada uma dedicada a um integrante da família Romanov – o Czar Nicolas II, sua esposa Alexandra e seus filhos, Olga, Maria, Aleksei, Tatiana e Anastasia.

 

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Monumento dedicado aos filhos do Czar Nicholas II

  • Quatro jogos da Copa do Mundo serão disputados na cidade, na Arena de Ekaterimburgo , que tem capacidade para aproximadamente 35.000 torcedores. O estádio foi originalmente construído em 1953 , em uma construção típica da época,  no estilo de arquitetura Stalinista. Para a Copa do Mundo de 2018 , o estádio foi reformado para estar no “padrão Fifa de qualidade”, mas com o cuidado de  preservar a bela fachada histórica.

 

  • Houve bastante polêmica quanto a uma parte do estádio. Uma parte das arquibancadas é “externa” ao resto do estádio,  acoplada ao restante. Segundo a Fifa, não haverá prejuízo à visão dos  torcedores que sentarem nessa parte das arquibancadas. Abaixo, um mosaico de como ficou o estádio depois da reforma e, também, como ele era.

 

 

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Jogos que serão disputados em Ekaterimburgo

 

  • Alguns dos moradores mais famoso da cidade incluem a ex patinadora e medalhista olímpica Yulia Lipinitskaya  e o ex-presidente da Rússia, Boris Yeltsin.

 

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Boris Yektsin, que nasceu no vilarejo de Butka, mas viveu na cidade quando ainda era chamada de Sverdlovsk

 

 

 

 

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A patinadora Yulia Lipinitskaya, que é nascida na cidade de Ekaterimburgo

 

 

  • Um dos locais icônicos da cidade era a Torre de TV abandonada de Ekaterimburgo, uma estrutura gigantesca de 220 metros de altura. O projeto inicial da construção – que teve início em 1981 – era de que a torre chegasse até 360 metros (a Torre Eiffel, por exemplo, tem 324 metros), porém, com o colapso da União Soviética, as obras foram deixadas de lado. Mesmo assim, o local se tornou ponto turístico , o que incluía desde pessoas que vinham à cidade para a prática de base jumping do topo da torre, até outros que usavam o local para o suicídio , o que rendeu à torre o mórbido apelido de “Torre do Suicídio”. Para evitar qualquer tipo de novas fatalidades , foi decidido no início dos anos 200 que a entrada da torre seria fechada para visitação.

 

  • Durante a última década houveram tentativas de atrair investidores interessados em comprar a torre e a sua área no entorno, a fim de embelezar o local e transformar em um ponto turístico mais moderno e completo. Porém, com a crise financeira, nenhum projeto foi efetivamente posto em plano. Um dos projetos para a área chamou atenção pela idéia inovadora de transformar a torre em uma moderna igreja, que seria chamada de Igreja de Santa Catarina. Imagens abaixo (créditos : russiatrek.org)

 

  • Infelizmente, no dia 24 de março desse ano (2018), a torre foi demolida no “processo de embelezamento da cidade para a Copa do Mundo”, o que causou indignação de muitos dos moradores da cidade que a consideravam um símbolo de Ekaterimburgo. No local será construído um centro de patinação.

 

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A torre, até pouco tempo atrás, antes de ter sido demolida.

 

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  • Impossível tomar conhecimento da história de cidades como Ekaterimburgo sem refletir sobre a valorização que esse povo confere a suas riquezas arquitetônicas, como ficou evidente na construção da Igreja do Sangue Derramado e de Todos os Santos Resplandecentes na Terra Russa e em relação à fachada da arena da cidade.

 

Drops : O Carrapicho russo

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  • Quase todo brasileiro lembra/conhece a música “Tic Tic Tac“, da banda amazonense Carrapicho. Lançada no ano de 1996, a música era originalmente uma toada feita para o boi garantido (da Festa de Parintins), mas que depois foi gravada pelo Carrapicho e virou sucesso internacional, ficando no topo das paradas de diversos países europeus, como Portugal , França, Bélgica e Espanha.

 

 

 

  • Em 1997 , na Rússia, o cantor pop Murat Nazyrov decidiu que faria a sua versão da música  – cantada em russo – contando a história de um menino que queria ir para  a cidade de Tambov. O clipe é bem esquisito (risos), contando com personagens que parecem saídos da Família Adams, uma mistura meio gótico-tropical.

 

  • Tambov é uma cidade que fica a aproximadamente 450 km a sudeste de Moscou e  – acho – que foi usada na letra mais para manter a sonoridade da música parecida com a versão original em português. No clipe abaixo aparece a tradução da música assim como a transliteração do idioma russo .

Sedes da Copa do Mundo FIFA 2018: Kaliningrado

 

 

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  • Como boa parte das sedes dessa Copa do Mundo, Kaliningrado fica bem longe de Moscou , capital da Rússia : mais de 1.000 km entre as duas cidades. Até aí não há muita surpresa, pois, em se tratando de Rússia , essa distância não é particularmente grande. O curioso mesmo é que Kaliningrado não se encontra exatamente “dentro” do território russo.

 

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  • Localizada em uma área entre a Polônia e a Lituânia , às margens do Mar Báltico, o Oblast de Kaliningrado (cuja capital é a cidade de Kaliningrado) é um exclave russo , ou seja, é uma porção de território que é política e legalmente ligada à Rússia, entretanto não fica geograficamente dentro do território russo. Também é uma base militar estratégica da Rússia, por ter saída para o mar báltico e ficar próxima do restante da Europa.

 

  • A cidade outrora já foi chamada de Königsberg , tendo pertencido à Prússia , ao Império Russo , ao Império Alemão, e , ao fim da Segunda Guerra Mundial, foi anexada pela União Soviética. A população de origem alemã que ali vivia (e sobreviveu à guerra) foi expulsa da cidade e foi “reposta” por cidadãos soviéticos. A fim de homenagear o famoso revolucionário bolchevique Mikhail Kalinin, Königsberg foi renomeada como “Kaliningrado“. 

 

 

Stalin, Lenin e Kalinin no Congresso do Partido Comunista Russo, em 1919

 

  • Diferentemente de outras cidades que foram nomeadas com intuito de homenagear líderes comunistas e ,depois das queda da União Soviética, mudaram de nome  (exemplo : Leningrado – São Petersburgo), Kaliningrado mantém até hoje o nome em homenagem à Kalinin.

 

  • Apesar de ter sido renomeada e de sua antiga população de origem alemã tirada à força e substituída por cidadãos soviéticos , Kaliningrado ainda tem resquícios da arquitetura medieval e germânica da antiga Königsberg -muito embora a cidade tenha sido fortemente bombardeada durante a guerra e muitos dos prédios históricos tenham sido completamente destruídos.

 

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Ao fundo a Catedral de Cristo Salvador, com arquitetura típica das igrejas ortodoxas russas. Sua construção é bem recente, tendo sido finalizada em 2006.

 

  • Immanuel Kant foi o mais célebre ” filho” de Kaliningrado, muito embora a cidade ainda se chamasse Königsberg quando o filósofo era vivo. A ex-esposa do presidente Vladimir Putin , Lyudimila Putina, também é nascida na cidade.

 

 

 

  • Abaixo um vídeo que mostra um pouco mais de Kaliningrado:

 

 

  • O estádio de Kaliningrado (também chamado de Arena Báltica) tem capacidade para mais de 35.000 torcedores  e irá receber 4 jogos da fase de grupos.

 

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Стадион в Калининграде, который примет матчи ЧМ-2018

Arena Báltica

 

Sedes da Copa do Mundo FIFA 2018: Rostov-on-Don

  • Rostov-on-Don é uma cidade localizada no sul da parte mais ocidental da Rússia , distante aproximadamente 1,076 km de Moscou e é conhecida como a “terra dos cossacos“.

 

 

 

Arena Rostov , onde o Brasil fará seu jogo de estréia no dia 21 de junho

 

  • Situada às margens do rio Don (por isso o nome , que pode ser traduzido como “Rostov do Don”, distinguindo-a de outra Rostov, cuja fundação é bem mais antiga), a cidade é informalmente chamada de “portão para o Cáucaso” , por ser considerada o início da região do Cáucaso , que abrange vários países , incluindo a Rússia. Outro apelido dado à Rostov-on-Don é “a cidade dos 5 mares“, pois  ,através de canais conectados ao rio Don , tem acesso aos mares Báltico , Negro, Azov , Branco e Cáspio.

Duma ou Assembléia de Rostov-On-Don

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Universidade Federal

 

Canteiro de flores e monumento em memória aos soldados soviéticos mortos na Segunda Guerra.

 

 

  • A cultura e a história da cidade de Rostov-On-Don estão intimamente ligadas à cultura e à história dos cossacos. Os cossacos que viviam às margens do Rio Don tinham uma cultura fortemente ligada à tradição militar. Os meninos cossacos eram, desde cedo, incentivados a lutar, a andar a cavalo, enfim, havia grande estímulo para que se tornassem “bons guerreiros”.
  • A fama dos cossacos como homens corajosos e guerreiros destemidos era tão grande que ,reza a lenda , Napoleão Bonaparte teria dito a seguinte frase:  “Me dêem só cossacos, e eu tomarei toda a Europa com eles.”. Assim, os cossacos desta região tiveram importante participação em diversos momentos históricos em que a Rússia esteve em guerra, como na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. 
  • O escritor Mikhail Sholokhov escreveu em seu livro “O Don Silencioso” (um romance épico dividido em 4 volumes) , sobre o estilo de vida , a cultura e as dificuldades enfrentadas pelos cossacos do Don durante o período da Primeira Guerra Mundial, da Revolução Russa e da Segunda Guerra Mundial. O autor nasceu em um vilarejo próximo a Rostov-on-Don e tem uma estátua sua na cidade.

 

 

Monumento dedicado ao escritor Mikhail Sholokhov

 

  • Ainda sobre o livro “O Don Silencioso”, uma curiosidade : a canção “Where Have All the Flowers Gone?” (composta pelo músico folk americano Peter Seeger, mas talvez mais famosa  na voz de Joan Baez) tem inspiração na letra da tradicional canção cossaca “Koloda-Duda”, mencionada por Sholokhov em “O Don Silencioso”. Peter Seeger mencionou que a ideia surgiu após ter lido o livro.

“Where are the flowers? The girls have plucked them. Where are the girls, they’ve all taken husbands. Where are the men, they’re all in the army.”

” Onde estão as flores? As garotas as arrancaram. Onde estão as garotas? Todas elas se casaram. Onde estão os homens? Eles estão todos no exército.”

 

  • Para quem tem curiosidade sobre como vivem os cossacos nos dias atuais, a Gazeta Russa tem um vídeo muito interessante a respeito, mostrando como as novas gerações ainda se interessam e preservam as antigas tradições cossacas. A cidadezinha de Starocherkasskaya , pertinho de Rostov-on-Don (27 km) , também é um local turístico para quem quer ter uma idéia de como vivem os cossacos atualmente.

 

Starocherkasskaya

 

 

  • Com relação à música, os filhos mais ilustres de Rostov-on-Don são o grupo de rap Kasta, formado em 1995. 

 

 

  • Infelizmente Rostov-on-Don é também conhecida por um nome que traz consigo um motivo um tanto o quanto sombrio : “Cidade da Morte” ou “Capital dos maníacos”. Isso se deve a quantidade de serial killers que foram capturados na região entre 1987 e 1999 : 34 no total, incluindo o mais famoso serial killer da história da Rússia, o ucraniano Andrei Chikatilo. Sem contar também no número acima da média de estupradores que foram presos na cidade e arredores.

 

 

 

 

Aquiles – o gatinho oráculo da Copa do Mundo

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  • Aquiles, um gatinho branco pertencente ao “exército de gatos” do museu Hermitage, foi escolhido como o novo animal-oráculo da Copa da Rússia. O gatinho é surdo, mas mostrou-se extremamente exitoso na arte da adivinhação durante a Copa das Confederações do ano passado, acertando 3 resultados dos 4 jogos sobre os quais fez previsões.

Russian footballer Aleksandr Kerzhakov poses with Achilles the cat

  • Atualmente, o Hermitage conta com um “exército” de mais de 70 gatinhos , que vivem no porão, sendo alimentados e cuidados por voluntários e pelo “departamento de gatos” do museu. A grande maioria dos gatinhos são dóceis e gostam de ser afagados pelos visitantes,  somente alguns , como os gatos siberianos, são mais ariscos e não gostam tanto de interagir com o público. 

 

  • A presença de gatos no Museu Hermitage data de 1795, quando a Imperatriz Elizaveta encomendou gatos da cidade de Kazan ( que supostamente eram melhores caçadores que os gatos de outras cidades) para que estes caçassem e controlassem a presença de roedores no palácio – na época era um palácio e não um museu. Desde então, os gatinhos ajudam a manter o local livre de roedores e também contribuem para a fama do Hermitage. O diretor do museu declarou que recentemente ele tem recebido muito mais perguntas a respeito dos gatos que vivem no local do que sobre as obras de arte do famoso pintor Rembrandt ,que fazem parte do acervo do museu.

 

  • Voltando ao gatinho Aquiles : ele foi escolhido dentre todos os outros por amar contato com seres humanos e lidar bem com situações que podem ser consideradas estressantes para gatos, como ser acarinhado e interagir com estranhos, além de  sua “habilidade em prever” os resultados dos jogos.

 

 The cat is one of 60 cats that are used to catch mice in the Hermitage museum

 

  • Abaixo uma seleção de fotos e vídeos dos gatinhos que cuidam do Hermitage , assim como do gatinho Aquiles.

CLIQUE E VEJA VÍDEO DA NATIONAL GEOGRAPHIC

 

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Sedes da Copa do Mundo FIFA 2018: Sochi

  • A Rússia é o maior  país do mundo, com extensão territorial gigantesca, tão gigantesca a nível de apresentar 11 fusos horários diferentes e dividir o país em uma parte que se encontra no continente europeu e a outra que se encontra no continente asiático. Apesar do território russo se localizar principalmente no continente asiático, – aproximadamente 75% do território se encontra na Ásia –  a grande maioria da população –  aproximadamente 77% – mora na parte européia.

 

 

  • Rússia : porção européia e porção asiática. Comumente essa divisão é feita com base nos Montes Urais, uma cadeia de montanhas que se localiza na Rússia. O que fica ao leste dessa cadeia de montanhas é considerado Ásia e o que fica a oeste é considerado Europa.

 

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  • As 11 sedes da Copa de 2018. Detalhe para a cidade de Kaliningrado, que está completamente separada do território russo por fronteiras terrestres e também por águas marítimas internacionais, ficando em um território que faz fronteira com a Polônia e com a Lituânia.

 

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Sochi :

 

  • Sochi é uma das poucas cidades da Rússia com um clima sub-tropical , com verões que chegam aos 30º C e invernos que raramente têm temperaturas negativas. Banhada pelo Mar Negro e sendo muito próxima das belas montanhas do Cáucaso , principalmente da Abcásia, a cidade de Sochi é um dos principais destinos das famílias russas no meses de verão, sendo chamada de “a Riviera Russa”.

 

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As montanhas do Cáucaso, que são parte da vista de Sochi

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A tenista russa Maria Sharapova, que é nascida em Nyagan , na Sibéria, mas passou parte da infância em Sochi e tem forte ligação com essa cidade.

 

A beira-mar de Sochi, com as típicas pedrinhas

 

  • Alguns dos mais famosos habitantes de Sochi são :

Elena Vesnina – jogadora de tênis ; nascida em Lviv , na Ucrânia, mas passou a infância em Sochi.

Boris Nemtsov – político ; criticava duramente o governo de Putin ; foi assassinado a tiros , perto do Kremlin em Moscou ,no ano de 2015.

Yevgeny Kafelnikov – jogador de tênis ; campeão do Australian Open (1999) e de Roland Garros (1996).

 

 

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  • Além de ser bela por sua natureza “tropical pero no mucho” , Sochi também pode ser apreciada por seus belos parques , monumentos e arquitetura típica Stalinista.

 

          – Arboretum  (algo como um Jardim Botânico) :

 

 

 

 

Dendrariy Sochi é um belíssimo jardim botânico fundado em 1892 e fica no centro da cidade. Foi idealizado por Sergey Khudekov, um rico empresário, escritor e historiador de ballet. Khudekov comprou áreas no centro da cidade e começou a plantar espécies exóticas, com o intuito de criar um parque. O parque conta com com mais de 200 espécies de árvores frutíferas, 76 espécies de pinheiro, 80 espécies de carvalho, 24 de palmeiras. Além disso conta com um jardim totalmente dedicado às rosas, com mais de 140 tipos de rosas. é comum encontrar pequenos esquilos correndo entre os jardins, assim como pelicanos e cisnes.

 

        –  Alameda dos Plátanos :

 

 

 

 

A Alameda dos Plátanos ou Platanovaya Alleya , em russo, foi fundada em 1913, em comemoração ao aniversário de 300 anos da Dinastia dos Romanov, família nobre e a última dinastia imperial que governou o Império Russo. Os plátanos ali plantados também datam deste mesmo ano  e foram escolhidos justamente por sua longevidade, chegam a viver mais de 100 anos. A alameda também possui fontes de água musicais , que à noite embelezam a área com música e show de cores.

 

– Casa de veraneio de Josef Stalin:

 

 

 

 

Ter uma casa de veraneio, longe da vida atribulada das grandes cidades é um costume muito comum e tradicional entre as famílias russas. Josef Stalin não fugiu à regra : era apaixonado por sua “dacha” . O lugar  era frequentado pela família no verão, apesar de ser o outono a estação preferida por Stalin para visitar o local. Toda pintada de verde para ser confundida e camuflada com a vegetação que a circunda, a dacha de Stalin também foi visitada pelo líder comunista Mao Tsé Tung. A dacha está completamente preservada, tanto no interior quanto no exterior , e é aberta à visitação do público .

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– Bosque de teixo e álamo:

 

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Esse bosque , que fica no distrito de Khosta, existe desde a Idade do Gelo, sobrevivendo tanto às mudanças produzidas pelo homem , quanto por calamidades naturais produzidas pela natureza. Apesar de alguns álamos terem apresentado fungos nos últimos anos, o bosque continua belíssimo e bem conservado.

 

  • Catedral de São Miguel :

 

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A Catedral de São Miguel Arcanjo é a igreja ortodoxa mais antiga de Sochi e de toda a região do Mar Negro, tendo sido construída entre os anos de 1874 e 1890. A construção demorou tanto devido a restrições econômicas.

 

Aqui abaixo um videozinho turístico com imagens aéreas de Sochi

 

Vista do interior do estádio à noite

 

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Vista externa do estádio ;  a capacidade do Estádio de Sochi é de 40.000 torcedores; foi construído e utilizado originalmente para as Olimpíadas de Inverno de 2014 e re-inaugurado em 2016, com modificações visando os jogos do Mundial de 2018. Seu formato externo foi feito de forma a lembrar o formato dos famosos ovos Fabergé .

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Jogos que serão disputados em Sochi

Europa branquinha – a onda de frio na Europa

  • Nessa semana pipocaram na internet imagens de diversas cidades europeias bem branquinhas, cobertas de neve, devido à “besta vinda do leste”, uma forte onda de frio proveniente de ventos vindos da Sibéria. 

 

 

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O mapa acima ilustra em quais partes da área retratada – Europa, África, parte da Ásia e Ártico – as temperaturas encontram-se acima (e abaixo) da média para essa época do ano.

 

  • Na realidade, esse frio que assola a Europa é resultado de toda uma conjuntura de fenômenos climáticos, como o “calor” anormal – para essa época do ano – na região do Ártico, onde a temperatura está por volta dos -8 º C,  20 graus acima do que costuma ser nessa época do ano. O gelo que cobria o mar da região ou derreteu, ou está mais fino do que o costumeiro. Isso faz com que o ar frio que vem do norte vá para o sul e adentre o continente europeu. Os fortes ventos da Sibéria empurram esse frio em direção à Europa provocando a nevasca que deixou muitas cidades branquinhas de neve.

 

  • Especialistas , na tentativa de facilitar a compreensão de todos , compararam esse fenômeno ao frio proveniente de uma geladeira: “é como se a porta da geladeira do planeta tivesse sido aberta e o frio que estava preso lá dentro fosse arremessado para fora, fazendo com que o interior da normalmente fria geladeira ficasse , de fato, mais quente do que o ambiente exterior”.

 

  • Áreas onde normalmente o inverno não é dos mais rigorosos serão atingidas pelas nevascas, como a Córsega, localizada no Mediterrâneo. A ilha francesa teve uma boa quantidade de neve caindo,  pelo menos 10 cm .

 

  • Mas nem tudo são flores e o que aparentemente é só beleza, também tem um lado feio e cruel. Devido ao forte frio, mais de 50 pessoas já morreram, predominantemente em cidades da Polônia e da Ucrânia, onde os termômetros estão abaixo dos – 20 ºC e poderão chegar aos – 30ºC na próxima semana.  
  •  “A Besta do Leste” “O Urso da Sibéria” , o “Canhão de Neve” são alguns dos apelidos conferidos ao fenômeno em países como Inglaterra, Holanda e Suécia. 

Estádio do Arsenal coberto de neve

 

 

 

 

 

First snow in Naples, Italy since 1956, naples snow february 2018, naples snow february 2018 pictures

A cidade de Nápoles , no sul da Itália, normalmente uma cidade associada ao sol e calor ,  recebendo neve pela primeira vez desde 1956.

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Nápoles

The city ground to a halt, closing schools and urging residents to stay home.

A estátua de São Pedro coberta por um manto branco de neve, em Roma.

 

Rome experienced its coldest weather in almost five years.

Roma, na Itália, que na foto parece mais com uma cidade russa

 The toddler died in the snow outside his home in Yaga, Siberia, pictured

Amanhecer na gélida cidade de Yaga, na Sibéria, onde os termômetros chegaram a agradáveis -40º C

But on Monday, the temperature in the city dropped below 20 degrees Fahrenheit, or -7 Celsius.

O Coliseu, em Roma.

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Um elefantinho come uma bola de neve no zoológico de Munique, na Alemanha.

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Londres, na Inglaterra

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Pombinhas se aquecem na saída de uma central de aquecimento em Kiev, na Ucrânia.

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Um bando de gaivotas sobrevoa as águas do Mar Negro, que costeia a cidade de Constanta, na Romênia (cidade da jogadora Simona Halep)

Roma, uma cidade que geralmente não enfrenta invernos muito severos, nessa semana amanheceu cobertinha de neve.

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Um bando de pardais e uma pomba aquecem uns aos outros na saída da ventilação do metrô de Kiev, na Ucrânia.

Vasily Maximov, AFP/Getty Images

A Catedral de São Basílio, em Moscou , na Rússia.  A cidade recebeu mais de 40 cm de neve e as nevascas já derrubaram mais de 2000 árvores, matando uma pessoa.

 

A woman shields her face while braving the abnormally cold temperatures in the Siberian city of Novosibirsk, which dropped to -35C

Mulher com os cílios e os cabelos congelados na cidade de Novosibirsk, na Sibéria, onde fez -37º C nessa semana

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Um homem observa a neve pela janela de seu apartamento, em Uzice, na Sérvia. Inclusive, essas pequenas “lanças de gelo” que se formam nos prédios são extremamente perigosas s, pois correm o risco de atingir eventuais transeuntes quando se desprendem.

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Uma mulher protege um cachorrinho dentro do seu casaco em Kiev, na Ucrânia. Lá, as temperaturas beiraram os – 30º C.

  • A tempestade  “Emma”, que deve atingir a Irlanda na  quinta-feira com ameaça de provocar as maiores nevascas  desde 1982 fez com que a população corresse aos  supermercados em busca de estocar alimentos. O “alerta vermelho” foi acionado e os habitantes foram aconselhados a se manter abrigados nas províncias de Munster e Leinster entre as 16h00 de quinta-feira e às 12h00 de sexta-feira.
  • Na Bélgica, as autoridades adotaram a prática de obrigar os sem teto a se refugiarem em abrigos, visto o alto índice de mortes .
  • Na Alemanha, os abrigos passaram a funcionar 24 horas por dia e não apenas à noite, como costumeiro.

 

 

O peito do Putin – 10 anos depois

  • Há 10 anos , em uma de nossas primeiras postagens no site, publicamos um post com uma foto de Putin pescando , em um clique que futuramente viraria um dos vários memes do presidente russo.

 

  • Atualmente memes com figuras públicas são proibidos na Rússia. O órgão responsável por tal fiscalização , chamado Roscomnadzor  (“Serviço Federal para Supervisão de Comunicações , Teconologia da Informação e Mídia de Massa”) , fez esse anúncio em 2015. O órgão considera ilegal publicar memes de uma figura pública em contexto que não tenha “conexão com a sua personalidade”.

 

  • Imagens como essas :

 

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  • Mas a imagem que realmente incomodou o governo russo foi o conhecido como o “meme do palhaço gay”. A imagem mostra Putin maquiado exageradamente, com um arco-íris no fundo, e viralizou como forma de protesto à forma como os gays, lésbicas , bissexuais, travestis e transgêneros são tratados no país.

 

  •  O Ministério da Justiça da Rússia elencou a imagem em meio a mais de 4.073 outros ítens de “conteúdo extremista”, como imagens racistas ou anti -semitas.  O documento oficial descreve a imagem proibida como “um cartaz que mostra um homem parecido com o presidente russo, Vladimir Putin, com maquiagem no rosto, cílios e lábios. O autor ou os autores do mesmo sugerem que o presidente tenha uma orientação sexual fora do padrão”.

 

Ilustração de Vladimir Putin popularizada durante as manifestações em favor dos direitos LGBT+ na Rússia em 2013

 

  • Aquele que compartilhar ou distribuir de alguma forma esse meme poderá ser preso por 15 dias e ainda ser condenado a pagar uma multa equivalente a R$ 165,00.

 

  • Dez anos depois, após anexar o território da Criméia ao território russo, após as diversas sanções impostas à Rússia (por países da União Européia , EUA , entre outros), após denúncias de corrupção e violações de Direitos Humanos, etc, o presidente Vladimir Putin mostra que continua “de boa na lagoa”.

 

  • As novas imagens, divulgadas pelo Kremlin,  mostram o presidente em férias na Sibéria, fazendo atividades como pesca, mergulho e também curtindo um solzinho. Segundo o porta-voz do Kremlin :“O presidente se dedicou à caça submarina e perseguiu um lúcio (peixe) durante duas horas. Não havia forma de caçá-lo, mas finalmente conseguiu”. Quanto ao mergulho : “A temperatura da água do lago não superava os 17 graus, o que não impediu o presidente de tomar um banho”.

 

  • Abaixo , imagens do presidente  aproveitando e enfrentando os perigos da taiga siberiana e ainda um vídeo completo das aventuras de Putin :

 

 

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Curtindo um solzinho

 

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“Welcome to Russia”

 

O presidente russo, Vladimir Putin, segura um peixe durante viagem de caça e pesca na República de Tyva

O presidente russo, Vladimir Putin, posa para foto com uniforme camuflado durante viagem de férias na República de Tyva

” Privet (olá, em russo)”

 

 

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Caçando cogumelos

Faça o que quiser – mas vote em Macron

Eis a nada sutil mensagem que o “Libération” deste fim de semana traz na chamada de capa.

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“Faça o que você quiser, mas vote em Macron”

O “Libération” é um jornal de esquerda que, em condições normais, não apoiaria o liberal Macron. Por isso, é importante qualificar essa capa. Não é um apoio a Macron: é uma oposição a Marine Le Pen, a candidata da direita radical.

A candidatura Macron beneficia-se enormemente do rótulo de “mal menor”: tem a seu lado a mídia francesa inteira, todos os liberais e uma parte significativa da esquerda. Não importa muito o que tem ou não tem a dizer: sabe-se que ele não é Marine Le Pen, e isso basta. O resto parece importar pouco, para quem o apoia.

O México olha para o Sul – graças a Trump

 

 

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O cientista político alemão radicado no Brasil, Oliver Stunkel, publicou artigo recente defendendo o que muitos têm dificuldade em imaginar: a eleição de Donald Trump é uma oportunidade de ouro para a integração latinoamericana.

O argumento de Stunkel é simples: com o progressivo isolamento dos EUA, a relação conflituosa com o México e atitude francamente anti-latina de parte significativa do secretários de Trump, é o momento dos líderes do Brasil e da Argentina aproximarem-se do maltratado país azteca.

“Com eleições legislativas na Argentina neste ano”, diz ele, “ e eleições presidenciais no México e no Brasil em 2018, o tempo para articular qualquer projeto dessa natureza é curto, e a janela de oportunidade tem prazo limitado. Será uma pena se não for aproveitada”

O México, pelo que parece, já percebeu isso.

O La Nacion de hoje anuncia que, devido ao conflito com Trump, os mexicanos pretendem substituir a importação de milho norte-americano pelos congêneres brasileiros e argentinos – apesar da distância entre os dois países e o México ser muito maior.

 

 

Uma republiqueta chamada Estados Unidos da América

Imaginemos uma campanha presidencial em um dado país. Há dois candidatos, quase empatados nas pesquisas de opinião: um, que lidera as pesquisas, tem o apoio de grande parte da mídia e do empresariado; o outro não tem. Um deles – o que lidera – começa a acusar o outro de ser uma “marionete” de uma grande potência, supostamente interessadíssima na desestabilização deste dado país. O acusado nega tudo, mas de nada adianta: as acusações seguem sem parar, e em breve não serão feitas apenas pelo candidato oponente, mas pelos jornais, revistas e redes de TV que o apoiam.

O leitor pensará que tratamos aqui de algum país pobre e atrasado de nossa América Latina, onde é comum acusar adversários políticos de serem joguetes dos imperialistas. Nada disso: trata-se da eleição dos Estados Unidos da América. E a potência acusada de interferir é a Rússia.

Já tivemos a oportunidade de apontar neste artigo o quão, digamos, curiosa é essa situação. E agora não estamos sozinhos: ganhamos o apoio de ninguém menos do que Vladimir Putin. Em declaração recente, o presidente russo disse que “os americanos estão delirando” e que sofrem de “histeria coletiva“. E disparou: “Será que alguém seriamente acha que a Rússia pode interferir nas escolhas do povo americano? Os EUA são alguma republiqueta de bananas?”

Os americanos decerto não acham isso. Mas a brincadeira de Putin faz todo o sentido: alguém, conhecendo os EUA, poderia imaginar que uma revista de grande circulação sairia com esta capa?

“A Rússia quer minar nossa fé na eleição dos EUA. Não caia nisso”

Nem o “Granma” faria melhor.

A biblioteca mais antiga do mundo

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A biblioteca al-Qarawiyyin, localizada em Fez, no Marrocos, é a mais antiga instituição do gênero ainda em atividade: foi fundada no distante ano de 859.

Contrariando os preconceitos ocidentais acerca do Islã, quem fundou al-Qarawiyyin foi uma mulher, Fatima El-Fihria. Filha de um rico comerciante tunisiano, cultíssima e muçulmana fiel, investiu toda a sua herança na construção de uma mesquita e de um centro de ensino – uma “madrassa”, para usar o termo correto. Junto a ela, logo foi construída uma biblioteca.

Pelas suas paredes mais do que milenares passaram, entre muitos outros, o místico Ibn Al-Arabi, o historiador Ibn Khaldun e os filósofos Averróis e Maimônides.

Durante muitos anos, al-Qarawiyyin esteve fechada. Graças a esforços conjuntos do governo marroquino e do Banco do Kuwait, ela acaba de ser reaberta após um processo longo de restauração.

E quem o comandou foi, também, uma mulher: a urbanista marroquina Aziza Chauouini.

Abaixo, algumas fotos da biblioteca:

The al-Qarawiyyin university, library, and mosque were founded by Fatima El-Fihriya in 859 — around the time early forms of algebra were being invented.

 

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A Colômbia diz não

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A América Latina inicia a semana sob o impacto dos resultados de uma votação definidora de caminhos – e não se trata aqui das eleições municipais brasileiras.

Neste domingo, dia 2, os colombianos foram às urnas para decidir se aceitam ou não o acordo com governo do país com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo guerrilheiro de esquerda que, há anos, ocupa vastos espaços no interior do país.

O resultado final surpreendeu a todos: o “não” venceu por pouco mais do que 50%, contrariando todas as pesquisas de opinião, que davam como certa a vitória do “sim” por uma larga margem.

A decepção foi geral: do presidente do país, Juan Manuel Santos, às ONGs do mundo todo, todos lamentaram profundamente a negativa da população colombiana. A exceção ficou por conta do ex-presidente Álvaro Uribe, que era contra o acordo desde o começo: para ele, negociar com as FARC nos termos estabelecidos seria uma rendição do país à guerrilha.

A situação volta, agora, à estaca zero – e, apesar de tanto as FARC quanto o governo colombiano negarem, a verdade é que a frágil situação de paz na Colômbia ficou seriamente abalada.

O FMI volta à Argentina

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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, está confiante: o FMI voltou à Argentina.

Um leitor brasileiro mais apressado ficaria com a impressão de que Macri enlouqueceu. Como assim, confiante? Quem pode celebrar uma coisa dessas? Nos anos 80 e 90 fomos diversas vezes ao FMI, sempre de pires na mão, em busca de misericordiosa ajuda para superar nossa desorganização terceiro-mundista. Em algumas dessas vezes, fomos recebidos; em outras, nem isso. Ir ao FMI, sabemos todos, é sinal de fracasso econômico. Macri deve estar brincando.

A este leitor pedimos uma leitura mais calma: não foi a Argentina quem dirigiu-se ao FMI; foi o FMI quem, mui gentilmente, viajou a esta parte do mundo para uma visita. E uma visita com objetivos muito claros: revisar os fundamentos da economia argentina, analisar a confiabilidade dos novos dados e propor algumas soluções para os problemas que restam.

“Nesta semana, depois de mais de 10 anos, a Argentina recebe uma missão do FMI, para cumprir com o artigo IV, como ocorre em qualquer país normal. Queremos voltar a ser parte do mundo, acabando assim com o isolamento”, disse Macri em Nova York. Está, realmente, muito confiante. A Argentina, finalmente livre do peronismo, pode voltar a fazer negócios com o mundo todo, num ambiente seguro e sem amarras.

Mas isso não será fácil. O economista Arnaldo Bocco, crítico do governo Macri, comparou as exigências do FMI com regras de etiqueta: “O Fundo é a expressão da direita no sistema financeiro, um defensor do discurso da ordem econômica. É como um daqueles velhos clubes da elite, que exigiam terno e gravata na entrada. Quem não veste a rigor, usa roupa emprestada, mesmo caindo mal”. 

O FMI veio para a América do Sul com um roupas sem dúvida finas, de bom gosto, mas muito bem ajustadas. Caberá à Argentina de Macri emagrecer para usá-las como se deve. Afinal, não se pode desapontar uma visita tão ilustre.

 

A Coreia do Norte contra o sarcasmo

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É bom que esses sorrisos do pessoal ali de trás sejam verdadeiros….

A Coreia do Norte é conhecida por suas leis, digamos, estritas. E nós acabamos de infringir uma delas: deve-se chamar o país de “República Democrática da Coreia”, e não “Coreia do Norte”. Para o governo de Pyongyang, há apenas uma Coreia verdadeira; a outra, a do sul, é tão falsa que sequer merece a honra de ser grafada com letras maiúsculas. Sim, aí está outra lei:  o nome da vizinha Coreia do Sul só pode aparecer com o “s” de “Sul”  minúsculo.

À imensa lista de proibições coreanas – é desnecessário dizer “norte-coreanas”, já que, como sabemos, Coreia de verdade só há uma – soma-se agora mais uma: a proibição de se fazer comentários sarcásticos sobre o presidente, Kim Jong-un ou sobre qualquer tema ligado ao país.

É claro que leis deste tipo geram um problema: como reconhecer um comentário sarcástico? Excetuando os casos óbvios, pode ser muito difícil. Por exemplo: alguns coreanos (e não norte-coreanos, nacionalidade que, como vimos, não existe) costumam dizer que este ou aquele problema que encontram “é culpa dos americanos” em tom de gozação: é uma referência clara ao discurso anti-EUA do governo do país. Como distinguir, neste caso, a zombaria do anti-americanismo sincero?

Para alargar o âmbito de aplicação da norma, os governantes coreanos (enfatizamos: coreanos, e não norte-qualquer-coisa) definiram que certas expressões faciais e gestuais também estão incluídas na proibição. Traduzindo: um sorriso fora de lugar pode levar alguém à prisão. Mas surge outro problema: como reconhecer os sorrisos fora de lugar? Quem já viu fotos onde Kim Jong-un aparece junto a correligionários, ministros ou o povo sabe que seus interlocutores estão ,invariavelmente, sorrindo. Mais do que isso: em muitos casos, estão gargalhando; gargalhando abundantemente, em espírito de celebração. Gargalhando entusiasticamente. Quase em êxtase. De chefes de gabinete a criancinhas em apresentações artísticas, todos os coreanos que se aproximam do líder máximo reagem com vivos e abundantes sorrisos. Não é fácil distinguir as sinceras manifestações de alegria dos risinhos irônicos dos maliciosos.

A presidência, naturalmente, sabe disso. E sabe também que , em situações assim, é melhor prevenir. Por isso, está promovendo uma série de palestras e encontros com a população para explicar as novas regras. Um entrevistado resumiu o teor destas palestras: “Mantenham as bocas caladas”. Na dúvida, é melhor não rir. Nem se o riso for sincero.

Trump ultrapassa Clinton

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A última pesquisa de intenção de voto nos EUA indica que Donald Trump ultrapassou a candidata democrata, Hillary Clinton na preferência do eleitorado: são 40% de apoio para o bilionário, contra 39% para a senadora.

O resultado chama a atenção pela ascensão de Trump em relação à última pesquisa, de agosto. Na época, ele estava 12 pontos atrás de Hillary – o que pode ser atribuído, em parte, às suas polêmicas declarações de apoio ao ataque de hackers russos aos emails do Partido Democrata.

A eleição norte-americana será em começo de novembro. Há muita coisa para acontecer até lá, inclusive uma nova reviravolta- até porque a grande mídia dos EUA está, quase toda ela, a favor de Hillary.

Hillary Clinton vira o jogo – por ora

É o que indica a última pesquisa de intenção de voto para a presidência dos EUA. De acordo com a enquete comandada pela CBS, Hillary Clinton aparece com 47% de preferência do eleitorado, contra 39% de Trump.

É uma diferença marcante da última pesquisa, que dava a liderança ao bilionário.

Analistas atribuem a mudança de quadro à escolha definitiva de Hillary para ser a candidata do Partido Democrata, combinada com recentes declarações de Trump, consideradas pró-russas.

Este é o quadro do momento – 1º de agosto. Há muito por acontecer até o 8 de novembro, o  dia da eleição

Hillary Clinton promete tirar Bashar Al-Assad do poder

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São as palavras de Jeremy Bash, um dos responsáveis pela área internacional da campanha de Hillary.

Segundo ele, Assad comanda um “regime assassino” e os EUA devem comandar ações militares para tirá-lo do poder.

O tema da Síria foi alvo de muito debate durante a administração Obama. Por um lado, o discurso oficial era o de retirar Assad do poder; por outro, altos dignatários do governo, como John Kerry, trabalhavam junto aos russos para minar a ação do ISIS na região.

Bash diz que, com Hillary no poder, as coisas vão mudar:”Ela acha que a importância de os EUA serem líderes é um princípio basilar”.

Segundo ele, “ela acredita que os problemas que existem no mundo podem ser resolvidos mais facilmente quanto os EUA estão envolvidos em cada um deles. Nós sempre tentamos trabalhar com coalizões de povos, países e líderes que querem enfrentar os problemas da mesma maneira que nós”.

Bash não diz isso, mas este é um ponto em que a democrata Hillary se aproxima de muitos republicanos – em particular dos neoconservadores, que tiveram participação decisiva durante o governo Bush.

Ainda falaremos sobre este tema aqui no Perspectiva.

Trump está na frente

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A CNN acaba de divulgar: o candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, lidera as pesquisas de intenção de voto.

Segundo a pesquisa encomendada pela rede de TV norte-americana, Trump conta com 44% das intenções, contra 39% de Hillary Clinton, do Partido Democrata.

Os números divulgados também indicam que o eleitorado norte-americano está dividido por renda, etnia e nível educacional.

Hillary lidera entre os eleitores brancos com diploma universitário, somando 44% contra 39% de Trump. Foi um aumento de quase dez pontos em relação à pesquisa anterior.

Já entre os eleitores brancos sem diploma, a vitória de Trump é esmagadora: 62% contra 23%. Neste subgrupo, também houve um alargamento das diferenças: na pesquisa anterior, Trump vencia com 51%, contra 31% de Hillary.

Quando se considera a cor de pele, as pesquisas mostram um fosso ainda maior, conforme mostra esta reportagem do Washington Post. Segundo os números apresentados, Trump ganha apenas 6% dos votos dos eleitores negros – contra 47% dos brancos.

Essas divisões são um obstáculo à governabilidade e a muitas das plataformas que Trump vem defendendo, e iremos abordá-las aqui no momento oportuno. De qualquer forma, a superioridade de Trump neste momento não é pouco para quem, há menos de um ano, era considerado uma piada que estava perdendo a graça. 

O pensamento de Boris Johnson

Boris Johnson wears a traditional headdress during a visit to the Shree Swaminarayan Mandir, a major new Hindu temple being built in Kingsbury on May 28, 2014 in London, England. (Photo by Rob Stothard/Getty Images)

“Look at me!”

O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, do Partido Conservador, acaba de ser escolhido como novo secretário de relações exteriores da Grã-Bretanha.

Não é uma função qualquer: será o primeiro a ocupar a pasta após o Brexit e a renúncia do primeiro-ministro David Cameron. Seria, portanto, de se esperar que o novo secretário fosse alguém com qualidade condizentes com o cargo. E uma destas qualidades seria, em princípio, a capacidade de se relacionar com outros povos – até para fazer valer os interesses britânicos de maneira mais inteligente.

Johnson é, sem dúvida, um homem com qualidades. Uma delas é a da escrita: admirador de Churchill, é autor de uma biografia sobre o ex-primeiro ministro. Alguns especialistas, como o historiador Richard Langworth, criticaram a obra de Johnson. Mas fizeram ressalvas quanto ao homem: Johnson, segundo Langsworth,  “é um cavalheiro adorável que fala o que pensa”.

Se ele fala o que pensa, sabemos bem o que esperar dele: basta analisarmos as suas declarações, em especial aquelas que envolvem relacionamentos com outros países. Primeiro, com um aliado próximo, os EUA: disse que presidente Barack Obama sente um ódio ancestral pela Grã-Bretanha por ser “metade queniano”. Quanto a Hillary Clinton, candidata à presidência pelos Democratas, disse que ela possui a aparência de uma “enfermeira sádica”.

Dentro de casa – isto é, a Inglaterra – Johnson insinuou que o auxilio da prefeitura de Londres à comemoração anual do Dia de São Patrício, tradicional festa da comunidade irlandesa, era um gasto inútil para o Sinn Fein celebrar. O Sinn Fein, para quem não sabe, é o partido da ilha que defende a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e a incorporação à República da Irlanda.

Em outra ocasião, Johnson exercitou suas qualidades artísticas escrevendo um poema ao presidente da Turquia, Recep Erdogan. O poema – que não reproduziremos aqui – sugere que o sr. Erdogan tinha atração sexual por cabritos. Novamente, não teve receio de falar o que pensava.

Já sabe se, portanto, o que Johnson pensa sobre os outros. Já se sabe o que esperar dele. E esta é uma qualidade nada desprezível em um homem público.

Trump: “A Bélgica é uma bela cidade”

 

Donald Trump disse recentemente que Bruxelas era um lugar “infernal”. A razão seria a suposta presença massiva de radicais muçulmanos por lá.

Não sabemos se sua opinião sobre a capital belga mudou. Sabemos, contudo, o que ele pensa sobre uma cidade – que desconhecemos.

 

Sarkozy: “Ser francês é um privilégio”

Nicolas Sarkozy à Saint-André-lez-Lille.

 

O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, é um admirador confesso de Charles de Gaulle. Em seus discursos, costuma incorporar muito da antiga retórica conservadora, nacionalista e unitária do velho general – com o cuidado, é claro, de jamais resvalar para a xenofobia e o chauvinismo de uma Front Nationale.

Foi o caso de um discurso recente, dado em Paris. “A França”, disse ele, “é um país cristão na cultura”. Diante  das implicações problemáticas desta frase para os milhões de muçulmanos franceses, emendou: “É um país aberto, acolhedor, tolerante. Um país que deve respeitar aqueles que querem viver nele”. Ah, bom.

Sarkozy toma outros cuidados. Não quer definir o nacionalismo francês de forma essencialista, estanque: “A França é um corpo, um espírito, uma alma”, diz ele. Qualquer um pode incorporar este espírito francês; basta querer. Afinal, é um país “aberto, acolhedor, tolerante”. Os franceses, entende Sarkozy, são diferentes por isso, e por muito mais.

Sarkozy é cuidadoso, mas não é bobo. Defende a França acolhedora e aberta, mas exige contrapartida: exige respeito. E lamenta porque não o vê na prática: “Em uma sociedade multicultural, todos têm o direito de cultivar a sua diferença. Todos, exceto a maioria: todos salvo o povo francês”.

É uma situação complicada. Há gente por aí que abusa do acolhimento e da abertura dos franceses, enfatizando a sua diferença em relação ao todo nacional. A República francesa, que o De Gaulle, inspirador de Sarkozy, ajudou a construir, não pode tolerar quem não quer tolerar os elementos que fazem dela um “país cristão na cultura”.  Há um limite. Sarkozy sabe disso, e seus eleitores sabem disso. E, por isso, ele alerta para uma  “tirania das minorias que fazem cada dia mais recuar a República”. 

O termo “minorias” tem significado muito amplo. Pode envolver desde as minorias étnicas – são as primeiras que lembramos, ao ler seu discurso – até as tribos urbanas, as comunidades religiosas e de orientação sexual. Pouco importa: são aqueles que, de uma forma ou de outra, ameaçam a grande comunidade francesa, o povo francês, a República; são aqueles que impedem a França de continuar a ser um país “país cristão na cultura”. 

A conclusão é óbvia: ser francês não é para qualquer um. É preciso cumprir certos requisitos. Quais? Não sabemos, e Sarkozy não nos informa. Mas ele e seu público parecem saber quais são. Por isso, concluiu sua fala, sob aplausos, lembrando a todos os presentes: “Eu sou francês, vocês são franceses, nós somos franceses. Isto é um privilégio!”. E Sarkozy parece disposto a lutar para que continue a ser um privilégio. Até onde irá?

 

Todos contra Hillary

É o que diz a capa do jornal francês “Libération” nesta terça-feira.

Segundo o jornal francês, Hillary Clinton está a um passo de ser a escolhida dos democratas para a eleição presidencial deste ano. Agora participa das últimas primárias sob o fogo das críticas de Trump – e, sobretudo, de Bernie Sanders, seu adversário dentro dos Democratas.

É um processo parecido com o que se desenrolou no interior do Partido Republicano há alguns meses. Na altura, Trump estava também sob intenso ataque – menos por parte de Sanders e Hillary, muito mais por parte de seus companheiros do partido. No fim das contas, foi o escolhido.

Hillary também parece ser a preferida de grande parte da mídia americana, que teme um governo Trump, do qual não sabe o que esperar. De Hillary, ex-esposa de Clinton e senadora, já se sabe o que pensa.

 

“Foi só uma sugestão”, diz Trump sobre a proposta de banir muçulmanos

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“Não era bem assim, pessoal”

Em novembro de 2015, o então pré-candidato à presidência dos EUA pelo Partido Republicano, Donald Trump, surpreendeu a todos com uma modesta proposta: impedir a entrada de muçulmanos nos EUA.

As reações foram as esperadas. Seus apoiadores – os conservadores à direita da média dos republicanos – adoraram; seus adversários – todo o resto – ficaram assustadíssimos. Trump já tinha uma candidatura forte e, se eleito, muito bem poderia colocar em prática essa ideia. O perigo parecia real.

Estamos em abril de 2016 e as coisas parecem bem diferentes. Trump já é o candidato do partido e, como tal, tem de assumir responsabilidades. O discurso precisa ser outro. E já é outro: em entrevista à rádio Fox News, Trump disse que nada disso é algo definido. “Foi apenas uma proposta”. Em entrevista à rede de TV da mesma empresa, falou um pouco mais do assunto. “Pensamos em algo no máximo temporário. Gostaríamos que o banimento fosse retirado o mais rápido possível. Precisamos ser vigilantes, porque de fato há um problema de terrorismo muçulmano por aí”. 

Resta saber se sua base eleitoral gostará de saber disso.

Un tema latinoamericano

A capa do jornal uruguaio “La diária” lança uma mensagem claríssima aos seus leitores:

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A capa é dirigida a quem pense que, sendo uruguaio, nada tem a ver com o processo de impeachment que transcorre hoje à tarde por aqui.

Se os uruguaios não perguntam, nós perguntamos: porque “asunto nuestro”? A explicação vem dentro da matéria: “Lo que le pasa al pueblo brasileño nos pasa a todos los latinoamericanos”, dizem Mariana Marreto e Santiago Pérez Castillo, líderes do movimento estudantil uruguaio.

E não são os únicos a pensar assim. Uma rápida recorrida pelos demais jornais do continente mostra que, nos países vizinhos, o processo de impeachment de Dilma Roussef é tratado com a importância de uma questão continental. Na Argentina, o “La Nación” criou uma seção especial apenas para divulgar notícias da crise política brasileira. O Clarin ,por sua vez, disponibiliza aos seus leitores uma cobertura ao vivo. Já no outro lado do espectro político, o Página 12 parece mais preocupado em atacar as políticas de austeridade do governo Macri, do qual é feroz opositor; mesmo assim, dedica um grande espaço ao processo de impedimento brasileiro e destaca que o papa Francisco está “rezando por el pueblo de Brasil”. 

No Chile, o jornal “La Tercera” – que também realiza cobertura ao vivo do processo – traz, como matéria do dia, a negativa do STF ao pedido de anulação do impeachment feito pela AGU. No Peru, o “El Comércio” também dedica uma seção especial ao assunto. Algo parecido se verifica no Equador, na Venezuela e em outros países do continente.

Parece difícil discordar dos líderes estudantis uruguaios. O que está se passando nesta tarde de quarta-feira no Senado não é um tema somente nosso, brasileiro: é, sem a menor dúvida, un tema latinoamericano. 

 

Algumas imagens da Coreia do Norte

Como se sabe, a Coreia do Norte é um dos países mais fechados do mundo. Isso a torna, também, um dos mais misteriosos: os poucos estrangeiros que têm a permissão de visita-la são acompanhados por um guia local, que estabelece um roteiro rígido de passeios e impede qualquer desvio de rota. A punição para os faltosos é dura e pode incluir a prisão.

O fotógrafo polonês Michal Huniewicz resolveu correr esse risco durante uma viagem ao país de Kim Jong II. Aproveitando os raros momentos de distração de se guia, pegou sua câmera e, furtivamente, registrou um cotidiano praticamente desconhecido dos ocidentais.

Fontes: aqui e aqui.

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While much of North Korea's main city seemed spotlessly clean, this photo reflects a more realistic side to the city life for many residents

'I had 15 seconds to take this picture. This shop is for the locals only, and I was kicked out of it by my guide soon after taking this photo, but he didn't’ see me taking it,' Michal told Bored Panda

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Escócia e País de Gales ameaçam abandonar o Reino Unido

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É o que diz o jornal inglês “The Independent”. Segundo matéria recentemente publicada, os parlamentos de Escócia e País de Gales vêm mantendo conversas secretas sobre este tema, inédito na história dos dois países.

A notícia vem a reboque dos rumores recentes sobre a saída dos britânicos da União Europeia, proposta por políticos de direita da ilha.

A proposta escoto-galesa inclui até mesmo um túnel ligando os dois países – que ficam em extremidades opostas da Grã-Bretanha – passando pela Ilha de Man, no Mar da Irlanda, a praticamente meio caminho dos dois países. O projeto deve custar em torno de 7 bilhões de libras.

Seria um fato interessante não fosse a data em que a matéria foi publicada: às 00:01 de primeiro de abril.

“A OTAN é obsoleta”, diz Trump

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Trump parece mesmo decidido a criar inimigos dentro do Partido Republicano.

Sua mira agora está voltada para nada menos do que a OTAN. Nunca, desde a criação da entidade, um candidato a presidente dos EUA atreveu-se a atacar a aliança político-militar mais poderosa do mundo.

“A OTAN é obsoleta, cara demais e não combate o terrorismo”, diz ele. “Precisamos reformá-la ou simplesmente colocar algo novo no seu lugar”.

E foi além: “os EUA não podem permitir-se ser o polícia do mundo. Temos de reconstruir este país e temos de parar com isto … quando é preciso ir a algum lado, somos sempre nós os primeiros”. Frase que, com um ou outro ajuste, não ficaria mal na boca de alguns esquerdistas de seu país.

Até agora, a reação mais forte vem de Ted Cruz, republicano hard line e adversário de Trump. Para ele, o bilionário está “maluco”.

Oskar Lafontaine: “O socialismo é um cristianismo secularizado”

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“A mensagem do cristianismo tem muitas semelhanças com os princípios do socialismo. O cristianismo fala de caridade, enquanto o socialismo fala de solidariedade”. São as palavras germanicamente diretas de Oscar Lafontaine, uma das figuras mais importantes da esquerda alemã e líder do partido Die Linke (“A Esquerda”, em alemão). Palavras que apontam para uma conclusão: “O socialismo é um cristianismo secularizado”.

Tenhamos em mente que “socialismo”, para Lafontaine, não é a versão amigável defendida pela maioria dos social-democratas e socialistas europeus de hoje. Seu partido, fruto da reunião de dissidentes do velho Partido Social-Democrata e ex-comunistas da Alemanha Oriental, não quer apenas “reformar” o atual sistema econômico: quer superá-lo. “Nós, do Die Linke”, diz ele, “queremos derrubar o capitalismo”. São socialistas alemães de verdade.

A relação do socialismo alemão, e do socialismo europeu em geral, com a mensagem cristã oscila entre o rechaço mútuo e tentativas de diálogo mais ou menos bem sucedidas. Se por um lado temos as críticas Marx no “Manifesto Comunista” ao que chama de “socialismo cristão”, para ele inerentemente reacionário, por outro temos o ponto de vista comparativamente mais simpático de Rosa Luxemburgo, para quem os apóstolos cristãos eram ardentes comunistas (como ela). É uma situação diferente da que temos na América Latina, onde a Teologia da Libertação abriu um caminho de colaboração e entendimento com os partidos de esquerda.

Nascido no Saarland, região do sul da Alemanha que esteve por muito tempo em litígio com a França, Lafontaine vem de uma família católica de classe operária. “Fui muito influenciado pelo ensino social católico. Afastei-me porque vi a Igreja aliar-se aos poderosos”. Quem mudou isso, disse ele, foi o papa Francisco, a quem denomina de “o maior líder de nosso tempo”. O Sumo pontífice é frequentemente citado em seus discursos e entrevistas, ao lado de Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e, claro, Karl Marx.

“O programa do nosso partido”, assegura ele, “é muito próximo do da Doutrina Social da Igreja”.E vai além: “Somos o único partido da Alemanha que pode concordar com o papa quando ele diz: acabem com esse sistema econômico!”.

São palavras de um homem de fé. Mas a religião não era o “ópio do povo”, nas palavras do seu tão admirado Marx? “É o que está nas ‘Teses sobre Feuerbach'”, responde ele. “A religião hoje cumpre um papel diferente. Hoje, a questão é: quem será o responsável por guardar os valores de uma sociedade? O supermercado não pode tomar o lugar das catedrais”. 

O principal produto de exportação de cada país

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O mapa acima, feito a partir dos dados da CIA World Factbook e publicado hoje, não leva em consideração exportação de serviços.

Alguns países não surpreendem: a Rússia e os Estados árabes, com seu petróleo, e a China e os produtos eletrônicos, apresentam o que deles se espera. Mas quem imagina que o principal produto australiano vendido no estrangeiro seja o carvão? Ou que o ópio seja o do Afeganistão?

Quanto ao Brasil, é o único país, em toda a América do Sul, a ter produtos industrializados como principal item de exportação: no Chile e Peru é o cobre, na Argentina e o Paraguai a soja, no Uruguai a carne, na Bolívia o gás natural e em Venezuela, Equador e Colômbia é o petróleo.

A popularidade dos EUA na América Latina

A revista britânica “The Economist”, conhecida no Brasil pelas capas dedicadas ao nosso país, voltou a lembrar deste lado do mundo. Aproveitando a visita de Barack Obama a Cuba, publicou em sua edição online uma pequena matéria sobre a percepção dos latino-americanos acerca dos Estados Unidos.

O texto é ilustrado por um gráfico, onde podemos conferir o percentual de aprovação do país de Obama ao longo nos últimos vinte anos: em 1996, apenas 36% dos latinoamericanos eram simpáticos aos nossos vizinhos do norte; em 2015, a cifra chegou a  65%. Segundo os dados da revista, o país menos simpático aos americanos é a Argentina, seguida de Bolívia, Paraguai, Uruguai e México.

O gráfico da “Economist” traz ainda uma comparação interessante entre os níveis de popularidade dos EUA (representados pela linha laranja) e a expectativa de aprovação do país – considerada a partir dos investimentos norte-americanos no continente e a evolução do PIB per capita da região. O pressuposto desta comparação é a ideia de que a reprovação latinoamericana aos EUA está diretamente ligada à falta de uma presença econômica daquele país em nosso continente. 

Caberia perguntar, porém, porquê os países da América Central, muito mais pobres do que Brasil, México, Argentina ou Chile (e destinatários de muito menos investimentos americanos do que estes quatro), são em geral muito mais pro-americanos. A relação não parece resistir a uma análise aproximada. Mesmo assim, a pesquisa tem pontos importantes, sobretudo no que diz respeito à distribuição geográfica do sentimento anti-americano.

O encontro de Obama com Raul Castro

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Com direito a execução do hino dos EUA, Barack Obama foi recebido por Raul Castro nesta manhã de 21 de março. Foi a primeira visita de um presidente norte-americano a Cuba em 88 anos.

E não parece ter sido uma visita meramente protocolar.

Ao menos, não é assim que se qualifica um encontro onde o visitante exige – vejam bem: exige – que tirem uma foto sua diante da efígie de Che Guevara desenhada em um prédio de Havana.

E Obama não ficou só nisso: fez um discurso saudando a José Martí, heroi nacional cubano: “É uma grande honra render tributo a José Martí, que deu sua vida pela independência de seu país. Sua paixão pela liberdade e a autodeterminação se mantém viva no povo cubano”.

A saudação de Obama seguramente não é ingênua: Martí, em seu ensaio “Nuestra América”, critica com vigor o monopólio do uso da expressão “América” pelos norte-americanos, identificando-a com tendências imperialistas. Cunhou ali a expressão “el tigre de afuera” (o tigre de fora”) para se referir ao país de Obama.

O tigre, pelo que parece, está mais manso. Ou mais esperto.

Um aliado improvável

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“A ascensão de um racista na política americana assusta o mundo todo”, publicou um dos jornais oficiais da China nesta semana. “Trump tem sido comparado a Mussolini ou Hitler por parte da mídia ocidental”.

E os chineses têm bons motivos para não gostarem de Trump: por mais de uma vez ele referiu-se ao país como um adversário econômico dos EUA e prometeu “jogar duro” com “aqueles comunistas da Ásia”, segundo suas próprias palavras. Mas a antipatia e a inimizade podem ser úteis aos governos.

A seguir, o mesmo jornal lembra que “os dois – Mussolini e Hitler – chegaram ao poder através de eleições – o que deveria ser uma lição para as democracias ocidentais”. Aí está o alerta: eis o que acontece com as democracias burguesas. Na nossa democracia, popular, orgânica, chinesa, isso não se passa.

Segundo Nick Bisley,  professor de Relações Internacionais especialista em política chinesa,  Trump cai bem no estereótipo de político capitalista que os comunistas alimentam: “um ocidental decadente que dispara com a boca todo tipo de comentário racista e louco”.  Um líder irracional, que se recusa a compreender a superioridade da economia planificada socialista e das vantagens de um Estado igualitário. Bisley garante: os chineses estão sorrindo de contentamento. Trump está fazendo tudo o que eles gostariam. Está, sem querer, dando-lhes razão.

Trump, anticomunista como poucos neste mundo, acaba por ser um aliado importante deles. Não é o primeiro deste tipo – e nem será o último.

Trump ameaça Sanders: “Meus apoiadores irão aos seus comícios”

U.S. presidential hopeful Donald Trump holds up a signed pledge during a press availability at Trump Tower in Manhattan, New York

O tom da campanha presidencial americana continua subindo. Nas últimas semanas foram registrados vários casos de enfrentamento entre os partidários de Donald Trump, do Partido Republicano, e Bernie Sanders, do Partido Democrata, incluindo aí invasões da comícios e ameaças de atentados.

O clima está bem pesado – e pode ficar pior.

No último sábado, Trump foi obrigado a cancelar um comício em Illinois. Motivo: manifestantes supostamente identificados com a candidatura de Sanders invadiram o local. Trump culpou Sanders, a quem chamou de “nosso amigo comunista”. O candidato democrata, por sua vez, negou qualquer envolvimento.

No último domingo, a resposta de Trump veio em um tom acima:

“Bernie Sanders está mentindo quando diz que seus apoiadores não são enviados aos meus eventos. Cuidado, Bernie, ou os meus apoiadores vão aos seus!”.

É o tipo de coisa que ninguém gostaria de pagar para ver- a não ser, é claro, algum fanático anti-americano.

Coreia do Norte avisa: “Nossa bomba pode destruir Manhattan”

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É melhor os americanos tomarem cuidado ao lidar com a Coreia do Norte. O país do presidente Kim Jong Un aparenta não estar brincando.

“Nossa bomba de hidrogênio é muito maior do que a desenvolvida pelos soviéticos”, disse a emissora estatal norte-coreana.

“Se essa bomba fosse colocada num míssil intercontinental e caísse em Manhattan, todos os habitantes de Nova York seriam imediatamente mortos e a cidade arderia em fogo até virar cinzas!”, disse o cientista Cho Hyong II, citado na reportagem.

O mesmo Cho – que até agora não foi identificado – disse que o potencial a bomba norte-coreana “está além da nossa imaginação”.

Trump volta atrás

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Depois de muita polêmica e com um eleitorado já cativo, o pré-candidato à presidência dos EUA, Donald Trump, parece ter mudado de opinião em relação a algumas propostas.

Uma delas – que certamente o fez popular em um segmento da população – é a legalização da tortura quando o preso for acusado de terrorismo. Num comunicado publicado ontem, Trump dá a impressão de que deixou de lado essas ideias: 

“Irei usar todos os poderes legais que tenho a meu dispor para impedir que os nossos inimigos terroristas ganhem terreno. Compreendo que o país está obrigado a cumprir leis e não vou exigir que os nossos militares e outros oficiais as violem. Procurarei, por outro lado, os seus conselhos nessas matérias. Como presidente, irei também cumprir a lei e assumir as minhas responsabilidades”. 

Parece um juramento de formando em Direito. Não combina com o Trump que conhecíamos até agora. O que terá motivado esta, digamos, capitulação do bilionário?

O Partido Republicano – aparentemente – rende-se a Donald Trump

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Demorou, mas aconteceu: o Partido Republicano está – ou, ao menos, parece – pronto para reconhecer que Donald Trump pode mesmo ser o seu candidato à Presidência.

E não foi nada fácil: desde o começo da campanha, Trump vem sendo atacado duramente pelos seus companheiros de partido – muitas vezes com mais vigor do que pela oposição democrata. Acusam-no de bufão, autoritário, farsante, ditador, fascista, palhaço, falso conservador e até de -pasmem – socialista. Sobram adjetivos e insultos para atacar Donald Trump. Mas faltam votos – o que Trump, segundo todas as pesquisas, demonstra ter. E a eleição, nos EUA ou em qualquer outro país, é decidida dessa forma.

Ao que parece, seus até então ferozes opositores do Partido Republicano perceberam isso. No debate desta quinta-feira, realizado entre os pré-candidatos, ouviu-se pela primeira vez a confirmação de que, sim, apesar de tudo, Marco Rubio, Ted Cruz e John Kasich – os concorrentes para a vaga – apoiarão Trump caso ele seja o candidato escolhido.

A pergunta foi: “Você pode dizer, de maneira definitva, que apoiará o candidato escolhido pelo Partido Republicano mesmo se este for Donald J. Trump”?

Marco Rubio fundamenta sua escolha na ideia de mal menor: do outro lado – o Democrata – ele diz que há uma “investigada pelo FBI” (Hillary Clinton) e um “socialista” (Bernie Sanders); John Karsich, por sua vez, admite que será difícil, mas apoiará quem for o escolhido pelo partido; quanto a Ted Cruz, lembrou já ter dado sua palavra sobre esse tema e que, quando dá sua palavra, ele a cumpre. Ponto final.

Quanto a Trump, aproveitou para protagonizar mais um momento Donald Trump: “Mesmo se não for eu?”, perguntou. No fim, admitiu que, “mesmo que os demais não mereçam”, ele os apoiaria.

Ao que parece, o Partido Republicano está, finalmente, unido em torno de um projeto. Mesmo que não seja aquilo que muitos deles gostariam que fosse.

Sobre derrota de Bernie Sanders na Carolina do Sul

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“A discussão sobre políticas para os negros começa sempre falando sobre temas de justiça criminal e prisões. Os eleitores negros querem a mesma coisa que os eleitores brancos. Eles querem poder pagar a prestação das suas casas, pagar seus aluguéis, pagar suas contas, impostos, educar suas crianças. E quando você pensa que tudo o que estrutura o discurso político direcionado aos negros é uma conversa sobre justiça criminal e crime, bem, isso é fazer uso de um estereótipo. E ainda que haja um número desproporcional de negros na prisão na Carolina do Sul e que nós entendamos bem os efeitos do racismo estrutural, ainda temos um milhão, ou próximo de um milhão, de negros aptos a votar na Carolina do Sul e provavelmente algo próximo de 600.000 a 700.000 eleitores registrados. E quando você olha para os resultados de 2008 a 2012 e o número de pessoas que não votou e estava registrado para votar, isso diz muito sobre o Partido Democrata. Isso diz muito sobre quem diz que está fazendo uma revolução, e não é uma revolução.

(…) Você fala apenas de crime, da polícia e de assuntos do tipo “Black Lives Matter. Bem, eu creio que a comunidade negra é mais sofisticada do que isso.”

Kevin Alexander Gray, ativista político da Carolina do Sul, em entrevista a Amy Goodman